sábado, maio 19, 2012
No tempo em que os jornalistas eram pagos para fazer perguntas (e publicar as respostas)
Numa edição demos voz ao descontentamento do gestor de um programa governamental para o Norte Alentejano (Domingos e Sousa, também ele militante do PS, que geria o AVNA - Acção de Valorização do Norte Alentejano), o qual acusava o governador civil, Galinha Barreto, de o ter afastado do cargo de forma descricionária. O ex-gestor afirmava que as suas queixas não eram contra o governador enquanto tal mas sim contra a pessoa que, alegadamente, o afastara («não ponho em causa o governador civil mas sim as acções do individuo», afirmava em entrevista publicada na edição anterior do jornal)...
Assim, embora a "queixa" fosse de cariz pessoal entre dois militantes do partido no poder, ambos com responsabilidades governativas descentralizadas, acontecia no âmbito de um processo político e institucional que mexia com uma entidade pública.
Logo, o assunto não se encontrava no círculo restrito das relações pessoais ou dos jogos de poder internos deste ou daquele partido: estava no domínio da política - palavra que, como se sabe (ou devia saber) significa a gestão da "polis", ou seja, da cidade (em sentido lato: da vida comunitária, daquilo que nos é comum enquanto indivíduos que vivem e se relacionam em sociedade).
Portanto, face a essas acusações, fizemos o que nos competia enquanto jornalistas: tentámos ouvir o acusado. Fazer "o contraditório", como está na moda dizer-se. Lá consegui o contacto telefónico com o governador (o que, naquele ambiente de hegemonia "socialista" não foi nada fácil). O político decidiu que não tinha nenhum comentário a fazer sobre esse assunto - assunto político e já conhecido do público. Tinha todo o direito de não comentar, obviamente.
E nós tinhamos todo o dever de perguntar e, perante a recusa, de informar que, confrontado com a acusação de que foi alvo, o visado prefere não comentar. Porque uma atitude dessas é já uma atitude política. E é informação - ou seja, aquilo que os jornalistas eram pagos para produzir.
Antigamente, claro...
E mesmo assim, nem todos: havia já os que se preocupavam mais em criar factos políticos. Por exemplo, não publicando o "não comento" e preferindo depois armarem-se em queixinhas, dizendo que foram censurados. É o caminho mais fácil e também o mais populista.
Nós não precisávamos disso para enfrentar os poderes, quando tal fosse necessário. E muitas vezes os enfrentámos. Tanto que o jornal não durou muito tempo. Mas, enquanto durou, fez o que tinha a fazer e não o que outros queriam e desejavam que fizesse.
Em democracia é esse o papel da comunicação social: informar, sem contrangimentos (a não ser os impostos pelas regras deontológicas e legais que, supostamente, regulam o exercício da profissão), mesmo que para tal tenha que lutar contra os obstáculos que lhe são colocados pelos diversos poderes.
Armar-se em "quarto poder", em "contrapoder", em "poder alternativo", pensar que é dono da verdade, ou tomar a atitude contrária e ser megafone dos poderes é que não, obrigado.
sábado, março 24, 2012
Carga policial no Chiado: uma história de bons e maus?

A propósito da carga policial no Chiado, Lisboa, no dia da Greve Geral (22 de março de 2012), e na sequência do que escrevi anteriormente - Informação versus "comunicação" na arena da junk food mediática - aqui ficam dois vídeos que podem ajudar a esclarecer uma história muito mal contada.
A versão da história que anda a correr mundo fala de uma carga policial e de agressões a jornalistas. Mas não conta o que aconteceu antes da carga policial. Os próprios jornalistas escondem isto. Porquê? A quem interessa todo este show off, toda esta falta de rigor? Quem quer reduzir isto a uma agressão gratuita dos "maus" (a polícia) contra os "bons" (os manifestantes)?
Esta é a versão que anda a ser divulgada. Note-se que são vídeos feitos no mesmo local, no mesmo acontecimento. Mas não parece, pois não? Porquê?
Evidentemente, nada pode justificar a violência desproporcionada da carga policial.
Mas, da mesma forma, só interesses obscuros (ou a vontade de fazer propaganda, ignorando o rigor informativo) podem "justificar" que a história tenha sido tão mal contada por quase toda a gente - pela comunicação social dominante mas também pelos que tanto a acusam de sensacionalismo e parcialidade... para a seguir fazerem exactamente aquilo que antes condenavam. E querem ser levados a sério?
sexta-feira, março 23, 2012
Informação versus "comunicação" na arena da junk food mediática

