quinta-feira, agosto 28, 2008

A "Festa da Amizade" - Almada, Agosto de 1988

Almada também teve uma "mini-festa-do-avante". Chamava-se Festa da Amizade, era organizada pelo PCP concelhio (e pela JCP, já agora...), e realizou-se entre 1977 e o final dos anos 80 - primeiro, num terreno vago entre dois edifícios, nas Barrocas (para quem conhece Almada, digo-vos que era do lado direito de quem sobe a rua da SFUAP...), mais tarde em terreno bem mais amplo, no Laranjeiro (se não me engano, sensivelmente onde está hoje uma escola secundária...) e por fim, ou pelo meio (não me recordo bem da data), num recanto do local onde hoje está a Biblioteca Municipal de Almada - Fórum Municipal Romeu Correia.

Eu fui um dos (muitos) que participaram em algumas dessas festas. Na de 1988, por exemplo: festa que, em pleno Agosto, meteu água, não em sentido figurado mas em sentido muitíssimo literal. Aqui ficam alguns excertos da reportagem de duas páginas (centrais) publicada no jornal Avante (de 7 de Agosto de 1988), assinada pelo jornalista Henrique Custódio:



Álvaro Cunhal na "Festa da Amizade":
Se não pode haver comício, conversa-se mesmo à chuva!

Não foi difícil chegarmos ao local da Festa, no Laranjeiro: a música, primeiro - que se ouvia muita estrada antes - os pendões e bandeiras ondulando pelo recinto - que se viam depois, muitos metros ainda ao longe - levavam lá o mais distraído.
(...)
Quando lá chegámos ao princípio da tarde de domingo (ainda a nebulosidade se parecia com os chamados "céus encobertos" a que ninguém passa cartão nem chapéu de chuva), a multidão percorria ronceiramente o recinto, espreitando aqui, comprando acolá, sentando-se onde calhava, abancando nos (numerosos) restaurantes e similares, festejando reencontros com amigos - que é coisa vulgar nestas iniciativas - fazendo escalas frente aos palcos, irresistivelmente atraídos pelos espectáculos ali apresentados.
E quanto a espectáculos, a Festa da Amizade não deixou créditos por mãos alheias: fizeram parte do programa de três dias nomes como a Companhia de Teatro de Almada, "Os Delfins", Sérgio Godinho, Nuno Gomes dos Santos, Jorge Lomba, Fernando Tordo, Luísa Basto, Francisco Seia e banda, Maria Guinot e Carlos do Carmo. Para além de bandas a percorrer o recinto, fado amador (em local próprio), exibição de ranchos folclóricos, etc.
... E antes da chuva ainda pudemos apreciar mais alguma coisa.








Enquanto no recinto desportivo duas equipas de jovens mostravam que Portugal é um viveiro de talentos futebolísticos e José Barata Moura encantava miúdos e graúdos num palco um pouco ao lado, na outra ponta da Festa cantava-se o fado a preceito, no retiro-restaurante montado para o efeito e abrindo guitarras e microfones a todos os "espontâneos" que quisessem mostrar o que sabiam. Quem sabia, de certeza, do que é cantar o fado na sua intrínseca dimensão popular eram os camaradas que construíram o espectáculo, mantendo-o vivo, criativo e interveniente num enquadramento festivo que até nem é muito propício ao sossego que este tipo de espectáculo pede.

Mas havia outros "enquantos" (...) Era o caso dos espectáculos no palco principal, a decorrer "taco a taco" com a criação de um grande painel fronteiro subordinado aos temas da Paz e da Amizade e executado, durante os três dias da Festa, pelo Núcleo de Artes Plásticas da Comissão de Juventude da Junta de Freguesia do Laranjeiro, ou da animação do Café-Concerto a par de não menos animadas competições de jogos populares, ou da excelente exposição sobre as "memórias" do ensino durante o regime fascista (com a exibição de antigos manuais, de textos e imagens de propaganda salazarista, etc.) ao lado de outras que iam do artesanato às questões laborais, da pintura à luta política e social.


Intervindo, participando, passeando, fruindo tudo isto ao longo de três dias, pessoas que, à
semelhança dos anos anteriores, demonstraram claramente que a Festa da Amizade é já um património do concelho de Almada.
(...)




Entretanto chegou a hora do comício, acompanhada por uma carga de água que se manteria pela noite fora. Ainda se fez um compasso de espera, na esperança de que o tempo melhorasse, mas como tal não se verificou, anulou-se, naturalmente, a iniciativa (...) e optou-se por uma solução de recurso: a utilização do sistema sonoro da Festa (que não tinha as "electricidades" afectadas pela chuva) para que o orador dirigisse algumas palavras à multidão que o aguardava. Palavras que iriam resumir, de improviso, o extenso discurso que Álvaro Cunhal havia preparado, como ele próprio informou.





O "resumo" do "extenso discurso" de Álvaro Cunhal está disponível abaixo, no fac-simile das páginas da mencionada edição do Avante (cliquem sobre as imagens para ampliar e ler o texto).

Antes desse improvisado "não-comício", fizeram-se as intervenções da praxe: Comissão Concelhia de Almada do PCP e Comissão Concelhia de Almada da JCP...

Se não se importam, olhem novamente para a fotografia que está no topo deste artigo. Estão a ver aquele jovenzito que aparece atrás do grande Álvaro Cunhal? Repararam no ar triste do dito jovenzito? Pois: é que esse jovenzito era o representante da JCP e ficou "chateado" porque, depois de tanto trabalhinho a escrever a sua intervenção política (era a sua vez de "falar às massas"... e talvez mesmo a sua última oportunidade para o fazer, pelo menos enquanto
membro da "jota" - pois já tinha 24 anitos, coitado...) vira-se obrigado (por força da tal carga de água) a resumir em duas ou três palavras o que lhe "ia na alma": breve saudação a toda a gente e a afirmação de que «podem sempre contar com a JCP».

