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segunda-feira, abril 27, 2009

África do Sul, 27 de Abril de 1994: as eleições que ratificaram o fim do "apartheid"


Abril de 1994: eleições presidenciais na África do Sul. O início da era pós-apartheid, com a vitória (esmagadora e indubitável) do candidato do ANC, o histórico Nelson Mandela.
Na Rádio Voz de Almada acompanhávamos (como nos competia, enquanto jornalistas) esses dias de mudança. Este é o registo original (editado posteriormente em vídeo - ou melhor: em diaporama) de um noticiário intercalar, no dia 27 de Abril, onde se dava conta do andamento do escrutínio e se recolhiam dois depoimentos sobre a realidade sul-africana desse tempo. Para recordar hoje, quando passam precisamente 15 anos sobre essa data histórica.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Uma "breve História da Palestina"

Visões da história recente, da criação do Estado de Israel e dos antecedentes do conflito israelo-palestiniano. Dez minutos de História, numa perspectiva não-sionista e não-imperialista.

Israel ataca o Hamas!?... Pois... Mas sabemos nós o que é, afinal, o Hamas?


Para o Estado hebraico, o Hamas é um grupo terrorista que usurpou o poder na Faixa de Gaza e bombardeia constantemente as cidades israelitas. Para os palestinianos (particularmente para os que residem nessa superpovoada Faixa de Gaza), o Hamas é, além de um Governo eleito, uma instituição de solidariedade social, que apoia e protege os mais desfavorecidos da sociedade.

E é. As duas coisas: amigo do seu amigo e inimigo do seu inimigo.

Apesar de estar no poder, o Hamas não tem uma lógica de "partido político", tal como nós o entendemos, nem mesmo (julgo eu) de "movimento de libertação" tal como, por exemplo a OLP, entendia. Declarou a Israel uma guerra sem tréguas e, aparentemente, não aceita nenhuma solução diplomática para a criação de dois Estados (Israel e Palestina) com relações de boa vizinhança (contrariamente ao que acabou por fazer, por exemplo, Iasser Arafat).


Mas - ironia que já cá faltava - este encarniçado inimigo de Israel foi apoiado, no início, por quem? Exactamente: pelo Estado de Israel. E para quê? Pois claro: para enfraquecer a OLP.

Entretanto, vamos recebendo notícias da ofensiva militar israelita sobre a Faixa de Gaza. Mas - como habitualmente - a história nunca é bem contada. Há sempre omissões, incorrecções e "pontas soltas" (para não falar de casos em que há apenas manipulação dos factos...).

É importante - sempre! - diversificar as nossas fontes de informação.

Aqui ficam três artigos - encontrados, respectivamente, num blogue de um jornalista brasileiro a residir nos EUA, num portal brasileiro e num órgão de comunicação social alemão - onde se tenta perspectivar o actual conflito, olhando para o passado recente de Israel, da Palestina e do Hamas:


"Uma História do Hamas", por Pedro Dória


A indignação de parte a parte é importante. E compreensível. Mas há vários sinais ocorrendo em Gaza que boa parte da cobertura jornalística não está pegando.
Por que, por exemplo, o Hizbolá não está atacando Israel do Líbano?
Por que o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, que por muito menos já ameaçou Israel das piores formas, anda tão ameno em seus discursos das últimas semanas? (Diz que o Hamas está ficando mais forte e não passa disso.)
Precisamos compreender o Hamas: de onde vem, e o que é hoje.
Israel informa que está atacando o Hamas, em Gaza, neste momento. As vítimas, no entanto, são palestinos. Morrem às centenas.
Alguns – muitos – não têm qualquer ligação com o Hamas. Mas como declaradamente o ataque é ao Hamas, aqueles que tomam as dores das vítimas defendem o Hamas; e aqueles cujo coração bate por Israel sugerem que quase todos os mortos são do grupo.
O Hamas, no entanto, não representa todos os palestinos. A se contar as pesquisas eleitorais de dezembro, em 2009 46% dos eleitores em Gaza planejavam votar no Fatah e apenas 32% no Hamas. Levando-se em conta também os eleitores na Cisjordânia, a outra parte da futura Palestina, a derrota eleitoral do Hamas seria de acachapantes 42 a 28%.
O que é, então, o Hamas?
É o grupo que, durante muito tempo, recebeu dinheiro da Arábia Saudita. É o grupo que durante anos foi parcialmente financiado por Saddam Hussein. São aqueles que se sustentam, hoje, com o dinheiro do Irã.
Mas, antes de tudo isso, é o grupo financiado de nascença por Israel. E esta que segue é sua história.