Ontem foi dia de greve geral em Portugal. Uma greve que teve grande adesão e, portanto, grande sucesso nos objectivos a que se propunha (dados sobre a greve disponíveis em http://www.grevegeral.net).
Mas ontem foi também dia de manifestações e de cargas policiais.
Portanto - logicamente? - as "notícias" de hoje dão relevo às manifestações e cargas policiais, deixando para segundo plano a greve e os seus resultados.
Mas não só as "notícias" dos grandes órgãos de comunicação social. Também na internet o que mais se vê são imagens das cargas policiais, divulgadas por pessoas que, em princípio, teriam interesse em não alinhar no sensacionalismo que a comunicação social dominante promove.
Na minha opinião, insistir em imagens de violência sem as contextualizar apenas faz com que as pessoas se habituem mais e mais às imagens de violência. Não é assim que se ganham ou se mobilizam para uma causa pessoas que não estejam já sensibilizadas. Os outros (a maioria) olham para essas imagens como olham para tantas outras que se habituaram a consumir. Mesmo que se sintam indignadas, mesmo que manifestem simpatia por um (ou outro) dos lados "em confronto", não se querem envolver. Foram condicionadas a pensar assim. Não é à toa que se diz que vivemos numa "sociedade do espectáculo".
Eu sei: é uma opinião polémica. Mas é resultado do que tenho observado e analisado ao longo dos anos (e também, naturalmente, resultado da minha praxis profissional). Espero poder desenvolver e fundamentar melhor este assunto em futuros artigos.
Entretanto, ao olhar para a forma como as fotografias e vídeos das manifestações e cargas policiais de ontem têm vindo a ser divulgadas (e como, por terem audiência garantida, servem também para vender publicidade: um dos vídeos "amadores" feito numa das manifestações está a ser divulgado no site de um diário português... mas quem tenta aceder ao vídeo leva primeiro com publicidade a uma marca de automóveis - isto para dar só um exemplo), lembrei-me do livro "Jornalismo e Sociedade", escrito há uma dúzia de anos por um dos mais prestigiados jornalistas portugueses, Fernando Correia.
Aqui ficam algumas passagens que podem - espero eu - ajudar a contextualizar isto tudo (não dispensa a leitura do livro na sua totalidade).
"Nunca como actualmente foram tão evidentes a transformação da notícia em mercadoria e a sujeição das estratégias informativas às estratégias comerciais, de que a valorização do secundário e a subvalorização do importante, o sensacionalismo, a superficialidade, a informação-espectáculo e a explosão dos excessos da imprensa cor de rosa constituem, em planos diversos, expressões concretas.
Toda esta situação, como seria inevitável, tem-se reflectido na forma de pensar e de agir dos jornalistas, considerados individualmente e como grupo profissional. À prevalência dada aos imperativos comerciais e à subordinação dos critérios jornalísticos às chamadas exigências de mercado (mas quem é que faz com que as exigências de mercado sejam estas e não outras?), juntam-se uma série de outros factores que vão quebrando e dissolvendo a anterior homogeneidade profissional.
(...)
A prevalência absoluta das leis do mercado (isto é, da capacidade dos mais poderosos estabelecerem e arbitrarem, em seu proveito, as regras do jogo económico) e a centralidade social adquirida pela comunicação em geral e pelos media em particular, juntamente com a aplicação de novas tecnologias, trouxeram consigo formas diferentes de fazer jornalismo e novos enquadramentos profissionais. Seria totalmente errado fechar os olhos às realidades e não aceitar uma necessária e indispensável evolução nos modos de conceber o jornalismo.
(...)
Por um lado, o próprio facto de as novas tecnologias proporcionarem um extraordinário aumento da realidade acessível aos media sublinha a necessidade e a importância da tarefa do jornalista enquanto mediador (investigador, revelador e criador) entre essa realidade, cada vez mais vasta e diversificada, e o público.
Por outro lado, porém, o jornalista está ameaçado nos seus fundamentos pelas novas possibilidades técnicas (informação em maior quantidade, mais rápida, se necessário em tempo real, etc) - não, naturalmente, pela própria existência dessas novas possibilidades, mas sim pela sua apropriação e utilização ao serviço de estratégias mediáticas socialmente determinadas. Estratégias prioritariamente dirigidas, nomeadamente no caso da TV, para a valorização do efémero, do distractivo e do superficial, em prejuízo do profundo, do sério e do substancial (o que não significa que toda a informação tenha que obedecer sempre a estes critérios!)
(...)
Isto implica uma concepção dos media e do jornalismo não apenas enquanto mero negócio, mas como uma actividade com deveres e obrigações de natureza social, decorrentes da sua força e capacidade ímpares para influenciar a opinião pública. Esta concepção, para ser operacional, não pode constituir apenas património dos jornalistas, tendo também que ser, de alguma maneira, partilhada pelos agentes que intervêm na produção e edição de informação.
Existe um espaço de autonomia jornalística que, no entanto, tende a estar cada vez mais circunscrito aos quadros dos valores e dos critérios vigentes. O facto de, lamentavelmente, haver cada vez mais jornalistas que, por convicção ou não, participam diligentemente na concretização de tais valores, não é mais do que um reflexo - grave e preocupante - da situação dos media no ponto de cruzamento de interesses económicos, políticos e ideológicos, sob a batuta visível ou a inspiração oculta dos senhores do dinheiro.
(...)
Os manuais ensinam que o bom jornalista terá que ser culto, ter interesse pelas realidades humanas e curiosidade pelas coisas da vida, dominar bem as técnicas do ofício e respeitar a deontologia. Mas numa actividade como esta, tão próxima das pessoas, do seu quotidiano e dos seus problemas, e com tanta influência sobre elas, julgo indispensável, por parte do jornalista, o aprofundament da sua responsabilidade social.
Uma responsabilidade social sem a qual, ao esquecer as implicações económicas, políticas, culturais e religiosas inerentes ao jornalismo enquanto fenómeno social, o exercício da profissão se descaracteriza e empobrece, perdendo grande parte do seu significado e das suas virtualidades ao serviço da valorização e da transformação dos homens e da sociedade".
Fernando Correia
"Jornalismo e Sociedade" - Editorial Avante!, Lisboa, 2000
Entendem o que tem tudo isto a ver com a imagem acima (e com o contexto em que foi captada, e com a forma como está a ser divulgada e vulgarizada)?
quinta-feira, março 08, 2012
Problemas antigos...
A História não se repete: continua.
quarta-feira, dezembro 28, 2011
Padre Ricardo Gameiro Lopes (1929 - 2011)
O Padre Ricardo Gameiro faleceu no dia 19 de Dezembro de 2011, aos 82 anos de idade.sexta-feira, setembro 16, 2011
«O neoliberalismo instituiu a "crise" como um regime político» - José Goulão

