terça-feira, fevereiro 19, 2008

Era só o que faltava!!!


Os Transportes Sul do Tejo (TST) são a pior empresa de transporte colectivo de passageiros que conheço.
E conheço-os há muito tempo: desde que a empresa existe!

Ao longo dos anos (muitos) que levo de utente dessa empresa, vi-os terminar com carreiras (suburbanas, principalmente), deixar degradar a frota (e comprar carros que, nos países de origem, certamente só serviriam para sucata – mas apresentando essas aquisições como “renovação da frota”), vi-os estender a sua área de influência – que era Almada e Seixal – primeiro a Sesimbra (onde já operavam, mas ficaram sem concorrência, quando compraram a Covas e Filhos, em meados dos anos 90) e, mais recentemente, ao sul da Península de Setúbal (onde operava a Belos Setubalense), ficando assim com um quase exclusivo (apetece-me dizer monopólio, mas não posso…) do transporte rodoviário colectivo de passageiros na região.

Temos, portanto, uma única empresa de camionagem a servir-nos (a excepção é a Transportes Colectivos do Barreiro) – e, até por isso mesmo (por não termos alternativas) merecíamos ser melhor servidos. Não é?

Merecíamos, por exemplo, que os motoristas da empresa cumprissem os horários – em vez de saírem adiantados, como acontece muitas vezes, principalmente nas últimas carreiras da noite.
(Ah, e não venham cá com a piada da “pontualidade britânica”. Antes de pertencerem ao Grupo Arriva, eram do Grupo Barraqueiro – e vou, por agora, fingir que não acredito na hipótese de os dois grupos estarem “feitos” um com o outro – e, já no tempo dos “barraqueiros”, estes TST se adiantavam, sistematicamente, ao horário de saída das carreiras.)

Merecíamos que não fizessem de nós, utentes (que lhes pagamos, e bem!... ; se a empresa, por acaso, não lhes paga o suficiente, a culpa não é nossa!) objecto da habitual brincadeirinha que é ver-nos a aproximar de um autocarro estacionado numa paragem e arrancar precisamente quando começamos a correr para o tentar apanhar – deixando-nos apeados, como é bom de ver.

Eu estou capaz de apostar que qualquer cliente dessa empresa entende muito bem o que estou a dizer!

É que dificilmente alguém terá escapado a essas faltas de respeito.

(Só com muita sorte… assim tipo Gastão… Mas não me parece: o Gastão é um personagem de Banda Desenhada, o primo do Pato Donald, conhecem?...)

Mas sei, também, que este estado de coisas não muda enquanto os utentes (apetece-me dizer “as vítimas” e, se calhar, até posso) não reclamarem.

Pois bem: eu tenho reclamações a fazer.

No espaço de um mês, vi passar no centro de Almada três autocarros a horas a que, supostamente, deviam ter acabado de sair de Cacilhas:

- de 2 para 3 de Janeiro, o autocarro das 2h50 para a Costa de Caparica passa na Avenida Afonso Henriques… às 2h50 (sem comentários…)

- 3 de Fevereiro: os autocarros que, supostamente, saem de Cacilhas às 22h20, passam pela Avenida D. Nuno Álvares Pereira às 22h22 (feito notável: dois minutos para fazer aquele percurso!)

- nessa mesma noite (3 de Fevereiro), no terminar rodoviário de Cacilhas, o autocarro das 22h45 para a Trafaria está para sair. Eu vejo-o na paragem, começo a correr e… pois, adivinharam – é nesse momento que ele arranca. E estava na hora para sair? Não, não estava! Pelo menos a avaliar pelo meu relógio e – por acaso… - pelos relógios dos passageiros que aguardavam na paragem ao lado (e que comentaram o óbvio, ou seja “eles fazem sempre isso…”). Ou seja (para o caso de alguém não ter entendido), o zeloso motorista dos TST saiu adiantado e, como se isso não lhe bastasse, aproveitou para fazer a clássica brincadeirinha da empresa: o gajo que corra, se quiser, mas fica apeado na mesma!

Estão a ver? Três casos no espaço de um mês! E dois deles na mesma noite!
Mas isto ainda nem sequer é o melhor! Ai não é, não senhor!!!

O melhor é que, apesar do mau serviço que prestam, alguns funcionários da empresa julgam que têm o rei na barriga e que podem gozar com os utentes – não já com as “brincadeirinhas” do costuma, mas mais descaradamente e de forma ainda mais arrogante.

Só assim se entende a história que vos conto a seguir.

No sábado, 2 de Fevereiro, entro no autocarro que faz a carreira Cacilhas – Trafaria, das 13h20 e, como habitualmente, e normalmente, mostro o meu passe social… E ouço, então, o jovenzito motorista dizer, num tom de voz arrogante:

“VÊ LÁ SE COMPRAS OUTRO PASSE!”

Quando me apercebi que o jovenzito estava a falar comigo (bem, não foi muito difícil… apesar de eu ser um bocadinho lerdo, como vocês – que me conhecem tão bem – sabem, não é?..., o tom de voz arrogante não deixava margem para dúvidas), voltei para trás e, sem lhe dirigir a palavra, mostrei-lhe o “lado B” do passe, ou seja, aquele onde está inscrita a data-limite de validade (que é Setembro de 2009 – o que, como é fácil de entender, significa que está válido durante um ano e mais alguns meses: é questão de fazer as contas).
Ora bem: isto seria suficiente para o arrogante jovenzinho, no mínimo, mudar o tom de voz, não vos parece?
Pois, não foi nada disso o que aconteceu. Pelo contrário, diz ele que:

“ISSO DE ESTAR DENTRO DO PRAZO PARA MIM É GRUPO!”

Ora, apesar de estar habituado a faltas de respeito por parte dos funcionários dos TST, essa deixou-me perplexo!

Será que o jovenzito (que, note-se, tinha idade para ser meu filho) acha mesmo que pode falar assim com um passageiro (que, note-se, nem lhe dirigiu a palavra), ainda por cima num autocarro que ia apinhado de gente?

Terá o jovenzito alguma “comissão” por cada novo passe que a empresa emite? (Ah, a propósito: se o meu passe está algo danificado – mas ainda muito legível, e muito dentro do prazo de validade – isso deve-se, principalmente, ao facto de a plastificação vir já com defeito de origem. E a origem, qual é? Pois, exactamente: os serviços dos TST, no Laranjeiro!)

Mas, dada a arrogância com que as tais frases foram ditas, outra pergunta se impõe: estaria o jovenzito… hããã… como hei-de dizer isto?… num estado de consciência ligeiramente alterado?... Ou é, apenas, malcriado com os utentes (que lhe pagam o ordenado)? Seja qual for o caso, é grave, visto que se trata de um funcionário de uma empresa que lida com passageiros – ou seja: que os transporta! É grave e terá de ser resolvido.

Como disse, o passe foi mal plastificado (e eu não protestei – tal como não tenho protestado perante muitos maus serviços que aquela empresa tem prestado ao longo dos anos). Portanto, se eu tiver mesmo que comprar um novo, tudo bem (espero é que venha em condições de resistir a uma utilização normal até ao fim do respectivo prazo de validade, ok?). Mas não será um jovenzito arrogante quem me vai dizer o que tenho que fazer – e muito menos daquela maneira! Entendidos?

Eu apresentei já uma reclamação, no site dos TST:

http://www.tsuldotejo.pt/

Que tal fazermos todos o mesmo, sempre que formos vítimas dos maus serviços dessa transportadora?

(Ah, e se continuam a achar hilariante aquilo que eu escrevo, esperem só até eu vos mostrar a resposta que essa exemplar empresa de transportes públicos deu às minhas reclamações. É, como se costuma dizer, de partir o coco a rir!...

Mas isso fica para amanhã…)

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Vamos lá ver se a gente se entende

Eu estava para trazer aqui, nestes últimos dias, uma história relacionada com José Ramos Horta (do tempo em que ele era o rosto do Conselho Nacional de Resistência Timorense no exterior), e outras histórias, sobre patetices de alguns motoristas dos Transportes Sul do Tejo.

Acontece, porém, que nos tempos mais recentes (e graças aos familiares do costume) eu, além de estar, ainda, desempregado (mas não desocupado…) tenho acesso a um computador apenas durante uma hora por dia.
E não é “uma hora de Internet por dia”: é mesmo “uma hora de computador por dia”.

Claro que isso deve ter os seus aspectos positivos, que há que aproveitar, e tal… Ora deixa cá ver… reaprendi, por exemplo, a escrever textos à mão… Pois, foi isso. Oba, como dizem os brasileiros!

E, como em casa nem computador nem sequer condições mínimas para trabalhar, vejo-me obrigado a ir para locais públicos, abrir o meu caderninho preto, e escrever nele.
Portanto, amiguinhos, se me virem sentado num café, com meia dúzia de copos vazios (e um a ser esvaziado) e um monte de papelada à minha frente, já sabem: estou a trabalhar!
Isso não significa, bem entendido, que eu goste de trabalhar em locais públicos (aliás, detesto!), mas apenas que não tenho, por agora, possibilidade de trabalhar de outra forma.

Claro que há quem, por não me conhecer, não entenda isso. Para esses, devo ser um tipo esquisito, que anda por aí, na rua, a fazer figura de parvo, e… (enfim, imaginem vocês o que se diz por aí – ou, se souberem, digam-me, porque eu apenas posso adivinhar…).