"A história do conflito entre Hamas e Fatah", em Último Segundo


O Fatah do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e os islamitas do Hamas no poder têm uma longa história de rivalidade e conflitos. As tensões e os conflitos armados entre os partidários dos dois campos nos últimos tempos marcam o auge de quase 20 anos de desentendimentos.
(...)
Os problemas atuais têm sua origem no combate mais amplo que opôs, durante quase meio século, uma corrente nacionalista pan-árabe, liderada por Jamal Abdel Nasser, a um movimento islamista, dominado inicialmente pelos Irmãos Muçulmanos Egípcios.
Nos territórios palestinos, a batalha começou no início dos anos 1980 nos campus das universidades, entre membros dos Irmãos Muçulmanos, que vão criar no fim de 1987 o Hamas, e os nacionalistas do Fatah, fundado em 1959 pelo líder histórico dos palestinos, Yasser Arafat.
A primeira intifada (1987-1993) lançou os dois campos numa primeira luta pelo poder e em confrontações diretas, o Hamas contestando a supremacia da Organização para a Libertação da Palestina (OLP, que agrupa todos os movimentos nacionalistas) na luta pela libertação nacional.
O jovem Hamas, criado pelo xeque Ahmed Yassin, que pregava a destruição de Israel, realizou nesta época seus primeiros ataques contra Israel, recusando o combate ao lado de outros movimentos e, sobretudo, a ajuda do Fatah.
A verdadeira ruptura ocorreu em 1988, quando a OLP reconheceu o princípio de dois Estados, um israelense e outro palestino, vivendo lado a lado. A divisão entre os grupos tornou-se ainda mais evidente em 1993, quando da assinatura dos acordos de Oslo sobre a autonomia palestina, criticados pelo Hamas.



"Saiba o que é o Hamas", em DW-world


O Hamas é, ao mesmo tempo, um partido político e um movimento militar, as Brigadas Qassam. São elas que organizam os ataques com mísseis contra Israel.
Para muitos palestinos, entretanto, trata-se de uma organização beneficente, que presta ajuda e assistência nos lugares onde a Autoridade Nacional Palestina (ANP) falha.
Foi também graças à atuação do Hamas que foram inaugurados hospitais, jardins-de-infância, escolas e pontos de distribuição de sopa nos territórios em conflito, o que permitiu que a organização ganhasse amparo junto à parte pobre da população palestina.
O Hamas virou um partido político em 2005. Em janeiro do ano seguinte, venceu as eleições parlamentares palestinas, derrotando o Fatah e ficando com a maioria das cadeiras.
Em junho de 2007, a chamada Batalha de Gaza resultou na expulsão do Fatah da Faixa de Gaza, que passou a ser controlada pelo Hamas. Em resposta, o presidente palestino, Mahmud Abbas, retirou representantes do Hamas do governo da Autoridade Nacional Palestina na Cisjordânia.




Mais algumas fontes de informação:
Hamas, Democracia e Paz
Imagens da Palestina, actualizadas, num canal árabe israelita noYoutube:
http://br.youtube.com/user/tvcabo777
Al Jazeera, em inglês, no Youtube:

terça-feira, janeiro 06, 2009

Um poema palestiniano:


Vós homens
E vós mulheres
Todos vós, xeques, rabinos, cardeais,
Vós enfermeiras e operárias têxteis,
Tanto tempo haveis esperado
E o carteiro ainda não chegou
Trazendo as ansiadas cartas
Através dos ressequidos
Arames
Farpados


Homens
Mulheres
Não espereis mais, não espereis
Arrancai as roupas da vossa noite
Escrevei as vós mesmos
As cartas das vossas esperanças


Samih al-Qassim

autor palestiniano citado por Emil Habibi, no livro
"As estranhas circunstâncias do desaparecimento de Saíd Abu Nahs O OPTISSIMISTA" - Edição portuguesa: Editorial Caminho, Lisboa, Setembro de 1985.

