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terça-feira, janeiro 20, 2009

Mensagem para Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos da América:

"Senhor Presidente,


No momento em que V. Exa. assume a presidência de uma nação cujo poder de intervenção no conflito israelo/palestino é decisivo para a sua solução, apelo a que a nova administração norte-americana assuma, por palavras e por actos e com a urgência que a situação catastrófica decorrente da invasão israelita da Faixa de Gaza reclama, uma atitude que contribua para o decisivo estabelecimento de um Estado Palestino independente e soberano, nos termos aliás expressos nas resoluções das Nações Unidas e de acordo com os mais elementares princípios do Direito Internacional, e para uma Paz justa no Médio Oriente."

Este é o texto de uma mensagem apresentada pelo escritor José Saramago, em 18 de Novembro de 2008, por ocasião da Semana da Palestina, promovida pelo MPPM - Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente.

Saramago, Prémio Nobel da Literatura e presidente da Assembleia Geral do MPPM, apelou a todos os portugueses sensíveis ao sofrimento do Povo Palestino, cuja opressão se arrasta há mais de meio século, que enviassem uma mensagem por correio electrónico para a Casa Branca, no dia 20 de Janeiro, data da posse do novo presidente dos Estados Unidos da América, instando Barack Obama a intervir a favor de uma solução justa para a resolução deste problema que é uma afronta para os direitos humanos e uma ameaça para a paz mundial.


Enviar para o endereço
comments@whitehouse.gov
com CC para mppm.palestina@gmail.com

terça-feira, janeiro 06, 2009

Um poema palestiniano:


Vós homens
E vós mulheres
Todos vós, xeques, rabinos, cardeais,
Vós enfermeiras e operárias têxteis,
Tanto tempo haveis esperado
E o carteiro ainda não chegou
Trazendo as ansiadas cartas
Através dos ressequidos
Arames
Farpados


Homens
Mulheres
Não espereis mais, não espereis
Arrancai as roupas da vossa noite
Escrevei as vós mesmos
As cartas das vossas esperanças


Samih al-Qassim

autor palestiniano citado por Emil Habibi, no livro
"As estranhas circunstâncias do desaparecimento de Saíd Abu Nahs O OPTISSIMISTA" - Edição portuguesa: Editorial Caminho, Lisboa, Setembro de 1985.

"O optissimista", escrito entre 1972 e 1974, foi publicado originalmente na edição árabe do jornal Al-Ittihad (órgão central do Partido Comunista de Israel), como um "romance epistolar", publicado nas páginas do periódico, uma carta de cada vez. Foi traduzido por António Bento Guimarães a partir da versão francesa, "L'Optissimiste", de 1980. A capa - de que reproduzo um pormenor - é de António Domingos.

(Espero voltar a este livro, com divulgação de excertos do romance propriamente dito.)

terça-feira, dezembro 16, 2008

O que está a acontecer na Grécia?


Leio, no blogue exarchialx, isto:

«No dia 9 de Dezembro um fotógrafo pediu a publicação duma imagem que mostra um oficial de polícia apontando a sua pistola para a multidão, uma provocação que decorreu um dia após o homicídio do adolescente que levou as multidões a protestos em todo o país. Inicialmente o jornal “Eleftheros Typos” – que ironicamente em grego significa “Imprensa Livre”– publicou a foto numa página interior. Mas o fotógrafo não guardara a determinação e no dia seguinte, possivelmente depois da gerência ter recebido queixas importantes por personalidades de alto grau, perdeu seu emprego.»


Ora, isto é o género de informação que não chega até nós pelos canais televisivos (ou pelos outros canais) do "centrão" político que nos governa a todos (se calhar devia ter posto governa entre aspas, mas adiante, que vocês certamente entenderam a ideia).

Eu não concordo com tudo o que se diz nesse blogue, note-se.
Não acredito assim logo à primeira na versão "anti-oficial" (o rótulo sou eu que o ponho, não está nesse blogue) segundo a qual o jovem que foi morto pela polícia era um inocente que até nem estava a fazer nada de mal. Pode ser verdade. Mas pode não o ser. Se esse jovem estivesse, como diz a polícia grega, a atacar um carro-patrulha, qual é o problema de o admitir?
Não deixaria de ser um jovem corajoso que, à sua maneira, terá tentado lutar contra o "sistema". (Se o método usado é ou não o mais correcto e admissível, isso é outra questão.)

O problema fundamental é, na minha opinião, outro. É que tudo isto não se resume a uma pequena revolta contra "o sistema" (e o "sistema" tem as costas largas, como se sabe), mas parece-me ser, sim, um grande levantamento popular contra políticas capitalistas anti-sociais (escrevi sociais e não socialistas, ok?) que o "centrão" que nos governa (Grécia incluída) tem desenvolvido, desde os anos 80 - com governos mais ou menos "conservadores" ou mais ou menos "socialistas".

De resto, quem escreve nesse blogue tem opinião que não parece ser muito diferente da minha:

«O movimento social na Grécia protesta contra a violência que a polícia exerce sobre os cidadãos, cujo caso mais recente foi o assassinato de um jovem de 16 anos. Mas os protestos são também contra as crescentes desigualdades sociais.

Neste mundo, quase todos os gregos com menos de 25 anos sabem que pertencem ao que é chamado por todo o lado como "a geração 700 euros", a primeira geração depois da segunda guerra mundial que cresce com a certeza que vai viver uma situação pior que a dos seus pais. Uma geração com poucas perspectivas de um futuro melhor e ainda menos esperança nesse futuro.»

E, mais adiante, depois de criticar uma visão "cinematográfica" e folclórica dos gregos como gente com «uma vaga tendência “histórica” (...) de se rebelarem contra a autoridade – como se os manifestantes furiosos e os cocktais Molotov atirados às esquadras nas últimas noites estivessem de alguma maneira directamente relacionados com a cultura de guerra dos Espartanos ou até, segundo a opinião fundamentada de John Carr, com as guerras dos Troianos» (toma lá, digo eu...) lê-se ainda:

Neste mundo, os gregos sofrem ironicamente de uma elite política e económica corrupta, que, nos últimos anos, esteve constantemente ligada a escândalos de dinheiro público e até terra pública; elite esta que, no entanto, se recusa, sem vergonha, a sequer pedir desculpa, muito menos a aceitar reformas.

