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sexta-feira, setembro 23, 2011

A primeira grande angústia da era espacial


Um satélite artificial desgovernado vem a caminho da Terra. Apesar dos esforços de monitorização da NASA, ninguém sabe ao certo onde vai cair. A humanidade, angustiada, liga-se aos órgãos de comunicação social (e aos deuses, quem os tem...) e suspende a respiração, esperando que o satélite norte-americano - que é dos grandes, ainda por cima - não provoque nenhum fim do mundo. E tudo isto é novo: é o primeiro drama global da era espacial.

Falo-vos, obviamente, da queda da estação espacial Skylab, há 32 anos!

"Skylab designa a estação espacial estadunidense que foi lançada ao espaço em 14 de maio de 1973, a uma altitude de 435 km, e reentrou na atmosfera, destruindo-se prematuramente, em 1979." (Wikipédia)



Como qualquer objecto que entra na atmosfera terrestre, desintegrou-se. Mas era um objecto realmente grande. Alguns pedaços chegaram intactos e acabaram por atingir território da Austrália - sem vítimas nem grandes danos a registar. Vejam a reportagem:

terça-feira, junho 01, 2010

Recordar o Ano Internacional da Criança (1979)


Eu tenho um baú cheio de coisas antigas. E outro cheio de coisas ainda mais antigas. Esta, de 1979, veio quase do fundo do segundo baú.

Ando sem muito tempo para actualizar este blogue. Hoje não é excepção. Mas pensei que seria boa ideia não esquecer o Dia Mundial da Criança. À falta de melhor, deixo-vos aqui este documento: um comunicado da Comissão Municipal criada para as comemorações, em Almada, do Ano Internacional da Criança.

Isto merece ser melhor trabalhado e enquadrado? Pois merece. Mas (repito) não tenho, por agora, disponibilidade para isso.

E haverá, certamente, quem tenha mais tempo e mais talento para o fazer. Fica a sugestão (ou,se preferirem, o desafio).

domingo, março 21, 2010

21 de Março é, também, o Dia Universal do Teatro (ou do teatro de amadores)!?


Convencionou-se comemorar o Dia Mundial do Teatro a 27 de Março. Toda a gente minimamente interessada no assunto sabe isso. Mas sabiam que, a 21 de Março, se comemora também (além dos dias da árvore e floresta e da poesia) o Dia Universal do Teatro, também conhecido como Dia do Teatro Amador (ou do teatro de amadores)?

Eu não sabia, até descobrir este texto, escrito pelo dramaturgo português Jaime Gralheiro para a Associação Portuguesa de Teatro de Amadores e publicado pelo Centro Cultural de Almada em 1979.

Porque existem duas efemérides tão semelhantes e logo em datas tão aproximadas?

Pois, isso também eu gostava de saber. Mas não encontrei documentação sobre o assunto. Há informação, sim, sobre o Dia Mundial do Teatro (27 de Março) mas, sobre o dia do "teatro amador" a informação que encontrei é, além de escassa, inconclusiva (as fontes consultadas não coincidiam nem nas datas que apontam para a efeméride: há quem refira o dia 16 de Dezembro, em vez de 21 de Março...).

Fiquei com vontade de procurar melhor, para esclarecer esta dúvida.

quarta-feira, novembro 25, 2009

Almada, Novembro de 1979


«As crianças não precisam de tempos livres: precisam de uma casa!», ou «Querem brincar com barro? É só levantar o tapete que logo o encontram!» - duas respostas que, há 30 anos, os pais das crianças da zona do Bairro do Matadouro, em Almada, deram a quem queria implementar ali um centro de Actividades de Tempos Livres.


Tais afirmações constam de um interessantíssimo documento, com data de 25 de Novembro de 1979. Nesse - que foi o Ano Internacional da Criança, note-se... - as prioridades eram ainda, em muitas zonas do concelho, o combate à pobreza. Primeiro, à pobreza palpável (uma casa decente, alimentação...). Só depois à pobreza cultural.


