sexta-feira, agosto 28, 2009

Onde pára a polícia? E a ECALMA, já agora?




Existe em Almada uma zona pedonal - relativamente pequena e que, para zona pedonal, até aceita muitas excepções: podem passar por lá viaturas de emergência (tipo polícia ou bombeiros), transportes públicos (autocarros e táxis, além do metropolitano de superfície), e viaturas devidamente autorizadas (por exemplo, residentes ou, suponho eu, pessoas que vão levar e/ou buscar alunos ao Externato Frei Luis de Sousa).

Estas imagens foram captadas em Agosto, numa segunda-feira (dia 24) durante a tarde. Mas podiam ter sido captadas em qualquer outro dia, de qualquer outro mês. Porque a cena repete-se: carros a passar, indiscriminadamente, pela "zona pedonal" de Almada. Normalmente seguindo atrás de autocarros dos TST (esperteza "saloia" tipo vamos lá ver se passo despercebido atrás deste...). Mas, muitas vezes, de forma mais afoita - e desrespeitando, descaradamente, os peões - passa-se por lá, assim, sem mais, como se não existissem regras...

Haverá, no entanto, a possibilidade de serem isto viaturas autorizadas? Que eu saiba, não. Não vejo nada (nunca!) que os identifique como viaturas de emergência, transportes públicos ou residentes (deviam ter um dístico a identificá-los, não?). E não devem ser, também, pais ou encarregados de educação dos alunos do Frei (era Agosto, e em Agosto não há aulas, certo?).

Quem passa de carro pela "zona pedonal" de Almada, sem estar devidamente autorizado, desrespeita os peões. Mas, além disso, comete uma ilegalidade, punível de acordo com as leis do país e os regulamentos do município.

Há uns tempos atrás, um grupo de jovens decidiu manifestar-se contra o tráfego automóvel na "zona pedonal" de Almada (a favor da legalidade, portanto) e foram reprimidos pela polícia. Agora, muita gente desrespeita a legalidade e não aparece a polícia... já nem digo para os reprimir mas, pelo menos, para prevenir que tal aconteça. Porquê?

Que se passa?

E, já agora: a empresa municipal que, supostamente, regula o trânsito - a ECALMA - faz o quê? Suponho que não podem mandar parar estes automobilistas espertalhões... Mas não podem, pelo menos, dizer à polícia que estas coisas estão a acontecer impunemente, todos os dias e a toda a hora?

quarta-feira, agosto 26, 2009

Julgava eu que Almada era uma ditadura comunista... O Seixal é pior, livra!


Nas Festas de Corroios há um espaço destinado à propaganda política. O espaço é igual para todos (3 metros e meio de frente), mas o PS queria este ano um tratamento privilegiado (parece que precisava de um "stand" maior, com 6 metros de frente).

A organização da festa não fez a vontade aos "socialistas", e estes não foram de modas: em vez de uma banca política, montaram, no espaço que lhes estava destinado, um protesto cénico. Porque, afirmam, o PS foi «impedido de participar nas festas» pela «ditadura comunista» que governa o Seixal. Portanto, o PS participa só para denunciar que não o deixaram participar, certo? Pronto, está bem... quem sou eu para contradizer tal lógica?

Aqui está, então, uma imagem do festivo protesto "socialista", no espaço de 3,5 metros de frente, entalado entre as bancas do Bloco de Esquerda e do PCP (facto que devia ter qualquer coisa de simbólico, mas deixemos isso...), também elas com o mesmo espaço, e... Mas esperem aí, há qualquer coisa que não bate certo!

O PCP tem, além do espaço político, um restaurante com esplanada! E depois um bar, da JCP! O espaço político é igual ao dos outros, mas tem, além disso, também restaurante! E bar! E esplanada! É injusto, sem dúvida! Convenhamos que, hoje em dia, não se faz política que não passe pelo restaurante. Ou pelo bar...

Ok, começo a perceber a razão do protesto "socialista". Mas parece que há mais. Deixa cá ler o folheto que eles distribuiam à entrada do recinto (no lado de dentro, note-se) da festa na qual foram impedidos de participar pela "ditadura comunista"...


Portanto, pediram um espaço com 6 metros de frente, no dia 1 de Abril, e não obtiveram resposta... Adiante, para não cair na tentação de fazer piada com isso (os "comunas" também fazem piadas, de vez em quando...).

Como não lhes deram o tal espaço, não podem participar, nas festas de Corroios, com «o stand com que esteve em todas as festas do concelho, porque este tem 6 metros de frente» (esclarecimento para quem não conhece a zona: "este tem 6 metros de frente" refere-se, por estranho que pareça, ao stand do PS, não ao concelho do Seixal). Se o PS não tem espaço e não pode participar, a culpa é da "ditadura comunista" no Seixal.


Mais uma vez, a lógica é irrefutável. Vejamos: o concelho do Seixal é governado pelo "PCP/CDU" (sic); o PS esteve em "todas as festas do concelho" com o mesmo stand; mas em Corroios - freguesia do Seixal, também dirigida pelo "PCP/CDU" (sic), deram-lhes um espaço para stand de divulgação política igual ao que é dado aos outros partidos; portanto, o PS foi prejudicado pela Junta de Freguesia de Corroios, que não lhes cedeu o espaço pretendido - o que nos leva à conclusão que, não podendo o PS participar, em Corroios, com o stand que apresentou nas outras festas do mesmo concelho (governado pelo mesmo partido que tem a maioria na Junta de Corroios) foi prejudicado em Corroios mas não no restante concelho (onde apresentou sempre o mesmo stand que não pode apresentar agora em Corroios), logo, o Seixal (não Corroios) é uma "ditadura comunista"!


Brilhante silogismo! Nem Sócrates se lembraria dessa! (Um sofista desenrascado talvez, mas Sócrates não me parece...)


É claro que eu estou a brincar com coisas eventualmente sérias. Não sei qual era o stand com que o PS participou "em todas as festas do concelho". Teria restaurante? Bar? Esplanada? Ou outra coisa qualquer - algo politicamente relevante, por exemplo - que justificasse um tratamento diferenciado relativamente aos outros partidos que participam este ano nas Festas de Corroios? Eles (PS) não explicam e eu, que não sou bruxo, não consigo adivinhar.

Fico, no entanto, mais descansado por ver que o PS considera existirem, em todo o mundo, apenas duas "ditaduras comunistas" - a saber: Coreia do Norte e Seixal. Pensava eu que Almada fazia parte desse eixo do mal. Mas pronto, parece que afinal não faz. «Ditaduras comunistas só na Coreia do Norte e Seixal», afirma o PS. Ora, se o PS o diz... Uf, que alívio!

sábado, agosto 22, 2009

Festas de Corroios 2009


É verdade que não me pagam para fazer esta publicidade.
E depois? O que é bom é para se divulgar!


Mais informação sobre
as melhores festas da Margem Sul do Tejo (digo eu) em

e

quarta-feira, agosto 19, 2009

O Farol de Cacilhas é vermelho. Quem diz isso? A Marinha Portuguesa! (E eles devem perceber alguma coisa de faróis, não?...)


Artigo publicado no site da Marinha, a propósito da recolocação do Farol de Cacilhas no Largo Alfredo Dinis:


"Este dispositivo de assinalamento marítimo iniciou o seu período de funcionamento em 15 de Janeiro de 1886 e consistia numa óptica de 5ª ordem com um candeeiro de duas torcidas, numa lanterna cilíndrica com cúpula esférica, sobre uma torre cilíndrica vermelha de 12 metros de altura e 1,7 de diâmetro, emitindo uma luz fixa branca num sector de 342º, com um alcance nominal de 11,5 milhas. Em 18 de Maio de 1978, por motivos associados à construção do novo Terminal de Passageiros de Cacilhas e à pouca aplicabilidade como Ajuda à Navegação, o Farol de Cacilhas foi extinto.

O ex-Farol de Cacilhas, no período entre finais de 1983 e o ano de 2004, substituiu o Farol da Serreta (parcialmente destruído por um forte sismo) e, a pedido da autarquia de Almada que considerava o Farol de Cacilhas como parte da história e do património cultural daquela edilidade, foi em 4 de Outubro de 2007, celebrado um protocolo com a Marinha conducente à execução pela Direcção de Faróis da recuperação da estrutura metálica do farol, sua montagem em local a definir e instalação de um sistema de iluminação de baixa intensidade, passando a constituir uma nova “conhecença”, embora sem funções de Ajuda à Navegação.