E como é que eu sei isso? Porque estive lá! Aliás eu era (sou...) o tal jovenzito chateado com o raio do tempo, que havia de trazer tamanha carga de água em Agosto, e logo nesse dia, e logo à hora do comício da Festa da Amizade de 1988, em que ele (eu) fora o escolhido para botar discurso!
Foi galo! (Expressão que, como se sabe, era muito utilizada nesses míticos anos 80...)



(Nota final: para evitar confusões, e dar o seu a seu dono, o texto de Henrique Custódio, publicado na reportgem do Avante está destacado com uma cor diferente...)

segunda-feira, agosto 25, 2008

Incêndio do Chiado em 1988? Lembro-me, sim: também lá estive!


Na manhã de dia 25 de Agosto de 1988, ligo o televisor, vejo imagens de fumarada espessa a sair de uns sótãos de edifícios a arder e digo com os meus botões «olha, está qualquer coisa a arder em qualquer parte... interessante».

E vou tomar banho (que é uma das primeiras coisas que eu faço de manhã...).

Pouco mais tarde, mal saio da banheira, recebo um telefonema do meu amigo Rui Jorge Martins, a informar-me - hiperbolicamente - que «Lisboa está a arder». Eu, ainda algo incrédulo, vou à janela e confirmo: ao longe, do outro lado do rio, vê-se uma enorme nuvem de fumo erguendo-se de uma das colinas da capital do império. Lisboa estava a arder!

Depois desse primeiro contacto visual com "O Grande Incêndio do Chiado", volto à conversa telefónica com o RJ (Martins) para combinar uma ida ao local, em reportagem para o Jotacêpê... (*)

Convocámos, também, o nosso dilecto amigo Jorge Figueira - que, tal como eu e o RJ, fazia fotografia - e vai de apanhar o barco para Lisboa, munidos de 3 máquinas fotográficas - uma com rolo de negativos, outra com slides e a terceira sem rolo nenhum (revelo agora esta "malandrice" em primeira mão, 20 anos depois, e sem me lembrar já qual de nós levava a máquina sem rolo).

Acercamo-nos o mais possível da zona ardida (que ainda estava a arder, mas já pouco) e tentamos entrar no respectivo perímetro. Ficámo-nos pela "parte de baixo" - a Baixa Pombalina - sem acesso possível às ruas mais afectadas (a do Carmo e a Nova do Almada). Era ver então os senhores AV, RJ e JF, de máquinas fotográficas em riste (uma delas sem rolo) fotografando (um deles fingindo que fotografava) a azáfama de carros de bombeiros a passar para cá e para lá, a multidão de "mirones" preocupados (que a polícia tentava manter a uma distância segura) e um helicóptero (suponho que da TV) que sobrevoava a zona e que era difícil comó caraças de fotografar!

Tudo muito giro, mas de fogo não se via (não víamos, nós) nada.

Tentamos, então, usar os nossos cartões de Comunicação Social... Ou seja, os cartões que nos identificavam como elementos da redacção de um órgão de imprensa (o que era verdade) e não como jornalistas (pois não nos considerávamos como tal).


As primeiras tentativas saíram goradas (os bombeiros não deixavam aproximar ninguém). Mas às tantas, depois de fotografarmos um senhor polícia postado à entrada da Rua do Crucifixo, conseguimos mesmo. O polícia até fez uma pose para a fotografia (mas não é este que aparece aqui ao lado: estas são fotos recolhidas do site da Câmara Municipal de Lisboa) e talvez por isso mesmo (por querer aparecer "no jornal"), lá nos deixou passar.


E pronto: apesar de, a essa hora (pouco depois da hora de almoço...) o pior já ter passado (já não havia lavaredas), os bombeiros ainda deitavam grandes mangueiradas para dentro dos edifícios, havia ainda muito fumo, mas havia também já quem, extenuado, se sentasse junto aos escombros e aproveitasse para comer alguma coisa, depois de tantas horas de combate ao incêndio.

Tudo isso ficou registado. E, no final desse dia 25 de Agosto de 1988, eu, o RJ e o JF regressámos a Almada com material para uma grande reportagem fotográfica - que seria publicada na edição seguinte do Jotacêpê.



(*) Ah, pois: o Jotacêpê era uma publicação da comissão concelhia de Almada da Juventude Comunista Portuguesa (JCP), um produto híbrido, a meio caminho entre um fanzine em formato A4 e um boletim informativo e/ou propagandístico - e, se quisermos considerar jornalismo o que ali se fazia (pois teve, por exemplo, uma entrevista com o então embaixador de Cuba em Lisboa, ou reportagens como a que fomos fazer nessa tarde de 25 de Agosto de 1988) então a minha primeira experiência jornalística terá sido aí, em finais dos anos 80 e não - contrariamente ao que afirmei noutro artigo - no Almada Press em 1990. Não vos apresento aqui nenhuma página dessa publicação porque já não a tenho: quase todo o meu património anterior a 1998 foi destruido e extraviado por acção de alguns familiares... mas enfim, essa história não é para aqui chamada, neste momento (fica para depois...). No entanto, se - por qualquer espécie de milagre... - alguém ainda tiver consigo exemplar(es) do Jotacêpê e quiser ser simpático e prestável com este pobre jornalista desvalido, pode(m) contactar comigo através do email que está escrito a vermelho no fundo da barra lateral deste blogue. Gostaria muito de ter cópias (fotocopiadas ou digitalizadas) dessa publicação. Desde já, obrigadinho!

Incêndio do Chiado, Lisboa, Agosto de 1988


O incêndio do Chiado de 1988 deu-se na madrugada de 25 de Agosto, pelas 4.30h, quando segundo testemunhos da época o fogo deflagrou numa montra dos Armazéns Grandela. Em meia hora este edifício foi destruído pelas chamas. Os bombeiros foram avisados às 5.15h chegando ao local em poucos minutos, quando o fogo se tinha já alastrado para o outro lado da rua do Carmo, através dos estores do penúltimo andar dos Armazéns.


