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quinta-feira, novembro 29, 2007

A revista SEM MAIS (distrito de Setúbal, anos 90 e início do século XXI)


A revista Sem Mais apareceu pela primeira vez em Novembro de 1993 e manteve a publicação (mensal) até aos primeiros anos deste século. Sedeada em Setúbal, foi o ponto de partida para um projecto editorial que, ainda hoje, é do melhor que se faz em termos de jornalismo “regional”. E não só na Península de Setúbal (digo-vos eu, que – como já devem ter percebido – até passei por vários projectos de “imprensa regional”).

Sem Mais, a revista, é (ou foi) um projecto de Raul Tavares e Jorge Alegria (parceiros na sociedade SadoPress).
No entanto, o primeiro director (embora, suponho eu, fosse pouco mais que um director apenas “nominal”) foi o conhecido advogado setubalense Mariano da Palma Gonçalves. Na “ficha técnica” das primeiras edições da Sem Mais estavam também (como membros do conselho editorial, correspondentes ou colaboradores permanentes) jornalistas, empresários e outras personalidades do distrito de Setúbal. Exemplos: Miguel Roquette, Regina Marques, Viriato Soromenho Marques (que, quatro anos mais tarde, seria o primeiro director do jornal semanário Sem Mais), Carlos Pimenta, Eduardo Carqueijeiro, José Manuel Palma, Nuno Gomes dos Santos, Telmo Correia e Marina Caldas, entre outros. Uma “colecção” de nomes que, convenhamos, era uma maneira de dar credibilidade a um projecto desconhecido que se procurava impor, contra todas as dificuldades que então se apresentavam à imprensa regional.

E porquê o nome Sem Mais? Porque – disse-me um dia o Raul Tavares, quando eu comecei a colaborar com a revista – a intenção era fazer um jornalismo de qualidade, ouvindo todas as partes e, se possível, abordando todos os aspectos de um assunto. De forma a que a informação ficasse completa, assim mesmo, sem mais…

O editorial do primeiro número (Novembro de 1993), que aparece sem assinatura do autor… (mas – deixem-me especular – provavelmente terá sido escrito ou por Mariano da Palma Gonçalves ou, menos provavelmente, por Raul Tavares), referia essas ambições nos seguintes termos:

«Se há coisas que custam na vida dos sonhadores é ter que lutar contra o sonho e contra os profetas da desgraça. O projecto Sem Mais nasceu nestas circunstâncias peculiares, embora do misto de sonho e realidade tenha feito orelhas moucas a tantos “nostradamus” cá do burgo. A ideia de editar, na região de todas as apostas, uma publicação de qualidade, jornalisticamente ousada e atraente às vistas, foi mais forte e motivou um grupo de profissionais com aquela “gema” de Setúbal a torná-la realidade. E, esteja certo, caro leitor, que o produto que tem nas mãos nada tem de fictício. É o zero de muitas edições que se lhe seguirão, a provar que também o distrito de Setúbal pode produzir informação da melhor. A Sem Mais é pois um projecto de apostas e desafios. A aposta contra o sonho – que nem sempre comanda a vida – e contra os que estão contra; desafio de fazer melhor, com mais brio, mais profissionalismo, mais seriedade. Queremos contar ‘estórias’ e dar a conhecer protagonistas daqui, desta outra margem do Tejo. Dar vida e cor à informação, sem escamotear a verdade, o essencial, o facto, num rigoroso e exclusivo compromisso com o público a que nos destinamos e servimos.»

Ora, isto é um editorial cujas intenções eu podia assinar por baixo. E, de facto, tive a sorte de ser “levado” a trabalhar neste projecto, após a minha saída da rádio Voz de Almada. A directora de informação daquela rádio, Ana Isabel Borralho, apresentou-me ao Raul Tavares (já que ambos trabalhavam noutro projecto regional chamado Sul Expresso – mas já lá iremos a seguir…). E eu fiquei, primeiro como colaborador (escrevi a primeira “peça”, sobre um projecto que então existia para a recuperação e valorização do Ginjal, em Fevereiro de 1995).

No entanto, como se dizia no editorial do “número zero” da Sem Mais, «nem sempre o sonho comanda a vida». E a vida, essa mesmo, tratou de trocar as voltas à “pureza” inicial do projecto. A pouco e pouco, a Sem Mais foi ficando menos jornalística (no sentido de privilegiar a reportagem e a investigação) e mais “institucional”. Começou a privilegiar a divulgação empresarial, até se tornar, em definitivo e assumidamente, uma revista de “economia”.
Isso acontece a partir de 1998, quando a SadoPress começa a editar um semanário, Sem Mais Jornal, que se pretendia generalista e “de referência”. E, a propósito, eu também estive na primeira redacção desse jornal.

Terei muito gosto em falar-vos acerca dessa experiência, num próximo artigo deste blogue.

sexta-feira, novembro 23, 2007

Olhem pra mim, no terraço da Uninova, a trabalhar para a Voz de Almada...