"O optissimista", escrito entre 1972 e 1974, foi publicado originalmente na edição árabe do jornal Al-Ittihad (órgão central do Partido Comunista de Israel), como um "romance epistolar", publicado nas páginas do periódico, uma carta de cada vez. Foi traduzido por António Bento Guimarães a partir da versão francesa, "L'Optissimiste", de 1980. A capa - de que reproduzo um pormenor - é de António Domingos.

(Espero voltar a este livro, com divulgação de excertos do romance propriamente dito.)

domingo, dezembro 28, 2008

Só durante um bocadinho, vamos fazer de conta que estamos em Dezembro de 1992


Em 1992, ainda não havia internet, não havia telemóveis, não havia televisão por cabo, não havia mesmo televisão em Portugal a não ser os dois canais da RTP... Era tudo um grande aborrecimento, o mundo era pequenino e a preto e branco. Portugal era um país triste, de hábitos pronvicianos, onde não acontecia nada; e era governado por um bando de "velhos do restelo" dos quais hoje já ninguém - felizmente ! - se lembra!...

Era isso, não era?...

Era?
Ou não era, mesmo?

Vejamos, por exemplo, dois noticiários de Dezembro de 1992:

No rescaldo do dia 30 desse mês (desse ano) as notícias (da Rádio Baía, às cinco da manhã já de dia 31) eram estas:
Em Portugal, greve dos ferroviários desconvocada porque a CP aceitou encontrar-se com os representantes dos trabalhadores, mas só em Janeiro de 1993. (Humm... enfim... adiante...)
Na Câmara de Lisboa, os vereadores do PSD criticam o presidente do executivo, Jorge Sampaio. Acusam-no de ter feito uma gestão autárquica a pensar numa futura e muito hipotética candidatura à Presidência da República (nas eleições de 1996) e dizem que, com isso, a edilidade viveu um ano de «euforia pré-eleitoralista». E quem defendia essas posições, e lançava esses ataques isso em nome do PSD? Pois nem mais nem menos que essa reminiscência política do fossilizado e, muito justamente já esquecido século 20 - eminência parda dessas eras obscuras, que dava pelo nome de Marcelo Rebelo de Sousa!
Marcelo, o próprio, não poupava críticas também ao então Presidente da República, Mário Soares (lembram-se? e o primeiro-ministro era Cavaco Silva... lembram-se também desse ilustre cavalheiro?...). Afirmava então Marcelo que «é surpreendente a forma como o Presidente se interessa agora pelas obras em curso na capital».
Mas, entretanto,a mesma autarquia anunciava uma campanha para informar os utentes do eixo rodoviário norte-sul sobre as novas acessibilidades que, no final de 1992, aquela via estruturante da cidade de Lisboa passava a oferecer aos munícipes e outros habitantes da capital. Campanha para evitar, por exemplo, os engarrafamentos ocorridos em Sete Rios quando a nova via abriu
e...
Pois, isto também já é história. Obras no eixo norte-sul, caramba!, é mesmo coisa do passado. Não é?
(Por acaso o eixo norte-sul ficou concluído só este ano mas, claro, isso não interessa nada para o caso, pois não?)
Do resto do mundo chegava a notícia de que uma sondagem realizada em França pelo jornal Le Parisien revelava que a maioria dos cidadãos desse país era favorável a uma intervenção armada na Bósnia-Herzegovina (e sabe-se o resultado que isso deu, mais tarde...).

Mas a grande notícia, a enorme notícia, era a entrada em vigor, a 1 de Janeiro de 1993, do Mercado Único Europeu!!!


Agora é que ia ser: «um cidadão da Europa que, por exemplo, apanhe um avião em Lisboa com destino a Roma não terá as bagagens revistadas; pode pedir um empréstimo bancário (por exemplo, também) em Amsterdão, mas se ali comprar um carro vai ser obrigado a pagar os impostos respectivos em Portugal». O "mercado único" arrastava «uma série de incógnitas e de vazios jurídicos», mas abria novas possibilidades» (naqueles paleolíticos tempos ainda não estava na moda a expressão "janela de oportunidade: era oportunidade, só, ou posibilidade,... enfim) «aos cerca de 340 milhões de cidadãos do espaço comunitário».







