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sexta-feira, março 16, 2012

"Kony 2012": meias verdades, manipulação, infantilização do público

Daniel Oliveira escreve no Expresso um texto muito interessante e bem fundamentado, com o título Kony 2012: para lá da comoção da moda (http://expresso.sapo.pt/kony-2012-para-la-da-comocao-da-moda=f711978)

No final do artigo acrescenta, em rodapé, o vídeo - fenómeno viral - com a suposta "reportagem". Mas acrescenta também este, com a reacção das vítimas de Joseph Kony depois de uma projecção do vídeo realizada numa localidade do norte do Uganda por uma equipa da televisão Al Jazeera.

O visionamento do (pseudo) documentário provoca, nas vítimas de Joseph Kony, irritação e revolta - por se considerarem usadas (e abusadas, digo eu).

Para contextualizar o assunto, atrevo-me a reproduzir (com a devida vénia, já se sabe...) excertos do artigo de Daniel Oliveira (encontram-no na íntegra clicando no link que coloquei no final do primeiro parágrafo deste artigo).

"O documentário pela captura de Joseph Kony, realizado e divulgado pela ONG Invisible Children, tornou-se o mais rápido vídeo viral da Net. Mesmo sem saber muito bem onde fica o Uganda, o mundo acordou para as atrocidades da Lord's Resistence Army (LRA). Mas a indignação solidária tem, como sempre, um sabor de moda. Não resulta de uma posição informada, que compreenda as contradições de uma guerra civil, onde raramente há anjos e diabos.

Como tudo o que tem grande sucesso se expõe às criticas, surgiram muitas em relação ao rigor de um documentário maniqueísta, feito para emocionar e não para pensar. Quando as causas humanitárias são tratadas como campanhas de marketing é isso que acontece. A ação tem nascer da indignação. Mas esta tem de nascer da informação. A emoção acorda para problemas, mas, se nada se acrescentar a ela, a nossa ação em defesa dos outros pode bem passar a depender da manipulação. Seremos convencidos por quem fizer o melhor spot e escolher a melhor banda sonora. Agir por uma causa não é, não pode ser, o mesmo que escolher uma marca de cereais. Nem permitir, como faz o documentário em questão, que não nos dá qualquer informação de contexto do conflito em que pretende intervir, ser tratados, como ali somos, como uma criança de cinco anos incapaz de compreender as complexidades e contradições do mundo.

Não faltam interessados nos vastos recursos do Uganda - que não têm servido para melhorar a vida dos seus cidadãos. Nesses recurso incluem-se as reservas inexploradas de gás natural e petróleo. O governo formalmente democrático (se formos insultuosamente minimalistas no que consideramos ser uma democracia) do Uganda, que gere a miséria de um dos mais pobres países do Mundo, viola, com prisão e tortura de opositores políticos, deportações forçadas, violência sobre os refugiados, os direitos humanos dos ugandeses. No entanto, tem merecido generosos, mas não muito bem intencionados, apoios externos das potências ocidentais no combate a Joseph Kony. Um dos políticos que apoia este regime, Santo Okot Lapolo, aparece no documentário em causa. É responsável por homicídios e perseguições a opositores e acusado de corrupção, por desvio de fundos que eram destinados aos refugiados vítimas da LRA.

Não deixa de ser estranho que as mesmas potências que assistiram, quietas, aos apocalípticos massacres no Ruanda, à limpeza étnica do Darfur e aos atropelos sistemáticos aos direitos humanos por parte do governo ugandês, tenham, por Kony, um interesse tão grande. Suficiente para a mobilização de raros recursos financeiros e legislativos por parte da Casa Branca e do Congresso dos EUA. Num mundo que raramente se move por razões humanitárias, é sempre razão para parar cinco minutos e pensar. Mas, acima de tudo, vale a pena desconfiar de um documentário sobre um conflito civil onde tudo pareça demasiado simples. É que uma guerra civil não se explica ao estilo preguiçoso de Hollywood. Raramente é assim tão claro quem são os bons e os maus.

Não ponho em causa, pelo contrário, a necessidade de capturar Joseph Kony e obriga-lo a responder pelos seus inúmeros crimes. Mas, nestas matérias, defendo sempre a cautela: não basta sabermos quem estamos a combater, precisamos de saber o que move aqueles que, com muito mais poder do que os cidadãos, querem fazer com o nosso combate. E tentar perceber a verdadeira complexidade do que acontece no terreno.

O nosso apoio às vítimas de um qualquer conflito exige mais do que um "like" no Facebook ou uma lágrimas em frente a um computador ou uma televisão. Exige o trabalho e a exigência da militância numa causa. As contradições não nos podem paralisar. Mas não é o simplismo que nos deve fazer mexer. Porque a nossa ingenuidade bem intencionada pode bem servir interesses contrários aos valores que pretendemos defender."

terça-feira, fevereiro 28, 2012

O tratado mais triste


O tratado de Maastricht (conhecido pelos portugueses na época mais propriamente como o tratado mais triste) foi assinado em fevereiro de 1992. É habitualmente considerado o documento que cria a União Europeia (UE), a partir do que era até então a Comunidade Económica Europeia (CEE).

Encontrei este cartoon numa edição do jornal Avante! dessa época - 1991 ou 1992, não tenho a certeza.

Lembrar que, tal como D'Artagnan, fomos avisados e não fizemos caso pareceu-me uma boa maneira de comemorar. Vivemos tempos grotescos, de tragicomédia.

terça-feira, janeiro 03, 2012

Bem vindos a 2012. Ou a 5126, se preferirem.


«Na profecia dos Maias está: no final do 12º Baktun (12ºciclo do calendário de contagem longa) regressam os ancestrais, os sábios. Que amanheça, que se faça aurora, para que o povo tenha paz e seja feliz. Não tomem medo ao mundo. A chegada deste tempo é igual à mudança do ano novo: hoje é 31 de dezembro, amanhã 1º de janeiro, feliz ano novo. E assim vai ser quando vier esse dia. Não é a primeira vez que acontece. Quantas vezes aconteceu antes, quando os nossos ancestrais prepararam os seus calendários... Passou um periodo do sol, depois outro e outro, em cada 5200 anos. Estamos no 4º período do sol. Não é a criação do mundo... Não tenham medo, meus irmãos. Não acreditem no que dizem esses homens mentirosos que não são maias e que andam a aterrorizar o mundo.»