Desde que me lembro de andar cá andar pelo mundo, sempre tenho ouvido falar em crise. Foi a crise do petróleo nos anos 70, as diversas crises dos anos 80 - e até dos anos 90! - depois a do princípio do século 21, e agora esta. Ou estas... (será a de 2008 a mesma que vivemos agora)?
Mas também, desde há muito tempo, ouço pessoas dizerem-me que as "crises" (assim, entre aspas) não são mais que desculpas que os governantes arranjam para nos pedir sacrifícios. Ou que (outra opinião que há muito tenho ouvido) a crise, neste caso sem aspas, é afinal inerente ao próprio sistema.
No livro "Pagadores de Crises" (Sextante Editores, 2010), o jornalista José Goulão ajuda-nos a entender o mundo (e as crises) em que vivemos, e como chegámos ao que chegámos.
Mas este não é um trabalho "de tese". É, antes, uma investigação jornalística, muito bem fundamentada. Parte de factos, e não de opiniões. Factos que podem ser verificados e confirmados por qualquer um de nós - quase toda essa informação encontra-se publicada e acessível na internet - e que são, diria, coisas até do senso comum. Nada de teorias da conspiração, aqui!
Sabe-se que o liberalismo é uma teoria nascida no século 18 que defende a mínima intervenção do Estado nos assuntos económicos; que a teoria foi retomada e desenvolvida no século 20, na Europa e nos EUA; que depois de diversos debates entre os teóricos neoliberais prevaleceu o modelo de Milton Friedman e da "Escola de Chicago"; que alguns dos seus alunos (e o próprio Friedman) aplicaram o modelo na prática e à escala de um país pela primeira vez no Chile de Pinochet, a partir de 1973; que o modelo começou depois a expandir-se a partir do Reino Unido de Tatcher e dos EUA de Reagan; que hoje está implantado em praticamente todo o mundo. Isto são os tais factos incontestáveis e verificáveis (se quiserem aprofundar o assunto este artigo da Wikipédia pode ser um bom ponto de partida: http://pt.wikipedia.org/wiki/Neoliberalismo).
Faltava apenas relacionar esses factos, aprofundar a compreensão dos mecanismos - políticos, sociais, económicos, propagandisticos - com que funcionam, e apresentá-los numa "linha de tempo", para contar a história dos últimos 40 anos. Que é, portanto, a história do aparecimento, desenvolvimento e consolidação desse "regime universal" (definição do autor) que hoje nos governa. José Goulão faz isso. E, partindo dos factos, chega a conclusões que, para muitos de nós, poderão ser perturbadoras
Mas, também aí não será muito difícil concordarmos com o autor. Se pensarmos nos factos que nos são apresentados, se soubermos reflectir sobre eles - se soubermos pensar com o tal tipo de pensamento que utiliza o senso comum - descobrimos que a coisa pode muito bem ser assim como é descrita no livro, e não como somos levados a crer pela informação (ou melhor: pela falta de informação sobre o assunto) com que somos constantemente bombardeados.
Pensei fazer uma recensão crítica do livro. Mas não tenho jeito nenhum para essas coisas. Deixo-vos algo melhor: a transcrição de parte de uma entrevista dada por José Goulão a outro jornalista (José Manuel Rosendo), na Antena 1, em 2010. (O áudio integral da entrevista encontra-se no site desse canal, ao qual podem aceder clicando aqui.)
JMR - Depois de 40 anos de jornalismo, um livro que não podia ser mais pertinente: Pagadores de Crises. Sendo que logo na capa se anuncia que "a crise é o sistema político em que o voto de todos garante o bem estar de apenas alguns. José Goulão, este dito aplica-se a Portugal?
JG - Claro. Aplica-se no fundo ao mundo inteiro e - por questões absolutamente normais, de convivência universal - aplica-se a Portugal.
JMR - Um livro sobre a crise em plena crise...
JG - É um livro sobre a crise em plena crise, embora deva confessar que a génese (do livro) não é esta actual crise, é a crise de 2007. A ideia nasce aí. A realidade veio confirmar a inves
tigação. Ou seja, que o neoliberalismo instituiu a crise como um regime político. Porque foi criando maneira de combater as defesas das pessoas, as defesas dos sistemas sociais, e neste momento afirma-se plenamente como aquilo que é: governar em nome do lucro e no essencial contra as pessoas. O livro explica esta história desde que podemos ir buscá-la. Pode ser chocante para as pessoas que estas coisas sejam afirmadas com esta crueza, mas na verdade podemos ir buscar a génese do regime universal que hoje nos governa à experiência que foi feita no Chile de Pinochet. Porque aquilo que na altura os mentores económicos do Chile de Pinochet fizeram não é mais do que aquilo que nos está a acontecer e que nos vemn acontecendo nos últimos anos. E basta ver as questões das privatizações, do ataque às pensões sociais, aos salários, aos sindicatos, aos direitos fundamentais das pessoas, designadamente o direito à greve... Tudo isto com que vivemos hoje em dia, se formos investigar a história dos últimos 40 anos, vamos encontrá-las exactamente no Chile de Pinochet, no Reino Unido da sra. Tatcher...JMR - E tudo isso feito por governos que têm a legitimidade do voto. Esta ideia de que o voto de todos garante o bem estar de apenas alguns significa que a democracia está moribunda?
JG - Significa que a democracia ficou emparedada naquilo a que podemos considerar a convergência num grande bloco a que se chama os partidos estruturantes ou os partidos com vocação governamental - como se todo o mundo e todas as pessoas dependessem das discussões que se passam por exemplo entre o engenheiro Sócrates e o dr. Passos Coelho (obs: a entrevista é de 2010). Ora, a democracia é muito mais do que isso, é muito mais do que essas duas pessoas ou de quem as representa em conjunturais negociações. E democracia somos nós todos, o Estado somos nós todos. Mas aquilo que se verifica é o esvaziamento completo do Estado como aparelho dos cidadãos. E o Estado está um resíduo desprestigiado, ao serviço de interesses que não são propriamente os dos cidadãos, mas de alguns cidadãos que parecem ser mais cidadãos que os outros. E esta é a realidade desta crise que todos nós pagamos - por isso "Pagadores de Crises" - para apenas alguns viverem, e viverem bem. Onde é que está nisto a democracia? Está em que todos votamos, e votamos livremente, e falamos livremente. Agora, podemos não ser ouvidos? Podemos. E é o que está a acontecer: não somos ouvidos. E o nosso voto depois de colocado na urna segue um destino que nenhum de nós controla porque encaminhado para dois partdos que depois entre si mesmos têm birras mas não têm visões diferentes da governação. E a democracia encaminha-se depois para as decisões desses senhores. Isto é uma democracia emparedada e há que libertá-la. É um simulacro de que alguns se aproveitam usando o voto de todos nós.
JMR - Isto é um livro carregado de ironia. Aliás, ao longo do livro chama a atenção para isso mesmo. Não corre o risco de provocar más interpretações? Ou pelo menos não conseguir que a interpretação dada seja aquela que é pretendida?
JG - A ironia é uma forma de comunicação para pôr de certa forma a realidade a nu, e por vezes a ridículo. Embora este ridículo seja ridículo com coisas muito sérias, que são a nossa vida, a sobrevivência de milhões de pessoas que vivem num mundo completamente desregulado e cheio de desequilíbrios. Desequilíbrios esses que se aprofundam. Eu creio que a ironia é uma forma de chamar muito a atenção para a crueza desta realidade.É um livro polémico, claro. É um livro que vai gerar opiniões muito divergentes. As pessoas podem não estar de acordo, ótimo. Aliás, a democracia é exatamente isso. Mas é um livro que através da ironia, através de factos, e os factos estão lá, e são factos que qualquer um de nós tem a noção de que são assim mesmo, e as pessoas tirarão as suas ilações e sobretudo se as compararem com a vida que vivemos hoje e com aquilo que se passa à nossa volta.
JMR - A crítica ao capitalismo selvagem é muito forte. Como é que os pagadores de crises podem deixar esse estatuto nada invejável?
JG - Fazendo funcionar a democracia. É essa a questão, é desbloquear a democracia. Assumirem-se cada vez mais como cidadãos e conseguirmos todos arranjar maneira de sermos ouvidos. Deixarmos de estar a votar para surdos e para pessoas que já, independentemente daquilo prometem, depois fazem aquilo que lhes apetece. A democracia tem espaços, tem virtualidades. As liberdades têm este espaço amplo de podermos discutir. É questão de que estas realidades sejam denunciadas de uma maneira cada vez mais evidente, furando também o bloqueio de comunicação. Porque como sabemos todo este regime, digamos, universal beneficia de um sistema brutal de propaganda, que é montado através dos grandes meios de comunicação social, subservientes, no fundo, ao próprio regime.
JMR - É possível fazer uma reforma deste capitalismo ou este é um poder que não admite reformas?
JG - Este poder não admite reformas. Podendo a crise se considerada como um estado supremo do neoliberalismo... Estes regimes vão apodrecendo, como todos os regimes autoritários - e este é de facto um regime autoritário, na sua essência, não por vezes naquilo que nós identificamos como um regime autoritário à Pinochet, ou ditatorial, mas é autoritário porque não permite espaços de contestação efectivamente eficazes. É contestação pela contestação. Este neoliberalismo não se suicida, como eu digo no último capítulo, é preciso digamos que, e também aqui recorrendo à ironia, suicidá-lo. É preciso transformar toda esta sociedade e para isso é fazer funcionar a democracia. E assumirmo-nos todos como cidadãos e de alguma maneira trabalharmos todos para que o Estado seja colocado ao serviço dos cidadãos e deixe de ser esta coisa híbrida, este molusco que as pessoas acabam por desprezar. Porque quem está à cabeça do Estado no fundo não gosta do Estado, acha que o estado está a mais, que o Estado é um mal necessário, e usa o Estado para servir não os cidadãos, mas alguns cidadãos, como já disse. Este sistema está muito bem instalado, consegue sobreviver, e sobrevive cada vez mais, à custa de nos ir espremendo a nós, pagadores de crises, cada vez mais. E democraticamente temos que reflectir, discutir, e fazer funcionar a democracia e fazer com que, de alguma maneira, sejamos ouvidos, se não por aqueles que continuarem surdos, por outros que saibam, ouvir, escutar, e que saibam no fundo governar. Governar em nome das pessoas e para as pessoas e através de mecanismos que sejam respeitadores das pessoas, que é isso que não temos hoje.
Nota de rodapé - José Goulão "é um jornalista português. Iniciou a actividade em A Capital, em 1974, e trabalhou em O Diário, no Semanário Económico e na revista Vida Mundial, de cuja última série foi director.
Foi também director de comunicação do Sporting Clube de Portugal.
Fez carreira na àrea de Política internacional , especialmente nas questões do Médio Oriente , sendo os seus comentários nesta matéria frequentemente requisitados por diversos órgãos de comunicação social , como a TSF e o Canal 2: da RTP" (segundo a Wikipédia).
Numa entrevista ao jornal de A Voz do Operário, prefere no entendo apresentar-se como "um jornalista, que foi um dia para Beirute, para a guerra de 1982 e ficou completamente fascinado pela problemática do Médio Oriente.
Um jornalista que quanto mais aprofunda o conhecimento sobre essa área menos sabe sobre ela, porque a riqueza cultural, civilizacional e o que está em causa naquela região é de tal modo arrebatadora que ultrapassa o fascínio... e é tão complexa, que é inimiga de quem se acha senhor da verdade.
Portanto, em relação àquela região, eu jornalista, não tenho nem a verdade, nem o conhecimento, nem o preconceito.
Sei que conheço o que lá se passa, mas não tenho a veleidade de conhecer o Médio Oriente.”
Nota de rodapé à nota de rodapé - José Goulão foi, igualmente, professor em cursos de Jornalismo realizados no Centro Cultural de Almada, na segunda metade da década de 1980. Foi nessa associação almadense que tive a oportunidade de o conhecer. E, se mais tarde enveredei também pela "carreira" (não simpatizo muito com essa palavra...) de jornalista, foi muito por influência do seu exemplo profissional. Não só mas também, como se costuma dizer...
sexta-feira, dezembro 31, 2010
Portalegre, Dezembro de 1999
Em Dezembro de 1999, o governo tinha decretado "tolerância zero" às infracções na estrada durante a época de Natal e fim de ano. A intenção era combater o elevado número de acidentes que ocorrem habitualmente nestes períodos. Mas, para por em prática a medida, as forças de segurança viam-se obrigadas a não ter férias "normais" junto da família ou - em alguns casos - a fazer horas extraordinárias.
O Jornal D'Hoje (semanário onde eu então trabalhava) viu aí a oportunidade para fazer uma reportagem com a Brigada de Trânsito da GNR. Fizemos, então, o pedido, que foi muito bem acveite: se nós queríamos saber (e mostrar) como trabalhavam os homens da brigada, eles (pelo menos em Portalegre...) pareciam também muito interessados em mostrar o seu trabalho.
Lá fomos, num final de tarde muito frio, para as estradas em redor da capital do Norte Alentejano. E saiu isto:


