existem mais pulgas que cães
existem mais ratos que gatos
e
existem mais micróbios que pessoas
muito mais,
aliás.
e ainda bem.
já viram se tivessemos que ser a flora intestinal
de uma bactéria?
e (por outro lado)
já imaginaram
se tivessemos que ser a solução de compromisso
que é um vírus?
(um cobarde de um vírus
que entra sem se anunciar
e só em nós
é vivo
e atroz?...)
António Vitorino
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sábado, dezembro 30, 2006
segunda-feira, dezembro 25, 2006
Diabo vermelho fazendo de pai natal só para ganhar uns trocos nesta quadra festiva
que bem me fica
ter um chapéu
igual ao teu
que é um barrete
todo encarnado
todo benfica
que bem me fica
esse barrete
de pai natal
da coca-cola:
boa prá tola
e não faz mal
mesmo se arranha
cá a entranha
(que coisa estranha)
Affonso Gallo
(este poema é dedicado ao Miguel Nuno, obviamente...)
ter um chapéu
igual ao teu
que é um barrete
todo encarnado
todo benfica
que bem me fica
esse barrete
de pai natal
da coca-cola:
boa prá tola
e não faz mal
mesmo se arranha
cá a entranha
(que coisa estranha)
Affonso Gallo
(este poema é dedicado ao Miguel Nuno, obviamente...)
sexta-feira, dezembro 22, 2006
Conversa
já estavam no café todos os tais
de um grupo que à conversa se entrega.
faltava affonso: e eis que ele chega
e senta-se num canto a ler jornais.
isso não parece bem aos demais
que logo lhe dão de conversa achega:
então affonso essa vida vai negra
ou são só os problemas habituais?
mas affonso não pega na conversa
pois ele só queria mesmo ler.
os outros perguntaram só pra ver
se ele falava. não falou. conversam.
e quando não há nada pra dizer
dizem que talvez vá ou não chover
Affonso Gallo
(Publicado em Debaixo do Bulcão poezine, edição nº 23, Dezembro 2003)
de um grupo que à conversa se entrega.
faltava affonso: e eis que ele chega
e senta-se num canto a ler jornais.
isso não parece bem aos demais
que logo lhe dão de conversa achega:
então affonso essa vida vai negra
ou são só os problemas habituais?
mas affonso não pega na conversa
pois ele só queria mesmo ler.
os outros perguntaram só pra ver
se ele falava. não falou. conversam.
e quando não há nada pra dizer
dizem que talvez vá ou não chover
Affonso Gallo
(Publicado em Debaixo do Bulcão poezine, edição nº 23, Dezembro 2003)
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Paralogismo 01
a soda de fócrates não é igual à sopa do sidónio
aliás os gregos não conheciam a soda e nem fócrates
vrrrum...vrrrum...vrrrum...vrrrum...
(o ruído do autocarro entra pelo vidro despolido)
António Vitorino
(este poema é de final da década de 80, mas foi publicado no Debaixo do Bulcão poezine, edição nº7, Dezembro 1997)
aliás os gregos não conheciam a soda e nem fócrates
vrrrum...vrrrum...vrrrum...vrrrum...
(o ruído do autocarro entra pelo vidro despolido)
António Vitorino
(este poema é de final da década de 80, mas foi publicado no Debaixo do Bulcão poezine, edição nº7, Dezembro 1997)
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terça-feira, dezembro 19, 2006
Oniricofagia
uma lagarta da couve surrealista
caminhando, devorava.
e quanto mais chegava ao caule
mais o surrealismo aumentava
no aparelho digestivo da lagarta.
António Vitorino
(publicado em Debaixo do Bulcão poezine, edição nº1, Dezembro 1996)
caminhando, devorava.
e quanto mais chegava ao caule
mais o surrealismo aumentava
no aparelho digestivo da lagarta.
António Vitorino
(publicado em Debaixo do Bulcão poezine, edição nº1, Dezembro 1996)
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Agora, o pasto
um passarinho voador adulterava
o têxtil argumento das planícies de algodão
do mississipi. chegava-se mais e mais
para este lado da escória que herdámos
dos avós americanos.
geometricamente concebida, a pastagem
olhava-o de longe enquanto não era ainda
flor de eucalipto.
António Vitorino
(Publicado em Debaixo do Bulcão poezine, edição nº1, Dezembro 1996)
o têxtil argumento das planícies de algodão
do mississipi. chegava-se mais e mais
para este lado da escória que herdámos
dos avós americanos.
geometricamente concebida, a pastagem
olhava-o de longe enquanto não era ainda
flor de eucalipto.
António Vitorino
(Publicado em Debaixo do Bulcão poezine, edição nº1, Dezembro 1996)
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quinta-feira, dezembro 14, 2006
Querido diário,
a semana passada estive no Teatro Extremo, convidado que fui para participar numa sessão de Poesia Olímpica sem Piscina. Todo contente da vida, lá fui eu


