
sexta-feira, fevereiro 29, 2008
A "nossa" TSF faz 20 anos!

quinta-feira, fevereiro 28, 2008
Parabéns, Alexandre Castanheira!
(Alexandre Castanheira e António Vitorino, juntos e ao vivo, durante a sessão de Poesia Vadia de Janeiro 2008, na Casa do Algarve do Concelho de Almada. Foto de Ermelinda Toscano)Mas parabéns, na mesma!
Parabéns, sim, Alexandre Castanheira, mas por fazer muitos e muitos anos a ser quem é: um escritor de talento, um dinamizador cultural sempre pronto a incentivar os novos talentos que lhe aparecem pela frente (e eu que o diga!...), um professor universitário muito estimado pelos seus alunos - e, acima de tudo (na minha modesta opinião), um incansável lutador pela liberdade e a justiça social.
Em mil novecentos e oitenta e... bem, num desses anos, era eu um jovenzito, estudante da Escola Secundária do Pragal (nono ano, opção de Teatro, com a professora Maria Santos...) e tinha muita vontade de fazer "coisas" culturais - só não sabia muito bem, ainda, que "coisas" poderiam ser essas.Por essa altura, a Câmara de Almada (que, aqui para nós que ninguém nos ouve, se calhar também queria fazer "coisas" culturais, mas se calhar também não sabia muito bem que "coisas" poderiam ser essas) organiza, na Rua Conde Ferreira (em frente ao actual ex-Teatro Municipal de Almada), um encontro de escritores, ao qual deu o pomposo nome de Festival Internacional de Poesia.
"grupinho" - mentalidade típica das colectividades de então, que não era, de forma alguma, aquilo que eu procurava.
(Além disso - pequeno pormenor... - parece que eles não gostavam muito da minha poesia. E - ainda mais pequeno pormenor - até tinham razões para isso: eu escrevia muito mal, senhores!, mas mesmo malzinho!...)
Pouco depois dessa minha fugaz experiência como associado da Incrível Almadense, entrei para o Centro Cultural de Almada - que, vejam lá vocês, era uma associação criada, precisamente, por "dissidentes" da Incrível. Ora bem... por isso mesmo (e também porque havia um conflito geracional - e divergências substanciais sobre a forma de entender a actividade cultural - entre os "velhos" das colectividades e os "novos" do Centro Cultural), Alexandre Castanheira (tal como Romeu Correia, aliás), não eram propriamente pessoas muito estimadas naquele meio. Eu próprio (que fazia parte dos "jovens" contra os "velhos", como é bom de ver...) acabei por, em determinada altura da minha vida, menosprezar o trabalho, e a importância do Castanheira.
Erro meu!...
Durante algum tempo, textos como, por exemplo, o "Chico do Norte" eram, para mim, exemplo de um tipo de intervenção político-cultural "ultrapassada", por ser excessivamente "doutrinária" e, eventualmente, "populista" - logo, ineficaz.
Enfim... Talvez esse tipo de análise tivesse cabimento, no contexto (sonhado) dos anos 80 e (real) dos anos 90. Não me quero alongar sobre isso agora. Mas a verdade é que hoje (apetece-me dizer "infelizmente"), olho para esse texto e vejo ali uma actualidade pungente: uma história que, neste momento, é necessário recordar. Não digo que seja um grande texto teatral. Mas é uma grande história exemplar.
Ou seja: o que parecia redundante, há dez anos, é hoje, de novo, actual.
Dá que pensar, não é?
(Ah, pois: e para mim, ele não é o Senhor Comendador - é mesmo, tal como era quando nos conhecemos, e como há-de continuar a ser, com o maior respeito e a maior gratidão,
quinta-feira, fevereiro 21, 2008
Estes gajos são mesmo porreiros, pá!
E, como também já vos disse, resolvi (desta vez, e finalmente - depois de anos a levar com estas "brincadeiras") reclamar.
E não é que eles responderam?
Ora então, tomem lá nota das reclamações e respectivas respostas.
No caso do motorista que sai de Cacilhas antes da hora prevista (mas espera para me ver correr, a tentar apanhar o autocarro, e só então arranca), diz o Sector de Almada dos TST (por e-mail que, a propósito, não vem assinado), o seguinte:
«Exmo.Senhor. Acusamos a recepção do seu e-mail, o qual mereceu a nossa melhor atenção. Lamentamos o sucedido e informamos que, por norma, os motoristas regulam os horários das partidas das carreiras pela hora da máquina de venda de bilhetes, a qual é regularmente actualizada. o que não significa que não existam alguns desvios. Assim, a situação será averiguada e contactado o motorista em causa para evitar a repetição destes inconvenientes para os nossos clientes. Com os melhores cumprimentos. O Sector de Almada.»
E respondo eu (em e-mail que também já lhes enviei):
«No caso do motorista que saiu de Cacilhas antes da hora prevista (algo que, note-se - e como fiz questão de referir - aconteceu comigo muitas vezes dede que sou utente da vossa empresa, ou seja, desde os anos 90), fica por esclarecer:
Quem é o responsável pelo acerto do relógio da "máquina de vender bilhetes"?
Estava, ou não, o relógio "acertado"?
O motorista agiu dessa forma por livre vontade, ou porque o relógio não estava certo?»
E pronto, fico à espera de resposta.
No caso do jovenzito "colaborador" da empresa que resolveu ser grosseiro comigo, a resposta dos TST foi:
«Exmo.Senhor. Acusamos a recepção do seu e-mail, o qual mereceu a nossa melhor atenção. Lamentamos profundamente a atitude do nosso colaborador. Gostariamos de informar, que a TST tem implementado várias acções de formação com incidência nas relações organização/cliente, pelas quais passam regularmente todos os nossos colaboradores. Infelizmente nem todos executam da melhor forma as orientações ministradas. Com os melhores cumprimentos. O Sector de Almada.»
E a minha resposta à resposta deles é:
«Já no caso do motorista que se dirigiu a mim em termos menos próprios, o caso parece-me mais grave, por se tratar de uma ofensa pessoal.
As "acções de formação" referidas na vossa resposta são procedimento que se deseja, e espera, normal, numa empresa que presta serviço ao público.
No caso em apreço, supõe-se, portanto, que o vosso "colaborador" não cumpriu (ou seja, não respeitou) os procedimentos da empresa.
Que medidas pensam tomar para evitar que o referido colaborador repita esse tipo de atitude?
E como posso eu, utente regular da vossa empresa, ter garantias de que o caso não se repete?
E, por terem sido proferidas essas palavras desrespeitosas em público, perante os outros passageiros do autocarro, não vo parece que eu (que fui ofendido verbalmente em público) mereço um pedido de desculpas, que me reservo o direito de tornar também público?»
Se a ideia era uma coisa tipo a gente toma nota da ocorrência mas não fazemos nada e ficamos todos amigos até uma próxima oportunidade... esqueçam!
É que, amigos, eu cá estou mesmo disposto a (para usar a expressão do jovenzito) papar grupos, estão a ver?
É que é mesmo isso o que eu tenho mais vontade de fazer agora!
Com os melhores cumprimentos,
António Vitorino
terça-feira, fevereiro 19, 2008
Era só o que faltava!!!