Quem, nesse tempo, trabalhava em prol da educação desse pobre povo almadense, merece o máximo respeito e a maior admiração. Trabalharam em condições muito difíceis - e, assim, desbravaram o caminho que as gerações postriores tiveram a felicidade de seguir. (Ainda que hoje exista um retrocesso - aparente, apenas? - nesta e noutras matérias.)


A divulgação que faço deste documento é, então, uma homenagem a esses educadores - e espero que seja entendida apenas como aquilo que é!





«Quando se fez propaganda e o porta-a-porta a explicar a importância dos tempos livres, aos pais das crianças, a resposta que tinhamos - e que não podíamos rebater perante os factos evidentes - era que aos seus filhos fazia-lhes mais falta uma casa do que os tempos livres. Quando para os convencer da importância para o desenvolvimento mental e cultural das crianças lhes falávamos dos trabalhos que os miúdos poderiam fazer, inclusivamente trabalhar com o barro, a resposta que obtinhamos era de que bastaria eles levantarem o tapete para poderem encontrar e amassar o barro. Por outro lado, nós tinhamos consciência plena de que o pouco trabalho que fizemos com o apoio da assistente social que aqui estagiou era de que a felicidade que as crianças mostravam quando trabalhavam connosco, daí a pouco desapareceria quando chegassem a casa. Encontrariam a escuridão do seu bairro, a lama, o lixo e as fossas de todos os dias, a cama molhada pela chuva, e os berros dos pais que não sabiam o que fazer à vida, tudo isto em contraste com as lindas histórias que lhes contácamos e as cores que produziam no papel. Nós sabíamos que as crianças eram crianças quando estavam connosco, mas que depois perante o meio em que viviam se tornavam forçosamente adultas, perante as condições de vida familiares, e nalguns casos a constatação da prostituição descarada das mães.»


(Ver texto completo na caixa de comentários deste blogue)

segunda-feira, junho 01, 2009

O Ano Internacional da Criança (1979) em Almada


Há 30 anos, a Organização das Nações Unidas (pois, a ONU), promoveu a realização do Ano Internacional da Criança (AIC). O Dia Mundial da Criança comemorava-se já desde 1950. Mas, a partir de 1979 - com a realização do AIC - os problemas (e os direitos) das crianças passaram a ser assuntos mais "mediáticos", logo, mais visíveis e mais prementes.

Naquele tempo, as crianças não eram protegidas (nem viam os seus direitos reconhecidos) como são hoje. (E são, de facto, mais protegidas - apesar de alguns acontecimentos recentes poderem suscitar algumas dúvidas...)

Era, então, nessa época, imperativo chamar a atenção para os seus problemas.

O AIC foi - em Portugal, pelo menos - um ponto de viragem na forma como se encaravam esses assuntos. Criou-se uma dinâmica social envolvendo as "forças vivas" (a "sociedade civil", como se diz hoje). Dinâmica que deu origem, por exemplo, ao Instituto de Apoio à Criança (criado no início dos anos 80) e a outras instituições que trabalham para a infância.

Em Almada, existiam já algumas organizações que - desde 1974 - trabalhavam nessa área, fazendo o levantamento das inúmeras carências que existiam por cá, e tentando resolvê-las. Construiam-se parques infantis, creches, salas de actividades de tempos livres...

Mas sobre isso voltarei a referir-me numa próxima ocasião.Hoje, deixo-vos só mais este documento, sobre as comemorações do AIC em Almada.




E um assunto relacionado com este - teatro de fantoches da AIPICA, em 1979 - aqui:

terça-feira, abril 28, 2009

Abril de 1979: uma feira do livro e do disco, para crianças e jovens, em Almada...


