
terça-feira, setembro 30, 2008
Histórias de um "Portugal perigoso"... (1)

Histórias de um "Portugal Perigoso"... (2)




Passo a citar:

Histórias de um "Portugal perigoso"... (3)

segunda-feira, setembro 29, 2008
Histórias do "Portugal perigoso" (4)
Perigoso mesmo era andar na rua em Almada, nos anos 90!
Recapitulando: ainda que hoje exista um novo tipo de criminalidade (não o nego: é evidente), eu não me sinto mais inseguro.
Sei que me arrisco a estar no local errado, à hora errada, e a ser vítima de algum criminoso mais violento (ou mais "profissional"). Mas, nos anos 90, esse risco era constante: bastava andar na rua, a partir do início da noite, ou apanhar um autocarro para a Costa de Caparica (ou qualquer outro, que passasse pela periferia de Almada) para correr o risco de ser assaltado por um bando de imbecis dos subúrbios.
Os autocarros eram, nesse tempo uma espécie de Kinder Surpresa (passe a publicidade): não sabiamos o que ía lá dentro antes de lá entrarmos. E às vezes a "surpresa" era pancadaria e assaltos.
O quinzenário Sul Expresso tentou, nesses tempos turbolentos, perceber que raio se estava a passar. E, entre 1995 e 1996 produzimos as seguintes peças jornalísticas - assinadas pelos jornalistas António Vitorino e Marina Caldas:





Agora que essa delinquênca juvenil quase deixou de existir (veja-se o que diz o mais recente relatório de segurança interna...), seria talvez interessante - e útil - tentar entender como (com que recursos, com que métodos...) o assunto foi trabalhado pelas intituições locais e nacionais, desde os anos 90 até à actualidade.
sexta-feira, setembro 26, 2008
Eu sabia!

segunda-feira, junho 23, 2008
Notícias da Zona:


a "falta de comparência" da polícia... Eu vi: estive lá, em serviço para o jornal... Mas isso é tema para ser tratado de forma mais desenvolvida e fundamentada, sem demagogias nem leviandades, e numa outra ocasião.)


quinta-feira, maio 29, 2008
Notícias da Zona:



Já as praias de Setúbal continuam sem hastear nenhuma bandeira azul…

http://vitorinices2.blogspot.com/2008/05/telmo-rodrigues-nadador-salvador.html
quinta-feira, maio 22, 2008
A Expo 98 não traz... O QUÊ ???

Bem... e então se diversificarmos a busca de depoimentos, falando, por exemplo, com uma associação representativa de agentes económicos da zona mais turística do concelho?
E, assim, o título escolhido para a peça foi - como parecia óbvio - "Comerciantes de Almada aguardam o Verão com Reservas - Expo'98 não traz turistas"
E foi: foi o que se viu... Até hoje.)
quarta-feira, abril 30, 2008
"Imigrantes: integrados ou excluídos?"




terça-feira, abril 15, 2008
Notícias da Zona:
Apresento-vos, finalmente, o jornal Notícias da Zona. É um quinzenário regional, editado na Quinta do Conde (uma terreola do concelho de Sesimbra…) e abrange, por agora, apenas o concelho onde está sedeado e o município vizinho, do Seixal.
O Notícias da Zona é dirigido pelo jornalista António José Ribeiro. Ou melhor: pelo grande Tozé Ribeiro – que era paginador (aliás, criador do grafismo) do “almadense” Sul Expresso, onde, a bem dizer, comecei a minha actividade “jornaleira” a sério, nos idos dos anos noventa…
Nesta edição (a primeira em que participo) um dos destaques vai para a apresentação, pela primeira vez, de espectáculos do Festival Sementes em Sesimbra.
E isto é, para mim, “juntar o útil ao agradável”, como se costuma dizer.É que, além de estar a trabalhar para o meu amigo Tozé Ribeiro, reencontro (e entrevisto) também velhos amigos (ou conhecidos, sei lá eu…) como, por exemplo (neste caso) Rui Cerveira e Bruno Neves.
terça-feira, janeiro 08, 2008
Tive a honra de trabalhar, também, na primeira edição de uma revista de Economia!