Em Fevereiro de 1994, o então ministro da Indústria e Energia, Mira Amaral, veio à Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT), no Monte de Caparica, inaugurar instalações do Uninova (instituição que resulta de uma parceria entre a universidade, o Instituto de Emprego e Formação Profissional, e outras “forças vivas” do concelho).
Como demonstra esta foto (publicada no semanário Actual, edição de 10 de Fevereiro de 1994), nesse dia estava uma ventania assinalável. No terraço da Uninova, Mira Amaral até nem perdia a compostura, mas a presidente da Câmara de Almada, Maria Emília de Sousa (sim, ainda é a mesma...) encolhia-se, levantava a gola do casaco e, enfim, lá se defendia como lhe era possível de tamanha rajada de vento. E o repórter da Voz de Almada tentava fugir ao clique do fotógrafo (porque um jornalista não deve ser notícia, não é?...), porém debalde: como se pode ver, não se safou de aparecer na fotografia.
E ainda bem.
É que esta foto é a única imagem que guardo da minha passagem pela rádio Voz de Almada. Alguém (por sinal, alguém da minha família – mas ainda não está na altura de falar nisso) fez o favor de me roubar até os autocolantes que a rádio oferecia aos seus colaboradores. Por isso não tenho um logotipo que vos possa mostrar.
Claro que isso (o roubo dos autocolantes) ainda é o menos. O pior é que, além de materiais de promoção da rádio, esse alguém tratou de me prejudicar também a carreira profissional.
Já tinha começado antes, quando eu estava na Rádio Baía. Continuou quando trabalhei na Voz de Almada. E agravou-se nos anos seguintes.
E estou, ainda hoje, a pagar as favas (como se a culpa afinal fosse minha).
Não acreditam?
Está bem, não acreditem.
Mas, ainda assim, continuem a ler este blogue.
É que “a verdade vem sempre ao de cima.”
Obrigadinho pela preferência.

Notas de rodapé:
Na Voz de Almada – rádio local, filiada na Associação de Rádios de Inspiração Cristã - estive entre Janeiro e Agosto de 1994. Depois, ainda lá voltei, em Agosto de 1995, a convite, para substituir uma colega (Gertrudes Guerreiro) durante o seu período de férias. Quando entrei, foi para substituir uma jornalista que ía para a “concorrência” (a Rádio Capital, que ficava no mesmo edifício, umas portas mais à frente). E, na Voz de Almada, tive o privilégio de conhecer pessoas como o Paulo Rolão (que era, nesse tempo, um jovem muito promissor.. e tanto “prometeu” que é hoje o correspondente da RTP no distrito de Coimbra), o Vítor Burgo (um jornalista pouco “ortodoxo” – e, talvez por isso mesmo, mal-amado naquela rádio - mas competente) ou a directora de informação, Ana Isabel Borralho (que foi, aliás, quem me levou a seguir para a imprensa escrita).
Ah, conheci também o padre Ricardo (o carismático “chefe” daquela rádio). E, pela primeira vez (e única, que me lembre) fui alvo de uma muito subtil tentativa de silenciamento... Isso aconteceu quando, após uma explosão de gás no Bairro Amarelo (eu avisei na hora, porque morava nesse bairro, e vi a explosão, e telefonei logo para a redacção - mas, mesmo assim, a Voz de Almada foi das últimas a chegar) um certo responsável local de uma instituição eclesiástica do Bairro Amarelo se lembrou de criticar o Bispo de Setúbal (que, naquele tempo, era o famoso D. Manuel Martins). Alguém da direcção da rádio disse-me, então, que aquelas críticas não eram para levar muito a sério, e que a pessoa que falou à reportagem o fez porque queria protagonismo. E sabem que mais?: depois destes anos todos, bem vistas as coisas, se calhar, até era mesmo isso.
(E, sim, tenho muitas mais histórias para contar... Mas encerremos, por agora, este “capítulo” das minhas experiências radiofónicas. A seguir, vou falar-vos de um jornal, muito bom, mas muito desconhecido, publicado em Almada durante os anos 90. Era quinzenário e chamava-se Sul Expresso.)

sábado, novembro 17, 2007

A lebre fumadora e a tartaruga desportista


Hoje, dia em que se assinala uma data qualquer contra o tabaco, eu (que sou um ex- fumador, mas ainda não muito convicto) lembrei-me de uma estória, passada num outro dia contra o tabaco (porque existem dois, sabiam?), neste caso, em 31 de Maio de 1993.
Aviso já que a estória não é nada de especial, nem sequer tem muita piada (logo, talvez não dê para rir - desculpa lá, ó Luís Milheiro...).


Então... era uma vez...

... o António Vitorino, ainda modesto aprendiz de jornalista, na Rádio Baía. Que, precisamente por ser um modesto aprendiz de jornalista, queria fazer coisas que lhe dessem experiência. Vai daí, oferece-se para, fora do horário de serviço, ir ao Jardim de Almada fazer a reportagem de uma iniciativa anti-tabagista, no “Dia Mundial do Não Fumador”, 31 de Maio desse ano de 1993.

E foi mesmo.

Assim, nesse dia, entra em directo no noticiário da Rádio Baía (às 17 horas), editado a partir do estúdio por uma jornalista, ainda “tenrinha” mas já competente, chamada Susana André (esclareço já que sim, é a Susana André que está agora na SIC – e não, não estou a brincar quando digo que ela já era competente, apesar de ainda profissionalmente “tenrinha”). E entra com a seguinte estória (a tal que não tem piada), tque aqui transcrevo, quase literalmente, a partir dos registos magnéticos dessa época (alguns dos – poucos – que consegui salvar...):

Depois de explicar - tipo lied da notícia, como lhe tinham ensinado a fazer - que aquela actividade reunia no Jardim de Almada crianças e jovens dos ATL do município almadense, das escolas secundárias e preparatórias de Almada, e também a Escola Secundária de Amora e técnicos do CIAC (Centro de Informação Autárquica ao Consumidor) de Almada, o aprendiz de jornalista afirma (e passo a citar):

«A doutora Graziela» (acentuando bem o Graziela, que é um nome bonito e agradável de dizer em rádio...) «do Centro de Saúde Ocupacional de Almada, pôs esta questão: se fumar faz mal,e toda a gente sabe, então, porque é que se começa? E a resposta poderá ser mesmo esta:»

(entra então um RM – abreviatura usada em rádio para “registo magnético” - ou, se preferirem, uma gravação, com a voz da doutora Graziela a dizer o seguinte)

«Um dia interroguei à volta de quinhentos jovens e perguntei-lhes porque é que fumavam. Esses jovens tinham entre 14 e 19 anos. Eles sabiam que o tabaco causava problemas de saúde. A maior parte deles, à medida que iam crescendo, tinham-se esquecido desses problemas e tinham sido vencidos pelos seus grupos, pelos pares, pelos pseudo-amigos, que os levavam a fumar. A maior parte deles diziam que fumavam única e simplesmente porque os amigos fumavam, e não era possível pertencerem ao grupo se não fumassem.
Mais uma vez vos digo: é acima de tudo necessário muita coragem, muita inteligência. Demonstrem-no não fumando, mesmo junto daqueles que fumam.
Viva a vida sem tabaco!»