Após um período de aproximadamente 6 meses, durante o qual se procedeu à recuperação da estrutura metálica do farol nas instalações da Direcção de Faróis, foi em Junho de 2009 implantado no cais fluvial de Cacilhas, regressando finalmente ao local onde nascera e satisfazendo desta forma um antigo anseio da população local."



PS: Esta é, obviamente, a minha contribuição para a polémica mais imbecil da actual "silly season" almadense. Sobre a cor que - de acordo com a Marinha... - era a original daquele monumento, acrescentei um sublinhado, da minha inteira responsabilidade. E a vermelho, naturalmente... (A foto foi copiada, também, do referido site)

sexta-feira, agosto 14, 2009

A Volta!...


Quarta-feira, 5 de Agosto de 2009, a meio da tarde, no Marquês de Pombal, Lisboa. O prólogo da Volta a Portugal em Bicicleta disputava-se mais abaixo, num circuito urbano que ia até aos Resturadores e regressava ao Marquês.

Enquanto os ciclistas se esfalfavam, o povo de Lisboa divertia-se na área dos patrocinadores. (Tá bem, pronto: outros estavam a aplaudir os atletas. A propósito: quem venceu foi o Cândido Barbosa, também conhecido como foguete da Rebordosa.)

quarta-feira, agosto 12, 2009

Incêndio na Cova da Piedade: acidente ou fogo posto? Sei lá eu! Alguém sabe?


Ontem à tarde, uma fumarada espessa elevava-se da zona da Cova da Piedade. Intrigado, lá fui ver o que era. E, armado em jornalista, tratei de fotografar. Mas, porque não estou de facto a exercer a profissão num órgão de comunicação social - e não gosto de me armar em carapau de corrida - evitei, naquela altura, fazer o que compete ao jornalista: perguntar, investigar, obter esclarecimentos para compor a notícia. E, pela mesma razão, não tentei aproximar-me muito da zona onde os bombeiros e a polícia faziam o seu trabalho.

Ainda assim, lá consegui perceber que era um incêndio que teria começado num edifício perto dos antigos silos de cereais. Incêndio que, estranhamente, se espalhou a outros imóveis não anexos àquele onde, aparentemente, se terá dado a ignição. Alguns moradores da zona - a quem não perguntei nada, mas que comentavam de forma espontânea (logo, não pude deixar de os ouvir) - falavam mesmo em fogo posto. Porque - diziam - naqueles prédios antigos vivem imigrantes ucranianos que não são bem vistos por uma parte da população. E - segundo os mesmos comentadores espontâneos - já não seria a primeira vez que "alguém" tentava pegar fogo a prédios naquela área, precisamente para tentar afastar dali os tais imigrantes.

Claro que isto são apenas comentários que se ouvem na rua. E, como tal, valem o que valem. (Valem, por exemplo, o mesmo que as "bocas" de certos blogueiros moralistas e anónimos que pululam alegremente por esta blogosfera.)

Hoje mesmo tentei falar com algumas fontes que me pudessem fornecer informação mais credível sobre o assunto. À hora a que escrevo este artigo (este "post") não consegui obter essas informações. Mas, porque tenho até umas fotos fixes do evento, não quis deixar de as publicar no meu bloguezito. Sem mais informação, é certo.

No entanto, e para não me ficar por um artigo meramente especulativo, acrescento - com a devida vénia... - um artigo do Jornal de Notícias, escrito pela jornalista Sandra Brazinha. O JN (a Sandra) esteve lá, falou com as pessoas, tentou perceber o que teria acontecido - e conta aquilo que conseguiu apurar. Fez, portanto, um trabalho jornalístico como deve ser feito.




Incêndio destrói antiga fábrica e causa forte susto
Chamas consumiram armazém onde o lixo se acumulava, acusa a vizinhança

SANDRA BRAZINHA
As chamas dominaram ontem, terça-feira, por completo um dos edifícios da antiga fábrica de farinhas Aliança, na Cova da Piedade, Almada. Os bombeiros conseguiram evitar que o fogo alastrasse, mas mesmo assim ficou o susto.

"Apanhámos um grande susto. Ainda fui lá a correr e vi o lume a sair do telhado. O pior já passou", desabafou ao JN Rufina Joana, proprietária de um café nas redondezas da antiga fábrica. Quando o telhado caiu, deu-se uma explosão e pegou noutros lados. Tivemos medo, porque se dá para pegar nos barracões, isto ardia tudo", conta também António Dias Lopes, de 74 anos, que assistiu ao incêndio a partir da janela da sua residência.
Os donos dos armazéns vizinhos também recearam que o fogo pudesse levar os seus pertences. "Perdia as mercadorias que lá tenho. São só rolhas e cortiça. Ardia tudo depressa", comenta Manuel Loução, de 64 anos, queixando-se do estado de abandono do edifício ardido.
"Aquilo estava péssimo. É só lixo e porcaria. Está tudo ao abandono", adianta.
Francisco Valente, de 58 anos, tem a mesma opinião. "A culpa disto é da Câmara que não limpa. Compraram isto há uns 10 anos e não fizeram mais nada", lastima. "Se chegasse ao outro armazém que tem as coisas do Carnaval tinha sido pior", acrescenta.


O incêndio, cujas causas estão ainda por determinar, pode ter tido mão humana. "Isto foi fogo posto", garante Virgílio Pereira, proprietário de um restaurante situado em frente ao prédio, referindo que o cheiro a fumo começou logo pela manhã, apesar de o alerta ter sido dado às 14.30 horas. "Há cinco dias preveni que isto era um rastilho de pólvora por causa dos buracos que dão acesso a estes imóveis. Era só mandarem algo para o interior. Eu disse que era urgente", recorda.
O edifício da desactivada fábrica de farinhas, considerado um imóvel de interesse público, foi adquirido pela Câmara Municipal para ser transformado em espaço museológico. Contudo, aquele que foi o primeiro edifício de betão armado a ser construído em Portugal, no século XIX, servia actualmente de armazém.
"É onde guardamos os materiais. Tínhamos cinco viaturas antigas da Câmara que tinham sido recuperadas para doar que ficaram completamente destruídas", avançou ao JN Jorge Graça, da Protecção Civil Municipal, lembrando que aquele era "um armazém de arrumos sem electricidade".
O fogo terá começado no exterior e alastrado para o interior, propagando-se a outros edifícios. Devido ao risco de queda, uma das paredes devastada pelas chamas teve de ser demolida.


Os bombeiros conseguiram evitar que o fogo chegasse a um armazém com material das marchas populares, aos depósitos de gás e de combustível dos autocarros da Transportes Sul do Tejo a cerca de 200 metros e à Estação de Tratamento de Águas Residuais, localizada nas traseiras.
"Só há danos matérias no próprio edifício", confirma o comandante interino da PSP de Almada, sub-comissário Bartolomeu, salientando que um bombeiro terá sido transportado ao hospital por indisposição. As investigações estão a cargo da Polícia Judiciária.
Jornal de Notícias:

segunda-feira, agosto 10, 2009

O que é um jornalista? Segundo a lei portuguesa é o seguinte:

Lei n.º 1/99, de 13 de Janeiro (actualizada) Estatuto do Jornalista

Publicada em 13 de Janeiro de 1999, a lei fundamental para o exercício da profissão de jornalista define a respectiva actividade, normas de acesso à profissão, direitos e deveres dos jornalistas, acesso às fontes e sigilo profissional, entre outros aspectos. Foi alterada pela Lei n.º 64/2007, de 6 de Novembro, com rectificações feitas pela Declaração de Rectificação n.º 114/2007, da Assembleia da República. Versão em vigor

CAPÍTULO I

Dos jornalistas

Artigo 1.º
Definição de jornalista

1 - São considerados jornalistas aqueles que, como ocupação principal, permanente e remunerada, exercem com capacidade editorial funções de pesquisa, recolha, selecção e tratamento de factos, notícias ou opiniões, através de texto, imagem ou som, destinados a divulgação, com fins informativos, pela imprensa, por agência noticiosa, pela rádio, pela televisão ou por qualquer outro meio electrónico de difusão.