Quem diz isto é o senhor que aparece no vídeo. E quem é ele? Don Alejandro Perez Oxlaj, a mais alta autoridade religiosa do povo Maia. Deve saber do que fala, mais e melhor que os profetas da desgraça que por aí pululam, não vos parece?

(Num outro vídeo - que podem encontrar no youtube - don Alejandro afirma que nem pode dar como certa a data de 21 de dezembro de 2012 como o dia em que a profecia será cumprida e que receia que o mundo se possa virar contra os maias, acusá-los de terem mentido porque "vão perceber que no dia 21 de dezembro de 2012 afinal não se passou nada")

O meu objectivo ao escrever este post é desafiar-vos a não se deixarem levar pelas tretas desses "homens mentirosos que não são maias e que andam a aterrorizar o mundo" e a procurarem informação nas melhores fontes: os investigadores científicos e, naturalmente, os próprios maias. Há coisas interessantes a descobrir. Por exemplo: no calendário maia estamos no ano 5126, como afirmam os estudiosos nossos contemporâneos? Mas don Alejandro não fala em ciclos de 5200 anos? E qual o siginificado da outra "profecia", para março de 2013 ("On March 31, 2013 the sun will be hidden for a period of 60-70 hours and this is when we shall enter the period of the Fifth Sun.", conforme citado num dos links abaixo)?

Sejam curiosos. Aqui ficam umas dicas:





E os diversos vídeos que existem no youtube (incluindo mais excertos da entrevista)


E, já agora: não, não sou seguidor da religião dos maias. Nem de qualquer outra. Ainda assim, desejo-vos um feliz ano novo! ;)

sábado, dezembro 10, 2011

Atacar o parlamento é lutar contra o sistema? Ou é ajudar a acabar com o que resta da democracia?


Como sabem, o modelo neoliberal em que vivemos foi aplicado em primeiro lugar numa ditadura sem partidos (o Chile de Pinochet). A economia neoliberal passa muito bem sem partidos, sem parlamentos, sem democracia. Mas ainda precisa dos governos.

Como certamente já notaram, na Europa está em curso um processo de centralização à volta de um governo europeu (a Comissão Europeia), vassalo do poder financeiro e dirigido politicamente pela Alemanha. Esse governo dá orientações (chamadas directivas comunitárias) aos governos dos estados-membros. Nesse processo foram retirados poderes às instituições democraticamente eleitas: ao Parlamento Europeu mas, principalmente, aos parlamentos nacionais.

A cadeia de comando é: capital financeiro --> comissão europeia --> governos dos estados-membros. Os parlamentos são impecilhos neste processo. Para os neoliberais quanto menos "política" a atrapalhar a mão invisível das forças de mercado, melhor.

E eu sei que os meus esclarecidos e revolucionários amigos sabem isto muito bem. Não quero ensinar a missa ao padre.

Quero é que me expliquem porque - sabendo isto tão bem - não atacam os verdadeiros poderes (o capital financeiro e os seus mandatários do governo) e insistem antes em denegrir o parlamento, a política e os partidos.

Não é para fazerem a vontade ao capitalismo neoliberal, pois não?
Então é para quê?

Nota: escrevi este texto na "rede social" da internet em que participo, e não tinha a intenção de o publicar aqui. Mas decidi dar-lhe mais visibilidade porque até agora ninguém soube (ou quis) responder às perguntas que faço. E estou mesmo interessado em entender. Alguém me esclarece?

(A imagem é do documentário "The Story of Stuff

sexta-feira, setembro 23, 2011

A primeira grande angústia da era espacial


Um satélite artificial desgovernado vem a caminho da Terra. Apesar dos esforços de monitorização da NASA, ninguém sabe ao certo onde vai cair. A humanidade, angustiada, liga-se aos órgãos de comunicação social (e aos deuses, quem os tem...) e suspende a respiração, esperando que o satélite norte-americano - que é dos grandes, ainda por cima - não provoque nenhum fim do mundo. E tudo isto é novo: é o primeiro drama global da era espacial.

Falo-vos, obviamente, da queda da estação espacial Skylab, há 32 anos!

"Skylab designa a estação espacial estadunidense que foi lançada ao espaço em 14 de maio de 1973, a uma altitude de 435 km, e reentrou na atmosfera, destruindo-se prematuramente, em 1979." (Wikipédia)



Como qualquer objecto que entra na atmosfera terrestre, desintegrou-se. Mas era um objecto realmente grande. Alguns pedaços chegaram intactos e acabaram por atingir território da Austrália - sem vítimas nem grandes danos a registar. Vejam a reportagem:

domingo, setembro 11, 2011

11 de setembro: dia em que o mundo mudou


11 de Setembro é, sem dúvida, a data mais relevante na História do mundo contemporâneo. 11 de Setembro assinala o início da era neoliberal: o dia em que o poder foi retirado à força a um governo democraticamente eleito para, em seu lugar, colocar um grupo de "rapazes de Chicago", economistas, discípulos da doutrina neoliberal de Milton Friedman, apoiados por um general (Pinochet) e por uma junta militar sem escrúpulos, que lhes fizeram todas as vontades.

Falo-vos, como já entenderam, do 11 de setembro de 1973 - data do golpe militar que derrubou o governo de Unidade Popular de Salvador Allende. E não é por preconceito ideológico que me refiro a esta data como o dia em que o mundo mudou. É, antes, por rigor histórico.

O golpe de 11 de Setembro e a chegada ao poder dos neoliberais, pela mão de Pinochet (e do governo dos EUA) é, pode dizer-se, o acto inaugural do modelo em que praticamente todo o mundo vive hoje. O Chile foi o grande laboratório para a doutrina neoliberal. Pela primeira vez na História, a teoria da "Escola de Chicago" foi aplicada à escala de um país inteiro.

