terça-feira, julho 31, 2007

Está bem, pronto, já percebi: começou a "silly season". É isso, não é?


Nos últimos dois fins de semana Almada foi, por assim dizer, tomada de assalto por um jornal regional - já algo vetusto e muito respeitável - chamado SemMais Jornal. Ele é sem mais nas portas, ele é sem mais nos gradeamentos das montras de lojas que estão fechadas ao sábado à tarde, ele é sem mais em cima dos caixotes do lixo... Enfim, é sem mais por todo o lado!
E porquê esta súbita invasão?
Ora aí está uma boa pergunta!
Vamos ler o editorial da edição 475, de 21 de Julho de 2007, para ver se percebemos alguma coisa.
Ei-lo, o editorial:
«As diferenças do projecto SemMais
Na última semana, a pretexto do muito discutível barómetro Imprensa Regional, alguns jornais da praça soltaram foguetes e apanharam as canas. A reboque deturparam, estrategicamente, a posição do SMJornal no mercado. Em primeiro lugar, compararam as audiências do SMJ no quadro concorrencial das edições locais, o que é abusivo e não espelha a nossa mais-valia. As audiências do SMJ são compostas pelo conjunto do que vale em todos e em cada um dos concelhos do distrito, pois é o único periódico com verdadeira dimensão regional.
Por outro lado, há muito que introduzimos a política da sobra zero, o que, para a nossa tiragem real de 25.000 exemplares equivale a uma audiência média estimada em cerca de 100.000 leitores por semana.
Claro que não estamos presentes no mercado com quilos de papel por m2, ou no desperdício das caixas de correio, mas estamos cada vez mais em todo o lado e muito mais próximo dos leitores, mesmo os que consomem a concorrência gratuita. E reiteramos a nossa política de conteúdos com anúncios, por oposição aos jornais de publicidade com notícias.»
(Editorial, por Raul Tavares, director)
Bem... Admito que não vi nenhum exemplar (muito menos «quilos» deles) em nenhuma caixa de correio... esse «desperdício» não o vi, não senhor! Está bem, pronto!
Mas então agora, que já sabemos a que propósito vem esta distribuição, massiva e gratuita, do SemMais Jornal, que tal darmos uma espreitadela ao conteúdo?
Ei-lo, um exemplo do conteúdo:
«Nem os saldos reanima comércio local» (pag. 6)
Não reanima? Pois, pudera!...
«Pitbull ataca Marcelo» (pag. 12)
Beeeeem...
«Paralesia da urbe e incapacidade para agarrar as oportunidades» (pag 20)
Paralesia?... Isso é o tipo de problema que afecta quem é "paralético", não é?
Então e esta?:


«É obrigatório subirmos este ano da 1ª à 2ª» (pag 34)
...o que demonstra um enorme desportivismo! Vocês conhecem algum clube que queira subir «da primeira à segunda» divisão? Eu não conheço! Aliás, até hoje pensava que isso era impossível, mas enfim... Estamos sempre a aprender, não é?

Como podem ver, temos aqui uma edição que, alé de ser à borla, é extremamente interessante, sim senhor!...
E então, quando eu pensava que a coisa estava tão boa que já não podia melhorar, eis que surge a grande - que digo?... a enorme - notícia:


«Um suicídio seguido de duplo homicídio marcou a agenda da semana(...)» (pag.26)
Por acaso não seria antes «um homicídio seguido de duplo suicídio» (sendo que, neste caso, o suicida se teria suicidado duas vezes...), não? Sei lá eu! É que isto hoje em dia acontecem as coisas mais estranhas, neste mundo!...
Mas o que eu gostei mais (ainda mais...) foi este título a três-linhas-três:

«Sucessão de greves perturbam ligações fluviais por causa das greves» (pag. 16)
O que perturba as ligações fluviais é a sucessão de greves? Não as greves, mas a sucessão de greves? Ah,... entendo! E então porquê? Mas está-se mesmo a ver: é por causa das greves!!! E a sucessão de greves perturba? Não: perturbam! Aaaah, poooooois...
(E note-se que, como mandam as regras, um título destes só podia mesmo ter três-linhas-três...)
Vocês acham que estou a brincar?
Querem que eu fale a sério?
Está bem, eu falo a sério.
É óbvio que um espalhanço tão monumental pode acontecer a qualquer órgão de comunicação social. (Veja-se, por exemplo, este tipo de "pérola", na qual outro "órgão" regional é especialista.)
Mas o SemMais Jornal não é novato, e já devia saber evitar este tipo de coisas.
Aliás, no Sul Expresso (antecessor do SemMais) os fechos de edição eram precedidos por jantares muitíssimo bem regados, e depois ainda passávamos o resto da noite a beber whisky, quando o havia (que era quase sempre)... e, que me lembre, nunca o produto final teve este tipo de "problemas".

Enfim, é a silly season, não é? Façamos então como fazemos sempre no Carnaval (que é quase a mesma coisa): no Carnaval, como se sabe, ninguém leva a mal!
Deixemos, portanto, o SemMais onde o encontrámos (à entrada dos prédios, nas tampas dos
caixotes de lixo, aqui e ali...) e passemos adiante.