convenientemente preparadinho para fazer algumas bonitas figuras, como por exemplo estas



ou estas, mais elaboradas pois implicam contracenar com o Jorge Feliciano, o que nem sempre é fácil (ah ah ah)



ou, ainda mais difícil, uma destemida imitação desse grande poeta português chamado Fernando Pessoa. Ei-la, a imitação:
glu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu glu..... ahhhhhhhh!!!!!!!!!!!!!
Pois bem, querido diário, parece que a coisa foi muito mal feita, porque um senhor que para ali estava, no meio do restante público, decidiu que a coisa estava muito mal feita.
E então, para demonstrar como se fazem as cousas, tomou a liberdade de ler uns poemas do António Gedeão, sem que alguém o tivesse convidado para tal.
Ainda por cima não leu do Gedeão o meu poema preferido. Que, por acaso, é este:
ESTATÍSTICA
Quando eu nasci havia em Portugal
(em Portugal continental
e nas ridentes
verdes e calmas
ilhas adjacentes)
uns seis milhões e umas tantas mil almas.
Assim se lia
no meu livrinho de Corografia
de António Eusébio de Morais Soajos.
Hoje, graças aos progressos da Higiene e da Pedagogia,
já somos quase dez milhões de gajos.
António Gedeão
Se calhar este poema não é do António Gedeão. Ou então não é o verdadeiro Gedeão. Deve ser isso, querido diário, deve ser um Gedeão brincalhão, logo menos digno etc etc etc.
Não sei. O que fiquei a saber, isso sim, é que todos temos direito a imiscuir-nos no trabalho dos outros.
Ora, eu não tenho competência para me intrometer no trabalho do pessoal dos SMAS quando está a reparar uma rotura (ou ruptura, se preferirem: é mais poético) nas canalizações, mas posso talvez fazer outras coisas. Por exemplo, da próxima vez que for ver sei lá o Velho Palhaço Precisa-se posso levar a minha caveira e interromper os actores para lhes pedir que me deixem fazer um bocadinho do Hamlet, vá lá só um bocadinho (ficas já avisado, ó Fernando Jorge Lopes). Ou, se estiver a assistir a uma erudita e douta palestra sobre literatura, posso interromper o palestrante para ler qualquer coisita do Eça sei lá talvez do tempo em que ele se armava em jornalista...
Foi com estes tristes pensamentos na minha mente conturbada que terminei aquela noite no bar do Teatro Extremo

(onde, a propósito, estiveram também outras pessoas que não quiseram fazer figura de parvas, incluindo o Killer da Silva que, embora não estivesse previsto no alinhamento inicial do espectáculo, pelo menos teve a coragem de ler textos escritos por ele próprio, em vez de se armar naquilo que tu, querido diário, já entendeste... ah, pois aquela ali é a Eunice, a nossa convidada especial)



E pronto, depois foram-se todos embora, uns para casa, outros sei lá para onde e outros queriam ir ao Gaveto mas decidiram depois ir até ao Lado Negro.
Eu fiquei com o João Mota, a fazer tempo até ao próximo autocarro, e aproveitando para lhe explicar que existe algo no meu âmago que só ficará apaziguado quando todas as mulheres pequeninas de olhos verdes forem erradicadas da superfície da terra, posto que...
Epá, isto não era para escrever, e agora?... Como é que eu apago isto? O que é que acontece se eu carregar nestes três botões ao mesmo tempo?
(É assim que eu, António Vitorinozito, escrevo... desculpem lá...)


