segunda-feira, setembro 24, 2007

O «Bando Comunista Organizado»

Ora vocês pensavam, por acaso, que esta coisa dos “anónimos” é alguma inovação surgida com estas novas tecnologias, assim tipo internet, ou blogosfera, ou lá o que é isto? Então, vejam lá esta “pérola” de propaganda anti-comunista:


Isto é, como se percebe, do início da década de 90 do século passado. Apareceu, uma certa noite, em Almada, nos limpa para-brisas dos carros estacionados por essas avenidas acima (e abaixo). Eu, apesar de não ter carro, tive a sorte de ficar com um destes papelinhos, para vos poder mostrar agora.
Repararam no estilo? «A democracia ainda não chegou a Almada»; «nós, as vítimas, não poderemos ficar calados, ante tão evidente e escandaloso benefício do infractor»; «votar no PCP, mascarado de CDU, já não é só uma vergonha, é um Escândalo Nacional» (gosto particularmente do uso que aqui é feito das iniciais maiúsculas...).
Para rematar: «de prepotentes e totalitários até a União Soviética ficou farta», afirmação categórica, assinada, como não podia deixar de ser por essas desgraçadamente anónimas «Vítimas do Bando Comunista Organizado do CCCA».

Faz lembrar alguma coisa actual? Faz, não faz?

6 comentários:

Inês Ramos disse...

Ah! Ah! Ah! Ah! Que pérola!!!

Debaixo do Bulcão disse...

Inês Ramos: é, de facto, uma "pérola".
Tenho na mesma gaveta outras, tão ou mais preciosas quanto estas... Mas (porque são "preciosas") não as quero esbanjar já!

Obrigado pela visita!

(Ah, vou "linkar" aqui aquele blogue sobre gatos.
Eu e os gatos sempre nos demos muito bem...)

António Vitorino

Nuno disse...

Não compreendi o interesse de divulgar este protesto de cidadãos almadenses, inteiramente legítimo ainda que desactualizado. Mas obrigado por me recordarem este exemplo de intervenção cívica, um dos raros casos em que os geralmente apáticos cidadãos portugueses não se limitaram a "comer e calar”.

Debaixo do Bulcão disse...

É sempre bom divulgar os "protestos legítimos" de "cidadãos almadenses" não identificados, ainda que eu não entenda muito bem contra o que é que eles protestavam (porque eles também não se explicaram lá muito bem).

António Vitorino

Debaixo do Bulcão disse...

Por outro lado, se eles não foram explícitos, eu sou.

É assim: esses panfletos estavam a ser colocados nos carros por jovens militantes de uma organização política juvenil. Não me lembro se eram da JS ou da JSD.

A questão é que não se tratava de um caso de "intervenção cívica" por parte de um grupo de cidadãos indignados com qualquer injustiça que lhes estaria a ser feita (como o folheto pretendia fazer crer), mas sim de um aproveitamento partidário, disfarçado de "protesto de cidadãos almadenses".

Eu, que na altura era militante da JCP, não precisei de subterfúgios desse tipo para dizer o que pensava.

Não precisei, nem preciso.

E qual é, então,o interesse em divulgar agora isto?

Bem, é só porque suspeito (suspeito, apenas, mas tenho boas razões para suspeitar...) que os actuais "protestos" de cidadãos "anóninimos" (ou escudados em "nicknames", o que vai dar ao mesmo...) não serão assim tão espontâneos como querem parecer.

Naquele tempo, o meio utilizado foram estes panfletos. Hoje, é a internet. Vejam lá o "desactualizado" que está o assunto!...

Em qualquer dos casos, mesmo que os cidadãos indignados tenham razões de queixa, era bom que nós soubessemos quem são, afinal os queixosos, não é?
Caso contrário, qual é a credibilidade do protesto?

Ou seja: eu cá posso até mandar as bocas que me apetecer, sobre o que me apetecer... Se ninguém souber que fui eu a mandar essas bocas, "chateio" quem quero, e ninguém me chateia a mim.
Isso é cidadania?

António Vitorino

Marreta disse...

Se não estava molhado dava para fazer um aviãzinho, se estava a chover sempre servia para ajudar a limpar o pára-brisas...