Em pouco tempo as labaredas atingiram uma grande altura e as explosões das botijas de gás dificultaram a acção dos bombeiros. Devido à dimensão do sinistro afluíram ao local todas as corporações das diversas unidades de bombeiros de Lisboa e arredores assim como os autotanques do Aeroporto de Lisboa.


A dificuldade de circulação na rua do Carmo, devido ao arranjo estético efectuado no local pouco tempo antes, dificultou o acesso e a rapidez no combate às chamas, permitindo o avanço do incêndio para os Antigos Armazéns do Chiado. Também as temperaturas altas, os materiais existentes nas lojas, os gases inflamáveis e as explosões sucessivas, impediram o avanço dos bombeiros que tiveram de recuar várias vezes, devido à dimensão do fogo, tendo de se posicionar nas ruas do Ouro e da Assunção, nas traseiras da Escola Veiga Beirão e no elevador de Santa Justa.Com o avanço do fogo, o quarteirão da rua do Carmo, entre os Armazéns Grandela e a rua Garrett, ficou destruído, desaparecendo os estabelecimentos comerciais, alguns centenários, e as antigas construções pombalinas, deixando desalojadas dezenas de pessoas. O objectivo dos bombeiros passava por impedir o alastramento do fogo para a rua Nova do Almada, o que foi impossível, pois os armazéns do Chiado arderam por completo, assim como a sede da Valentim de Carvalho com o seu Arquivo Histórico, uma dependência da Electricidade de Portugal e os edifícios Eduardo e Jerónimo Martins na esquina da rua Garrett com a rua Nova do Almada.


Os reforços que chegaram totalizaram 1680 bombeiros que combateram o fogo em 18 edifícios numa área de 10.000 m2 ajudados por uma logística de apoio que envolveu a Cruz Vermelha Portuguesa, os Soldados da Paz, a PSP, a Polícia Judiciária e os militares, que socorreram, os bombeiros e os residentes feridos. Foi solicitado à população o envio de leite e de mantimentos para serem distribuídos aos bombeiros e aos desalojados, entretanto encaminhados para a Misericórdia de Lisboa e Juntas de Freguesia da área. Verificaram-se duas mortes.O incêndio do Chiado ficou extinto pelas 12.30h de 25 de Agosto, mas as operações de rescaldo duraram até 5 de Setembro e a zona ficou vedada até Outubro desse ano. Mobilizou o governo e a presidência da República que estiveram presentes nessa manhã e sobretudo a Câmara Municipal de Lisboa, que no próprio dia decidiu o nome do projecto para a reconstrução da zona do Chiado: "Projecto Global", apelando à ajuda e à disponibilidade de empreiteiros e de arquitectos. Posteriormente foi criado o "Gabinete de Coordenação e Assessoria Técnica da Área Sinistrada do Chiado", que ficou responsável pela reconstrução da zona, sob a orientação e os projectos do arquitecto Siza Vieira.


Com o incêndio do Chiado uma parte da cidade nobre, elegante e comercial do século XIX, referenciada tantas vezes nas obras dos escritores Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco, Ramalho Ortigão ou Bulhão Pato, desaparecia e com ela desapareciam: na rua do Carmo, os armazéns Grandela de 1894 e do Chiado de 1905, a charcutaria de luxo Martins e Costa de 1914, a Perfumaria da Moda de 1909; na rua Garrett, as casas José Alexandre de 1833, Eduardo Martins de 1889 e Jerónimo Martins, esta última em actividade desde 1792; e na rua Nova do Almada, a Valentim de Carvalho de 1920, a pastelaria Ferrari, fundada em 1827, e principalmente a Casa Batalha de 1635, o estabelecimento comercial mais antigo da cidade e do país.


Informação do site da Câmara Municipal de Lisboa:

quinta-feira, agosto 21, 2008

Nelson Évora, campeão olímpico



«Nélson Évora nasceu na Costa do Marfim em Abril de 1984 quando os pais, cabo-verdianos, trabalhavam nesse país africano. Com cinco anos chega a Lisboa. A naturalização obteve-a em Dezembro de 2001.

O desporto sempre foi a sua paixão. Na escola apaixonou-se pelo atletismo. Desde logo pelos saltos.


Iniciou-se no desporto escolar na disciplina de salto em altura. A sorte esteve do seu lado quando conheceu João Ganço, o seu professor de Educação Física e o seu treinador de sempre.

O técnico viu em Nélson um jovem diamante por lapidar e convenceu-o a dedicar-se aos saltos horizontais - comprimento e triplo - com resultados imediatos.


Em 2003, com 18 anos, sagrou-se campeão da Europa Juniores, o ano passado foi campeão mundial em Osaca, com uma marca de 17,74.

Sagrou-se, esta quinta-feira, campeão olímpico do triplo salto com uma marca de 17,67 metros.»



Fonte (texto e fotografias): Jornal de Notícias



texto completo em




segunda-feira, agosto 18, 2008

Vanessa Fernandes


As medalhas olímpicas não nascem nas mãos dos gajos (ou das gajas) que as entregam durante as "cerimónias protocolares".

Vanessa Fernandes, a grande campeã portuguesa de Triatlo, sabe isso muito bem.

Ela não desiste à primeira contrariedade (nem à segunda, nem à terceira...), não se queixa das "arbitragens" e, sempre que for preciso, levanta-se de madrugada para treinar, em vez de ficar "na caminha".

O segundo lugar alcançado ontem por Vanessa Fernandes não foi só a primeira medalha "portuguesa" nestes Jogos Olímpicos de Pequim: foi a confirmação de que o trabalho, a dedicação e a humildade compensam.