Mas, bem… Esses, daqui a uns tempos, terão oportunidade de perceber que eu não sou quem eles pensam (seja lá o que for que eles pensam, se é que pensam). E pronto, fica tudo bem, não tinham culpa de ser parvos, ou ignorantes, estão desculpados.

O problema são os outros, os que me conhecem (ou pensam que me conhecem), os que fingem ser meus amigos – mas que, além de não estarem a ajudar nada, num momento em que eu preciso de amigos (e “os amigos são para as ocasiões”, não é?) ainda alinham nas mentiras que se dizem a meu respeito.

Ora bem, vamos lá ver se nos entendemos…

Eu vim de um meio pobre, tanto em termos materiais como em termos culturais.
Para vos dar um exemplo da pobreza cultural a que me refiro, digo-vos que esse era um meio em que um puto que mostrasse interesse em coisas um bocadinho mais evoluídas que BDs de “cóbóis” (que lesse, por exemplo, BDs de Ficção Científica), levava logo com o rótulo de “maluco”.
(E parece que, desgraçadamente, depois de tantos anos, continua tudo na mesma, por aqueles lados…)

Vim, portanto, de um meio onde não tinha nada. Ninguém me deu nada de bandeja. E, pelo contrário, muito (quase tudo) me foi tirado por pessoas mesquinhas, uma vez, e outra, e outra ainda.

Enfrentei todas essas dificuldades, fiz muita coisa, e ainda aqui estou – a fazer coisas. Ou coisinhas - o que, em todo o caso, é mais do que fazem os que me atacam.

Comecei nos anos 80, como agente cultural. E essa actividade, embora “invisível” deixou marcas, que são hoje visíveis, por exemplo, em objectos da colecção permanente do Museu da Cidade de Almada (nos quais, e com os quais, trabalhei).

Nos anos 90, tive uma carreira profissional de sucesso, como jornalista. Aliás, o meu trabalho era tão prestigiado que até uma “gaffe” que escrevi foi citada, como informação credível, por um conceituado investigador de História Local (e está, como grande parte do meu trabalho dessa década, disponível para consulta e cópia no Arquivo Histórico de Almada)!

Devo dizer-vos, amiguinhos que, durante esse tempo, também tinha (como tenho agora) gente medíocre a morder-me os calcanhares e (recuperando uma expressão anteriormente utilizada neste blogue pelo Luís Milheiro) a tentar "passar-me rasteiras", para ver se eu caía.

E algumas vezes até conseguiram.

Mas não deixei, nunca, de fazer o meu trabalho: sempre que me fizeram cair, eu levantei-me e segui em frente. Eles é que ficaram para trás (embora alguns me apanhassem, novamente, mais à frente, mas só para me rasteirar de novo) e outros mesmo… para baixo (não sei se me faço entender).

Agora, que me fizeram uma sacanice sem precedentes, complicando-me a vida como nunca antes o tinham feito, eu ainda aqui estou, a fazer o meu trabalho… na medida do possível, para quem tem uma hora de computador por dia, não é?

Mas querem exemplos? Ora vejamos…

Quem foi o primeiro a anunciar a chegada a Cacilhas da Fragata D. Fernando (com fotos e recurso a outras fontes)?

Quem fez um trabalho jornalístico sobre uma misteriosa interrupção de trânsito em Cacilhas? (Bem… confesso que aí me “estiquei” um bocado em comentários acessórios e jocosos… mas isto é um blogue pessoal, não é um órgão de informação).

Espero que, para exemplo, isto chegue, até porque a "minha hora de computador" está a chegar ao fim.

Então, só para concluir, amiguinhos, se quiserem mesmo continuar a dizer que o Vitorino está muito mal, que está incapaz de trabalhar, que está maluquinho (ó, quantas vezes me disseram isso quando eu era puto, certos senhores que hoje estão na merda!...), enfim, se quiserem mesmo continuar a difamar-me, estejam, por agora, à vontade: aproveitem enquanto podem.

O meu trabalho (o meu trabalho passado, presente e futuro) trata de desmentir essas tretas.

É que eu, se calhar, até ainda não fiz nada de especial e, mesmo assim, como quem não quer a coisa, já faço parte da História desta terra (há vestígios do meu trabalho no Museu da Cidade e no Arquivo Histórico, já vos disse, não é?...). Agora, calculem só como será quando eu terminar o aquecimento e começar a jogar a sério.

Até lá, pronto, está bem, façam as vossas cenas mesquinhas.

Mas dá-me vontade de perguntar, como nos filmes: “é só isso, o que têm para me atirar?”
Epá!... Esquecem-se que eu já comi muito pão duro, não é?

Respeitosamente,

António Vitorino

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Quem te viu e quem TV, ó TST!!!


Nós, utentes dos Transportes Sul do Tejo (TST), fomos recentemente brindados com uma extraordinária inovação, que muito veio qualificar o já antes excelente serviço público prestado por essa magnífica transportadora privada, propriedade de «um dos maiores grupos de transportes colectivos de passageiros da Europa» - que, por acaso até é inglês…

A inovação a que me refiro é (como já devem ter adivinhado) a TV dos TST – essa inestimável e surpreendente fonte de entretenimento e mesmo de informação.

Digo bem: informação! Informação, pura e dura!

Como é que vocês pensam que eu fiquei a saber que a selecção com mais títulos na Taça das Nações Africanas de futebol não é, afinal, a Algéria!?

Não é, não senhor! E eu não sabia!

Aliás, para dizer a verdade, eu nem sequer sabia que existe um país chamado Algéria! Mas parece que existe! Estava lá, na TV dos TST!... Isto é como dizia o outro: a gente está sempre a aprender…

(Nota: Esta é só para vos abrir o apetite. Porque, quando cá voltar, conto-vos outras histórias, mais interessantes - e, quiçá, igualmente educativas – sobre este formidável operador de transportes colectivos de passageiros da Península de Setúbal.)

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Almada, outros carnavais..



Este ano, como se sabe, o desfile carnavalesco almadense abandona a avenida central da cidade (culpa das obras do metro de superfíce, obviamente...) e passa para a avenida Rainha Dona Leonor. E, meus amigos, a verdade nua e crua é que os foliões almadenses fazem o pior percurso possível naquela avenida: é tudo a subir... e olhem que ainda há ali uma subida um bocado íngreme, não é?
Pois...
Ora bem: eu estou solidário convosco, ó pessoal que vai desfilar na terça-feira. É por isso mesmo que vos apresento aqui o folheto (na altura não se dizia flyer - quando muito, dizia-se panfleto...) de um carnaval dos anos 80 do século passado. Não sei de que ano - mas tenho quase a certeza que foi depois de 1983 e antes de 1986.E "tenho a certeza" porquê? Bem, porque o cartaz desse carnaval foi feito por mim (isto que aqui vos apresento é apenas uma "versão resumida" - esgalhada à pressa, a marcador e esferográfica - para ser o folheto dessa edição). E foi feito enquanto eu estava no Centro Cultural de Almada - e estive lá entre 1981 e 1986.
Infelizmente não vos posso mostrar o cartaz, porque já não o tenho (faz parte de um "pacote" de trabalhos meus, anteriores a 1998, que alguns familiares muito diligentemente trataram de me extraviar ou destruir...). Mas pronto, fica o folheto.
Olhem bem para o percurso: saía de Cacilhas (de uns barracões em frente aos estaleiros da Lisnave), subia pelas avenidas centrais da cidade, dava a volta pela Capitão Leitão, passava em frente aos Paços do Concelho, descia depois para a Praça do MFA, virava a seguir para a RainhaDona Leonor, em direcção à Cova da Piedade, e terminava na praça 5 de Outubro (ou seja, o Jardim da Piedade).
Eu fiz esse caminho todo algumas vezes e ainda aqui estou. Portanto, subam lá esse bocadinho da Rainha D. Leonor, e não se queixem. Andar a pé faz bem à saúde! E, como é Carnaval, ninguém vos há-de levar a mal!...
(Nota de rodapé: Os desfiles de Carnaval em Almada, no molde em que são feitos ainda hoje, remontam aos anos 80 do século passado - e não se chamavam desfiles, mas sim corsos. Eram, nesse tempo, organizados pela União de Sindicatos do Concelho de Almada, com o apoio de Câmara e de algumas entidades do movimento associativo local. Eu, por acaso, até participei, de diversas formas, nesses carnavais passados. Poderia contar-vos muitas histórias sobre isso.
Acontece que - desculpem lá repetir isto - estou sem acesso a computadores onde possa trabalhar. Portanto, ficamos assim, por agora. Um dia conto-vos o resto.)
Calendário perpétuo, para vos ajudar a saber as datas de carnavais passados (e futuros, já agora) em:
www.cosmobrain.com.br/lua/calendario.php

sexta-feira, janeiro 25, 2008

PROCURA-SE !!!


Este é o retrato-robot do sr. António Carlos Mota Ferreira (supõe-se que seja esse o nome, mas não temos a certeza…).
O indivíduo é procurado por suspeita de ter cometido os seguintes actos ilícitos:

Lava as mãos (sempre que: urina ou defeca; mexe em coisas sujas; prepara refeições; almoça, janta, lancha ou simplesmente petisca. Há quem afirme também tê-lo visto lavar as mãos depois de brincar com cães sujos ou com gatos fedorentos – mas isso é uma suspeita não confirmada. A outras também não são confirmadas, mas enfim… parecem ser mais credíveis. Porque sim.)

