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sábado, maio 10, 2008

Idyllio


Do sol aos férvidos beijos
Vão lourejando os trigaes,
E brotam vagos desejos
Nos corações virginaes.


Cantando alegres cantigas
Levam noites a dançar,
Rapazes e raparigas
Á branca luz do luar.


Quantas promessas ardentes
Lá vão trocando em segredo
Os namorados frementes,
Por entre o basto arvoredo!

Sobre os campos vicejantes
Voam perfumes suaves,
Que embriagam os amantes
E que entontecem as aves.


Mas de dentro de alguns ninhos
Sae um triste pipilar:
São os pobres passarinhos
Que inda não sabem voar.

Ó mulher, que és doce e boa,
Acreditas n’este horror:
Uma aza que não voa,
Um coração sem amor?


Zélio


(Jornal do Domingo, 27 de Março de 1887.
Poema reproduzido conforme a ortografia portuguesa da época.)