Este "post" é dedicado, com muito respeito e consideração, a todos os que trabalham nesta altura do ano.
Aos outros, amigos e/ou visitantes deste blogue, desejo o dobro daquilo que me desejam a mim. E que 2011 seja aquilo que cada um de vós merecer.
terça-feira, novembro 30, 2010
"Jornalista desde 1992"?

Em Novembro de 1992 comecei a minha carreira profissional como jornalista, no departamento de informação da Rádio Baía. Fez agora 18 anos. Permitam-me, portanto, assinalar a data.
Não me vou alongar em pormenores: apenas referir duas ou três coisitas que me parecem importantes porque correspondem a dúvidas que alguns tótós têm levantado ultimamente sobre a minha carreira e as minhas competências. São, digamos assim, as FAQ sobre a minha vida profissional.
Primeira coisita: como apareço eu no jornalismo? Que antecedentes tinha? Que formação? Caí de pára-quedas no métier?
Cheguei à Rádio Baía respondendo a um anúncio onde pediam pessoal para "fazer rádio". Apareci por lá, apresentei o meu CV, fiz uma prova de admissão e fui aprovado. Eu queria fazer rádio, mas eles precisavam era de pessoal para o departamento de informação, e foi aí mesmo que eu fiquei. Tão simples quanto isso.
E antecedentes? Formação? CV?
Vejamos: estava muito rodado a "fazer rádio" desde 1984 (tinha começado há 8 anos, portanto), primeiro em animações de recintos e em "estúdios móveis" e depois, mais a sério, numa "pirata" de Almada (a Rádio Urbana), entre 1987 e 1988, onde editei noticiários e programas de música e divulgação cultural. Mas estava também habituado ao jornalismo, não apenas por vocação, mas também por experiências práticas. Por exemplo: em 1990 fiz secretariado de redacção num jornal local chamado Almada Press... Poderia até dizer que o início da minha actividade profissional como jornalista foi aí - mas não o digo, por razões que não vale a pena estar a explicar agora (e, possivelmente, nunca).
Então e formação académica, não tinha? Pois não. Tinha melhor, mas mesmo muito melhor que isso!
Entre 1982 e 1987 estive no Centro Cultural de Almada - associação cuja actividade principal e permanente (e pioneira, para a época) era a formação de agentes culturais, através de cursos, seminários, colóquios... E essas acções de formação eram dadas pelos melhores profissionais nas suas áreas de actividade. Imaginem, nos anos 80, uma escola onde pudessem ter cursos de fotografia com o director do Museu da Fotografia (José Pessoa), de composição com um dos compositores de referência do século 20 (Jorge Peixinho), de serigrafia com o mestre do mais importante atelier da época (António Inverno)... e de jornalismo com um jornalista a sério, que fazia - e ainda faz, felizmente! - investigação e tudo (José Goulão).
Juntem a isso a oportunidade de participar em eventos onde podem conhecer (e aprender com) personalidades como Vasco Granja, António Victorino de Almeida, Manuel da Fonseca, Fernando Lopes-Graça - e já ficam com uma ideia (ainda vaga) da qualidade e diversidade da formação "não académica" que eu ganhei durante esses anos.
Mas isso não dá garantias nenhumas de que pudesse vir a ser um bom jornalista, pois não? Se há tanto licenciado que não sabe ler nem escrever...
Pois, aí está a questão! Mas essa é fácil: perguntem a quem comigo trabalhou se eu era bom profissional ou não (mas não perguntem aos medíocres e aos invejosos: perguntem aos competentes, pois é com esses que eu me comparo).
Perguntem-lhes, por exemplo, quantas vezes tive de corrigir textos de jovens jornalistas, estagiários ou mesmo já licenciados e integrados na redacção (e corrigir não apenas ortograficamente, mas - quantas vezes! - totalmente, de modo a que um texto atabalhoado passasse a ser uma notícia). Claro: já naquela altura havia, a par de jornalistas que sabiam do ofício, outros que escreviam com os pés e pensavam com dois neurónios. A diferença é que, nesse tempo, o "mercado" escolhia os melhores; os medíocres iam para outras actividades... a menos que tivessem cunhas ou fossem amigos do(s) chefe(s).
Então eu, que não possuia nenhum "canudo", nunca tive falta de trabalho até ao início desta década. Passei pela Rádio Baía, Rádio Voz de Almada, Sul Expresso, revista e jornal Sem Mais, Jornal da Região (de Almada e Setúbal), Jornal D'Hoje (de Portalegre, onde fui chefe de redacção), revista País Económico, Noticias da Zona... e acho que não me estou a esquecer de nada.
Tudo imprensa regional, claro! Era onde se podia trabalhar a sério, aprofundar os assuntos, fazer perguntas, investigar...
E isto é tudo verdade? Foi mesmo assim?
Em caso de dúvida podem também consultar o meu trabalho, que é público: existem exemplares desses jornais em bibliotecas, arquivos históricos e na internet. E há-de aparecer também uma entrevista onde falo destes e doutros assuntos, no próximo volume do livro "Almada, Gente Nossa", de Artur Vaz (com lançamento previsto, salvo erro, para o primeiro trimestre de 2011).
Contudo, perguntam ainda alguns tótós, tenho o direito de me considerar jornalista? Onde está o título profissional?
Pois, boa pergunta. A resposta daria um artigo pelo menos tão grande quanto este... Mas pode ser resumida citando a lei que regulamenta o Estatuto do Jornalista (lei 64/2007):
Definição de Jornalista:
1 - São considerados jornalistas aqueles que, como ocupação principal, permanente e remunerada, exercem com capacidade editorial funções de pesquisa, recolha, selecção e tratamento de factos, notícias ou opiniões, através de texto, imagem ou som, destinados a divulgação, com fins informativos, pela imprensa, por agência noticiosa, pela rádio, pela televisão ou por qualquer outro meio electrónico de difusão.
2 - Não constitui actividade jornalística o exercício de funções referidas no número anterior quando desempenhadas ao serviço de publicações que visem predominantemente promover actividades, produtos, serviços ou entidades de natureza comercial ou industrial.
3 - São ainda considerados jornalistas os cidadãos que, independentemente do exercício efectivo da profissão, tenham desempenhado a actividade jornalística em regime de ocupação principal, permanente e remunerada durante 10 anos seguidos ou 15 interpolados, desde que solicitem e mantenham actualizado o respectivo título profissional.