convenientemente preparadinho para fazer algumas bonitas figuras, como por exemplo estas



ou estas, mais elaboradas pois implicam contracenar com o Jorge Feliciano, o que nem sempre é fácil (ah ah ah)



ou, ainda mais difícil, uma destemida imitação desse grande poeta português chamado Fernando Pessoa. Ei-la, a imitação:
glu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu gluglu glu glu glu glu..... ahhhhhhhh!!!!!!!!!!!!!
Pois bem, querido diário, parece que a coisa foi muito mal feita, porque um senhor que para ali estava, no meio do restante público, decidiu que a coisa estava muito mal feita.
E então, para demonstrar como se fazem as cousas, tomou a liberdade de ler uns poemas do António Gedeão, sem que alguém o tivesse convidado para tal.
Ainda por cima não leu do Gedeão o meu poema preferido. Que, por acaso, é este:
ESTATÍSTICA
Quando eu nasci havia em Portugal
(em Portugal continental
e nas ridentes
verdes e calmas
ilhas adjacentes)
uns seis milhões e umas tantas mil almas.
Assim se lia
no meu livrinho de Corografia
de António Eusébio de Morais Soajos.
Hoje, graças aos progressos da Higiene e da Pedagogia,
já somos quase dez milhões de gajos.
António Gedeão
Se calhar este poema não é do António Gedeão. Ou então não é o verdadeiro Gedeão. Deve ser isso, querido diário, deve ser um Gedeão brincalhão, logo menos digno etc etc etc.
Não sei. O que fiquei a saber, isso sim, é que todos temos direito a imiscuir-nos no trabalho dos outros.
Ora, eu não tenho competência para me intrometer no trabalho do pessoal dos SMAS quando está a reparar uma rotura (ou ruptura, se preferirem: é mais poético) nas canalizações, mas posso talvez fazer outras coisas. Por exemplo, da próxima vez que for ver sei lá o Velho Palhaço Precisa-se posso levar a minha caveira e interromper os actores para lhes pedir que me deixem fazer um bocadinho do Hamlet, vá lá só um bocadinho (ficas já avisado, ó Fernando Jorge Lopes). Ou, se estiver a assistir a uma erudita e douta palestra sobre literatura, posso interromper o palestrante para ler qualquer coisita do Eça sei lá talvez do tempo em que ele se armava em jornalista...
Foi com estes tristes pensamentos na minha mente conturbada que terminei aquela noite no bar do Teatro Extremo

(onde, a propósito, estiveram também outras pessoas que não quiseram fazer figura de parvas, incluindo o Killer da Silva que, embora não estivesse previsto no alinhamento inicial do espectáculo, pelo menos teve a coragem de ler textos escritos por ele próprio, em vez de se armar naquilo que tu, querido diário, já entendeste... ah, pois aquela ali é a Eunice, a nossa convidada especial)



E pronto, depois foram-se todos embora, uns para casa, outros sei lá para onde e outros queriam ir ao Gaveto mas decidiram depois ir até ao Lado Negro.
Eu fiquei com o João Mota, a fazer tempo até ao próximo autocarro, e aproveitando para lhe explicar que existe algo no meu âmago que só ficará apaziguado quando todas as mulheres pequeninas de olhos verdes forem erradicadas da superfície da terra, posto que...
Epá, isto não era para escrever, e agora?... Como é que eu apago isto? O que é que acontece se eu carregar nestes três botões ao mesmo tempo?
(É assim que eu, António Vitorinozito, escrevo... desculpem lá...)
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sexta-feira, dezembro 08, 2006
É hoje! É hoje!
VITORINO: O que calhava bem agora era uma sessão de poesia olímpica sem piscina... Se a tanto me ajudar engenho e arte, já dizia o grande zarolho.

Quem, eu?
Não, o Brotas!...
Quem, eu?
VITORINO: Ah! ah! ah! ganda estúpido! Fala-se em Brotas e o gajo percebe Botas!
Azar... Com gente desta, o melhor é comer chocolates...
Ludere me putas?