(O RM acabava aqui. A seguir, entra novamente, em directo, o Vitorino)

«
Ora aí está: “viva a vida sem tabaco!” (...) Depois, subiram ao palco jovens dos ATLs da Câmara de Almada, recriando a fábula da lebre e da tartaruga. A tal corrida que a lebre tem todas as as condições para vencer, e... E daí, não sei... É que a lebre, ultimamente, anda a fumar tanto!..»

E pronto, o Vitorino calava-se aqui. Dava por concluída a sua hããã... “reportagem”, não?

Estranhamente, do estúdio só saiu silêncio, durante alguns momentos.

Fiquei a saber, depois, que a coisa deu-lhes para rir. É que, nessa altura, o Vitorino fumava que nem uma chaminé (só não fumava no estúdio porque não podia, mas na redacção fazia dos outros pobres fumadores passivos). E a jornalista de serviço achou melhor não se rir em directo – portanto, desligou o microfone enquanto dava a tal gargalhada.

E é claro que, durante algum tempo, eu fiquei conhecido, na Rádio Baía, como a “lebre fumadora”.

Portanto a propósito do dia não sei quantos contra o tabagismo (um dos pelo menos dois que existem), não me lembrei de coisa melhor que esta estória insonssa (mas eu avisei que não tinha piada, não avisei?).
E podia ser pior: podia não ter nada para contar, e limitar-me... sei lá, a criticar os outros.... Há gente assim, e eu até conheço alguns. Vocês não conhecem?

(Para esclarecer eventuais confusões, sobre datas de iniciativas anti-tabagistas, esta página talvez ajude:
www.minerva.uevora.pt/publicar/wq_fumar/ )

Foto: estátua em Boston, EUA, retirada daqui:
ja.northrup.org/photos/boston/turtle-and-rabbit-statues.htm

sábado, novembro 10, 2007

A “Guerra do Golfo”, as minhas duas “bíblias” e a TV privada em Portugal. (Tudo coisas interessantes comó caraças!)

Andava eu, na transição dos oitentas para os noventas (décadas do século passado, entenda-se), à procura de um rumo para a minha vida (também, estava ainda na idade para isso, não é?...), e eis que começam a acontecer coisas interessantes no mundo.
Ele foi a “guerra do Golfo” (era assim que se chamava ao “conflito Irão-Iraque” - uma guerra impiedosa que, sinicamente um certo responsável iraquiano catalogou, numa entrevista publicada na imprensa portuguesa, como “conflito de fronteiras”)...
Ele foi a Perestroika (e foi quando eu fiquei a saber – graças ao então correspondente da RTP, na então União Soviética - que é possível mostrar imagens com meia-dúzia de pessoas e afirmar que eram “largos milhares de manifestantes”, ou o contrário!)...
Ele foi a queda do muro de Berlim (e a construção do muro do Alfeite, em Almada... ou isso terá sido uns anos antes?...), seguida da desintegração da União Soviética e de todo o “bloco de Leste”.
E foi, também, a primeira “aventura” norte-americana no Iraque... Aliás, a “Operação Escudo do Deserto”, para “libertar” o Koweit da invasão iraquiana (era esta a versão oficial, repetida sistematicamente, e unanimemente, pela comunicação social portuguesa).

Mas vamos por partes, e cronologicamente.

Em 1988, depois de terminada a minha experiência na Rádio Urbana, fiquei com um “bichinho da rádio” que (para usar uma expressão da época) não sei se vos diga, se vos conte. E tinha também reforçado a minha – já anterior – “apetência” pelo jornalismo. Foi, aliás, nesse tempo que decidi que queria mesmo ser jornalista...
Ora bem... Para “matar o bichinho” da rádio, tive a sorte de ser contratado pela Festa do Avante para fazer publicidade sonora (no que se chamava, na altura “estúdio móvel”), percorrendo então o distrito de Setúbal, em Agosto de 1990 e de 1991. Pois sim: era eu quem andava a “chatear” os veraneantes, dentro de uma “roulote”, com duas colunas de som no tejadilho, emitindo música (seleccionada no momento, ao bom estilo DJ Vitorino)... e propaganda!
E, porque já nessa altura gostava de “fanzines”, fui co-responsável pela edição de um boletim da JCP de Almada, chamado “Jotacêpê” (nome muito original, não vos parece?), com pretensões jornalísticas (tive a oportunidade de entrevistar, por exemplo, o embaixador de Cuba em Portugal... e garanto-vos que foi uma das entrevistas mais interessantes que fiz), mas em formato assumidamente “fanzineiro”.