Eu tenho mais que esses "10 anos seguidos ou 15 interpolados" de experiência profissional, referidos no parágrafo 3 deste artigo da lei. Agora, que estou a exercer funções incompatíveis com a actividade de jornalista, não posso ter carteira profissional (como é óbvio - e é por isso mesmo que o título deste artigo está entre aspas). Mas assim que regressar à profissão (espero que não demore muito) tenho - de acordo com a lei - todo o direito a pedi-la. E é isso mesmo o que farei.
Esclarecid@s?
(A foto que ilustra este "post" é de um artigo do semanário Actual, em 1994, estava eu em serviço para a Voz de Almada, a tentar fugir à objectiva do fotógrafo - porque o jornalista não tem de aparecer na notícia - mas não consegui, e ainda bem.)
segunda-feira, julho 19, 2010
Uma entrevista com Adelino Moura, em 1995

Eu vinha da área da Cultura - onde tive formação específica, mas também suficientemente generalista para me sentir à vontade com assuntos diversificados. E, felizmente, comecei a minha carreira profissional na rádio. Felizmente porque aí, na rádio, tinhamos mesmo que nos "desenrascar" - muitas vezes em directo, sem rede - com os assuntos mais imprevistos.
Cheguei à imprensa escrita em 1994 (na revista Sem Mais) mas comecei mais a sério em 1995, no quinzenário Sul Expresso.
Aí fazia o tal trabalho "generalista" (embora ainda me deixassem dar muita atenção à cultura - coisa que já não aconteceu a partir de 1998, noutro jornal): tanto fazia investigação sobre os projectos do Governo para a travessia do Tejo ou sobre a onda de violência racista que vinha do início da década e que se foi agravando, ou sobre o processo de legalização extraordinária de imigrantes (que deixou muita gente de fora), ou sobre o longo e conflituoso desmantelamento da Lisnave, como fazia reportagens sobre o 1º Congresso dos Algarvios da Margem Sul, a reprovação do PDM de Almada e posterior aprovação com "amputações", ou a novidade que era, nesse tempo, o anteprojecto para o Metro Sul do Tejo.
E, se fosse preciso, até fazia peças da secção mais especializada (a que tinha jornalistas que só trabalhavam nessa área): o desporto!
A imprensa regional tinha realmente bons profissionais: polivalentes, flexíveis e com grande arcaboiço.
Como é óbvio, ao trabalhar em rádios e jornais, tive a oportunidade de entrevistar muita gente. Algumas dessas entrevistas eram de circunstãncia, muitas deles feitas por telefone. Mas, quando surgia a possibilidade de falar olhos nos olhos com o entrevistado o "repórter" acabava muitas vezes por ter conversas longas, interessantes e gratificantes.
Uma das entrevistas que mais gostei de realizar foi esta, com o histórico presidente do Almada Atlético Clube, Adelino Moura. Foi muito fácil dialogar com aquele homem que, sendo um líder com carisma, não precisava de fazer poses, armar-se em importante ou ter ares de sobranceria para dizer o que pensava. E dizia-o frontalmente, sem papas na língua mas sem entrar em insinuações ou armar "peixeirada".
A página e meia de texto aqui reproduzida é o que foi publicado na edição do Sul Expresso de 7 de Junho de 1995 - o resumo de uma conversa com cerca de 2 horas, muito estimulante e enriquecedora.
O mote para a entrevista era a subida do Andebol sénior do Almada à primeira divisão nacional. Mas aquele era também um tempo de grandes investimentos em estruturas desportivas. O Almada tinha já relva no seu estádio do Pragal (junto ao Cristo-Rei), mas não tinha ainda pavilhão próprio. Esse era, aliás, o próximo grande objectivo "material" de Adelino Moura. (E suponho que por isso mesmo, o equipamento que foi construído anos mais tarde se chama, precisamente, Pavilhão Adelino Moura.)
Inevitavelmente, falou-se muito de números, de verbas, de subsídios. No entanto, o que mais me impressionou foram as opiniões de Adelino Moura sobre o papel do Desporto como escola de valores humanos. Devia ser uma coisa natural, óbvia... mas já naquele tempo (os anos 90 foram, também, a década da euforia neoliberal) não o era!
O "meu entrevistado" não ignorava isso. E tinha ideias muito interessantes, com as quais não tive nenhuma dificuldade em concordar (digo-o agora - naturalmente não o disse naquele momento, nem tinha nada que o dizer, pois estava ali como jornalista e o jornalista não deve nunca confundir notícia com opinião).
Cito:
«Os clubes, pelo menos os pequenos, devem viver em função da conjugação de boas vontades e com o objectivo não apenas de competir mas de ajudar a formar desportistas e cidadãos. Um clube como o Almada deve ter também uma função social»
«Acho mal que se gastem dinheiros públicos em coisas efémeras (...) A autarquia não nos dá dinheiro para pagar despesaas correntes. Tudo o que recebemos da CMA é para ser aplicado em obras»
«o Almada, devido à sua proximidade com Lisboa, não tem outra hipótese a não ser formar os seus próprios jogadores. Tentamos ganhar alguns para a equipa principal e, por uma questão de necessidade, vender outros a clubes que nos possam proporcionar receitas. Quando isto funcionava em moldes amadores eu não tinha esta opinião, mas agora os tempos são outros e temos de ser realistas»
«as coisas andam muito deturpadas: cairam no meio desportivo alguns "paraquedistas", indivíduos sem conhecimentos de desporto. Chamam-lhes gestores e talvez sejam bons gestores nas suas empresas. Mas o desporto propriamente dito não tem nada a ver com a gestão de uma empresa: estar a encher 30 mil garrafas por dia ou estar a arranjar automóveis não é o mesmo que ver a bola bater na trave ou conhecer de perto os jogadores.»
«Em Portugal, como se sabe, há 3 clubes grandes; tão grandes que até são os maiores nas dívidas. Este modelo não serve aos clubes mais pequenos. Se começam a ceder à pressão dos sócios e entram em grandes despesas vão inevitavelmente acabar por falir»
Eram "prognósticos" do presidente do Almada Atlético Clube, em 1995. O decorrer do jogo acabou por lhe dar razão.
Nota de rodapé: Parece que esta entrevista chegou a incomodar algumas pessoas (porque, como escrevi acima, Adelino Moura não fugiu às perguntas e até acrescentou matéria sobre a qual eu, por desconhecimento, não perguntei nada); no entanto alguns dos meus colegas - os especialistas em desporto - criticaram-me por alguma "ingenuidade" nas questões. Passados 15 anos, tenho um palpite que a minha ingenuidade terá consistido em não perguntar nada sobre as relações entre o andebol do Almada e o do Ginásio Clube do Sul. Sabem que mais? Ainda bem que fui ingénuo: assim posso apresentar uma peça menos datada, com mais substãncia e menos tricas e mexericos! :)
segunda-feira, julho 12, 2010
Sobre teatro em Almada - o "moral" e o Azul