...integrada nas comemorações do Ano Internacional da Criança. Se bem me lembro, nessa época, os "anos internacionais" tinham efeitos práticos. Pelo menos alguns deles: o "da criança" (1979) e, mais tarde, o "da juventude" (1985). Enfim, se calhar foram só esses dois... Ou não?

terça-feira, abril 14, 2009

Abril de 1979: comemoração do aniversário da nacionalização da Siderurgia Nacional...


Em 14 e 15 de Abril de 1979, os trabalhadores da Siderurgia Nacional comemoravam o 4º aniversário da nacionalização da empresa.

Nacionalização significava, naquele tempo, o assumir do controlo de uma empresa pelo Estado do país onde essa empresa estava instalada. Não era uma opção de recurso (último?) para "ajudar" uma empresa a sair de situação económica difícil: era, decididamente, uma atitude política, de índole socialista, com o objectivo de controlar - e planificar - a actividade dessa empresa. E aplicava-se a sectores considerados estratégicos para a economia de uma nação.

Resumo do programa das comemorações:
Sábado, 14 de Abril:
Duas visitas à fábrica, para crianças (no âmbito do Ano Internacional da Criança); espectáculo, também para um público infantil (durante a tarde); e, à noite, "variedades" (sic) com Luís Cília e Francisco Fanhais, entre outros.
Domingo, 15 de Abril:
Manhã com várias actividades (içar da bandeira, assinatura do livro de honra, desfile de modalidades do Clube de Pessoal da Siderurgia Nacional). À tarde, sessão solene, com a presença de personalidades como o Professor Rui Luis Gomes, o general Costa Gomes, e (pela ordem em que aparecem no documento citado) elementos do Conselho da Revolução, do Conselho de Gerência (suponho que da empresa...), das câmaras do distrito de Setúbal, da respectiva Assembleia Distrital, da Assembleia Municipal do Seixal, da CGTP, deputados do PS e do PCP e "outras organizações".Para terminar em festa, um sarau de "ginástica infantil, ginástica desportiva, patinagem artística".

O que faço aqui é, apenas (e obviamente), assinalar a efeméride.

Para conhecer a história da Siderurgia Nacional, sugiro visitas a:

Contribuição para a História da Siderurgia Nacional
Paulo Guimarães
(Departamento de História / Cidehus - Universidade de Évora)http://www2.egi.ua.pt/XXIIaphes/Artigos/a%20Guimar%C3%A3es.PDF

1975 : CONSELHO DE MINISTROS ANUNCIA NOVAS NACIONALIZAÇÕES(15/4/75)

Indústria siderúrgica em Portugal. Uma retrospectiva oportuna
Pedro Proença
Revista O Militante, Janeiro 2007

sexta-feira, março 27, 2009

Um mensagem a propósito do Dia Mundial do Teatro... de 1979


Hoje, 27 de Março de 2009, divulgo aqui - como mera curiosidade histórica, já se vê - a "mensagem da secção portuguesa do Instituto Internacional do Teatro", publicada há exactamente 30 anos, e reproduzida, nessa data, pelo Centro Cultural de Almada. Aqui está ela, em texto integral e entre aspas:


«27 de Março de 1979 - Dia Mundial do Teatro

Mensagem da secção portuguesa do Instituto Internacional do Teatro

É bom saber que, no mesmo dia, em vários países, há pessoas a pensarem no mesmo assunto, com o mesmo fim, mas estou certo que de maneiras diferentes. O universal só se encontra quando se estabelece uma finalidade comum à variedade.

O espectáculo teatral, como acontecimento histórico, condicionado portanto pelo tempo e pelo espaço, é a proposta de um tema, a sua elaboração estética e dialéctica, a sua materialização plástica e sonora e finalmente, a sua comunicação humana e social. Desta esquematização do trabalho teatral, se pode concluir que a sua valorização terá que se fazer, através da qualidade e da intensidade da comunicação, que ele, espectáculo, for capaz de cosneguir. O espectáculo prolongar-se-á em consequências humanas e sociais, desde que o seu espectador tenha a consciência de ter vivido, graças a ele, momentos lúcidos e enriquecedores.