Não comunica ou recusa-se a falar (com pessoas que, sistematicamente, não entendem – ou fingem não entender – as coisas que lhes são ditas e explicadas, e explicadas repetidamente, muitas e muitas vezes).

Acresce que – a avaliar pela imagem que temos dele, e que reproduzimos – o indivíduo acima referenciado deve sofrer de anomalia psíquica grave (olhem para ele e digam lá se não é verdade…).
Com base nos dados de que dispomos, supõe-se, portanto, que o senhor António Carlos Mota Ferreira constitui uma séria e grave ameaça para si próprio e para os que com ele são forçados a conviver.
Deduz-se, também, que o suspeito terá recusado submeter-se a tratamento psiquiátrico que (diz-se por aí, logo deve ser verdade) já lhe terá sido proposto.

Ora, estes pressupostos (avalizados pela imagem acima reproduzida, e pelas opiniões expressas por quem não o conhece), permitem-nos – penso eu de que - agir em conformidade com a Lei nº 36/98, de 24 de Julho (Lei da Saúde Mental) e enviar o indivíduo para avaliação psiquiátrica urgente, com vista a posterior internamento em estabelecimento de Saúde devidamente licenciado para o efeito.

Pede-se, portanto, (e ao abrigo da Lei supracitada) a quem souber do paradeiro do sr. António Carlos Mota Ferreira, que o comunique, com urgência, à autoridade policial mais próxima, ou à Delegada de Saúde do Concelho de Almada, para que estas autoridades do Estado possam tomar as devidas providências a fim de encaminhar tão nefasto indivíduo a local onde possa receber o devido tratamento, em regime de internato, longe dos olhares e do convívio dos pacatos e cumpridores cidadãos que constituem esta nossa sociedade contemporânea, saudável e normalizada de acordo com as regras das instâncias comunitárias que tutelam este sub-sector da vida em comum.

A bem da Nação (e da indústria farmacêutica)

Publique-se

Dr. Abreu Santinho
Pessiquiatra e jurixta nas horas vagas


PS: Se, por azar, as suspeitas que recaem sobre o indivíduo não se confirmarem após a necessária avaliação psiquiátrica… olha, azar!...
Azar o dele!
Deixem lá, não se preocupem com isso. Denunciem-no na mesma, e depois logo se vê.
Pensam que o tipo vos pode acusar de alguma coisa?
De quê? Difamação? Irregularidades processuais?
De o nome dele, afinal, nem ser António Carlos Mota Ferreira?
E o que é que isso interessa?
Bah! São coisas perfeitamente irrelevantes.
“Peanuts”, como dizem os americanos.


Anexos:

Da lei 36/98 (Lei da Saúde Mental)

Capítulo II
Do internamento compulsivo
Secção I
Disposições gerais

Artigo 8.º;
Princípios gerais
1 - O internamento compulsivo só pode ser determinado quando for a única forma de
garantir a submissão a tratamento do internado e finda logo que cessem os
fundamentos que lhe deram causa.
2 - O internamento compulsivo só pode ser determinado se for proporcionado ao
grau de perigo e ao bem jurídico em causa.
3 - Sempre que possível o internamento é substituído por tratamento em regime
ambulatório.
4 - As restrições aos direitos fundamentais decorrentes do internamento compulsivo
são as estritamente necessárias e adequadas à efectividade do tratamento e à
segurança e normalidade do funcionamento do estabelecimento, nos termos do
respectivo regulamento interno.

Secção III
Internamento
Artigo 12.º;
Pressupostos
1 - O portador de anomalia psíquica grave que crie, por força dela, uma situação de
perigo para bens jurídicos, de relevante valor, próprios ou alheios, de natureza
pessoal ou patrimonial, e recuse submeter-se ao necessário tratamento médico pode
ser internado em estabelecimento adequado.
2 - Pode ainda ser internado o portador de anomalia psíquica grave que não possua
o discernimento necessário para avaliar o sentido e alcance do consentimento,
quando a ausência de tratamento deteriore de forma acentuada o seu estado.
Artigo 13.º;
Legitimidade
1 - Tem legitimidade para requerer o internamento compulsivo o representante legal
do portador de anomalia psíquica, qualquer pessoa com legitimidade para requerer a
sua interdição, as autoridades de saúde pública e o Ministério Público.
2 - Sempre que algum médico verifique no exercício das suas funções uma anomalia
psíquica com os efeitos previstos no artigo 12.º; pode comunicá-la à autoridade de
saúde pública competente para os efeitos do disposto no número anterior.
3 - Se a verificação ocorrer no decurso de um internamento voluntário tem também
legitimidade para requerer o internamento compulsivo o director clínico do
estabelecimento.
Artigo 14.º;
Requerimento
1 - O requerimento, dirigido ao tribunal competente, é formulado por escrito, sem
quaisquer formalidades especiais, devendo conter a descrição dos factos que
fundamentam a pretensão do requerente.
2 - Sempre que possível, o requerimento deve ser instruído com elementos que
possam contribuir para a decisão do juiz, nomeadamente relatórios clínicopsiquiátricos
e psicossociais.


Texto completo da lei (em documento .pdf):
www.estig.ipbeja.pt/~ac_direito/LSMental.pdf

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Apesar de Você (Chico Buarque)

Um desafio: descubram, neste vídeo (de uma música que - note-se - foi feita a pensar na ditadura militar brasileira) , as imagens do 25 de Abril, em Portugal.

Para saber mais sobre o regime militar brasileiro:

pt.wikipedia.org/wiki/Ditadura_militar_no_Brasil_%281964-1985%29

E sobre o movimento Diretas Já (ou seja, a primeira grande manifestação de massas bem sucedida contra o regime opressor):

pt.wikipedia.org/wiki/Diretas_J%C3%A1

(PS: Se julgam que estou com isto a tentar enviar alguma mensagem tipo "a arrogância tem limites" ou "não há castelo que não caia"... epá, pensem o que quiserem... à vontade!... Afinal, estamos num país livre. Não estamos?)

quinta-feira, janeiro 17, 2008

(agora uma pequenina liberdade poética...)

Há por aí muitos que utilizam os poderes que lhe foram confiados...


como se usassem... um pente?

pois, sim: como se utilizassem este pente...


E isso é muito feio: o Poder não é um pente!
Sabiam?

(nas imagens: eu, fotografado por Miguel Nuno Vargas)

PS (que, como estou farto de vos dizer, significa post scriptum): a explicação está algures nos artigos que aparecem abaixo deste pequenino devaneio poético. Se, mesmo assim, não perceberem... ó meus amigos, que hei-de eu dizer-vos mais?...

terça-feira, janeiro 08, 2008

Imagine...