"O Chile, quando sofreu o golpe militar liderado por Pinochet, responsável pelo bombardeio do palácio do Governo que assassinou o presidente democraticamente eleito Salvador Allende em 11 de setembro de 1973, adotou imediatamente um plano de ação chamado de O Ladrilho, que fora preparado pelos golpistas da direita, com o auxílio de um grupo de economistas, chamados pela imprensa internacional da época os Chicago Boys, provenientes da Universidade de Chicago. Este documento continha os fundamentos do que, depois, viria a ser chamado de neoliberalismo" (Wikipédia)

Trocando em miudos: havia um grupo de economistas que defendia a "libertação" das "forças de mercado", a desregulamentação, a desvalorização do papel regulador do estado, a auto-regulação dos "mercados" - "a absoluta liberdade de mercado e uma restrição à intervenção estatal sobre a economia, só devendo esta ocorrer em setores imprescindíveis e ainda assim num grau mínimo" (Wikipédia).

Por coincidência, muitos desses economistas eram chilenos e fizeram a sua pós-graduação na Universidade de Chicago, com Milton Friedman, principal teórico da "Escola de Chicago". Daí a designação "Chicago Boys". "Chicago Boys (em português: Garotos de Chicago) foi o nome dado a um grupo de aproximadamente 25 jovens economistas chilenos que formularam a política econômica da ditadura do general Augusto Pinochet." (Wikipédia)

No Chile existia então um governo de orientação socialista, eleito democraticamente. Governo exercido por uma coligação de partidos (UP - Unidade Popular, que englobava os partidos Socialista, Comunista, Radical, Social Democrata e Movimento de Ação Popular Unitária), e encabeçado pelo presidente Salvador Allende (o Chile era, e ainda é, um país de regime presidencial).

Mas os EUA consideravam tal governo uma ameaça aos seus interesses. O presidente norte-americano, Richard Nixon, e o seu secretário de Estado, Henry Kissinger, diversas vezes manifestaram em público a sua hostilidade ao governo do Chile. De resto, o envolvimento dos EUA na desestabilização da sociedade chilena durante o governo de Allende - por exemplo, incentivando o aparecimento de grupos de extrema direita ou de órgãos de comunicação social - e na preparação do golpe militar são hoje factos incontestados e bem documentados. (Para mais informação, sugiro a leitura deste artigo: Golpe de Estado en Chile 11 de septiembre de 1973)

Grupos violentos hostis ao governo (grupos de extrema direita, mas também de extrema esquerda, como o MIR), imprensa manipulada pelos interesses norte-americanos e umas forças armadas que nunca chegaram a estar verdadeiramente ao lado do poder eleito: tudo isso contribuiu para enfraquecer a Unidade popular e abrir caminho ao golpe militar de 11 de Setembro de 1973.

Mas a intenção dos militares golpistas era, à partida, apenas tomar o poder para liquidar Allende e a UP. Não tinham um programa político. E é aí que entram os "rapazes de Chicago". A Junta de militares entrega-lhes ministérios como os da Economia, Finanças, Trabalho e Aposentadorias e outros cargos importantes no aparelho de Estado, como a direcção do Banco Central ou a superintendência do Sistema de Segurança Privado. E, nas mãos desses "rapazes", rapidamente a economia é desregulada, as empresas estatais vendidas ao preço da chuva (e, por coincidência, compradas por esses mesmos "rapazes", ou pelos seus encarregados de negócios - não sei isto vos faz lembrar realidades mais próximas de nós...), os sindicatos livres são aniquilados, a oposição silenciada.

Assim, "quando se deu o 25 de Abril em Portugal, os rapazes de Chicago treinados por Milton Friedman começavam a usar o Chile como território para a aplicação das normas da liberalização total do mercado" (...) "O neoliberalismo, que ainda hoje se apresenta como ventre puro da democracia e farol da «revolução democrática mundial», deu os primeiros passos como regime político a partir de um golpe militar sangrento e durante dezasseis anos governou à vontade através da desregulação da economia, sem oposição política e sem sindicatos dirigidos por representantes dos trabalhadores", escreve o jornalista José Goulão em "Pagadores de Crises" (livro que, diga-se de passagem, é a principal fonte para este artigo).

Depois, com a chegada de Margaret Tatcher ao poder, tiveram um novo território de experiência, no Reino Unido. Aí, precisariam de se adaptar a uma democracia... E "adaptaram-se", transformando-a num regime mais autoritário (não é por acaso - ou por ser fã de heavy metal... - que Tatcher recebeu a alcunha de "dama de ferro"), "quebrando a espinha aos sindicatos", reforçando o estado policial, etc.

A coisa melhorou bastante (para os neoliberais, claro) com a entrada em cena de um actor de coboiadas chamado Ronald Reagan. Este, uma vez eleito presidente dos EUA, escancarou as portas do que era então o maior mercado do mundo aos neoliberais da cidade dos "gangsters" dos filmes de Hollywood. E, tal como Tatcher, não teve problema nenhum em usar métodos deveras "democráticos" como o despedimento colectivo de 12.172 controladores aéreos em greve, assim mesmo de uma assentada, para mostrar quem manda e como passariam a ser as regras de aí em diante. (Vou repetir, por extenso, para não pensarem que me enganei: doze mil, cento e setenta e dois controladores aéreos, num despedimento colectivo. Vejam a notícia de 8 de agosto de 1981, no site do El Pais).

A cereja em cima do bolo foi o desmantelamento da União Soviética e dos países socialistas do Leste da Europa. Aí os neoliberais encontraram paraísos quase tão bons (ou melhores?) que o Chile de Pinochet: Estados em dissolução, empresas públicas a saque, consumidores ávidos de "mercado livre". E foi o que se viu. Com Bush pai, com Clinton (embora menos...) com Bush filho (sobre esse não me quero alongar, porque não saíamos daqui - mas são bem conhecidas as suas relações com os lóbis do petróleo e com a família dos Laden, por exemplo). E andamos nisto...