É neste mundo – e não no mundo dos comentadores com inclinações arqueológicas – que uma única bala pode incendiar uma raiva que tinha vindo a crescer num ritmo constante nos últimos anos; e, numa nota positiva mas cautelosa, a incendiar também uma alma pública, de que tanto se precisa, à procura de um país.

Claro está, não faz sentido pedir-vos que façam alguma coisa por isto. Mas faz sentido pedir-vos que façam alguma coisa.
A próxima vez que lerem sobre “protestos sem sentido” noutro país, por favor, parem por um segundo a pensar no que o olho jornalístico é incapaz de ver.

E, por favor, lembrem-se que as pessoas não queimam as suas próprias cidades só porque têm mau humor nacional.»

Embora, no que diz respeito a "olho jornalístico" e às razões que levam as pessoas a queimar as suas cidades, eu até tenha algumas objecções, recomendo vivamente este blogue.

Eu vou acompanhá-lo: será uma das minhas fontes de informação sobre este levantamento popular na Grécia.

segunda-feira, novembro 03, 2008

O nosso mundo (ou uma parte dele) em Novembro de 1992

Estando eu, como estou, a comemorar 16 anos de actividade jornalística, apeteceu-me compartilhar convosco um dos primeiros noticiários que editei (profissionalmente - porque já tinha experimentado antes fazer essas coisas numa rádio "pirata").
Ora bem: o que se segue é a edição de notícias às 16 horas na Rádio Baía, terça-feira, dia 3 de Novembro de 1992.
Destaques?
Eleições nos Estados Unidos da América (a essa hora já se votava, havia 2 candidatos "tradicionais" e Ross Perot, um milionário direitista (mas que eu até gostei de ver na corrida, porque era novidade); Bill Clinton era o favorito nas sondagens e tudo apontava para que esse saxofonista conseguisse tirar do poder o papá George Bush, que cumprira só um mandato, como sucessor do "grande actor" Ronald Reagan).
De Angola as notícias que chegavam não eram nada agradáveis: a guerra civil continuava, e recrudescia. Timor-Leste era ainda um país ocupado e Xanana Gusmão apresentava propostas para a negociações entre Portugal e a Indonésia.
E aqui, neste cantinho (neste oásis) à beira-mar plantado, o governo de Cavaco Silva mostrava as suas preocupações sociais ao aumentar os valores das reformas de dois milhões de pensionistas (e se vocês, caros leitores, pensam que, algures neste texto, estou a ser irónico, talvez tenham alguma razão para o pensarem - mas eu cá não confirmo nem desminto).
Aqui fica, então, o registo desse noticiário:



Eu sei que, tecnicamente, este noticiário deixa algo a desejar. Mas notem que não fazia rádio (rádio a sério, pelo menos) desde 1988. E este era o meu segundo dia de trabalho na Rádio Baía. Estava ainda meio atrapalhado. Cometi algumas "gafes". Mas notem também que dizer (como disse) "cônjugues a prazo" não é necessariamente um erro: todos os cônjugues são a prazo.

Encontram mais vídeos como este em
http://www.youtube.com/bulcanico

quinta-feira, julho 03, 2008

A "originalidade" dos políticos portugueses...


O senhor primeiro-ministro de Portugal, engenheiro José Sócrates, ontem à noite, na RTP, deixou-nos esta pérola (ou, se preferirem, este soundbite):

«Temos de viver com aquilo que temos!»

A frase é um comovente apelo: por um lado, à aceitação das "inevitáveis" medidas de austeridade económica que se aproximam; por outro, à capacidade de, com algum "inevitável" sofrimento, ultrapassarmos esta fase menos boa que o país vai atravessar (como se não estivesse já a fazê-lo, desde os primeiros anos desta década, mas enfim...).

Ora, não há dúvida nenhuma sobra a eficácia do soundbite, pois não? Ficou no ouvido, não ficou?
Pois ficou: hoje mesmo há tanta gente a parafraseá-la!


Tal como, nos idos da década de 80 (se é que não foi mesmo na de 70, não me recordo agora), num tempo em que Mário Soares era primeiro-ministro de Portugal (embora não se usasse ainda a expressão "primeiro-ministro de Portugal" - que foi "inventada" numa campanha eleitoral do Professor Cavaco, nos idos da década de 90...), e numa época em que se anunciavam medidas de austeridade, ficou famoso o seguinte, e pungente "slogan" (que era como se chamava, na altura, a um soundbite), precisamente:

«Temos de viver com aquilo que temos!».

(Como já sei que alguns de vocês não acreditam em mim, façam o favor de confirmar lendo o que outros autores dizem sobre a mesma frase, nos seguintes "links":


Confirmado? Então, adiante...)

Ora, isto fez-me lembrar que, no que diz respeito a soundbites, os políticos portugueses são bué originais!


Lembremo-nos, por exemplo, do marechal Spínola (quando era ainda General, e Presidente da República), a apelar à «maioria silenciosa do povo português». Algo que, anos antes, um presidente norte-americano, de nome Richard Nixon (sim, o do caso Watergate), fizera também - apelando, nesse caso (obviamente) ao bom povo dos Estados Unidos da América.
Num e noutro caso, a coisa deu para o torto.


E, como alguém já disse (embora por outras palavras) nunca é boa ideia "macaquear" a História - ela não gosta, vira-se a nós, e morde-nos. Depois, não nos podemos queixar - a não ser de nós próprios...


PS - Sobre o outro assunto político do dia - a libertação de Ingrid Betancourt - faço minhas as palavras de El Presidente Hugo Chavez, na entrevista que graciosamente concedeu a Mário Soares e que passou, há pouco tempo, na RTP: a luta armada não deve ser feita recorrendo a reféns civis, ainda que sejam políticos. Só isso.

terça-feira, junho 24, 2008

Ainda não falei sobre a "nova lei da imigração"...


A tal lei - ou, para ser mais rigoroso, directiva da União Europeia - que, entre outras "novidades", prevê o que, já na década de 90, alguns chamavam "campos de concentração" para imigrantes em situação ilegal, enquanto estes não são expulsos do país de acolhimento.

A novíssima "lei europeia anti-imigração" (não sou eu que assim a catalogo: estou a citar o site brasileiro da Globo) "prevê a deportação de todos os imigrantes ilegais capturados e a possibilidade de detenção em até 18 meses em campos especiais".