Sempre à procura de uma oportunidade profissional – e sempre apaixonadíssimo (desculpem lá, mas a expressão adequada é mesmo essa) pela rádio – ia tentando apre(e)nder com o que se fazia, lendo muito, ouvindo mais ainda, e...
Foi nessa altura que conheci um livro intitulado “As armas dos jornalistas”. Bem, o título engana um bocado: não se trata de nenhuma obra de guerrilha, mas “apenas” de um manual prático sobre “como fazer uma notícia” – escrito por um jornalista da Lusa (agência de notícias portuguesa, nascida da fusão da estatal ANOP com a privada NP – Notícias de Portugal), jornalista cujo nome, infelizmente, não me recordo. Essa foi uma das minhas “bíblias”
Foi também nessa altura que a tal “guerra do Golfo” (hoje conhecida como a “primeira guerra do Golfo”...) eclodiu, monopolizando as atenções da comunicação social - e dando azo a uma enorme manipulação dos jornalistas (lembram-se de “directos” para os telejornais, “algures na Arábia saudita”, supostamente em “zona de combate” que - soube-se mais tarde - eram feitos à porta do hotel onde os profissionais da comunicação social estavam hospedados?).
Foi, então, o ensaiar de “soluções” que hoje estão vulgarizadas: os jornalistas vão com os militares, e só divulgam o que interessa às “autoridades no terreno”.
Acontece que, naquele tempo, a maior parte dos jornalistas foram “papados” de maneira algo inocente (houve, é certo, casos em que se deixaram “papar”... mas foram excepções). E aquilo que, em 1991, era “manipulação”, é hoje a “normalidade... Mas adiante...

Surgiu então um livro, de Allan Woodrow (na edição portuguesa, “Informação, Manipulação”, com prefácio e “adaptação” à nossa realidade, por José Manuel Barata Feyo) que, pela primeira vez, muito assertivamente, questionava o papel dos jornalistas em toda aquela operação – e abria um debate sobre o que era, e o que devia ser, afinal, a função do jornalismo, num mundo em mudança.
Esse livro foi outra “bíblia”, para mim (mas enfim, eu – como podem ver, pela imagem em anexo - até era louro, nessa altura, portanto tenho uma boa desculpa para a minha “ingenuidade”...), mas também para todos os que, nesse tempo, tentavam ser jornalistas “a sério”.
E “a sério” porque?
Bem... É que foi, precisamente, nosa primeiros anos da década de 1990 que a profissão começou a ficar “na moda”. O aparecimento das televisões privadas em Portugal (particularmente a SIC, em 1992, que, com o seu estilo “agressivo” e “informal”, alterou radicalmente o “panorama audiovisual” português) cativou muitos jovens para o “métier”.
E eu lembro-me muito bem que a maior parte dos jovens que saíam dos cursos de Comunicação Social não estavam nada preparados para entrar no mercado de trabalho. Pior: alguns nem sequer sabiam muito bem o que lá andavam a fazer.
E eu, que nem sequer tinha um curso, sabia?
Bem... Essa pergunta talvez possam os meus caros leitores fazer a quem comigo trabalhou, a partir de Novembro de 1992, primeiro na Rádio Baía, depois na Rádio Voz de Almada, e depois em jornais e revistas regionais (e olhem que alguns desses ex-colegas são hoje profissionais muito prestigiados).
Mas isso são assuntos para os próximos artigos.

Notas de rodapé:
1 - Admito que este texto possa parecer redundante e talvez mesmo algo “exibicionista” – e talvez o seja – mas pareceu-me mesmo necessário incluí-lo, na sequência de artigos sobre a minha experiência no meio da comunicação social dos anos 80/90 do século passado. No “computo final” – espero eu – tudo isto ficará devidamente justificado. E – já o disse e repito agora – isto é um blogue pessoal: não pretendo revelar “a História”, mas apenas contar as minhas estórias. Se vos interessar, agradeço a atenção. Se não vos interessar, “paciência”...
2 – Quando puder, voltarei a estes assuntos (Guerra do Golfo, TV privada, os dois livros de que falo aqui), com mais tempo e mais informação.

terça-feira, outubro 09, 2007

E agora uma piada, só para desenjoar, e antes de voltarmos às coisas sérias.

Em Março de 2000, o então ministro do Ambiente, José Sócrates, foi a Avis (no distrito de Portalegre), encerrar solenemente uma lixeira e, não menos solenemente, inaugurar um aterro sanitário.
Nesses tempos, especulava-se muito sobre a possibilidade do território de Portugal continental vir a sofrer um período de seca. E isso, numa região onde ainda há (ou havia...) agricultura e pecuária, constituía uma grande preocupação. De resto, até o abastecimento de água para consumo das populações poderia ficar comprometido (porque existiam graves deficiências a esse nível, nomeadamente na própria cidade de Portalegre...). Isto, é claro, no caso de se concretizar a perspectiva de seca. O que não veio a acontecer: passadas algumas semanas caiu uma carga de água tão grande que a preocupação passou a ser o risco de inundações e enxurradas.
Mas esperem aí, a piada não é essa.
Aliás, isso não tem piada nenhiuma.

A piada é que, pouco antes, o então primeiro-ministro, António Guterres, tinha solenemente fechado as comportas da então recém-terminada barragem de Alqueva, e...
Pronto, está bem, isso também não teve piada.
A piada (agora a sério) é que, em Avis, no acto de encerramento da lixeira e inauguração do aterro sanitário, uma jornalista, de um órgão de comunicação social nacional (ainda por cima!...) lembra-se de fazer ao senhor ministro do Ambiente a seguinte brilhantíssima pergunta:

- Não receia, Senhor Ministro (bem, talvez eu esteja a exagerar e ela não tenha dito Senhor Ministro, mas apenas senhor ministro... adiante...), que a seca que se perspectiva possa vir a afectar o enchimento da barragem do Alqueva?

Esperem aí, que a piada ainda não acabou.
O senhor ministro, sem pestanejar nem perder a compostura, responde qualquer coisa como «não, uma vez que o processo de enchimento leva vários anos, e mesmo que exista agora seca, o que aliás é apenas uma possibilidade(...)» e por aí adiante.