(Mas antes, dois PS - sigla que que, como todos os jornalistas sabem, ou deviam saber, é abreviatura de post scriptum, e não de Partido Socialista:
PS1 - Importa reconhecer - porque é verdade - que, logo na edição seguinte, o SemMais Jornal apareceu impecável, revisto à lupa. E importa reconhecer - ainda que o meu cotovelo se ressinta disso - que, no mísero panorama da imprensa regional - muita parra, mas pouca uva - o SemMais é, seguramente, um dos projectos que, pelo menos, não envergonha o jornalismo.
PS2 - Nas minhas frequentes mudanças forçadas de residência, perdi a colecção de exemplares do Sul Expresso. Por isso não posso, para já, adiantar-vos mais sobre o assunto a não ser isto: era um quinzenário, editado em Almada na segunda metade dos anos 90, dirigido por Luís Maia e, mais tarde, por Raul Tavares. Se alguém tiver exemplares que me queira oferecer, façam favor. Podem procurar o meu e-mail visualizando o "perfil de utilizador" deste blogue.)




Cordialmente,
António Vitorino

(ex-jornalista e, ainda por cima, sem carteira, o magano)

domingo, julho 29, 2007

Como fica mal ser juiz em causa própria...

permito-me reproduzir aqui um texto publicado no site da Escola Superior de Educação de Portalegre, sobre o Jornal D'Hoje, semanário daquele distrito, no qual colaborei entre Dezembro de 1999 e Abril de 2000.

«Acerca das pressões sobre os media de âmbito local/regional
António Garraio

No actual cenário de Portalegre, ou de outra localidade qualquer do interior do país, a viabilidade financeira dos meios de comunicação é extremamente débil. Mas os meios de comunicação existem… portanto subsistem. Como? E a que preço?

Há alguns anos, Rui Vasco Neto chegou a Portalegre e abriu o Jornal d’Hoje. Uma lufada de ar fresco invadiu o Norte Alentejano, pensei, na altura. Só que alguém não partilhava essa opinião, e mais que brisa, considerou que se estava a aproximar um ciclone.

A pluma esclarecida e directa do Rui depressa se tornou numa pedra no sapato para o poder estabelecido. Porque publicou em cada momento aquilo que se devia publicar, as suas crónicas nunca tiveram a preocupação de agradar a gregos ou a troianos.
Este acerto jornalístico foi a morte do Jornal d’Hoje. Porque os media de dimensão local só podem sobreviver economicamente com o apoio da publicidade institucional, das publicações de grandes editais, anúncios de grandes concursos, etc. E numa terra onde não existem outros recursos publicitários com a mesma repercussão, quem publica anúncios a toda a página que
permitam pagar os ordenados no fim do mês tem o poder na mão. E não admite críticas, sob nenhum conceito. Foi essa mão que estrangulou um projecto de jornalismo local que certamente teria merecido a pena acompanhar… Porque essa mão não só fechou a porta ao Jornal d’Hoje, como também deu indicações para que outras portas se fechassem.

Antes do Jornal d’Hoje, Portalegre já contava com outros meios de comunicação. Que continuam a existir. A qualidade de alguns brilha pela sua ausência. Mas eles estão cá de pedra e cal. Porque se arrastam pelo chão perante o poder. Porque sabem a quem lamber as botas. Não fazem jornalismo. Rastejam em busca da sobrevivência, a qualquer preço.

Nunca conheci pessoalmente o Rui Vasco Neto… Mas ainda não perdi as esperanças de um dia lhe dar um abraço. Pela coragem que teve quando fundou o Jornal d´Hoje, um projecto que, desde a nascença estava condenado ao fracasso.»



Considerando que não há necessidade de acrescentar muita coisa a este texto, deixem-me apenas dizer-vos que (como é óbvio) um jornal não se faz apenas com o director, por muito bom jornalista que ele seja (e era).


E, como demonstrar factos é sempre melhor que esgrimir argumentos (pelo menos eu penso assim...), aqui vai um episódio da vida do Jornal d'Hoje (e dos entraves à actividade jornalística, a que se refere António Garraio), relatada nas páginas do próprio, pelo respectivo director, Rui Vasco Neto:

(Penso que não será necessário propor-vos que "adivinhem" quem é o António Vitorino referido neste episódio, não é?)


Voltarei a referir-me aqui ao Jornal d'Hoje. E - porque não? - a outros órgãos de comunicação social nos quais trabalhei...

A.V.

sexta-feira, julho 27, 2007

Só para o caso de não conhecerem a Desciclopédia...

... eu digo-vos já que, como o próprio nome indica, não é a wikipédia.

Na wikipédia não encontram



o Dunga...
(os mais novinhos,
se não souberem de quem se trata,
e, portanto, não entenderem a piada
sigam o link, e logo ficarão a saber...
e a entender... espero eu!)



... nem a mais recente aquisição da Selecção Nacional dos Estados Unidos da América!
(pronto, esta piada eu também não entendi... seria para substituir um certo americano que o Benfica esteve supostamente para contratar?)