Ou seja: já nos anos 90 havia a intenção de avançar com medidas tão interessantes para a defesa da dignidade humana, numa Europa mui civilizada - tão civilizada que dá lições ao resto do mundo (excepto, eventualmente, aos ainda mais civilizados - nestas questões de imigração, entenda-se - Estados Unidos da América.

Ou seja, ainda: o que não passou nos anos 90 (porque teve a oposição de muita gente bem formada e informada) parece que vai passar agora, sem grande problema.

E olhem que os anos 90, que eu me lembre, nem sequer foram uma época de muita consciencialização política, ou de grandes preocupações sociais.
Parece é que agora estamos pior (nesses e em quase todos os aspectos).

Chamem-me moralista se quiserem. Mas que isto me cheira a retrocesso civilizacional, lá isso cheira. E não é um cheiro agradável.



Mais coisas:
A ilustração, de Nuno Saraiva, foi publicada originalmente no "Guia Anti-Racista", uma edição SOS-Racismo, de 1992.

Site do Governo português sobre questões de imigração:
http://www.imigrante.pt/
Onde encontram, em ficheiro pdf, o texto integral da actual legislação portuguesa (sem as "actualizações" da directiva comunitária a que me refiro):
http://www.imigrante.pt/noticias/235.pdf

Encontram também uma entrevista com dirigentes da Frente Anti-Racista aqui:
http://vitorinices2.blogspot.com/2008/05/pedro-santarm-e-caiano-dias-frente-anti.html

quarta-feira, junho 18, 2008

O arrastão, o eixo do mal (ou os suspeitos do costume)... e... olha, e eu, prontos!


É assim: um dos programas que eu gosto mais de ver na TV é O Eixo do Mal.

Passa na SIC Notícias duas vezes por semana (nã me perguntem em que dias: procurem vocês).

O Arrastão é o blogue de um dos... hããã... comentadores?... desse programa de... huumm... debate político?...
É ele - o comentador que tem esse blogue - o Daniel Oliveira. Que eu não conhecia de lado nenhum antes de o ver na TV (aliás, continuo a não conhecer: só o vejo na TV). Mas que gosto muito de ouvir (enfim, de ver) naquele programa de... prontos, de debate político, tá bem.
Acontece que o senhor Oliveira tem, no seu blogue, ligações a muuuuitos outros blogues, de todo o país (enfim, quase) e, no caso de Setúbal (distrito), não se esqueceu de incluir os deste vosso amigalhaço, a saber: o Debaixo do Bulcão, e este, Coisitas do Vitorino (esqueceu-se de outras, que também são da casa, mas prontos, a gente desculpa...).
E derivado a isso, a ele ter linkado estes, eu vejo-me agora obrigado a dizer qualquer coisita sobre o assunto. Assim tipo obrigadinho, pá, e prontos, sendo assim falo também no Arrastão para não parecer mal, não é, e...
A chatice é que não posso dar ares de muito entusiasta desse blogue e das intervenções públicas do seu autor (apesar de, na verdade, apreciar ambos). Porque o tipo é bloquista e eu cá não sou, estão a ver?
Pois, é isso!
E não é nada porreiro, isso, pá!


(Explicação deste "post", para quem precisar dela: metam-se na fila para os neurónios, meus caros, e aproveitem que o sentido de humor está em promoção! A sério: "eles" andam a oferecer dois quilos de sentido de humor por cada 150 gramas de neurónios prontos a ser utilizados. Aproveitem! Vá lá: é boa altura para ficarem inteligentes...)

quinta-feira, abril 24, 2008

E isto é o quê? Violência à borla? Solidariedade com os skinheads?


Anda por aí um grupinho de jovens, muito conscientes e bem formados politicamente, a convocar para amanhã, 25 de Abril, uma “manifestação anti-autoritária”.

Dizem eles que (e passo a citar):

«Manifestamo-nos neste dia porque passaram 34 anos desde que uma pseudo-revolução substituiu um governo fascista por um governo que continua a controlar, a matar e a reprimir e cujos antecessores rapidamente se preocuparam em controlar o "descontrolo" das populações no pós 25 de Abril.

A marcha dos tristes, que todos os anos comemora esta transição, não nos diz nada, pois não queremos celebrar o quotidiano policial nem a liberdade-de-centro-comercial.

Assim, esta como qualquer outra data, serve para contestar este e qualquer governo pois, inevitavelmente, todos nos querem impor uma vida debaixo de câmaras de vigilância, fronteiras e polícias várias.»

O texto é deles. Mas os sublinhados são meus.

A propósito… Lembram-se da “manifestação anti-fascista” do 25 de Abril do ano passado?

Aquela em que um grupo de jovenzinhos muito conscientes e bem formados politicamente tentou atacar o cartaz do PNR, depois a sede do PNR e, como esses porcos fascistas da polícia não os deixaram fazer nem uma coisa nem outra, acabaram por virar a sua raiva contra as montras desses outros porcos fascistas que são os comerciantes do Chiado?

Aquela manifestação que acabou com os pobres inocentes jovenzinhos a levarem porrada da polícia?

Acham que eles estão a preparar uma nova dose do mesmo? Será?

E quem ganha com isso?

Os jovenzinhos que, assim, ficam com mais razões de queixa da “brutalidade policial” - devidamente gravada em vídeo e postada na Internet?

Ou os skinheads – que, assim, ficam com mais uma bandeira nas suas reivindicações securitárias contra esta “escumalha” desordeira?

domingo, março 09, 2008

A Política faz-se, também, na rua!!!


Cem mil professores (dos cerca de 150 mil que exercem em Portugal) manifestaram-se em Lisboa, no passado sábado, contra a política deste Governo para o sector da Educação.

Mais informação (por exemplo), em:

Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL)

Federação Nacional dos Professores (Fenprof)

«São 16 anos de ensino, e nunca me tinha manifestado»!


A manifestação de 8 de Março levou às ruas, em protesto, muitos professores que nunca antes tinham participado em contestações de rua. É o caso desta docente, entrevistada em directo, na RTPn, por uma jornalista aparentemente deslumbrada.
Lembrou-se, a jornalista (e não despropositadamente, diga-se), de fazer a “ligação” entre a data da manif e o Dia da Mulher, porque «a maior parte dos professores são mulheres, e a maioria dos manifestantes também o são», justificava.