E conheço-os há muito tempo: desde que a empresa existe!
Ao longo dos anos (muitos) que levo de utente dessa empresa, vi-os terminar com carreiras (suburbanas, principalmente), deixar degradar a frota (e comprar carros que, nos países de origem, certamente só serviriam para sucata – mas apresentando essas aquisições como “renovação da frota”), vi-os estender a sua área de influência – que era Almada e Seixal – primeiro a Sesimbra (onde já operavam, mas ficaram sem concorrência, quando compraram a Covas e Filhos, em meados dos anos 90) e, mais recentemente, ao sul da Península de Setúbal (onde operava a Belos Setubalense), ficando assim com um quase exclusivo (apetece-me dizer monopólio, mas não posso…) do transporte rodoviário colectivo de passageiros na região.
Temos, portanto, uma única empresa de camionagem a servir-nos (a excepção é a Transportes Colectivos do Barreiro) – e, até por isso mesmo (por não termos alternativas) merecíamos ser melhor servidos. Não é?
Merecíamos, por exemplo, que os motoristas da empresa cumprissem os horários – em vez de saírem adiantados, como acontece muitas vezes, principalmente nas últimas carreiras da noite.
(Ah, e não venham cá com a piada da “pontualidade britânica”. Antes de pertencerem ao Grupo Arriva, eram do Grupo Barraqueiro – e vou, por agora, fingir que não acredito na hipótese de os dois grupos estarem “feitos” um com o outro – e, já no tempo dos “barraqueiros”, estes TST se adiantavam, sistematicamente, ao horário de saída das carreiras.)
Merecíamos que não fizessem de nós, utentes (que lhes pagamos, e bem!... ; se a empresa, por acaso, não lhes paga o suficiente, a culpa não é nossa!) objecto da habitual brincadeirinha que é ver-nos a aproximar de um autocarro estacionado numa paragem e arrancar precisamente quando começamos a correr para o tentar apanhar – deixando-nos apeados, como é bom de ver.
Eu estou capaz de apostar que qualquer cliente dessa empresa entende muito bem o que estou a dizer!
É que dificilmente alguém terá escapado a essas faltas de respeito.
(Só com muita sorte… assim tipo Gastão… Mas não me parece: o Gastão é um personagem de Banda Desenhada, o primo do Pato Donald, conhecem?...)
Mas sei, também, que este estado de coisas não muda enquanto os utentes (apetece-me dizer “as vítimas” e, se calhar, até posso) não reclamarem.
Pois bem: eu tenho reclamações a fazer.
No espaço de um mês, vi passar no centro de Almada três autocarros a horas a que, supostamente, deviam ter acabado de sair de Cacilhas:
- de 2 para 3 de Janeiro, o autocarro das 2h50 para a Costa de Caparica passa na Avenida Afonso Henriques… às 2h50 (sem comentários…)
- 3 de Fevereiro: os autocarros que, supostamente, saem de Cacilhas às 22h20, passam pela Avenida D. Nuno Álvares Pereira às 22h22 (feito notável: dois minutos para fazer aquele percurso!)
- nessa mesma noite (3 de Fevereiro), no terminar rodoviário de Cacilhas, o autocarro das 22h45 para a Trafaria está para sair. Eu vejo-o na paragem, começo a correr e… pois, adivinharam – é nesse momento que ele arranca. E estava na hora para sair? Não, não estava! Pelo menos a avaliar pelo meu relógio e – por acaso… - pelos relógios dos passageiros que aguardavam na paragem ao lado (e que comentaram o óbvio, ou seja “eles fazem sempre isso…”). Ou seja (para o caso de alguém não ter entendido), o zeloso motorista dos TST saiu adiantado e, como se isso não lhe bastasse, aproveitou para fazer a clássica brincadeirinha da empresa: o gajo que corra, se quiser, mas fica apeado na mesma!
Estão a ver? Três casos no espaço de um mês! E dois deles na mesma noite!
Mas isto ainda nem sequer é o melhor! Ai não é, não senhor!!!
O melhor é que, apesar do mau serviço que prestam, alguns funcionários da empresa julgam que têm o rei na barriga e que podem gozar com os utentes – não já com as “brincadeirinhas” do costuma, mas mais descaradamente e de forma ainda mais arrogante.
Só assim se entende a história que vos conto a seguir.
No sábado, 2 de Fevereiro, entro no autocarro que faz a carreira Cacilhas – Trafaria, das 13h20 e, como habitualmente, e normalmente, mostro o meu passe social… E ouço, então, o jovenzito motorista dizer, num tom de voz arrogante:
“VÊ LÁ SE COMPRAS OUTRO PASSE!”
Quando me apercebi que o jovenzito estava a falar comigo (bem, não foi muito difícil… apesar de eu ser um bocadinho lerdo, como vocês – que me conhecem tão bem – sabem, não é?..., o tom de voz arrogante não deixava margem para dúvidas), voltei para trás e, sem lhe dirigir a palavra, mostrei-lhe o “lado B” do passe, ou seja, aquele onde está inscrita a data-limite de validade (que é Setembro de 2009 – o que, como é fácil de entender, significa que está válido durante um ano e mais alguns meses: é questão de fazer as contas).
Ora bem: isto seria suficiente para o arrogante jovenzinho, no mínimo, mudar o tom de voz, não vos parece?
Pois, não foi nada disso o que aconteceu. Pelo contrário, diz ele que:
“ISSO DE ESTAR DENTRO DO PRAZO PARA MIM É GRUPO!”
Ora, apesar de estar habituado a faltas de respeito por parte dos funcionários dos TST, essa deixou-me perplexo!
Será que o jovenzito (que, note-se, tinha idade para ser meu filho) acha mesmo que pode falar assim com um passageiro (que, note-se, nem lhe dirigiu a palavra), ainda por cima num autocarro que ia apinhado de gente?
Terá o jovenzito alguma “comissão” por cada novo passe que a empresa emite? (Ah, a propósito: se o meu passe está algo danificado – mas ainda muito legível, e muito dentro do prazo de validade – isso deve-se, principalmente, ao facto de a plastificação vir já com defeito de origem. E a origem, qual é? Pois, exactamente: os serviços dos TST, no Laranjeiro!)
Mas, dada a arrogância com que as tais frases foram ditas, outra pergunta se impõe: estaria o jovenzito… hããã… como hei-de dizer isto?… num estado de consciência ligeiramente alterado?... Ou é, apenas, malcriado com os utentes (que lhe pagam o ordenado)? Seja qual for o caso, é grave, visto que se trata de um funcionário de uma empresa que lida com passageiros – ou seja: que os transporta! É grave e terá de ser resolvido.