Isto e muito mais (mas mesmo muito mais!) só em
http://desciclo.pedia.ws/

(Nota do Vitorino: depois desta publicidade - à borla, diga-se de passagem - preparem-se, que a próxima vitorinice... ããã.. quer dizer..., artigo, vai ser sobre um conceituado órgão de comunicação social do Distrito de Setúbal!)

quarta-feira, julho 25, 2007

Será culpa das obras do metro?



Um carrinho... dois carrinhos... três carrinhos... quatro carrinhos... estacionados lado a lado, ocupando toda a faixa de rodagem... Adivinham onde?
Se disseram nas imediações das obras do Metro Sul do Tejo (MST)... parabéns! acertaram em cheio!!!
Este "parque de estacionamento" fica, de facto, em frente às antigas instalações dos Bombeiros Voluntários de Cacilhas. Mais concretamente (e para ser mais rigoroso), é um espaço situado na confluência das ruas Elias Garcia (popularmente conhecida como Rua da Pedreira) e Comandante António Feio, com a Rua Cândido dos Reis.
Fica, portanto, muito perto da Avenida D. Afonso Henriques (onde decorrem ainda as aparentemente intermináveis obras do MST).
E muito perto, também, do parque de estacionamento do Morro de Cacilhas (que, à hora a que esta imagem foi captada, estava quase às moscas, diga-se em abono da verdade). E não muito longe - já agora - dos parques de estacionamento do Largo de Cacilhas... onde àquela hora, por acaso, também havia lugares vagos.
Mas será isto culpa das obras do MST, que retiraram lugares de estacionamento aos residentes?Bem...
Eu já conheço Cacilhas há muito tempo (e, aliás, sou tão conhecido por lá que, ainda há alguns anos, numa certa cervejaria era jocosamente apelidado de "senhor Vitorino"). E sei, portanto, que este "parque de estacionamento" existe há muitos anos... E existe assim mesmo, tal como aparece nesta imagem captada sexta-feira, 13 de Julho de 2007, às 20 horas, 08 minutos e 34 segundos (a essa hora já não devia ser para "cargas e descargas", suponho eu).
Mas agora reparem: não é preciso ser o "senhor Vitorino" para perceber isto.
Ou seja (segue-se uma explicação generosa, para os que não me conhecem e não sabem, portanto, qual o alcance pejorativo da expressão "senhor Vitorino"): não é preciso ser eu, há uns dez anos, antes ou depois de mamar umas valentíssimas imperiais em Cacilhas, para esbarrar nestes popós tão bem estacionados.
Basta passar por lá para perceber que a coisa existe, e é permanente.
Mas esperem aí, continuem a ler este artigo...
É que, como sou muito vosso amigo mas mais amigo ainda da verdade, quero mostrar-vos ainda mais uma coisita.
Quero confessar!
Na verdade, a foto que está lá em cima é uma coisa extremamente enganosa e manipuladora.
Olhem antes para esta:

Estão a ver?
Pois é!
Afinal a rua (agora que a vemos nesta perspectiva) não está bloqueada, não senhor!!!
Ainda passa por lá um carrito... Ou mais!
E repararam no sinal de trânsito? Afinal, aquilo é mesmo um parque de estacionamento, não é?Pois.
Mas (desculpem lá...) é um parque para veículos de duas rodas.
E - parece-me a mim - isto que vemos na imagem não são motociclos, nem bicicletas.
Parece-me a mim...
Mas enfim, eu sou o Vitorino, e isto é apenas um blogue de vitorinices... Não é?...
(As fotos são do Rui Tavares - mas a opinião aqui expressa sobre o assunto é de minha inteira e exclusiva responsabilidade)

domingo, julho 22, 2007

Como dizia o outro: «tu o disseste...»

Qual o propósito deste vídeo?

Ora ainda bem que me faz essa pergunta...

Vejamos:

Uma gafe é uma gafe e, como os políticos gostam de dizer, vale o que vale?...

sábado, julho 21, 2007

«Eu já fui ministro da droga!»




(José Sócrates, primeiro-ministro português,
na Assembleia da República, durante o debate sobre o estado da Nação)


Beeeem.........
Querem comentários?
Quer dizer... será que posso?
Querem?
Posso?...
Enfim... já que insistem... (mas é mesmo só porque vocês insistem, hã?...) cá vai a minha despretensiosa e modesta opiniãozita.
É assim:
Eu cá acho que o Senhor Primeiro-Ministro de Portugal se enganou, e queria dizer «eu já fui o Ministro responsável pelo Combate à toxicodependência em Portugal».
E, prontos, enfim, errar é humano, não é? E aquilo foi dito no parlamento português, não foi?
Pois foi! Então... Então, não é assim tão grave!... Pois não...
Imaginem que a frase «eu já fui ministro da droga» era dito noutro parlamento, sei lá, assim tipo deixa cá ver... tipo no parlamento brasileiro. Era pior, não era?...
Pois era.
Aí sim, seria grave.
Aliás, aí seria mesmo caso para que o orador instituísse a si próprio um processo disciplinar e, quiçá, uma acção judicial. Porque, como devem entender, é muito feio designar um alto funcionário do Estado como «ministro da droga».
Isso não se faz! Não se faz não senhor!
Ai ai ai ai!!!
Francamente!
Era logo processo para cima dele!!!
E era muito bem feito!
(Quer dizer, isto se seguissemos escrupulosamente as regras tacitamente instituídas na função pública portuguesa... Mas não é caso para tanto. Pois não?)