2 - Não constitui actividade jornalística o exercício de funções referidas no número anterior quando desempenhadas ao serviço de publicações que visem predominantemente promover actividades, produtos, serviços ou entidades de natureza comercial ou industrial.

3 - São ainda considerados jornalistas os cidadãos que, independentemente do exercício efectivo da profissão, tenham desempenhado a actividade jornalística em regime de ocupação principal, permanente e remunerada durante 10 anos seguidos ou 15 interpolados, desde que solicitem e mantenham actualizado o respectivo título profissional.

No Sítio do Sindicato dos Jornalistas
http://www.jornalistas.online.pt/noticia.asp?id=26&idselect=24&idCanal=24&p=8

(O "sublinhado" - em bold e itálico - à lei é meu, e serve para esclarecer - espero que definitivamente - algumas dúvidas que algumas pessoas têm apresentado sobre a minha capacidade - ou suposta incapacidade - legal para exercer a profissão. É verdade que não tenho, ainda, carteira profissional. Mas não porque não a possa ter - visto que exerci entre 1992 e 2002 e regressei em 2008, o que significa que tive 10 anos seguidos e mais de 15 interpolados a fazer jornalismo profissionalmente. A seu tempo e nos locais devidos, refutarei, se necessário - mas com recurso à legalidade e não a patranhas - os argumentos pseudo-legalistas de quem afirma que eu não sou jornalista nem o posso ser. E explicarei, também, porque razão não tenho ainda carteira profissional, e porque é que esse facto se deve, principalmente, a actos cometidos pelos que agora me apontam o dedo e que, com tais actos, prejudicaram de forma inequívoca a minha carreira profissional. Entretanto, tenham juizo, metam-se na vossa vida, deixem-me fazer a minha e não me façam perder mais tempo com explicações destas. Ou, dito de outra forma: da próxima vez que me queiram ameaçar com uma lei, pelo menos leiam-na antes para não perderem o vosso tempo e o meu. Importam-se?)

sábado, agosto 08, 2009

Um intenso e prolongado aplauso para Raul Solnado!

Raul Solnado (Lisboa, 19 de Outubro de 1929 — Lisboa, 8 de Agosto de 2009).

Video da TV Record (São Paulo, Brasil): "Durante o show do dia 7 de 7/07/67 o comediante português Raul Solnado mostra todo seu talento com o inesquecível Otelo Zeloni."

Raul Solnado focou conhecido como humorista e - ainda nos anos 60 - precursor em Portugal do estilo a que hoje se chama "stand up comedy". Mas o seu talento não se esgotava no "humor". (Felizmente...) Foi um actor versátil (e talvez subaproveitado para "papéis sérios"). Não me esquecerei, nunca, do seu desempenho na "Balada da Praia dos Cães", filme de José Fonseca e Costa, a partir do livro homónimo de José Cardoso Pires. A rábula "A Guerra" fazia parte do meu imaginário infantil e "radiofónico"; mas foi com o filme de Fonseca e Costa que apreciei, verdadeiramente, o talento do grande Raul Solnado. Grande, mesmo! Inesquecível, mesmo!

http://pt.wikipedia.org/wiki/Raul_Solnado

terça-feira, agosto 04, 2009

Almada, Verão de 1384 - I: Como Almada aderiu à causa do Mestre de Avis (futuro rei D. João I) e o que sofreu por isso


Almada teve um papel importante num dos momentos decisivos para a independência nacional: a Revolução de 1383-85, que contrariou as pretensões castelhanas ao trono de Portugal, e levou ao poder o primeiro rei da Segunda Dinastia. Num momento histórico repleto de peripécias - das quais a mais conhecida, e celebrada, será a Batalha de Aljubarrota - o cerco a Almada tem, contudo, algumas das mais interessantes (interessantes seja qual for o ponto de vista...). E dava um filme!

Querem conhecer um pouco dessa história? Sigam-me: vou contar-vos o que diz o cronista Fernão Lopes (socorrendo-me também, e muito, de um texto de Alexandre Magno Flores, director do Arquivo Histórico de Almada). O texto de Alexandre Flores está entre aspas; o original, de Fernão Lopes, em itálico.

"Com a morte do rei D. Fernando, ocorrida a 22 de Outubro de 1383, pouco depois do casamento da sua filha com D. João de Castela, a regência do reino foi entregue à rainha D. Leonor. Tendo em conta os termos do contrato daquele casamento, nem o rei de Castela, nem a maioria do povo português aceitaram tranquilamente a solução então adoptada.

D. João de Castela pretendia, de facto, assenhorear-se do reino de Portugal. Por outro lado, o povo português receava que a regente acabasse por entregar a coroa ao filho e ao genro."

(...)

"Estavam divididas as opiniões, pois além do Mestre de Avis" (D. João, futuro rei D. João I) "e do rei de Castela, pretendiam a coroa os dois filhos de Inês de Castro, D. João" (rei de Castela) "e D. Dinis. Nesta crise, a maioria da fidalguia decide-se pela viuva D. Leonor e depois em favor do rei de Castela, enquanto que o povo, a burguesia comercial-marítima e alguns altos dignatários, tomam o caminho da revolução"

E é mesmo de uma revolução que se trata. Encabeçada pelos burgueses (nova classe social emergente) de Lisboa, mas rapidamente secundada pelo povo - a arraia miúda, como lhe chama Fernão Lopes - e superiormente dirigida, a nível militar, por Nuno Álvares Pereira.

Tudo começa a 6 de Dezembro de 1383 quando, na sequência de uma conspiração engendrada pela nova classe social, um grupo de "comandos" - que inclui o Mestre de Avis, D. João - se dirige à corte e assassina o Conde de Andeiro (amante da rainha regente, considerado partidário da causa castelhana e, eventualmente, pouco mais que um bode expiatório da história). Este assassinato político serve de rastilho ao que vem a seguir: os instigadores do golpe (burgueses de Lisboa, liderados por Álvaro Pais) enganam o povo da capital, espalhando um boato segundo o qual o Mestre de Avis (personagem indecisa politicamente, mas acarinhada pela população) foi alvo de uma cilada na corte (ou seja: exactamente o contrário do que acontecia efectivamente!).


A palavra de ordem era: ao paço, ao paço, que matam o Mestre!

Vendo que o Mestre estava vivo, a população de Lisboa rejubila e, em seguida, ataca tudo o que cheire a castelhano, ou pró-castelhano. À fúria popular não escapa, sequer, o Bispo de Lisboa: atirado, ainda vivo, da torre da Sé Patriarcal, é deixado em agonia e pasto de cães esfomeados.


(A propósito: a bem da verdade histórica, ou do que se supõe ser a verdade histórica, não irei, neste relato, omitir alguns factos mais escabrosos, ou eventualmente mais chocantes - porque, dizem as fontes históricas, tais factos aconteceram mesmo!)

Com a revolução em marcha, a regente D. Leonor foge de Lisboa e , em seguida, refugia-se em Castela, onde pede ajuda ao rei D. João. Este avança com o seu exército sobre terras portuguesas. O primeiro objectivo é cercar Lisboa, obrigando os conspiradores - e o Mestre de Avis, já então aclamado "regedor e defensor do reino" - a capitular. Mas, para que o cerco a Lisboa resulte, é importante ocupar Almada, considerada assi come chave do mar pera quallquer armada que elRei de Castella sobre a çidade quisesse fazer.
Almada que, entretanto, se tinha já decidido pela causa independentista - do Mestre de Avis - e que viria, por isso mesmo, a sofrer um cerco feroz, durante largos meses de 1384.

Os castelhanos montam, então, o cerco a Lisboa. E, a partir de Maio desse ano, cercam também o Castelo de Almada. Os habitantes da vila, sitidos entre muralhas e a escarpa sobre o Tejo, vão passar duras privações e cometer actos de memorável heroísmo. Mas, no plano militar, as coisas não começam bem: alguns personagens influentes são capturados logo no início das hostilidades...