Sabemos hoje como o modelo neoliberal está consolidado (apesar das "crises", muitas das quais não passam de dramatização para atingir novos objectivos, atacar países e abocanhar novos mercados) e, embora condenado ao fracasso (é a minha convicção) ainda está aí para fazer muito mal ao mundo. Se olharmos para a História recente - como fizemos neste artigo - apercebemo-nos, então, que o modelo foi testado em primeiro lugar no Chile de Pinochet. Entendemos, assim, a importância histórica desse 11 de Setembro de 1973.

Lembrar esta história é, também, homenagear as vítimas do ataque às torres gémeas de Nova Iorque em 11 de Setembro de 2001. Porque foram vítimas não só de um ataque terrorista, mas de uma sucessão de acontecimentos políticos que têm a sua génese nas ideias e nas acções dos "rapazes de Chicago" e do seu líder. Foram vítimas de um sistema desumanizado e cruel, que a todos nos consome.

E a questão não é transformá-lo: é acabar com ele.


Fontes consultadas:

José Goulão, "Pagadores de Crises", Sextante Editora, 2010
Golpe de Estado en Chile 11 de septiembre de 1973 (no blogue Mamífero Político)
El País - arquivo online
Wikipédia - vários artigos
TWO MEMORABLE SEPTEMBER 11ths - em Submerging Markets
(e outros sites)
foto encontrada em
http://fmdelacuadra.blogspot.com/2010/09/11-de-septiembre-un-dia-sin-guerra.html

quarta-feira, agosto 17, 2011

Motins em Inglaterra: dividir para reinar?


Stephen Lendman, escritor norte-americano, membro do Center for Research on Globalization, defende que os motins em Iglaterra não foram apenas um protesto espontâneo, mas sim uma acção provocada pelos poderes para tentar dividir os movimentos anti-sistema e, ao mesmo tempo, testar a força do Estado em futuras revoltas - que supõe inevitáveis - contra as políticas de austeridade.

"Penso que Cameron conseguiu exactamente o que queria. O assassinato de um jovem negro acontece com demasiada frequência, na América e noutros países ocidentais e normalmente não origina motins de rua, edifícios em chamas, violência extrema, tiroteios... Mas o assasinato de Mark Duggan provocou isso tudo.

Penso que isto foi um incidente provocado pelo Estado. Não foi apenas a polícia assassinar um jovem negro. Penso que isto foi o "incidente de Cameron". Cameron, tal como Obama, é um instrumento político do que podemos chamar a sequência de poder do dinheiro.

O que está a acontecer é que temos terrível depravação social em curso, numa depressão global. Há sofrimento humano, real. Desemprego, probreza a crescer, fome, pessoas sem abrigo... E tudo isso está a piorar cada vez mais. E (os governos) em vez de lidar com a situação, na Europa e na América aplicam a "receita" da austeridade. Isso é como deitar gasolina numa fogueira para aumentar as chamas. O grande medo, na América, no Reino Unido, e em toda a Europa, é que possa realmente acontecer uma erupção social.

Penso que este incidente teve como objectivo separar negros de brancos, incitar motins raciais, separar grupos que, se estiverem unidos, podem ser uma força poderosa para a justiça social. Além disso, distrair a atenção das pessoas da sua miséria económica, assustá-las. E testar sistemas de comando e de controlo para a luta maior que eles esperam que venha a acontecer mais adiante. Porquê? Porque os programas de austeridade que estão a ser implementados vão tornar as condições do dia a dia ainda piores, e as pessoas vão reagir.

A pergunta-chave é quem ganha e quem perde. O Estado vence, derrubando-nos, sugando o máximo de proveitos para a sequência de poder do dinheiro que dirige estes países. Tirando mais ao cidadão comum, às classes trabalhadoras, aos pobres... fazendo-os sofrer mais, encorajando a ira. Precisam de um plano para os abater.

Este foi um teste. Foi para testar o sistema, num nível baixo. Alguns dias de motins, para ver como precisarão de contra-atacar quando os grandes protestos acontecerem. E vão acontecer, e podem ser horríveis, e eles querem estar preparados. É o que estão a preparar em Inglaterra e no resto da Europa."

domingo, agosto 14, 2011

Olhar para o mundo sem medos e sem preconceitos


Numa entrevista publicada no Ionline, o General Loureiro dos Santos parte dos acontecimentos ocorridos em Inglaterra nos últimos dias para uma análise à situação mundial.

A entrevista é extensa, está publicada integralmente no site - ler aqui - e o que reproduzo são alguns excertos em que o militar analisa os assuntos com mais preocupação de os entender de um ponto de vista social e não apenas geo-político.

Nesses momentos, Loureiro dos Santos consegue ser mais "marxista" que a maior parte dos analistas de esquerda - porque não se limita a tentar entender (ou apenas explicar, como fazem muitos "intelectuais de esquerda") como é que a miséria social (e cultural, digo eu) é o caldo de cultura para estes fenómenos, nem os "justifica" apenas com a ideia preconcebida (e muito confortável, para muitos, mesmo quando mal fundamentada) que isto é o prenúncio da grande revolta dos pobrezinhos que hão-de derrubar o capitalismo e essas coisas.

Pelo contrário: faz uma análise dinâmica, pragmática, e nada idealista nem fatalista ou determinista (no sentido alienante que a expressão pode ter). E chega mesmo a ser didáctico.

Vejam, por exemplo, como usa uma imagem tão simples para explicar a crescente proletarização da sociedade. Ou como a "sociedade da informação" condiciona a maneira como olhamos para o mundo e nos relacionamos com a realidade, deslumbrando-nos com a "novidade" de fenómenos que pouco ou nada têm de novo, ou como a virtualização da economia leva a fenómenos absurdos (mas com influência real) de que o "poder" artificial das agências de "rating" é exemplo acabado.


(O que está a acontecer em Inglaterra) É apenas vandalismo gratuito?
As razões profundas estão ligadas à construção das sociedades, começam nos guetos das cinturas explosivas das grandes cidades e há uma série de razões que originam situações assim. Não é a primeira vez que isto acontece em Inglaterra. Vemos as imagens de 1980 e são as mesmas. A segunda fase é que acho que mostra impunidade. Aquilo prosseguiu daquela forma porque a resposta não foi suficiente. (...)