Imagine o leitor que alguém que não gosta de si (ou que está, apenas, chateado consigo) resolve fazer-lhe uma partida... digamos uma partida daquelas de Carnaval.
Imagine o leitor que essa pessoa é amiga de alguém que tenha um pequenino cargo numa instituição descentralizada do Estado, tipo... deixa cá ver... tipo delegada de Saúde do Concelho de Almada.
E imagine, já agora, que essa pessoa - que não gosta de si, ou que está chateada consigo - mete uma “cunha” à delegada de Saúde do Concelho de Almada para que esta titular de um cargo do Estado apresente num tribunal uma queixa contra si, vulgar cidadão, e isto porque... porque... Hum...aqui a coisa começa a complicar-se... Uma queixa contra si, porque... Porquê??? Alguém quer dar palpites?
Ora bem... parece que o caro leitor não cometeu nenhum crime, não é suspeito de ter cometido nenhum, nem sequer existem motivos para crer que você esteja a planear fazê-lo... Portanto, uma queixa (uma queixa da delegada de Saúde, não do Zé do bar da esquina, note-se) talvez não, talvez seja demais... mas (que tal esta dica, já que estamos a falar de saúde?) porque não apresentar um pedido a esse tribunal para que o caro leitor seja presente a uma consulta psiquiátrica? Pode ser uma boa forma de o intimidar, não lhe parece?
E porque havia o caro leitor de ser presente a uma consulta psiquiátrica? O caro leitor está com problemas comportamentais? Bem... vamos admitir que a pessoa que foi meter a “cunha” à delegada de Saúde do Concelho de Almada pensa que sim, embora não saiba muito bem como fundamentar essa suspeita (e passemos, por agora, adiante no que diz respeito aos problemas comportamentais – não fictícios mas, infelizmente, bem reais - dessa mesma pessoa que faz a queixa à delegada de Saúde).
Vamos, então, admitir que sim senhor, que o caro leitor até precisa de acompanhamento psiquiátrico (algo que até nem seria de estranhar, nos dias que correm, e numa sociedade onde os problemas se “resolvem” com medicamentos que “tratam” os sintomas sem atacar a origem da doença... no caso de se tratar mesmo de uma doença). Então, para que alguém peça a um tribunal que você seja levado a uma consulta psiquiátrica... bem... isso significa que o seu caso é grave, e grave de uma forma muito evidente!... Parece que você, caro leitor, tem problemas sério, que não só o afectam a si próprio,mas também aos que o rodeiam (e que, por essa razão, se sentem ameaçados pelos seus actos).
E parece também que você se andou a baldar: não foi às consultas que (devido ao seu comportamento) aqueles que lhe estão próximos, e "só querem o seu bem", lhe marcaram, ou – pior! - recusou que lhe marcassem consultas, acha que isso de consultas psiquiátricas é só para “os malucos”... (ou então está tão mal, anda tão fora da realidade, que nem consegue tomar as suas próprias decisões – mas, sinceramente, esta última hipótese é tão extrema que nem eu próprio não quero crer que seja esse o seu caso, estimado leitor).
Não é nada disso? Nunca lhe falaram, sequer, nessa hipótese de o leitor ir a uma consulta psiquiátrica? E, se não lhe fizeram tal proposta, você também não poderia ter recusado (como é óbvio, não, é?..), logo, não o poderiam obrigar a fazer algo que era apenas para o seu bem, mas que você recusa e, por isso mesmo, tem de ser levado à força!
Pois... Eu já calculava que não era nada disso! Mas então, como justificar o pedido à instituição judicial (e à policial, também) para que esta(s) tome(m) medidas preventivas contra si?... Bem, deixa ver por onde podemos pegar... Já sei: o sujeito (o prezado leitor) deve ser avaliado porque” lava muitas vezes as mãos, e não fala com ninguém” (é absurdo, como tudo o resto nesta história, mas vamos imaginar que é assim mesmo, sic – expressão latina que, como sabem, se traduz em português por “textualmente”) ... Além disso, diz que você, refractário leitor, recusa-se a ir a uma consulta, mesmo que não lhe tenham perguntado, nem proposto nada (parece que há pessoas que o conhecem melhor que você se conhece a si próprio, desprevenido leitor) portanto temos mesmo que o obrigar a ir, para que perca essas manias de lavar as mãos e não falar com ninguém (coisa que, calculo eu, a avaliar pelo que atrás ficou escrito, até nem é verdade – e, de resto, suponho que você até lava as mãos só naquelas ocasiões normais, como depois de ir à casa de banho ou antes das refeições... e não tem problemas em falar com as pessoas, mesmo que às vezes esteja farto de aturar gente parva).
Pequeno pormenor sem qualquer importância: sabe você, caro leitor, não pode chegar ao pé da delegada de Saúde do Concelho de Almada (ou de qualquer outro concelho) e pedir-lhe que accione o sistema judicial português (e uma força policial, e os bombeiros, e o sistema nacional de saúde...) para levar alguém a uma consulta psiquiátrica? Não pode, não senhor! Pelo menos, não o pode fazer com esse tipo de argumentos.
Sabia? Eu sei.
A delegada de saúde do Concelho de Almada também sabe (aliás, ela teve a amabilidade de me esclarecer esta dúvida, quando eu fui pesquisar algumas coisas para elaborar esta historieta - que já se sabe, só pode ser pura ficção... - e lhe perguntei se - imaginemos... - eu tivesse em casa alguém que colocasse sistematicamente em risco a sua saúde e a dos outros, poderia eu pedir à senhora delegada que fizesse entrar num tribunal um pedido para que essa suposta pessoa fosse intimada pelas forças policiais a apresentar-se numa consulta psiquiátrica). Foi-me respondido que, nesse caso, eu não o poderia fazer... Mas – lá está – isso é um pormenor que, se você for amigo (ou amigo de um amigo) de alguém que seja titular do cargo público, não terá importância absolutamente nenhuma. Como se viu neste caso – que, de tão estranho, só pode ser inventado, já se vê... (Deve ser por isso que se costuma dizer que um gajo sem amigos não é ninguém.)
Hummm... Depois de ler estas coisas, o caro leitor deve achar que, se calhar, quem precisa mesmo de acompanhamento psiquiátrico sou eu, que ando para aqui a disparatar alarvemente, não é?
Aliás, para inventar coisas tão parvas, tão absurdas, devo estar a delirar. Ou então estou drogado. Só posso!
Onde é que já se viu alguém chegar com argumentos desses a uma autoridade de saúde? Bem... se calhar até já se viu... Mas onde é que já se viu uma autoridade de saúde dar seguimento a uma “queixa” tão mal fundamentada? Nããão! Não pode ser!
Agora, só faltava que (imaginando nós que havia um tribunal disposto a acolher semelhante “queixa” sem fundamento) algum Meretíssimo Doutor Juíz resolvia dizer que sim senhor, o sujeito de quem se diz (diz-se, apenas, sem provas) lavar muitas vezes as mãos e não falar com ninguém deve ser notificado para ir a uma consulta de Psiquiatria, e que a notificação lhe deve ser entregue por uma autoridade policial – que, no caso do sujeito em questão – você, caro leitor - seria a GNR (Guarda Nacional Republicana).
Mas – melhor ainda – calcule que a delegada de saúde do Concelho de Almada, não sabendo o seu nome mas conhecendo a sua residência (vamos admitir que você se chama António Carlos Ferreira Vitorino, e mora na Rua Sopa de Urtigas, Lote 45, Bairro do Picapau Amarelo), pede ao tribunal que notifique um António Carlos Mota Ferreira, residente na Rua Sopa de Urtigas, Lote 45, Bairro do Picapau Amarelo (coisa que só poderia acontecer se esta história fosse real – e não pode ser, não é?), e o tribunal entrega à GNR uma notificação em nome desse António Carlos Mota Ferreira (que, pelo menos nesta história, não existe, como já vos expliquei).
Ainda melhor: e que tal se for interpelado pela GNR, na via pública, porque os dois agentes da autoridade, depois de muito olharem para si, ficam convencidos que você é mesmo a pessoa que eles procuram (repare o caro leitor que você, supostamente, não é suspeito de nada – porque não cometeu nenhum crime, tem o seu cadastro limpo, e nunca manifestou intenção de fazer nenhum acto ilegal - mas a GNR “identifica-o” visualmente na rua, como se tivesse a sua foto em algum ficheiro, ou como se alguém o tivesse apontado a dedo - ou seja, denunciado, por um crime que você não cometeu, não se preparava para cometer, e, aliás, nem isso sequer lhe tinha passado pela cabeça!) .
E então, perguntam-lhe se você é o tal António Carlos Mota Ferreira, residente na Rua Sopa de Urtigas, Lote 45, Bairro do Picapau Amarelo e se não se importa de os acompanhar até ao posto, onde têm um papel para você assinar, coisa que não demora nada e até o lhe dão boleia depois, de regresso ao local onde o encontraram – ou seja, à tal paragem de autocarro (o que siginifica também uma de duas coisas: ou eles são espertos e você, leitor, é estúpido; ou então convenceram-nos mesmo que iam levar um maluquinho ao hospital – o que deve ser mais ou menos a mesma coisa, não é?...)
Imagine agora, prezado leitor, que nesse dia você até estava sem documentos de identificação. Quer dizer: você assegurava que não senhor, o seu nome não correspondia ao da suposta pessoa que eles procuravam. E perguntavam-lhe, então, se a morada era a mesma. E o leitor, como não queria mentir à autoridade, respondia que sim, a morada correspondia, embora o nome fosse diferente. E, porque não queria ser acusado de resistir à autoridade, lá ía... assinar o tal “papelinho” e ficar à espera que os agentes o levassem de volta ao local onde o interpelaram (ingénuo leitor!...).
Coisa tão estúpida, não é? Obviamente, assim que o desprevenido leitor chegasse ao posto da GNR, tal excesso de zelo seria logo rectificado: você não tem o nome que está no tal “papelinho” (emanado pelo tribunal), portanto, o tal “papelinho” não seria válido, não é?
Afinal, vivemos num Estado de Direito, e mesmo que, por hipótese absurda, a delegada de Saúde tivesse pedido ao tribunal para emitir essa ordem (coisa que, nessas circusntâncias, não tem legitimidade para fazer), e se, por hipótese ainda mais absurda, o tribunal tivesse emitido tal ordem, ela não seria válida, porque a pessoa notificada não existe... pelo menos não existe naquela residência. Logo, o mais natural seria rectificar o erro, e mandar embora o “suspeito” (de quê?) identificado visualmente (como?) por engano. Seria, não seria?
Pois. Mas então, se em vez disso os agentes da autoridade “corrigissem” o seu nome, alegando que “se a morada era aquela, então você é a pessoa que procuramos”?
E então lá o faziam esperar, suponhamos que no posto da GNR da Trafaria, e – ah, pois, já me esquecia – sem nunca lhe dizerem exactamente onde o levavam (apenas “a uma consulta” – embora você, leitor, que não é estúpido, já tivesse percebido qual a “especialidade”).
E isso durante cerca de uma hora, sentado num banco de madeira, à espera de uma ambulância dos Bombeiros que tinha sido “fretada” expressamente para o levar (é que os bombeiros, tal como a GNR, tal como os tribunais, tal como a delegada de Saúde, não têm, aparentemente, coisas importantes com as quais se preocupar), a ver os senhores agentes embevecidos pelo serviço bem cumprido (levar um maluquinho ao hospital) e, ainda por cima, perguntando-lhe (pergunta retórica, já se vê...): “você sabe a que consulta vai, não sabe, senhor António?”.
Perguntará agora o caro leitor como terminaria esta história, se fosse real.Alguém que é levado, desta forma, escoltado por um elemento da GNR e dois bombeiros, a uma consulta de Psiquiatria (urgência psiquiátrica do Hospital Curry Cabral, em Lisboa, no dia 2 de Outubro de 2007), tem certamente problemas graves – mesmo que escreva num blogue uma historieta em jeito de auto-justificação, não é assim?
Será?
Imagine, caro leitor, que esta história tinha acontecido mesmo, e que tinha acontecido consigo (é tão absurda que parece não ser possível, mas, mesmo assim, imagine).
Você ficava, impávido e sereno, à espera que lhe fizessem a próxima?

Tive a honra de trabalhar, também, na primeira edição de uma revista de Economia!


