quinta-feira, março 20, 2008

Poesia grátis num jornal gratuito!

Num dos (muitos) jornais diários de distribuição gratuita que se publicam em Portugal, é costume aparecerem, na secção de cartas dos leitores, textos poéticos. Alguns são simples “desabafos” em verso (e isso já é interessante, note-se), mas há também algumas peças de maior qualidade…
Eu diria quase “de qualidade surpreendente”…
Só não o digo porque, na verdade, isso não me surpreende: enquanto editor do poezine Debaixo do Bulcão, tive já a oportunidade de verificar que, de facto, anda por aí muito talento escondido.

(Aliás, foi mesmo para divulgar esses talentos que o projecto bulcanico - www.debaixodobulcao.blogspot.com - nasceu, em Dezembro de 1996.)

Agora, que esse jornal (chama-se Destak, e está em http://www.destak.pt/) resolveu fazer “concorrência” ao bulcão, eu saúdo entusiasticamente essa “concorrência”, e aproveito a oportunidade para transcrever, com a devida vénia, dois poemas – dois dos meus preferidos entre os que foram publicados nesse diário.

Aqui vão eles:

Amigos das horas sós

Vem Amigo.
Amigo das horas sós.
Vem fazer-me companhia no teclado
e deixa deslizar na maré vaga a tua solidão
faz dela um barco livre à deriva
na minha e na tua ilusão.
Que os afectos dos teus dedos
sejam o calor dos meus
e a nossa solidão de pétalas se abra.
Fiques tu menos só
e eu mais acompanhada!

Romi
(no Destak de 10 Março 2008)

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Aqui estou

Aqui estou, agora, no presente
Pensando, entretanto, no futuro,
Enquanto me perpassa pela mente
Um momento do porvir, que já auguro.
Desejava cá ficar muito mais tempo
Mas vai decompondo-se a matéria;
Só não quero ir embora a destempo
Ou mal caminhar em errada artéria.
O dia está soalheiro e muito belo…
A Primavera de novo a recomeçar;
Ouço o murmúrio do mar no Cabedelo
E eu aqui sozinho a cogitar
Como será o meu tempo da partida
Nesse tempo que será definitiva ida.

José Amaral
(no Destak de 18 Março 2008)

7 comentários:

Marreta disse...

Afinal um jornal gratuito também pode comportar matéria de qualidade, ao contrário de alguns pagos...
Saudações do Marreta.

Madalena Barranco disse...

Olá António, hum... Então o Debaixo do Bulcão está inspirando outros a fazerem o mesmo... Viva a poesia, então! Mas, espero que tenham lhe pedido autorização para publicar seus poemas, que por sinal, são lindos e decompõem os sentimentos em versos tal qual a primavera em flores. Beijos.

Debaixo do Bulcão disse...

Ora bem, caro Marreta, é isso mesmo!

Debaixo do Bulcão disse...

Madalena: talvez eu não me tenha explicado bem.

Na verdade, não posso dizer que o Bulcão tenha inspirado aquela (ou outra) publicação.

O que afirmo, sem dúvidas, é que o facto de esse jornal publicar poemas que os leitores enviam só prova que existem por aí muitos talentos a tentar mostrar os seus trabalhos. E que esse é precisamente o objectivo do Debaixo do Bulcão.

E, por isso mesmo, sinto que este projecto, do qual sou editor, tem todo o sentido - hoje como em 1996.

eloisa menezes pereira disse...

Gostaria de publicar minhas poesias nesta revista. Como proceder?
Obrigada
Eloisa Menezes Pereira
eloisa52@ibst.com.br

eloisa menezes pereira disse...

Fragmentos da infância


Viço da infância
Destituía a maioridade
Na leveza das consciências
Cegava a realidade

Ansiosos do futuro
Mergulhavam os puros
Sonhando com albores da vida
Transformavam suas idas

Desprovidos da sensualidade
Conhecimento era curiosidade
Música, intenso prazer
Como era sedutor aprender!

linkin park disse...

Um lugar pra mim

Nada para esses pensamentos de me aprisionarem
A útopia se tornou algo que não sei controlar
A mente abriga vários personagens fazendo me perder dentro de um espaço meu
não consigo por mais tempo aguentar esses pensamentos repetitivos que me perseguem sem sentido
preciso de espaço,o meu espaço pra ter minhas idéias
tenho que conseguir abrir a mente e fazer com que meu real possa decidir o que pensar sem interferência de um mundo surreal que me leva á questionar até onde vai meus limites
É lugar pra mim no meu espaço que tenho que conseguir.