Tudo isto é tão distante, não é?
Isto e isto:

Também em Dezembro de 1992, entre questiúnculas menores - tipo reformas no Ministério da Agricultura, polémica à volta da Lei do Mecenato (apresentada por um secretário de Estado da Cultura que existia nesses paleozóicos tempos, Santana Lopes, de sua graça) e divergências entre PS e PSD sobre a Lei Eleitoral e sobre a regionalização (com Almeida Santos, um ilustre senhor desses arcaicos dias, a defender a posição do PS...) - chegavam notícias de um Presidente da República Federativa do Brasil (Fernando Collor de Melo) que ía ser julgado pelo sistema judicial do seu país, e tentava adiar a sentença... Mas a grande dúvida parecia ser: onde vai George Bush passar o Natal? Em Washington? Ou na Somália, junto das tropas americanas? Sim, os yankees também mandaram tropas para a Somalia, em 1992... Agora são os chineses... Por causa dos piratas.

Mas nesses oh tão distantes tempos, eram os americanos (por causa dos "senhores da guerra") e... pois, o Bush a que me refiro é mesmo o pai do ainda presidente...






E dizia então alguma media norte-americana que o "ainda presidente" pode passar o Natal na Somália! «Ainda presidente», em 1992 - com Clinton eleito, mas não em funções.

(Bush foi, de facto, à Somália, mas só em 1993. E, que eu saiba, não levou com nenhum sapato.Tristes tempos esses, os do início dos anos 90...)

Muito pequenina e discreta nota de rodapé: há quem diga que eu nunca fui jornalista, nem o sou agora. É claro que um jornalista publica o seu trabalho - logo, tem maneira de demonstrar facilmente se foi, ou é, aquilo que diz ser. E isto é tão óbvio que dispensa, ou devia dispensar, explicações. Mesmo assim, há quem insista em dizer que não senhor, eu sou é um grande mentiroso (enfim, dizem mais algumas coisas, mas não aprofundemos isso agora, porque teria de desmontar algumas difamações, e isso levar-nos-ia longe, porque difamação é crime - coisa para ser tratada em tribunal - e além do mais este blogue até é um bocado "show-off",
sim senhor, como quase tudo na internet... mas não tanto, convenhamos!).
No entanto - sem aprofundar muito - concluamos: se eu sou mentiroso (é o que se diz... no mínimo) e se o que fiz, parece que afinal não o fiz (diz-se), e se o que faço agora, parece que afinal não o faço (a sério: já me vieram dizer coisas dessas!)...

Então: as pessoas para quem eutrabalhei, os meus colegas de trabalho, as pessoas com quem contactei profissionalmente, as que entrevistei, aquelas com quem convivi... É tudo mentira? Não aconteceu?
E então (paralogismo, em vez de silogismo - só porque é mais adequado para este caso, entenda-se): estes noticiários não existiram!? E os trabalhos que publiquei neste blogue, não os fiz, nunca!!? Nem os antigos, nem os recentes!!!?
E, se eu sou mentiroso (no mínimo...) as pessoas que comigo trabalham e com quem me relaciono e colaboro são mentirosas (no mínimo) também! Será isso?
Admitir isto seria anedótico, se não fosse grave.
Mas, exactamente por se tratar de um assunto grave, fico-me por aqui, agora. E sim, tenho muita paciência...

(fim de nota de rodapé)

terça-feira, dezembro 16, 2008

O que está a acontecer na Grécia?


Leio, no blogue exarchialx, isto:

«No dia 9 de Dezembro um fotógrafo pediu a publicação duma imagem que mostra um oficial de polícia apontando a sua pistola para a multidão, uma provocação que decorreu um dia após o homicídio do adolescente que levou as multidões a protestos em todo o país. Inicialmente o jornal “Eleftheros Typos” – que ironicamente em grego significa “Imprensa Livre”– publicou a foto numa página interior. Mas o fotógrafo não guardara a determinação e no dia seguinte, possivelmente depois da gerência ter recebido queixas importantes por personalidades de alto grau, perdeu seu emprego.»