Fala nas condições que propiciam situações destas. Quais são elas?
Discriminação social e o sentimento de que não são tratados como os outros. E depois a diferença entre os que têm muito e os que têm muito pouco...


E esse fosso está a aumentar...

Exacto. E o problema novo que altera tudo é que as sociedades foram sempre constituídas por dois mundos diferentes, mas não havia o que há hoje, que é a informação permanente. Ela transformou as coisas. Tudo aquilo que sempre existiu passível de originar actos de revolta agora está perante os nossos olhos, portanto os pobres, os que vivem mal, os que se sentem injustiçados ou discriminados, os que não sabem bem onde pertencem, comparam-se com os outros. E esse conhecimento permanente gera indignação.
(...)

Podemos extrapolar esta situação e dizer, como alguns, que é um prenúncio do que vai acontecer em todo o lado?

Acho que tem de haver respostas rápidas a isto, porque esta crise trouxe uma situação nova. É que no passado, quando se falava de desemprego e utilizando linguagem militar, quem ia para o desemprego eram os soldados, os operários. Agora não, agora vão os soldados, os sargentos, os capitães, os majores, vão todos para o desemprego e há gente da classe média, até da média alta, desempregada e desesperada. Isto pode conduzir a revoltas organizadas e, em desespero, podem fazer-se muitas coisas. E esta situação deve merecer muita atenção dos responsáveis políticos, principalmente em termos preventivos. É preciso encontrar políticas que evitem estas situações.


Que tipo de políticas?
Não sei. Até agora eram apoios sociais, para amenizar as dificuldades, mas por causa da crise o que está a acontecer é que os apoios sociais estão a desaparecer. E isto está tudo inserido numa grande transformação estratégica.
(...)

Acha que o sonho europeu falhou?

Houve uma série de pessoas com esse sonho, que viam uma Europa tipo Estados Unidos. Mas desde o início foi claro que nem a Alemanha, nem a França nem o Reino Unido estavam interessados nisso, porque não queriam que houvesse uma câmara alta em que o Luxemburgo pudesse pesar tanto como a Alemanha. Como é que a Alemanha podia admitir isso? Na UE nunca houve solidariedade. Eu escrevo isso desde o ano 2000. Que não pensemos que outros vão vir em nosso socorro. Como esta subida do preço dos alimentos: alguém pensa que, se nós estivermos aflitos sem dinheiro para comer, a Alemanha ou a França nos vêm dar alimentos e ficam eles com fome? Que ninguém pense nisso! Em Portugal houve líderes que se convenceram de que agora éramos todos iguais, podíamos ser todos ricos e andámos a gastar o que não tínhamos! Isto explica a nossa actual situação e não fomos só nós que o fizemos, foi a maior parte dos países. Não há solidariedade internacional e a prova é o que está a acontecer na UE.
(...)

Falando em rating, o que pensa dessas agências? Ultimamente tem-se questionado muito a sua existência e poder.

O poder é-lhes dado pela forma como os estados reagem aos seus anúncios. Não são elas que detêm poder, quem lhes dá o poder são os estados. Quando os EUA ficam completamente à nora com a baixa do rating estão a dar-lhes muito poder. O capitalismo já não é aquele que os teóricos do século xx referiam. Agora quem controla são organizações acéfalas, que não se sabe bem o que são, nem quem manda lá... Mas são eles que manobram a economia mundial. E mais, hoje o dinheiro é virtual, são bits, aquelas coisas do computador, que não é nada [risos]. Se não houver mudanças nos estados democráticos, se não arranjarem forma de sair desta tendência quase inevitável, vamos caminhar para capitalismos do género russo ou chinês, autoritários, sem liberdades, sem democracia, e isso é um perigo. Os países democráticos têm de evitar que o actual capitalismo sem rosto se transforme em sistemas ditatoriais.


O que é que pode ser feito?

Têm de ser os jovens. O problema principal deles, hoje em dia, não se punha no meu tempo. Antigamente ter segurança no trabalho era um dado adquirido, não se pensava na fonte de rendimento. Agora isto cria desespero nos jovens. Mas há uma coisa que me espanta nos jovens hoje. No passado, com a revolta dos jovens de Maio de 68, havia propostas, coisas novas. Agora não, aquilo que os indignados dizem é que isto está mal e depois apresentam questões pontuais que passam por "dêem-me emprego". A ideia que dá é que eles concordam com este modelo, desde que lhes dêem um emprego. Isso é errado, porque o modelo é que está mal, foi o modelo que levou a esta situação! Têm de aparecer propostas e os jovens são os únicos com condições para as apresentar.


Uma ideia é pedir uma auditoria dos cidadãos à dívida pública.

Isso nem sequer é uma ideia original, mas parece-me razoável. As ameaças à segurança nacional neste momento não são susceptíveis de resposta militar, têm de ter respostas políticas, económicas, sociais, e espero que não venham a precisar de resposta militar. Há muita gente que vaticina isso, que diz que o que está a acontecer é o que se passou a seguir à grande crise dos anos 30, que começou por aqui: dívidas, nacionalismos, fascismos, guerra. Espero que não chegue aí, sinceramente, até porque as sociedades estão de tal forma vulneráveis e frágeis, por serem tão complexas, que não vão resistir a um abalo. Julgo que vamos passar por um período muito complicado, que não deverá ser muito prolongado - porque isto hoje está muito acelerado - e vão surgir soluções. O mundo nunca deixou de encontrar uma solução. Não pensemos que vamos desaparecer, até porque essas ideias são vendidas pelos mais velhos [risos].


Nota (propositadamente) final - a imagem que ilustra este artigo é um pormenor de uma foto-reportagem sobre motins de jovens em França, em 1983. Publicada no livro "L'Année de La Photo - Le grand show de l'actualité", edição Love Me tender - Sipa Press, 1983.

sexta-feira, agosto 12, 2011

Fim do mundo? Não: apenas uma remodelação.