Quem, eu?
Não, o Brotas!...
Quem, eu?VITORINO: Ah! ah! ah! ganda estúpido! Fala-se em Brotas e o gajo percebe Botas!
Azar... Com gente desta, o melhor é comer chocolates...Ludere me putas?
Dia D (De Dado)
alea jacta est:
jactámos o que tinhamos a jactar
será esta para nós a grande sorte
será o grande azar
à hora do jantar
digo-me portanto que:
a bússula perdeu o norte
e o oriente esse pois desorientou-se
e a via láctea para não variar
azedou-se
estou azedo
não sou ninguém
aparte isso sou toda a gente
eu sei que não foi isto que disse o álvaro de campos
mas eu estou-me a cagar para o álvaro de campos
como chocolates
se me apetecer comer chocolates
sou um minúsculo obsessivo
mas isso só quando me chamo baltasar mingo
em tempos ensinaram-me
a jogar póquer de dados
mas agora já esqueci
estão a ver como sou burro?
António Vitorino
jactámos o que tinhamos a jactar
será esta para nós a grande sorte
será o grande azar
à hora do jantar
digo-me portanto que:
a bússula perdeu o norte
e o oriente esse pois desorientou-se
e a via láctea para não variar
azedou-se
estou azedo
não sou ninguém
aparte isso sou toda a gente
eu sei que não foi isto que disse o álvaro de campos
mas eu estou-me a cagar para o álvaro de campos
como chocolates
se me apetecer comer chocolates
sou um minúsculo obsessivo
mas isso só quando me chamo baltasar mingo
em tempos ensinaram-me
a jogar póquer de dados
mas agora já esqueci
estão a ver como sou burro?
António Vitorino
terça-feira, dezembro 05, 2006
domingo, dezembro 03, 2006
FEBRE DE SÁBADO À NOITE!!!
(esta posta é de ontem à noite, pobre de mim...)
a esta hora os góticos estão a ver na sala 2: excalibur
e eu deitado na minha caminha
muito sossegadinho
a ouvir as irmãs tesouras
e a procurar no teletexto do canal vê
(canal vê escreve-se com ponto de exclamação)
se hoje há casa na raposa e não há
ora bolas!
tenho uma vida chatinha mas pelo menos
sou subtil
como se viu por aquele verso ou lá o que é ali em cima
e muito mas mesmo muito engraçadinho
até dá dó
ver que não tenho o meu próprio talk show
(... ai ai pobre de mim, etc. etc. etc.)
António Vitorino
a esta hora os góticos estão a ver na sala 2: excalibur
e eu deitado na minha caminha
muito sossegadinho
a ouvir as irmãs tesouras
e a procurar no teletexto do canal vê
(canal vê escreve-se com ponto de exclamação)
se hoje há casa na raposa e não há
ora bolas!
tenho uma vida chatinha mas pelo menos
sou subtil
como se viu por aquele verso ou lá o que é ali em cima
e muito mas mesmo muito engraçadinho
até dá dó
ver que não tenho o meu próprio talk show
(... ai ai pobre de mim, etc. etc. etc.)
António Vitorino
quinta-feira, novembro 30, 2006
Ando muito contente / Com minha boa gente
ultimamente
há muita gente
a conseguir realizar alguns dos meus sonhos antigos:
um cd de poesia
e na fnac um recital
(ideias que este grande idiota
terá tentado já bulcanizar)
um programa de rádio
poético-marado
que o jorge feliciano espera fazer mas lá em moura
e poesiolímpica mas sem piscina

(qué uma coisássim quase c'alexandrina)
fico contente
com tanta gente
que vejo labutar em prol da poesia
fico estridente
evidente-
mente
e
até já segredei cá ao gallo affonso:
ena pá
ó affonso
agoréquevaiser!
António Vitorino
há muita gente
a conseguir realizar alguns dos meus sonhos antigos:
um cd de poesia
e na fnac um recital
(ideias que este grande idiota
terá tentado já bulcanizar)
um programa de rádio
poético-marado
que o jorge feliciano espera fazer mas lá em moura
e poesiolímpica mas sem piscina