Agora ela já pode comemorar à vontade - até à próxima competição, e até à próxima vitória!

Palavras da atleta, após o final da prova (citadas pelo site do jornal Público):

«Um atleta de alta competição tem de ter objectivos concretos, pessoas em quem confiar a 100 por cento e nunca fazer as coisas só por ele, ter uma boa equipa. Tem de saber o que quer, onde está e o que significa a alta competição. A alta competição não é uma brincadeira, não é fazer meia dúzia de provas, andar a receber uma bolsa e está feito. Isto é como um trabalho. Temos muito talentos, na natação e no atletismo. O Tiago Venâncio, para mim, podia nadar muito, podia ser um grande atleta, mas não há uma estrutura fixa nesses sectores, é tudo feito um bocado à balda. Para mim são os resultados que me dão ambição e nunca estou satisfeita. Para ficar satisfeita com alguma coisa é um bocado complicado.»

Para bom entendedor...

sexta-feira, agosto 15, 2008

Vitórias olímpicas que gostamos de recordar...

Carlos Lopes, 1984





Rosa Mota, 1988




... e esperemos que não fique por aqui!

Videos copiados dos canais

http://br.youtube.com/user/ynotlleb

http://br.youtube.com/user/cbastiao

quinta-feira, agosto 14, 2008

"Memórias Olímpicas": Seoul 1988... e Los Angeles 1984!


A terminar esta série de "memórias olímpicas" de anos terminados em oito, lembro os Jogos de Seoul, em 1988. Foi o ano da segunda grande vitória de atletas portugueses: o ano em que Rosa Mota venceu a maratona.


O site Portal de Atletismo no Sapo refere assim a vitória da atleta lusa:

«Joan Bennoit era uma maratonista muito respeitada, conhecia muito bem o percurso pois tinha-se treinado nele e estava apostada em decidir rapidamente a corrida. Atacou muito cedo deixando para trás Rosa e as noroeguesas Greta Waits e Ingrid Kristiansen. As norueguesas conseguiram descolar de Rosa Mota, fazendo pairar os espectro de Helsínquia (quarto lugar).

Com o decorrer da prova, Kristiansen quebrou e foi ultrapassada por Rosa quando faltavam 2 Km para a meta.


Quando cortou a meta, o esgar de dor tornou-se de Júbilo. Festejou esta medalha como nenhuma outra. ERA A PRIMEIRA PORTUGUESA A GANHAR UMA MEDALHA OLÍMPICA.Voltou a melhorar o seu record pessoal. Esta medalha foi conquistada na ressaca de de vários problemas envolvendo Rosa/José Pedrosa e a Federação Portuguesa de Atletismo. Esta medalha vingava as afrontas e ameaças que sofrera por ter trocado a Aldeia Olímpica pelo hotel da Nike, de modo a poder ser acompanhada pelo seu técnico.»






Mas a primeira medalha de ouro portuguesa tinha acontecido quatro anos antes, em Los Angeles - e, por isso mesmo, quero também recordá-la aqui.




Mais uma vez, cito o Portal de Atletismo:


«Faltava pouco mais de uma semana para a partida para Los Angeles, quando, no decorrer de um treino, junto ao Estádio da Luz, Carlos Lopes foi atropelado por um Mercedes SL. Poderia ter sido o fim de um sonho: " Senti-me no ar, aos piparotes, caí e... levei algum tempo a levantar-me, com medo de pensar que já não iria a Los Angeles. Ergui-me e a primeira coisa que fiz foi tentar correr. Corri... o sonho podia continuar."


Dez dias depois, partiu para os Estados Unidos. Não ficou na Aldeia Olímpica, preferiu o hotel da Nike porque, aí, dispunha de melhores condições de treino e podia estar próximo da esposa.


12 de Agosto de 1984. O andamento vivo e a temperatura elevada foram desgastando Salazar, que cedeu ao quilómetro 19, Castella descolou aos 34, Seko e Takeshi ficaram para trás aos 36. Na cabeça do pelotão ficaram, então, Lopes, John Tracy e Charles Speddeing. Mas, aos 38 quilómetros, Lopes desferiu um ataque rumo à vitória,rumo ao sonho. Entrou no estádio com 200 metros de vantagem, em passada firme, com o sorriso nos lábios. Os braços erguidos ao céu. Lopes conquistava para Portugal, a primeira medalha de ouro numas Olimpíadas. Eram 3.10 horas da madrugada em Lisboa.»



E o tempo que Carlos Lopes então conseguiu é, ainda hoje (e pelo menos até à maratona deste ano...) recorde olímpico!

quarta-feira, agosto 13, 2008

"Memórias Olímpicas": Cidade do México, 1968


Disputados na Cidade do México, a mais de 2 mil metros de altitude, os Jogos Olímpicos de 1968 tiveram, entre outras particularidades, mais ou menos óbvias, mais ou menos conhecidas - que podem conferir clicando na imagem acima, para ler o respectivo texto - um espantoso recorde mundial de salto em comprimento.

Foram 8.90 m metros, marca obtida pelo norte-americano Bob Beamon - recorde que só viria a ser batido em 1991 (23 anos mais tarde!), por Mike Powell...

(Agora, em Pequim 2008, e no que diz respeito a saltos para a frente, simples ou triplos, não esperamos recordes mas sim boas classificações de Naide Gomes e Nelson Évora... se possível entre os três primeiros ou, melhor ainda, no lugar mais alto do pódio!)

domingo, agosto 10, 2008

"Memórias Olímpicas": Londres 1908, Amesterdão 1928, Londres 1948

Como já referi (ver artigo abaixo deste), estou durante esta semana a partilhar convosco algumas "memórias olímpicas" publicadas numa revista, em 1988 (há vinte anos, portanto).

Aqui ficam, então, as páginas referentes aos jogos de 1908, 1928 e 1948.

