sábado, junho 27, 2009

Michael Jackson: Black or White

Eu até nem fui um grande fã de Michael Jackson. Mas há algumas músicas dele que me agradaram particularmente. Acima de todas, este tema - Black or White - e este vídeo. Pela música, sim. Mas, principalmente, pela mensagem. E, não menos, pelos efeitos especiais que - no início da década de 90, note-se - eram inovadores e serviam para contar uma história (em vez de servirem só para criar espalhafato).

quinta-feira, junho 25, 2009

Como (não) vivi a revolta na Ponte 25 de Abril (Junho de 1994)


Na noite de 23 para 24 de Junho de 1994 (há 15 anos) estava eu a fazer o último turno no departamento de informação da Rádio Voz de Almada. Terminado o serviço (o último noticiário era, salvo erro, à meia-noite), verifico as eventuais novidades recebidas via fax, para deixar aos meus colegas na manhã do dia seguinte. Procedimento normal e quotidiano...

Nos faxes, nada de especial: era véspera de feriado em Almada, poucas notícias e apenas uma convocatória de camionistas que convidavam a comunicação social a aparecer no Centro Sul na manhã seguinte...

Pois... Embora aquilo fugisse um pouco ao "normal", confesso que não adivinhei o que aí vinha. Deixei, portanto, os faxes (incluindo esse) no local do costume, para os meus colegas verem na manhã seguinte. E lá fui à minha vida: era noite de São João, havia arraiais por toda a cidade (94 e 95 foram, de resto - desde que me lembro, e se bem me lembro - os anos em que se fizeram mais arraiais populares em Almada), e no dia seguinte até estava de folga.

Portanto, depois de um dia de trabalho duro, festejei bravamente (work hard, party harder, lembram-se?).

Dia seguinte: rádio primeiro, têvê depois (já havia quatro canais... - ou melhor: ainda só havia quatro canais) surpreendem-me com directos da Praça da Portagem. Camiões a bloquear o trânsito, povo a aplaudir e a apoiar, Governo (liderado pelo PSD do então primeiro-ministro Cavaco Silva) nervoso, ministro da Administração Interna (Dias Loureiro) a desembarcar de helicóptero para comandar, no local, as "tropas" que haviam de desimpedir o local - à bastonada - e desmobilizar o protesto (contra o aumento das portagens, para quem não se lembra ou não sabe).





Penso eu com os meus botões, e em vernáculo: porra, devia ter adivinhado isto! Ao telefone com a directora de informação da Voz de Almada, comento o que se passa. Pergunta-me ela: gostavas de estar lá, não? E eu faço como os políticos: não confirmo nem desminto, antes pelo contrário (claro que gostava de ter estado a fazer a cobertura desse dia histórico - mas uma cabeça iluminada daquela rádio tinha-me proibido de fazer trabalho fora das horas de serviço!).


Sorte a minha: aquilo foi apenas o princípio da grande contestação popular que - em última análise - teve como consequência a derrota do PSD nas legislativas de 1996, após dois mandatos de maioria absoluta (e arrogância se não absoluta pelo menos muito... arrogante!). Felizmente para mim, consegui acompanhar, ainda, as movimentações que se seguiram: a criação de dois movimentos de utentes, os protestos em forma de "buzinão" ou de complicação de trocos e, no final, um certo pedido de desculpas aos portageiros pelos incómodos causados - porque, afinal, o alvo dos protestos era o governo, não os "pobres" funcionários.


Felizmente para o país, a derrota do PSD nas eleições de 1996 levou ao poder um PS preocupado em repôr alguma justiça social (embora numa versão "beata" ao estilo António Guterres) e não um PS tecnocrata e mais-do-mesmo.


Dúvida final, em jeito de nota de rodapé:O ano passado, por esta altura, a comunicação social comemorou a preceito mais um aniversário da "revolta da ponte". Este ano, népia. Porquê?

(Obs: as fotografias - de autor que desconheço - foram publicadas na Revista Sem Mais, número 7, de Agosto de 1994. Reproduzo-as aqui, com a devida vénia - e mencionando a fonte, porque é assim mesmo que se deve fazer.)





PS - Reportagem da carga policial, transmitida em directo pela SIC, disponível em

sábado, junho 20, 2009

Uma proposta para resolver a crise cíclica dos nadadores-salvadores


Todos os anos, assim que as temperaturas começam a subir e o pessoal começa a ir à praia, aparecem notícias de mortes por afogamento em praias ainda não vigiadas porque (quando a temperatura começa a subir) ainda não tinhamos chegado à época balnear. Como não tinhamos chegado à época balnear, não havia nadadores-salvadores. Ou porque não estavam ainda formados em número suficiente, ou porque os concessionários das praias ainda não os tinham contratado.

O modelo português de segurança e assistência a banhistas é antigo e baseia-se nas estações do ano - que, como é evidente, já não são o que eram. Trata-se, portanto, de um modelo sazonal: nadadores-salvadores para o Verão (mesmo que o "verão" comece antes da data prevista).

Existem, no entanto, países onde os nadadores-salvadores estão na praia durante todo o ano, com mais ou menos calor, independentemente da estação. Cuidam da linha de costa, que é a sua casa permanente. E fazem competições entre eles, até! O que significa - diz o senso comum... - que, estando sempre na praia, e mantendo-se em forma, estão preparados para, em qualquer momento, acorrer a emergências.

É lógico, não?

Lógico e não muito difícil de concretizar. Basta criar clubes de surf life saving, "uma espécie de escuteiros (ou bombeiros) do mar".

Mas será isso viável? Em países como a Austrália, Nova Zelândia, Reino Unido, ou Estados Unidos da América, esse é mesmo "o" modelo. Há quem diga que se é bom para eles é bom para nós. E, neste caso, até sou capaz de concordar...

Informação no site da International Life Saving Federation:

(A entrevista foi feita há um ano atrás. Não voltei entretanto a falar com o Telmo Rodrigues - logo, não sei em que ponto está o seu projecto para criar os tais clubes de "surf life saving": Mas não acredito muito que - neste país do desenrasca e do deixa andar - ele tenha conseguido alguns progressos. Tenho pena. Mas não acredito, mesmo...)

terça-feira, junho 16, 2009

A década do osso


Esta notícia, que dá conta do advento da Década do Osso, foi escrita por mim ("com agências" - no caso, com a Lusa, que era, nesse tempo, uma das referências do jornalismo em Portugal). É de Dezembro de 1999 e foi publicada no número 2 do Jornal D'Hoje.