(qué uma coisássim quase c'alexandrina)
fico contente
com tanta gente
que vejo labutar em prol da poesia
fico estridente
evidente-
mente
e
até já segredei cá ao gallo affonso:
ena pá
ó affonso
agoréquevaiser!
António Vitorino
terça-feira, novembro 28, 2006
Vejam lá se não é assim:
participar num recital de poesia
é como andar na montanha russa
(sim que eu sou do tempo em que os divertimentos de feira se resumiam quase só à montanha russa, portanto, etc):
muito giro muito giro
até ao princípio da primeira descida a pique
aí borramo-nos de medo
mas já não há volta a dar
e temos mesmo de ir até ao fim.
António Vitorino
Props: Andreia Egas, Jorge Feliciano, Vera Mateus e todos os que tornaram possível a Poesia Olímpica Sem Piscina, no Recluso Bar, em Moura
é como andar na montanha russa
(sim que eu sou do tempo em que os divertimentos de feira se resumiam quase só à montanha russa, portanto, etc):
muito giro muito giro
até ao princípio da primeira descida a pique
aí borramo-nos de medo
mas já não há volta a dar
e temos mesmo de ir até ao fim.
António Vitorino
Props: Andreia Egas, Jorge Feliciano, Vera Mateus e todos os que tornaram possível a Poesia Olímpica Sem Piscina, no Recluso Bar, em Moura
terça-feira, novembro 21, 2006
ARRRAÇA
(entre as várias opções que tínhamos
optámos pela seguinte)
bem. sejamos do género
do género que nos fica bem
do género que engole a sopárrrir
come a carne e come o peixe também
come tudo tudo tudo
come o pai e come a mãe
come tudo sem colher
chega a casa e dá porrada na mulher.
António Vitorino
optámos pela seguinte)
bem. sejamos do género
do género que nos fica bem
do género que engole a sopárrrir
come a carne e come o peixe também
come tudo tudo tudo
come o pai e come a mãe
come tudo sem colher
chega a casa e dá porrada na mulher.
António Vitorino
domingo, novembro 19, 2006
Um Tipo, Tipo Capaz
capaz de comer um churro
capaz de montar um burro
capaz de moldar um barro
capaz de acender um charro
capaz de cuspir no chão
capaz de morder a mão
capaz de catar macacos
capaz de matar diabos
capaz de engatar garinas
capaz de cavar nas minas
capaz de cravar uns trocos
capaz de capar uns porcos
capaz de roubar uns carros
capaz de enganar uns parvos
rapaz dado à brejeirice
capaz de tudo o que disse
capaz de tudo o que fez
capataz da estupidez.
António Vitorino
(Abril 2004)
capaz de montar um burro
capaz de moldar um barro
capaz de acender um charro
capaz de cuspir no chão
capaz de morder a mão
capaz de catar macacos
capaz de matar diabos
capaz de engatar garinas
capaz de cavar nas minas
capaz de cravar uns trocos
capaz de capar uns porcos
capaz de roubar uns carros
capaz de enganar uns parvos
rapaz dado à brejeirice
capaz de tudo o que disse
capaz de tudo o que fez
capataz da estupidez.
António Vitorino
(Abril 2004)
quinta-feira, novembro 16, 2006
Poema com muita lógica
quando um gajo se senta frente a uma folha branca de papel
esta obviamente a sofrer de um ai maligno.
quando um gajo se senta e saca da caneta
para sujar a folha que era branca de papel
está ainda mais obviamente a espremer
o pus dessa infecção que a humanidade dispensava
e a que autocomiseradamente o gajo chama literatura.
assim, se não morrer da doença
pode ser que também não morra da cura
até porque este gajo lembra-se de um outro que
quinze minutos antes de morrer ainda estava vivo
e só por esse feito valoroso
da lei da morte lá se foi safando.
António Vitorino
(Maio 2003)
esta obviamente a sofrer de um ai maligno.
quando um gajo se senta e saca da caneta
para sujar a folha que era branca de papel
está ainda mais obviamente a espremer
o pus dessa infecção que a humanidade dispensava
e a que autocomiseradamente o gajo chama literatura.
assim, se não morrer da doença
pode ser que também não morra da cura
até porque este gajo lembra-se de um outro que
quinze minutos antes de morrer ainda estava vivo
e só por esse feito valoroso