(Cliquem nas imagens para ampliar e ler os respectivos textos.)




sábado, agosto 09, 2008

"Memórias Olímpicas"...


De duas em duas décadas, os Jogos Olímpicos acontecem num ano "terminado em oito". Foi assim em: Londres 1908; Amsterdão 1928; Londres 1948; México 1968; Seoul 1988.

Agora que os Jogos de 2008 começaram em Pequim, gostaria de partilhar convosco alguma informação sobre edições anteriores. Mas, porque foram muitas, vou limitar-me, precisamente, às que decorreram em anos terminados em oito. (É um critério como outro qualquer, não vos parece?)

No entanto, e para começar... comecemos pelo princípio: ou seja, pela primeira olimpíada da "era moderna", em 1896.





Esta página (e as que irei colocando neste blogue durante os próximos dias) pertence a uma publicação - uma revista de 24 páginas - editada em 1988 (sim, há 20 anos...) por uma marca de material de escritório que patrocinou os jogos desse ano.




Era (e é: ainda a tenho!) uma publicação comercial, sim, mas também informativa (e de uma forma muito interessante, aliás).


Transcrevo o texto da página 2:


«Nascidos entre as brumas da mitologia, os Jogos Olímpicos são únicos.Concebidos há mais de 3000 anos pelos Gregos antigos, os Jogos encerram princípios que são válidos nos dias de hoje, na busca da perfeição. Fazer melhor. Reunir as pessoas. Estabelecer novos limites no campo dos empreendimentos humanos.


Não são as medalhas que contam: estas representam um meio, não um objectivo. O que mais interessa é a oportunidade de dar o melhor de si próprio. Desde que Coroebus de Elis se tornoui o primeiro campeão olímpico de que há registo, em 776 a.C., que homens e mulheres se têm dedicado a este ideal. Alguns conseguiram uma fama passageira, poucos se tornaram em lendas imortais. Mas todos, cada um à sua maneira, deixaram a sua marca no mundo.


Os Jogos Olímpicos constituem um ponto de convergência para o mundo.»



terça-feira, julho 29, 2008

Somos todos uns drogados?


Notícia lida esta segunda-feira no jornal Destak:

«O cérebro dos anorécticos parece reagir à fome como o dos toxicodependentes, revela a revista Mind. Segundo concluem os estudos mais recentes, em ambos os casos a «droga», seja ela a fome ou a cocaína, age sobre os circuitos cerebrais de recompensa, que por sua vez libertam o químico do prazer, ou seja a dopamina.»

Portanto, deixa cá ver se eu entendi: a fome pode funcionar (para algumas pessoas) como para mim funciona a cerveja e o café (ou o chocolate, admito...), como para alguns meninos funciona o "chuto" na veia, como para algumas senhoras respeitáveis o Xanax e como para alguns grandes artistas (artistas a sério, não artistas de vitorinices) a cocaína ou as metanfetaminas?... Ou como para os "viciados" em exercício físico, a adrenalina e outras hormonas (*) e neurotransmissores associados (entre os quais a dopamina, precisamente - substância que, vá-se lá saber porquê, me lembra sempre a palavra inglesa "doping")?

Pois, parece que é mesmo assim: a anorexia é um comportamento aditivo!

Vejamos a sequência da citada notícia:

«Os anorécticos afirmam que passar fome os deixa mais activos e cheios de eneriga. «Fazer dieta passa então a ser equivalente a um "chuto" que estes doentes aprendem a desejar», diz a Mind.As imagens do cérebro revelam que nos cérebro afectados, na sua maioria de mulheres, este circuito é disfuncional, explicando a recusa em comer. A investigação leva também a crer que as hormonas da puberdades desencadeiam o funcionamento de genes que predispõem para esta perturbação, descartando o papel que a moda ou o mito da magra igual a feliz desempenham neste "jogo". »

Eu confesso: apesar de estar sempre pronto a tentar entender as "anomalias psíquicas" (também, que remédio tenho eu, não é?...) nunca tinha conseguido perceber que raio de "mania" é essa de rejeitar comida. Até hoje!

«Segundo os cientistas, a ansiedade, o perfeccionismo, a obsessão e uma sensibilidade extrema ao olhar critico dos outros, são ingredientes sempre presentes na personalidade anoréctica e levam a acreditar que o objectivo do anoréctico não é ser magro, mas lidar com uma angústia existencial intolerável.»

Mas atenção: problema não é drogarmo-nos (com drogas ilícitas, com medicamentos, com exercício físico ou... com fome). O problema é ficarmos dependentes da droga.

E esse problema evita-se aprendendo a lidar com a angústia existencial.

Como? Fazendo com que essa angústia não se torne intolerável!

E como é que isso se faz? Drogando-nos, obviamente!

E drogando-nos como?

Bem, cada um terá os seus métodos. Há quem "chute" para a veia, há quem snife, há quem fume, há quem se encharque em comprimidos, há quem passe fome, há quem contribua para o ganha-pão dos senhores dos ginásios... e há quem prefira beber uns copos.
A cerveja, meus caros, equivale a um óptimo ansiolítico: faz-nos sentir bem e não emagrece. Vão por mim, que tenho muitos anos de experiência!...

(E não estou "agarrado", e ainda cá ando, by the way...)
(*) Em Portugês do Brasil escreve-se hormônio, mas a substância é a mesma - em Portugal e no Brasil...

terça-feira, julho 22, 2008

Só para dar uma ideia...

... aqui ficam umas imagens da Festa Amarela, edição 2008, que decorreu no passado sábado - e foi uma das melhores de sempre!

A reportagem do evento segue dentro de momentos, neste mesmo blogue e também no Almada Cultural (por extenso) .







sexta-feira, julho 18, 2008

Uma festa multicultural - um dia multidivertido!