Quando cheguei à redacção do Jornal D'Hoje para escrever o artigo que já viram ali em cima, conto a história ao directot, Rui Vasco Neto. E ele (depois de ter a reacção que calculam...) comenta: «Pois. O sentido de humor não é o ponto forte do Sócrates».

Mas pronto, isso foi no tempo em que "o Sócrates" era apenas Ministro do Ambiente, e a gente ainda podia contar factos reais acontecidos com ele, sem nos arriscarmos a que nos acontecesse qualquer coisinha má.
Portanto, façam de conta que eu não vos contei nada, está bem?

PS (já sabem que isto significa Post Scriptum, e não se refere a nenhum partido político): tenho pena que, quando o actual primeiro-ministro, reagindo a uma manifestação de representantes dos trabalhadores do sector da Educação, se considerou "insultado", não estivesse lá a tal jornalista (ou outra do mesmo quilate) para lhe perguntar porque razão se sentiu ele insultado. É que, pelo que passou na reportagem eu, sinceramente, não entendi.
Mas, pronto, os tempos são outros. Já passaram 7 anos, o actual primeiro-ministro não é o "banana" do Guterres, e o jornalismo também já não é o que era.
Aliás, começo a ficar convencido de que, simplesmente, já não é.
E isso para quem sempre levou esta coisa do jornalismo a sério, é muito chato. No mínimo.)

segunda-feira, setembro 24, 2007

A «Perversão bloguista»

«O mundo novo, que a internet nos trouxe, tornando-nos mais próximos e mais globais, tem ainda um conjunto de problemas para resolver, sendo que a falta de regras e a ausência de validação de conteúdos são, de longe, as mais preocupantes.
Um dos dramas da actualidade tem a ver com a forma como alguns blogues estão a ser geridos. Pontifica o anonimato e a calúnia gratuita, num jogo de cobardias, patetice e demência que não abona nada em favor de uma das maiores invenções do Homem.
Claro que a questão não é simples de resolver, nem tão pouco deverá servir para outras cabalas passadistas e retrógradas que, desde sempre, perfilaram contra eta coisa da net.
Mas é preciso que em cada país se saiba valorizar os impactos, a defesa do Estado de direito e a dignidade do cidadão e das instituições.
No que aos blogues diz respeito, é possível e urgente zelar por estas condições de vida e de carácter, em nome da democracia, da verdadeira liberdade de expressão e cidadania.»


O que acabaram de ler é um editorial do jornal Sem Mais (semanário do distrito de Setúbal, edição 480, de 8 de Setembro de 2007), redigido por Raul Tavares, director daquela publicação.
Quando esse prestigiado jornalista se refere a «anonimato» e «calúnia gratuita», a «jogo de cobardias, patetice e demência», não está (não estaria...) a pensar, certamente, em nenhum blogue almadense, mas sim a um outro... setubalense, por sinal.
Fiquem, então, os meus leitores descansados: também eu não vou dissertar aqui (hoje...) sobre nenhum blogue almadense.

O editorial de Raul Tavares apontava, então, para uma peça jornalística, escrita por Cristina Isabel Pereira, e publicada na página 4 de referida edição do supracitado semanário.

Aqui vai um excerto:

«O caso de um blogue anónimo, com expressões ofensivas numa linguagem menos correcta, visando o executivo da Câmara de Setúbal está a levantar a polémica na região.
(...) O blogue “Bocageacordou” começou em Junho deste ano, mas a polémica só estoirou na passada semana quando um funcionário da autarquia viu ser-lhe aberto um inquérito disciplinar. O trabalhador é acusado de distribuir, para os endereços de e-mail da autarquia, informação constante neste blogue. O acesso ao blogue já tinha sido vedado a partir dos computadores da câmara, há cerca de um mês, mas as caixas de correio electrónico dos funcionários municipais receberam textos incluídos nessa página.»

Mais à frente, a jornalista considera que o inquérito disciplinar é «exemplo de que este meio não é completamente incontrolável». Afirmação sustentada, também, pelo secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna que, em declarações àquele jornal, afirma que a blogosfera «não é imune» às regras de um Estado de direito.
Para José Magalhães «se através de um blogue for alimentada uma campanha de insultos e calúnias contra alguém, os lesados podem fazer uso da lei geral para se defenderem».

O governante defende ainda que «é preciso analisar as várias categorias de blogues», as quais, na sua diversidade, «não podem ser regidas por um princípio único».

Sobre o mesmo assunto, a jornalista Cristina Isabel Pereira ouviu ainda o depoimento de José Luís Andrade, um web designer que, contrariando a opinião de José Magalhães, afirma ser impossível «controlar os milhões de blogues que existem», embora existam sempre «vestígios, porque pode sempre existir uma série de cópias que surgem quando é feita uma pesquisa».
Na mesma peça jornalística, outro depoimento, de David Santos, gestor de uma empresa de publicidade, marketing e multimédia: «os conteúdos são deixados ao critério de cada um, mas é importante que haja liberdade» até porque, embora o «equilíbrio» na blogosfera seja «difícil de conseguir», não faz sentido «retroceder na liberdade de expressão».

Em rodapé, a autora do artigo aponta três blogues, como outros tantos exemplos de formas de estar na internet (e na vida, acrescento eu, sem falsas modéstias, desculpem lá...).

abrupto.blogspot.com

«O blogue pessoal do político e comentador José Pacheco Pereira, é uma das presenças mais antigas na blogosfera. (...) Com uma actualização diária, o blogue está sempre ‘em cima da actualidade’ e é mais um suporte utilizado por Pacheco Pereira para os comentários e análises políticas e sociais que já realiza na imprensa e em programas de rádio e de televisão.»

vitorinices.blogspot.com

«António Vitorino, homem da Margem Sul do Tejo, ligado à Cultura, dá a cara através do blogue “Vitorinices”. Com informações sobre vários assuntos(...) o autor expressa as suas opiniões de forma crítica mas bem humorada, sem recurso a termos ofensivos»

bocageacordou.blogspot.com

«O anonimato que a internet possibilita foi utilizado pelo autor de “Bocageacordou” para falar sem quaisquer preconceitos sobre os membros do executivo da Câmara de Setúbal. Desde os textos às imagens utilizadas, o blogue demonstra um carácter ofensivo e utiliza algumas expressões menos próprias.»