da lei da morte lá se foi safando.
António Vitorino
(Maio 2003)
terça-feira, novembro 14, 2006
A PERCEPÇÃO DA REALIDADE ou discurso do pré-socrático
uma coisa é o que é
o que é é, o que não é não é
a é a
uma coisa é igual a si mesma
logo
uma coisa não é o que não é
o que não é não é, o que é é
b não é a
uma coisa não é igual a outra coisa
ludere me putas?
Joãozito Seabra
o que é é, o que não é não é
a é a
uma coisa é igual a si mesma
logo
uma coisa não é o que não é
o que não é não é, o que é é
b não é a
uma coisa não é igual a outra coisa
ludere me putas?
Joãozito Seabra
domingo, novembro 12, 2006
Como Azedar um Poema
"a cidade amanheceu cinzenta" escreve um poeta
que só escreve (pouco) aos domingos
quando esse dia por estúpida coincidência é a sua folga semanal.
"depois o sol lá resolveu espreitar por entre as nuvens"
o que (importa dizer-se) não aconteceu com a inspiração do poeta
por isso saiu de casa fechou a porta à chave
foi ao café beber mais um café.
"o sol agora queima" no guardanapo de papel
e "torna tórridos os símbolos e o pensamento"
no guardanapo de papel.
quando chegou a casa sentiu logo o cheiro do poema
que azedara.
António Vitorino
(Maio 2003)
que só escreve (pouco) aos domingos
quando esse dia por estúpida coincidência é a sua folga semanal.
"depois o sol lá resolveu espreitar por entre as nuvens"
o que (importa dizer-se) não aconteceu com a inspiração do poeta
por isso saiu de casa fechou a porta à chave
foi ao café beber mais um café.
"o sol agora queima" no guardanapo de papel
e "torna tórridos os símbolos e o pensamento"
no guardanapo de papel.
quando chegou a casa sentiu logo o cheiro do poema
que azedara.
António Vitorino
(Maio 2003)
Não se goza com a goza
o meu camagada e amigo magtins gamalho avisou-me:
cuidado ó vitogino! com a goza não se goza!
olha que o sócgates não é o alegge
nem o joão soagues (o soagues até é fixe
quando tegmina os discugsos dizendo
viva pogtugal camagadas!). olha que o sócgates
quando em 2000 uma jognalista lhe pegguntou
se a seca que então se vivia podia compgometeg
o enchimento da bagagem do alqueva
o gajo (que ega ministgo do aombiente) nem pestanejou
pegante o guidículo da peggunta
e um gajo sem a noção do guidículo
é um gajo peguigoso, avisou-me
o meu camagada e amigo magtins gamalho.
ps: eu sigo o seu conselho avisado
e recuso-me a escrever sobre o c0ngresso do ps.
António Vitorino
cuidado ó vitogino! com a goza não se goza!
olha que o sócgates não é o alegge
nem o joão soagues (o soagues até é fixe
quando tegmina os discugsos dizendo
viva pogtugal camagadas!). olha que o sócgates
quando em 2000 uma jognalista lhe pegguntou
se a seca que então se vivia podia compgometeg
o enchimento da bagagem do alqueva
o gajo (que ega ministgo do aombiente) nem pestanejou
pegante o guidículo da peggunta
e um gajo sem a noção do guidículo
é um gajo peguigoso, avisou-me
o meu camagada e amigo magtins gamalho.
ps: eu sigo o seu conselho avisado
e recuso-me a escrever sobre o c0ngresso do ps.
António Vitorino
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sexta-feira, novembro 10, 2006
Greve? Qual greve?
acordei de manhã e a televisão estava a funcionar.
fui à janela e vi passar um carro eléctrico.
fui ao café e serviram-me um café.
fui comprar pão e havia pão.
apanhei um autocarro porque havia autocarros.
à hora em ponto estava no ponto
para não me juntar aos 11,74 por cento que (números do governo)
se baldaram vergonhosamente ao trabalho na minha repartição.
qual greve?
Daniel Urtigas
fui à janela e vi passar um carro eléctrico.
fui ao café e serviram-me um café.
fui comprar pão e havia pão.
apanhei um autocarro porque havia autocarros.
à hora em ponto estava no ponto
para não me juntar aos 11,74 por cento que (números do governo)
se baldaram vergonhosamente ao trabalho na minha repartição.
qual greve?
Daniel Urtigas
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