Observando agora a nossa sociedade de classes, dividida por interesses económicos e afectivos diferentes e por vezes antagónicos, esmigalhada em competições individuais de toda a espécie, alienada pelo prazer inconsciencializante dos jogos de diversão, intoxicada pelos pequenos e grandes vícios, que embotam a sensibilidade, deparamos com a tremenda dificuldade de encontrar uma linguagem universal, que atinja grandes plateias. A essa dificuldade devemos atribuir a carência de grandes textos modernos de repercussão mundial e a valorização, cada vez mais sensível, do encenador e do dramaturgista, que dão aos textos filosoficamente válidos, a expressão particularmente adequada ao condicionalismo histórico do espectáculo.

Isto não significa porém, que a humanidade esteja hoje mais afastada de um caminho comum do que num passado, em que a dramaturgia clássica se impunha às elites intelectuais de todos os países da mesma civilização. Pelo contrário, nunca como hoje, os valores universais de libertação do homem, através da justiça social, da segurança, da saúde e do direito à cultura, se tornam tão nítidas e tão sensíveis.

O que acontece é que o teatro moderno não se dirije a elites, que por sua vez tendem a confundir-se cada vez mais, económica e socialmente com os outros trabalhadores, que em todo o mundo travam com armas, linguagens e combates diferentes, a mesma luta libertadora. Na diferença dessas linguagens e desses meios locais de luta, é que os homens de teatro de cada sociedade devem encontrar a expressão própria dos seus espectáculos.

Quero portanto terminar estas palavras com um voto: que se multipliquem as formas nacionais de fazer teatro, que essas formas nacionais se descomponham em regionalismos, em expressões espontaneas de grupos profissionais e culturais e que todos esses particularismos se universalizem na obra comum de libertação do homem da fome, do medo e da ignorância.

Costa Ferreira»

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Carnaval em Almada - algumas memórias dos anos 80 e 90

O corso carnavalesco de Almada não é, certamente, dos mais famosos do país. Mas tem uma história já com quase 30 anos. Eu, que conheço um pouco dessa história, vou tentar falar-vos do que sei sobre o assunto.Ora então, se bem me lembro...


Os desfiles de Carnaval, tal como os conhecemos hoje em Almada, tiveram a sua génese já perto dos anos 80 do século passado. Não tenho informações que me permitam afirmar com certeza em que ano o corso desfilou pela primeira vez. Mas suponho terá sido ainda antes do início dessa década. Mais exactamente em 1979, quando o Centro Cultural de Almada (CCA) organizou uma "festa de teatro popular" para comemorar o Entrudo desse ano.

O Jornal de Almada referia-se ao evento desta forma:




E o já desaparecido matutino "o diário" documentou assim o acontecimento:


Se foi esse o primeiro dos muitos desfiles que vieram depois - e o meu palpite é que talvez tenha sido mesmo - então podemos dizer que o Carnaval de Almada comemora 30 anos em 2009! Será? (Como não quero ser desonesto, admito que não tenho nehuma certeza sobre o assunto.)

O que sei, com certeza (porque estive lá e participei) é que, em meados dos anos 80, o Carnaval de Almada era organizado pela União de Sindicatos do Concelho de Almada (USCA), apoiado então pelo CCA e pela Companhia de Teatro de Almada (CTA).

A coisa funcionava mais ou menos assim: a USCA mobilizava o pessoal e o CCA e a CTA davam apoio técnico e artístico.

Os carros alegóricos, os gigantones, as fantasias - tudo isso era confeccionado em Cacilhas, nuns armazéns em frente à entrada dos estaleiros da Lisnave (estaleiros hoje desactivados e armazéns hoje em ruinas). Muito mexi eu (colaborador que era do CCA) em colas e esferovite e mesmo fibra de vidro. E muito aprendi com o pessoal dos sindicatos! No dia do desfile, os grupos e associações participantes juntavam-se frente àqueles barracões e começavam a desfilar, a partir de Cacilhas, em direcção ao núcleo urbano de Almada. Eram corsos prolongados, longos e cansativos - mas muito divertidos. E muito carregados de sátira política - afinal, estávamos nos anos 80, tempos de crise, e num concelho operário, lutador, "vermelho"...