Beeeemmm!.... Isto deixou-me babado!... Deixem-me cá limpar a baba!...
Pronto, já está!

Agora já posso fazer duas breves considerações sobre o que acima foi dito:

Consideração número 1: Embora a referência a este meu blogue seja, talvez, excessiva, devo agradecer à autora do artigo por ter entendido tão bem quais as minhas intenções. Ah, pois, e devo também realçar que não conheço, de todo, a jornalista em questão. Conheço, sim o director do Sem Mais. E ele conhece-me a mim. Mas não fiquem a pensar que temos alguma espécia de “conluio”. Até porque ele é do Partido Socialista e eu sou um assumidíssimo comunista! Aliás, já o era quando trabalhava para ele!

Consideração número 2: Tal como prometido, não falei aqui de nenhum blogue “anónimo” almadense... mas olhem que, se tivesse falado, não seria de todo descabido. Pois não? De qualquer forma, essas coisas “anónimas” já existiam antes de haver “blogosfera” (ou internet...), e vão continuar a existir. Como diz o povão (e lembrando o grande José Estebes): «os cães ladram, e a caravana passa, carago»!...

Não acreditam?

sábado, setembro 22, 2007

E agora? Acredito em quem?

A propósito do mais recente "fórum de participação" sobre o Metro Sul do Tejo (MST)... Um blogue almadense bem conhecido pelas suas constantes tomadas de posição contra tudo o que tenha a ver com o executivo municipal deste concelho (aliás, agora que penso bem no assunto, tais "tomadas de posição" são a única coisa que se pode ler nesse blogue...) veio "informar" que a referida sessão não passou, afinal, de «uma operação de propaganda-defesa do Metro Sul do Tejo (MST) feita por um um jovem Professor da Divisão de Transportes e Energia do Instituto Superior Técnico, "convidado" para falar da Estratégia Local para as Alterações Climáticas , mas provavelmente pago a peso de ouro, pela CMA».

Reparem que acabei de citar o tal blogue. Não acrescentei nada, nem uma única vírgula. Foi mesmo "copy-paste". Se, por acaso, notaram alguma falta de rigor, alguma "confusão" entre informação e opinião, ou mesmo alguma insinuação (sem apresentar provas daquilo que se insinua), não me culpem a mim, está bem?

Entretanto, o semanário Notícias de Almada, publica, sobre o mesmo assunto, uma versão "ligeiramente" diferente. Ora leiam, se fazem favor:

(se não conseguirem apliar a imagem, podem ler, no final deste "post", a transcrição do artigo)E agora? Acredito em quem?


Acredito num "cidadão de Almada e deste país" que, anonimamente (e com que rigor... mas com que rigor, senhores!) exerce os seus direitos de cidadania neste fórum democrático que é a "blogosfera"?

Ou acredito numa jornalista que se identifica, assinando o seu trabalho?

A propósito: eu disponho de informações - oriundas de fonte muito bem posicionada em todo este processo do MST - que desmentem muito do que tem sido afirmado (e em muitos casos apenas insinuado) por esse anónimo e indignado cidadão. Não as publico ainda porque, como tenho a mania que sou jornalista (enfim, só desde 1992...) quero confrontá-las com outras fontes e, se possível, com documentos.

Estou, precisamente, a trabalhar nisso. (Bem, falta-me, por exemplo, o contacto da secretária de Estado dos Transportes... Não há por aí algum aparentado à grande família dos vitorinos que queira dar uma ajudinha?...)

E quando divulgar os resultados do meu trabalho, vocês vão acreditar em quem?

Em cidadãos "anónimos"? Ou em mim, que já vos disse quem sou (e vou continuar a dizê-lo)?

PS: O insuspeito Jornal da Região publica, na sua edição mais recente, um artigo sobre o MST. Vale a pena ler, pois é uma peça jornalística. Não mistura informação com manipulação.

Está em

www.jornaldaregiao.pt/edicoes.htm

(Nessa página encontram "links" para as diversas edições do Jornal da Região. Abrem em pdf.)

E o texto do Notícias de Almada é o seguinte:

Na semana da mobilidade

Fórum discutiu contributo do MST para o ambiente

Inserido na Semana Europeia da Mobilidade 2007, que decorre até amanhã, o 18º fórum de participação do Metro Sul do Tejo (MST) promovido pela autarquia, só poderia ter como tema de fundo as questões ambientais e a sua relação com o novo meio de transporte que será implementado na cidade, num evento que, em dia de jogos para a Liga dos Campeões, reuniu poucas pessoas no Fórum Romeu Correia, na passada terça-feira.
Para além das habituais presenças dos técnicos camarários envolvidos no projecto e do Encarregado de Missão, Eng. Marco Aurélio Martins, o fórum, subordinado ao tema “MST e alterações climáticas”, contou com a participação do professor Tiago Faria, da Divisão de Transportes, Engenharia e Ambiente do Instituto Superior Técnico (DTEA/IST), que veio mostrar como “o MST é energética e ambientalmente um bom negócio”.
Acreditando que “o Metro de Superfície não é uma questão de moda” e que “os veículos eléctricos são freancamente mais eficientes que o automóvel”, o professor explicou como o MST é uma das medidas a adoptar para a redução das emissões de gases com efeito de estufa (GEE), já que “altera a fonte energética” (é um veículo eléctrico), aposta numa tecnologia eléctrica mais eficiente e, por último, obriga a uma alteração comportamental porque retira o automóvel e oferece mais transporte colectivo”.
“O MST é também uma das medidas incluídas no Plano Nacional Para as Alterações Climáticas, que lhe atribui um potencial de redução de emissões de GEE de 16.000 ton de co2/ano”, lembrou Tiago Faria.