Em Abril de 2002 eu, que não percebo nada de finanças (nem consta que tenha biblioteca), fui convidadado para integrar a primeira redacção da revista País Económico – uma publicação dirigida por Jorge Alegria (que tinha então terminado a sua parceria no projecto Sem Mais). Claro que aceitei: uma coisa são finanças, outra é Economia!

Eu, que até nem percebia muito nem de uma coisa nem de outra, lá fui - para aprender, trabalhando nessa matéria.

A minha passagem pelo País Económico foi, também, a oportunidade de voltar a trabalhar com o grande Armando Faria (um jornalista que, desde o tempo do Sem Mais Jornal, sempre conheci como meu chefe de redacção), e... Bem, foi mais que isso: foi fazer uma revista inteira “a meias” com ele. E foi estar um mês a morar em Setúbal (como se eu tivesse saudades dessa terreola, desse lugarejo...) em casa dele e da respectiva esposa (a quem, aproveitando o ensejo, quero saudar cordialmente).

Depois, por razões que não vou explicar agora para não vos dar seca (mas que talvez tenha de explicar mais tarde), fiquei, outra vez, sem condições para trabalhar. E pronto: até hoje nunca mais fui o mesmo (ainda experimentei tele-marketing e derivados, mas – contrariamente ao que acontece com a minha família mais “chegada” – eu cá não tenho jeitinho nenhum para enganar as pessoas).

Eu, no Sem Mais Jornal, pela segunda (e última) vez


Durante o ano de 2001, estive a trabalhar no jornal Sem Mais, em Setúbal. Foi um regresso à casa que eu conhecia já desde o arranque desse projecto (o que aconteceu em 1998, como vos disse aqui).

Esse ano de 2001 foi o meu período profissional mais profícuo. Já tinha aprendido muito, nos locais por onde tinha passado anteriormente (e com algumas das pessoas com quem tinha trabalhado). Estava, então, a atingir o auge da minha carreira profisional. Mas, para lá chegar, tive de fazer algumas cedências (e não temos todos que as fazer?...).
Tive, por exemplo, que ir morar para Setúbal. Foi essa a maior exigência – ou, melhor dizendo: a condição "sine qua non" – que os contratadores me impuseram.
E porquê? Porque não acreditavam que, se eu ficasse em Almada, conseguisse desempenhar com lealdade as funções que me eram confiadas.
(Claro que eles tinham razão. Só que não era pelos motivos que eles pensavam: era porque, em Almada, eu estava “refém” dos caprichos de alguns familiares, que sempre me prejudicaram a vida e pouco me ajudaram... mas não vou, por agora, dar-vos mais "seca" com esse assunto.)
Um post scriptum: em Setúbal, nessa segunda passagem pelo Sem Mais – jornal e revista – e, já agora, pelo Jornal da Região, onde voltei a escrever, mas em circunstâncias já muito diferentes daquelas que anteriormente vos contei aqui – fiquei a conhecer mais dois profissionais com quem gostei muito de trabalhar: o Carlos Carvalho, que ainda lá está, e a Mariana Moreira, que era fotógrafa é das poucas pessoas com quem trabalhei a quem posso hoje chamar amigo, ou, no caso, amiga.

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Temporariamente encerrado...

... até que eu tenha, novamente, acesso a um computador

(coisa que, provavelmente,só irá acontecer já em 2008).

quinta-feira, dezembro 27, 2007

Esta Cidade


Quer eu queira quer não queira
Esta cidade
Há-de ser uma fronteira
E a verdade
Cada vez menos
Cada vez menos
Verdadeira
Quer eu queira
Quer não queira
No meio desta liberdade
Filhos da puta
Sem razão
E sem sentido
No meio da rua
Nua crua e bruta
Eu luto sempre do outro lado da luta
A polícia já tem o meu nome
Minha foto está no ficheiro
Porque eu não me rendo
porque eu não me vendo
Nem por ideais
Nem por dinheiro
E como eu sou e quero ser sempre assim
Um rio que corre sem princípio nem fim
O poder podre dos homens normais
Está a tentar dar cabo de mim
Cabo de mim

Letra: João Gentil
Música: Xutos e Pontapés

(Do álbum “Circo de Feras”, 1987)

Site oficial da banda:
www.xutos.pt

E aqui, um vídeo dos Xutos, com esta canção.

sábado, dezembro 22, 2007

Uma história (verdadeira) de Natal...

Dezembro de 2000. Eu, ainda em Portalegre. A minha relação com a pessoa que me convencera a ir viver para lá, terminara. O meu trabalho na oficina da Opel (foi muito interessante, mas não vem agora para o caso), terminara. (O Jornal D’Hoje, para mim, já tinha terminado em Abril desse ano...). Já não estava a fazer nada naquela terra.Por volta destes dias, perto do Natal... Encontro, no “Jardim do Tarro” (zona central de Portalegre) o Raul Tavares (director do Sem Mais Jornal, semanário em que eu trabalhara anteriormente), que estivera a passar uns dias de férias em Marvão. Mais uma coincidência espantosa: calhou encontrarmo-nos nesse que era o meu último dia em Portalegre.

(Já estão a adivinhar que, pouco depois, eu voltava a trabalhar para o Sem Mais, não estão? Voltei, sim – e foi o período da minha vida mais produtivo, em termos profissionais. Falarei sobre isso noutra ocasião.)


Combinado, então, o meu regresso ao Sem Mais Jornal, faltava-me combinar o meu regresso... a casa (casa da minha mãe – ou, melhor dizendo, do meu padrasto).Ora, a minha mãe tentou convencer-me a não voltar, porque as coisas estavam “muito más”. Mas, enfim, nunca tinham estado muito boas, pensei eu. E não havia, já, nenhuma volta a dar à minha situação em

Portalegre. (Mal sabia eu, ainda, o que me esperava...)Então, nas vésperas do Natal de 2000, regresso a Almada. E vejo,

na viagem:

Um trémulo grupo de criancinhas e jovens adultos, algures pelo caminho, numa rotunda rodoviária profusamente iluminada, à noite, a “representar” aquilo a que se chama um “presépio humano”. E a palavra “representar” está aqui entre aspas porque, coitados, o que eles faziam era, apenas, acenar aos carros (e autocarros, como foi o caso) que passavam naquela rotunda. Numa noite de Dezembro, com um frio de rachar! Estão a ver a ideia? (Peregrina ideia...! Espero que, ao idiota que a teve, alguém tenha obrigado a participar na mesma “representação” do presépio, em semelhante rotunda rodoviária, e sob condições atmosféricas idênticas! Seria uma questão de justiça, não é?)

E vejo, quando chego a casa:

Um certo familiar que muito me roubou, muito património meu destruiu, muito me prejudicou a vida (etc, etc...), empoleirado nuns andaimes da “casa da minha mãe”(o prédio estava em obras, ou melhor dizendo, em pinturas de fachada...), num quinto andar, a tentar abrir esta janela que ele próprio, com muito jeitinho, tinha previamente partido junto à fechadura.

E, como não a conseguia abrir, (pois já alguém se tinha encarregue de impedir que a janela abrisse - porque também já tinha percebido, finalmente, que não era a primeira vez que ele assaltava essa e outras casas), virou-se para mim, o pobrezito, ameaçando que se eu não lhe abrisse a janela a bem, abria a mal.

Mas vejamos melhor, para não restarem dúvidas:


Claro que ninguém lhe abriu a janela. Nem a bem nem a mal, coitadito.
E o que interessa tudo isso, perguntarão vocês?
Bem... vejamos... se eu fui, há pouco tempo, identificado perla GNR, na rua, quando estava parado, quieto, à espera do autocarro, e fui identificado não com o meu nome, mas com a morada, e só porque moro numa casa onde esse menino se notabilizou pelos seus actos criminosos (foi ele, não fui eu...); e se, com este frio todo, a janela continua na mesma, partida, há 7-sete-7 anos!... (mesmo depois de quem a partiu ter sido aceite novamente naquela casa, lá ter vivido e ninguém o ter obrigado a pagar o que roubou, e a repôr o que destruiu); e se...
Hum, pois, deixem lá, não interessa. Façam de conta que já não está cá quem falou.

Feliz Natal!!!

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Jornal D’Hoje (Portalegre, 1999/2000)

O semanário Jornal D’Hoje foi um projecto do jornalista Rui Vasco Neto, feito em Portalegre, na transição do século 20 para o século 21.
Irreverente e desafiador dos poderes instituídos – à imagem do seu criador, aliás – o Jornal D’Hoje tinha tudo para ser um fracasso editorial, numa terra tão conservadora como era então a “capital do Norte Alentejano”.
E, como se previa (e como muitos caciques locais desejaram, e trabalharam para tal), acabou mesmo por ser um fracasso, em termos de viabilidade editorial. Mas foi, também, um grande exemplo do que deve ser a comunicação social local: informativa, atenta, interveniente, sem cedências nem compromissos.
Um jornal que, como se costuma dizer (e porque era feito à imagem do seu criador, repito), chamava os bois pelos nomes. Ou seja: fazia jornalismo. Mesmo correndo o risco de chatear alguns poderes, locais, regionais, ou mesmo nacionais.E era mesmo isso que se pretendia: dizer as verdades (revelá-las) sobre um dois distritos portugueses mais deprimidos e subdesenvolvidos (não porque “não gostássemos de Portalegre”- e, portanto, só tinhamos era que “voltar para a nossa terra”, como nos foi sugerido várias vezes pelos arautos da mentalidade “xenófoba” local – mas apenas porque era esse o âmbito territorial do periódico em questão). E propunha-mo-nos a revelar essas verdades, doesse a quem doesse.