A Década do Osso iria começar (começou) em Janeiro de 2000. E, tratando-se de uma década que começa em zero, deve terminar, pelas minhas contas, em Dezembro de 2009. Portanto, estamos no último ano da Década do Osso, certo?

Ora, uma década do osso (tratando-se, ainda por cima, desta década) seria uma fonte de inspiração para humoristas informados, competentes e minimamente criativos. Mas parece que a década do osso só nos trouxe "humoristas" ignorantes, tecnocratas e razoavelmente incompetentes. Ou é impressão minha?

Quanto à (propriamente dita, e por extenso) Década do Osso e da Articulação, que agora termina, alguém deu por ela? Que medidas de sensibilização foram tomadas? Que informação foi prestada ao público (dando de barato que os profissionais da Saúde terão sido devidamente formados e informados nesta matéria)? E quais os investimentos - e respectivos resultados - na profilaxia e tratamento destas doenças que, em 1999, eram - segundo a OMS - "a maior causa de morbilidade em todo o mundo"?

Pode ser que em Dezembro tenhamos direito a um balanço e contas desta campanha...

E, entretanto, toca a beber leitinho. A publicidade ao leite, feita pelos respectivos produtores é, por agora, a única coisa visível desta campanha. Vá lá... é alguma coisa. E é saudável, convenhamos.

Apesar da pouca informação sobre o assunto, existe, no entanto, um relatório de actividades do período 2003-2005, disponível no site da Sociedade Portuguesa de Ortopedia eTraumatologia:http://www.spot.pt/decada.asp

domingo, junho 14, 2009

É a aritmética, estúpido!

Ora aqui está uma das anedotas políticas mais engraçadas dos últimos tempos: o PS perdeu cerca de 9 mil votos em Almada (!) mas, mesmo assim, "canta vitória"!

E "canta vitória" porquê? Bem, parece que é porque conseguiu ser o partido mais votado neste concelho. O PS - que é, há muitas eleições, o partido mais votado em Almada - perdeu 9 mil votos, e ainda assim "canta vitória"? Pois, parece que sim...

Ou seja: nestas eleições, o PS teve resultados desastrosos, mas lá conseguiu ser o partido mais votado em alguns, poucos, concelhos (Almada incluida). E parece que isso é uma vitória!

Eu não sei se isto é não saber fazer contas, tentar atirar poeira para os olhos ou tentar tapar o sol com uma peneira.

Sei, sim, que o PS levou uma "tareia" histórica em quase todos os concelhos do distrito: em comparação com as eleições de 2004 para o Parlamento Europeu, perdeu - para a CDU, já agora (que, já agora, aumentou a sua votação em quase todos os concelhos, incluindo Almada) - os de (por ordem alfabética) Alcácer do Sal, Alcochete, Barreiro, Grândola, Moita, Palmela, Santiago do Cacém, Seixal, Sines. Sim, perdeu a "liderança" nesses todos, e logo para a CDU!

O PS manteve o "estatuto" de partido mais votado em 4 concelhos do distrito (em 2004 tinha vencido em todos os 13 concelhos, note-se!), nos quais, mesmo assim, sofreu perdas significativas: em Almada (onde desce de 44% para 28%), no Montijo (desce de 46% para cerca de 26%), em Sesimbra (de 44% passa para 24%), e em Setúbal (onde desce de 44% para 23%).

Em Almada - concelho que, repito, o PS ganha sempre, exceptuando as autárquicas - perdeu agora em comparação com todos os partidos, ficou a 2 mil votos da CDU (há 5 anos tinham ficado 12 mil votos à frente...). Mas "canta vitória"!

Permitam-me, muito humildemente, fazer a pergunta que se impõe: perder 9 mil votos e obter em Almada um dos piores resultados de sempre é uma vitória?

Não me parece. Aliás, como dizia o outro, é uma questão de fazer as contas.

Recorrendo, por exemplo, aos resultados oficiais destas eleições. E comparando-os com eleições anteriores (europeias, legislativas e autárquicas).

Tudo disponível, para que ninguém fique com dúvidas, num site do Ministério da Justiça português.

Aqui:

quinta-feira, junho 11, 2009

Blogues de jornalistas: Rui Vasco Neto e Teresa Farinha

Uma das coisas boas que a internet nos trouxe foi esta possibilidade de reencontrar facilmente pessoas das quais perdemos o rasto. No caso, dois jornalistas com os quais trabalhei, em locais, circunstâncias e tempos diferentes. Rui Vasco Neto (no Jornal D'Hoje, de Portalegre, entre 1999 e 2000) e Teresa Farinha (no SemMais Jornal, de Setúbal, em 2001).

A Teresa que me desculpe, mas eu quero dar destaque ao Rui Vasco Neto - e explico já porquê.



Rui Vasco Neto foi um dos melhores jornalistas que conheci - e com quem tive a oportunidade de trabalhar.

Em 1999, fui de Almada até Portalegre (por razões pessoais, que não vêm agora ao caso). E, assim que lá cheguei, tive a enorme fezada de encontrar um jornal que procurava jornalistas para a respectiva redacção. Era o Jornal D'Hoje - projecto de jornalismo a sério (nos anos 90, na "província", muito provinciana, por sinal!). Já contei neste blogue a minha versão da história do Jornal D'Hoje (ver aqui, sff), portanto, não me alongo agora em pormenores sobre o assunto.

O Rui Vasco Neto (que tinha, salvo erro, a escola do Tal&Qual, quando esse jornal era bom e fazia investigação) recebeu-me para uma entrevista de emprego - e empregou-me. Achou que eu podia ser bom a "jornalar" e contratou-me para "cordenador de redacção".
("Coordenador de redacção" não era um cargo tão bom quanto possa parecer: era o tipo que levava porrada do director e da redacção...)

Eu, que já tinha 7 anos de experiência profissional - ele tinha o dobro... - como jornalista (descontado as experiências "amadoras" em rádios e jornais locais), ainda assim aprendi muita coisa com o Rui Vasco Neto. Antes de mais (e não é pouco): fiquei a conhecer o Código Deontológico dos Jornalistas Portugueses (mas só ao fim de sete anos de trabalho, note-se!).

Depois, aprendi como se "blinda" uma redacção - apesar de (ou por isso mesmo) a do Jornal D'Hoje ter sido alvo de uma tentativa de espionagem por parte de outro jornal lá do burgo.