Como disse, o passe foi mal plastificado (e eu não protestei – tal como não tenho protestado perante muitos maus serviços que aquela empresa tem prestado ao longo dos anos). Portanto, se eu tiver mesmo que comprar um novo, tudo bem (espero é que venha em condições de resistir a uma utilização normal até ao fim do respectivo prazo de validade, ok?). Mas não será um jovenzito arrogante quem me vai dizer o que tenho que fazer – e muito menos daquela maneira! Entendidos?
Eu apresentei já uma reclamação, no site dos TST:
http://www.tsuldotejo.pt/
Que tal fazermos todos o mesmo, sempre que formos vítimas dos maus serviços dessa transportadora?
(Ah, e se continuam a achar hilariante aquilo que eu escrevo, esperem só até eu vos mostrar a resposta que essa exemplar empresa de transportes públicos deu às minhas reclamações. É, como se costuma dizer, de partir o coco a rir!...
Mas isso fica para amanhã…)
quarta-feira, fevereiro 13, 2008
Vamos lá ver se a gente se entende
Acontece, porém, que nos tempos mais recentes (e graças aos familiares do costume) eu, além de estar, ainda, desempregado (mas não desocupado…) tenho acesso a um computador apenas durante uma hora por dia.
E não é “uma hora de Internet por dia”: é mesmo “uma hora de computador por dia”.
Claro que isso deve ter os seus aspectos positivos, que há que aproveitar, e tal… Ora deixa cá ver… reaprendi, por exemplo, a escrever textos à mão… Pois, foi isso. Oba, como dizem os brasileiros!
E, como em casa nem computador nem sequer condições mínimas para trabalhar, vejo-me obrigado a ir para locais públicos, abrir o meu caderninho preto, e escrever nele.
Portanto, amiguinhos, se me virem sentado num café, com meia dúzia de copos vazios (e um a ser esvaziado) e um monte de papelada à minha frente, já sabem: estou a trabalhar!
Isso não significa, bem entendido, que eu goste de trabalhar em locais públicos (aliás, detesto!), mas apenas que não tenho, por agora, possibilidade de trabalhar de outra forma.
Claro que há quem, por não me conhecer, não entenda isso. Para esses, devo ser um tipo esquisito, que anda por aí, na rua, a fazer figura de parvo, e… (enfim, imaginem vocês o que se diz por aí – ou, se souberem, digam-me, porque eu apenas posso adivinhar…).
Mas, bem… Esses, daqui a uns tempos, terão oportunidade de perceber que eu não sou quem eles pensam (seja lá o que for que eles pensam, se é que pensam). E pronto, fica tudo bem, não tinham culpa de ser parvos, ou ignorantes, estão desculpados.
O problema são os outros, os que me conhecem (ou pensam que me conhecem), os que fingem ser meus amigos – mas que, além de não estarem a ajudar nada, num momento em que eu preciso de amigos (e “os amigos são para as ocasiões”, não é?) ainda alinham nas mentiras que se dizem a meu respeito.
Ora bem, vamos lá ver se nos entendemos…
Eu vim de um meio pobre, tanto em termos materiais como em termos culturais.
Para vos dar um exemplo da pobreza cultural a que me refiro, digo-vos que esse era um meio em que um puto que mostrasse interesse em coisas um bocadinho mais evoluídas que BDs de “cóbóis” (que lesse, por exemplo, BDs de Ficção Científica), levava logo com o rótulo de “maluco”.
(E parece que, desgraçadamente, depois de tantos anos, continua tudo na mesma, por aqueles lados…)
Vim, portanto, de um meio onde não tinha nada. Ninguém me deu nada de bandeja. E, pelo contrário, muito (quase tudo) me foi tirado por pessoas mesquinhas, uma vez, e outra, e outra ainda.
Enfrentei todas essas dificuldades, fiz muita coisa, e ainda aqui estou – a fazer coisas. Ou coisinhas - o que, em todo o caso, é mais do que fazem os que me atacam.
Comecei nos anos 80, como agente cultural. E essa actividade, embora “invisível” deixou marcas, que são hoje visíveis, por exemplo, em objectos da colecção permanente do Museu da Cidade de Almada (nos quais, e com os quais, trabalhei).
Nos anos 90, tive uma carreira profissional de sucesso, como jornalista. Aliás, o meu trabalho era tão prestigiado que até uma “gaffe” que escrevi foi citada, como informação credível, por um conceituado investigador de História Local (e está, como grande parte do meu trabalho dessa década, disponível para consulta e cópia no Arquivo Histórico de Almada)!
Devo dizer-vos, amiguinhos que, durante esse tempo, também tinha (como tenho agora) gente medíocre a morder-me os calcanhares e (recuperando uma expressão anteriormente utilizada neste blogue pelo Luís Milheiro) a tentar "passar-me rasteiras", para ver se eu caía.
E algumas vezes até conseguiram.
Mas não deixei, nunca, de fazer o meu trabalho: sempre que me fizeram cair, eu levantei-me e segui em frente. Eles é que ficaram para trás (embora alguns me apanhassem, novamente, mais à frente, mas só para me rasteirar de novo) e outros mesmo… para baixo (não sei se me faço entender).
Agora, que me fizeram uma sacanice sem precedentes, complicando-me a vida como nunca antes o tinham feito, eu ainda aqui estou, a fazer o meu trabalho… na medida do possível, para quem tem uma hora de computador por dia, não é?
Mas querem exemplos? Ora vejamos…
Quem foi o primeiro a anunciar a chegada a Cacilhas da Fragata D. Fernando (com fotos e recurso a outras fontes)?
Quem fez um trabalho jornalístico sobre uma misteriosa interrupção de trânsito em Cacilhas? (Bem… confesso que aí me “estiquei” um bocado em comentários acessórios e jocosos… mas isto é um blogue pessoal, não é um órgão de informação).
Espero que, para exemplo, isto chegue, até porque a "minha hora de computador" está a chegar ao fim.
Então, só para concluir, amiguinhos, se quiserem mesmo continuar a dizer que o Vitorino está muito mal, que está incapaz de trabalhar, que está maluquinho (ó, quantas vezes me disseram isso quando eu era puto, certos senhores que hoje estão na merda!...), enfim, se quiserem mesmo continuar a difamar-me, estejam, por agora, à vontade: aproveitem enquanto podem.
O meu trabalho (o meu trabalho passado, presente e futuro) trata de desmentir essas tretas.
É que eu, se calhar, até ainda não fiz nada de especial e, mesmo assim, como quem não quer a coisa, já faço parte da História desta terra (há vestígios do meu trabalho no Museu da Cidade e no Arquivo Histórico, já vos disse, não é?...). Agora, calculem só como será quando eu terminar o aquecimento e começar a jogar a sério.
Até lá, pronto, está bem, façam as vossas cenas mesquinhas.
Mas dá-me vontade de perguntar, como nos filmes: “é só isso, o que têm para me atirar?”
sexta-feira, fevereiro 08, 2008
Quem te viu e quem TV, ó TST!!!