Está aí mais uma edição da Festa Amarela.É já no próximo sábado, no Centro Cultural Juvenil de Santo Amaro - equipamento autárquico que é conhecido pelos utentes como "a casa amarela" - e é daí mesmo que vem o nome da festa!

O evento, realizado uma vez por ano, pela Câmara Municipal de Almada e pelas associações representantes da comunidade (e das diversas comunidades) que utilizam aquele espaço do chamado "Laranjeiro de Fora" assume-se como uma "festa multicultural" - ou, melhor ainda: uma oportunidade para que pessoas de origens culturais diferentes (mas que partilham o mesmo espaço geográfico) possam dar a conhecer (à comunidade em geral e, em primeiro lugar, aos seus vizinhos) aquilo que de melhor têm, e aquilo que melhor sabem fazer.

Num momento em que tanto se fala de confrontos entre comunidades desavindas em vários bairros dos arredores de Lisboa, é bom saber que existem espaços de diálogo e de convívio inter-cultural, como esta Festa Amarela.


E, para abrir o apetite, aqui ficam algumas imagens de adições anteriores (fotos de Rui Tavares):


terça-feira, julho 15, 2008

A 3ª Festa de Teatro de Almada - Julho de 1986


Numa altura em que o Festival de Teatro de Almada está a comemorar 25 edições, o Almada Cultural junta-se à celebração e aproveita a deixa para publicar imagens da 3ª Festa de Teatro de Almada, que aconteceu em 1986. É uma selecção de fotografias publicadas no "Jornal da Festa", há 25 anos.

domingo, julho 13, 2008

Homenagem ao Festival de Almada, à Companhia de Teatro de Almada e, já agora, ao Grupo de Campolide


Como se sabe, o Festival de Almada é o melhor e mais importante (importante em vários sentidos) entre os que se realizam em Portugal.
E é, também, reconhecido como um dos principais eventos do género em toda a Europa.

Este ano, o festival está a realizar (entre 4 e 18 de Julho, como sempre...) a sua 25.ª edição - e a assinalar, também, o 30.º aniversário da instalação na nossa cidade da Companhia de Teatro de Almada (então ainda com a designação que trazia desde a origem: Grupo de Campolide).

Eu comecei a ver espectáculos do "Campolide" em 1981; fui espreitar algumas das primeiras edições da Festa de Teatro de Almada (pois era assim, nos primórdios, que se chamava o Festival...), ainda nos anos 80 (estava eu, então, a fazer o meu "tirocínio" no Centro Cultural de Almada); e, mais tarde, acompanhei algumas edições do Festival já no desempenho da minha profissão de jornalista.

Assim, e aproveitando estas efemérides (aniversários do festival e da companhia que o organiza), atrevo-me a publicar aqui meia dúzia de coisas que sei, e de que me lembro, sobre os ditos festival e companhia. (Mas aviso já que são memórias, mesmo - se, por engano, vieram aqui à procura de peixeirada, não percam o vosso tempo: já sabem a que outros blogues se devem dirigir.)


Anos 80:
O Grupo de Campolide no Teatro da Academia Almadense e "Que Farei com Este Livro?"


Então é assim: eu cá até nem sou um gajo muito teatreiro, mas no ano lectivo de 1980/1981 (pois é, já sou assim tão antigo...) estava no nono ano, numa turma de Teatro, com a professora Maria Santos (que, naquele tempo era dirigente do Partido Ecologista os Verdes e actualmente é, se não me engano, deputada do Partido Socialista - e eu sei que isto não interessa para o caso, mas talvez assim vocês já fiquem a ver quem é a pessoa).

Nesse tempo,"fazer teatro" não era uma actividade lá muito bem vista. A minha turma era olhada pelos outros alunos como se fosse um bando de anormais (para não dizer outra coisa mais feia...). E era, a minha turma, composta na sua maioria por alunos repetentes - que, depois de terem experimentado outras opções, iam tentar a que lhes restava: o Teatro.


Essa actividade - o Teatro - era vista como uma coisa de gente desqualificada. Estávamos em Almada, Portugal, no início da década de '90. Diziam os outros alunos que, nas nossas aulas de Teatro, a gente tinha de andar de "collants", feitos uns mariquinhas... E diziam mais algumas coisas, de que agora não me recordo.Para tirar dúvidas (ou seja: para ver se nós eramos mesmo os tais anormais), estavam sempre a espreitar para dentro da sala de aula, enquanto esta decorria. A professora foi obrigada a mudar as aulas para outra sala, no piso superior.

Era difícil, ser-se aluno de Teatro, em Almada (suponho que em Portugal inteiro - mas falo apenas daquilo que sei), nesse início da "mítica" década de 1980.

Mas - e é aqui que, a bem dizer, tudo começa - havia já uma companhia profissional que procurava ensinar as pessoas a ver Teatro (porque não basta ver: é preciso saber ver). Essa companhia tinha nascido anos antes em Lisboa e residia no teatro da Academia Almadense desde 1978. Era o Grupo de Campolide (designação à qual adicionou rapidamente a de Companhia de Teatro de Almada... embora, durante muitos anos,
ontinuasse ainda a ser conhecida como "o Campolide").

Ensinar as pessoas a ver Teatro" implicava, por exemplo, oferecer espectáculos às escolas do concelho. E, numa dessas ofertas, lá vou eu, com um enorme e ruidoso grupo de jovenzitos da Escola Secundária de Almada (é a actual Fernão Mendes Pinto, no Pragal) ver, no velhote teatro da Academia Almadense, uma peça intirulada "Que Farei com Este Livro?".

Conhecem? É um texto de José Saramago (esse mesmo: o prémio Nobel), uma ficção sobre a vida de Luís de Camões. E tinha duas grandes interpretações (dois "papelões", como a gente dizia) de Canto e Castro e de Teresa Gafeira.