Já tinha, este vosso amigo - de aprendizagens anteriores, na rádio e na imprensa escrita - um estilo objectivo e conciso (da rádio e de uma escola a que se chamava, salvo erro "jornalismo de agência") e também apetência para aprofundar, para investigar (resultado do trabalho em jornais como o Sul Expresso ou o Sem Mais Jornal, primeira versão). Mas, com o Rui Vasco Neto, passei a ter outra exigência: a da credibilidade acima de tudo.

Pois, eu sei: quem o viu depois, a fazer um programa chamado "Vidas Reais", na TVI, talvez não acredite nisto. Felizmente eu conheci-o antes.

E - para que não se pense que estou aqui a dar graxa - até nem nos demos sempre assim tão bem quanto isso. Tinhamos feitios muito diferentes, e a relação profissional director-sacodepancada resultou enquanto resultou. Depois, saí do Jornal D'Hoje e fui trabalhar para uma estação de serviço...

Temos, pelo menos, uma coisa (quiçá a única) em comum: ambos somos tão "artistas" quanto "jornalistas" (no meu caso, parece que tenho de pôr esta palavra entre aspas) e não somos por isso menos rigorosos ou menos objectivos. E. dez anos depois, também eu começo a ter falta de paciência para os subdesenvolvidos que não entendem (ou não querem entender) isso.

O Rui Vasco Neto tem um blogue chamado Sete Vidas Como os Gatos (título que tem muito que se lhe diga, mas não me compete a mim dizê-lo):

http://setevidascomoosgatos.blogs.sapo.pt/



Em 2001, voltei para Almada, mas já com a perpectiva de regressar ao Sem Mais Jornal. Foi aí que conheci, então, a Teresa Farinha. Que era, naquele tempo, uma jovem jornalista que estava encarregue da secção "cultura" do SMJ.

Parece que não está agora a exercer a profissão. Mas continua atenta à actividade cultural. E vai dando conta do que conhece e acompanha, no seu blogue, Livros e Outras Coisinhas (título com o qual sinto uma certa afinidade, vá-se lá saber porquê...):
http://livroseoutrascoisinhas.blogspot.com/

terça-feira, junho 09, 2009

"Grande derrota dos comunas em Almada"!!!... O quê, não foi? Não faz mal: inventa-se!



Nas eleições do passado domingo para o Parlamento Europeu, o partido mais votado no concelho de Almada foi o PS, com 15.043 votos (25,74%). A CDU (coligação PCP/PEV) obteve 13.083 votos (22,39%), o PSD 10.800 (18,48%), O Bloco de Esquerda, 8.549 (14,65%), o CDS-PP 3.825 (6,52%).

Além destes (partidos que elegem eurodeputados) há a assinalar o resultado do Movimento Esperança Portugal (MEP), que consegue neste concelho 897 votos (o que corresponde a 1,54%) e fica assim à frente do PCTP-MRPP, partido que obtém 764 votos (1,31%). O número de votos em branco foi expressivo e dá que pensar: no concelho de Almada contabilizaram-se 2.570 (4,4%).


Estes são números oficiais, do Ministério da Justiça português, e podem ser consultados em


Ora, muitos comentadores (e "comentadores" anónimos, também) começaram a debitar na "blogosfera" as mais variadas opiniões. Variadas e disparatadas, em alguns casos. Suponho que por desconhecerem os números reais da votação, há "comentadores" que garantem estarmos a assistir a uma derrota dos "comunas" (porque não conseguiram vencer no concelho, nem na maior parte das freguesias) e, por outro lado, a uma vitória do PS, porque - contrariando a tendência nacional, e distrital - foi o partido mais votado.


A chatice, para esses comentadores (e "comentadores" anónimos) é que os seus comentários não resistem a uma análise da realidade.
E a realidade é a seguinte.

Sobre a suposta "vitória do PS sobre a CDU":


- O Partido Socialista venceu as três últimas eleições para o Parlamento Europeu no concelho de Almada. Obteve em 1999, 23.774 votos (contra 14.366 da CDU); em 2004 conseguiu 24.667 votos (a CDU ficou-se pelos 12.498); este ano votaram no PS 15.043 eleitores (ao passo que a CDU conseguiu 13.083 votos). Portanto, no domingo passado, a CDU subiu e o PS desceu (muito, aliás). Como dizia o outro, é uma questão de fazer as contas... antes de cantar vitória!
Mas há quem queira ver nestes resultados uma derrota "tout-court" dos "comunas" da CDU. Querem, esses comentadores (e, principalmente, os anónimos "comentadores"), aferir destes resultados que a CDU está em declínio - e que isto é uma antevisão do que aí vem, nas eleições autárquicas.


Enfim, são opiniões, ou expectativas... Mas devem ser encaradas apenas como aquilo que são: opiniões e/ou expectativas.
Porque, mais uma vez, a realidade não se encaixa lá muito bem nos argumentos dessa gente (e, nalguns casos, dessas pessoas).
Vejamos, então...


A CDU - que tem a maioria na Câmara, na Assembleia Municipal em 8 das 11 freguesias do concelho - ficou atrás do PS (e em alguns casos, do PSD) nestas eleições. Pois ficou. E então? Não fica sempre, em eleições para o Parlamento Europeu e para a Assembleia da República? E não vence, depois, as autárquicas?
Consultem-se, mais uma vez, os números oficiais relativos ao concelho de Almada:

Eleições para a Assembleia da República,
1999: PS - 38.030 (43,17%); CDU - 19.494 (22,13%)
2002: PS - 35.050 (39,83%); PSD - 23.496 (26,70%); CDU - 15.519 (17,63%)
2005: PS - 40.849 (43,90%); PSD - 16.649 (17,87%); CDU - 16.228 (17,42%).


E, nas autárquicas (resultados da votação para a Câmara Municipal),
2001:
CDU - 27540 (41.41%); PS - 17991 (27.05%); PSD - 11595 (17.43%)
2005:
CDU - 28799 (42,32%); PS - 17437 (25,63%); PSD - 11959 (17,58%)


Portanto, o que há, de facto, a concluir destas eleições, no que diz respeito ao Concelho de Almada, é (na minha opinião) o seguinte:


1 - O Bloco de Esquerda consegue um resultado histórico (acompanhando a tendência nacional).
2 - O PS perde eleitorado de forma drástica, em Almada tal como no resto do país. Consegue, ainda assim, ficar em primeiro lugar, mas a escassos 2 mil votos da CDU (nas últimas eleições para o Parlamento Europeu tinha ficado cerca de 12 mil votos à frente dos "comunas").
3 - A CDU não sofre qualuqer derrota mas, antes pelo contrário, aumenta o número de votos (passa de 12.498 para 13.83, e aumenta o seu "score" percentual, de 21,73% para 22,39%).
4 - Aparece um novo partido, com resultados interessantes (o MEP, que passa a ser o "maior dos mais pequenos" - permitam-me a expressão - com 897 votos, ficando assim à frente do PCTP/MRPP, que obtém 757 votos no território concelhio).
5 - Um notável aumento do voto em branco: 2.570 boletins (4,4% dos votos expressos!), contra 1.396 nas últimas eleições para o PE, e 1.227 nas anteriores, de 1999.