Ora, isto é o género de informação que não chega até nós pelos canais televisivos (ou pelos outros canais) do "centrão" político que nos governa a todos (se calhar devia ter posto governa entre aspas, mas adiante, que vocês certamente entenderam a ideia).

Eu não concordo com tudo o que se diz nesse blogue, note-se.
Não acredito assim logo à primeira na versão "anti-oficial" (o rótulo sou eu que o ponho, não está nesse blogue) segundo a qual o jovem que foi morto pela polícia era um inocente que até nem estava a fazer nada de mal. Pode ser verdade. Mas pode não o ser. Se esse jovem estivesse, como diz a polícia grega, a atacar um carro-patrulha, qual é o problema de o admitir?
Não deixaria de ser um jovem corajoso que, à sua maneira, terá tentado lutar contra o "sistema". (Se o método usado é ou não o mais correcto e admissível, isso é outra questão.)

O problema fundamental é, na minha opinião, outro. É que tudo isto não se resume a uma pequena revolta contra "o sistema" (e o "sistema" tem as costas largas, como se sabe), mas parece-me ser, sim, um grande levantamento popular contra políticas capitalistas anti-sociais (escrevi sociais e não socialistas, ok?) que o "centrão" que nos governa (Grécia incluída) tem desenvolvido, desde os anos 80 - com governos mais ou menos "conservadores" ou mais ou menos "socialistas".

De resto, quem escreve nesse blogue tem opinião que não parece ser muito diferente da minha:

«O movimento social na Grécia protesta contra a violência que a polícia exerce sobre os cidadãos, cujo caso mais recente foi o assassinato de um jovem de 16 anos. Mas os protestos são também contra as crescentes desigualdades sociais.

Neste mundo, quase todos os gregos com menos de 25 anos sabem que pertencem ao que é chamado por todo o lado como "a geração 700 euros", a primeira geração depois da segunda guerra mundial que cresce com a certeza que vai viver uma situação pior que a dos seus pais. Uma geração com poucas perspectivas de um futuro melhor e ainda menos esperança nesse futuro.»

E, mais adiante, depois de criticar uma visão "cinematográfica" e folclórica dos gregos como gente com «uma vaga tendência “histórica” (...) de se rebelarem contra a autoridade – como se os manifestantes furiosos e os cocktais Molotov atirados às esquadras nas últimas noites estivessem de alguma maneira directamente relacionados com a cultura de guerra dos Espartanos ou até, segundo a opinião fundamentada de John Carr, com as guerras dos Troianos» (toma lá, digo eu...) lê-se ainda:

Neste mundo, os gregos sofrem ironicamente de uma elite política e económica corrupta, que, nos últimos anos, esteve constantemente ligada a escândalos de dinheiro público e até terra pública; elite esta que, no entanto, se recusa, sem vergonha, a sequer pedir desculpa, muito menos a aceitar reformas.

É neste mundo – e não no mundo dos comentadores com inclinações arqueológicas – que uma única bala pode incendiar uma raiva que tinha vindo a crescer num ritmo constante nos últimos anos; e, numa nota positiva mas cautelosa, a incendiar também uma alma pública, de que tanto se precisa, à procura de um país.

Claro está, não faz sentido pedir-vos que façam alguma coisa por isto. Mas faz sentido pedir-vos que façam alguma coisa.
A próxima vez que lerem sobre “protestos sem sentido” noutro país, por favor, parem por um segundo a pensar no que o olho jornalístico é incapaz de ver.

E, por favor, lembrem-se que as pessoas não queimam as suas próprias cidades só porque têm mau humor nacional.»

Embora, no que diz respeito a "olho jornalístico" e às razões que levam as pessoas a queimar as suas cidades, eu até tenha algumas objecções, recomendo vivamente este blogue.

Eu vou acompanhá-lo: será uma das minhas fontes de informação sobre este levantamento popular na Grécia.

segunda-feira, dezembro 08, 2008

joão vasco henriques em São Petersburgo!


Pois é: o poeta almadense joão vasco henriques bazou mesmo prá Rússia, onde se foi reunir com a trupe dos Mr. Pejo's Wandering Dolls! Parece que havia por cá quem ainda tivesse dúvidas - e é por isso mesmo que Coisitas do Vitorino se orgulha de apresentar, em rigoroso exclusivo mundial, a foto-reportagem da chegada do artista ao aeroporto de Pulkovo (devidamente acolhido por um entusiástico comité de recepção) e de alguns momentos do poeta na "sua" "nova" cidade.