A inovação a que me refiro é (como já devem ter adivinhado) a TV dos TST – essa inestimável e surpreendente fonte de entretenimento e mesmo de informação.
Digo bem: informação! Informação, pura e dura!
Como é que vocês pensam que eu fiquei a saber que a selecção com mais títulos na Taça das Nações Africanas de futebol não é, afinal, a Algéria!?
Não é, não senhor! E eu não sabia!
Aliás, para dizer a verdade, eu nem sequer sabia que existe um país chamado Algéria! Mas parece que existe! Estava lá, na TV dos TST!... Isto é como dizia o outro: a gente está sempre a aprender…
(Nota: Esta é só para vos abrir o apetite. Porque, quando cá voltar, conto-vos outras histórias, mais interessantes - e, quiçá, igualmente educativas – sobre este formidável operador de transportes colectivos de passageiros da Península de Setúbal.)
sexta-feira, fevereiro 01, 2008
Almada, outros carnavais..


Acontece que - desculpem lá repetir isto - estou sem acesso a computadores onde possa trabalhar. Portanto, ficamos assim, por agora. Um dia conto-vos o resto.)
www.cosmobrain.com.br/lua/calendario.php
sexta-feira, janeiro 25, 2008
PROCURA-SE !!!

O indivíduo é procurado por suspeita de ter cometido os seguintes actos ilícitos:
Lava as mãos (sempre que: urina ou defeca; mexe em coisas sujas; prepara refeições; almoça, janta, lancha ou simplesmente petisca. Há quem afirme também tê-lo visto lavar as mãos depois de brincar com cães sujos ou com gatos fedorentos – mas isso é uma suspeita não confirmada. A outras também não são confirmadas, mas enfim… parecem ser mais credíveis. Porque sim.)
Não comunica ou recusa-se a falar (com pessoas que, sistematicamente, não entendem – ou fingem não entender – as coisas que lhes são ditas e explicadas, e explicadas repetidamente, muitas e muitas vezes).
Acresce que – a avaliar pela imagem que temos dele, e que reproduzimos – o indivíduo acima referenciado deve sofrer de anomalia psíquica grave (olhem para ele e digam lá se não é verdade…).
Com base nos dados de que dispomos, supõe-se, portanto, que o senhor António Carlos Mota Ferreira constitui uma séria e grave ameaça para si próprio e para os que com ele são forçados a conviver.
Deduz-se, também, que o suspeito terá recusado submeter-se a tratamento psiquiátrico que (diz-se por aí, logo deve ser verdade) já lhe terá sido proposto.
Ora, estes pressupostos (avalizados pela imagem acima reproduzida, e pelas opiniões expressas por quem não o conhece), permitem-nos – penso eu de que - agir em conformidade com a Lei nº 36/98, de 24 de Julho (Lei da Saúde Mental) e enviar o indivíduo para avaliação psiquiátrica urgente, com vista a posterior internamento em estabelecimento de Saúde devidamente licenciado para o efeito.
Pede-se, portanto, (e ao abrigo da Lei supracitada) a quem souber do paradeiro do sr. António Carlos Mota Ferreira, que o comunique, com urgência, à autoridade policial mais próxima, ou à Delegada de Saúde do Concelho de Almada, para que estas autoridades do Estado possam tomar as devidas providências a fim de encaminhar tão nefasto indivíduo a local onde possa receber o devido tratamento, em regime de internato, longe dos olhares e do convívio dos pacatos e cumpridores cidadãos que constituem esta nossa sociedade contemporânea, saudável e normalizada de acordo com as regras das instâncias comunitárias que tutelam este sub-sector da vida em comum.
A bem da Nação (e da indústria farmacêutica)
Publique-se
Dr. Abreu Santinho
Pessiquiatra e jurixta nas horas vagas
PS: Se, por azar, as suspeitas que recaem sobre o indivíduo não se confirmarem após a necessária avaliação psiquiátrica… olha, azar!...
Azar o dele!
Deixem lá, não se preocupem com isso. Denunciem-no na mesma, e depois logo se vê.
Pensam que o tipo vos pode acusar de alguma coisa?
De quê? Difamação? Irregularidades processuais?
De o nome dele, afinal, nem ser António Carlos Mota Ferreira?
E o que é que isso interessa?
Bah! São coisas perfeitamente irrelevantes.
“Peanuts”, como dizem os americanos.
Anexos:
Da lei 36/98 (Lei da Saúde Mental)
Capítulo II
Do internamento compulsivo
Secção I
Disposições gerais
Artigo 8.º;
Princípios gerais
1 - O internamento compulsivo só pode ser determinado quando for a única forma de
garantir a submissão a tratamento do internado e finda logo que cessem os
fundamentos que lhe deram causa.
2 - O internamento compulsivo só pode ser determinado se for proporcionado ao
grau de perigo e ao bem jurídico em causa.
3 - Sempre que possível o internamento é substituído por tratamento em regime
ambulatório.
4 - As restrições aos direitos fundamentais decorrentes do internamento compulsivo
são as estritamente necessárias e adequadas à efectividade do tratamento e à
segurança e normalidade do funcionamento do estabelecimento, nos termos do
respectivo regulamento interno.
Secção III
Internamento
Artigo 12.º;
Pressupostos
1 - O portador de anomalia psíquica grave que crie, por força dela, uma situação de
perigo para bens jurídicos, de relevante valor, próprios ou alheios, de natureza