Quanto à "derrota dos comunas"... Desculpem lá, mas não é verdade. Os números (oficiais) dizem que não é!

Eu sei que, em retórica política, para muita gente isso não interessa nada.

Para muita gente, em argumentação política vale tudo, mesmo negar a realidade.
Acontece, porém, que "vale tudo" é um desporto de combate. E chama-se "vale tudo" porque tem elementos técnicos de "todas" as artes marciais (valem todas as técnicas, portanto). Mas mesmo aí há regras. E, de facto, mesmo aí não vale tudo.
Era bom que o mesmo acontecesse no debate político...

Eleições para o Parlamento Europeu: resultados na minha freguesia


Tenho andado à procura de resultados das eleições para o Parlamento Europeu (resultados das votações de 2004 e 2009, para ter termos de comparação) no concelho de Almada. Mas como, até agora, não encontrei dados fiáveis sobre o concelho (o site do STAPE tem parâmetros diferentes para as eleições de 2004 e de 2009), deixo aqui, então, os números que dizem respeito à minha freguesia: a Caparica.

Uma freguesia em que o PS venceu (olha a novidade!...). Mas reduziu o seu "score" de 2388 para 1489 votos (o que corresponde a uma descida de 43 por cento para 26 por cento (muito, portanto!).

A CDU teve, em 2004, 1421 votos, e agora cresceu para 1461, embora tenha diminuido percentualmente, de 26 para 25 por cento.
O Bloco de Esquerda duplicou a sua votação (à semelhança do que aconteceu no resto do país) e, nesta "esquerdista" Caparica, conseguiu até ficar à frente do PSD (que, nessa freguesia, por acaso até teve menos votos que em 2004).
O CDS/PP também contrariou a tendência nacional: na Caparica desceu de 849 para 114 votos.
Isto são números, não especulações.
Comentários? Sim, mais tarde talvez me arme em comentador (favor ver caixa de cometário este artigo)...
Mas fiquemo-nos, por agora, com os factos.

Estes resultados estão em
e

quinta-feira, junho 04, 2009

Gambuzine#1 - uma nova série, agora anual (mas é pena)

Já está disponível a nova edição de um dos melhores fanzines que conheço (e conheço alguns, desde há alguns anos...).
Esta nova série do Gambuzine promete ser de periodicidade anual (o que é pena, digo eu, mas a editora - Teresa Câmara Pestana - lá terá as suas razões).


O presente número tem mais páginas que as edições anteriores (são 88, se contarmos com a nova - e filtrável - capa em cartolina), e mantém a qualidade a que já nos habituou. É essencialmente um fanzine de banda desenhada. Mas de banda desenhada pouco "convencional" ou, se preferirem, pouco "mainstream" - o que, a meu ver, só o valoriza. Publica autores novos (e alguns jovens, também), de países europeus (Portugal incluído) e dos EUA.

Neste número: Ivanna Armanini, Johanna Lonka, Ulli Lust, Claire Ienkova, Teresa Câmara Pestana, Beppi & Mary Knott, João Sequeira, Axel Blotevogel, Cirq, Raul Gardunha, Schmicko, Rautie, Lukas Weidinger, Tiitu, Matjaz Bertoncellj, Diana Waldschreck, Rafa.

Como vos tenho dito, percebo alguma coisa de zines, e é por isso que recomendo vivamente este novo Gambuzine. Mas não percebo nada (enfim, quase nada...) de BD - e é por isso que não vou dar particular destaque a nenhuma. Acho que são todas boas. E todas longe da escola tradicional (para nós, portugueses) que é a franco-belga (Tintin, Asterix, Lucky Luke e outros que tais).

Gambuzine não está à venda em todas bancas, nem mesmo na maior parte delas - mas está receptivo a colaborações.

Como o adquirir, então? E como colaborar?

Explica quem sabe (a editora, claro):

«Apesar de existirem alguns locais onde encontrar o gambuzine (ver site) é importante que se habituem a encomendar pelo correio a vossa porção de pequena tiragem, e é pelo correio que deverão enviar os vossos trabalhos em cd-r, 300 dpi, tiff, jpeg, ou no velho método da boa cópia p&b. Dada a homeopaticidade do meio, os trabalhos de Portugal têm de ser inéditos.»
Qualquer informação ou encomenda, nos contactos disponíveis em

quarta-feira, junho 03, 2009

«Deontologia, quem te viu e quem TV»


Ora aqui está um programa que não quero perder: a emissão de hoje do Clube de Jornalistas.

Quarta-feira, 3, na RTP2, às 23 e 30

A discussão entre Manuela Moura Guedes e António Marinho Pinto, em directo, no Jornal de 6.ª, veio dar razão a quem chama a atenção há muito tempo para a degradação progressiva do jornalismo português. A credibilidade tem-se esvaído entre a mediocridade técnica e o aviltamento deontológico. É urgente um debate alargado que envolva todas as componentes do processo jornalístico. O Clube de Jornalistas espera que o programa desta semana possa dar um contributo sério para esse debate.

Convidados:

Francisco Sarsfield Cabral – Jornalista;
João Miguel Tavares – Jornalista;
António Marinho Pinto – Bastonário da Ordem dos Advogados
(Nota: Manuela Moura Guedes não aceitou o convite para participar no programa)

Depoimentos:

Estrela Serrano – Vogal do Conselho Regulador da ERC
Orlando César – Presidente do Conselho Deontológico dos Jornalistas
Moderador: João Alferes Gonçalves

Informação recolhida em:

segunda-feira, junho 01, 2009

O Ano Internacional da Criança (1979) em Almada


Há 30 anos, a Organização das Nações Unidas (pois, a ONU), promoveu a realização do Ano Internacional da Criança (AIC). O Dia Mundial da Criança comemorava-se já desde 1950. Mas, a partir de 1979 - com a realização do AIC - os problemas (e os direitos) das crianças passaram a ser assuntos mais "mediáticos", logo, mais visíveis e mais prementes.