(Em breve, poderemos ler as crónicas de São Petesburgo, de joão vasco henriques, no Almada Cultural por extenso. Não é, vasco?)

segunda-feira, novembro 03, 2008

O nosso mundo (ou uma parte dele) em Novembro de 1992

Estando eu, como estou, a comemorar 16 anos de actividade jornalística, apeteceu-me compartilhar convosco um dos primeiros noticiários que editei (profissionalmente - porque já tinha experimentado antes fazer essas coisas numa rádio "pirata").
Ora bem: o que se segue é a edição de notícias às 16 horas na Rádio Baía, terça-feira, dia 3 de Novembro de 1992.
Destaques?
Eleições nos Estados Unidos da América (a essa hora já se votava, havia 2 candidatos "tradicionais" e Ross Perot, um milionário direitista (mas que eu até gostei de ver na corrida, porque era novidade); Bill Clinton era o favorito nas sondagens e tudo apontava para que esse saxofonista conseguisse tirar do poder o papá George Bush, que cumprira só um mandato, como sucessor do "grande actor" Ronald Reagan).
De Angola as notícias que chegavam não eram nada agradáveis: a guerra civil continuava, e recrudescia. Timor-Leste era ainda um país ocupado e Xanana Gusmão apresentava propostas para a negociações entre Portugal e a Indonésia.
E aqui, neste cantinho (neste oásis) à beira-mar plantado, o governo de Cavaco Silva mostrava as suas preocupações sociais ao aumentar os valores das reformas de dois milhões de pensionistas (e se vocês, caros leitores, pensam que, algures neste texto, estou a ser irónico, talvez tenham alguma razão para o pensarem - mas eu cá não confirmo nem desminto).
Aqui fica, então, o registo desse noticiário:



Eu sei que, tecnicamente, este noticiário deixa algo a desejar. Mas notem que não fazia rádio (rádio a sério, pelo menos) desde 1988. E este era o meu segundo dia de trabalho na Rádio Baía. Estava ainda meio atrapalhado. Cometi algumas "gafes". Mas notem também que dizer (como disse) "cônjugues a prazo" não é necessariamente um erro: todos os cônjugues são a prazo.

Encontram mais vídeos como este em
http://www.youtube.com/bulcanico

quinta-feira, outubro 11, 2007

Ainda sobre “os malefícios do tabaco”…

Estejam descansados... deixei de fumar, sim, mas não vos vou dar “lições de moral”, sobre “malefícios do tabaco”, nem sobre qualquer outra coisa. O título era a brincar. Era só para vos chamar a atenção para uma coisa escrita em russo.
Olhem, então, para isto:

É um cartaz soviético, de 1957 (com o devido enquadramento histórico, aqui). Um dos muitos que podem encontrar num blogue que acabo de descobrir, e que se intitula

A Soviet Poster a Day.






Não espero que, na visita que fizerem a esse blogue, se comovam como eu me comovi. Mas espero, pelo menos, que se divirtam como eu me diverti.

terça-feira, setembro 11, 2007

Há 30 (e tal...) anos, dois acontecimentos históricos já "esquecidos"...

11 de Setembro de 1973
Santiago do Chile



Um golpe de Estado, liderado pelo general Pinochet de má memória, derrubava o governo (coligação de esquerda), legítimo e democraticamente eleito, presidido por Salvador Allende.
Neste golpe, apoiado pelos Estados Unidos da América (facto que é hoje incontroverso), o presidente Allende morre em combate, no assalto ao Palacio de La Moneda, onde se encontrava cercado pelos golpistas (de extrema-direita, diga-se, em abono da verdade).
Uma versão posta a circular na época referia (falaciosamente, como será fácil de entender..) que Allende se teria "suicidado com uma metralhadora que lhe foi oferecida por Fidel Castro".
Suicidado... com uma metralhadora??? Enfim!...
Qualquer semelhança com acontecimentos da actualidade talvez não seja pura coincidência. Digo eu...
Vejam a referência a este assunto, na Wikipédia:
pt.wikipedia.org/wiki/Salvador_Allende


12 de Setembro de 1977
África do Sul

Steve Biko, activista daquilo a que nas "democracias ocidentais" tanto gostamos de chamar "direitos humanos", era assassinado numa prisão de Port Elisabeth. O regime que, nesse tempo, vigorava na África do Sul (autodenominado "apartheid") tinha então a complacência (para não dizer o apoio)... de quem? Precisam que eu vos lembre? Não vale a pena, pois não?...
Qualquer semelhança com factos actuais talvez não seja pura coincidência. Digo eu...