pessoal ou patrimonial, e recuse submeter-se ao necessário tratamento médico pode
ser internado em estabelecimento adequado.
2 - Pode ainda ser internado o portador de anomalia psíquica grave que não possua
o discernimento necessário para avaliar o sentido e alcance do consentimento,
quando a ausência de tratamento deteriore de forma acentuada o seu estado.
Artigo 13.º;
Legitimidade
1 - Tem legitimidade para requerer o internamento compulsivo o representante legal
do portador de anomalia psíquica, qualquer pessoa com legitimidade para requerer a
sua interdição, as autoridades de saúde pública e o Ministério Público.
2 - Sempre que algum médico verifique no exercício das suas funções uma anomalia
psíquica com os efeitos previstos no artigo 12.º; pode comunicá-la à autoridade de
saúde pública competente para os efeitos do disposto no número anterior.
3 - Se a verificação ocorrer no decurso de um internamento voluntário tem também
legitimidade para requerer o internamento compulsivo o director clínico do
estabelecimento.
Artigo 14.º;
Requerimento
1 - O requerimento, dirigido ao tribunal competente, é formulado por escrito, sem
quaisquer formalidades especiais, devendo conter a descrição dos factos que
fundamentam a pretensão do requerente.
2 - Sempre que possível, o requerimento deve ser instruído com elementos que
possam contribuir para a decisão do juiz, nomeadamente relatórios clínicopsiquiátricos
e psicossociais.
Texto completo da lei (em documento .pdf):
www.estig.ipbeja.pt/~ac_direito/LSMental.pdf
quarta-feira, janeiro 23, 2008
Apesar de Você (Chico Buarque)
Um desafio: descubram, neste vídeo (de uma música que - note-se - foi feita a pensar na ditadura militar brasileira) , as imagens do 25 de Abril, em Portugal.
Para saber mais sobre o regime militar brasileiro:
pt.wikipedia.org/wiki/Ditadura_militar_no_Brasil_%281964-1985%29
E sobre o movimento Diretas Já (ou seja, a primeira grande manifestação de massas bem sucedida contra o regime opressor):
pt.wikipedia.org/wiki/Diretas_J%C3%A1
(PS: Se julgam que estou com isto a tentar enviar alguma mensagem tipo "a arrogância tem limites" ou "não há castelo que não caia"... epá, pensem o que quiserem... à vontade!... Afinal, estamos num país livre. Não estamos?)
quinta-feira, janeiro 17, 2008
(agora uma pequenina liberdade poética...)

como se usassem... um pente?
pois, sim: como se utilizassem este pente...

PS (que, como estou farto de vos dizer, significa post scriptum): a explicação está algures nos artigos que aparecem abaixo deste pequenino devaneio poético. Se, mesmo assim, não perceberem... ó meus amigos, que hei-de eu dizer-vos mais?...
terça-feira, janeiro 08, 2008
Imagine...

Sabia? Eu sei.
Hummm... Depois de ler estas coisas, o caro leitor deve achar que, se calhar, quem precisa mesmo de acompanhamento psiquiátrico sou eu, que ando para aqui a disparatar alarvemente, não é?
Tive a honra de trabalhar, também, na primeira edição de uma revista de Economia!

Eu, no Sem Mais Jornal, pela segunda (e última) vez

sexta-feira, dezembro 28, 2007
Temporariamente encerrado...
(coisa que, provavelmente,
só irá acontecer já em 2008).
quinta-feira, dezembro 27, 2007
Esta Cidade

Esta cidade
Há-de ser uma fronteira
E a verdade
Cada vez menos
Cada vez menos
Verdadeira
Quer eu queira
Quer não queira
No meio desta liberdade
Filhos da puta
Sem razão
E sem sentido
No meio da rua
Nua crua e bruta
Eu luto sempre do outro lado da luta
A polícia já tem o meu nome
Minha foto está no ficheiro
Porque eu não me rendo
porque eu não me vendo
Nem por ideais
Nem por dinheiro
E como eu sou e quero ser sempre assim
Um rio que corre sem princípio nem fim
O poder podre dos homens normais
Está a tentar dar cabo de mim
Cabo de mim
Letra: João Gentil
Música: Xutos e Pontapés
(Do álbum “Circo de Feras”, 1987)
Site oficial da banda:
www.xutos.pt
E aqui, um vídeo dos Xutos, com esta canção.
sábado, dezembro 22, 2007
Uma história (verdadeira) de Natal...
Dezembro de 2000. Eu, ainda em Portalegre. A minha relação com a pessoa que me convencera a ir viver para lá, terminara. O meu trabalho na oficina da Opel (foi muito interessante, mas não vem agora para o caso), terminara. (O Jornal D’Hoje, para mim, já tinha terminado em Abril desse ano...). Já não estava a fazer nada naquela terra.Por volta destes dias, perto do Natal... Encontro, no “Jardim do Tarro” (zona central de Portalegre) o Raul Tavares (director do Sem Mais Jornal, semanário em que eu trabalhara anteriormente), que estivera a passar uns dias de férias em Marvão. Mais uma coincidência espantosa: calhou encontrarmo-nos nesse que era o meu último dia em Portalegre.E, como não a conseguia abrir, (pois já alguém se tinha encarregue de impedir que a janela abrisse - porque também já tinha percebido, finalmente, que não era a primeira vez que ele assaltava essa e outras casas), virou-se para mim, o pobrezito, ameaçando que se eu não lhe abrisse a janela a bem, abria a mal.