Naquele tempo, as crianças não eram protegidas (nem viam os seus direitos reconhecidos) como são hoje. (E são, de facto, mais protegidas - apesar de alguns acontecimentos recentes poderem suscitar algumas dúvidas...)

Era, então, nessa época, imperativo chamar a atenção para os seus problemas.

O AIC foi - em Portugal, pelo menos - um ponto de viragem na forma como se encaravam esses assuntos. Criou-se uma dinâmica social envolvendo as "forças vivas" (a "sociedade civil", como se diz hoje). Dinâmica que deu origem, por exemplo, ao Instituto de Apoio à Criança (criado no início dos anos 80) e a outras instituições que trabalham para a infância.

Em Almada, existiam já algumas organizações que - desde 1974 - trabalhavam nessa área, fazendo o levantamento das inúmeras carências que existiam por cá, e tentando resolvê-las. Construiam-se parques infantis, creches, salas de actividades de tempos livres...

Mas sobre isso voltarei a referir-me numa próxima ocasião.Hoje, deixo-vos só mais este documento, sobre as comemorações do AIC em Almada.




E um assunto relacionado com este - teatro de fantoches da AIPICA, em 1979 - aqui:

sexta-feira, maio 29, 2009

"Viva a vida sem tabaco!"... ou uma nova versão da fábula da lebre e da tartaruga (Rádio Baía, Maio 1993)

Em 1993, fui fazer reportagem das comemorações do Dia Mundial Sem Tabaco (31 de Maio).

Havia uma festa no Jardim de Almada - animação que culminou com uma pequena peça de teatro na qual se recriava a fábula da lebre e da tartaruga. A tal corrida que a lebre tem todas as condições para ganhar... e daí... daí não sei: é que a lebre, ultimamente, anda a fumar tanto!...

A piada disto qual é? É que eu, naquela época, fumava que nem uma chaminé. E passei a ser alcunhado pelos meus colegas da rádio como a lebre fumadora... Eles lá sabiam porquê!

Eu já tinha contado antes esta história (sem áudio nem vídeo, mas com mais pormenores). Aqui: http://vitorinices.blogspot.com/2007/11/lebre-fumadora-e-tartaruga-desportista.html

(Obs: na peça refere-se, por lapso, o Dia do Não Fumador - que também existe, mas é comemorado a 17 de Novembro, e não a 31 de Maio)

Obrigado pela preferência e voltem sempre!

Nos últimos 12 meses este blogue teve mais de 10 mil visitas. Quero agradecer a todos os que por aqui passaram, aos que deixaram opiniões e outros comentários - e, especialmente, aos que se tornaram já visitantes habituais.



Depois deste agradecimento politicamente correcto, quero também esclarecer duas ou três coisas.

A saber: sim, é muito agradável verificar que temos quem nos leia - mas eu não vim para a "blogosfera" com a intenção de ser muito popular nem de participar em nenhum "concurso de beleza". Comecei este blogue como uma brincadeira, ou melhor, como uma forma de me incentivar a escrever poesia ou coisas aparentadas com poesia (aliás, o meu "site" principal era - e não deixou completamente de o ser - o Debaixo do Bulcão).

Não queria fazer muita publicidade a mim próprio. Nunca fui muito de o fazer.

No entanto, a partir de certa altura (ou seja: quando certas mentes supostamente muito esclarecidas "descobriram", entre outras coisas, que eu nunca fiz nada de jeito na vida...) achei que não seria má ideia divulgar aqui algumas... coisitas da minha actividade profissional (enquanto jornalista) e artística (em várias áreas).

Espero ter contribuido para esclarecer quem, aparentemente, precisava de ser esclarecido.
E se isso for útil também a todos os restantes leitores deste blogue, melhor ainda!

A avaliar pelo número de visitas, talvez tenha valido a pena. (Desculpem lá a eventual falta de modéstia, ou qualquer outra coisinha).

quarta-feira, maio 27, 2009

Barcelona, viva!!!

Aqui está a minha homenagem à melhor equipa de futebol do mundo na actualidade! O tema original - cantado pelos grandes Freddy Mercury e Montserrat Caballe - é de 1992, e foi composto para celebrar os Jogos Olímpicos desse ano. Mas não resisti a evocá-lo agora... O Barcelona é mesmo o maior!... E esta é uma grande canção! É "show de bola"!

Maio de 1994: estórias de um certo Festival da Liberdade...


Comemoravam-se duas décadas de liberdade e democracia: comemorava-se, pois, o 20º aniversário do 25 de Abril.

A Associação de Municípios do Distrito de Setúbal organizou, nesse ano de 1994, uma grande festa (no terreno da Quinta da Atalaia - propriedade do PCP - o mesmo onde se faz anualmente a Festa do Avante).

E eu, obviamente, não quis faltar - porque, como sabem os que me conhecem, gosto "demais" desse tipo de eventos; e porque era jornalista da Rádio Voz de Almada (não da Voz de Almeida...) e gostava (também "demais") do trabalho que fazia.

Então, no sábado, mesmo fora do horário de serviço (pois esse era o meu dia de folga semanal) lá fui, e aproveitei para entrevistar os participantes (que estavam a trabalhar voluntariamente, como eu, aliás), e os festivaleiros (que, como eu, se estavam a divertir muito voluntariosamente).

Até aí nada de especial. Embora trabalho não seja conhaque, eu sempre consegui conciliar as duas coisas muito bem.

O problema é que, nesse dia (e nessa noite) parece que "conjuguei" as duas coisas bem demais.

Gravei, sim senhor, uma quantidade de entrevistas, cumprindo assim o tinha prometido à directora do Departamento de Informação da rádio. E bebi copos até mais não - como tinha prometido a mim próprio!

Na manhã seguinte (na rádio trabalhei sempre aos domingos de manhã), bem cedo, lá vou para o estúdio e ponho-me a ouvir as entrevistas que tinha feito na noite anterior. E que davam muito jeito... porque, afinal, o evento era importante (notícia, ainda mais numa rádio local), e porque, aos domingos, quase não havia noticiário de jeito - eram uma seca, os domingos!

Ora então, tinha ali - entre outras coisas curiosas e interessantes - uma entrevista com um jovem que (dizia ele) se ia casar nessa tarde, mas não encontrava a noiva... Bem, dessa lembrava-me eu. Apareceram foi outras que não me cabiam já na alembradura...