Ora leiam este excerto do editorial do número zero (9 de Dezembro de 1999), assinado pelo director, Rui Vasco Neto:

«Em Portugal já não se usam palavras. Usam-se meias palavras para tudo, do insulto ao elogio, da ordem à sugestão.
A palavra de ordem é não hostilizar, contemporizar, dialogar, negociar, enganar, se for preciso! – mas não agitar.(...)
Ser politicamente correcto é, nos dias de hoje, tão imprescindível como o telemóvel. Quem não é não está contactável. Pior: não é contactável.(...)
Todas as suas perguntas têm cabimento no JornalD’Hoje. A nossa função é essa, perguntar e obter resposta às perguntas. E quando os senhores que se sentam na coisa pública como se fosse só deles torcerem o público nariz de desagrado pela insistência (...) há sempre uns que se calam.
Gostaria de dizer aos leitores deste jornal que há sempre uns quantos outros que perguntam outra vez o que querem saber e mais outra e outra (...) até à resposta final. E que depois vão confirmar a resposta.
Têm um nome, esses. Chamam-se jornalistas. Bem vindo ao mundo da informação regional, com qualidade nacional.»
Claro que, com esta declaração de intenções, o Jornal D’Hoje estava, logo à nascença, em “guerra” com os poderes então instituídos no “norte alentejano”. E que poderes eram esses? Bem, deixa cá ver se me lembro... eram 10 concelhos dominados pelo Partido Socialista (que estava então também no Governo do país), em 15 dos que compõem o distrito de Portalegre (os outros 5 eram “repartidos” pela CDU e pelo PSD – mas o PS tinha os mais importantes: Portalegre, Elvas, Ponte de Sôr, Campo Maior...). E não era apenas a “proporção” ou “desproporção”de forças que estava ali em causa: era uma lógica de concentração de poderes, de hegemonia. E de asfixiamento das vozes eventualmente rebeldes.
Em Portalegre... fiéis ao objectivo de fazer informação rigorosa, sem cedências e ouvido sempre todas as partes interessadas num determinado assunto... sempre que falávamos com a “oposição”, tentávamos ouvir, também, a maioria (entenda-se, os autarcas do PS). Mas era, precisamente, essa maioria (com a própria Câmara de Portalegre à cabeça) quem colocava obstáculos ao nosso dever de informar.
Era habitual eu terminar os meus trabalhos com frases como “o Jornal D’Hoje tentou ouvir a Câmara de Portalegre, que não se mostrou disponível para prestar declarações”, ou então “na Câmara de Portalegre, disseram-nos que a única pessoa autorizada a falar sobre o assunto seria o presidente, mas só marcando entrevista, e o senhor presidente não estava disponível para entrevistas”.

Não acreditam? Julgam que estou a exagerar?Leiam, então, a seguinte história real:




Ou esta, não menos verdadeira:



Pois: era assim mesmo que as coisas se passavam!
“Desculpem lá, mas é que o senhor presidente não fala para um certo órgão de comunicação social local”. E não falava, sobre nada! Ou quase: certa noite, depois nós, Jornal D’Hoje, termos noticiado, em exclusivo uma “bronca” política que tinha acontecido na Associação de Municípios do Norte Alentejano (notícia escrita por mim, a partir de fontes que não podia identificar – mas que tinhas estado nessa reunião), mandámos um jornalista esperar o senhor presidente à porta dos Paços do Conselho. E porquê? Porque ele tinha apresentado a demiossão do cargo que ocupava na Associação de Municípios, e nós julgámos que isso devia ser explicado... aos munícipes. Ouvindo a versão que nos tinha chegado da “oposição” e, depois, o que tinha o senhor presidente a dizer sobre o mesmo assunto.
Era essa a nossa obrigação, enquanto jornalistas.
E, se não foi a primeira vez (não tenho a certeza), foi certamente a última que o senhor presidente falou para o Jornal D’Hoje. Vejam lá o descaramento desses jornalistas (que, ainda por cima, nem são de cá) a querer incomodar o senhor presidente com perguntas incómodas!
Enfim, não “incomodávamos” só o presidente da Câmara de Portalegre.
Também “chateámos” um bocado outros detentores
de cargos políticos, como, por exemplo... ora deixa cá ver... pois, o senhor Governador Civil!... (Uma parte dessa história já foi contada aqui.) E, escusado será dizer – hummm... será mesmo escusado?... – que não nos movia qualquer intuito de “perseguição” a esses titulares de cargos públicos. Era, digo-vos mais uma vez, a nossa obrigação, enquanto jornalistas: informar, fazer serviço público.
Além disso, o Jornal D'Hoje teve ainda o mérito de recuperar - e logo na tão conservadora Portalegre - esta preciosa e esquecida tradição dos "ardinas". Pois, isso mesmo: uns jovens que, expressamente "contratados" para o efeito, e trajados a rigor, abanavam a letargia da cidade, com pregões, tipo "ólhó Jornal D'Hoje!". E isso é outra história que merece ser contada (mas que, por agora, fica aqui apenas brevemente referida, quase como nota de rodapé).
Bem, sobre a minha experiência profissional em Portalegre, havia tantas outras coisas interessantes para contar!...
Mas fica para a próxima, que esta dissertação – e esta série de artigos – já vão longas!

Só mais uma coisa, muito a propósito: eu já me tenho referido aqui ao Código Deontológico dos Jornalistas Portugueses – documento aprovado em 1993, que é um exemplo de auto-regulação profissional. Ora bem: eu, que começara a minha carreira profissional em 1992, na Rádio Baía – e que já passara por outros órgãos de comunicação social – só mesmo em Portalegre, e no Jornal D’Hoje fiquei a conhecer o texto integral. Sabem porquê? Porque o director, Rui Vasco Neto, fez questão de o afixar na sala da redacção. E mais: aconselhou-nos a ter sempre presente aquele – valioso – código de conduta.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Homenagem a um dos meus poetas preferidos (e uma das minhas maiores influências): Alexandre O'Neill


Lamúria do cego que antes o fosse

Quando era cego eu previa
(que freguesia!)
o que ia acontecer.
Era o que se dizia…

Mas agora, que bem vejo,
só agoiro do que vejo
e já ninguém me quer crer…

Porquê,
se todos o podem ver!

Alexandre O’Neill
(nascido em Lisboa, a 19 de Dezembro de 1924; falecido na mesma capital do mesmo império, a 21 de Agosto de 1986).
Mais poemas de O’Neill, no Debaixo do Bulcão:

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Eis que chego, finalmente, a Portalegre

Já sei que corro o risco de chatear os visitantes deste blogue, e de perder os meus fiéis leitores (podem entender isto como uma piada, se quiserem). Mas é que preciso mesmo de continuar o relato das minhas deambulações profissionais. Há por aí quem tenha feito um esforço para varrer isto para debaixo do tapete. E eu cá estou, a levantá-lo (o tapete), para mostrar o que foi escondido.

Portanto, chego agora ao ano de 1999 - e a Portalegre, essa belíssima e chatíssima capital do “Norte Alentejano”. (E com isto fica já despachada mais uma parte das “audiências”...)

Ora, andava eu cá por Almada, quando conheço uma mulher portalegrense que me convence a ir morar com ela lá para o sopé da Serra de São Mamede. E eu, tão convencido fiquei que fui mesmo. (Por isso e para ver se me livrava, finalmente, de um certo familiar que me andava a prejudicar, com roubos, destruição de património, ameaças, etc. – e que, nesse tempo, sem que eu o soubesse, era também já, ele, arguido num caso de agressões continuadas... Mas adiante.)

Então, chego a Portalegre, sem nenhum plano a não ser essa lamechice do “amor e uma cabana” – e, como já disse, muita vontede de não aturar mais criminosos.

Ainda pensei (ingénuo que eu era!...) em enviar o meu curriculum para o jornal “de referência” lá da terrinha: o Fonte Nova. (Não sabia eu que, para o Fonte Nova – e para a generalidade dos portalegrenses, como constatei depois – os “estrangeiros” baixam a bolinha, comem e calam, se não estão contentes vão lá para Lisboa, e essas coisas a que o poeta nefelibata Affonso Gallo tão espirituosamente se refere no seu Soneto Portalegrense, que é um bonito poema de 14 versos – duas quadras e dois tercetos -, escrito todo ele em decassílabos, e que podem ler acedendo ao blogue desse autor, ou simplesmente clicando em: affonsogallo.blogspot.com/2007/01/soneto-portalegrense.html.)

Mas, oh meus amigos!... Pelo menos uma vez na vida os deuses, o destino e essas coisas todas, estiveram comigo: assim que lá cheguei havia um novo projecto editorial a pedir jornalistas. E, ainda por cima, era um projecto editorial liderado por um “estrangeirado” (estrangeirado em relação à mentalidade portalegrense), de seu nome Rui Vasco Neto (jornalista que tinha passado antes pelo Tal&Qual, no tempo em que esse periódico tinha alguma qualidade – e que vocês são capazes de conhecer de um produto televisivo que ele fez mais tarde, na TVI, chamado “Vidas Reais”...).

Rui Vasco Neto e eu, António Vitorino... Deve ser difícil conjugar duas personalidades tão opostas, não é? É pois! Garanto-vos eu, que conheço ambos.