terça-feira, julho 17, 2007

Ora bem...


alguns de vocês, estimadíssimos visitantes deste blogue, já se devem ter questionado acerca das minhas ausências, mais prolongadas do que era habitual.
Para abreviar: se pensaram que eu tinha desistido - ou que alguém me tinha feito desistir - enganaram-se; e, se são dos que gostariam de me ver desistir, podem muito bem tirar o cavalinho da chuva.
Aliás, mais facilmente se voltaria a instalar o império português no Rio de Janeiro, e tal... (Não me obriguem a explicar a piada, está bem?)
Mas, como estou generoso, posso dar-vos, de borla, a seguinte informação: no tempo do império português, Brasília ainda não existia - a capital do Brasil era o Rio de Janeiro. Como se dizia no meu tempo, aprendam, que eu não duro sempre.

(Enfim, é preciso ter cá uma destas paciências!...)
Ufff!!!!!

Bem, para os outros, a quem isto não interessa nada, devo dizer-vos que, embora a minha ausência se deva sobretudo a dificuldades de acesso à internet (eu já vos tenho dito que não possuo computador próprio, não é?...), a verdade é que esta minha cidade de Almada está convidativa, e isso leva-me a passar mais tempo na rua.
Quero dizer: quem, como eu, viveu a "movida" (desculpem lá o estrangeirismo) almadense dos anos 90, andava muito desconsolado com a actividade cultural (ou falta dela, aparentemente) que se via nesta cidade durante os anos mais recentes. É que eu gosto mesmo é de ver o povo na rua, a assistir ou a participar em actividades. E parece-me que, desde o final da década de 90, isto andava muito tristonho. Agora, aparentemente, começa a arrebitar um bocadinho. Isso deixa-me muito contente.

Claro que outros terão diferentes opiniões sobre o assunto.
Existem várias maneiras de entender o que é (ou deve ser) a vida cultural de uma cidade.
Todas muito respeitáveis, certamente.

A minha (respeitável, como as vossas) é mais ou menos assim: quanto mais gente a participar, melhor; quanto mais diversidade, melhor; quanto mais oportunidades para mostrar em público o que se faz (e agora, no Verão, de preferência em plena rua), melhor.

É por isso que tenho gostado muito de passar pela Praça da Liberdade, onde estão a decorrer as chamadas "animações" (e lembro-me sempre de coisas semelhantes em que participei, nos anos 80, com o Centro Cultural de Almada - embora em condições muito mais precárias...).

Embora ande teso que nem um carapau e, portanto, sem dinheiro para ver os espectáculos do Festival de Teatro de Almada, também tenho gostado de ir, de vez em quando, à esplanada da Escola António da Costa (e lembro-me de quando era jornalista e tinha livre trânsito para ver os espectáculos - e, por falar nisso, ia mesmo vê-los, quase todos, mesmo sem ter que escrever sobre eles)...

Gosto de ir com os amigos que me restam, mesmo que certos "artistas" assobiem para o lado sempre que passo por eles... mas enfim, deve ser o meu novo visual que me fez ficar irreconhecível... pois, deve ser isso.

Ah, pois, e adorei a Festa Amarela. Foi uma das melhores edições de sempre.

Aliás, é disto mesmo que eu gosto! O povo, a festa, a diversidade... essas coisas! (Já vos tinha dito?)

(Reportagem fotográfica no blog Almada Cultural por Extenso)

Também ando muito contente com as obras do metro.Quer dizer, com as obras propriamente ditas, não. Parece que há ali muita burrice. Mas isso sou eu que digo, e eu não entendo nada de obras.
Com o metro, sim, estou satisfeito.

Eu já vos disse, também, que sou, desde que me lembro de ter opinião sobre a matéria, adepto dos meios de transporte público menos poluentes que os autocarros em que viajo normalmente.
E, apesar de todos os disparates evidentes na execução da obra, posso garantir-vos que o metro não é nenhum papão.

Acreditem: eu já estive a ver as obras no "triângulo da Ramalha", e não desapareci misteriosamente.
Aliás, fiquei até sem perceber porque raio chamam àquilo o "triângulo da Ramalha".

Porque será?


A terminar, por agora: obrigado a todos os que têm deixado mensagens simpaticas aqui (e no Debaixo do Bulcão). Se não vos respondo nem visito os vossos blogues, é mesmo só por falta de tempo e/ou acesso à internet. Espero em breve voltar a ter condições para retomar contactos mais regulares convosco.