Até porque eu era um verdadeiro yuppie:o meu lema era "work hard, party harder"!

Ou seja: na noite anterior a "party" e o "work" tinham sido tão "duros" (eh eh eh...) que uma certa entrevista com o representante da Associação Portugal-Cuba me apareceu já no final da cassete e me deixou intrigado. Que raio, ainda havia mais essa? E era uma entrevista minha? Olha, pois era: a voz do entrevistador era a minha. Empastelada, é certo, mas minha.

Benditos mojitos! E benditas cubas libres!



(Notas de rodapé: o Festival da Liberdade teve apenas essa edição, em 1994. Esteve para se realizar no fim de semana de 14 e 15 de Maio, mas o mau tempo que se fez sentir obrigou a adiar o evento para 28 e 29 do mesmo mês. Eu gostava de disponibilizar aqui informação sobre o festival, mas não a encontrei em lado nenhum. Fica, portanto, apenas o meu testemunho. Ou melhor: o pouco de que me lembro, depois de 15 anos e muitas cubas libres e mojitos. Ah ah ah!)

Fibra óptica, essa novidade... dos anos 90!


Até meados dos anos 90, não havia em Portugal televisão por cabo. Em 1994 apareceu uma empresa chamada TV Cabo (que, diga-se, a talhe de foice, fez a sua grande aposta na Margem Sul e teve a a sua sede regional - TV Cabo Sado - em Almada). Essa empresa prometia fazer chegar a novidade que era a televisão por cabo aos lares dos portugueses, usando para isso uma rede de fibra óptica (nas ligações de média e longa distância) complementada com o "tradicional" cabo coaxial, nas ligações urbanas.

Em 1995, a revista Sem Mais, de Setúbal, dava conta da novidade que era a televisão por cabo em Portugal. E referia a fibra óptica, sem grande alarido sobre o assunto. Sabem porquê?

Porque a fibra óptica não era nada de novo! Tinha sido inventada na década de 70! A novidade era a televisão por cabo - não a fibra óptica!


Em 2009 - quando passaram... deixa cá fazer as contas... 15 anos? já!?... - vem a Portugal Telecom (grupo do qual faz parte a TV Cabo, se não me engano) lançar uma grande campanha de marketing para promover a "nova tecnologia" que é, supostamente, a fibra óptica.

Tecnologia que é nada nova (repito): foi inventada no século passado (nos anos 70) e chegou a Portugal há pelo menos 15 anos!

Temos então luzinhas a brilhar em cabo de fibra óptica? Uau! Que "novidade"! Que bonito!... Que modernos somos nós!... não é?...

Não, não é. É treta e não tem nada de novo. Mas tudo bem: encaremos isso como marketing.

A chatice é que esse marketing só resulta porque somos um país de fraca literacia e de memória muito curta. E isso é muito triste. Dá vontade de rir, é verdade. Mas dá vontade de rir porque é triste! Só mesmo por isso.

segunda-feira, maio 25, 2009

Nené, o grande goleador!


Amiguinhos: hoje venho aqui falar-vos de futebol. Mais concretamente de um grande jogador, avançado, excepcional goleador, conhecido como Nené.

Mas não, não é o que se sagrou este ano melhor marcador da 1ª Liga portuguesa ao serviço do Nacional da Madeira.

Não senhor: refiro-me aqui a outro, que já arrumou as botas há muito tempo - enquanto jogador, pois continua ligado ao futebol, nos escalões de formação do Benfica.

Tamagnini Nené foi um dos meus "ídolos" de infância. Era o avançado que, como se dizia (como alguns o acusavam, aliás) "não sujava os calções mas marcava golos".

Era jogador de grande técnica, de grande velocidade e, mais importante, de grande inteligência.

Começou a sua carreira em Moçambique - no Ferroviário da Manga - e depois, já em Portugal, jogou sempre no Benfica (embora, a dada altura, estivesse quase para se transferir para o Boavista).

Por ser veloz (com e sem a bola nos pés) começou por ocupar a posição de extremo. Mas foi como ponta-de-lança que se notabilizou, ao serviço do clube da Luz mas também da Selecção Nacional. Já no final da carreira, desempenhou - com muita competência, aliás - as funções de "número 10" (no Benfica, claro!).

Não sei se alguma vez tentou a - ou foi tentado pela - carreira de treinador nos escalões superiores. Suponho que tem a inteligência e o discernimento necessários para tal função. (Ou, pensando melhor, talvez tenha a inteligência e o discernimento necessários para NÃO ocupar tal função - pelo menos no Benfica.)




Mais informação sobre esta "velha glória" benfiquista:


(páginas da Wikipédia em português e inglês, respectivamente - e notem que a versão "inglesa" está muito melhor documentada, vá-se lá saber porquê...)

quinta-feira, maio 21, 2009

"O Praticante": uma revista sobre desportos (e também sobre futebol...)



"O Praticante" é uma revista bimestral, sedeada no Casal do Marco, concelho do Seixal. Divulga um vasto leque de modalidades e apresenta informação diversificada sobre múltiplos aspectos relacionados com a prática desportiva.

Na edição de Abril (comemorativa do seu 1º aniversário), tem artigos sobre modalidades desportivas e actividade físicas diversas. A saber: atletismo, basquetebol, BTT, esgrima, ginástica, hóquei, judo, paraquedismo, kickboxing, lutas amadoras, nautimodelismo, motocross, musculação, natação, orientação, duatlo, yoga, paintball e até mesmo futebol!

No editorial deste número (assinado pela directora, Amália Mendes), explica-se que a publicação «nasceu com o objectivo de divulgar/dinamizar/apoiar as modalidades que têm vindo ao longo dos anos a reclamar um espaço na comunicação social».

É, portanto, uma boa alternativa à "imprensa desportiva" que temos - e que pouco mais divulga a não ser futebol profissional (ou melhor: o folclore o os "fait-divers" à volta do dito).

Ainda por cima é grátis. E tem um site: http://www.opraticante.net/

(Mas é pena serem tão picuinhas no que diz respeito a "direitos de imagem" - aliás, é por isso mesmo que não arrisco divulgar aqui nenhum conteúdo gráfico da dita - só o logotipo, e vamos lá ver se eles não se chateiam... por lhes estar a fazer divulgação à borla.)

Não concordo.