Lembrei-me disto quando vi os motins e o vandalismo recente em cidades de Inglaterra.

Em 2007 (a foto é desse ano), estava aqui a nossa cidade de Almada esburacada por causa das obras do metro de superfície. Era um caos. Alguns cidadãos com deficiência mental (e certas igrejas...) andavam desorientados pela rua, a bradar como se estivessem a assistir ao fim do mundo... Grande confusão, campainhas de alarme a soar nos espíritos mais confusos e o oportunismo "religioso" de sempre.

E afinal era apenas uma remodelação da cidade.

Não era possível instalar a nova estrutura viária sem fazer os tais buracos e causar os tais incómdos, que a tantos pareciam sinais do fim do mundo... Tal como não é possível fazer uma omoleta sem antes partir os ovos!

Mas o que tem isso a ver com o que está a acontecer em Inglaterra?

Ora, ainda bem que me faz essa pergunta!




Em momentos de crise, o capitalismo arranjou sempre maneira de se salvar e de se reforçar. Os motins são um excelente instrumento para assustar as pessoas, fazê-las apoiar os seus governos e exigir mais "autoridade" (leia-se: Estado policial). E se for preciso vamos para a guerra. O capitalismo nunca temeu as guerras. As guerras são até muito boas para os grandes negociantes.

Já aconteceu antes e está a acontecer novamente - é só mudar os personagens porque o guião é decalcado dos anteriores...

Sim, é claro que havia condições sociologicas para que revoltas deste tipo estalassem, e essas coisas. Toda a gente sabe isso. Os membros do famigerado grupo Bilderberg, então, sabiam-no muito bem. Tanto que até, ao que parece, discutiram a melhor maneira de usar esse descontentamento a seu favor.

Informações sobre a última reunião grupo Bilderberg neste artigo (em inglês):


Começa a fazer sentido, ou não?

(Nota de rodapé, para os que têm dificuldade em lidar com figuras de estilo: não, não estou a comparar os planos capitalistas com os projectos de requalificação da cidade de Almada. Estou a dizer que as pessoas que pensam que os motins em Inglaterra são a revolução ou o fim do capitalismo já para amanhã estão tão enganadas como os que pensavam que as obras do metro de superfície eram o fim do mundo)

terça-feira, novembro 23, 2010

Denzel Washington e a crise...


Às vezes há surpresas destas. Num jornal (a Dica da Semana) que normalmente não tem muito de interessante para ler, aparece-me uma entrevista de Denzel Washington onde, a propósito de um novo filme, o actor fala de desemprego e precariedade laboral nos EUA e receia que o fenómeno chegue também à indústria do cinema. Um exemplo:


P - foi uma rodagem difícil?
DW
- Posso dizer que foi, de certa forma, triste. Houve uma cena que filmámos em Ohio, onde eram precisos 50 figurantes e apareceram duas mil pessoas. Tinham fechado muitas fábricas e minas na zona e todas aquelas pessoas estavam sem trabalho. Nunca tinha estado nas regiões onde filmámos e foi importante conhecer a América profunda.

P - Esteve hesitante em passar do filme Assalto eo Metro 123 para Imparável?
DW
- Absolutamente! Questionei logo o Tony Scott sobre qual o motivo para fazermos dois filmes de comboios seguidos, mas ele disse-me que era um filme totalmente diferente. Ao desenvolvermos a personagem, interessei-me por abordar o que se está a passar na região dos Estados unidos da América onde decorre a acção. Há muitas regiões do país onde as pessoas estão a ser afastadas dos seus empregos. Os mais velhos estão a ficar sem trabalho para serem substituídos por mais jovens que recebem menos dinheiro e isso é o que é retratado no filme. Provavelmente vai acabar por acontecer o mesmo no mundo do cinema.

Pois é, a "crise"... Então, aqui vai um "conselho" que nunca pensei dar a ninguém: não percam a Dica da Semana! A sério: leiam esta entrevista. O que aqui vos deixei é mesmo só um aperitivo...

quinta-feira, novembro 11, 2010

"Mi Mundo" - poesia do Sahara Ocidental


"Poemas de autores do Sahara Ocidental, lidos por refugiados sarahuis nos campos de refugiados da Argélia", em 2006. Em castelhano, que é a língua da antiga potência colonial daquele território - e que nós em Portugal entendemos muito bem (ainda que às vezes façamos de conta que não...).

quarta-feira, março 10, 2010

"A Poesia da Realidade"


"The Poetry of Reality (An Anthem for Science)" - "A Poesia da Realidade (Um Hino para a Ciência)" - é um dos vídeos do projecto (julgo que posso chamar-lhe isso) Symphony of Science.

No respectivo site - http://symphonyofscience.com/ - leio que se trata de "um projecto" (ora bem...) "musical liderado por John Boswell, concebido para divulgar conhecimento científico e filosofia em forma de música. O projecto" (pois, é mesmo um projecto...) "deve a sua existência em larga medida ao magnífico trabalho de Carl Sagan, Ann Druyan e Steve Soter, de Druyan - Sagan Associates". É um projecto comercial, ok...

Comercial mas muito interessante em termos puramente musicais (julgo eu - mas, sinceramente, sou um leigo nessa matéria) e, principalmente, no objectivo, a que se propõe, de fazer chegar conceitos científicos ao "grande público" numa forma nova, manipulando vozes e transformando discursos em melodias cantadas. (O compositor, John Boswell, explica os seus objectivos e métodos em http://symphonyofscience.com/about.html)

Desta forma, temos a oportunidade de ouvir os cientistas e divulgadores a "cantar" coisas como «Science replaces private predjudice With publicly verifiable evidence», «The story of humans is the story of ideas That shine light into dark corners», ou «There's real poetry in the real world Science is the poetry of reality», no vídeo acima.

