quarta-feira, outubro 21, 2009

Saramago versus Fundamentalismo Lusitano?


Estava eu aqui preocupado com a polémica criada à volta do novo livro do Prémio Nóbel (perdão, Nobel) português, José Saramago. E apetecia-me escrever sobre isso.

Mas vale a pena? Para quê - se a polémica é, afinal, pouco mais que uma tempestade num copo de água (mas que vai, certamente, ajudar a vender muitos livros)?

Saramago disse o que é óbvio: a Bíblia está repleta de cenas cruéis (o Antigo Testamento, então é, nesse aspecto, de bradar aos céus!). O Deus judaico-cristão é ele (ops... Ele) próprio, em muitos momentos, instigador (ou desculpabilizador, no mínimo) dessa violência.

A história de Abel e Caim (na qual se inspira o novo livro de Saramago) é disso um exemplo acabado.

E daí? Porquê tanto alarido?

Notícias sobre este caso na imprensa portuguesa:

(E apetece dizer, como Saramago citado pelo Diário Digital: «Há qualquer coisa de estranho neste país». Não apetece?...)

4 comentários:

marreta disse...

...estranho no mundo mesmo!
E como é que não podia ser, com ascendentes como o Adão, a Eva e a serpente mais o Abel, o Caim e a irmã, para não falar no Noé mais a sua arca onde cabiam milhões de espécies animais!
Uma coisa é certa a Biblia não deixa de ser um best-seller e talvez a maior obra de ficção científica alguma vez escrita.

Saudações do Marreta.

Debaixo do Bulcão disse...

"Talvez a melhor obra de ficção científica alguma vez escrita", diz o Marreta.

Eu gosto muito de ficção científica, e não me atrevo a contradizê-lo!

Saudações do Vitorino

Luis Eme disse...

eu diria que há qualquer coisa de estranho em alguém que diz que a biblia, o livro mais lido e vendido em todo o mundo, é um "manuel de maus costumes".

eu já li várias partes da biblia e sei que o nobel está enganado. provavelmente lemos partes diferentes, Vitorino...

aliás, nós lemos sempre só o que nos convém.

Debaixo do Bulcão disse...

eu concordo com ele, embora reconheça algum exagero nas declarações que fez (excepto quando se refere a alguns - muitos, no entanto - aspectos da Bíblia, que em certos casos fazem lembrar outros livros fundamentais, e violentos, como a Ilíada, por exemplo).

também concordo com Saramago quando ele afirma que "os católicos não lêm a Bíblia". na minha infância, passei primeiro (muito rapidamente, enfim) pelo culto católico e depois tive, durante vários anos, "formação" numa igreja evangélica. entendo, pois, essa crítica que ele faz. uns (evangélicos, ou "protestantes" - os antigos, talvez não os das seitas actuais) conhecem a Bíblia, outros (os católicos) nem tanto...