"A 11 de Junho de 1384 é preso em Almada, Diogo Lopes Pacheco, já com idade avançada, que entretanto chegara de Castela com os seus três filhos e 30 homens, para auxiliar o Mestre de Aviz. A mesma sorte coube também ao Regedor de Almada, Afonso Galo."

Mas isso era apenas o princípio...

(continua)


Foto: revista Sem Mais, Setúbal, 1995 - "O Castelo da Resistência", um dos primeiros artigos que fiz para a imprensa escrita...

Almada, Verão de 1384 - II: O cerco castelhano e a resistência almadense


Na luta pela independência nacional, durante a revolução de 1383-85, Almada esteve cercada pelo exército castelhano, entre Maio e Agosto de 1384. Resistiu enquanto foi possível - com muito sofrimento, privações e actos de heroísmo.

O investigador Alexandre Flores escreve, a partir da Crónica de D. João I, de Fernão Lopes):
"Na vila de Almada prosseguiam com alguma regularidade as escaramuças. O rei de Castela ordenou algumas das suas forças que fizessem uma cava longe do arrabalde em direcção a uma torre, junto à porta do castelo. No entanto, foram sair com a boca da cava à alcárcova, tendo sido imediatamente repelidos pelos almadenses.


Como esta operação não surtira qualquer efeito militar, o rei de Castela resolveu dirigir pessoalmente o combate, tendo para o efeito, mandado construir sobre o campanário da Igreja de Sant'Iago um cadafais forte de madeira. Aquando de uma luta entre os besteiros de ambas partes, os almadenses, sitiados no castelo, pensando que o rei castelhano se encontrava no referido cadafais, fizeram u tiro com um trom, resultando dois mortos e três feridos nos castelhanos, pouco tempo depois de o rei se ter retirado para comer.

Os castelhanos voltaram à carga, lançando duas fortes bombardas, mas o forte de Almada não sofreu qualquer estrago.

Os moradores de Almada começaram a ter dificuldades, sobretudo com a falta de água que ia rareando. A água existente na única cisterna do Castelo, acabou por se esgotar.
Como a água tinha minguado e os almadenses sitiados procurassem por todos os meios não se renderem, efectuaram, então, duas tentativas para obter água, descendo a barroca atrvés de um caminho que fizeram até junto ao rio Tejo. Na primeira tentativa, conseguiram iludir a vigilância inimiga, mas à segunda vez, cerca de cem castelhanos que se encontravam escondidos entre os penedos, atacaram de surpresa os 17 almadenses que transportavam diversas tinas. Desta escaramuça, os portugueses sofreram três mortes e os restantes feridos de setas e de dardos, ainda conseguiram levar para o castelo dois odres meos dagua".

Este episódio é, de resto, contado por Camões - com evidente exagero nos números - no Canto VIII de Os Lusíadas:

Olha que dezessete Lusitanos,
Neste outeiro subidos, se defendem,
Fortes, de quatrocentos castelhanos,
Que em derredor, pelos tomar, se estendem;
Porém logo sentiram, com seus danos,
Que não só se defendem, mas ofendem.
Digno feito de ser, no mundo eterno,
Grande no tempo antigo e no moderno!


"Em Lisboa, o Mestre de Aviz, conhecedor da situação aflitiva que se vivia no Castelo de Almada, decidiu enviar pela noite em socorro dos almadenses sitiados, uma barca com um trom, pólvora, bestas e outras armas. Por engano, a barca acabou por aportar junto aos batéis de Castela, tendo resultado a prisão dos tripulantes e a confiscação daquele material de guerra."

Acontece, então, um dos episódios mais curiosos e bizarros de todo o cerco: o regedor da vila, Affonso Gallo, é levado, como prisioneiro, em frente às muralhas do castelo. Diziam os castelhanos que, se Almada não se rendessem, o seu regedor seria morto ali mesmo. Estava Affonso Gallo acorrentado, lado a lado com um cavaleiro do exército castelhano, note-se!
Sabem o que aconteceu? Os almadenses responderam que bem os podia elRei (de Castela) matar se quisesse, mas que a villa nom dariam por nada que fosse. Dito e feito: dispararam, de entre as ameias do castelo, um projéctil. E, espantosamente, atingiram o castelhano, sem ferir o regedor da vila!

Fezerom prestes huu trom pequeno e tiraromlhe dantes as ameas: e foi tal sua ventuira que deu com elle (o castelhano) morto em terra e ficou Affonso Gallo vivo em pee (Fernão Lopes)


Então? Dava um filme ou não?

(continua)

Almada, Verão de 1384 - III: epílogo



Após 3 meses de cerco castelhano, Almada rendeu-se às tropas sitiantes - mas só depois de receber ordem - ou melhor dito: autorização - do próprio Mestre de Avis. Foi o culminar de um dos episódios mais importantes - e talvez menos conhecidos - da revolução de 1383-85, decisiva para a independência nacional.

Continuando a citar o historiador Alexandre Flores (que, por seu turno, cita a melhor fonte sobre a época: o cronista Fernão Lopes)...

"No evoluir da situação, os almadenses em estado de perigo de vida, devido à falta de água, resolveram enviar uma mensagem ao Mestre de Avis. Entretanto, em Lisboa, um almadense que tinha regressado numa frota proveniente do Porto, ofereceu-se voluntariamente para atravessar o Tejo a nado e levar a missiva se o Mestre o quisesse mandar a Almada.

Nessa mesma noite, o corajoso almadense atravessou o rio, tomando depois um caminho da barroca em direcção ao Castelo. O almadense anónimo realizou seis travessias no rio Tejo a nado, na última das quais transmitiu a ordem de capitulação autorizada pelo Mestre de Avis.

Deste modo, no dia 1 de Agosto de 1384, o rei de Castela acompanhado da mulher D. Beatriz, foram em galés ao porto de Cacilhas e daqui para Almada. O rei recebeu as chaves a vila e nomeou regedor um cavaleiro chamado João Bravo"

D. João, rei de Castela, face às adversidades e à encarniçada resistência almadense, tinha prometido passar todos os habitantes da vila a fio de espada - mas não concretizou a ameaça. Depois de tomar posse da vila, e do castelo, regressou à margem norte, para continuar o cerco a Lisboa.

Almada manteve-se ainda algum tempo sob o jugo das tropas castelhanas. Foi recuperada meses mais tarde por Nuno Álvares Pereira - que, a partir de 1385, com a independência nacional consolidada, recebe em doação, pelos serviços prestados, a vila e termo de Almada - e grande parte do território português a sul do Tejo.

Fontes:
Fernão Lopes, Crónica de el-rei D. João I de Boa Memória e dos reis de Portugal o décimo
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Alexandre M. Flores, Almada e a Revolução de 1383-1385 na Crónica de D. João I, de Fernão Lopes
Biblioteca Municipal - Câmara Municipal de Almada
1ª edição, 1984

sexta-feira, julho 24, 2009

A "Capelinha das Andorinhas" (Almada, 1980) - actual Igreja do Mártir São Sebastião


A Igreja de São Sebastião é reaberta este sábado e devolvida ao culto religioso católico. Tem agora o nome de Igreja do Mártir São Sebastião, mas anteriormente - durante muitos anos, mesmo - foi conhecida como a "capelinha" das Andorinhas. Por estar localizada no "Largo das Andorinhas", em Almada. E por ter estado a funcionar como taberna ("capelinha", portanto).

Em 1980, o jornalista João Paulo Velez, do (extinto) jornal "o diário" veio a Almada conhecer os esforços que se faziam então para tentar salvaguardar o património cultural da cidade. E, na sua peça deu (natural?) destaque à tal "capelinha".

Note-se, porém, que o jornalista de "o diário" baseou o seu texto em informações prestadas pelo Centro Cultural de Almada - associação que teve, na década de 80 e início da de 90, um trabalho relevante, mas discreto e hoje praticamente desconhecido (e na qual tive o privilégio de trabalhar entre 1981 e 1987).

A peça jornalística faz uma interessante (mas necessariamente breve) caracterização da Almada na transição da década de 70 para a de 80 do século passado. Esta era, então, de acordo com o texto, «a quarta maior cidade do país», em evidente crescimento demográfico, mas também com um passado (recente) de «total falta de planificação e critério de desenvolvimento do espaço urbano» que as autarquias tentavam contrariar, apesar da «falta de verbas».

