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quinta-feira, junho 09, 2011

Legislativas 2011: resultados em Almada


Resultados oficiais (provisórios) das eleições para a Assembleia da República no concelho de Almada. (Entre parêntesis, os resultados das legislativas de 2009):

PS
27,94% (35,57%)
24.833 votos (31.702)

PPD/PSD
27,49% (18,57%)
24.433 votos (16.556)

PCP-PEV
17,01% (17,36%)
15.116 votos (15.474)

CDS-PP
12,32% (9,09%)
10.950 votos (8.100)

BE
6,62% (13,12%)
5.879 votos (8.100)

Como habitualmente, o concelho de Almada segue a tendência nacional em eleições legislativas: neste caso, PSD e CDS aumentam a votação; PS, CDU e BE descem - à semelhança do que acontece no total nacional (nota: a CDU, mesmo perdendo votos, elege mais um deputado, pelo círculo eleitoral de Faro).

Fonte, com todos os resultados oficiais: site da Direcção Geral da Administração Interna (DGAE)
http://www.legislativas2011.mj.pt/Link

domingo, junho 05, 2011

Portugal, anos 80, Portugal hoje: descubra (ou faça) a diferença



(Na foto: manifestação de estudantes em 1987, frente ao Ministério da Educação e Cultura, liderado então por João de Deus Pinheiro/PSD)

Entre 1983 e 1985 Portugal teve um governo de bloco central PS/PSD. A partir de 1985, um governo minoritário do PSD, com Cavaco Silva como primeiro-ministro. Foram tempos de grande crise económica (com "ajuda" do FMI, desde 1983), de grandes lutas de massas com gigantescas manifestações de muitos milhares de pessoas, e de repressão e atantados contra as liberdades democrática (num desses anos, até a habitual manifestação de 25 de Abril, no Rossio, foi cercada pelo Corpo de Intervenção da PSP!!!).

Depois de tanta crise, tanta luta e tanta resistência, o PRD apresentou uma moção de censura na Assembleia da República (aprovada com votos a favor de PS, PCP e seus aliados e, naturalmente, do PRD) que fez cair o governo e convocar eleições antecipadas. Fomos então a votos. E, contrariando todas as expectativas, foi o PSD (Cavaco Silva) quem ganhou, e com maioria absoluta.

Assim se desperiçaram tantas energias, tantas lutas... E apartir daí a direita neoliberal instalou-se no poder, de onde ainda não saiu. Porque os revolucionários daquele tempo não levaram a luta até ao voto. Erraram por excesso de confiança.

As semelhanças com a realidade actual parecem-me óbvias (*). O desfecho é que pode ser diferente.

Ou vamos, agora, cometer o mesm o erro?

(*) embora a realidade actual me pareça, comparada com a dos anos 80, uma realidade diminuida... mas isso é conversa para outra ocasião.

sábado, janeiro 22, 2011

segunda-feira, outubro 12, 2009

O vencedor das eleições em Almada: PCTP/MRPP!!! (Vá lá, não se riam.... Ou preferiam que eu dissesse que foi o PS, para ter ainda mais piada?)


Em Almada, o PCTP/MRPP obteve uns espantosos 4,55% na votação para a Câmara Municipal. Resultado histórico em escrutínios autárquicos neste concelho. Com esta votação, o PCTP/MRPP foi o principal (para não dizer mesmo o único) responsável pela perda da maioria absoluta (e de um mandato) por parte da CDU.

Então, se o objectivo da "oposição" para estas eleições era tirar a maioria à CDU, e se quem o conseguiu fazer, na prática, foi o PCTP/MRPP - logo é esse o partido vencedor das eleições!


Elementar, meus caros!

Podem os "socialistas" tirar o cavalinho da chuva - desceram (mais uma vez!...) em votos e em percentagem - e agradecer aos camaradas do Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado o facto de estes terem conquistado votos que, em circunstãncias normais, iriam para a CDU.

É habitual dizer-se, no futebol, perante resultados inesperados que "só foi surpresa para quem não viu o jogo". Ora neste caso, adaptando a lógica futeboleira a coisas mais sérias, podemos dizer que o resultado do MRPP só foi surpresa para quem não viu o boletim de voto.

E, para quem não é de cá, para quem não viu o boletim de voto, ou para quem viu mas não observou com atenção, (agora já vão tarde, amiguinhos...), eu explico.

Nos boletins para a Assembleia Municipal e para a Assembleia de Freguesia (pelo menos para a minha...) a lista que aparecia em primeiro lugar, no topo, era a da CDU: foice e martelo mais girassol. Nos boletins para a Câmara Municipal, aparecia em primeiro lugar o PCTP/MRPP (foice e martelo, só) e logo abaixo a CDU. Há muitos anos que há quem faça confusão com os símbolos - imagine-se, então, o que terá acontecido agora!

Eu já sei que, por esta altura, haverá leitores a acusar-me de ser falacioso e a dizer que estou à procura de desculpas para a "derrota" (que nem o foi, aliás...) da CDU.

Está bem. Então vamos lá a factos. Ou seja: aos números oficiais do escrutínio, para Câmara e Assembleia Municipal - disponíveis em http://www.autarquicas2009.mj.pt/ - e vamos comparar as votações para os dois órgãos, e compará-las, também com as de há 4 anos. É assim:

Câmara Municipal:

CDU: 38,67% 27.521 votos 5 mandatos
(em 2005: 42,32%; 28.799; 6 )
PS: 23,86% 16.984 votos 3 mandatos
(em 2005: 25,63%; 17.437; 3)
PSD: 15,42% 10.977 votos 2 mandatos
(em 2005: 17,58%; 11.959; 2)
BE: 7,81% 5.555 votos 1 mandato
(em 2005: 7,03%; 4.785; 0)
PCTP/MRPP: 4,55% 3.237 votos !!!
(em 2005: 1,39%; 948 votos)


Compare-se isto com oa resultados para a Assembleia Municipal:

CDU: 38.33% 27.247; 14 mandatos
(38.81% 26.406; 14)
PS: 25.59% 18.190; 9 mandatos
(26.47% 18.011; 10)
PSD: 16.22% 11.527; 5 mandatos
(17.54% 11.936; 6)
BE: 9.96% 7.078; 3 mandatos
(9.6% 6.534; 3)

(PCTP/MRPP não concorreu à AM em ambos os actos eleitorais)

Como dizia um ex-patrão meu, social-democrata e tudo (para variar um bocado), "contas são contas"!

Como dizia, na noite das legislativas, o líder máximo do PS e primeiro-ministro acabadinho de indigitar, "só não vê quem não quer"!

Houve uma óbvia transferência de votos da CDU para o PCTP/MRPP. Resultado: a CDU ganha a Câmara, desta vez sem maioria absoluta e perde um vereador para o Bloco de Esquerda. Dito de outra forma: ao BE cai-lhe um menino... perdão, um mandato ao colo sem que (bem vistas as coisas) tenha feito muito para o merecer.

Já na Assembleia Municipal, a CDU tem uma vitória inequívoca, ao passo que a "rosinha", mais uma vez, sai meio murcha. Depois de tantos anos a fazer política rasteira.

Parece que nunca mais aprendem, estes "socialistas" em Almada! (Mas provavelmente ainda vão cantar vitória - estou para ver se antes ou depois de dizerem que falaciosos são os comunistas!...)

Enfim, como dizia outro famoso "socialista" - é a vida!
Ou, neste caso, o voto dos eleitores.

domingo, outubro 11, 2009

Autárquicas 2009, Em Almada


Cartoon de Luísa Trindade para o jornal Sul Expresso, em 1996. O contexto é outro, mas a alegoria continua actual. Em Almada, pelo menos...

sexta-feira, outubro 09, 2009

Razões para votar CDU, em Almada




Quatro razões fundamentais para votar CDU este domingo:


Porque a CDU tem um projecto de futuro, alicercado na experiência e nas lições do passado.


Para continuar a fazer de Almada, uma cidade mais saudável - em todos os sentidos da palavra.


Porque conheço a gestão do PS noutras câmaras do país: incompetente, demagógica, hegemónica e mesmo anti-democrática. Não quero esse estilo de "governação" em Almada.


Porque sei do que é capaz este PS almadense: intrigas, calúnias, oportunismo político, e mesmo desrespeito pelas leis do Estado Democrático quando pretendem atingir os objectivos que mais lhes interessam.


Passo a explicar, ponto por ponto:

1 - Quando vim para Almada, em 1973, a cidade terminava onde hoje começa a avenida Bento Gonçalves. Daí para diante, era descampado, barracas, falta de saneamento básico e de abastecimento de água.


Eu vivi num desses bairros de barracas: o Raposo de Baixo. Conheci essa realidade e vi (vejo) como a gestão autárquica resolveu os problemas - e resolveu-os melhor que a generalidade das câmaras que gerem grandes cidades.

A cidade de Almada era um amontoado de prédios, sem ordenamento, quase sem espaços verdes. Ordenar esta urbe, fazer deste território um espaço agradável para se viver, parecia quase a "missão impossível". A CDU não apenas conseguiu fazê-lo, como tornou esta cidade e
este concelho um dos mais reconhecidos em termos de qualidade de vida, no espaço geográfico em que se insere (a Área Metropolitana de Lisboa). "Um dos mais reconhecidos", digo eu? Pois: lembremo-nos, por exemplo, do que disse a esse respeito uma personalidade tão insuspeita de simpatias comunistas como o Professor José Hermano Saraiva, no programa que veio fazer a Almada.

Almada tem, hoje, uma rede de equipamentos culturais, desportivos e educativos que, sem ser já "topo de gama" (como era nos anos 90, com as, nesse tempo, tão denegridas "obras do regime": Complexo Municipal dos Desportos, Fórum Romeu Correia, etc.) é uma rede de
proximidade, servindo cada vez mais as pessoas. E tem uma estratégia para fazer desses equipamentos espaços cada vez mais utilizados.


Tudo isto não é novidade, nem é segredo para ninguém: está no programa eleitoral da CDU - Almada.

2 - Quero ver Almada mais saudável. Menos poluída, mais eco-eficiente. E mais saudável, também, em termos de participação e de cidadania.


A implementação do Metro Sul do Tejo (e a consequente requalificação dos espaços urbanos) é talvez o aspecto mais visível desta estratégia.


Mas há também toda a requalificação prevista, para a cidade e para o concelho, tendo em vista optimizar recursos e consumos de energia, diminuir os impactos negativos das actividades humanas no equilíbro ecológico do território em que vivemos - e, portanto, do planeta inteiro.


Há, por exemplo, a "cidade da água", em Cacilhas - mas isso é, apenas, um dos projectos (talvez o mais "espectacular" - mas só um) dos que podem ser consultados no site da CDU - Almada.



E é importante que, na prática, todas estas alterações na vida da cidade e do concelho sejam debatidas com os principais interessados: os cidadãos, os habitantes deste espaço comum. A lei prevê mecanismos para tal: por exemplo, os períodos de consulta pública de projectos estratégicos. Mas a Câmara de Almada tem levado esse esforço mais longe. Sabem quantos foram os Fóruns de Participação sobre o MST realizados em Almada? Eu não sei, não me lembro - mas foram muitos, e muito divulgados.


Quem lá quis ir, conhecer o projecto e dar a sua opinião, foi, conheceu e contribuiu para o debate.

É assim - e não com "bocas" anónimas e aproveitamento político de propostas alheias - que se promove a cidadania, a participação política, a saúde da democracia portuguesa!


Quantos municípios expõem desta forma aos seus cidadãos os projectos que mexem com a vida da colectividade? Não certamente os do PS, que eu conheci, porque neles estive a trabalhar e a morar: Portalegre e Setúbal... Mas falarei disso, resumidamente. E é já a seguir.


3 - Conheci Setúbal durante os anos 90; Portalegre entre 1999 e 2000. Câmaras geridas, com prepotência e arrogância, pelo PS.

Morei em Setúbal durante todo o ano de 2001. Tempos de gestão autárquica PS, do então presidente de Câmara Mata Cáceres, com um estilo meio caciqueiro, em alguns aspectos não muito diferente de outros "famosos" autarcas portugueses... Eu não tinha grandes razões de
queixa: trabalhava numa empresa de comunicação social gerida por pessoas afectas ao PS e ao PSD. (Afectas significa, neste caso "militantes", mesmo - e, em certos casos, militantes com alguma influência na hierarquia do partido).

Eu não tinha razão de queixa dessa gestão PS - mas o povo setubalense tinha, e - nesse mesmo ano - correu com os "socialistas" para dar lugar à CDU. E parece que assim vai continuar. Os eleitores de Setúbal lá saberão porquê.

Foi em Portalegre (cidade e distrito) que vi a gestão autárquica PS em todo o seu esplendor. O PS tinha, então, 10 de 15 Câmaras, e exercia o poder de forma arrogante, sem qualquer respeito pela opinião dos outros, e sem resolver problemas básicos da população.

Eu tive o azar de trabalhar para um jornal independente - o Jornal D'Hoje - não alinhado com qualquer poder local e (pior ainda!) não alinhado com o poder local do PS. Impediram-me (impediram-nos!) o acesso a informação, de forma constante e sistemática. Ser jornalista, em
Portalegre, sob um "regime" autárquico PS? Deu no que já contei anteriormente neste blogue.

Por exemplo, aqui:


Liberdade de expressão? Livre acesso à informação? Sobre tal assunto estamos conversados.

Mas, pelo menos, resolviam os problemas das pessoas? Nem por isso. Em Portalegre cidade, por exemplo, na transição do século passado para este, a autarquia PS ainda não tinha resolvido o problema do abastecimento de água à população. E era difícil fazê-lo, numa cidade tão
pequena, no meio de uma serra, com tantas fontes de água? Não, não era: bastava ligar os canos de abastecimento a partir de uma barragem onde a captação era feita. E porque não o fazia uma câmara PS, num tempo em que até o Governo era PS (António Guterres) e, portanto, não criaria grandes entraves à obra? Não me perguntem... Eu, sinceramente, também tinha alguma dificuldade em entender isso.

Mas havia já muita gente que falava em incompetência. E, em 2001, os eleitores de Portalegre cidade (que também não devem ser assim tão parvos) correram com o PS e elegeram - do mal o menos... - um independente, chamado Mata Cáceres, que se candidatou por uma lista do
PSD. E que ainda lá está.


4 - Claro que, em Almada, somos todos mais civilizados. Aqui os "socialistas" não se comportam dessa forma, pos não? Será? Acham mesmo que sim?... Vejamos.

Veja-se, no artigo abaixo deste, o que escrevi sobre uma certa "Rosinha" que escrevia anonimamente num jornal "do PS" e que era, nem mais nem menos que um deputado municipal "socialista" que agora se recandidata ao mesmo órgão autárquico. A "rosinha" já não
deve ter limões - mas continua com ambições políticas - e é suportado pela estrutura do PS concelhio. E integra a lista de Paulo Pedroso!
Note-se também que muitos dos "socialistas" que agora nos prometem "o fututo" são os mesmos que, na década passada, denegriam as realizações da CDU, com argumentos tipo "a transferência do Mercado de Levante vai acabar com o comércio em Almada" ou o Fórum Romeu Correia "vai ser uma casa para a Maria Emília". Eu ouvi barbaridades destas, ditas por pessoas que agora apoiam as listas PS às autarquias almadenses. É isto uma forma responsável e séria de fazer política?

É isto o "futuro" que o PS nos quer impingir? Esta forma rasteira de fazer política, que - pelos vistos - fez escola (é ver o que se passa numa série de blogues "anónimos", de gente que finge não ter relação nenhuma com o PS)?
Mas pronto: isto é "apenas" falta de educação, falta de maturidade democrática, não é?
Talvez...
Mas eu referi, no início deste artigo, que em Almada há gente do PS que não tem problemas em desrespeitar as Leis da República, do Estado de Direito Democrático, para atingir os seus objectivos. E sei do que falo.

Não vou ser muito explícito. Nem devo, porque o caso está entregue à Justiça. Mas já me refri ao assunto, muitas vezes, neste mesmo blogue.
Imaginem que, para fazer um favor pessoal a pessoas que, por acaso, são todas do "partido do Governo", uma pessoa com um cargo de confiança política (do "partido do Governo") aceita uma "cunha" dessas pessoas (do "partido do Governo") e, dessa forma, comete um crime (ou vários - a Justiça decidirá). Mais: demonstra, essa pessoa - que exerce um cargo de confiança política, nomeada pelo "partido do Governo" - que não respeita, nem mesmo conhece, as leis que invoca e que devia fazer respeitar. Reparem: não se trata aqui de uma cunha ao patrão de uma qualquer
empresa. É manipulação do aparelho do Estado por parte do "partido do Governo". O que, em linguagem jurídica, se poderá traduzir (no mínimo) por tráfico de influências.

Isto aconteceu mesmo (repito e insisto, para que fique claro - tanto quanto for possível, por agora) entre gente do "partido do Governo" - ou seja: gente que no PS, em Almada, ocupa cargos de responsabilidade. E que, por isso mesmo, há-de ser responsabilizada, a seu tempo e nos
locais adequados.


E o "partido do Governo" é o PS! É o mesmo PS que, em Almada, promete "o futuro, 35 anos depois".



Mas que futuro podemos esperar desta gente que usa métodos do passado?

Eu não vou na conversa deles. Conheço-os de ginjeira. Não os compro.

Por tudo isto (e por muito mais...), dia 11 de Outubro, voto CDU!

domingo, setembro 27, 2009

Em Almada, o PS desceu e muito. A CDU também, mas menos. Agora vamos às autárquicas.

Legislativas de 2009:

PS 35,57%
31.702 votos
PPD/PSD 18,57%
16.556 votos
PCP-PEV 17,36%
15.474 votos
B.E. 13,12%
11.699 votos
CDS-PP 9,09%
8.100 votos

Legislativas de 2005:

PS 43,9%
40.894 votos
PPD/PSD 17,87%
16.649 votos
PCP-PEV 17,42%
16.228 votos
B.E. 10,29%
9.584 votos
CDS-PP 5,59%
5.204 votos

(Como dizia o outro, é fazer as contas...)

Números oficiais, em
http://www.legislativas2009.mj.pt/

Legislativas 2009: resultados na minha Freguesia

Caparica, Almada (comparação 2005 - 2009):

PS desce de 4.124 votos para 3.272 votos
CDU desce também, mas menos: de 1.898 votos para 1.738 votos
PSD sobe (*) de 1.334 votos para 1.240 votos
BE sobe de 910 votos para 1.197 votos
CDS também sobe: de 411 votos para 767 votos
(E, curiosamente, o PCTP mantém a mesma votação de 2005: 132 votos)

Em resumo: o PS desce muito (quase mil votos); a CDU perde menos (cerca de cem votos); os outros sobem.

Fonte:
http://www.legislativas2009.mj.pt/

(*) aliás, desce. em cima da hora, fiz mal as contas. agradeço ao PréDatado a rectificação.

sábado, setembro 26, 2009

VOTAR


(Reflectindo, no dia à reflexão destinado...)

Eu voto porque gosto de tratar dos meus assuntos. Não gosto que decidam por mim.

Eu voto porque é votando que se defende e reforça a democracia. Esta democracia que é formal, imperfeita, insuficiente - mas a que temos, até ver.

Eu voto até mesmo pela simples razão de que, durante muitos anos, não tive a oportunidade para o fazer (pois não tinha ainda a nacionalidade portuguesa).

Eu voto. Votar é ser socialmente responsável. É delegar poderes em quem confio, e não deixar os meus assuntos só nas mãos daqueles que me prejudicam. É defender as liberdades que nos restam, na democracia imperfeita em que vivemos.

E é, também, um acto de homenagem a todos os que, durante quase 50 anos de ditadura, lutaram e morreram para que eu possa, agora, escolher o que quero para mim, para os meus e para o meu país!

domingo, junho 14, 2009

É a aritmética, estúpido!

Ora aqui está uma das anedotas políticas mais engraçadas dos últimos tempos: o PS perdeu cerca de 9 mil votos em Almada (!) mas, mesmo assim, "canta vitória"!

E "canta vitória" porquê? Bem, parece que é porque conseguiu ser o partido mais votado neste concelho. O PS - que é, há muitas eleições, o partido mais votado em Almada - perdeu 9 mil votos, e ainda assim "canta vitória"? Pois, parece que sim...

Ou seja: nestas eleições, o PS teve resultados desastrosos, mas lá conseguiu ser o partido mais votado em alguns, poucos, concelhos (Almada incluida). E parece que isso é uma vitória!

Eu não sei se isto é não saber fazer contas, tentar atirar poeira para os olhos ou tentar tapar o sol com uma peneira.

Sei, sim, que o PS levou uma "tareia" histórica em quase todos os concelhos do distrito: em comparação com as eleições de 2004 para o Parlamento Europeu, perdeu - para a CDU, já agora (que, já agora, aumentou a sua votação em quase todos os concelhos, incluindo Almada) - os de (por ordem alfabética) Alcácer do Sal, Alcochete, Barreiro, Grândola, Moita, Palmela, Santiago do Cacém, Seixal, Sines. Sim, perdeu a "liderança" nesses todos, e logo para a CDU!

O PS manteve o "estatuto" de partido mais votado em 4 concelhos do distrito (em 2004 tinha vencido em todos os 13 concelhos, note-se!), nos quais, mesmo assim, sofreu perdas significativas: em Almada (onde desce de 44% para 28%), no Montijo (desce de 46% para cerca de 26%), em Sesimbra (de 44% passa para 24%), e em Setúbal (onde desce de 44% para 23%).

Em Almada - concelho que, repito, o PS ganha sempre, exceptuando as autárquicas - perdeu agora em comparação com todos os partidos, ficou a 2 mil votos da CDU (há 5 anos tinham ficado 12 mil votos à frente...). Mas "canta vitória"!

Permitam-me, muito humildemente, fazer a pergunta que se impõe: perder 9 mil votos e obter em Almada um dos piores resultados de sempre é uma vitória?

Não me parece. Aliás, como dizia o outro, é uma questão de fazer as contas.

Recorrendo, por exemplo, aos resultados oficiais destas eleições. E comparando-os com eleições anteriores (europeias, legislativas e autárquicas).

Tudo disponível, para que ninguém fique com dúvidas, num site do Ministério da Justiça português.

Aqui:

terça-feira, junho 09, 2009

"Grande derrota dos comunas em Almada"!!!... O quê, não foi? Não faz mal: inventa-se!



Nas eleições do passado domingo para o Parlamento Europeu, o partido mais votado no concelho de Almada foi o PS, com 15.043 votos (25,74%). A CDU (coligação PCP/PEV) obteve 13.083 votos (22,39%), o PSD 10.800 (18,48%), O Bloco de Esquerda, 8.549 (14,65%), o CDS-PP 3.825 (6,52%).

Além destes (partidos que elegem eurodeputados) há a assinalar o resultado do Movimento Esperança Portugal (MEP), que consegue neste concelho 897 votos (o que corresponde a 1,54%) e fica assim à frente do PCTP-MRPP, partido que obtém 764 votos (1,31%). O número de votos em branco foi expressivo e dá que pensar: no concelho de Almada contabilizaram-se 2.570 (4,4%).


Estes são números oficiais, do Ministério da Justiça português, e podem ser consultados em


Ora, muitos comentadores (e "comentadores" anónimos, também) começaram a debitar na "blogosfera" as mais variadas opiniões. Variadas e disparatadas, em alguns casos. Suponho que por desconhecerem os números reais da votação, há "comentadores" que garantem estarmos a assistir a uma derrota dos "comunas" (porque não conseguiram vencer no concelho, nem na maior parte das freguesias) e, por outro lado, a uma vitória do PS, porque - contrariando a tendência nacional, e distrital - foi o partido mais votado.


A chatice, para esses comentadores (e "comentadores" anónimos) é que os seus comentários não resistem a uma análise da realidade.
E a realidade é a seguinte.

Sobre a suposta "vitória do PS sobre a CDU":


- O Partido Socialista venceu as três últimas eleições para o Parlamento Europeu no concelho de Almada. Obteve em 1999, 23.774 votos (contra 14.366 da CDU); em 2004 conseguiu 24.667 votos (a CDU ficou-se pelos 12.498); este ano votaram no PS 15.043 eleitores (ao passo que a CDU conseguiu 13.083 votos). Portanto, no domingo passado, a CDU subiu e o PS desceu (muito, aliás). Como dizia o outro, é uma questão de fazer as contas... antes de cantar vitória!
Mas há quem queira ver nestes resultados uma derrota "tout-court" dos "comunas" da CDU. Querem, esses comentadores (e, principalmente, os anónimos "comentadores"), aferir destes resultados que a CDU está em declínio - e que isto é uma antevisão do que aí vem, nas eleições autárquicas.


Enfim, são opiniões, ou expectativas... Mas devem ser encaradas apenas como aquilo que são: opiniões e/ou expectativas.
Porque, mais uma vez, a realidade não se encaixa lá muito bem nos argumentos dessa gente (e, nalguns casos, dessas pessoas).
Vejamos, então...


A CDU - que tem a maioria na Câmara, na Assembleia Municipal em 8 das 11 freguesias do concelho - ficou atrás do PS (e em alguns casos, do PSD) nestas eleições. Pois ficou. E então? Não fica sempre, em eleições para o Parlamento Europeu e para a Assembleia da República? E não vence, depois, as autárquicas?
Consultem-se, mais uma vez, os números oficiais relativos ao concelho de Almada:

Eleições para a Assembleia da República,
1999: PS - 38.030 (43,17%); CDU - 19.494 (22,13%)
2002: PS - 35.050 (39,83%); PSD - 23.496 (26,70%); CDU - 15.519 (17,63%)
2005: PS - 40.849 (43,90%); PSD - 16.649 (17,87%); CDU - 16.228 (17,42%).


E, nas autárquicas (resultados da votação para a Câmara Municipal),
2001:
CDU - 27540 (41.41%); PS - 17991 (27.05%); PSD - 11595 (17.43%)
2005:
CDU - 28799 (42,32%); PS - 17437 (25,63%); PSD - 11959 (17,58%)


Portanto, o que há, de facto, a concluir destas eleições, no que diz respeito ao Concelho de Almada, é (na minha opinião) o seguinte:


1 - O Bloco de Esquerda consegue um resultado histórico (acompanhando a tendência nacional).
2 - O PS perde eleitorado de forma drástica, em Almada tal como no resto do país. Consegue, ainda assim, ficar em primeiro lugar, mas a escassos 2 mil votos da CDU (nas últimas eleições para o Parlamento Europeu tinha ficado cerca de 12 mil votos à frente dos "comunas").
3 - A CDU não sofre qualuqer derrota mas, antes pelo contrário, aumenta o número de votos (passa de 12.498 para 13.83, e aumenta o seu "score" percentual, de 21,73% para 22,39%).
4 - Aparece um novo partido, com resultados interessantes (o MEP, que passa a ser o "maior dos mais pequenos" - permitam-me a expressão - com 897 votos, ficando assim à frente do PCTP/MRPP, que obtém 757 votos no território concelhio).
5 - Um notável aumento do voto em branco: 2.570 boletins (4,4% dos votos expressos!), contra 1.396 nas últimas eleições para o PE, e 1.227 nas anteriores, de 1999.


Quanto à "derrota dos comunas"... Desculpem lá, mas não é verdade. Os números (oficiais) dizem que não é!

Eu sei que, em retórica política, para muita gente isso não interessa nada.

Para muita gente, em argumentação política vale tudo, mesmo negar a realidade.
Acontece, porém, que "vale tudo" é um desporto de combate. E chama-se "vale tudo" porque tem elementos técnicos de "todas" as artes marciais (valem todas as técnicas, portanto). Mas mesmo aí há regras. E, de facto, mesmo aí não vale tudo.
Era bom que o mesmo acontecesse no debate político...