O festival é o ponto alto da relação da Companhia de Teatro de Almada (CTA) com o público da cidade (e com todo o outro...). Mas este ano realiza-se no meio de alguma polémica sobre o "Teatro Azul" - a sala, municipal, cedida à CTA, onde esta desenvolve o seu trabalho.
Há quem questione a gestão daquele equipamento. Há quem pergunte porque está uma sala municipal "entregue" a uma única companhia. E há mesmo quem diga que a CTA não tem o direito de ocupar aquele espaço, e que, portanto, devia sair para dar lugar a outros.
A gestão da sala é assunto cujo esclarecimento compete à Câmara (proprietária) e à CTA (que usufrui da dita) - e suponho que já o têm feito.
Quanto à legitimidade que a Companhia tem para ocupar aquele espaço, penso que posso dar uma ajuda: tem legitimidade, moral (digamos assim), pois a ideia de construir aquele edifício cultural, e o empenhamento para que fosse construído, partiu, precisamente, deles!
Nesta página do Jornal da Região de Almada - de 27 de Junho de 2001 - Joaquim Benite (director da CTA) mostrava a maquete do que viria a ser o futuro "Teatro Azul". Na entrevista (feita por mim, sim...), Benite falou muito de teatro e das suas relações com o jornalismo, ou da forma como pode ser, também, desencadeador de "transformações na sociedade", enquanto "prática moral" - esta citação é de outra entrevista com Benite, mas aplica-se aqui - que tem o objectivo de "inquietar as pessoas, fazê-las perceber que há mais horizontes para lá da vida prática, quotidiana", e não deixar acomodar ninguém ("as pessoas" e "o poder") porque "a arte é problema".
Benite não falou prolongadamente sobre o projecto da futura sala (talvez porque, naquele contexto, não me pareceu interessante desenvolver muito o tema). Mas o pouco que aqui é referido - e a História contada para contextualizar o assunto - parece-me ser já o suficiente para, pelo menos, esclarecer a dúvida (se é que se trata mesmo de uma dúvida) sobre a relação intrínseca que existe, desde a primeira hora, entre o Teatro Azul e a Companhia de Teatro de Almada. A sala é municipal porque foi construida pela Câmara, e é "da" CTA porque esta tem a "propriedade" intelectual (não sei se é o termo jurídico adequado, mas de facto é mesmo assim) do projecto.
Ignorar isto é mais que falta de cultura, ou falta de memória: é falta de honestidade política. E é, portanto, imoral.
sábado, junho 26, 2010
O Metro Sul do Tejo, ou mais uma crónica de um país onde tudo se faz muito devagarinho
O primeiro protocolo entre governo e autarquias para a implementação do Metropolitano do Sul do Tejo (MST) foi assinado há 15 anos (precisamente, no dia 18 de Abril de 1995). E previa desde logo o traçado actual, mas muito maior extensão de linhas - ainda na primeira fase devia chegar ao Barreiro e à Costa de Caparica. Não era o "metro de Almada" (como há quem lhe chame hoje). Era, e é, um projecto que se pretende estruturante para as acessibilidades (ou a mobilidade, para usar um palavrão mais na moda) das populações do "arco ribeirinho do Tejo" (concelhos de Almada, Seixal, Barreiro e Moita). Só começou a funcionar em 2008.A Câmara de Almada, que sempre esteve na vanguarda deste projecto, tinha lançado a ideia por volta de 1985 (faz agora 25 anos, e uma década antes do primeiro protocolo). Não sei exactamente porque só dez anos mais tarde um governo e as autarquias locais chegaram a acordo. Mas lembro-me, ainda relativamente bem, desse primeiro trimestre de 1995, quando o processo parecia começar, finalmente, a entrar nos carris.
Enquanto jornalista do quinzenário Sul Expresso fui acompanhando esse assunto. Eis a cronologia dos acontecimentos de 1995, tal como apareceram nas páginas daquele periódico.
A primeira referência ao assunto aparece em Fevereiro desse ano. "A assinatura do contrato de fornecimento do Anteprojecto da Rede Base do Metropolitano Ligeiro da Margem Sul realizou-se no dia 29 de Fevereiro no edifício da Presidência da Câmara Municipal do Seixal", com a presença dos municípios envolvidos - Seixal, Moita Barreiro e Almada - do então secretário de Estado dos Transportes, Guilhermino Rodrigues, e de um representante do consórcio francês liderado pela Semaly-HP-Pret, responsável pela elaboração do "anteprojecto".