Em Fevereiro de 2008 escrevi sobre estes carnavais dos anos 80, neste mesmo blogue: para ler o artigo cliquem aqui.

Também não sei em que momento a Câmara Municipal de Almada (CMA) assumiu a "liderança"dos festejos carnavalescos. Admito que terá sido no princípio da década de 1990 (mas, mais uma vez por falta de fontes documentais, não afirmo: apenas me atrevo a dar o palpite).
Suponho que o maior envolvimento da autarquia foi uma maneira de tentar dar resposta ao desabrochar de um novo movimento associativo, mais "informal" e nascido fora das colectividades "tradicionais". Este novo movimento, muito típico dos anos 90, tinha energia, juventude, ideias e vontade de as concretizar - mas não tinha instalações próprias nem dinheiro. A CMA apoiou, financiou e assumiu, então, a realização do corso, nos moldes em que se efectua até hoje.

Com uma novidade, nos anos mais recentes: o espectáculo de música no final do desfile. (Este ano - 2009 - com os Orixas).

Na década de 90 eu já não estava tão envolvido nessas coisas carnavalescas. Ainda assim aceitei, em 1996, um convite do Pedro Morgado para integrar a "performance" do grupo Toucinho do Céu: um novo e florescente culto religioso, chamado IURDD - Igreja Universal do Ranho do Dinheiro. Infelizmente, não tenho fotos desse ano. Mas tenho aqui umas de de 1995. E olhem, não é que são, também do Toucinho do Céu?


E pois: não há droga, não senhor!

sábado, fevereiro 21, 2009

Teatro de Fantoches da AIPICA - Almada, Fevereiro de 1979




Este é um folheto publicado em Fevereiro de 1979 (há 30 anos, portanto) pelo grupo de Teatro de Fantoches da AIPICA - Associação das Iniciativas Populares para a Infância do Concelho de Almada.

A AIPICA, associação nascida do movimento popular pós-25 de Abril de 1974, congregava (à data deste folheto) 8 infantários do concelho de Almada, que serviam cerca de 450 crianças.

De acordo com o folheto, o grupo de teatro de fantoches "iniciou a sua formação no mês de outubro de 1978". Mas, como era algo de novo, sentia dificuldades: falta de tempo para ensaios, escassez de materiais e inexperiência dos membros que o constituiam. Obstáculos que, de acordo com o texto, foram superados "por meio da nossa intuição e do nosso contacto com os miúdos diariamente nas creches e jardins de infância". O grupo de teatro de fantoches da AIPICA apontava como seu grande objectivo "realizar uma acção cada vez mais profunda e responsável, com vista à criação do homem novo, amante da paz e do progresso, construtor da sociedade futura".

Estava enraizado na freguesia da Cova da Piedade, zona do "Pão de Açúcar" - onde, também em Fevereiro desse ano, a AIPICA tinha inaugurado um centro de Ocupação de Tempos Livres. (A data referida no folheto para a criação dos "tempos livres" é 21-2-79, mas dois documentos manuscritos, oriundos desse mesmo centro de OTL mas não assinados, mencionam o dia 2 de
Fevereiro para a mesma "efeméride".)




1979 foi o Ano Internacional da Criança.
A "Revolução dos Cravos" tinha ocorrido (ou começado?) há apenas 5 anos.