Obras a decorrer como previsto

Quanto aos trabalhos que estão a decorrer em vários pontos da cidade para a implementação da linha do metro, o Encarregado da Equipa de Missão do MST, assegurou que “em princípio não há nada que indique que a obra total não fique concluída em Novembro de 2008, como está previsto”.
Segundo Marco Aurélio Martins, a segunda etapa do projecto, que liga a Cova da Piedade à Universidade está pronta em meados de Dezembro, começando os ensaios em final de Outubro, início de Novembro. Neste momento, contou a mesma fonte, ainda decorrem trabalhos na Rua de Alvalade, Rua Sameiro Antunes e na Av. Bento Gonçalves, que já estão em fase de conclusão.
Em Cacilhas, as obras começam no fim deste mês, sendo que na Av. 25 de Abril o trânsito já está no lugar definitivo e na Praça Gil Vicente concluem-se os serviços afectados. O engenheiro explicou ainda que na Av. Afonso Henriques se começará em breve a fazer a pavimentação definitiva, enquanto nas praças do MFA e S. João Baptista estão a acontecer trabalhos de desvios de ocupação do subsolo.

Segurança contestada

Apesar da fraca adesão a este fórum de participação comparada com anteriores, foram várias as vozes que se fizeram ouvir, principalmente de moradores da zona do chamado “Triângulo da Ramalha” e da Av. 25 de Abril, onde as obras estão a decorrer.
Fernando Felizardo, residente nesta última avenida, lamentou “a falta de interligação entre os intervenientes na obra” e pediu “mais cuidado com os peões”. Também o vizinho Arlindo Castanheira questionou o controlo das obras, explicando que “todos os dias caem ou escorregam idosos”.
“É evidente que as obras têm controlo por parte da concessionária”, garantiu Marco Aurélio Martins, admitindo no entanto “problemas de coordenação das actividades entre as empresas”.
Igualmente, de acordo com o presidente do Conselho de Administração da Metro Transportes do Sul presente no fórum, “há uma equipa responsável pela segurança que está permanentemente na obra”, sendo que desde há cinco anos “nunca se gegistou qualquer incidente grave”. Para José Luís Brandão “é sempre possível melhorar”, afiançando, contudo, que “nunca ao longo desta obra houve uma colaboração tão forte entre todas as entidades envolvidas para tentar causar o mínimo incdómodo possível aos cidadãos”.

(Esta longa transcrição serve, também, para mandar o seguinte recadito: se, por acaso, eu não consegui "linkar" a imagem devido a "interferências externas" - coisa que já tem acontecido neste blogue, diga-se de passagem... - ó meus amiguinhos, podem muito bem tirar o cavalinho da chuva, porque eu não desisto assim tão facilmente. Não me digam que ainda não tinham percebido isso!...)

sexta-feira, agosto 17, 2007

Isto não é jornalismo!

Caríssimos:
Se eu, neste blogue, me der para afirmar que o Alberto João Jardim devia ser rei do arquipélago independente da Madeira (ou melhor ainda, se disser que é isso mesmo que ele pretende), provavelmente estarei a emitir um grande disparate (ou não...). Se quiser ilustrar a minha opinião, por exemplo, com esta imagem -------------------------»

a responsabilidade é minha. Aquilo que aqui disser e/ou mostrar, só me compromete a mim, e a mais ninguém. Depois... vocês levam a sério... ou não.
Porque isto é apenas um blogue pessoal. Não é um órgão de comunicação social.
O que estou aqui a fazer não é jornalismo (embora, em casos pontuais, o possa ser - mas não é esse o objectivo).
No entanto...

se a RTP (empresa pública de rádio e televisão portuguesa) afirma que o presidente venezuelano Hugo Chavez alterou a lei eleitoral do seu país com o objectivo de se perpetuar no poder... desculpem lá, mas isso não é jornalismo!
Enfim, o jornalista que redigiu a notícia até pode ter essa opinião. E será livre de a exprimir... caso tenha, por exemplo, uma coluna de opinião num qualquer órgão de comunicação social, ou... por exemplo, um blogue.
Mas nunca numa "notícia"! É "dos livros" (e está, aliás, consagrado no Código Deontológico dos Jornalistas Portugueses): não se mistura informação - que se pretende o mais objectiva possível - com opinião.
E notem que eu até nem sou adepto do Hugo Chavez (também não sou opositor... falaremos sobre isso noutra ocasião). Sou adepto, sim, de um jornalismo rigoroso e independente.
Sei que exercê-lo não é fácil.
Mas, se o fosse, qual era o interesse?


(Se querem saber algo mais sobre os apoiantes de Hugo Chavez, e sobre as suas argumentações, visitem tirem-as-maos-da-venezuela.blogspot.com/ - onde podem encontrar também ligações para outros locais de conteúdos relacionados com esse.)
Fotos:

domingo, julho 29, 2007

Como fica mal ser juiz em causa própria...

permito-me reproduzir aqui um texto publicado no site da Escola Superior de Educação de Portalegre, sobre o Jornal D'Hoje, semanário daquele distrito, no qual colaborei entre Dezembro de 1999 e Abril de 2000.

«Acerca das pressões sobre os media de âmbito local/regional
António Garraio

No actual cenário de Portalegre, ou de outra localidade qualquer do interior do país, a viabilidade financeira dos meios de comunicação é extremamente débil. Mas os meios de comunicação existem… portanto subsistem. Como? E a que preço?