Este anteprojecto era, de facto, um estudo de viabilidade técnica e económica, uma vez que, segundo o Sul Expresso, o consórcio iria "efectuar a descrição dos previsíveis financiamentos, referindo vantagens e inconvenientes de cada, para além dois montantes de participação atribuídos a cada entidade que venha a envolver-se no referido projecto", bem como "desenvolver e complementar os aspectos geológicos e topográficos de um estudo da viabilidade da extensão da rede até ao concelho da Moita". (Artigo da jornalista Ana Isabel Borralho).
Note-se, então, que esse primeiro documento já previa a ligação - logo numa fase inicial - dos concelhos de Almada, Seixal e Barreiro, com posterior ligação à Moita.
Isso mesmo adiantava o Sul Expresso (em artigo meu, e julgo que com alguns conteúdos em "primeira mão"), na edição de 29 de Março. O jornal divulgava a planta da rede prevista, tal como fora apresentada (mas não muito divulgada) a 20 desse mesmo mês. "O estudo de viabilidade técnica e económica foi concluído e entregue ao ministro Ferreira do Amaral. No passado dia 20 foi publicamente apresentado (...) em cerimónia que contou com a presença do coordenador do estudo, Fernando Nunes da Silva".

Falou-se de números, nessa apresentação. Segundo a presidente da Câmara de Almada, Maria Emília de Sousa, esperava-se "um investimento da parte do Governo de 45 a 60 milhões de contos, com recurso a Fundos Comunitários" e o restante investimento ficaria "a cargo da empresa que vier a contruir e a explorar a rede". Note-se, então, que desde logo tinha ficado assente que a empresa que construísse a rede seria a mesma que a iria explorar. Dito de outra forma: quem explora o serviço teria a "obrigação" de construir os equipamentos.
Apontavam-se também datas. A primeira fase, "fazendo a ligação Barreiro/Almada/Pragal" devia estar concluída em 1999. Ou mesmo antes disso (por volta do final de 1997) porque "a tecnologia utilizada permite a abertura de troços quilómetro a quilómetro" , como garantia o coordenador do estudo de viabilidade.
No dia 5 de Abril, a Câmara de Almada aprovava o estudo, em sessão pública, "por unanimidade e com direito a palmas" - como reportava o Sul Expresso (Ana Isabel Borralho) - e com declarações de voto a favor do projecto por parte de vereadores da CDU e do PSD. No que dizia respeito a contas, "caberá às câmaras pagar 20%, ficando o governo, através da CP, responsabilizado em 80%, ou seja: 150 mil contos a CP e 7.500 contos cada câmara".Faltava só formalizar a parceria governo-autarquias, com a assinatura do "protocolo para o desenvolvimento do metropolitano ligeiro na margem sul do Tejo". Esse momento tão aguardado chegou a 18 de Abril de 1995, nos Paços do Conselho da Câmara Municipal do Barreiro. E eu tive a sorte, ou o privilégio de fazer a cobertura desse acontecimento que se supunha histórico (na verdade acho que tive mas foi a lata de me oferecer - e insistir muito - para fazer esse "serviço").
Com praticamente tudo dito por parte das autarquias e dos autores do estudo, esperava-se muito da intervenção do então Ministro das Obras Públicas, Ferreira do Amaral. E ele não defraudou as expectativas. Garantiu a disponibilidade do Governo para apoiar a concretização da obra pública. Mas fez mais. Fez uma grande declaração de intenções sobre a importãncia de investir no desenvolvimento dos caminhos de ferro para "revolucionar os meios de transporte", de forma a "transportar mais pessoas, mais frequentemente, mais utilmente e com maior comodidade".

Poucos meses mais tarde, mudava o Governo. Com o novo Executivo, todo este trabalho volta para a gaveta. E as populações do "arco ribeirinho do Tejo" continuam (até hoje!) a ter de fazer percursos estranhos e pouco lógicos para se deslocarem de transportes públicos entre dois grandes centros urbanos, ainda por cima tão próximos, como Almada e Barreiro!
Passam 4 anos. Em 1999 (ano que se previa ser o do arranque da exploração do Metro Sul do Tejo!) é assinado um novo protocolo. Mas é preciso aguardar ainda mais 2 anos até que, em 2002, a obra é finalmente adjudicada... para ficar concluída seis anos mais tarde (mas só numa ínfima parte relativamente ao projecto de 1995)!
Tudo isto já passou à História, dir-me-ão.
Pois passou. Mas era bom que a gente aprendesse alguma coisa com a História. Para quê? Para não repetirmos asneiras do passado, por exemplo. Não é uma boa razão?
segunda-feira, novembro 02, 2009
Eu não acreditava em políticos com sentido de humor mas lá que eles existiam existiam. Pelo menos no século passado...

seguinte: tu, Ricardo, conduzes a entrevista; e tu, Vitorino, fazes as perguntas mais incómodas.
assuntos (dos "dossiers") e, ao mesmo tempo, uma facilidade e clareza de expressão que muito facilitou o nosso (dos jornalistas) trabalho. Ou seja: disse o que tinha a dizer, sem ser chato, monocórdico ou repetitivo, e de forma a que toda a gente entendesse. Exactamente o contrário do que estou a fazer neste texto, portanto.


(Notas do redactor: Carlos Zorrinho é, na legislatura actual, secretário de Estado da Energia; nas páginas do Jornal D'Hoje aqui reproduzidas não aparece nenhuma piada que tivesse sido deliberadamente produzida na ocasião, nem tinha de aparecer: piada é piada, sentido de humor é uma coisa ligeiramente diferente e mais subtil, capisce?)
quarta-feira, agosto 12, 2009
Incêndio na Cova da Piedade: acidente ou fogo posto? Sei lá eu! Alguém sabe?


As chamas dominaram ontem, terça-feira, por completo um dos edifícios da antiga fábrica de farinhas Aliança, na Cova da Piedade, Almada. Os bombeiros conseguiram evitar que o fogo alastrasse, mas mesmo assim ficou o susto.