A "capelinha" seria, pois, o exemplo acabado da degradação a que chegara o património cultural almadense.

Em 2009 (quase 30 anos passados...) a capela (ermida ou igreja, como se preferir) está recuperada e pronta para entrar ao serviço...

Há, no entanto, quem considere que a opção que a Câmara de Almada tomou (entregar a capela à Igreja) não é a melhor. Dizem as vozes críticas que existem já no centro da cidade muitos locais de culto católico e que aquelas instalações deviam servir agora, depois de recuperadas, para serviços sociais, ou culturais. E eu até acho que sim. Deviam, sim senhor!

Mas a verdade é que a Câmara de Almada - que é a proprietária do edifício desde 1993 - há muito tinha avisado que iria entregar aquelas instalações ao clero católico. "Há muito" significa, neste caso, há mais de 10 anos: na década de 90 (não me lembro exactamente quando), numa das entrevistas que fiz com o vereador António Matos (do pelouro da Cultura), coloquei-lhe a questão; e ele respondeu-me que (cito de memória) a política da Câmara de Almada nestes casos é «respeitar os locais de culto religioso como tal, e entregá-los à Igreja».

Eu não concordo. Mas não posso dizer que a Câmara não tinha anunciado essa intenção já há muito tempo. (Acontece que, estranhamente, há quem o diga... Será que nós, almadenses, temos memória curta?)

quarta-feira, julho 22, 2009

Metro Sul do Tejo - o projecto de 1995


O Metro Sul do Tejo (MST) foi proposto pela Câmara de Almada em meados da década de 80, mas foi 1995 o ano decisivo para o arranque do projecto. Nesse ano, as autarquias de Almada, Seixal e Barreiro assinaram com o Ministério das Obras Públicas (liderado então pelo social-democrata Ferreira do Amaral) um protocolo para implementar o projecto - dizia-se que seria até 1999.

A primeira representação gráfica das linhas (reproduzida aqui segundo a versão que publiquei no semanário Sul Expresso, em 29 de Março de 1995) anunciava já que o MST iria passar, à superfície, pelas zonas onde está, actualmente, em funcionamento (cliquem na imagem para ampliar e confirmar isso mesmo).

Assumia-se desde logo não como "o metro de Almada" - há quem, hoje, lhe chame isso - mas como um "projecto estruturante para o arco ribeirinho do Tejo, ligando os concelhos de Almada Seixal e Barreiro, com posterior extensão ao concelho da Moita". (Hoje existe apenas no concelho de Almada, e no Seixal só até Corroios...)

O estudo de viabilidade técnica e económica foi apresentado ao Governo de então no dia 20 de Março de 1995. Em Almada, foi aprovado - por unanimidade e aclamação - numa reunião pública da Câmara, a 5 de Abril (fonte: Sul Expresso, 12 de Abril de 1995, "Almada aprova protocolo do Metropolitano", artigo de Ana Isabel Borralho). Finalmente, o protocolo de colaboração entre os poderes central e local foi assinado no Barreiro, a 18 de Abril de 1995, com a presença do ministro e dos presidentes de câmara.

Escrevi anteriormente sobre as origens do MST - num artigo com mais conteúdo (e melhor documentado, até), mas também mais opinativo.Encontram-no aqui:http://vitorinices.blogspot.com/2008/11/o-metro-sul-do-tejo-contribuies-para.html

Metro Sul do Tejo e zona pedonal de Almada (em Maio de 2002)


O Metro Sul do Tejo (MST) é projecto que está no papel desde 1995 e que, desde logo, definia o traçado actual, assumindo-se como um "metro ligeiro de superfície ou eléctrico rápido" (ver artigo acima deste, sobre o estudo de viabilidade do MST).

Sabia-se, portanto, que autarquias e Governo(s) queriam que o MST passase, como metropolitano de superfície, nos locais por onde hoje passa efectivamente (a única excepção a esse entendimento será - suponho - a zona do "triângulo da Ramalha").
No entanto, só em 2002 se ficaram a conhecer os projectos para a criação de uma zona pedonal (ou zona de trânsito condicionado, como alguns lhe preferem chamar) na cidade de Almada. Só em 2002... Ou melhor: desde 2002. Há sete anos, portanto, que o projecto é público, e tem vindo a ser publicitado pela edilidade almadense.
Veja-se o que foi publicado a este respeito no boletim municipal, em Maio de 2002. E compare-se com a realidade actual (o que foi feito e o que ficou por fazer).













Duas notas de rodapé:

Nota 1 - Não posso deixar de estranhar a exigência dos comerciantes, que querem reabrir ao trânsito automóvel a "zona pedonal" de Almada. Conheci cidades com zonas pedonais (Viseu, nos anos 80; Setúbal e Portalegre, em tempos mais recentes) e em nenhuma delas o facto de não haver trânsito desfavorecia o comércio - antes pelo contrário. E porquê esta contestação só agora? Andaram distraídos durante todo este tempo?

Nota 2 - É que, durante todo este tempo, não foi só a Câmara de Almada a falar sobre este assunto. A comunicação social também o fez. Eu, por exemplo, publiquei algumas coisitas, nos órgãos de comunicação onde trabalhei. Por exemplo, aqui.
http://vitorinices.blogspot.com/2007/05/ateno-vou-opinar-sobre-o-metro-sul-do.html

sexta-feira, julho 03, 2009

Há por aí um psiquiatra baratinho? Ou uma autoridade de saúde?

Mais uma vez, encontro-me sem internet, sem computador e sem local para trabalhar. Mais uma vez porque há quem - com mais poder que juízo - julgue que tem direito a interferir na minha vida e a impedir-me de trabalhar, alegando que... não trabalho (olha a lógica da alegação, não é?)!!! Mas, melhor ainda: alegando que nunca trabalhei, nunca fui jornalista, não o sou, nunca ganhei dinheiro, sou um vagabundo que apenas escreve poesia! (etc. etc. etc: estão a ver porque escrevi acima que tal gente tem mais poder que juízo, não estão?)

Pois... Em relação à vagabundagem, enfim, lá terão as suas razões para o dizer. Agora, que me fizeram perder o trabalho que tinha e que, aparentemente, muito se empenham em conseguir que eu continue sem meios para trabalhar - pois claro, vagabundeio! Mas esperam o quê? Que vá arrumar carros?

A sério: não há quem faça ver a essas pessoas que a realidade é diferente da história que inventaram a meu respeito naquelas cabecinhas? E, uma vez que estou a ser prejudicado por gente que, aparentemente, perdeu a noção da realidade, não há aí uma autoridade de saúde que
tome conta da ocorrência?

Estou só a perguntar. Perguntar não ofende, não é?

E não posso ser mais explícito. Se digo a verdade toda (com os nomes das pessoas incluídos no relato) ainda me acusam de difamação. Livra!

Portanto, o melhor é - mais uma vez - comer e calar.

Esqueçam lá isto e isto. E, já agora, também isto.

Não se passa nada. Eu sou só um maluquinho que anda na rua de mochila às costas porque não sabe fazer mais nada.

Pois. Deve ser isso, deve.

sábado, junho 27, 2009

Michael Jackson: Black or White

Eu até nem fui um grande fã de Michael Jackson. Mas há algumas músicas dele que me agradaram particularmente. Acima de todas, este tema - Black or White - e este vídeo. Pela música, sim. Mas, principalmente, pela mensagem. E, não menos, pelos efeitos especiais que - no início da década de 90, note-se - eram inovadores e serviam para contar uma história (em vez de servirem só para criar espalhafato).

quinta-feira, junho 25, 2009

Como (não) vivi a revolta na Ponte 25 de Abril (Junho de 1994)


Na noite de 23 para 24 de Junho de 1994 (há 15 anos) estava eu a fazer o último turno no departamento de informação da Rádio Voz de Almada. Terminado o serviço (o último noticiário era, salvo erro, à meia-noite), verifico as eventuais novidades recebidas via fax, para deixar aos meus colegas na manhã do dia seguinte. Procedimento normal e quotidiano...