Eu, no Sem Mais Jornal, pela segunda (e última) vez

sexta-feira, dezembro 21, 2007
Jornal D’Hoje (Portalegre, 1999/2000)
O semanário Jornal D’Hoje foi um projecto do jornalista Rui Vasco Neto, feito em Portalegre, na transição do século 20 para o século 21.Irreverente e desafiador dos poderes instituídos – à imagem do seu criador, aliás – o Jornal D’Hoje tinha tudo para ser um fracasso editorial, numa terra tão conservadora como era então a “capital do Norte Alentejano”.
E, como se previa (e como muitos caciques locais desejaram, e trabalharam para
tal), acabou mesmo por ser um fracasso, em termos de viabilidade editorial. Mas foi, também, um grande exemplo do que deve ser a comunicação social local: informativa, atenta, interveniente, sem cedências nem compromissos.Um jornal que, como se costuma dizer (e porque era feito à imagem do seu criador, repito), chamava os bois pelos nomes. Ou seja: fazia jornalismo. Mesmo correndo o risco de chatear alguns poderes, locais, regionais, ou mesmo
nacionais.E era mesmo isso que se pretendia: dizer as verdades (revelá-las) sobre um dois distritos portugueses mais deprimidos e subdesenvolvidos (não porque “não gostássemos de Portalegre”- e, portanto, só tinhamos era que “voltar para a nossa terra”, como nos foi sugerido várias vezes pelos arautos da mentalidade “xenófoba” local – mas apenas porque era esse o âmbito territorial do periódico em questão). E propunha-mo-nos a revelar essas verdades, doesse a quem doesse.Ora leiam este excerto do editorial do número zero (9 de Dezembro de 1999), assinado pelo director, Rui Vasco Neto:
«Em Portugal já não se usam palavras. Usam-se meias palavras para tudo, do insulto ao elogio, da ordem à sugestão.
A palavra de ordem é não hostilizar, contemporizar, dialogar, negociar, enganar, se for preciso! – mas não agitar.(...)
Ser politicamente correcto é, nos dias de hoje, tão imprescindível como o telemóvel. Quem não é não está contactável. Pior: não é contactável.(...)
Todas as suas perguntas têm cabimento no JornalD’Hoje. A nossa função é essa, perguntar e obter resposta às perguntas. E quando os senhores que se sentam na coisa pública como se fosse só deles torcerem o público nariz de desagrado pela insistência (...) há sempre uns que se calam.
Gostaria de dizer aos leitores deste jornal que há sempre uns quantos outros que perguntam outra vez o que querem saber e mais outra e outra (...) até à resposta final. E que depois vão confirmar a resposta.
Têm um nome, esses. Chamam-se jornalistas. Bem vindo ao mundo da informação regional, com qualidade nacional.»
Claro que, com esta declaração de intenções, o Jornal D’Hoje estava, logo à nascença, em “guerra” com os poderes então instituídos no “norte alentejano”. E que poderes eram esses? Bem, deixa cá ver se me lembro... eram 10 concelhos dominados pelo Partido Socialista (que estava então também no Governo do país), em 15 dos que compõem o distrito de Portalegre (os outros 5 eram “repartidos” pela CDU e pelo PSD – mas o PS tinha os mais importantes: Portalegre, Elvas, Ponte de Sôr, Campo Maior...). E não era apenas a “proporção” ou “desproporção”de forças que estava ali em causa: era uma lógica de concentração de poderes, de hegemonia. E de asfixiamento das vozes eventualmente rebeldes.Em Portalegre... fiéis ao objectivo de fazer informação rigorosa, sem cedências e ouvido sempre todas as partes interessadas num determinado assunto... sempre que falávamos com a “oposição”, tentávamos ouvir, também, a maioria (entenda-se, os autarcas do PS). Mas era, precisamente, essa maioria (com a própria Câmara de Portalegre à cabeça) quem colocava obstáculos ao nosso dever de informar.
Era habitual eu terminar os meus trabalhos com frases como “o Jornal D’Hoje tentou ouvir a Câmara de Portalegre, que não se mostrou disponível para prestar declarações”, ou então “na Câmara de Portalegre, disseram-nos que a única pessoa autorizada a falar sobre o assunto seria o presidente, mas só marcando entrevista, e o senhor presidente não estava disponível para entrevistas”.
Não acreditam? Julgam que estou a exagerar?Leiam, então, a seguinte história real:

Ou esta, não menos verdadeira:

Pois: era assim mesmo que as coisas se passavam!
assunto.de cargos políticos, como, por exemplo... ora deixa cá ver... pois, o senhor Governador Civil!... (Uma parte dessa história já foi contada aqui.) E, escusado será dizer – hummm... será mesmo escusado?... – que não nos movia qualquer intuito de “perseguição” a esses titulares de cargos públicos. Era, digo-vos mais uma vez, a nossa obrigação, enquanto jornalistas: informar, fazer serviço público.
Além disso, o Jornal D'Hoje teve ainda o mérito de recuperar - e logo na tão conservadora Portalegre - esta preciosa e esquecida tradição dos "ardinas". Pois, isso mesmo: uns jovens que, expressamente "contratados" para o efeito, e trajados a rigor, abanavam a letargia da cidade, com pregões, tipo "ólhó Jornal D'Hoje!". E isso é outra história que merece ser contada (mas que, por agora, fica aqui apenas brevemente referida, quase como nota de rodapé).Bem, sobre a minha experiência profissional em Portalegre, havia tantas outras coisas interessantes para contar!...
Mas fica para a próxima, que esta dissertação – e esta série de artigos – já vão longas!
sábado, dezembro 08, 2007
Sem Mais Jornal (Setúbal, 1998)
Em Abril de 1998, nascia em Setúbal o semanário Sem Mais Jornal. Liderado por Raul Tavares - e também por Jorge Alegria – o novo projecto editorial reunia jornalistas da redacção da revista Sem Mais (que estava em actividade desde 1993) e do extinto Sul Expresso.
fazem favor, que os jornalistas são, em geral, trabalhadores assalariados, ou seja,“mão-de-obra” como qualquer outra – embora especializada e com responsabilidades sociais acrescidas). Estavam, nessa primeira redacção, jornalistas como Humberto Lameiras, Etelvina Baía, Armando Faria (que era o chefe de redacção e – não por ser chefe, mas porque sim – era, também, um dos jornalistas mais competentes, e com maior capacidade de trabalho, que tive o gosto de conhecer)... e, como já vos disse, este vosso amigalhaço, António Vitorino, fazia parte dessa mesma redacção.Não contra vocês (não tenho essa pretensão e, se calhar, nem tenho esse direito).
segunda-feira, dezembro 03, 2007
SUL EXPRESSO, um projecto editorial almadense, na década de 90

Jornal generalista, de periodicidade quinzenal, o Sul Expresso foi, no seu tempo, um projecto controverso (por não ter medo de incomodar os poderes, se tal fosse necessário) e, no entanto, ignorado da população em geral (porque nunca teve um circuito de distribuição eficaz, e porque os vendedores – ou, se preferirem, as “bancas” de jornais – não o punham à mostra porque “não vendia”... e, é claro, se não o punham à mostra, as pessoas não o conheciam, logo...“não vendia”).