Há alguns anos, Rui Vasco Neto chegou a Portalegre e abriu o Jornal d’Hoje. Uma lufada de ar fresco invadiu o Norte Alentejano, pensei, na altura. Só que alguém não partilhava essa opinião, e mais que brisa, considerou que se estava a aproximar um ciclone.

A pluma esclarecida e directa do Rui depressa se tornou numa pedra no sapato para o poder estabelecido. Porque publicou em cada momento aquilo que se devia publicar, as suas crónicas nunca tiveram a preocupação de agradar a gregos ou a troianos.
Este acerto jornalístico foi a morte do Jornal d’Hoje. Porque os media de dimensão local só podem sobreviver economicamente com o apoio da publicidade institucional, das publicações de grandes editais, anúncios de grandes concursos, etc. E numa terra onde não existem outros recursos publicitários com a mesma repercussão, quem publica anúncios a toda a página que
permitam pagar os ordenados no fim do mês tem o poder na mão. E não admite críticas, sob nenhum conceito. Foi essa mão que estrangulou um projecto de jornalismo local que certamente teria merecido a pena acompanhar… Porque essa mão não só fechou a porta ao Jornal d’Hoje, como também deu indicações para que outras portas se fechassem.

Antes do Jornal d’Hoje, Portalegre já contava com outros meios de comunicação. Que continuam a existir. A qualidade de alguns brilha pela sua ausência. Mas eles estão cá de pedra e cal. Porque se arrastam pelo chão perante o poder. Porque sabem a quem lamber as botas. Não fazem jornalismo. Rastejam em busca da sobrevivência, a qualquer preço.

Nunca conheci pessoalmente o Rui Vasco Neto… Mas ainda não perdi as esperanças de um dia lhe dar um abraço. Pela coragem que teve quando fundou o Jornal d´Hoje, um projecto que, desde a nascença estava condenado ao fracasso.»



Considerando que não há necessidade de acrescentar muita coisa a este texto, deixem-me apenas dizer-vos que (como é óbvio) um jornal não se faz apenas com o director, por muito bom jornalista que ele seja (e era).


E, como demonstrar factos é sempre melhor que esgrimir argumentos (pelo menos eu penso assim...), aqui vai um episódio da vida do Jornal d'Hoje (e dos entraves à actividade jornalística, a que se refere António Garraio), relatada nas páginas do próprio, pelo respectivo director, Rui Vasco Neto:

(Penso que não será necessário propor-vos que "adivinhem" quem é o António Vitorino referido neste episódio, não é?)


Voltarei a referir-me aqui ao Jornal d'Hoje. E - porque não? - a outros órgãos de comunicação social nos quais trabalhei...

A.V.

segunda-feira, abril 16, 2007

Código Deontológico dos Jornalistas Portugueses

Os jornalistas portugueses regem-se por um Código Deontológico que aprovaram em 4 de Maio de 1993, numa consulta que abrangeu todos os profissionais detentores de Carteira Profissional.

O texto do projecto havia sido preliminarmente discutido e aprovado em Assembleia Geral realizada em 22 de Março de 1993.

1.O jornalista deve relatar os factos com rigor e exactidão e interpretá-los com honestidade. Os factos devem ser comprovados, ouvindo as partes com interesses atendíveis no caso. A distinção entre notícia e opinião deve ficar bem clara aos olhos do público.

2.O jornalista deve combater a censura e o sensacionalismo e considerar a acusação sem provas e o plágio como graves faltas profissionais.

3.O jornalista deve lutar contra as restrições no acesso às fontes de informação e as tentativas de limitar a liberdade de expressão e o direito de informar. É obrigação do jornalista divulgar as ofensas a estes direitos.

4.O jornalista deve utilizar meios leais para obter informações, imagens ou documentos e proibir-se de abusar da boa-fé de quem quer que seja. A identificação como jornalista é a regra e outros processos só podem justificar-se por razões de incontestável interesse público.

5.O jornalista deve assumir a responsabilidade por todos os seus trabalhos e actos profissionais, assim como promover a pronta rectificação das informações que se revelem inexactas ou falsas. O jornalista deve também recusar actos que violentem a sua consciência.

6.O jornalista deve usar como critério fundamental a identificação das fontes. O jornalista não deve revelar, mesmo em juízo, as suas fontes confidenciais de informação, nem desrespeitar os compromissos assumidos, excepto se o tentarem usar para canalizar informações falsas. As opiniões devem ser sempre atribuídas.

7.O jornalista deve salvaguardar a presunção da inocência dos arguidos até a sentença transitar em julgado. O jornalista não deve identificar, directa ou indirectamente, as vítimas de crimes sexuais e os delinquentes menores de idade, assim como deve proibir-se de humilhar as pessoas ou perturbar a sua dor.

8.O jornalista deve rejeitar o tratamento discriminatório das pessoas em função da cor, raça, credos, nacionalidade ou sexo.

9.O jornalista deve respeitar a privacidade dos cidadãos excepto quando estiver em causa o interesse público ou a conduta do indivíduo contradiga, manifestamente, valores e princípios que publicamente defende. O jornalista obriga-se, antes de recolher declarações e imagens, a atender às condições de serenidade, liberdade e responsabilidade das pessoas envolvidas.

10.O jornalista deve recusar funções, tarefas e benefícios susceptíveis de comprometer o seu estatuto de independência e a sua integridade profissional. O jornalista não deve valer-se da sua condição profissional para noticiar assuntos em que tenha interesses.


Copiado do site do Sindicato dos Jornalistas

(Consultem também a Lei de Imprensa:
www.ics.pt/verfs.php?fscod=88)