Nos faxes, nada de especial: era véspera de feriado em Almada, poucas notícias e apenas uma convocatória de camionistas que convidavam a comunicação social a aparecer no Centro Sul na manhã seguinte...

Pois... Embora aquilo fugisse um pouco ao "normal", confesso que não adivinhei o que aí vinha. Deixei, portanto, os faxes (incluindo esse) no local do costume, para os meus colegas verem na manhã seguinte. E lá fui à minha vida: era noite de São João, havia arraiais por toda a cidade (94 e 95 foram, de resto - desde que me lembro, e se bem me lembro - os anos em que se fizeram mais arraiais populares em Almada), e no dia seguinte até estava de folga.

Portanto, depois de um dia de trabalho duro, festejei bravamente (work hard, party harder, lembram-se?).

Dia seguinte: rádio primeiro, têvê depois (já havia quatro canais... - ou melhor: ainda só havia quatro canais) surpreendem-me com directos da Praça da Portagem. Camiões a bloquear o trânsito, povo a aplaudir e a apoiar, Governo (liderado pelo PSD do então primeiro-ministro Cavaco Silva) nervoso, ministro da Administração Interna (Dias Loureiro) a desembarcar de helicóptero para comandar, no local, as "tropas" que haviam de desimpedir o local - à bastonada - e desmobilizar o protesto (contra o aumento das portagens, para quem não se lembra ou não sabe).





Penso eu com os meus botões, e em vernáculo: porra, devia ter adivinhado isto! Ao telefone com a directora de informação da Voz de Almada, comento o que se passa. Pergunta-me ela: gostavas de estar lá, não? E eu faço como os políticos: não confirmo nem desminto, antes pelo contrário (claro que gostava de ter estado a fazer a cobertura desse dia histórico - mas uma cabeça iluminada daquela rádio tinha-me proibido de fazer trabalho fora das horas de serviço!).


Sorte a minha: aquilo foi apenas o princípio da grande contestação popular que - em última análise - teve como consequência a derrota do PSD nas legislativas de 1996, após dois mandatos de maioria absoluta (e arrogância se não absoluta pelo menos muito... arrogante!). Felizmente para mim, consegui acompanhar, ainda, as movimentações que se seguiram: a criação de dois movimentos de utentes, os protestos em forma de "buzinão" ou de complicação de trocos e, no final, um certo pedido de desculpas aos portageiros pelos incómodos causados - porque, afinal, o alvo dos protestos era o governo, não os "pobres" funcionários.


Felizmente para o país, a derrota do PSD nas eleições de 1996 levou ao poder um PS preocupado em repôr alguma justiça social (embora numa versão "beata" ao estilo António Guterres) e não um PS tecnocrata e mais-do-mesmo.


Dúvida final, em jeito de nota de rodapé:O ano passado, por esta altura, a comunicação social comemorou a preceito mais um aniversário da "revolta da ponte". Este ano, népia. Porquê?

(Obs: as fotografias - de autor que desconheço - foram publicadas na Revista Sem Mais, número 7, de Agosto de 1994. Reproduzo-as aqui, com a devida vénia - e mencionando a fonte, porque é assim mesmo que se deve fazer.)





PS - Reportagem da carga policial, transmitida em directo pela SIC, disponível em

sábado, junho 20, 2009

Uma proposta para resolver a crise cíclica dos nadadores-salvadores


Todos os anos, assim que as temperaturas começam a subir e o pessoal começa a ir à praia, aparecem notícias de mortes por afogamento em praias ainda não vigiadas porque (quando a temperatura começa a subir) ainda não tinhamos chegado à época balnear. Como não tinhamos chegado à época balnear, não havia nadadores-salvadores. Ou porque não estavam ainda formados em número suficiente, ou porque os concessionários das praias ainda não os tinham contratado.

O modelo português de segurança e assistência a banhistas é antigo e baseia-se nas estações do ano - que, como é evidente, já não são o que eram. Trata-se, portanto, de um modelo sazonal: nadadores-salvadores para o Verão (mesmo que o "verão" comece antes da data prevista).

Existem, no entanto, países onde os nadadores-salvadores estão na praia durante todo o ano, com mais ou menos calor, independentemente da estação. Cuidam da linha de costa, que é a sua casa permanente. E fazem competições entre eles, até! O que significa - diz o senso comum... - que, estando sempre na praia, e mantendo-se em forma, estão preparados para, em qualquer momento, acorrer a emergências.

É lógico, não?

Lógico e não muito difícil de concretizar. Basta criar clubes de surf life saving, "uma espécie de escuteiros (ou bombeiros) do mar".

Mas será isso viável? Em países como a Austrália, Nova Zelândia, Reino Unido, ou Estados Unidos da América, esse é mesmo "o" modelo. Há quem diga que se é bom para eles é bom para nós. E, neste caso, até sou capaz de concordar...

Informação no site da International Life Saving Federation:

(A entrevista foi feita há um ano atrás. Não voltei entretanto a falar com o Telmo Rodrigues - logo, não sei em que ponto está o seu projecto para criar os tais clubes de "surf life saving": Mas não acredito muito que - neste país do desenrasca e do deixa andar - ele tenha conseguido alguns progressos. Tenho pena. Mas não acredito, mesmo...)

terça-feira, junho 16, 2009

A década do osso


Esta notícia, que dá conta do advento da Década do Osso, foi escrita por mim ("com agências" - no caso, com a Lusa, que era, nesse tempo, uma das referências do jornalismo em Portugal). É de Dezembro de 1999 e foi publicada no número 2 do Jornal D'Hoje.

A Década do Osso iria começar (começou) em Janeiro de 2000. E, tratando-se de uma década que começa em zero, deve terminar, pelas minhas contas, em Dezembro de 2009. Portanto, estamos no último ano da Década do Osso, certo?

Ora, uma década do osso (tratando-se, ainda por cima, desta década) seria uma fonte de inspiração para humoristas informados, competentes e minimamente criativos. Mas parece que a década do osso só nos trouxe "humoristas" ignorantes, tecnocratas e razoavelmente incompetentes. Ou é impressão minha?

Quanto à (propriamente dita, e por extenso) Década do Osso e da Articulação, que agora termina, alguém deu por ela? Que medidas de sensibilização foram tomadas? Que informação foi prestada ao público (dando de barato que os profissionais da Saúde terão sido devidamente formados e informados nesta matéria)? E quais os investimentos - e respectivos resultados - na profilaxia e tratamento destas doenças que, em 1999, eram - segundo a OMS - "a maior causa de morbilidade em todo o mundo"?

Pode ser que em Dezembro tenhamos direito a um balanço e contas desta campanha...

E, entretanto, toca a beber leitinho. A publicidade ao leite, feita pelos respectivos produtores é, por agora, a única coisa visível desta campanha. Vá lá... é alguma coisa. E é saudável, convenhamos.

Apesar da pouca informação sobre o assunto, existe, no entanto, um relatório de actividades do período 2003-2005, disponível no site da Sociedade Portuguesa de Ortopedia eTraumatologia:http://www.spot.pt/decada.asp

domingo, junho 14, 2009

É a aritmética, estúpido!

Ora aqui está uma das anedotas políticas mais engraçadas dos últimos tempos: o PS perdeu cerca de 9 mil votos em Almada (!) mas, mesmo assim, "canta vitória"!

E "canta vitória" porquê? Bem, parece que é porque conseguiu ser o partido mais votado neste concelho. O PS - que é, há muitas eleições, o partido mais votado em Almada - perdeu 9 mil votos, e ainda assim "canta vitória"? Pois, parece que sim...

Ou seja: nestas eleições, o PS teve resultados desastrosos, mas lá conseguiu ser o partido mais votado em alguns, poucos, concelhos (Almada incluida). E parece que isso é uma vitória!

Eu não sei se isto é não saber fazer contas, tentar atirar poeira para os olhos ou tentar tapar o sol com uma peneira.