Até à próxima, beijinhos e abraços

António Vitorino


PS, para os mesmos a quem me dirigi no topo deste artigo - Podem comentar, estejam à vontade. Aliás, aproveitem agora, que eu estou fora, para dizerem mal, se quiserem. (Ou então visitem antes os blogues especializados na coscuvilhice e na má língua. Esses, pelos vistos, têm tempo e recursos, e não encontram nada de mais interessante para fazer na vida.)

PS2 - As fotos são do já habitual colaborador deste blog, Rui Tavares

sexta-feira, julho 13, 2007

A Festa Amarela !!!


Desde 2001, a Câmara Municipal de Almada e as associações (mais ou menos juvenis) da área do Laranjeiro (e arredores...) organizam um encontro inter-cultural, ao qual deram a designação de
Festa Amarela.


Festa, porque de uma festa se trata (e isso dispensa outras "explicações", não é?).
E Amarela porque, desde que existe, o Centro Cultural Juvenil de Santo Amaro (instalações da Casa da Juventude onde decorre o evento) é conhecido pelos vizinhos (mais ou menos jovens) como a Casa Amarela.
Vocês estão a ver alguém dizer "olha, vou até ali ao Centro Cultural Juvenil de Santo Amaro - Casa Municipal da Juventude jogar basquet e volto já"? Eu não.
Portanto, em boa hora (apesar de algumas reticências iniciais...) a autarquia resolveu adoptar para a casa o nome que o povo já há muito tempo lhe dava.
E, para ajudar a abrir o espaço à comunidade envolvente, aí está, então, a Festa Amarela!
(Na qual eu participei, com o projecto Debaixo do Bulcão, durante as primeiras edições. As fotos que hoje vos apresento foram feitas por mim - exceptuando as duas de baixo, que são de Mariana Moreira - mas já não me lembro é de que ano são...)

A. V.

quinta-feira, julho 12, 2007

sexta-feira, julho 06, 2007

«A guerra e a injustiça não têm só os seus paladinos, têm também os seus poemas e os seus heróis.
O inferno foi inventado para assustar os rebeldes; o papel da arte é precisamente encerrar o inferno»

José Monléon
(no programa do Festival de Almada 2007)

quarta-feira, julho 04, 2007

Por falar nisso...

Por falar em festival, teatro, cinema e essas coisas... Hugh Laurie, no programa Inside The Actors Studio, executa ao vivo "Mystery", uma bonita composição de sua própria autoria, e tal...

terça-feira, julho 03, 2007


A partir de amanhã, se não chover, vamos todos à esplanada da Escola António da Costa, em Almada, beber umas cervejolas e ver umas coisas que eles têm para lá... parece que é um festival qualquer, acho que de teatro.
Quer dizer, eu vi por aí uns cartazes, mas não percebi muito bem. Era uns gajos vestidos parece que à polícias a apontar umas armas uns aos outros... Eu cá fiquei a pensar que devia ser um filmezeco qualquer, tipo aqueles que passavam na "sala de cinema" do Raposo de Cima, quando eu era puto... mas diz que não, diz que é mesmo uma peça de teatro.
Que pena: é que eu até gosto de teatro teatro mesmo. Agora teatro a fazer de conta que é cinema... nã... não lhe enxergo a piada.
(E a teatreiros, então, não lhes acho piada mesmo nenhuma... mas tá bem, isso é defeito meu.)
Ah, já agora - quem não souber não diga que não avisei - na esplanada os espectáculos até são à borla, mas são espectáculos de música (podem consultar o programa aqui mesmo).
Se quiserem saber mais, vejam o site da Companhia de Teatro de Almada.
E, já agora, espreitem também este revivalismo lamechas no novíssimo blog cá da casa: Almada Cultural.
Ah, pois, já me esquecia...Zé Batata e Luisa Trindade (são os jovenzitos da foto): voltem, estão perdoados...

sexta-feira, junho 29, 2007

MST na Costa? Para quê...?

Aqui há uns tempos atrás, veio um ministro, (acho que foi aquele ministro que pensa que isto aqui é um deserto, mas isso agora não interessa para o caso) dizer que o Metro Sul do Tejo até pode muito bem chegar à Costa de Caparica... o mais tardar lá para 2032.
Nessa altura, houve pessoal aqui destes lados (Almada e arredores) que se fartou de rir... Mas eu, como devo ser um bocado retardado, na altura até nem percebi muito bem qual era a piada.
Quer dizer, explicaram-me depois que, com as alterações climáticas, e tendo em conta a maneira como o areal da Costa de Caparica está a desaparecer, em 2032 a Costa já nem deve existir... Portanto, para que raio irá então precisar de um metropolitano?
Pronto, tá bem, eu fiquei mais ou menos satisfeito com essas explicações.
Só continuei sem perceber porque se riam tanto. Achei que devia haver ali mais qualquer coisa.
A sério, qual era (é) a piada?
Bem, acho que agora, finalmente, percebi.
É que eu já nem me lembrava que existia, e existe, na Costa de Caparica, um outro meio de transporte sobre carris, chamado Transpraia.
E este é muito mais fixe que o MST, e proporciona uma viagem muito mais interessante: não é um eléctrico, até anda por cima das dunas, e deita fumo, e tudo...!!!
Realmente, para que é que a Costa precisa de um transporte público de massas, e ainda por cima eléctrico?
É para rir, sim senhor!
(A única coisa que me chateia no meio disto tudo é que, se olharem bem para os sítios por onde passa este comboiozito, ainda temos que dar razão ao tal ministro, com aquela estória do deserto... Portanto, o melhor é não olhar.)

