segunda-feira, novembro 02, 2009

Eu não acreditava em políticos com sentido de humor mas lá que eles existiam existiam. Pelo menos no século passado...



Em Portugal é raro encontrar um político com sentido de humor. Nas minhas lides jornalísticas raramente encontrei um que...

Mas esperem aí. Eu estou a começar mal esta crónica. Não era bem isto o que eu queria dizer.

Por acaso conheço até uma boa mão-cheia de políticos com sentido de humor - só que não o manifestam em público.
Recomeçemos, portanto. O que eu queria dizer é que em Portugal é raro encontrar um político que, no exercício das suas funções, consiga demonstrar algum sentido de humor, e... Ops! Espera aí, acabo de me lembrar de dois ministros do anterior governo que até gostavam de dizer umas chalaças, e tal... Um deles, salvo erro, fez até grande furor com uma rábula taurino- parlamentar, não foi?

Pronto, confesso que isto não está a correr bem...

Já vi que o melhor é mesmo deixar-me de rodeos, perdão, de rodeios, e ir directamente ao assunto.

Em Dezembro de 1999, fui de Portalegre a Évora, a mando do meu director Rui Vasco Neto, fazer uma entrevista com Carlos Zorrinho, político que era então apontado como futuro Alto Comissário para a Região Alentejo.


Mas - não sei se por Carlos Zorrinho ser considerado, nessa época, um político hábil e "brincalhão" ("brincalhão" no bom sentido, note-se) - não fui sozinho: fui com um colega de redacção chamado Ricardo Galha. A táctica que nos fora dada pelo "mister" Rui Vasco era a
seguinte: tu, Ricardo, conduzes a entrevista; e tu, Vitorino, fazes as perguntas mais incómodas.


Por acaso (ou não...) acabei por ser eu a fazer quase todas as perguntas... incluindo as mais incómodas.

Mas o que me interessa registar aqui é que, de facto, Zorrinho conseguiu, nessa conversa, ser brincalhão qb, sem fugir a nenhuma pergunta (contrariamente a algumas "enguias" que encontrei pelo caminho - muitas delas, curiosamente, do mesmo partido, ou seja, do PS - que só foram "brincalhões" no mau sentido), demonstrando sempre um conhecimento rigoroso dos
assuntos (dos "dossiers") e, ao mesmo tempo, uma facilidade e clareza de expressão que muito facilitou o nosso (dos jornalistas) trabalho. Ou seja: disse o que tinha a dizer, sem ser chato, monocórdico ou repetitivo, e de forma a que toda a gente entendesse. Exactamente o contrário do que estou a fazer neste texto, portanto.

Foi uma das entrevistas que me deu mais "gozo" fazer. Mesmo na rádio (onde comecei em 1992) não tivera a oportunidade - ou a sorte? - de encontrar figura política tão interessante. E não estou a ironizar, não senhor!

Deixo-vos aqui as páginas do Jornal D'Hoje com a mencionada entrevista feita ao supracitado político na referida ocasião. E, se as deixo aqui, é por mera curiosidade histórica, como é óbvio!...






Claro que, mais tarde, em Setúbal, ao serviço do Sem Mais Jornal, voltei a fazer duas ou três perguntazitas a Carlos Zorrinho - mas foi num ambiente mais formal, de conferência de imprensa. E o senhor político era, nesse tempo, já secretário de Estado. Da Administração Interna, por sinal. E com a Administração Interna não se brinca.

(Notas do redactor: Carlos Zorrinho é, na legislatura actual, secretário de Estado da Energia; nas páginas do Jornal D'Hoje aqui reproduzidas não aparece nenhuma piada que tivesse sido deliberadamente produzida na ocasião, nem tinha de aparecer: piada é piada, sentido de humor é uma coisa ligeiramente diferente e mais subtil, capisce?)

1 comentário:

marreta disse...

Actualmente até podem não existir muitos políticos com sentido de humor, mas que há muitos (imensos!) que me divertem, quanto a isso não tenho a menor dúvida!

Saudações do Marreta.