Sei, sim, que o PS levou uma "tareia" histórica em quase todos os concelhos do distrito: em comparação com as eleições de 2004 para o Parlamento Europeu, perdeu - para a CDU, já agora (que, já agora, aumentou a sua votação em quase todos os concelhos, incluindo Almada) - os de (por ordem alfabética) Alcácer do Sal, Alcochete, Barreiro, Grândola, Moita, Palmela, Santiago do Cacém, Seixal, Sines. Sim, perdeu a "liderança" nesses todos, e logo para a CDU!

O PS manteve o "estatuto" de partido mais votado em 4 concelhos do distrito (em 2004 tinha vencido em todos os 13 concelhos, note-se!), nos quais, mesmo assim, sofreu perdas significativas: em Almada (onde desce de 44% para 28%), no Montijo (desce de 46% para cerca de 26%), em Sesimbra (de 44% passa para 24%), e em Setúbal (onde desce de 44% para 23%).

Em Almada - concelho que, repito, o PS ganha sempre, exceptuando as autárquicas - perdeu agora em comparação com todos os partidos, ficou a 2 mil votos da CDU (há 5 anos tinham ficado 12 mil votos à frente...). Mas "canta vitória"!

Permitam-me, muito humildemente, fazer a pergunta que se impõe: perder 9 mil votos e obter em Almada um dos piores resultados de sempre é uma vitória?

Não me parece. Aliás, como dizia o outro, é uma questão de fazer as contas.

Recorrendo, por exemplo, aos resultados oficiais destas eleições. E comparando-os com eleições anteriores (europeias, legislativas e autárquicas).

Tudo disponível, para que ninguém fique com dúvidas, num site do Ministério da Justiça português.

Aqui:

quinta-feira, junho 11, 2009

Blogues de jornalistas: Rui Vasco Neto e Teresa Farinha

Uma das coisas boas que a internet nos trouxe foi esta possibilidade de reencontrar facilmente pessoas das quais perdemos o rasto. No caso, dois jornalistas com os quais trabalhei, em locais, circunstâncias e tempos diferentes. Rui Vasco Neto (no Jornal D'Hoje, de Portalegre, entre 1999 e 2000) e Teresa Farinha (no SemMais Jornal, de Setúbal, em 2001).

A Teresa que me desculpe, mas eu quero dar destaque ao Rui Vasco Neto - e explico já porquê.



Rui Vasco Neto foi um dos melhores jornalistas que conheci - e com quem tive a oportunidade de trabalhar.

Em 1999, fui de Almada até Portalegre (por razões pessoais, que não vêm agora ao caso). E, assim que lá cheguei, tive a enorme fezada de encontrar um jornal que procurava jornalistas para a respectiva redacção. Era o Jornal D'Hoje - projecto de jornalismo a sério (nos anos 90, na "província", muito provinciana, por sinal!). Já contei neste blogue a minha versão da história do Jornal D'Hoje (ver aqui, sff), portanto, não me alongo agora em pormenores sobre o assunto.

O Rui Vasco Neto (que tinha, salvo erro, a escola do Tal&Qual, quando esse jornal era bom e fazia investigação) recebeu-me para uma entrevista de emprego - e empregou-me. Achou que eu podia ser bom a "jornalar" e contratou-me para "cordenador de redacção".
("Coordenador de redacção" não era um cargo tão bom quanto possa parecer: era o tipo que levava porrada do director e da redacção...)

Eu, que já tinha 7 anos de experiência profissional - ele tinha o dobro... - como jornalista (descontado as experiências "amadoras" em rádios e jornais locais), ainda assim aprendi muita coisa com o Rui Vasco Neto. Antes de mais (e não é pouco): fiquei a conhecer o Código Deontológico dos Jornalistas Portugueses (mas só ao fim de sete anos de trabalho, note-se!).

Depois, aprendi como se "blinda" uma redacção - apesar de (ou por isso mesmo) a do Jornal D'Hoje ter sido alvo de uma tentativa de espionagem por parte de outro jornal lá do burgo.

Já tinha, este vosso amigo - de aprendizagens anteriores, na rádio e na imprensa escrita - um estilo objectivo e conciso (da rádio e de uma escola a que se chamava, salvo erro "jornalismo de agência") e também apetência para aprofundar, para investigar (resultado do trabalho em jornais como o Sul Expresso ou o Sem Mais Jornal, primeira versão). Mas, com o Rui Vasco Neto, passei a ter outra exigência: a da credibilidade acima de tudo.

Pois, eu sei: quem o viu depois, a fazer um programa chamado "Vidas Reais", na TVI, talvez não acredite nisto. Felizmente eu conheci-o antes.

E - para que não se pense que estou aqui a dar graxa - até nem nos demos sempre assim tão bem quanto isso. Tinhamos feitios muito diferentes, e a relação profissional director-sacodepancada resultou enquanto resultou. Depois, saí do Jornal D'Hoje e fui trabalhar para uma estação de serviço...

Temos, pelo menos, uma coisa (quiçá a única) em comum: ambos somos tão "artistas" quanto "jornalistas" (no meu caso, parece que tenho de pôr esta palavra entre aspas) e não somos por isso menos rigorosos ou menos objectivos. E. dez anos depois, também eu começo a ter falta de paciência para os subdesenvolvidos que não entendem (ou não querem entender) isso.

O Rui Vasco Neto tem um blogue chamado Sete Vidas Como os Gatos (título que tem muito que se lhe diga, mas não me compete a mim dizê-lo):

http://setevidascomoosgatos.blogs.sapo.pt/



Em 2001, voltei para Almada, mas já com a perpectiva de regressar ao Sem Mais Jornal. Foi aí que conheci, então, a Teresa Farinha. Que era, naquele tempo, uma jovem jornalista que estava encarregue da secção "cultura" do SMJ.

Parece que não está agora a exercer a profissão. Mas continua atenta à actividade cultural. E vai dando conta do que conhece e acompanha, no seu blogue, Livros e Outras Coisinhas (título com o qual sinto uma certa afinidade, vá-se lá saber porquê...):
http://livroseoutrascoisinhas.blogspot.com/

terça-feira, junho 09, 2009

"Grande derrota dos comunas em Almada"!!!... O quê, não foi? Não faz mal: inventa-se!



Nas eleições do passado domingo para o Parlamento Europeu, o partido mais votado no concelho de Almada foi o PS, com 15.043 votos (25,74%). A CDU (coligação PCP/PEV) obteve 13.083 votos (22,39%), o PSD 10.800 (18,48%), O Bloco de Esquerda, 8.549 (14,65%), o CDS-PP 3.825 (6,52%).

Além destes (partidos que elegem eurodeputados) há a assinalar o resultado do Movimento Esperança Portugal (MEP), que consegue neste concelho 897 votos (o que corresponde a 1,54%) e fica assim à frente do PCTP-MRPP, partido que obtém 764 votos (1,31%). O número de votos em branco foi expressivo e dá que pensar: no concelho de Almada contabilizaram-se 2.570 (4,4%).


Estes são números oficiais, do Ministério da Justiça português, e podem ser consultados em


Ora, muitos comentadores (e "comentadores" anónimos, também) começaram a debitar na "blogosfera" as mais variadas opiniões. Variadas e disparatadas, em alguns casos. Suponho que por desconhecerem os números reais da votação, há "comentadores" que garantem estarmos a assistir a uma derrota dos "comunas" (porque não conseguiram vencer no concelho, nem na maior parte das freguesias) e, por outro lado, a uma vitória do PS, porque - contrariando a tendência nacional, e distrital - foi o partido mais votado.


A chatice, para esses comentadores (e "comentadores" anónimos) é que os seus comentários não resistem a uma análise da realidade.
E a realidade é a seguinte.

Sobre a suposta "vitória do PS sobre a CDU":


- O Partido Socialista venceu as três últimas eleições para o Parlamento Europeu no concelho de Almada. Obteve em 1999, 23.774 votos (contra 14.366 da CDU); em 2004 conseguiu 24.667 votos (a CDU ficou-se pelos 12.498); este ano votaram no PS 15.043 eleitores (ao passo que a CDU conseguiu 13.083 votos). Portanto, no domingo passado, a CDU subiu e o PS desceu (muito, aliás). Como dizia o outro, é uma questão de fazer as contas... antes de cantar vitória!
Mas há quem queira ver nestes resultados uma derrota "tout-court" dos "comunas" da CDU. Querem, esses comentadores (e, principalmente, os anónimos "comentadores"), aferir destes resultados que a CDU está em declínio - e que isto é uma antevisão do que aí vem, nas eleições autárquicas.