(No vídeo de cima, Peter Gabriel canta, ao vivo, o seu muito famoso tema "Biko". Em baixo, o sul-africano Johnny Clegg interpreta "Asimbonanga" - um tema dedicado à luta anti-apartheid na África do Sul. Neste caso, em particular, a Nelson Mandela. Mas aqui a curiosidade suplementar é que, para bater tudo certo em termos de datas, esta música é do álbum "Thirld World Child", editado em 1997, e o excerto do concerto aqui reproduzido é de Junho deste ano... 2007. E, a propósito - e desculpem qualquer coisinha... - Johnny Clegg fez, numa já longínqua edição da Festa do Avante, um dos melhores concertos que me lembro de ter visto por lá. E olhem que eu vi muitos e bons concertos na Festa do Avante...)

Vejam a nota biográfica sobre Steve Biko, na Wikipédia:
pt.wikipedia.org/wiki/Steve_Biko

sexta-feira, maio 11, 2007

Ora, sejam muito bem-vindos a...

Santarém!




Sim, Santarém!
Santarém, no Município do Pará, na Amazónia.
Santarém, sim, no Brasil!

É por isto que eu gosto cada vez mais da internet!!!

Passo a explicar.
Andava a fazer pesquisa para complementar os dois poemas de Oscar Niemeyer que estão publicados no Debaixo do Bulcão (já foram lá espreitar?) e, não me lembro como, nem porquê, encontro um blog sobre a cidade de Santarém, com diversa informação sobre o local e, também, poemas de autores "santarenos", tais como este:

Labor

Meu poema chora
Chora porque demora,
a luz dos versos.
Um grito
Um anúncio
Um Prenúncio
São versos derramando
Poema choramingando, choraminguando, fases do poema.
Sons rastejando as páginas, paredes do ventre,
Rastros, passos para adentrar a selva
Conhecer o mundo
Poema é seiva que escorrer no outro

O poema luta
Lutas
Luas
Vozes tuas
Gritos do poema
Sons dissonantes,
Lágrimas que não servem
Não constroem poema
Esforço de corpo, corpus, aos poucos, o poema, aos versos, aos berros de quem quer sair
Entrar na glória da leituras, releituras das construções,
desconstruções,
da sobrevivência,
o sentir sempre, a abstração do poema
O grito
inocência na culpa de ser
Ser o que não é
E querer ser.
Ser
Poesia é Floresta densa
Intensa
Tensa tensa
Inspiração é conspiração da poesia
escrever é apagar pegadas,
Rascunhar versos
Refazer os versos
Lamber os versos
Luta vã de Drummond!!??

O poema chora
Chora porque demora, a luz dos versos.


Neucivaldo Moreira, poeta santareno.

Pronto, que mais dizer sobre o assunto?
Olhem, aproveitem para visitar virtualmente a cidade (fotos aqui) e depois os arredores deste Santarém. Por exemplo, Almeirim, Alter do Chão, ou mesmo Óbidos.

Eu não digo mais nada. Estas coisas deixam-me comovido. Portanto, retiro-me antes que comece a sair pieguice...

quinta-feira, abril 26, 2007

Como isto não pode ser só brincadeira, aqui vai um excerto da "Peregrinação", de Fernão Mendes Pinto:



(leitura altamente recomendada aos candidatos a "nacionalistas", já agora)

