quarta-feira, abril 02, 2008

«Desculpe, você é da obra?»



Quase sempre que ando por aí a fotografar as obras do MST, em Almada, aparece alguém a perguntar-me «desculpe, você é da obra?», como se não soubessem muito bem que não, não sou da obra.

Mas pronto, percebe-se: é a chamada pergunta retórica.

Ora, um destes dias, fartei-me de perguntas retóricas e, a quem me perguntava «desculpe, você é da obra?», respondi que não senhor, não sou da obra – mas aproveitei para explicar que, sendo aquilo uma obra pública, e estando a ser executada na via pública, não há nenhuma razão para que eu não a possa fotografar.

O senhor que perguntava não ficou convencido com os meus argumentos. Eu também não fiquei convencido com os argumentos dele.

Enfim, farto da discussão, lá acabei por lhe contar a verdade: sou jornalista (trabalho nesta profissão desde 1992, como os leitores deste blogue já devem ter percebido ) e estou, apenas, a fazer o meu trabalho: neste caso, a recolher imagens documentais de um momento histórico para a cidade.

Responde ele: «então, se é jornalista, sabe muito bem que, com a internet, se podem fazer grandes sacanices».

Pois sei. Mas não por ser jornalista: porque tenho visto por aí, nas minhas “navegações” de internauta, essas grandes sacanices.

Acontece que, enquanto jornalista, gosto muito da minha profissão, levo-a muito a sério – e, por isso mesmo, respeito muito a busca da verdade, da mesma forma que detesto essa manipulação fácil que as “novas tecnologias” permitem.

De resto, como tenho (já) 44 anos, não me deixo deslumbrar pelas actuais “novas tecnologias”. São, para mim, um instrumento de trabalho, tal como eram as “novas tecnologias” dos anos 80, e as dos anos 90, e tal como hão-de ser as “novas tecnologias” do futuro.

Não tenho culpa que alguns psicopatas andem por aí a fazer, com recurso a “novas tecnologias” as coisas que sempre, em todos os tempos, fizeram os psicopatas.

Portanto, se hoje vos apresento estas duas fotos “da obra” devidamente manipuladas – é, como se costuma dizer, uma vez sem exemplo.

E é, também, para mostrar que trabalhadores sem cara são algo de muito ridículo. Embora talvez desse jeito a alguns que eles existissem mesmo – mas isso já é outra conversa.

3 comentários:

Marreta disse...

Segundo me apercebo está tudo dentro da legalidade: coletes reflectores, capacetes protectores, regras de segurança cumpridas, ordenados em dia, tudo pessoal legalizado. Enfim,um exemplo.
Saudações do Marreta.

Luis Eme disse...

Vitorino,

Alguns sujeitos, se pudessem entaipam a cidade, aliás, fechavam-na completamente para obras e mandavam os habitantes para longe da sua "incompetência"...

Debaixo do Bulcão disse...

Marreta: também pensei que pudessem ser esses os problemas deles.


Luís:
eu diria antes que mandavam os habitantes para longe da sua "competência". Mas (porque, como sabes, não estamos de acordo nisto), eu aí estaria a referir-me ao Ministério das Obras Públicas!