sexta-feira, dezembro 21, 2007
Jornal D’Hoje (Portalegre, 1999/2000)
O semanário Jornal D’Hoje foi um projecto do jornalista Rui Vasco Neto, feito em Portalegre, na transição do século 20 para o século 21.Irreverente e desafiador dos poderes instituídos – à imagem do seu criador, aliás – o Jornal D’Hoje tinha tudo para ser um fracasso editorial, numa terra tão conservadora como era então a “capital do Norte Alentejano”.
E, como se previa (e como muitos caciques locais desejaram, e trabalharam para
tal), acabou mesmo por ser um fracasso, em termos de viabilidade editorial. Mas foi, também, um grande exemplo do que deve ser a comunicação social local: informativa, atenta, interveniente, sem cedências nem compromissos.Um jornal que, como se costuma dizer (e porque era feito à imagem do seu criador, repito), chamava os bois pelos nomes. Ou seja: fazia jornalismo. Mesmo correndo o risco de chatear alguns poderes, locais, regionais, ou mesmo
nacionais.E era mesmo isso que se pretendia: dizer as verdades (revelá-las) sobre um dois distritos portugueses mais deprimidos e subdesenvolvidos (não porque “não gostássemos de Portalegre”- e, portanto, só tinhamos era que “voltar para a nossa terra”, como nos foi sugerido várias vezes pelos arautos da mentalidade “xenófoba” local – mas apenas porque era esse o âmbito territorial do periódico em questão). E propunha-mo-nos a revelar essas verdades, doesse a quem doesse.Ora leiam este excerto do editorial do número zero (9 de Dezembro de 1999), assinado pelo director, Rui Vasco Neto:
«Em Portugal já não se usam palavras. Usam-se meias palavras para tudo, do insulto ao elogio, da ordem à sugestão.
A palavra de ordem é não hostilizar, contemporizar, dialogar, negociar, enganar, se for preciso! – mas não agitar.(...)
Ser politicamente correcto é, nos dias de hoje, tão imprescindível como o telemóvel. Quem não é não está contactável. Pior: não é contactável.(...)
Todas as suas perguntas têm cabimento no JornalD’Hoje. A nossa função é essa, perguntar e obter resposta às perguntas. E quando os senhores que se sentam na coisa pública como se fosse só deles torcerem o público nariz de desagrado pela insistência (...) há sempre uns que se calam.
Gostaria de dizer aos leitores deste jornal que há sempre uns quantos outros que perguntam outra vez o que querem saber e mais outra e outra (...) até à resposta final. E que depois vão confirmar a resposta.
Têm um nome, esses. Chamam-se jornalistas. Bem vindo ao mundo da informação regional, com qualidade nacional.»
Claro que, com esta declaração de intenções, o Jornal D’Hoje estava, logo à nascença, em “guerra” com os poderes então instituídos no “norte alentejano”. E que poderes eram esses? Bem, deixa cá ver se me lembro... eram 10 concelhos dominados pelo Partido Socialista (que estava então também no Governo do país), em 15 dos que compõem o distrito de Portalegre (os outros 5 eram “repartidos” pela CDU e pelo PSD – mas o PS tinha os mais importantes: Portalegre, Elvas, Ponte de Sôr, Campo Maior...). E não era apenas a “proporção” ou “desproporção”de forças que estava ali em causa: era uma lógica de concentração de poderes, de hegemonia. E de asfixiamento das vozes eventualmente rebeldes.Em Portalegre... fiéis ao objectivo de fazer informação rigorosa, sem cedências e ouvido sempre todas as partes interessadas num determinado assunto... sempre que falávamos com a “oposição”, tentávamos ouvir, também, a maioria (entenda-se, os autarcas do PS). Mas era, precisamente, essa maioria (com a própria Câmara de Portalegre à cabeça) quem colocava obstáculos ao nosso dever de informar.
Era habitual eu terminar os meus trabalhos com frases como “o Jornal D’Hoje tentou ouvir a Câmara de Portalegre, que não se mostrou disponível para prestar declarações”, ou então “na Câmara de Portalegre, disseram-nos que a única pessoa autorizada a falar sobre o assunto seria o presidente, mas só marcando entrevista, e o senhor presidente não estava disponível para entrevistas”.
Não acreditam? Julgam que estou a exagerar?Leiam, então, a seguinte história real:

Ou esta, não menos verdadeira:

Pois: era assim mesmo que as coisas se passavam!
assunto.de cargos políticos, como, por exemplo... ora deixa cá ver... pois, o senhor Governador Civil!... (Uma parte dessa história já foi contada aqui.) E, escusado será dizer – hummm... será mesmo escusado?... – que não nos movia qualquer intuito de “perseguição” a esses titulares de cargos públicos. Era, digo-vos mais uma vez, a nossa obrigação, enquanto jornalistas: informar, fazer serviço público.
Além disso, o Jornal D'Hoje teve ainda o mérito de recuperar - e logo na tão conservadora Portalegre - esta preciosa e esquecida tradição dos "ardinas". Pois, isso mesmo: uns jovens que, expressamente "contratados" para o efeito, e trajados a rigor, abanavam a letargia da cidade, com pregões, tipo "ólhó Jornal D'Hoje!". E isso é outra história que merece ser contada (mas que, por agora, fica aqui apenas brevemente referida, quase como nota de rodapé).Bem, sobre a minha experiência profissional em Portalegre, havia tantas outras coisas interessantes para contar!...
Mas fica para a próxima, que esta dissertação – e esta série de artigos – já vão longas!
quarta-feira, dezembro 19, 2007
Homenagem a um dos meus poetas preferidos (e uma das minhas maiores influências): Alexandre O'Neill