Aqui vos deixo um pedaço dessa “entrevista de rua”, com o texto integral das perguntas e das (lúcidas e muito assertivas, digo eu) respostas:


- Boa tarde. Não fuja. É professora de quê?
- Primeiro ciclo.
- Está aqui para se manifestar contra esta política. Hoje é o dia da mulher. Esta é uma forma diferente de comemorar o dia da mulher?
- Não. Os casos são independentes. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Somos mulheres o ano inteiro. Estamos aqui pela nossa causa, pelo futuro das nossas crianças.
- Muitos professores em Portugal são do sexo feminino, uma percentagem maior que do sexo masculino. Esperava, como professora, passar aqui o seu dia, digamos assim, enquanto mulher?
- Não, não esperava. São 16 anos de ensino e é a primeira vez que aqui estou.
- Nunca se tinha manifestado desta forma, participado numa grande manifestação?
- Não, nunca.
- Isso significa que chegou ao seu ponto de rotura? Acha que é importante mudar?
- Infelizmente os professores chegaram a um ponto de rotura. É muito triste chegarmos à nossa posição, termos dado tantos anos do nosso empenho e não sermos considerados.
- A questão da avaliação, para si, é uma questão que a incomoda, ou não se importa de ser avaliada, desde que noutros termos?
- Como professora, o que menos me incomoda é a minha avaliação. Não tenho medo de avaliação. Qualquer pessoa que me queira avaliar, com competência, poderá fazê-lo. O que me incomoda, e muito, é este processo há muitos anos se ter vindo a degradar..


E a entrevistada começou a dar exemplos do seu descontentamento: «não haver condições nas escolas», «não se facilitar a integração de crianças com deficiência», e mais algumas coisas... que já não consegui ouvir (nem mesmo depois de visionar várias vezes a gravação que fiz) porque, entretanto, passou por ali uma grupo mais barulhento de manifestantes, que cantavam «está na hora, está na hora, de a ministra se ir embora»...

segunda-feira, março 03, 2008

Palavras para quê?...


Disse a polícia (a polícia, não o PCP…) que estiveram lá 50 mil pessoas (o PCP diz que foram mais de 50 mil). E, numa marcha promovida pelo PCP, o mais natural é que fossem mesmo 50 mil pessoas… comunistas (militantes ou, no mínimo, simpatizantes)!
Acontece que, nesse mesmo dia, houve manifestações de professores, em outras cidades do país. Também eles descontentes com o Governo que temos.
Seriam, todos eles, comunistas (ou simpatizantes), também?
Ou, para que a pergunta não fique ambígua: não será tempo de os senhores que se sentam nas cadeiras do poder mudarem um bocadinho o discurso sobre estas manifestações de descontentamento? E, já agora, mudarem também as políticas?
A mim parece-me que sim. Mas eu cá, que nasci ontem, não percebo nada destas coisas…

(Fotos retiradas do site do PCP. Mais imagens aqui.)

quinta-feira, janeiro 17, 2008

(agora uma pequenina liberdade poética...)

Há por aí muitos que utilizam os poderes que lhe foram confiados...


como se usassem... um pente?

pois, sim: como se utilizassem este pente...


E isso é muito feio: o Poder não é um pente!
Sabiam?

(nas imagens: eu, fotografado por Miguel Nuno Vargas)

PS (que, como estou farto de vos dizer, significa post scriptum): a explicação está algures nos artigos que aparecem abaixo deste pequenino devaneio poético. Se, mesmo assim, não perceberem... ó meus amigos, que hei-de eu dizer-vos mais?...

quinta-feira, novembro 01, 2007

Em Almada, acontecem coisas realmente bizarras!...

Ontem, na famigerada noite das bruxas, o principal eixo viário de Almada esteve cortado ao trânsito, sem aviso e sem razão aparente. Teria sido devido às obras do Metro Sul do Tejo (MST)? Não se sabe bem, até porque quem lá mora não deu por nada. Ou seria uma “brincadeira de Halloween”? É que a Transportes Sul do Tejo (TST), empresa que assegura o tráfego de passageiros, não foi avisada e, portanto, teve de desviar carreiras sem dar “satisfações” aos utentes. E a própria Câmara Municipal de Almada (CMA) parece ter sido apanhada de surpresa. Bizarro, não é?

Então foi assim: ontem à noite, ia eu apanhar o autocarro das 23h30 para a Costa de Caparica (ou Trafaria, ou Fonte da Telha, ou Marisol... tanto faz, desde que passe pelo Bairro Amarelo)... e fartei-me de esperar, mas... nada! Enfim, eu (e os outros – muitos – utentes que aguardavam na paragem da Praça São João Baptista) já devemos estar tão habituados ao mau desempenho dos TST, que não estrebuchámos muito. Enquanto uns ficaram à espera do autocarro seguinte (que seria à meia-noite e cinco minutos), eu resolvi descer até à paragem acima da Praça Gil Vicente, e esperar aí pelo dito.

Lá esperar, esperei. Eu e os (muitos) candidatos a passageiros que, a essa hora, estavam naquela paragem. Mas autocarro, mais uma vez, nem vê-lo. Resolvi então descer mesmo até ao largo de Cacilhas e perguntar aos funcionários da empresa que raio se estaria a passar. E pronto, foi isso mesmo o que fiz.

Ora, qual não foi o meu espanto quando uns senhores funcionários dos TST, anormalmente simpáticos e solícitos, me explicaram que os autocarros não podiam circular pelo eixo das avenidas 25 de Abril – D. Afonso Henriques – Nuno Álvares Pereira (o tal eixo central da cidade) porque, e passo a citar, «está lá a Polícia a cortar o trânsito, para mudarem os postes de iluminação». A sério?, perguntei, já algo espantado. Então, e vocês não avisam? «Não avisamos, nem podíamos avisar: é que ninguém nos disse nada! Também fomos apanhados de surpresa!», garantiram-me os solícitos funcionários dos TST (assim mesmo, com pontos de exclamação e tudo, mais umas considerações pouco simpáticas –que prefiro não reproduzir - sobre o andamento daquelas obras).

Portanto, fecha-se o acesso a três avenidas de Almada e não se avisa ninguém!... Raios partam esta malfadada Câmara, que não respeita os almadenses!... É isso que a gente fica logo a pensar, não é?