Neste ano de 2009 hei-de trazer aqui mais algumas coisas relacionadas com a actividade cultural que se fez em Almada durante esses já longínquos tempos.

sábado, maio 17, 2008

O Manual do Professor Pardal


Um dos primeiros livros que tive – e isso foi ainda nos anos setenta do século passado, vejam lá o velho que eu sou, eh eh eh!... – foi o Manual do Professor Pardal. Era um calhamaço, ou melhor, uma colectânea de“invenções” de um dos mais carismáticos personagens da empresa criada por Walt Disney.
Conhecem, certamente, o Professor Pardal: é o típico “cientista maluco”. O homem (aliás, o pardal...) que inventa tudo o que lhe é pedido – tudo, mesmo, até o impossível... Embora o “impossível” demore um pouco mais a inventar, já se sabe.
Se não conhecem o manual, não se deixem enganar pela capa. Porque havia ali – a par de “invenções”absolutamente mirabolantes – algumas “dicas” práticas para construir engenhocas viáveis.
Por exemplo? Um caleidoscópio. Ou um periscópio (objecto que, contrariamente ao que é “vox populi”, não serve apenas para usar debaixo de água).
Eis aqui o testemunho de alguém que experimentou – e conseguiu – construir um:
rrussel.org/weblog/2007/01/05/o-manual-do-professor-pardal/
Para um puto ávido de conhecimento – porque estava na idade de ser assim mesmo... - o Manual do Professor Pardal foi um livro marcante. E olhem que não o foi só para mim...
Querem ver (ou melhor, ler)?
Passo, então, a palavra a Madalena Barranco – poetisa brasileira (de São Paulo), que muito aprecio – em declarações à Revista Amigos Web:

Madalena, como você se define?
Como uma pessoa que sempre quis trazer o mundo da fantasia à realidade e que cultua a natureza da alma humana em harmonia com a natureza propriamente dita do planeta Terra. E que gostaria muito de ouvir mais da boca do mundo algo assim como: “eu sonho em...”; “estou lutando para conseguir...”; “as árvores têm braços e as flores têm rostos”; “o céu é azul claro e também escuro”. Por isso, para mim, palavras unidas são frases “inventadas”, e essa foi a impressão que tive quando ganhei meu primeiro livro de minha mãe aos seis anos, o “Manual do Prof. Pardal”, que pertencia a uma série inteligente de livros baseados em personagens da Disney. Em vez de interessar-me pela física e ciências, como sugeria a personagem, assim como fez meu irmão, eu torci o assunto para as letras de que eu sempre gostei... Principalmente da literatura que eu chamo de feliz e misteriosa ao mesmo tempo, e por que não dizer também, má, pois tudo tem seu lado bom e ruim, e que floresce nos gêneros de literatura fantástica e histórias de fadas. Eu não me refiro a literatura apenas infanto-juvenil, e sim àquela que faz bem a todos porque ajuda a despertar a magia pessoal através da fantasia. As pessoas precisam de sonhos fabricados para viver, que se traduzem em fantasia, aqueles sonhos que segundo J.R.R.Tolkien em seu ensaio “Sobre histórias de fadas”, são necessários antes para os adultos do que para as crianças, que não se esqueceram da fórmula mágica de cultivar sonhos.
Bem, podem ler a entrevista completa clicando no seguinte “link”:
http://www.reamweb.kit.net/revista_amigos_web/pag_1270649_002.html

E, já agora, o blogue de Madalena Barranco:

http://flordemorango.blogspot.com/

Blogue que – digo sem falsa modéstia – fui dos primeiros a descobrir, logo nos seus primórdios. E descobri-o porque me chamou a atenção, antes de mais nada pelo título (chamava-se, então “Se eu flor de morango... – prosa e poesia”; agora intitula-se, apenas “Letras de Morango”) e depois pelo conteúdo... Hoje sou fã dessa autora.
Eu fico hoje por aqui.
Mas não me vou embora sem aconselhar a leitura deste pequenino conto, também ele “inspirado” em personagens de Walt Disney:
www.scriptonauta.com.br/consat/carqueija_patinhas.asp
Divirtam-se!