Mas (julgo que por isso mesmo, justiça lhe seja feita) ele, Rui Vasco Neto (ou o Senhor Rui, como lhe chamavam os seus empregados...) aceitou a minha candidatura. E mais: convidou-me para ser “coordenador de redacção” do projecto que estava a nascer: o semanário Jornal D’Hoje. Uma parceria (melhor: uma relação suserano-vassalo) algo “contra-natura” que, mais tarde ou mais cedo, teria que dar para o torto.

E deu.
Mas, entretanto, fez-se (fizémos) uma espécie de “revolução” na comunicação social daquela terra.

Não sei se teve consequências. Não sei como está, hoje, o panorama editorial portalegrense.
Mas sei que até o Fonte Nova (jornal “oficioso”, alinhado pelos poderes da região) mudou, para melhor, nesse tempo, com a concorrência que “nós”, Jornal D’Hoje, lhe fizémos.

Agora, após estes anos todos, olho para o Fonte Nova e fico com vontade de rir (como podem ver, aquele sou eu, estou – após estes anos todos - a ler o Fonte Nova, e estou a rir-me). Mas é um riso ternurento, garanto-vos. Até porque a minha passagem por Portalegre teve, também, o efeito de me fazer olhar com menos arrogância para coisas que eu anteriormente considerava extremamente pirosas, insignificantes, de mau gosto, próprias de gente sub-desenvolvida... Enfim, aprendi a ter mais calma com essas coisas.

Foi, em suma, o meu “banho” de “país real”.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Charles Chaplin - The Great Dictator

No dia da assinatura do Tratado de Lisboa, Coisitas do Vitorino aproveita para homengear outro grande visionário político, um homem que sonhou com uma Europa unida... (Refiro-me, obviamente a Charles Chaplin!...)

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Eu e os “meus amigos”

Este artigo esteve quase quase para se chamar”jornalismo a metro... ou ao centímetro”, porque, como já vos disse (aqui), o Jornal da Região era (no tempo em que eu lá trabalhei) excessivamente compartimentado. A informação tinha de se encaixar nos espaços pré-paginados (que eram iguais, em, todas as edições).

Assim, a notícia de primeira página – que era a mais extensa - tinha, salvo erro, três mil caracteres (e não era “no máximo 3 mil caracteres”: era mesmo 3 mil!...) com uma “margem de erro” muito pequena. E a secção “Pessoas”, que aparecia sempre na primeira página, era a mais “rigorosa”: quinhentos caracteres, com “tolerância” de... digamos, meia-dúzia deles.

Era preciso cá uma “ginástica” para escrever assim, ao centímetro!...

Mas eu hoje não venho aqui para me queixar de metros, nem de centímetros. Venho lembrar outra história, muito gira, sobre a minha passagem pelo JR. É que, como já vos disse, havia lá “chefes” que não gostavam de mim, porque eu era comunista, porque “favorecia a Câmara de Almada”, porque “ouvia pouco a sociedade civil”, porque “tinha mau aspecto”, e porque, nessa secção “Pessoas”... “entrevistava muito os meus amigos” – o que, trocado em miúdos, queria dizer que valorizava demasiado “pessoas” que não o mereciam.
Ora bem, é minha honra e meu privilégio (e, porque não dizê-lo, meu prazer) apresentar-vos agora alguns dos “meus amigos” que coloquei nessa secção “Pessoas” do Jornal da Região:


Para o caso de vocês, leitores deste blogue, não conhecerem alguém, aqui vai a informação complementar:


Luísa Trindade, ilustradora e cartoonista; Joaquim Benite, director da Companhia de Teatro de Almada; “Pac Man”, aliás Carlos Nobre, ou Carlão, vocalista dos Da Weasel (que hoje são uma das mais reconhecidas e aplaudidas bandas portuguesas, mas que não eram propriamente uns “desconhecidos” em 1998); Fernando Jorge Lopes, director do Teatro Extremo; Alexandra Sargento, actriz; Rui Tavares, talvez o mais conceituado (e premiado) fotógrafo angolano (mas que tem o terrível “defeito” de ser muito discreto e, por isso mesmo, pouco conhecido em Portugal – e que, a propósito, é o dono do computador em que estou a escrever este texto!); Fernando Rebelo, professor do ensino secundário, actor, cronista na imprensa local e, naquela época, director da Oficina de Teatro de Almada; Rui Cerveira, elemento do Teatro Extremo e director do festival Sementes – Mostra de Artes para o “pequeno público”; Ana Francisco, nadadora que em 1998 era “só” campeã junior da Europa (não me lembro em que especialidade) – mas esta eu, por acaso, até nem conhecia de lado nenhum (a não ser da TV): limitei-me a entrevistá-la, antes de um treino; e...


Bem, o que aqui aparece está longe de ser a totalidade das “notas biográficas” que coloquei naquela secção do JR, mas parece-me que já é o suficiente para vocês verem quem eram, afinal, os “meus amigos”, não?


E, para não dizerem que estou a cuspir na sopa que me deram, eu confesso que sim senhor, fazer este tipo de trabalho foi importante, fez-me “crescer” como redactor (talvez não tanto como jornalista...), fez-me ser mais rigoroso no “acabamento” dos meus trabalhos, e tal... Mas não tenho saudades, nem vontade, de o fazer novamente.


É, mesmo, das tais coisas que, se eu pudesse voltar atrás, só faria se não tivesse alternativas.
(Por acaso, assim de repente até nem me lembro se as tinha... e, se as tinha, quais eram.)

segunda-feira, dezembro 10, 2007

O Jornal da Região: duas ou três coisas que sei sobre ele


O Jornal da Região (JR) é um semanário de distribuição gratuita (foi, aliás, pioneiro em Portugal nessa “fórmula”). Publicação generalista, procura sempre divulgar aquele tipo de notícia local, específica do espaço geográfico que cobre. É, assim, por definição, e apesar de se chamar Jornal “da Região”, o verdadeiro órgão de comunicação “local” (a maior parte da imprensa “local” é, na verdade – e ainda bem! – regional).
Ora, isto não é novidade para ninguém!, dir-me-ão.
Pois.
Mas sabem que o JR era escrito em Setúbal, pela mesma empresa que edita o Sem Mais Jornal? (E parece que ainda é, mas sobre isso não vou falar, porque já lá não estou.) Sabem que, por ter (naquele tempo...) uma estrutura demasiadamente rígida, obrigava os redactores a procurar notícias mesmo onde elas não existiam? E sabem que quem mandava no jornal tinha uma “cegueira” anti-comunista tão grande, que chegou mesmo a deturpar factos (leia-se: textos escritos por um jornalista) só para poder atacar a Câmara Municipal de Almada?
Eu sei, porque estive lá, desde 1998. “Ouvi agora, senhores, uma estória de pasmar...” ou, bem vistas as coisas, talvez não!

De terra em terra?


Quando cheguei à redacção do Sem Mais Jornal foi, como é óbvio, para escrever nesse jornal. Mas deram-me, também, a espinhosa tarefa (sem mais, e sem aspas) de fazer, ao mesmo tempo, o Jornal da Região, edição de Almada.
E porquê?
Porque a SadoPress (empresa proprietária das edições Sem Mais) tinha chegado a um muito proveitoso acordo com o “grupo Balsemão” (proprietário das edições do Jornal da Região), que lhes permitia sustentar financeiramente o novo semanário Sem Mais Jornal. Assim, a redacção do Sem Mais fazia também o Jornal da Região (nesse tempo, ainda só o de Almada). E este era “o que nos pagava os salários” (talvez eu devesse ter metido esta também sem aspas, mas enfim...).
A ideia – e a proposta que me foi apresentada, e que aceitei - era, então, escrever o noticiário mais substancial, porque o restante (a secção “De Terra em Terra”e mais algumas coisitas) seria feito por uma “rede de correspondentes”, que estaria a ser criada. Ora, o problema é que, estando a rede de correspondentes “a ser criada”, não estava ainda criada. E este vosso criado, sem dar por ela, ficou – rapidamente e em permanência – a fazer a edição do Jornal da Região de Almada... digamos que quase de ponta a ponta.
“Quase de ponta a ponta” incluia (além da secção das “cartas dos leitores”... como podem verificar, clicando aqui), a mui famigerada secção “De Terra em Terra” – ou seja, a tal dos “correspondentes locais”.
Tenho de confessar que esta espinhosa tarefa (outra vez sem aspas) até tinha o seu quê de divertido. Era engraçadíssimo ir com o chefe de redacção da Sem Mais (o Armando Faria que, pobre dele, nessas ocasiões fazia as vezes de meu “motorista” e fotógrafo), ou “apenas” com um fotógrafo (que fazia também as vezes de meu “motorista” – é que eu não tenho carta de condução, estão a ver?....)... bem, dizia eu que era engraçadíssimo irmos por aí fora, de terra em terra, à procura de um buraco no pavimento, de umas pedras soltas na calçada, de uma “lixeira contra-natura” (sic), ou de sinais de trânsito vandalizados por grafitis... (E antes que digam alguma coisa, deixem-me esclarecer que, naquele tempo, ainda não havia obras do metro de superfície... portanto, havia menos buracos nas ruas de Almada.)
A gente divertia-se tanto, mas mesmo tanto, que certa vez chegámos mesmo a considerar a hipótese de formarmos uma brigada para irmos, de noite, à socapa, munidos de picaretas, abrir buracos nas ruas de Almada, só para termos notícias para o Jornal da Região! (Estou a ser sarcástico, obviamente – dissémos isso, sim, mas apenas como piada. Capisce?) Enfim, essa obsessão dos donos do JR por buracos em terras almadenses acabou por ter, para mim, a grande vantagem de trabalhar frequentemente com o grande jornalista Armando Faria e com o não menos grande “repórter fotográfico” (ou, se preferirem, “foto-jornalista”) Flávio Andrade.
Havia outros, mas não eram tão competentes.