Pois. Mas olhem que a coisa não é assim tão simples. Eu sei, porque me disse alguém que acompanha de perto todo este processo do MST (uma “fonte” que considero credível, mas que não estou autorizado a revelar)... sei, dizia, que o próprio vererador que, supostamente, tem a competência de autorizar as forças de segurança a efectuar cortes de vias de comunicação... também ele, não sabia de nada. (Aliás, sei de pelo menos outro caso em que um autarca foi apanhado de surpresa pelos avanços das obras do MST... mas já lá vamos).

Obras? Àquela hora? E onde?

Portanto, três avenidas de Almada com o trânsito cortado supostamente para “substituição de postes de iluminação pública”, não era?

Ora bem: eu desci as avenidas até ao Largo Gil Vicente, em direcção a Cacilhas, e não vi obras nenhumas em curso. Depois, lá consegui apanhar o autocarro das 00h40 (que fazia um desvio pela Cova da Piedade, em direcção ao Pragal). Aí, passei pelos dois homens fardados com o uniforme da PSP (sei lá já se eram mesmo polícias...) que estavam, junto à rotunda do Canecão, a desviar o trânsito... Olhei para a avenida 25 de Abril e, mais uma vez, nem um único indício de que estivesse ali a decorrer uma obra!

Quem conhece o local, entende, certamente, que seria difícil fazer obras naquele troço que não fossem visíveis em nenhum dos topos da avenida (rotunda de Cacilhas e Praça Gil Vicente). Assim, se havia alguma intervenção no terreno, ou era muito discreta (o que não deixa de ser estranho), ou não estava a ser feita naquele momento... e, nesse caso, para quê manter a rua encerrada ao trânsito?

Acresce que, segundo a minha fonte, a CMA não autoriza obras (nem mesmo as do Metro) a partir das dez da noite. E isto que relato aconteceu (repito) entre as 22h30 e a meia-noite e quarenta. Portanto, se esttivesse a ser realizada ali alguma obra de substituição de postes, seria sem autorização da edilidade. Mas, por falar nisso, havia mesmo alguma obra?

Pessoas que moram naquela zona disseram-me, já hoje, que não se aperceberam de nada! Ora, eu duvido que a susbtituição de postes de iluminação pública seja acção que passe assim tão despercebida... Além disso (já me esquecia de vos dizer...) os “novos” postes, que fazem parte do “mobiliário urbano” do espaço-canal do MST, já estão colocados naquela avenida há alguns meses! Mas, enfim, não vamos dar importância a esse pormenor insignificante...

Seria fuga de gás? Outra vez?

Restam, pois, duas hipóteses, para explicar o que aconteceu ontem: uma intervenção de emergência, ou... pois, lá está... uma “brincadeira de Halloween”. Esqueçamos, por agora, a segunda hipótese.

Uma intervenção de emergência - provocada, por exemplo, por uma rotura nas condutas de gás - parece algo plausível. É que, diz quem lá vive (e a minha “fonte autárquica” até confirma), isso tem acontecido frequentemente. Há mesmo quem assegure que as obras em Cacilhas estão a ser uma «enorme trapalhada», aparentemente por falta de coordenação (ou de diálogo?) entre as diversas entidades que têm responsabilidade no terreno. Portanto, a ser uma fuga de gás, seria “apenas” mais uma desde que as obras começaram (e já lá vão uns meses largos...).

Mas, curiosamente (sussurra-me a minha fonte), o vereador que devia ser alertado para essas “emergências” também não tinha recebido nenhuma informação (pelo menos, até à manhã de hoje) sobre uma eventual fuga de gás em Cacilhas. Sobre isso, ou sobre outra qualquer hipotética anomalia que tenha acontecido ontem à noite naquela zona. Então, em que ficamos?

E agora... uma coisa realmente muito estranha, mas mesmo ainda mais estranha!

Diz-me a minha fonte (que é “segura”, como se diz em jargão jornalístico) que não é esta a primeira vez que, em Almada, nos tempos mais recentes, um autarca com responsabilidades executivas é apanhade de surpresa pelo andamento das obras do Metro. E, apesar de autarca, confrontado com factos consumados, num processo em que, supostamente, as entidades no terreno lhe deviam prestar contas ou, pelo menos, mantê-lo informado.

Querem um exemplo? Está bem.

Lembram-se do abate de árvores na Praça São João Baptista? Lembram-se do alarido que então se fez contra a CMA, com cartazes onde se liam coisas tipo «Socorro! Acudam! Vem aí a Maria Emília com a Moto-serra!». Lembram-se?

Ora bem: e se eu vos disser que aquelas árvores foram cortadas sem autorização, ou conhecimento, do vereador que supostamente teria a última palavra sobre o assunto? E se eu vos disser que o abate foi feito em Agosto, durante as férias do referido vereador? E que, assim que ele regressou de férias (julgo que logo no mesmo dia, mas isso já não posso garantir) essas terríveis moto-serras tiveram logo descanso?

É estranho? Pois, a mim parece-me mesmo muito estranho. Pelo menos tão estranho quanto aquele imprevisto corte no trânsito, ontem à noite. Mas, esperem... estou agora a lembrar-me de outras coisas estranhas, e já antigas. Talvez isto tudo seja apenas a “remake” de um filme realizado na década de 90 do século passado. Ora, vejamos...

Estarão a “excepcionar” Almada?

Bem: a partir daqui não cito fontes actuais nem relato factos recentes. Vou, apenas, relembrar uma história já antiga (mas ainda não completamente resolvida) e, com base nisso, especular um bocadinho. Toda a gente especula, toda a gente dá “bitaites”... eu também tenho direito, não é?

Reparem, então, no que aconteceu a 5 de Dezembro de 1996. foi o seguinte: depois de 3 anos de uma negociação difícil entre a CMA e o governo PSD de Cavaco Silva, o Plano Director Municipal (PDM) de Almada era, finalmente, aprovado, neste caso pelo “novo” governo PS, liderado por António Guterres. Aprovado... mas calminha aí! É que o “novo” governo, contrariamente ao “velho”, fez passar o PDM, sim senhor... mas retirando ao município a tutela sobre 3 zonas do concelho. Lembram-se? Eram elas, a Base Naval do Alfeite, o Plano Integrado de Almada (PIA), onde naquele tempo existia só o Bairro Amarelo e hoje é o que se vê; e, last but not least, os terrenos da Lisnave, na Margueira.