quinta-feira, junho 28, 2007

Uma publicação histórica (mas hoje injustamente esquecida) dos anos 80 do século passado:

O Contraste

[Aviso: eu hoje venho aqui falar de comunicação social. Falar de comunicação social não é o mesmo que falar de jornalismo. É óbvio? Não sei se será assim tão óbvio. Afinal, anda por aí muito boa gente que tem um especial talento (e recursos, e ferramentas...) para misturar numa cartola o conceito de comunicação social com o conceito de jornalismo, agitar muito bem agitadinho e depois tirar lá de dentro o coelho mágico a que chamam (com uma grande lata) "informação". E não é disso que agora se trata. Vou falar mesmo de órgãos de comunicação social. Estamos entendidos?]

Então, é assim...


Se não me engano, a segunda metade da década de oitenta (do século vinte), viu nascer, e desenvolverem-se, alguns dos mais interessantes projectos que se fizeram em Portugal nesta área a que me refiro: comunicação social.
Foi, por exemplo, a época das rádios "piratas" (só em Almada existiram pelo menos - ou seja: que eu me lembre - quatro, antes de 1988 e da "legalização"); foi um tempo de proliferação de fanzines (alguns deles fanzines de poesia - ou pensavam vocês que o poezine Debaixo do Bulcão tinha nascido de geração espontânea?... não, foi mesmo porque havia que dar continuidade a essa tradição).
E foi também a época em que surgiu esta inovadora publicação que vos quero hoje apresentar (inovadora tendo em conta o tipo de imprensa que se fazia em Portugal), chamada Contraste.


O Contraste era uma revista temática (abordando assuntos como "Portugal: dez milhões de ciumentos?", "festas, festinhas, festividades, romarias, Festa do Avante!" ou "ilhas e oásis"). Tinha textos literários, artigos de opinião, entrevistas, algumas reportagens, alguns ensaios... e publicidade original, feita pelos gráficos da própria publicação (além disso, tinha também ilustrações às quais, satirizando a linguagem publicitária, chamavam anti-pub).
Editada mensalmente entre Janeiro e Julho de 1986, passou a ter periodicidade bimestral e mais tarde, salvo erro, chegou a ser trimestral.

Tinha uma tiragem de 4.500 exemplares (sim, quatro mil e quinhentos!...).
E foi muito boa, enquanto durou (digo eu, que sou suspeito...), ou seja, durante pouco mais de um ano.
Era editada pela Cooperativa Alto Contraste, tinha como director Miguel Portas, sim, esse Miguel Portas (ok, pessoal, podem começar a investigar se eu afinal sou do Bloco de Esquerda, ou estou feito com eles... ou se, naquela altura, o Miguel Portas era, sei lá, talvez da JCP... ou do PCP...), e colaboradores como Henrique Cayatte, Maria Flor Pedroso, Mário Dias, Jorge Colombo e, deixa cá ver quem mais.. olhem, por exemplo, o Rui Zink!

Para vos dar uns "cheirinhos" desta publicação, eis pequenos excertos de editoriais:

«Assento arraiais na diversidade da escrita, da opinião e da ilustração. Aos seus olhos parecerei uma coisa numas páginas e outra nas restantes. A minha unidade reflectir-se-á na capacidade de o confundir. A minha unidade não é inata, será adquirida em cada acto, errando e acertando. O leitor adquire-me na expectativa da diferença. E eu tentarei não o desiludir embora saiba que, no panorama da imprensa portuguesa, nem sequer tenho muito por onde copiar.»
(Nº. 1, Fevereiro 1986)

«Mudamos de formato. Exaustivos estudos de mercado concluíram ser o rectãngulo invertido a embalagem ideal para este mensário. Com efeito, a capital da moda 86 é Madrid. E a sua coqueluche chama-se MMM, "Madrid Me Mata". Qual o seu formato? O rectângulo invertido. A prova está feita. No nosso país não se inventam modas, copiam-se modas. Contraste orgulha-se de ser o primeiro a copiar.»
(Nº. 2, Março 1986)

E pronto, estão feitas as apresentações.
Voltarei a referir-me a esta publicação. Mais: hei-de apresentar-vos alguns textos e ilustrações da dita cuja. Lá mais para diante.
Agora vou dar uma voltinha, que o tempo está óptimo e a minha vida não é isto.
Adeusinho.

A.V.

Ah, já me esquecia: depois do Contraste, e aproveitando a onda, surgiram - já no incício dos anos 90 - outras publicações "históricas", como a Politika (que era uma revista da Juventude Comunista Portuguesa), a Jotacêpê (que foi um fanzine político da JCP em Almada) e a K - ou, se preferirem, Kapa (que já é de outra área política). Esta, (para meu espanto) está agora na internet, em

kapa.blogspot.com

Se tiverem notícia das outras, digam-me qualquer coisa, está bem?
Obrigadinho!

sexta-feira, junho 22, 2007

Buzinão na Ponte 25 de Abril

Foi em 1994. Lembram-se?