Ou então, no que se segue, «We are all connected; To each other, biologically To the earth, chemically To the rest of the universe atomically», «We live in an in-between universe Where things change all right But according to patterns, rules, Or as we call them, laws of nature», «The beauty of a living thing is not the atoms that go into it But the way those atoms are put together The cosmos is also within us
We're made of star stuff We are a way for the cosmos to know itself»


Estas "letras" estão disponíveis, também, no site Symphony of Science.

No Youtube, melhor ainda: quem lá colocou os vídeos - http://www.youtube.com/user/melodysheep - fez-nos o favor de os traduzir para português! Eu agradeço. E retribuo, divulgando.

terça-feira, março 09, 2010

A polícia da grande democracia norte-americana no seu melhor!?

Este vídeo documenta a repressão (brutal e desproporcionada, apetece dizê-lo) exercida pela Polícia de Oakland sobre manifestantes que protestavam (pacificamente, ao que parece) contra cortes orçamentais no sistema público de educação norte-americano.

Estas imagens não passaram (que eu saiba) em nenhuma televisão portuguesa. Porquê? Não é notícia? Então, sempre que acontecem "confrontos entre polícia e manifestantes", por exemplo na Coreia do Sul (e quantas vezes os vimos!...) ou nas manifestações anti-globalização, temos imagens nos telejornais - é "notícia", portanto - e, neste caso, não há nada a reportar ou noticiar?

Porquê?

O vídeo encontra-se no canal Cubadebate. Devidamente contextualizado.

Transcrevo:

«En California y en numerosas ciudades norteamericanas los estudiantes salieron a las calles para protestar contra los recortes masivos impuestos por el Gobierno de Barack Obama en todos los niveles de la educación pública.

En Oakland, miles de manifestantes se congregaron en la Plaza Frank Ogawa. Un grupo de unos 200 jóvenes marcharon por el centro de la ciudad y al intentar atravesar la carretera Interestatal 880 para alcanzar una rampa de salida de la carretera Interestatal 980, la policía antidisturbios de Oakland, sin previa alerta de dispersion, empezó a golpearlos con porras y amenzar con sus armas a la gente antes de arrestarlos.

Mientras la policía atacaba a la multitud, Francois Zimany, un joven de quince años de edad, estudiante de preuniversitario, se fracturó el cráneo al caer desde una altura de 30 pies fuera de la autopista. Han surgido preguntas sobre si se cayó, saltó, o fue empujado por la policía fuera de la autopista.»

Nota de rodapé: tomei conhecimento deste vídeo através do deputado do PCP Bruno Dias, que o colocou no Facebook, com a pergunta "viram estas imagens em algum noticiário"? Pois, boa pergunta.

sexta-feira, janeiro 29, 2010

Um apelo da AMI a favor do povo do Haiti


Chegou à minha caixa de correio este apelo da AMI (Assistência Médica Internacional, ONG portuguesa). Vem com muitos dias de atraso, é verdade, mas está ainda muito actual. Leiam e, se puderem, contribuam!

quinta-feira, dezembro 24, 2009

Do they know it's Christmas?


Há 25 anos éramos todos muito novinhos e cheios de boas intenções, mas vestiamo-nos muito mal e tinhamos penteados ridículos - dirão os parolos que não conseguem ver mais que um palmo à frente do nariz.

Há 25 anos, havia muitos parolos que não conseguiam ver mais que um palmo à frente do nariz - e é, em grande parte, por culpa deles que o mundo está como está. Ou seja: muito pior que há 25 anos atrás!

É por causa dos parolos - de ontem e de hoje - que esta música e este vídeo, apesar de esteticamente "datados" continuam a fazer todo o sentido. Triste sentido...

Não sejamos parolos.

(Ah, pois: feliz Natal para todos vós, se for caso disso.)

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Earth Song

Este vídeo (esta canção da Terra) é de 1996. Já nesse tempo se adivinhava o que estava aí a vir. Somos todos muito estúpidos (a começar por quem tem o poder de tomar decisões políticas) ou simplesmente suicidas? Alguém me explica?

segunda-feira, dezembro 07, 2009

HOPENHAGEN


No dia em que começa a "cimeira do clima", em Copenhaga, aproveito a deixa para evocar aqui uma das (muitas) actividades em curso com o objectivo de pressionar os líderes mundiais a tomar medidas efectivas e rápidas em defesa do Planeta.

Esta iniciativa chama-se Hopenhagen. E tem, além do nome, outra coisa interessante: é promovida por um grupo empresarial, e dos grandes. Parece-me bem: na hora de procurar consensos, é importante reunir todos os apoios, mesmo os mais imprevisíveis.

Sobre esta campanha, no Portal Ambiente Online:

A iniciativa, criada em colaboração com a Ogilvy de Nova Iorque, Paris, Singapura, Londres e Buenos Aires e promovida pelas Nações Unidas (ONU) e pela International Advertising Association (IAA), foi desenvolvida em torno do conceito “esperança” (hope). A campanha centra-se no website www.hopenhagen.org e serve-se das redes sociais para promover o debate sobre as problemáticas ligadas ao aquecimento global e à crise económica. Pessoas de todo o mundo podem aderir a esta causa, partilhando as suas mensagens e opiniões através do site oficial, ou fazendo o download do seu passaporte no Facebook, a fim de se tornarem também “cidadãos de Hopenhagen".

sexta-feira, dezembro 04, 2009

Campo de refugiados ou campo de concentração?


Os sem-abrigo da Cidade do Cabo, África do Sul, vão estar, durante o Campeonato do Mundo de Futebol, a viver num "campo de refugiados" ao qual não falta nada, nem mesmo arame farpado a toda a volta. Li a notícia no insuspeito Mais Futebol. E é tão interessante (leia-se: indignante) que a transcrevo na íntegra. Com a devida vénia, já se sabe...

Mundial: sem-abrigo escondidos em «campo de refugiados»

Autoridades da África do Sul «limpam» Cidade do Cabo
Por Vítor Hugo Alvarenga

A Cidade do Cabo veste fato de gala para o sorteio da fase final do Campeonato do Mundo de 2010. Celebridades, ligadas ao desporto e não só, concentram-se na capital da África do Sul para abrilhantar um evento que serve de cartão-de-visita para o torneio. A 20 quilómetros da cidade, empilham-se os sem-abrigo afastados do centro da Cidade do Cabo nos últimos tempos.