Os comerciantes da zona central de Almada estão descontentes com a Câmara. Através do seu órgão corporativo (delegação local da Associação de Comércio e Serviços do Distrito de Setúbal) deram mostras desse descontentamento, com cartazes afixados em muitas lojas (quase todas, aliás) do núcleo urbano.

Apresentaram formalmente o seu protesto à Câmara de Almada. E deram conta da sua insatisfação a órgãos de comunicação social como, por exemplo, o Jornal da Região.

Queixam-se os comerciantes almadenses da nova "zona pedonal", que terá «levado 45 mil potenciais clientes».

Porquê? Porque os potenciais clientes não têm onde estacionar o carro?

Não vou comentar tal argumentação, porque não disponho dos dados - estatísticos ou empíricos? - que permitem aos comerciantes almadenses afirmar com tanta certeza que estão a ser prejudicados pela zona pedonal. Eles lá saberão o que afirmam...

Eu não tenho carro. Mas isso nunca me impediu comprar nas lojas da zona central da cidade. E não é por isso que deixei de fazer as minhas compras naquela zona.

Deixei de fazer compras (e não só naquela zona) porque, desde 2002, não tenho rendimentos como tinha, por exemplo, durante os anos 90. E isto não tem nada a ver com a "zona pedonal", com a falta de lugares de estacionamento (nunca precisei de carro para me abastecer nas lojas do "pequeno comércio" de Almada). Terá a ver, talvez, com a "crise internacional" e, mais provavelmente, com a crise nacional - que, a propósito - não foi provocada nem pela Câmara de Almada nem pelo partido político que a sustenta.

Não me parece que o problema seja a "zona pedonal" ou a falta de lugares de estacionamento. Em duas das cidades onde residi (Portalegre e Setúbal) existem zonas de comércio, em ruas absolutamente vedadas ao trânsito. E eram zonas muito dinâmicas, enquanto houve dinheiro para gastar. Agora talvez não o sejam - porque há menos dinheiro em circulação.

Não me parece que a solução para essas cidades seja criar lugares de estacionamento à porta das lojas.

Não gosto nada da ideia de ter o trânsito automóvel de regresso ao centro da cidade. Há que procurar outras soluções. Com mais diálogo e menos demagogia e populismo, se possível. Mesmo que isso seja mais difícil em ano de eleições... (E todos sabemos que é.)

domingo, maio 17, 2009

Cristo-Rei fez 50 anos. Algumas fotos da festa de aniversário...

Quem acompanha este blogue já percebeu, certamente, que eu não sou católico (nem religioso, propriamente...). Mas respeito a fé de cada um, se for sincera e sentida.
Hoje, o Cristo-Rei comemorou 50 anos. E, naturalmente, muitas pessoas quiseram ir até lá festejar a efeméride. Eu também fui - não para festejar, mas para registar o acontecimento histórico.
Aqui ficam algumas imagens do evento. Fraquinhas, feitas com um telemóvel também fraquinho... Mas, neste caso, o que conta é a intenção.




(Fiz outras, com uma máquina fotográfica a sério, daquelas que usam rolo e tudo... mas precisam de ser ainda reveladas. Ficam para uma próxima oportunidade.)
Mais sobre este assunto no Almada Cultural (por extenso):

quinta-feira, maio 14, 2009

Quando o Cristo-Rei apareceu poluído por combustível de aviões...


Em 2001, o santuário do Cristo-Rei, em Almada, entrou em obras. Segundo os responsáveis pelo monumento, este estava já algo degradado, devido a vários tipos de poluição, designadamente, os gases de escape provenientes do tráfego automóvel na Ponte 25 de Abril, mas também «combustível dos aviões» que sobrevoam a zona, na aproximação ao Aeroporto de Lisboa.

Era o que aparecia escrito nas informações à imprensa, por responsáveis do Cristo-Rei. Mas aparecia assim a talhe de foice, como informação suplementar. E ninguém ligou muito à coisa.

Por acaso, eu até moro em Almada. E fiquei preocupado com essa eventualidade de haver combustível de aviões a cair por cima da minha cabeça. Se isso fosse verdade, não era "normal" e, além disso, era actualidade e interessava a muita gente - logo, era notícia.

Tentei, então, obter esclarecimentos sobre o assunto. Falei com os responsáveis pelo Cristo-Rei (os que denunciaram o caso), com o vereador da Protecção Civil em Almada, com um especialista em transportes e questões ambientais, com um general da Força Aérea na reserva, e com um piloto de aviação civil. (Fiz, portanto, um trabalho jornalístico, ouvindo as várias partes interessadas no mesmo assunto e que pudessem contribuir para o esclarecer - coisa que se fazia, naquela altura, no jornal Sem Mais - ou seja: um trabalho jornalístico, sem
mais.)

Não cheguei a nenhuma conclusão. Até porque não me competia, a mim - enquanto jornalista - chegar a nenhuma conclusão.
Também não vi mais referências ao assunto. Mas, de vez em quando, volto a pensar no caso. Porque, admitindo - como admito - que ninguém estava a tentar enganar ninguém, e que, de facto, não é prática comum fazer descargas de combustível sobre Almada (aliás, mesmo que o façam, os ventos dominantes levariam o combustível na direcção do mar - ou seja, na direcção oposta à rota seguida pelos aviões quando se aproximam da pista de aterragem), então tratar-se-à de um problema de poluição acumulada ao longo do tempo. Ou, simplificando: não seria necessário que os aviões descarregassem combustível na aproximação à pista para que esse combustível se acumulasse na superfície do Cristo-Rei.

Isso aconteceria, então, apenas porque os aviões passam por ali! O que - convenhamos - não é mais tranquilizador.

Eu sei: estou a especular sobre o assunto. Mas ainda não o vi devidamente esclarecido.

Seja como for, parece-me mais uma boa razão para retirar o tráfego aéreo daquele corredor. E, obviamente, mais um bom argumento a favor da construção do novo aeroporto.


Já me referi antes a este assunto e à forma como a notícia foi "negociada" com o Jornal da Região.

quarta-feira, maio 13, 2009

Errare humanum est?


«O vírus da Gripe A H1N1 pode ter sido desenvolvido por força de um erro humano ao testar uma nova vacina. O caso está a ser investigado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) após declarações de um investigador australiano que participou nas pesquisas que conduziram à criação do antiviral Tamiflu.»(rtp.pt)




Não sei se é verdade. Não sei se é credível (há quem considere a hipótese "absurda"). Mas é fixe. E deu-me o pretexto para partilhar convosco estas imagens, pirateadas ao blogue Rei dos Leittões (que, por seu lado, lá as terá pirateado a outros sítios).

terça-feira, maio 12, 2009

A 13 de Maio...