Quando era cego eu previa
(que freguesia!)
o que ia acontecer.
Era o que se dizia…
Mas agora, que bem vejo,
só agoiro do que vejo
e já ninguém me quer crer…
Porquê,
se todos o podem ver!
Alexandre O’Neill
Mais poemas de O’Neill, no Debaixo do Bulcão:
segunda-feira, dezembro 17, 2007
Eis que chego, finalmente, a Portalegre
Já sei que corro o risco de chatear os visitantes deste blogue, e de perder os meus fiéis leitores (podem entender isto como uma piada, se quiserem). Mas é que preciso mesmo de continuar o relato das minhas deambulações profissionais. Há por aí quem tenha feito um esforço para varrer isto para debaixo do tapete. E eu cá estou, a levantá-lo (o tapete), para mostrar o que foi escondido.Portanto, chego agora ao ano de 1999 - e a Portalegre, essa belíssima e chatíssima capital do “Norte Alentejano”. (E com isto fica já despachada mais uma parte das “audiências”...)
Ora, andava eu cá por Almada, quando conheço uma mulher portalegrense que me convence a ir morar com ela lá para o sopé da Serra de São Mamede. E eu, tão convencido fiquei que fui mesmo. (Por isso e para ver se me livrava, finalmente, de um certo familiar que me andava a prejudicar, com roubos, destruição de património, ameaças, etc. – e que, nesse tempo, sem que eu o soubesse, era também já, ele, arguido num caso de agressões continuadas... Mas adiante.)
Então, chego a Portalegre, sem nenhum plano a não ser essa lamechice do “amor e uma cabana” – e, como já disse, muita vontede de não aturar mais criminosos.
Ainda pensei (ingénuo que eu era!...) em enviar o meu curriculum para o jornal “de referência” lá da terrinha: o Fonte Nova. (Não sabia eu que, para o Fonte Nova – e para a generalidade dos portalegrenses, como constatei depois – os “estrangeiros” baixam a bolinha, comem e calam, se não estão contentes vão lá para Lisboa, e essas coisas a que o poeta nefelibata Affonso Gallo tão espirituosamente se refere no seu Soneto Portalegrense, que é um bonito poema de 14 versos – duas quadras e dois tercetos -, escrito todo ele em decassílabos, e que podem ler acedendo ao blogue desse autor, ou simplesmente clicando em: affonsogallo.blogspot.com/2007/01/soneto-portalegrense.html.)
Mas, oh meus amigos!... Pelo menos uma vez na vida os deuses, o destino e essas coisas todas, estiveram comigo: assim que lá cheguei havia um novo projecto editorial a pedir jornalistas. E, ainda por cima, era um projecto editorial liderado por um “estrangeirado” (estrangeirado em relação à mentalidade portalegrense), de seu nome Rui Vasco Neto (jornalista que tinha passado antes pelo Tal&Qual, no tempo em que esse periódico tinha alguma qualidade – e que vocês são capazes de conhecer de um produto televisivo que ele fez mais tarde, na TVI, chamado “Vidas Reais”...).
Rui Vasco Neto e eu, António Vitorino... Deve ser difícil conjugar duas personalidades tão opostas, não é? É pois! Garanto-vos eu, que conheço ambos.
Mas (julgo que por isso mesmo, justiça lhe seja feita) ele, Rui Vasco Neto (ou o Senhor Rui, como lhe chamavam os seus empregados...) aceitou a minha candidatura. E mais: convidou-me para ser “coordenador de redacção” do projecto que estava a nascer: o semanário Jornal D’Hoje. Uma parceria (melhor: uma relação suserano-vassalo) algo “contra-natura” que, mais tarde ou mais cedo, teria que dar para o torto.
E deu.
Mas, entretanto, fez-se (fizémos) uma espécie de “revolução” na comunicação social daquela terra.
Não sei se teve consequências. Não sei como está, hoje, o panorama editorial portalegrense.
Mas sei que até o Fonte Nova (jornal “oficioso”, alinhado pelos poderes da região) mudou, para
melhor, nesse tempo, com a concorrência que “nós”, Jornal D’Hoje, lhe fizémos.Agora, após estes anos todos, olho para o Fonte Nova e fico com vontade de rir (como podem ver, aquele sou eu, estou – após estes anos todos - a ler o Fonte Nova, e estou a rir-me). Mas é um riso ternurento, garanto-vos. Até porque a minha passagem por Portalegre teve, também, o efeito de me fazer olhar com menos arrogância para coisas que eu anteriormente considerava extremamente pirosas, insignificantes, de mau gosto, próprias de gente sub-desenvolvida... Enfim, aprendi a ter mais calma com essas coisas.
Foi, em suma, o meu “banho” de “país real”.
quinta-feira, dezembro 13, 2007
Charles Chaplin - The Great Dictator
No dia da assinatura do Tratado de Lisboa, Coisitas do Vitorino aproveita para homengear outro grande visionário político, um homem que sonhou com uma Europa unida... (Refiro-me, obviamente a Charles Chaplin!...)
quarta-feira, dezembro 12, 2007
Eu e os “meus amigos”
Assim, a notícia de primeira página – que era a mais extensa - tinha, salvo erro, três mil caracteres (e não era “no máximo 3 mil caracteres”: era mesmo 3 mil!...) com uma “margem de erro” muito pequena. E a secção “Pessoas”, que aparecia sempre na primeira página, era a mais “rigorosa”: quinhentos caracteres, com “tolerância” de... digamos, meia-dúzia deles.
Era preciso cá uma “ginástica” para escrever assim, ao centímetro!...
Mas eu hoje não venho aqui para me queixar de metros, nem de centímetros. Venho lembrar outra história, muito gira, sobre a minha passagem pelo JR. É que, como já vos disse, havia lá “chefes” que não gostavam de mim, porque eu era comunista, porque “favorecia a Câmara de Almada”, porque “ouvia pouco a sociedade civil”, porque “tinha mau aspecto”, e porque, nessa secção “Pessoas”... “entrevistava muito os meus amigos” – o que, trocado em miúdos, queria dizer que valorizava demasiado “pessoas” que não o mereciam.
Ora bem, é minha honra e meu privilégio (e, porque não dizê-lo, meu prazer) apresentar-vos agora alguns dos “meus amigos” que coloquei nessa secção “Pessoas” do Jornal da Região:






Para o caso de vocês, leitores deste blogue, não conhecerem alguém, aqui vai a informação complementar:
Luísa Trindade, ilustradora e cartoonista; Joaquim Benite, director da Companhia de Teatro de Almada; “Pac Man”, aliás Carlos Nobre, ou Carlão, vocalista dos Da Weasel (que hoje são uma das mais reconhecidas e aplaudidas bandas portuguesas, mas que não eram propriamente uns “desconhecidos” em 1998); Fernando Jorge Lopes, director do Teatro Extremo; Alexandra Sargento, actriz; Rui Tavares, talvez o mais conceituado (e premiado) fotógrafo angolano (mas que tem o terrível “defeito” de ser muito discreto e, por isso mesmo, pouco conhecido em Portugal – e que, a propósito, é o dono do computador em que estou a escrever este texto!); Fernando Rebelo, professor do ensino secundário, actor, cronista na imprensa local e, naquela época, director da Oficina de Teatro de Almada; Rui Cerveira, elemento do Teatro Extremo e director do festival Sementes – Mostra de Artes para o “pequeno público”; Ana Francisco, nadadora que em 1998 era “só” campeã junior da Europa (não me lembro em que especialidade) – mas esta eu, por acaso, até nem conhecia de lado nenhum (a não ser da TV): limitei-me a entrevistá-la, antes de um treino; e...
Bem, o que aqui aparece está longe de ser a totalidade das “notas biográficas” que coloquei naquela secção do JR, mas parece-me que já é o suficiente para vocês verem quem eram, afinal, os “meus amigos”, não?
E, para não dizerem que estou a cuspir na sopa que me deram, eu confesso que sim senhor, fazer este tipo de trabalho foi importante, fez-me “crescer” como redactor (talvez não tanto como jornalista...), fez-me ser mais rigoroso no “acabamento” dos meus trabalhos, e tal... Mas não tenho saudades, nem vontade, de o fazer novamente.
É, mesmo, das tais coisas que, se eu pudesse voltar atrás, só faria se não tivesse alternativas.
(Por acaso, assim de repente até nem me lembro se as tinha... e, se as tinha, quais eram.)
segunda-feira, dezembro 10, 2007
O Jornal da Região: duas ou três coisas que sei sobre ele

Ora, isto não é novidade para ninguém!, dir-me-ão.
Eu sei, porque estive lá, desde 1998. “Ouvi agora, senhores, uma estória de pasmar...” ou, bem vistas as coisas, talvez não!
De terra em terra?
Quando cheguei à redacção do Sem Mais Jornal foi, como é óbvio, para escrever nesse jornal. Mas deram-me, também, a espinhosa tarefa (sem mais, e sem aspas) de fazer, ao mesmo tempo, o Jornal da Região, edição de Almada.

E porquê?
Porque a SadoPress (empresa proprietária das edições Sem Mais) tinha chegado a um muito proveitoso acordo com o “grupo Balsemão” (proprietário das edições do Jornal da Região), que lhes permitia sustentar financeiramente o novo semanário Sem Mais Jornal. Assim, a redacção do Sem Mais fazia também o Jornal da Região (nesse tempo, ainda só o de Almada). E este era “o que nos paga
va os salários” (talvez eu devesse ter metido esta também sem aspas, mas enfim...).“Quase de ponta a ponta” incluia (além da secção das “cartas dos leitores”... como podem verificar, clicando aqui), a mui famigerada secção “De Terra em Terra” – ou seja, a tal dos “correspondentes locais”.
r que, naquele tempo, ainda não havia obras do metro de superfície... portanto, havia menos buracos nas ruas de Almada.)Havia outros, mas não eram tão competentes.
“Moradores indignados com a Câmara”???
Isto de que vos estou a falar passou-se entre 1998 e 1999. Nesse tempo estava eu a morar em Almada e ia a Setúbal apenas para escrever os artigos (para o JR e para o Sem Mais Jornal, bem entendido).
Como a última carreira de autocarros para Cacilhas era, salvo erro, às onze e meia da noite, e como eu não tinha vontade nenhuma de ficar fechado na redacção (onde estava sozinho, algumas vezes) até à manhã seguinte, lá tinha que me despachar a escrever os textos.

Título: «Moradores contra privatização da mata» (o que era verdade, aliás)
Lied: «Numa altura em que muitos querem acabar com os parques de campismo nas matas e dunas da Costa de Caparica, a Câmara vendeu uma parcela de mata na Quinta de Santo António para alargamento do parque de campismo. Os moradores protestam e acusam a edilidade de privatizar a mata. A Associação de Desenvolvimento Turístico da Costa de Caparica apoia o protesto, mas “vai esperar para ver”.»
Quem foi, então? E com que objectivos?
Oh, meus amigos!... Isso seria a pergunta de um milhão de dólares. Mas eu cá não me vou arriscar a responder.
Olhem que não, amigos, olhem que não!
Eu, redactor clandestino
Eu nunca escondi, em lado nenhum, as minhas opções políticas. Sou comunista por convicção política e ideológica, embora não exerça militância em nenhum partido desde que comecei a minha carreira profissional como jornalista (e isto, entenda-se, não é nenhuma crítica aos que tomaram a opção de ser jornalistas mantendo a sua militância partidária).
E isso nunca me causou problemas profissionais. Nunca, a não ser, precisamente, no Jornal da Região.
Pois bem: eu também não gostava dessa senhora, mesmo sem a conhecer. Não gostava das “correcções” que ela fazia às minhas notícias (aquela que refiro acima, sobre a Mata de Santo António, não foi a única, diga-se..); não gostava do modo histérico como ela berrava ao telefone com o Armando Faria (e não só). Não gostava, em suma, da sua arrogância (e da incompetência que demonstrou, em determinadas situações).
Mas eu não a podia despedir. Ela, no entanto, podia fazer com que me “despedissem” a mim. Podia fazer, e fez.!
Não deixei, não senhor! Continuei a escrevê-lo (embora “clandestinamente”) enquanto estive a trabalhar para a empresa que editava também o Sem Mais Jornal. E não me queixei disso, nem queixo!
Eu cá não me chateio com isso.Os artigos que escrevia continuavam a ser publicados - não assinados, mas antes também não o eram.
E, assinando ou não, “clandestino” ou às claras, eu cá ganhava o mesmo!
Ganhava o quê?
Experiência, meus amigos! Experiência!...
(Em 2001 voltei à redacção da Sem Mais e retomei, também, a minha colaboração no JR; mas aí já foi com outra “chefia”, e apenas para fazer entrevistas – e, também, com a devida, e justa, remuneração. Ainda hei-de falar-vos disso, descansem. Não estou aqui para aldrabar ninguém!)