Que o pessoal da escola acompanhou com gritinhos, piadas, comentários em voz muito alta... enfim, como se estivessemos na actualidade e, em vez de estarem a assistir a um espectáculo de Teatro (um grande e memorável espectáculo de Teatro, devo dizer-vos) estivessem a ver uma tourada e... Hum... espera aí... uma tourada não, que isso é um espectáculo bárbaro e os jovens de hoje não querem nada com barbaridades... Portanto, a maneira como, em 1981, eles acompanharam aquele acto cultural foi como se, nos dias de hoje, estivessem a ver... Como é que se chama mesmo aquele mui digno espectáculo que costuma encher de murros e pontapés o Pavilhão Atlântico?... (Desculpem lá, deu-me uma branca... eh eh eh!....)

Mas pronto, o que eu vos quero dizer é que, no início da década de 80, este povo era ainda muito culturalmente atrasadinho - e a Companhia de Teatro de Almada tinha uma árdua tarefa pela frente, para nos ensinar boas maneiras.

E olhem que não estou a ironizar!


A Festa de Teatro de Almada, depois Festival Internacional de Teatro de Almada



Ao longo dos anos '80, a oferta de espectáculos culturais de qualidade estava, em Almada, a cargo (quase exclusivamente) do "Campolide".

Sim, eu sei que - nesse tempo - ainda havia muita actividade nas colectividades (embora estas estivessem já a passar por tempos difíceis), e eu próprio estive quase para me integrar no grupo de bibiotecários da IncríveAlmadense,a convite de Alexandre Castanheira; e não me esqueço que a Câmara de Almada organizava eventos de rua como um Festival Internacional de Poesia (onde me estreei a ler publicamente, na edição de 1981 - mas conto-vos isso noutra altura), ou o Festival de Arte Viva (que muito chocou as mentalidades almadenses - e de que também vos hei-de falar, um destes dias).

Ah, pois: não me esqueço, também, dos eventos promovidos pelo Centro Cultural de Almada, nos quais trabalhei: animações de rua, no actual Parque Urbano ("a relva", para simplificar) e na Costa de Caparica, bem como as feiras do livro. Mas isso fica, igualmente, para outra ocasião (até porque a actividade do CCA, desconhecida da generalidade da população, foi afinal muito importante e pioneira, não só no concelho, mas no país).
Mas isso eram "ovnis" que apareciam para sobressaltar o marasmo cultural da cidade.

Quem fazia um trabalho mais visível e frutuoso (apetece dizer, sem exageros: mais pedagógico) era a Companhia de Teatro de Almada. O "Campolide".

Lembro-me de ver, durante essa década, mais alguns grandes espectáculos de Teatro naquela sala da Academia Almadense. Por exemplo: "A Excepção e a Regra", de Bertolt Brecht, encenada (julgo eu) por elemento(s) do Berliner Ensemble. (E eu, nesse tempo, até via muito, e bom, Teatro.)
O "Campolide" tinha, então: bons espectáculos, acções de divulgação
junto das escolas e das colectividades (para formar público,
obviamente) e, a dada altura, também uma grande animação cultural nas
ruas (e becos) de Almada Velha. Chamou-se Festa de Teatro de Almada -
e foi, como se sabe, a antecessora do prestigiado festival que temos
hoje.


A Festa de Teatro teve as primeiras edições no Largo da Boca do Vento e passou depois a realizar-se na Casa da Cerca (à qual então se chamava Palácio da Cerca eque, a propósito, também conheci, e fotografei, anos antes, quando o CCA ali quis instalar um equipamento que seria a Casa da Criança... mas pronto, também não vou vou dizer nada sobre isso agora).

Dessas já longínquas edições da Festa de Teatro de Almada guardo memórias muito agradáveis. Por exemplo: Mário Viegas com os "Contos do Gin Tonic" (de Mário Henrique Leiria), ou uma enorme Maria do Céu Guerra a fazer a "Calamity Jane". Agradeço, comovido, à Companhia de Teatro de Almada (ao "Campolide") a oportunidade que me deu de ver esses espectáculos - que, enquanto viver, jamais esquecerei! (Eu sou um piegas, sabiam?)

Já não sei em que ano a Festa passou a Festival Internacional.
Mas será que isso é importante?


Década de 90:
O Teatro Municipal, aliás ex-Oficina da Cultura, aliás ex-mercado Abastecedor de Almada

Neste caso, a década de '90 começa em 1988: foi nesse ano que a Companhia de Teatro de Almada passa a "residir" no "novo" (hoje antigo) Teatro Municipal.

Ora, o Teatro Municipal era a Antiga Oficina da Cultura (onde - e lá vou eu armar-me aos cucos... - apresentei, em 1981, com a minha turma de Teatro, um espectáculo de fim de ano lectivo; e onde, já em 1986, organizei, no âmbito da Feira do Livro desse ano, um espaço de jovens publicações e novos autores). E esse espaço tinha sido, anteriormente, o mercado abastecedor de Almada. Mesmo com todas as transformações, adaptações e melhoramentos que, em 1988, ali foram feitas, o Teatro Municipal não era, ainda, a sala que a CTA tanto desejava (e merecia).

Era o espaço possível... E assim foi, até esta década que está agora a terminar (ou, se preferirem, até este século que está agora a começar!)

Por acaso (e deve ser mesmo por acaso), só me recordo de ter visto, nesse espaço, um espectáculo que muito me impressionou: "Restos", do polaco Joseph Szaina. Mas suponho que isso aconteceu porque, nos anos '90, eu já não tinha idade para andar por aí a impressionar-me com muita coisa...


O Festival de Almada, em 1996:era para ser a 13.º edição, topam?