As autoridades da capital da África do Sul criaram a «Symphony Way Temporary Relocation Area» em 2007. Localizada em Delft, a área tem cerca de 1.500 estruturas com uma única divisão, feitas com paredes de lata e tectos de zinco. 18 metros quadrados cada. Os locais encontraram um nome mais apropriado. Esta é a Blikkiesdorp, «Cidade de Lata», na língua nativa.

Jerome Daniels, activista da Western Cape Anti-Eviction Campaign, garante ao Maisfutebol que os sem-abrigo da Cidade do Cabo estão a ser deslocados compulsivamente para a Blikkiesdorp, criando uma situação insustentável para os seus habitantes. «E isto é só agora para o sorteio. Lá para Maio, um mês antes do início do Mundial, serão milhares de pessoas a serem atiradas para cá, escondidas do Mundo», começa por dizer.

«Isto parece um campo de refugiados, parecemos judeus na época nazi. Na semana passada, retiraram 20 famílias que estavam em casas (ndr. habitações devolutas e sem condições) perto do estádio há 25 anos e colocaram-nas aqui. As autoridades chegam sem ordens do tribunal mas não querem saber disso. E como disse, em Maio vão limpar a cidade em peso, vai ser uma desgraça», alerta.

«Querem esconder estas pessoas do Mundo»

Delft é uma localidade próxima da Cidade do Cabo, bem perto do aeroporto internacional. As selecções que chegarem à África do Sul poderão vislumbrar, no momento da aterragem, esse cenário grotesco. Depois, virá a imagem de luxo, os estádios e hotéis, o retrato perfeito pintado pelos organizadores do Mundial e pela FIFA.

«Apesar de estar localizada a cerca de 20 quilómetros do estádio, a 15 dos limites da Cidade do Cabo, a verdade é que a Blikkiesdorp está longe de tudo. Não temos transportes, temos de fazer vários quilómetros a pé para chegar a algum lado. Já percebemos a intenção dos políticos: querem esconder estas pessoas do Mundo. Mas esta também é a realidade da África do Sul», alerta Jerome Daniels.

Os residentes da Blikkiesdorp e aqueles que montam as suas tendas nas imediações (Os Symphony Way Pavement Dwellers preferem ficar no exterior, em tendas, face à onda de criminalidade no local) procuram lutar contra o esquecimento e a exclusão. «Não há condições sanitárias, multiplicam-se os vírus, não há escolas, nada. Agora, que estão a trazer os sem-abrigo para cá, isto está a tornar-se cada vez mais um paraíso para os criminosos, os traficantes de droga. As pessoas têm medo de sair à rua, até durante o dia.»

A Blikkiesdorp tem arame farpado a toda a volta. Naquele descampado transformado em «campo de concentração», ninguém se move sem o consentimento dos policiais colocados na única entrada, em dois veículos de controlo de multidões. No fundo, constroem-se mais estruturas de lata, para os que estão a chegar. Eles não farão parte do Mundial.

quinta-feira, novembro 12, 2009

"Nova Iorque sacrifica estradas pela mobilidade" !


Do site Menos um Carro, transcrevo, sem acrescentar ou diminuir nada:

«A cidade de Nova Iorque arrancou, em 2007, com o seu plano para melhorar a sustentabilidade urbana. A iniciativa tem o nome de código PlaNYC e tem como objectivo “a construção das eficiências naturais da cidade”.

Uma das mais importantes acções do plano passa por melhorar a mobilidade sustentável. Isto apesar de – e este dado não é muito conhecido pelos cidadãos – os cerca de 8,5 milhões de cidadãos de Nova Iorque serem dos mais “verdes” de todos os Estados Unidos.

O plano tem alguns objectivos “agressivos”, como diminuir as mortes por acidente de viação para metade, duplicar as taxas de utilização de bicicleta e, não menos importante, começar a percepcionar as ruas como espaços públicos valiosos, em vez de meros corredores de trânsito.

Segundo a comissária da cidade de Nova Iorque para a área dos transportes, Janette Sadik-
Kahn, várias acções estão já a decorrer para transformar, por exemplo, os ciclistas em cidadãos privilegiados do trânsito nova-iorquino.

Depois da transformação da histórica Broadway Boulevard numa “avenida protegida para bicicletas”, os últimos dois anos trouxeram mais 52 hectares de estrada transformados em ciclovias.

“Estamos a fazer com que as pessoas sintam desejo pelos espaços públicos. À medida em que as estradas forem desbloqueadas, as pessoas farão tudo para as utilizar”, alertou.

Aliás, desde que se tornou comissária do Departamento de Transportes da Nova Iorque, Janette Sadik-Khan elegeu como prioridade tornar as ruas da cidade norte-americana mais ciclistas e pedestres, privilegiando a inovação e o pensamento “fora da caixa”.

E - e agora falamos nós - se uma das maiores metrópoles do mudo consegueencontrar uma forma inovadora para melhorar a mobilidade sustentável, porque não haverá de Lisboa – ou outra qualquer cidade mundial – consegui-lo?»

em

segunda-feira, setembro 21, 2009

"Queremos mudar este mundo!"


De um site cubano, sobre o concerto que reuniu cerca de 1 milhão de pessoas em Havana. Juanes citado pela Associated Press:


“Queremos cambiar este mundo”, dice Juanes a la AP, asombrado por el multitudinario concierto

LA HABANA (AP) _ Juanes aún no sale de su asombro: La Plaza de la Revolución estaba abarrotada, a su alrededor divisó un océano de seres humanos en su mayoría vestidas de blanco.

Para todos nosotros haber visto más de un millón de personas en la Plaza de la Revolución cantando al amor, a la paz, a la libertad, cantando tantas cosas, es un mensaje muy poderoso”, dijo a la AP el superastro colombiano, principal impulsor del concierto Paz sin fronteras”, en su camerino tras terminar su actuación de 30 minutos.


Em Cubadebate

http://www.cubadebate.cu/