Fez-se História... mas não foi uma surpresa assim tão grande (digo eu... e já vão ver porquê).


E pronto... pela primeira vez, a selecção nacional portuguesa de hóquei em patins perdeu com a sua congénere suiça e, com esse desaire, não chega nem sequer às meias-finais do Mundial (algo que acontece também pela primeira vez... é o que se diz por aí, embora eu tenha algumas duvidas de que seja mesmo assim...).
O mais "espantoso" (e verdadeiramente histórico) não é tanto o facto de falharmos a presença entre os quatro melhores, mas sim perdermos com essa selecçãozita helvética... Parece que são uns tipos assim meio a dar para o tosco, que mal sabem patinar, quanto mais conduzir uma bola decentemente na ponta de um stick... Não é?
Olhem, se por acaso não acompanham este desporto, pronto, vá lá, até podem pensar dessa forma.
Mas não, não é!
Se têm estado atentos, certamente já terão percebido que a Suiça, neste momento (quero dizer, já antes da vitória sobre Portugal), é a única selecção que dá realmente luta aos quatro "grandes" da modalidade (que são, como se sabe, Portugal, Espanha, Argentina e Itália - embora os italianos andem um bocado "apagados"...).
Ainda o ano passado, no último campeonato da Europa, disputado em Monza (Itália) adivinhem lá quem foi à final, e só perdeu com a Espanha?...
Lembram-se?
Mas podem ver os resultados de todos os jogos desse Europeu aqui mesmo!
Portanto, já o ano passado esta selecção suiça tinha "feito história"!
E o resultado do jogo de ontem só é surpreendente... para quem não viu o jogo.
E eu já imagino alguns de vocês a acusar-me de falta de patriotismo... mas eu penso que a Suiça até foi a selecção que mais fez para vencer o encontro. Penso, portanto, que o resultado foi justo.
E penso também que, a sermos eliminados, ainda bem que foi pela Suiça.
Espero agora que eles, os suiços, continuem a fazere "brilharetes"...
Espero que derrotem a Argentina... para poderem ir à final, e de preferência com a Espanha...
E que vençam a Espanha e sejam campeões da Europa!
Isso sim, seria extraordinariamente histórico.
E o hóquei em patins precisa de mais competitividade. Para que, no futuro, as vitórias de Portugal sejam ainda mais valorizadas.
Não vos parece?

(Agora, chato mesmo foi perdermos também aquele jogo de apuramento para os Jogos Olímpicos... Mas isso é futebol... e eu, de futebol, já tive a minha dose... pelo menos até à próxima época.)

Site oficial do Mundial de Hóquei em Patins Montreaux 2007:
www.montreux2007.ch/index.php

Resultados de todas as finais dos campeonatos da Europa (não encontrei os resultados dos mundiais), em
cerh.eu/en/Comps/Hist/senior.php

terça-feira, junho 19, 2007

O último cliente deste bar




são horas de fechar: vamos embora
abrir mais um capítulo da noite
lançar a outro vento a nossa sorte
esquecer essa verdade que demora

a olvidar. já sei que está na hora
de pôr na rua alguém que mais se afoite
mas minha tibieza faz-se forte
para mostrar firmeza enquanto chora

só por dentro da sua própria máscara:
que ao transpor a porta deste bar
ainda grito e bebo às gargalhadas

como se assim escondesse esta lástima
de saber que sair é mais que errar
que estas palavras são todas falhadas.


Affonso Gallo
(Junho 2003)
affonsogallo.blogspot.com

Foto: Miguel Nuno Vargas
"Closing Time"

wiguelnuno.blogspot.com

sexta-feira, junho 15, 2007

Mais um jornal regional e, a talhe de foice, homenagem a José Augusto

Como já devem ter percebido pelo título, este vai ser um artigo "dois em um".
Primeiro, deixem-me que vos diga que estou muito satisfeito por ver que a imprensa regional (pelo menos a da península de Setúbal) está a atravessar uma fase de grande dinamismo. Corrijam-me se estiver enganado, mas parece-me que nunca existiram tantos títulos em circulação aqui na nossa zona.
Quanto à qualidade... Pois, isso já é outra conversa...
Há "bons" e "maus" exemplos de jornalismo, neste "renascimento" da comunicação social regional. Mas (para minha surpresa) a tendência parece ser para elevar o nível (a qualidade) do "produto".
Eis mais um exemplo: o semanário Margem Sul, editado no Barreiro - que acabo de conhecer, num café aqui em Almada. O jornal não é propriamente novo (a edição a que me reporto é a 29, de 8 de Junho de 2007), mas é ainda relativamente desconhecido neste que é (ainda e por enquanto) o concelho mais populoso da margem sul.