Enfim, são opiniões, ou expectativas... Mas devem ser encaradas apenas como aquilo que são: opiniões e/ou expectativas.
Porque, mais uma vez, a realidade não se encaixa lá muito bem nos argumentos dessa gente (e, nalguns casos, dessas pessoas).
Vejamos, então...


A CDU - que tem a maioria na Câmara, na Assembleia Municipal em 8 das 11 freguesias do concelho - ficou atrás do PS (e em alguns casos, do PSD) nestas eleições. Pois ficou. E então? Não fica sempre, em eleições para o Parlamento Europeu e para a Assembleia da República? E não vence, depois, as autárquicas?
Consultem-se, mais uma vez, os números oficiais relativos ao concelho de Almada:

Eleições para a Assembleia da República,
1999: PS - 38.030 (43,17%); CDU - 19.494 (22,13%)
2002: PS - 35.050 (39,83%); PSD - 23.496 (26,70%); CDU - 15.519 (17,63%)
2005: PS - 40.849 (43,90%); PSD - 16.649 (17,87%); CDU - 16.228 (17,42%).


E, nas autárquicas (resultados da votação para a Câmara Municipal),
2001:
CDU - 27540 (41.41%); PS - 17991 (27.05%); PSD - 11595 (17.43%)
2005:
CDU - 28799 (42,32%); PS - 17437 (25,63%); PSD - 11959 (17,58%)


Portanto, o que há, de facto, a concluir destas eleições, no que diz respeito ao Concelho de Almada, é (na minha opinião) o seguinte:


1 - O Bloco de Esquerda consegue um resultado histórico (acompanhando a tendência nacional).
2 - O PS perde eleitorado de forma drástica, em Almada tal como no resto do país. Consegue, ainda assim, ficar em primeiro lugar, mas a escassos 2 mil votos da CDU (nas últimas eleições para o Parlamento Europeu tinha ficado cerca de 12 mil votos à frente dos "comunas").
3 - A CDU não sofre qualuqer derrota mas, antes pelo contrário, aumenta o número de votos (passa de 12.498 para 13.83, e aumenta o seu "score" percentual, de 21,73% para 22,39%).
4 - Aparece um novo partido, com resultados interessantes (o MEP, que passa a ser o "maior dos mais pequenos" - permitam-me a expressão - com 897 votos, ficando assim à frente do PCTP/MRPP, que obtém 757 votos no território concelhio).
5 - Um notável aumento do voto em branco: 2.570 boletins (4,4% dos votos expressos!), contra 1.396 nas últimas eleições para o PE, e 1.227 nas anteriores, de 1999.


Quanto à "derrota dos comunas"... Desculpem lá, mas não é verdade. Os números (oficiais) dizem que não é!

Eu sei que, em retórica política, para muita gente isso não interessa nada.

Para muita gente, em argumentação política vale tudo, mesmo negar a realidade.
Acontece, porém, que "vale tudo" é um desporto de combate. E chama-se "vale tudo" porque tem elementos técnicos de "todas" as artes marciais (valem todas as técnicas, portanto). Mas mesmo aí há regras. E, de facto, mesmo aí não vale tudo.
Era bom que o mesmo acontecesse no debate político...

Eleições para o Parlamento Europeu: resultados na minha freguesia


Tenho andado à procura de resultados das eleições para o Parlamento Europeu (resultados das votações de 2004 e 2009, para ter termos de comparação) no concelho de Almada. Mas como, até agora, não encontrei dados fiáveis sobre o concelho (o site do STAPE tem parâmetros diferentes para as eleições de 2004 e de 2009), deixo aqui, então, os números que dizem respeito à minha freguesia: a Caparica.

Uma freguesia em que o PS venceu (olha a novidade!...). Mas reduziu o seu "score" de 2388 para 1489 votos (o que corresponde a uma descida de 43 por cento para 26 por cento (muito, portanto!).

A CDU teve, em 2004, 1421 votos, e agora cresceu para 1461, embora tenha diminuido percentualmente, de 26 para 25 por cento.
O Bloco de Esquerda duplicou a sua votação (à semelhança do que aconteceu no resto do país) e, nesta "esquerdista" Caparica, conseguiu até ficar à frente do PSD (que, nessa freguesia, por acaso até teve menos votos que em 2004).
O CDS/PP também contrariou a tendência nacional: na Caparica desceu de 849 para 114 votos.
Isto são números, não especulações.
Comentários? Sim, mais tarde talvez me arme em comentador (favor ver caixa de cometário este artigo)...
Mas fiquemo-nos, por agora, com os factos.

Estes resultados estão em
e

quinta-feira, junho 04, 2009

Gambuzine#1 - uma nova série, agora anual (mas é pena)

Já está disponível a nova edição de um dos melhores fanzines que conheço (e conheço alguns, desde há alguns anos...).
Esta nova série do Gambuzine promete ser de periodicidade anual (o que é pena, digo eu, mas a editora - Teresa Câmara Pestana - lá terá as suas razões).


O presente número tem mais páginas que as edições anteriores (são 88, se contarmos com a nova - e filtrável - capa em cartolina), e mantém a qualidade a que já nos habituou. É essencialmente um fanzine de banda desenhada. Mas de banda desenhada pouco "convencional" ou, se preferirem, pouco "mainstream" - o que, a meu ver, só o valoriza. Publica autores novos (e alguns jovens, também), de países europeus (Portugal incluído) e dos EUA.

Neste número: Ivanna Armanini, Johanna Lonka, Ulli Lust, Claire Ienkova, Teresa Câmara Pestana, Beppi & Mary Knott, João Sequeira, Axel Blotevogel, Cirq, Raul Gardunha, Schmicko, Rautie, Lukas Weidinger, Tiitu, Matjaz Bertoncellj, Diana Waldschreck, Rafa.

Como vos tenho dito, percebo alguma coisa de zines, e é por isso que recomendo vivamente este novo Gambuzine. Mas não percebo nada (enfim, quase nada...) de BD - e é por isso que não vou dar particular destaque a nenhuma. Acho que são todas boas. E todas longe da escola tradicional (para nós, portugueses) que é a franco-belga (Tintin, Asterix, Lucky Luke e outros que tais).

Gambuzine não está à venda em todas bancas, nem mesmo na maior parte delas - mas está receptivo a colaborações.

Como o adquirir, então? E como colaborar?

Explica quem sabe (a editora, claro):

«Apesar de existirem alguns locais onde encontrar o gambuzine (ver site) é importante que se habituem a encomendar pelo correio a vossa porção de pequena tiragem, e é pelo correio que deverão enviar os vossos trabalhos em cd-r, 300 dpi, tiff, jpeg, ou no velho método da boa cópia p&b. Dada a homeopaticidade do meio, os trabalhos de Portugal têm de ser inéditos.»
Qualquer informação ou encomenda, nos contactos disponíveis em

quarta-feira, junho 03, 2009

«Deontologia, quem te viu e quem TV»


Ora aqui está um programa que não quero perder: a emissão de hoje do Clube de Jornalistas.

Quarta-feira, 3, na RTP2, às 23 e 30

A discussão entre Manuela Moura Guedes e António Marinho Pinto, em directo, no Jornal de 6.ª, veio dar razão a quem chama a atenção há muito tempo para a degradação progressiva do jornalismo português. A credibilidade tem-se esvaído entre a mediocridade técnica e o aviltamento deontológico. É urgente um debate alargado que envolva todas as componentes do processo jornalístico. O Clube de Jornalistas espera que o programa desta semana possa dar um contributo sério para esse debate.

Convidados:

Francisco Sarsfield Cabral – Jornalista;
João Miguel Tavares – Jornalista;
António Marinho Pinto – Bastonário da Ordem dos Advogados
(Nota: Manuela Moura Guedes não aceitou o convite para participar no programa)

Depoimentos:

Estrela Serrano – Vogal do Conselho Regulador da ERC
Orlando César – Presidente do Conselho Deontológico dos Jornalistas
Moderador: João Alferes Gonçalves

Informação recolhida em: