
Do sol aos férvidos beijos
Vão lourejando os trigaes,
E brotam vagos desejos
Nos corações virginaes.
Cantando alegres cantigas
Levam noites a dançar,
Rapazes e raparigas
Á branca luz do luar.
Quantas promessas ardentes
Lá vão trocando em segredo
Os namorados frementes,
Por entre o basto arvoredo!
Sobre os campos vicejantes
Voam perfumes suaves,
Que embriagam os amantes
E que entontecem as aves.
Mas de dentro de alguns ninhos
Sae um triste pipilar:
São os pobres passarinhos
Que inda não sabem voar.
Ó mulher, que és doce e boa,
Acreditas n’este horror:
Uma aza que não voa,
Um coração sem amor?
Zélio
