quinta-feira, setembro 02, 2010

"Vinte anos, vinte festas" - artigo do Sul Expresso sobre a Festa do Avante de 1996


Em 1996 a Festa do Avante comemorava 20 anos (começou em 1976), cumpria a 20ª edição (seriam 21, mas a de 1997 não se realizou, por falta de terreno) estava pela sétima vez na margem sul do Tejo (o primeiro ano na Quinta da Atalaia foi 1990)... e, com tanta História, não deixava de ter grandes novidades para apresentar!

Consolidadas as infra-estruturas no terreno, faziam-se, nesse ano, algumas "experiências" com a disposição dos pavilhões (ver texto abaixo: reportagem de Adelaide Coelho para a Revista Sem Mais) e abria-se ao público, pela primeira vez, uma zona até então "interdita": o espaço contíguo à Baía do Seixal, com um pequeno lago dentro do recinto da Festa. Mas a grande e relevante novidade seria a actuação de uma orquestra sinfónica no Palco 25 de Abril. A experiência foi tão boa que se repete até hoje: o palco principal abre sempre, na sexta-feira, com música sinfónica!

Neste texto para o Sul Expresso, eu (que era um assíduo frequentador da Festa - nunca falhara uma, desde 1987) tentei, como me competia enquanto jornalista, escrever de forma "distanciada", sem demonstrar as minhas simpatias. Daí alguma ironia patente na peça... Talvez até demais, reconheço.

Curiosidade suplementar: a fotografia que ilustra este artigo é de uma década antes, na Festa do Avante de 1986 - a última realizada no Alto da Ajuda. É uma imagem captada por mim, no anfiteatro do palco principal, com uma máquina fotográfica Praktika MTL5 utilizando película ORWO e revelada no laboratório de fotografia do Centro Cultural de Almada.

5 comentários:

Sopro leve disse...

Mesmo com o "desprezo" com que é tratada a festa do avante, pela comunicação social do sistema imposto, ela está ai para durar e crescer, ajudando para que muitos cresçam ao nível da sua consciência perante a sociedade.
Muitas outras, ditas, festas sem a grandeza da nossa festa, tem o apoio da com social, são alvas de inumeras reportagens... porque essas interessam ao sistema dominante e a nossa não...
Para certos "tipos" deve ser doloroso ver uma festa a ser construida com tanto amor e aolidariedade...
E agora nem com o terreno podem boicota-la...
As tentativas de acabarem com a nossa festa mantêm-se, mas a nossa força para resistir é enorme..

Debaixo do Bulcão disse...

e a avaliar por este texto, eu devo ser um desses tipos doloridos, não? já que não me desfaço em elogios à Festa e até utilizo alguma ironia para me distanciar do objecto da notícia...

sinceramente, dispenso essas análises chapa 5 à comunicação social do sitema dominante.

essa persistente lamechice com/contra a comunicação social é um dos entreves a que eu volte a ser militante do PCP. lamento, mas para esse peditório não dou.

entretanto, continuarei a ir à Festa, a votar na CDU, a apoiar publicamente sempre que necessário as posições do PCP, com as quais concordo na generalidade, etc.

com luta, mas sem calimerices.

cumprimentos,

António Vitorino

Sopro leve disse...

Não sei porque interpretou o texto desta forma…
Se fosse um desses doloridos, não tinha qualquer interesse em ir à festa do avante; Pois quem lá vai sendo comunista, ou não… vai porque existe algo que vai de encontro à sua forma de estar e de ser (não estou a falar nem de bebedeiras, nem de outros entretimentos lesivos ao ser racional) e que possui um objectivo de vida que vai de encontro à humanização e solidariedade, da sociedade.
Nem todos os que assistem a debates, intervém nesses debates promovidos pelo PCP ou CDU, que são realizados na festa do avante ou fora dela, são obrigatoriamente comunistas. São, isso sim, pessoas que defendem uma forma de vida oposta à defendida pelo sistema actual, que é a exploração do homem pelo homem…
Quanto à comunicação social:
Mas tem dúvidas de que a comunicação social serve certos fins, que são opostos às necessidades de quem trabalha?
Lamechice? Calimerices?
Olhe que não… e isto aplica-se a iniciativas do PCP e da CDU, como às iniciativas e denuncias feitas pelos sindicatos que lutam pelos direitos de quem trabalha.
Visto que anda nesse meio, ou andou, da comunicação social, sabe que esta comunicação social existe como propriedade dos grandes interesses económicos… você acha que esses representantes usam ou usaram os seus meios para meter em causa a forma de sociedade, com a qual aumentam as suas fortunas?
Acha que era possível haver jornais que dão prejuízo ano após anos, e continuam a existir (com trabalho precário, é verdade) e a serem financiados pelos empresários… se estes não se servissem deles para continuarem a servirem os seus propósitos de manietarem a sociedade em geral, ao seu pensamento?
Desculpe, mas isto é uma realidade…
Aceito o seu pensamento, mas não posso concordar com ele.
Cumprimentos,

Debaixo do Bulcão disse...

Sopro leve,
estamos de acordo talvez mais do que julgue - nas ideias, na forma de as expor.

eu sou muito crítico da comunicação social que temos, e manifesto muitas vezes essa crítica. muitas vezes fico até a falar sozinho, sem solidariedade nenhuma dos que, supostamente, até pensam como eu... mas isso não interessa para o caso.

defendo que deve existir uma distinção o mais clara possível entre jornalismo e propaganda (seja ela de que índole for). sei que não é isso o que acontece. mas é obrigação ética dos jornalistas fazer essa distinção (de acordo com o respectivo Código Deontológico).

não gosto nada é de textos que começam logo com auto-vitimizações, porque me parece que não é assim que se faz passar a mensagem.

note que começou por dizer «Mesmo com o "desprezo" com que é tratada a festa do avante, pela comunicação social do sistema imposto»... quando estava a comentar um artigo escrito sobre a Festa do Avante num órgão de comunicação social do "sistema imposto" e que, neste e noutros casos, não desprezou nada a Festa nem o PCP.

há que distinguir o trabalho dos jornalistas, individualmente ou como "classe" profissional (sujeitos, teoricamente, ao cumprimento do Código Deontológico), e as empresas para as quais trabalham. parece que também concordamos nisso - mas também nisso parece que não temos o mesmo tipo de discurso...

os accionistas desse jornal eram pessoas ligadas ao PS. claro que tinham interesses políticos. mas não defendiam os seus interesses censurando ou escamoteando a realidade. tinham maneiras mais inteligentes e subtis de o fazer (com o peso dos artigos de opinião, por exemplo).

esse jornal ficou marcado com o ferrete de "jornal do PS", embora, em termos de informação, fosse muito mais pluralista que qualquer outro que eu conheça hoje - na imprensa regional, pelo menos.

foi muito hostilizado por ser "o jornal do PS". acabou. o que ganharam com isso os que - no PCP, por exemplo - tanto o criticavam? aqui em Almada, que eu saiba, não ganharam rigorosamente nada!

pelo contrário: a imprensa regional de hoje é muito pior - em todos os aspectos e na cobertura das acções do PCP em particular.

em suma: sim, concordo consigo no fundamental. mas não concordo com esse tipo de discurso, que me parece precipitado, demasiado generalista e pouco táctico.

e, já agora, peço desculpa por alguma agreessividade na minha intervenção anterior. senti-me também injustiçado (e penso que no ínício deste texto já dei a entender porquê).

saudações,

António Vitorino

Debaixo do Bulcão disse...

correcção: "estamos de acordo talvez mais do que julga, nas ideias mas não na forma de as expor"