«Nesse dia, logo pela manhã, vimos chegar um pequeno barco à ilha pelo que fomos forçados a escondermo-nos no interior do mato para não sermos descobertos. Seriam cerca de trinta homens que decidiram logo fazer aguada e lenha, lavarem a sua roupa e guisarem de comer.
Vendo António de Faria quão descuidados eles andavam e que no barco não havia nenhuma pessoa que o pudesse defender, disse-nos:
- É escusado dizer-vos, senhores e irmãos meus, que importa agora trabalhar para tomarmos esta embarcação que Nosso Senhor milagrosamente aqui nos trouxe, pois nela está a nossa salvação. Logo que eu disser três vezes "Jesus, nome de Jesus", fazei o que me virdes fazer.
Quando António de Faria fez o sinal combinado, corremos juntamente com ele e, chegados ao barco, apoderámo-nos dele sem qualquer resistência e afastámo-nos em direcção ao mar. Os chineses, surpreendidos, acudiram apressadamente à praia mas já era tarde.
Acabrunhados, recolheram ao mato onde choraram a sua má sorte, enquanto nós agradecíamos ao Senhor a sua misericórdia.

Como um menino deu mostras de grande sabedoria e coragem

Depois de bem instalados no barco, pusemo-nos a comer descansadamente o jantar que um velho preparara para os chineses. E que bem que nos soube aquele arroz de aves e toucinho picado! Para além disso, a mercadoria a bordo era valiosa: seda, cetins, damascos e três grandes boiões de almíscar, tudo avaliado em quatro mil cruzados.
Entretanto, António de Faria, vendo um menino de doze a treze anos que também ali estava, perguntou-lhe o que fazia ali.
- Este barco era do infeliz do meu pai que, numa hora perdeu o que lhe custou mais de trinta anos a ganhar.
António de Faria disse-lhe que não chorasse, prometendo que o trataria como filho seu. O moço, olhando para ele com um sorriso de escárnio, respondeu:
- Não penses que sou parvo. Se gostas assim tanto de mim, peço-te por amor do teu Deus que me deixes ir a nado até àquela triste terra onde está quem me gerou, porque esse é o meu pai verdadeiro.
Alguns dos presentes repreenderam-no pela forma como ele respondeu ao capitão. Mas o menino continuou:
- Vi-vos louvar a Deus mas sabei, senhor capitão, que roubar e matar são dois pecados sem perdão.
Espantado com a coragem e sabedoria deste moço, António de Faria perguntou-lhe se queria ser cristão.
Pondo os olhos no céu e as mãos no peito, o menino respondeu:
- Bendita seja, Senhor, a tua paciência, que tanto sofre por haver na terra gente que fale tão bem de ti e use tão pouco a tua lei. Assim procedem estes cegos e miseráveis que pensam que roubar e pregar te pode satisfazer como aos príncipes tiranos que reinam na terra.
Não querendo mais responder a qualquer pergunta foi pôr-se a um canto a chorar.
E nós continuámos peregrinando.»

Fernão Mendes Pinto
"Peregrinação"
(Narrativa adaptada por Fernando Cardoso
Areal Editores, 1999)

Mais sobre Fernão Mendes Pinto:
Na wikipédia
pt.wikipedia.org/wiki/Fern%C3%A3o_Mendes_Pinto
Em Vidas Lusófonas
www.vidaslusofonas.pt/fernao_m_pinto.htm

E a escola secundária onde eu andei, faz já muitos, muitos anos:
www.esfmp.net
(Naquele tempo a escola ainda não tinha uma página na internet.
Aliás, naquele tempo não havia internet...)

sexta-feira, abril 13, 2007

Timor - Leste na internet: algumas sugestões de pesquisa




A propósito do processo eleitoral que decorre em Timor - Leste, aqui ficam algumas ligações para sítios na internet sobre esse que é o mais recente país de língua oficial portuguesa (é, não é...?).

Timor Online (blog de informação, de e sobre Timor Leste)
Site do Parlamento Nacional da República Democrática de Timor Leste
Constituição da República Democrática de Timor Leste (Aprovada em Março de 2002)
Sítio com informações diversas e links sobre Timor Leste
Forças Políticas em Timor Leste (artigos assinados por José Ramos Horta)
Diáspora Timorense (página pessoal)
Um Brazuca no Timor Leste (blog)
Poemas do Timor Lorosae
Blue Mountains East Timor Sisters (Uma das instituições australianas a operar naquele país)

... e isto foi o que se conseguiu encontrar numa busca não exaustiva. Se procurarem bem, encontrarão, certamente, muito mais.
Boas pesquisas!

António Vitorino