sexta-feira, maio 25, 2007

Bem-vindos ao deserto!

Estão a ver? Lá ao fundo é Lisboa e, cá deste lado, é Almada... na Margem Sul.
Portanto, o deserto a que se referia o ministro Mário Lino deve ser aquele planalto que se vê ali pelo meio.
Parece até que o que temos ali é terreno menos acidentado que o da Ota.
Mas não, não dá para encaixar naquele sítio o novo aeroporto internacional de Lisboa.
Em primeiro lugar, porque o espaço, ainda assim, é mais exíguo que o da Ota.
(Desculpem lá, mas isto é verdade, e as verdades são para ser ditas.)
Em segundo lugar, porque é uma estação arqueológica fenícia.
É a Quinta do Almaraz - que foi "descoberta" quando alguém se preparava para fazer ali uma das (raras... raríssimas) urbanizações desta tão desertificada Margem Sul. Considerado de interesse arqueológico, o terreno ficou assim, sem prédios nem nada.
Ora, com medidas proteccionistas destas, como é que este país há-de avançar?
E como há-de a Margem Sul deixar de ser um deserto?

4 comentários:

Luis Eme disse...

Exactamente, Vitorino.

Apesar de estarmos no deserto, por enquanto ainda não se vêm camelos. Se existem, devem estar escondidos em algum oásis ou atrás duma duna...

Alexandre Lote disse...

Bem de facto Mario Lino teve declarações infelizes acerca da Margem Sul.

Quando um político considera um deserto, uma determinada zona geográfica de um País, sobre a qual o seu Partido teve responsabilidade no que diz respeito ao seu desenvolvimento...muito mal vai este País.

Quanto á OTA, parece que é cada vez mais uma realidade ser a opção de melhor qualidade...

Quando a QUERCUS aceita essa como a única localização possível...acho que poucas duvidas ficam sobre qual a melhor opção.

Abraço, Alexandre Lote

Leo disse...

Concordo inteiramente com o Luís Eme.
Ó VITORINO não te parece bem que se façam medidas proteccionistas?
TENHO A CERTEZA QUE ESTÁS A BRINCAR!Ou não? Deixaste-me confusa sobre a tua opinião.

Debaixo do Bulcão disse...

Medidas proteccionistas, se forem destas, nunca são demais, Leo.
Já quanto à "impossibilidade" de o aeroporto ficar na margem sul, tenho as minhas dúvidas.
O maior aquífero da Península Ibérica está por baixo do concelho do Seixal que, como se sabe, é densamente povoado. Alguém, de algum governo, se preocupou até agora com isso? (De resto, a água que bebemos em Almada é captada precisamente nessa zona.) Nesse aspecto, parece-me haver, sim, políticas de dois pesos e duas medidas. Não haverá um pedaço de "deserto" onde o aeroporto não afecte directamente o aquífero (que já corre o risco de ser afectado directamente pelo simples facto de existirem localidades como a Cruz de Pau, Amora, Corroios...)
E então não se podem retirar uns sobreiros, se depois forem replantados noutro local?
Etc etc etc...
Por uma vez sem exemplo, concordo com Sua Excelência, que diz ter este assunto que ser tratado com rigor e seriedade.
Quanto à Quercus... com todo o respeito, não podemos esquecer que essa associação tem as suas raízes precisamente na Margem Sul. Logo, esta deve ser a última localização que eles defendem para o aeroporto.

Vitorino