“Moradores indignados com a Câmara”???


Isto de que vos estou a falar passou-se entre 1998 e 1999. Nesse tempo estava eu a morar em Almada e ia a Setúbal apenas para escrever os artigos (para o JR e para o Sem Mais Jornal, bem entendido).
Como a última carreira de autocarros para Cacilhas era, salvo erro, às onze e meia da noite, e como eu não tinha vontade nenhuma de ficar fechado na redacção (onde estava sozinho, algumas vezes) até à manhã seguinte, lá tinha que me despachar a escrever os textos.
Olhem, aconteceu-me isso, por exemplo, na malfadada final do Mundial de Futebol de 1998. Foi quando a França deu três secos ao Brasil, lembram-se? Mas lembram-se mesmo? É que eu não me lembro lá muito bem: nessa noite, estava na redacção, a trabalhar, sozinho (pois, pudera: todos os outros tinham ido ver o jogo!...) com um olho no écran do computador e outro no écran da televisão.
Ora, chateado como estava pelo resultado do jogo, e com pressa para apanhar o último autocarro, deixei o texto escrito (para ser enviado, no dia seguinte, via internet, para os “chefes”, em Albarraque, arredores de Lisboa), mas não fiz o título, nem compuz o “lead”(para quem não sabe, o “lead” de uma notícia são aquelas linhas que aparecem destacadas no início do texto, e serve para evidenciar as principais linhas da informação que se pretende transmitir).
O texto referia-se à contestação que existia na Costa de Caparica por causa de uma tentativa de ampliar um parque de campismo, dificultando (mais ainda) o acesso à praia, a partir da zona de Santo António. Havia queixas da população, e do presidente da Junta de Freguesia (do PSD, a propósito...), contra a empresa proprietária do parque e contra as entidades que tutelam aquele território. Mas não havia nenhuma referência à Câmara de Almada... porque a edilidade não é “proprietária” daquele território, e porque ninguém a tinha acusado de coisa nenhuma (nem a tinham referido, aliás).

Pois sabem vocês o que – para minha surpresa – apareceu na edição do Jornal da Região?
Título: «Moradores contra privatização da mata» (o que era verdade, aliás)
Lied: «Numa altura em que muitos querem acabar com os parques de campismo nas matas e dunas da Costa de Caparica, a Câmara vendeu uma parcela de mata na Quinta de Santo António para alargamento do parque de campismo. Os moradores protestam e acusam a edilidade de privatizar a mata. A Associação de Desenvolvimento Turístico da Costa de Caparica apoia o protesto, mas “vai esperar para ver”.»
Deixem-me repetir: ninguém acusou a Câmara de vender nada que não lhe pertencesse. E Não fui eu quem escreveu isto!
Quem foi, então? E com que objectivos?
Oh, meus amigos!... Isso seria a pergunta de um milhão de dólares. Mas eu cá não me vou arriscar a responder.
Mas pensam, talvez, que isto foi um caso isolado, um equívoco... uma gaffe?...
Olhem que não, amigos, olhem que não!

Eu, redactor clandestino


Eu nunca escondi, em lado nenhum, as minhas opções políticas. Sou comunista por convicção política e ideológica, embora não exerça militância em nenhum partido desde que comecei a minha carreira profissional como jornalista (e isto, entenda-se, não é nenhuma crítica aos que tomaram a opção de ser jornalistas mantendo a sua militância partidária).
E isso nunca me causou problemas profissionais. Nunca, a não ser, precisamente, no Jornal da Região.
Pois, amiguinhos: a certa altura, fui “despedido” pelos “chefões” (de Albarraque, arredores de Lisboa). Porquê? Porque “alegadamente” favorecia muito a Câmara de Almada, não ouvia a “sociedade civil” (naquele tempo dizia-se mais “as forças vivas”, mas é exactamente a mesma coisa)... ah, e tinha mau aspecto! E, claro, porque era “comuna”, logo apoiante da autarquia que os senhores do JR tanto ser esforçavam por denegrir (isso não foi assumido – nem o podia ser – mas foi-me comunicado por colegas de redacção).
Isso mesmo!
A coisa aconteceu assim:

Um certo dia, em reportagem com um fotógrafo (que fazia também de “motorista”) tivemos de passar lá por Albarraque (onde estava a “chefia de redacção” do JR) e a “chefe de redacção” ficou a conhecer-me, em pessoa. E não gostou: parece que eu estava com um ar ressacado (de álcool, apenas – não se entusiasmem). Claro que o “ar ressacado” (eu repito apenas o que me disseram... não sei se estava mesmo, ou se foi apenas um pretexto) não me impedia de fazer o JR - como já disse - praticamente de uma ponta a outra. Mas a “chefe de redacção” estava, aparerntemente, nas tintas para esse “pormenor”.
Pois bem: eu também não gostava dessa senhora, mesmo sem a conhecer. Não gostava das “correcções” que ela fazia às minhas notícias (aquela que refiro acima, sobre a Mata de Santo António, não foi a única, diga-se..); não gostava do modo histérico como ela berrava ao telefone com o Armando Faria (e não só). Não gostava, em suma, da sua arrogância (e da incompetência que demonstrou, em determinadas situações).
Mas eu não a podia despedir. Ela, no entanto, podia fazer com que me “despedissem” a mim. Podia fazer, e fez.!
Agora, o mais engraçado... Pensam vocês que eu deixei mesmo de escrever (n)o Jornal da Região?
Não deixei, não senhor! Continuei a escrevê-lo (embora “clandestinamente”) enquanto estive a trabalhar para a empresa que editava também o Sem Mais Jornal. E não me queixei disso, nem queixo!
Aliás, quem poderia ter razões de queixa seriam alguns dos meus colegas, que tiveram, a partir daí, de assumir, perante a “fera” que era a “chefe de redacção”, textos (que não escreveram) dos quais ela não gostava (porque eu continuei a escrever da mesma maneira – nisso, sou muito limitado...), e pelos quais eles tinham de aturar sessões de gritaria histérica ao telefone.
Eu cá não me chateio com isso.Os artigos que escrevia continuavam a ser publicados - não assinados, mas antes também não o eram.
E, assinando ou não, “clandestino” ou às claras, eu cá ganhava o mesmo!
Ganhava o quê?
Experiência, meus amigos! Experiência!...

(Em 2001 voltei à redacção da Sem Mais e retomei, também, a minha colaboração no JR; mas aí já foi com outra “chefia”, e apenas para fazer entrevistas – e, também, com a devida, e justa, remuneração. Ainda hei-de falar-vos disso, descansem. Não estou aqui para aldrabar ninguém!)

“Cartas ao director” (entre aspas, porque é uma piada)


Como já vos expliquei (aqui), o Jornal da Região (JR, para abreviar) era muito compartimentado. E uma das secções que não podia faltar, nunca, era o “Diálogo com o Leitor”. Ou seja: o espaço que o jornal tinha reservado para publicar as cartas dos seus leitores.

Até aqui, tudo bem.
A chatice é que, quase sempre, não chegavam nenhumas cartas de leitores à redacção do jornal (que, como também já vos disse, era a mesma redacção do Sem Mais Jornal, em Setúbal).
Mas o espaço tinha de ser preenchido. Sempre. Em cada uma das edições.
Portanto... se não havia... olha, inventava-se!
Esta carta, que hoje, reproduzo, é inventada: foi escrita por mim, António Vitorino.
Para dizer a verdade, a situação nela descrita é (ou era) bem real. Mas acontece que ninguém se queixou. Foi um “desenrascanço” de última hora.
Eu conto-vos a história.
Numa certa noite desses tempos de boémia almadense (escrever isto faz-me sentir velhote, mas paciência...) fui a casa dos meus amigos João Gomes e Mónica Cristina beber uns grandes copos e, eventualmente, fumar alguma substância proibida, derivada de uma planta chamada Cannabis (pois, nesse tempo eu ainda fazia essas coisas). Essa casa ficava na tal rua João Schwalbach, referenciada no texto.
Eu - que até me assustei com o nome da rua: fez-me lembrar um vómito prematuro – nem reparei no tal “enorme buraco”. Por isso mesmo, quando (num dos atribulados fechos de edição do JR) comecei a telefonar aos meus amigos, para ver se algum se lembrava de alguma situação que pudesse dar um “Diálogo com o Leitor”, fiquei algo surpreendido quando o João Gomes me indicou essa questão.
Mas foi a minha safa. Portanto, disse obrigadinho - porreiro, pá! – e lá me desenrasquei a escrever a “carta do leitor”.
Isto é, pois, uma de várias “cartas” inventadas, que o JR publicou, durante esse ano de 1998. Eu cá até preferia não ter inventado nada. Um jornalista não é jornalista para andar a inventar coisas. Mas (repito) a paginação daquele jornal era tão rígida que a isso nos obrigava.
E, se acharam que esta história até nem é muito interessante... eu concordo convosco: não é. Tenho outras bem mais interessantes.
Mas esta é, para mim, e para quem me conheceu nesse tempo, também uma piada privada. Que (por ser privada) não vou explicar melhor.
Ficamos assim.