É como vos digo: não sei o que esteve na origem dessas alterações. Mas sei que, de aí em diante, o Sul Expresso teve tudo (bem, quase tudo...) para ser o órgão de comunicação social “de referência” que ambicionava ser (e que merecia ter sido). Teve um director que não pactuava com “arranjinhos” partidários, mas queria fazer jornalismo responsável e sério (sinceramente, fiquei com essa ideia a respeito do Luís Maia, e mantenho-a até hoje). Tinha jornalistas de qualidade (dois exemplos: Raul Tavares e Marina Caldas). Tinha colaboradores como Fernando Rebelo e Artur Vaz. Até tinha, vejam lá, um paginador do Expresso (o original), chamado António José Ribeiro!
Quando, em resposta a acções de bandos da extrema-direita (resposta desporporcionada e tão estúpida quanto a provocação, digo eu), os grupos de “negros” dos subúrbios de Almada fizeram da cidade uma das mais inseguras do país, o Sul Expresso não escamoteou essa realidade, e tentou entender as origens do “fenómeno”, os seus “motivos” e as eventuais soluções para o problema.
em ocasiões pontuais, chagar a notícias de grande relevância antes dos órgãos de comunicação social nacionais. Um exemplo (e - deixem-me lá ser vaidoso - um dos meus triunfos como jornalista) foi a divulgação, em primeira mão e em exclusivo, de um “pacote” de medidas governamentais para minorar os incómodos que as obras de reforço da Ponte 25 de Abril iriam causar na mobilidade das populações da Margem Sul. É verdade: o Sul Expresso foi o primeiro a divulgar essa notícia. E não foi por encomenda de nenhum ministro: foi mesmo por insistência e persistência (e alguma “ratice” jornalística), deste vosso amigo.
Sul Expresso: dois editoriais e um (triste) epílogo
Também já vos disse que o Sul Expresso apareceu conotado com o Partido Socialista (e nunca se livrou do rótulo “jornal do PS”).
No entanto, Luís Maia tentou (e, até certo ponto, conseguiu mesmo) fazer com que o jornal se afastasse de qualquer linha político-partidária. Neste editorial, e a propósito de uma qualquer “trica” política da época, o director deixava um recado aos críticos do jornal e, eventualmente, a quem ainda pretendesse fazer dele uma espécie de “correia de transmissão”:
«o Sul Expresso nunca foi muito alinhado pelos poderes da região e apesar de ter surgido com uma determinada coloração política, conseguiu afastá-la e ganhar o seu espaço de pluralidade e aberto às mais variadas ideologias e cores, sejam elas maioritárias ou minoritárias no país ou nos concelhos que pretende abranger. Conseguiu ser um espaço aberto ao debate de ideias e à intervenção (escrita, obviamente) ideológica).»Entretanto, Luís Maia sai do jornal (e, neste caso, não sei bem se alguma vez cheguei a entender porquê – por isso mesmo, não comento a sua saída) e, para ocupar o seu lugar, surge Raul Tavares (que já era um dos principais responsáveis pela revista Sem Mais, de Setúbal, e fazia parte da redacção do Sul Expresso).
Não se tratou, contudo, de uma simples mudança de director. As informações de que disponho (enfim, não serão muitas, mas julgo que são credíveis) permitem-me dizer que, nessa fase da vida do Sul Expresso (em meados de 1996) os accionistas (com o empresário almadense Artur Cortez à cabeça) estavam descontentes com o rumo que o jornal estava a tomar e decidiram, por isso mesmo, pôr um ponto final na edição.
Para salvar o Sul Expresso, alguns jornalistas (entre eles, Raul Tavares e Humberto Lameiras) e o paginador (António José Ribeiro – hoje director do jornal Notícias da Zona, de Sesimbra), assumem a edição, comprometendo-se também a viabilizar o projecto, de maneira a que pudesse continuar a ser sustentado pelos accionistas.
É dessa fase o editorial em que Raul Tavares assumia a liderança de «um jornal que quer prosseguir uma linha editorial acima de todas as lógicas políticas, que não aloinha em credos e não se deixa quedar por razões economicistas».
Bem, não deverei ser eu (que, embora apenas como jornalista “assalariado”, estive sem medos e sem reservas com o projecto Sul Expresso) quem vos poderá dizer se esses objectivos foram ou não conseguidos. Até porque já disse que, na minha opinião, o Sul Expresso foi o melhor projecto editorial almadense das últimas décadas.
Digo-vos, sim, que a publicação teve um final inglório. Primeiro, foi assaltada (a redacção ficava num terraço de um prédio na Praceta Capitães de Abril, muito perto da zona que hoje é conhecida como “triângulo da Ramalha” – e, por sinal, era muito fácil de arrombar). Depois, aconteceu um incêndio misterioso (que, felizmente, foi detectado antes de consumir por completo todo o espólio do jornal).
Por fim, já numa fase em que, para salvar o que era (ainda) possível, a publicação tinha passado a mensal, um outro assalto acabou de vez co o projecto.
Por acaso, eu até estava sozinho na redacção pouco antes desse segundo assalto ter sido consumado, e julgo que até sei quem foi o “menino” (um dos “meninos”, aliás) que assaltou: terá sido alguém que me conhecia muito bem, e que já muito me tinha prejudicado (e que eu julgo ter reconhecido), mas, enfim... é apenas uma suspeita e eu não quero levantar falsos testemunhos.
O Sul Expresso acabou, de uma vez por todas, em 1997. Havia ainda a esperança (e uma remota promessa...) de recomeçar, com uma nova redacção (aliás, eu fui, no último número, “chefe” de uma redacção que não existia). Tudo terminou quando, numa reunião em que estava eu, o director demissionário Raul Tavares e o “patrão” Artur Cortez, este nos comunica que o Sul Expresso já era.
Assim, sem mais. Ponto final.