Então, durante alguns anos, tivemos o Festival Internacional de Teatro de Almada (cuja abreviatura é, como está bom de ver, FITA). E, de FITA em FITA (plagiando Fernando Rebelo, num artigo do Sul Expresso), Joaquim Benite e a Companhia de Teatro de Almada foram consolidando, nesta cidade, um dos melhores eventos culturais do país e da Europa. Porque, sim, em meados da década de '90 já o Festival de Teatro de Almada tinha essa (merecida) aura.


Entretanto chegamos a 1996 e à edição número 13 do FITA. Eu disse-vos, no princípio deste artigo, que não sou nada teatreiro. Mas conheço alguns e sei que eles têm a tendência para ser supersticiosos.

Ora bem, é precisamente em 1996, na edição 13, que o FITA passa a chamar-se Festival de Almada. Coincidência?
Diz-me então Joaquim Benite - numa entrevista que lhe fiz para a revista Sem Mais - que, por o festival já ter ganho uma dimensão tão grande (nessa época, note-se), à semelhança do que acontece, por exemplo, com o Festival de Avignon, podia prescindir da palavra "teatro" e passar a chamar-se apenas Festival de Almada. As pessoas (o público culto dos anos '90, entenda-se) identificariam facilmente a natureza do evento.




A entrevista está no blog Almada Cultural por extenso.
(Não publiquei este pedaço da conversa... mas julgo que ainda hoje
tenho o registo original em cassete)


«O Teatro é uma prática moral», afirma Benite em 1996 (e repete-o em 2001)


Devo dizer agora (por ser verdade) que essa foi uma das entrevistas que, ao logo da minha carreira profissional, mais gostei de fazer. Porque Joaquim Benite é um dos melhores "entrevistáveis" que conheço. Mas também porque, nessa altura em particular, eu estava muito bem preparado para a fazer.


Uma frase de Joaquim Benite que, então, me surpreendeu foi: «o Teatro é uma prática moral» - não no sentido "religioso" que a expressão habitualmente acarreta, mas porque influencia a formação cultural e cívica das pessoas e esta é, também, uma formação moral.

Cinco anos mais tarde confrontei-o com a mesma questão. A resposta está aqui:




E, embora Benite diga, nessa entrevista, que «o teatro não serve para ensinar», eu cá, na minha modesta opinião, digo que o Teatro, e a CTA, ensinou muita coisa a muita gente (gente na qual eu me incluo).

Infelizmente, parece que, neste novo e brilhante século XXI, há menos gente com vontade de aprender a ser.
Apesar de hoje existirem melhores condições para tal. Diria eu (se fosse moralista): dá deus nozes a quem não tem dentes!




(E não me refiro, como é óbvio, à CTA, está bem?)

sábado, julho 05, 2008

Ok, do you want something simple?

O Canal Bulcânico tem - finalmente!... - imagens do concerto que os The Gift fizeram em Almada, nas comemorações do 25 de Abril de 2008. São quatro vídeos de Nelson Gonçalves, gentilmente cedidos pelo autor para que eu os publicasse onde me der mais jeito. Encontram os ditos vídeos nos seguintes "links":

http://www.youtube.com/watch?v=V1kD7q0-700

http://www.youtube.com/watch?v=j3SgXL-8e2M

http://www.youtube.com/watch?v=d9nm-OXp6BE

http://www.youtube.com/watch?v=goz7KXTMKc4

quinta-feira, julho 03, 2008

A "originalidade" dos políticos portugueses...


O senhor primeiro-ministro de Portugal, engenheiro José Sócrates, ontem à noite, na RTP, deixou-nos esta pérola (ou, se preferirem, este soundbite):

«Temos de viver com aquilo que temos!»

A frase é um comovente apelo: por um lado, à aceitação das "inevitáveis" medidas de austeridade económica que se aproximam; por outro, à capacidade de, com algum "inevitável" sofrimento, ultrapassarmos esta fase menos boa que o país vai atravessar (como se não estivesse já a fazê-lo, desde os primeiros anos desta década, mas enfim...).

Ora, não há dúvida nenhuma sobra a eficácia do soundbite, pois não? Ficou no ouvido, não ficou?
Pois ficou: hoje mesmo há tanta gente a parafraseá-la!


Tal como, nos idos da década de 80 (se é que não foi mesmo na de 70, não me recordo agora), num tempo em que Mário Soares era primeiro-ministro de Portugal (embora não se usasse ainda a expressão "primeiro-ministro de Portugal" - que foi "inventada" numa campanha eleitoral do Professor Cavaco, nos idos da década de 90...), e numa época em que se anunciavam medidas de austeridade, ficou famoso o seguinte, e pungente "slogan" (que era como se chamava, na altura, a um soundbite), precisamente:

«Temos de viver com aquilo que temos!».

(Como já sei que alguns de vocês não acreditam em mim, façam o favor de confirmar lendo o que outros autores dizem sobre a mesma frase, nos seguintes "links":


Confirmado? Então, adiante...)

Ora, isto fez-me lembrar que, no que diz respeito a soundbites, os políticos portugueses são bué originais!


Lembremo-nos, por exemplo, do marechal Spínola (quando era ainda General, e Presidente da República), a apelar à «maioria silenciosa do povo português». Algo que, anos antes, um presidente norte-americano, de nome Richard Nixon (sim, o do caso Watergate), fizera também - apelando, nesse caso (obviamente) ao bom povo dos Estados Unidos da América.
Num e noutro caso, a coisa deu para o torto.


E, como alguém já disse (embora por outras palavras) nunca é boa ideia "macaquear" a História - ela não gosta, vira-se a nós, e morde-nos. Depois, não nos podemos queixar - a não ser de nós próprios...


PS - Sobre o outro assunto político do dia - a libertação de Ingrid Betancourt - faço minhas as palavras de El Presidente Hugo Chavez, na entrevista que graciosamente concedeu a Mário Soares e que passou, há pouco tempo, na RTP: a luta armada não deve ser feita recorrendo a reféns civis, ainda que sejam políticos. Só isso.