Ora, isto pode suscitar algumas reflexões sobre a dificuldade (crónica...) que a imprensa regional tem para se afirmar (uma coisa é existir e sobreviver; outra, bem diferente, é conseguir afirmar-se junto do público). São os problemas de distribuição, a dificuldade em fazer os jornais chegarem às bancas e, depois, a dificuldade suplementar de convencer o proprietário (ou concessionário) da banca a exibir o jornal (no tempo em que eu trabalhava no Sul Expresso - já lá vão dez anos - diziam, nas bancas, que "o jornal não vende"; mas como o poderiam saber, se nem sequer o exibiam?).
Será talvez para tornear esse problema que agora é moda "vender" o jornal a 0,01 cêntimos (e apesar de ser uma boa ideia, tenho a certeza que um dia ainda nos vamos rir desta "esperteza saloia"... mas adiante). O que está, então a acontecer, é que o jornal (a 0,01 cêntimos, ou seja, grátis) "aparece" aos olhos do público em sítios... públicos, ou nas caixas de correio, como "publicidade" (caso do Jornal da Região e do Dica da Semana). Ou então - como foi o caso deste - num balcão de um qualquer café, ali à mão, pronto a ser consumido, assim, sem mais.
(Este sem mais não era piada a nenhum outro órgão de comunicação social local e/ou regional, tá bem?)
Temos, assim, imprensa regional distribuida gratuitamente, o que é óptimo para o consumidor.
Há, no entanto, um pequeno senão.. É que, se o leitor não paga a publicação... quem paga?
A publicidade? Mas a publicidade não chega para todos. (Além do mais, não estamos "em crise", como dizem os nossos mui queixosos empresários?)
Há outras fontes de financiamento? Mas quais são?
Não augura isto uma vida relativamente curta para muitas destas publicações?
Mas enfim, aproveitemos este "boom" da imprensa regional enquanto ele existe.

E a prometida "homenagem a José Augusto"?




(José Augusto, aqui na versão "cromo da bola",
envergando a camisola do Barreirense
- imagem retirada do blog
Cromos de Futebol Inesquecíveis)


Enfim, não sei se será exactamente uma homenagem.
É só para confessar que José Augusto é, na minha modesta opinião, um dos melhores jogadores de futebol portugueses de todos os tempos.
Fez parte da selecção que ficou em 3º lugar no Mundial de 1966. E foi campeão europeu pelo Benfica.
Mas isso todos sabem. O que talvez não saibam (os mais jovens) é que José Augusto era (principalmente no Benfica, talvez não tanto na selecção) um extremo cheio de talento... Um "artista", como hoje se diria.
Era o homem das fintas. Era o gajo que trocava os olhos aos adversários. Era um espectáculo!
E, nesse, aspecto, foi o antecessor de outros grandes jogadores, como (deixa-me lá ver se me lembro...) o Chalana, o Futre... ah, pois, e o Cristiano Ronaldo, e o Ricardo Quaresma, e o Simão Sabrosa quando joga pelas alas.
Não acreditam?
Epá, vejam os jogos do Benfica na RTP Memória (de vez em quando passam uns dessa época) e logo ficam a saber se tenho ou não razão.
Tudo isto vem a propósito da entrevista que ele deu a esta edição do Margem Sul. A entrevista até está feita um bocado às três pancadas (parece que foi editada à pressa, talvez já em fecho de edição, não é?).
Mas vale sempre a pena ler.
Ei-la:



PS: Há um jornal em Sesimbra, chamado Notícias da Zona, ao qual eu prometi dar atenção, até porque é dirigido pelo grande Tozé Ribeiro (fomos colegas no Sul Expresso e na Sem Mais). Não me esqueci. Fica para uma próxima oportunidade.


António Vitorino

quinta-feira, junho 14, 2007

Ora aí está uma grande notícia:

parece que os ex-dirigentes dos Khmers Vermelhos (aqueles que sobraram, depois destes anos todos) vão, finalmente, começar a ser julgados pelo genocídio que (com o pretexto de fazer a "revolução") cometeram contra o seu próprio povo.

Estou muito curioso para ver quem irá agora defender (defender politicamente, não em tribunal) esta gente.
Acredito que - por ignorância, estupidez ou filhadaputice - haverá quem esteja disposto a fazê-lo.

Talvez os mesmos que dizem que os crimes do(s) fascismo(s) nunca existiram e não passam de uma "invenção" dos comunistas.
Ou talvez (no extremo oposto) os que confundem crises existenciais com atitude revolucionária.

Mas eu estou a gastar o meu latim com isto porquê?... Se até já escrevi um poema sobre o assunto!
Chama-se A "revolução" explicada aos pequeninos e inclui, em rodapé, um interessantíssimo debate político e ainda uma "letra" dos Dead Kennedys, intitulada Holiday in Cambodia, da qual os meninos "revolucionários" gostam muito e cujo verdadeiro significado talvez venham agora a entender, se seguirem com atenção o (previsto; vamos ver se é desta) julgamento dos Khmers Vermelhos.

Ler mais sobre este assunto, neste artigo, de um blog chamado La Nouvelle Ligue.
E também aqui (mas cuidado, aqui é a BBC!)


Vitorino