Teresa Câmara Pestana, em Gambuzine n.º4 - Maio 2000

segunda-feira, maio 11, 2009

Algumas considerações sobre os acontecimentos no Bairro da Bela Vista, em Setúbal



1 - Em 1998, quando comecei a conviver com jornalistas que residiam em Setúbal, ouvia falar muito de um bairro chamado Bela Vista. Diziam, nessa época, algumas das pessoas que então conheci, que era desse bairro que saiam os criminosos que assaltavam e roubavam. Essas pessoas, de Setúbal, achavam que Almada era uma cidade muito violenta. Mas sempre que eu ia a Setúbal ouvia alguns deles queixarem-se de que tinham sido roubados. E eu, aqui em Almada, não via nada disso. Via alguns desacatos nos autocarros, com gente dos subúrbios - mas já não tantos, nem tão graves, como acontecera durante anos anteriores da década de 90. Em Almada, os problemas foram-se resolvendo (ou minorando). E em Setúbal?


2 - Em 2001, fui morar para Setúbal. Para a zona do Bonfim, muito longe da Bela Vista. Mas continuei a ouvir as mesmas histórias de delinquência relacionadas com jovens da Bela Vista. Por acaso (ou talvez não por acaso) também tive a oportunidade de conhecer pessoas de associações que trabalhavam nesse bairro (ou com pessoas desse bairro). Diziam, essas pessoas, que não se podia avaliar os moradores da Bela Vista em função de meia dúzia de delinquentes que por lá andavam. E eu acredito: morei muitas vezes noutros bairros, de muito má fama, e sei que a fama é sempre maior que o proveito (porque há muita gente que mora nesses bairros e não tem que ser confundida com os merdosos que por lá andam).

3 - Em 2002 estive novamente a trabalhar em Setúbal. E foi então - mas só então - que conheci um pouco do bairro da Bela Vista. Fui lá beber uns copos, com um colega de redacção, a um barzito de uma associação local. Mas a Bela Vista é muito grande. Eu fui ao bairro amarelo da Bela Vista. Há também o cor de rosa. E há o azul. A esses não fui.

4 - Em todos estes anos, sempre ouvi dizer que a Bela Vista é um refúgio para gente ligada ao tráfico de droga e à criminalidade violenta. Sempre ouvi dizer que, dentro da Bela Vista, há zonas onde a polícia não entra (caso do bairro azul) sem ser recebida a tiro. Sei - e afirmei-o já aqui - que não se pode meter tudo no mesmo saco. Mas, caramba!, toda a gente falava já da Bela Vista, há bem mais de uma década! Toda a gente sabia que aquele bairro era um "barril de pólvora" (desculpem lá a expressão meio marada, mas não me lembro agora de outra melhor), mas fizeram o quê para melhorar a vida daquelas pessoas e para identificar os criminosos (evitando, assim, que eventualmente paguem, agora e daqui para a frente, os justos pelos pecadores)?


5 - E admiram-se agora de quê?

(foto: SemMais Jornal, 2001 - editada, para não identificar ninguém)



quarta-feira, maio 06, 2009

Deve-me o PS um pedido de desculpas?


Alguém que ocupa um cargo descentralizado da Administração Central, escreveu, a meu respeito, entre outras difamações, a que transcrevo:
«Apresenta comportamentos desajustados, isolamento social, desadaptação ás» (sic) «regras, que tem levado a despedimentos sucessivos».


Aparte a trapalhada ortográfica (esqueçamos isso), a frase é caluniosa por, pelo menos, duas razões:

1 - «Desadaptação às regras» - a que regras se refere? E como pretende demonstrar essa suposta "desadaptação"? Ou não pretende demonstrar nada?

2 - «Despedimentos sucessivos»?. A sério? Eu fui despedido sucessivamente dos locais onde trabalhei?

Não seria aconselhável, antes de escrever coisas tais, informarem-se sobre a pessoa a quem se referem? Podiam, por exemplo, consultar o meu trabalho (que é público e está publicado). E podiam também, por exemplo, falar com as pessoas que comigo trabalharam. E com os patrões, já agora - para ver quantos deles me despediram (ainda por cima "sucessivamente"!).

Também não perdiam nada em falar com as pessoas que comigo têm convivido, em circunstâncias diversas. Podia ser uma forma de obterem informações sobre essa tal suposta "desdaptação às regras". Até para - já agora, não é? - definirem quais as "regras"a que se queriam referir.


Mas quem escreveu tal coisa não me conhece (ou melhor: não me conhecia) de lado nenhum! (E, pelos vistos, não tinha nenhuma informação a meu respeito!)


Estas duas linhas (com afirmações taxativas sobre alguém cujo autor não conhece de lado nenhum) constam, pois, de um documento emitido por uma pessoa que tem responsabilidades num órgão descentralizado do aparelho estatal português. Logo, uma pessoa que, ou é do partido que está no poder (o PS - Partido Socialista), ou terá, pelo menos, confiança política por parte desse partido.


Mas há mais: as duas linhas que aqui apresento são, por sua vez, transcrição quase literal de uma carta, enviada a esse titular de cargo público, por uma outra pessoa, que é militante do PS (e que, nesse caso, até me conhece - logo, sabia muito bem estar a cometer crime de difamação).

Há mais, ainda: é que quem teve a ideia de escrever tal carta (logo, quem tem a autoria moral da difamação) foi uma terceira pessoa - que, por acaso, ocupa até um cargo de alguma importância na estrutura local do PS.
Ora eu, que desde 1992 exerci a profissão de jornalista, sempre com avaliações positivas e elogiosas da parte de quem comigo trabalhava (patrões incluídos), sinto-me (como é natural) injuriado e ofendido na minha honra e consideração por tais afirmações.

Eu sei que isto é um caso para ser tratado na Justiça.

No entanto, depois de ver um candidato do PS a exigir um pedido de desculpas a outro partido porque - alegadamente - teria sido insultado por militantes desse outro partido, fiquei aqui com uma dúvida.

Fui difamado por pessoas ligadas ao PS e à Administração Central (gerida por um governo PS).


Deverei eu, portanto - em defesa do meu bom nome e por respeito à verdade dos factos -, exigir ao PS um pedido de desculpas? Ou devo esperar que os intervenientes neste caso assumam, individualmente, as responsabilidades pelos actos ilícitos que cometeram?

O que é que vocês acham?