A base do Alfeite, enfim, se calhar até se percebia: era, e é, uma zona militar. Agora, os terrenos da Lisnave, e o PIA, deixarem de ser território municipal?... Claro que a coisa não posia ser pacífica. E não foi.

A presidente da CMA declarava então, no seu estilo habitual, ao semanário Sul Expresso: «Isto é uma desonra para o poder local, é amputar o concelho, e a propósito de quê?».
Ora, na mesma edição do mesmo jornal, o PSD concelhio juntava-se aos protestos da autarca, mas ia mesmo mais longe nas acusações, demonstrando «total discordância e condenação pela ratificação parcial do PDM de Almada.» E acrescentava: «O governo passou a encarar o concelho de Almada como a “galinha dos ovos de ouro” para o saneamento económico e financeiro do IGAPHE (nota minha: IGAPHE - entidade estatal que era o “senhorio” do Bairro Amarelo e que passava a administrar os terrenos do PIA) e para a reestruturação do sector da construção e reparação naval através de projectos desastrosos para o concelho (outra nota minha: referência aos terrenos da Margueira)».

Noutro registo (pudera!), o então presidente da concelhia socialista de Almada, Paulo Pedroso, assegurava que o governo PS fez muito bem em ter «desbloqueado» um processo que não avançara no tempo do primeiro-ministro Cavaco Silva e assegurava que o seu partido queria manter um clima de diálogo com a CMA.
Posição que seria, de resto, reafirmada pelo então Governador Civil de Setúbal, Alberto Antunes, numa longa entrevista ao mesmo jornal almadense. Antunes afirmava mesmo que a CMA não tinha nenhuma razão de queixa, até porque o governo não “amputara” o território de Almada: apenas “excepcionara” algumas áreas. E esperava então que a CMA mostrasse mais «disponibilidade» para resolver o assunto junto da Administração Central.





Não estou a inventar: tudo isto foi publicado na imprensa regional. (E suponho que não se tratava apenas de “pirotecnia verbal”...)

Eu cá não acredito em bruxas... mas, nunca fiando...

Claro que eu estou assim meio a brincar. Não sou político, e vim cá só para fazer a rodagem do carro, percebem? Portanto, e voltando ao que aqui me trouxe – ou seja, aquela coisa bizarra que aconteceu ontem à noite – ocorre-me que, afinal, terá sido apenas (certamente...) uma brincadeirazita de Halloween. Estão a ver: dois tipos disfarçados de polícias, a cortar o trânsito no eixo central da cidade... enganando a CMA, os TST, os utentes dos TST e, já agora, a própria PSP.
Pois, deve ter sido isso. Vá lá.. na noite das bruxas?... Só pode!!!

Ou, como diria o Berardo: helooo!

(E eu que não acreditava em bruxas... ai, ai, pobre de mim!... Parece que afinal, em Almada, elas existem!...)

PS - Para os que ainda não perceberam que o Metro Sul do Tejo não é uma obra da exclusiva responsabilidade da Câmara de Almada, nem de nenhuma outra autarquia, aqui fica o “link” para uma página do Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, onde se explica o que é o Gabinete do Metro Sul do Tejo:

www.directorio.moptc.pt/index.asp?detalhe=42&opcao=1

sábado, outubro 13, 2007

Henrique Carreiras: a minha homenagem


Escrevo numa altura em que algumas “forças vivas” de Almada prestam homenagem a Henrique Carreiras (ex-vereador da Protecção Civil e ex-presidente do Conselho de Administração dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento). Ora bem: eu também quero homenagear esse grande almadense. Mas como?
Deixa cá ver: digo que Henrique Carreiras foi um “excelente” vereador?...
Hummm... Suponho que toda a gente vai dizer isso (agora que ele se retirou da actividade autárquica).
Digo que Henrique Carreiras é uma excelente pessoa? Bem... a avaliar por aquilo que conheço dele, deve ser verdade... Mas, quanto a isso, parece que estamos todos de acordo (agora que ele se retirou da actividade autárquica), não é?
Então... Ora bolas, que raio de coisa hei-de eu dizer?
Já sei: não digo nada. E, em vez de dizer, mostro-vos um caso que aconteceu em 1995, pouco depois de o Bairro “Amarelo” ter sido retirado da jurisdição da Câmara Municipal de Almada, por um governo “laranja” (decisão que, de resto - facto que talvez seja interessante recordar – não foi revogado por nenhum executivo “rosa”...). A autarquia ficou um bocado “à nora” com essa decisão, mas um certo vereador e presidente dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) não deixou que isso afectasse a sua capacidade de resolver os problemas. Foi assim:



Gostaram?
Eu, que naquele tempo residia no famigerado bairro (sim, o “picapau”, esse mesmo!...) também gostei!
A coisa resolveu-se!
Mas se, por acaso, pensarem que isto foi um caso raro... uma excepção... eu digo-vos que não, que não foi! Muitas vezes (ó meus amigos, mas é que foram muitas, mesmo!) tive que, no exercício das minhas funções de jornalista, confrontar Henrique Carreiras (neste caso como vereador da Protecção Civil) com coisas realmente “chatas”. Estou a pensar num caso que aconteceu no Porto Brandão, em Fevereiro de 1996 quando, depois de fortes chuvadas, uma escarpa desabou em cima de um estabelecimento comercial. Foi realmente trágico (uma pessoa morreu, outras ficaram desalojadas), mas o vereador da Protecção Civil, mesmo no local, a acompanhar o caso, não deixou de falar (ao telemóvel...) com o “chato” do jornalista.
Querem mais? Eu digo-vos mais: algumas vezes liguei, fora das horas de expediente (tipo: se calhar já não vou encontrar ninguém, mas estamos em fecho de edição e não custa nada tentar...), para os SMAS (local de trabalho do vereador) e adivinham quem atendeu? Não foi a recepção, nem um funcionário: foi mesmo ele, o vereador, o presidente do Conselho de Administração.
Isto significa (para o caso de não terem entendido) que Henrique Carreiras foi, enquanto autarca, alguém que não só cumpriu a sua obrigação... como cumpriu muito mais que a sua obrigação!
Ah, e também deixou obra!

(A vala da Costa, a “alameda atlântica”... Suponho que estas coisas se chamam “obras do regime”. Não é?)
Imagens: "recortes" dos jornais Notícias de Almada (2007) e Sul Expresso (1995)

terça-feira, outubro 09, 2007

E agora uma piada, só para desenjoar, e antes de voltarmos às coisas sérias.

Em Março de 2000, o então ministro do Ambiente, José Sócrates, foi a Avis (no distrito de Portalegre), encerrar solenemente uma lixeira e, não menos solenemente, inaugurar um aterro sanitário.
Nesses tempos, especulava-se muito sobre a possibilidade do território de Portugal continental vir a sofrer um período de seca. E isso, numa região onde ainda há (ou havia...) agricultura e pecuária, constituía uma grande preocupação. De resto, até o abastecimento de água para consumo das populações poderia ficar comprometido (porque existiam graves deficiências a esse nível, nomeadamente na própria cidade de Portalegre...). Isto, é claro, no caso de se concretizar a perspectiva de seca. O que não veio a acontecer: passadas algumas semanas caiu uma carga de água tão grande que a preocupação passou a ser o risco de inundações e enxurradas.
Mas esperem aí, a piada não é essa.
Aliás, isso não tem piada nenhiuma.

A piada é que, pouco antes, o então primeiro-ministro, António Guterres, tinha solenemente fechado as comportas da então recém-terminada barragem de Alqueva, e...
Pronto, está bem, isso também não teve piada.
A piada (agora a sério) é que, em Avis, no acto de encerramento da lixeira e inauguração do aterro sanitário, uma jornalista, de um órgão de comunicação social nacional (ainda por cima!...) lembra-se de fazer ao senhor ministro do Ambiente a seguinte brilhantíssima pergunta:

- Não receia, Senhor Ministro (bem, talvez eu esteja a exagerar e ela não tenha dito Senhor Ministro, mas apenas senhor ministro... adiante...), que a seca que se perspectiva possa vir a afectar o enchimento da barragem do Alqueva?

Esperem aí, que a piada ainda não acabou.
O senhor ministro, sem pestanejar nem perder a compostura, responde qualquer coisa como «não, uma vez que o processo de enchimento leva vários anos, e mesmo que exista agora seca, o que aliás é apenas uma possibilidade(...)» e por aí adiante.

Quando cheguei à redacção do Jornal D'Hoje para escrever o artigo que já viram ali em cima, conto a história ao directot, Rui Vasco Neto. E ele (depois de ter a reacção que calculam...) comenta: «Pois. O sentido de humor não é o ponto forte do Sócrates».

Mas pronto, isso foi no tempo em que "o Sócrates" era apenas Ministro do Ambiente, e a gente ainda podia contar factos reais acontecidos com ele, sem nos arriscarmos a que nos acontecesse qualquer coisinha má.
Portanto, façam de conta que eu não vos contei nada, está bem?

PS (já sabem que isto significa Post Scriptum, e não se refere a nenhum partido político): tenho pena que, quando o actual primeiro-ministro, reagindo a uma manifestação de representantes dos trabalhadores do sector da Educação, se considerou "insultado", não estivesse lá a tal jornalista (ou outra do mesmo quilate) para lhe perguntar porque razão se sentiu ele insultado. É que, pelo que passou na reportagem eu, sinceramente, não entendi.
Mas, pronto, os tempos são outros. Já passaram 7 anos, o actual primeiro-ministro não é o "banana" do Guterres, e o jornalismo também já não é o que era.
Aliás, começo a ficar convencido de que, simplesmente, já não é.
E isso para quem sempre levou esta coisa do jornalismo a sério, é muito chato. No mínimo.)

quarta-feira, setembro 26, 2007

Não há nada como uma boa metáfora desportiva. Ou duas... ou três...

Excertos de uma entrevista concedida por Vítor Ramalho, presidente da Federação Distrital de Setúbal do Partido Socialista, ao jornal “Acção Socialista” (órgão do mesmo partido, evidentemente...).

«Que balanço faz dos dois anos do governo do PS?

O PS formou governo em condições muito difíceis e numa conjuntura adversa. Na maratona, que
é o percurso de um mandato, há vários andamentos e a velocidade da corrida não é sempre a mesma. Nesta primeira metade do percurso, o facto de todos os nossos adversários se terem desgastado, fala por si. Isso é positivo para o governo, ainda por cima o caminho teve muitos escolhos. Os espectadores têm reconhecido o bom acerto da corrida e isso vê-se nas sondagens. Nesta segunda fase da corrida, seguramente, com os adversários já distantes, o Governo deverá saber reinventar o projecto das causas do socialismo, reforçando a esperança dos espectadores do povo a que pertencemos. A questão social é decisiva.

E que comentário lhe merece a acção do primeiro-ministro?

O primeiro-ministro tem demonstrado ser um corredor de fundo. Acredito por isso, pelo que fez até hoje, que saberá também nesta segunda fase da “maratona” imprimir o suplemento da alma, sempre necessário a este tipo de “jogos” e que com a aproximação da meta se torna muito mais emocionante impondo a lógica do coração à razão. É que os números não têm alma.»

Bem... não precisam de me agradecer a divulgação desta entrevista. É que não fui "obrigado”. Publiquei isto de boa vontade. De resto, como não tenho nenhum interesse em manipular frases, retirando-as do respectivo contexto, também vos digo que podem encontrar o texto integral da entrevista em


www.accaosocialista.net/

(Mas deixem-me acrescentar que, metáfora desportiva por metáfora desportiva, eu cá prefiro as metáforas desportivas do Dr. House, topam?...)

segunda-feira, setembro 24, 2007

A «Perversão bloguista»

«O mundo novo, que a internet nos trouxe, tornando-nos mais próximos e mais globais, tem ainda um conjunto de problemas para resolver, sendo que a falta de regras e a ausência de validação de conteúdos são, de longe, as mais preocupantes.
Um dos dramas da actualidade tem a ver com a forma como alguns blogues estão a ser geridos. Pontifica o anonimato e a calúnia gratuita, num jogo de cobardias, patetice e demência que não abona nada em favor de uma das maiores invenções do Homem.
Claro que a questão não é simples de resolver, nem tão pouco deverá servir para outras cabalas passadistas e retrógradas que, desde sempre, perfilaram contra eta coisa da net.
Mas é preciso que em cada país se saiba valorizar os impactos, a defesa do Estado de direito e a dignidade do cidadão e das instituições.
No que aos blogues diz respeito, é possível e urgente zelar por estas condições de vida e de carácter, em nome da democracia, da verdadeira liberdade de expressão e cidadania.»


O que acabaram de ler é um editorial do jornal Sem Mais (semanário do distrito de Setúbal, edição 480, de 8 de Setembro de 2007), redigido por Raul Tavares, director daquela publicação.
Quando esse prestigiado jornalista se refere a «anonimato» e «calúnia gratuita», a «jogo de cobardias, patetice e demência», não está (não estaria...) a pensar, certamente, em nenhum blogue almadense, mas sim a um outro... setubalense, por sinal.
Fiquem, então, os meus leitores descansados: também eu não vou dissertar aqui (hoje...) sobre nenhum blogue almadense.

O editorial de Raul Tavares apontava, então, para uma peça jornalística, escrita por Cristina Isabel Pereira, e publicada na página 4 de referida edição do supracitado semanário.

Aqui vai um excerto:

«O caso de um blogue anónimo, com expressões ofensivas numa linguagem menos correcta, visando o executivo da Câmara de Setúbal está a levantar a polémica na região.
(...) O blogue “Bocageacordou” começou em Junho deste ano, mas a polémica só estoirou na passada semana quando um funcionário da autarquia viu ser-lhe aberto um inquérito disciplinar. O trabalhador é acusado de distribuir, para os endereços de e-mail da autarquia, informação constante neste blogue. O acesso ao blogue já tinha sido vedado a partir dos computadores da câmara, há cerca de um mês, mas as caixas de correio electrónico dos funcionários municipais receberam textos incluídos nessa página.»

Mais à frente, a jornalista considera que o inquérito disciplinar é «exemplo de que este meio não é completamente incontrolável». Afirmação sustentada, também, pelo secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna que, em declarações àquele jornal, afirma que a blogosfera «não é imune» às regras de um Estado de direito.
Para José Magalhães «se através de um blogue for alimentada uma campanha de insultos e calúnias contra alguém, os lesados podem fazer uso da lei geral para se defenderem».

O governante defende ainda que «é preciso analisar as várias categorias de blogues», as quais, na sua diversidade, «não podem ser regidas por um princípio único».

Sobre o mesmo assunto, a jornalista Cristina Isabel Pereira ouviu ainda o depoimento de José Luís Andrade, um web designer que, contrariando a opinião de José Magalhães, afirma ser impossível «controlar os milhões de blogues que existem», embora existam sempre «vestígios, porque pode sempre existir uma série de cópias que surgem quando é feita uma pesquisa».
Na mesma peça jornalística, outro depoimento, de David Santos, gestor de uma empresa de publicidade, marketing e multimédia: «os conteúdos são deixados ao critério de cada um, mas é importante que haja liberdade» até porque, embora o «equilíbrio» na blogosfera seja «difícil de conseguir», não faz sentido «retroceder na liberdade de expressão».

Em rodapé, a autora do artigo aponta três blogues, como outros tantos exemplos de formas de estar na internet (e na vida, acrescento eu, sem falsas modéstias, desculpem lá...).

abrupto.blogspot.com

«O blogue pessoal do político e comentador José Pacheco Pereira, é uma das presenças mais antigas na blogosfera. (...) Com uma actualização diária, o blogue está sempre ‘em cima da actualidade’ e é mais um suporte utilizado por Pacheco Pereira para os comentários e análises políticas e sociais que já realiza na imprensa e em programas de rádio e de televisão.»

vitorinices.blogspot.com

«António Vitorino, homem da Margem Sul do Tejo, ligado à Cultura, dá a cara através do blogue “Vitorinices”. Com informações sobre vários assuntos(...) o autor expressa as suas opiniões de forma crítica mas bem humorada, sem recurso a termos ofensivos»

bocageacordou.blogspot.com

«O anonimato que a internet possibilita foi utilizado pelo autor de “Bocageacordou” para falar sem quaisquer preconceitos sobre os membros do executivo da Câmara de Setúbal. Desde os textos às imagens utilizadas, o blogue demonstra um carácter ofensivo e utiliza algumas expressões menos próprias.»

Beeeemmm!.... Isto deixou-me babado!... Deixem-me cá limpar a baba!...
Pronto, já está!

Agora já posso fazer duas breves considerações sobre o que acima foi dito:

Consideração número 1: Embora a referência a este meu blogue seja, talvez, excessiva, devo agradecer à autora do artigo por ter entendido tão bem quais as minhas intenções. Ah, pois, e devo também realçar que não conheço, de todo, a jornalista em questão. Conheço, sim o director do Sem Mais. E ele conhece-me a mim. Mas não fiquem a pensar que temos alguma espécia de “conluio”. Até porque ele é do Partido Socialista e eu sou um assumidíssimo comunista! Aliás, já o era quando trabalhava para ele!

Consideração número 2: Tal como prometido, não falei aqui de nenhum blogue “anónimo” almadense... mas olhem que, se tivesse falado, não seria de todo descabido. Pois não? De qualquer forma, essas coisas “anónimas” já existiam antes de haver “blogosfera” (ou internet...), e vão continuar a existir. Como diz o povão (e lembrando o grande José Estebes): «os cães ladram, e a caravana passa, carago»!...

Não acreditam?

O «Bando Comunista Organizado»

Ora vocês pensavam, por acaso, que esta coisa dos “anónimos” é alguma inovação surgida com estas novas tecnologias, assim tipo internet, ou blogosfera, ou lá o que é isto? Então, vejam lá esta “pérola” de propaganda anti-comunista:


Isto é, como se percebe, do início da década de 90 do século passado. Apareceu, uma certa noite, em Almada, nos limpa para-brisas dos carros estacionados por essas avenidas acima (e abaixo). Eu, apesar de não ter carro, tive a sorte de ficar com um destes papelinhos, para vos poder mostrar agora.
Repararam no estilo? «A democracia ainda não chegou a Almada»; «nós, as vítimas, não poderemos ficar calados, ante tão evidente e escandaloso benefício do infractor»; «votar no PCP, mascarado de CDU, já não é só uma vergonha, é um Escândalo Nacional» (gosto particularmente do uso que aqui é feito das iniciais maiúsculas...).
Para rematar: «de prepotentes e totalitários até a União Soviética ficou farta», afirmação categórica, assinada, como não podia deixar de ser por essas desgraçadamente anónimas «Vítimas do Bando Comunista Organizado do CCCA».

Faz lembrar alguma coisa actual? Faz, não faz?