Francisco Valente, de 58 anos, tem a mesma opinião. "A culpa disto é da Câmara que não limpa. Compraram isto há uns 10 anos e não fizeram mais nada", lastima. "Se chegasse ao outro armazém que tem as coisas do Carnaval tinha sido pior", acrescenta.
O incêndio, cujas causas estão ainda por determinar, pode ter tido mão humana. "Isto foi fogo posto", garante Virgílio Pereira, proprietário de um restaurante situado em frente ao prédio, referindo que o cheiro a fumo começou logo pela manhã, apesar de o alerta ter sido dado às 14.30 horas. "Há cinco dias preveni que isto era um rastilho de pólvora por causa dos buracos que dão acesso a estes imóveis. Era só mandarem algo para o interior. Eu disse que era urgente", recorda.
Os bombeiros conseguiram evitar que o fogo chegasse a um armazém com material das marchas populares, aos depósitos de gás e de combustível dos autocarros da Transportes Sul do Tejo a cerca de 200 metros e à Estação de Tratamento de Águas Residuais, localizada nas traseiras.segunda-feira, agosto 10, 2009
O que é um jornalista? Segundo a lei portuguesa é o seguinte:
Publicada em 13 de Janeiro de 1999, a lei fundamental para o exercício da profissão de jornalista define a respectiva actividade, normas de acesso à profissão, direitos e deveres dos jornalistas, acesso às fontes e sigilo profissional, entre outros aspectos. Foi alterada pela Lei n.º 64/2007, de 6 de Novembro, com rectificações feitas pela Declaração de Rectificação n.º 114/2007, da Assembleia da República. Versão em vigor
CAPÍTULO I
Dos jornalistas
Artigo 1.º
Definição de jornalista
1 - São considerados jornalistas aqueles que, como ocupação principal, permanente e remunerada, exercem com capacidade editorial funções de pesquisa, recolha, selecção e tratamento de factos, notícias ou opiniões, através de texto, imagem ou som, destinados a divulgação, com fins informativos, pela imprensa, por agência noticiosa, pela rádio, pela televisão ou por qualquer outro meio electrónico de difusão.
2 - Não constitui actividade jornalística o exercício de funções referidas no número anterior quando desempenhadas ao serviço de publicações que visem predominantemente promover actividades, produtos, serviços ou entidades de natureza comercial ou industrial.
3 - São ainda considerados jornalistas os cidadãos que, independentemente do exercício efectivo da profissão, tenham desempenhado a actividade jornalística em regime de ocupação principal, permanente e remunerada durante 10 anos seguidos ou 15 interpolados, desde que solicitem e mantenham actualizado o respectivo título profissional.
No Sítio do Sindicato dos Jornalistas
http://www.jornalistas.online.pt/noticia.asp?id=26&idselect=24&idCanal=24&p=8
(O "sublinhado" - em bold e itálico - à lei é meu, e serve para esclarecer - espero que definitivamente - algumas dúvidas que algumas pessoas têm apresentado sobre a minha capacidade - ou suposta incapacidade - legal para exercer a profissão. É verdade que não tenho, ainda, carteira profissional. Mas não porque não a possa ter - visto que exerci entre 1992 e 2002 e regressei em 2008, o que significa que tive 10 anos seguidos e mais de 15 interpolados a fazer jornalismo profissionalmente. A seu tempo e nos locais devidos, refutarei, se necessário - mas com recurso à legalidade e não a patranhas - os argumentos pseudo-legalistas de quem afirma que eu não sou jornalista nem o posso ser. E explicarei, também, porque razão não tenho ainda carteira profissional, e porque é que esse facto se deve, principalmente, a actos cometidos pelos que agora me apontam o dedo e que, com tais actos, prejudicaram de forma inequívoca a minha carreira profissional. Entretanto, tenham juizo, metam-se na vossa vida, deixem-me fazer a minha e não me façam perder mais tempo com explicações destas. Ou, dito de outra forma: da próxima vez que me queiram ameaçar com uma lei, pelo menos leiam-na antes para não perderem o vosso tempo e o meu. Importam-se?)
sábado, junho 20, 2009
Uma proposta para resolver a crise cíclica dos nadadores-salvadores

quinta-feira, junho 11, 2009
Blogues de jornalistas: Rui Vasco Neto e Teresa Farinha
A Teresa que me desculpe, mas eu quero dar destaque ao Rui Vasco Neto - e explico já porquê.

Rui Vasco Neto foi um dos melhores jornalistas que conheci - e com quem tive a oportunidade de trabalhar.
Em 1999, fui de Almada até Portalegre (por razões pessoais, que não vêm agora ao caso). E, assim que lá cheguei, tive a enorme fezada de encontrar um jornal que procurava jornalistas para a respectiva redacção. Era o Jornal D'Hoje - projecto de jornalismo a sério (nos anos 90, na "província", muito provinciana, por sinal!). Já contei neste blogue a minha versão da história do Jornal D'Hoje (ver aqui, sff), portanto, não me alongo agora em pormenores sobre o assunto.
O Rui Vasco Neto (que tinha, salvo erro, a escola do Tal&Qual, quando esse jornal era bom e fazia investigação) recebeu-me para uma entrevista de emprego - e empregou-me. Achou que eu podia ser bom a "jornalar" e contratou-me para "cordenador de redacção".
("Coordenador de redacção" não era um cargo tão bom quanto possa parecer: era o tipo que levava porrada do director e da redacção...)
Eu, que já tinha 7 anos de experiência profissional - ele tinha o dobro... - como jornalista (descontado as experiências "amadoras" em rádios e jornais locais), ainda assim aprendi muita coisa com o Rui Vasco Neto. Antes de mais (e não é pouco): fiquei a conhecer o Código Deontológico dos Jornalistas Portugueses (mas só ao fim de sete anos de trabalho, note-se!).
Depois, aprendi como se "blinda" uma redacção - apesar de (ou por isso mesmo) a do Jornal D'Hoje ter sido alvo de uma tentativa de espionagem por parte de outro jornal lá do burgo.
Já tinha, este vosso amigo - de aprendizagens anteriores, na rádio e na imprensa escrita - um estilo objectivo e conciso (da rádio e de uma escola a que se chamava, salvo erro "jornalismo de agência") e também apetência para aprofundar, para investigar (resultado do trabalho em jornais como o Sul Expresso ou o Sem Mais Jornal, primeira versão). Mas, com o Rui Vasco Neto, passei a ter outra exigência: a da credibilidade acima de tudo.
Pois, eu sei: quem o viu depois, a fazer um programa chamado "Vidas Reais", na TVI, talvez não acredite nisto. Felizmente eu conheci-o antes.
E - para que não se pense que estou aqui a dar graxa - até nem nos demos sempre assim tão bem quanto isso. Tinhamos feitios muito diferentes, e a relação profissional director-sacodepancada resultou enquanto resultou. Depois, saí do Jornal D'Hoje e fui trabalhar para uma estação de serviço...
Temos, pelo menos, uma coisa (quiçá a única) em comum: ambos somos tão "artistas" quanto "jornalistas" (no meu caso, parece que tenho de pôr esta palavra entre aspas) e não somos por isso menos rigorosos ou menos objectivos. E. dez anos depois, também eu começo a ter falta de paciência para os subdesenvolvidos que não entendem (ou não querem entender) isso.
O Rui Vasco Neto tem um blogue chamado Sete Vidas Como os Gatos (título que tem muito que se lhe diga, mas não me compete a mim dizê-lo):
http://setevidascomoosgatos.blogs.sapo.pt/
Em 2001, voltei para Almada, mas já com a perpectiva de regressar ao Sem Mais Jornal. Foi aí que conheci, então, a Teresa Farinha. Que era, naquele tempo, uma jovem jornalista que estava encarregue da secção "cultura" do SMJ.
Parece que não está agora a exercer a profissão. Mas continua atenta à actividade cultural. E vai dando conta do que conhece e acompanha, no seu blogue, Livros e Outras Coisinhas (título com o qual sinto uma certa afinidade, vá-se lá saber porquê...):
http://livroseoutrascoisinhas.blogspot.com/
quarta-feira, junho 03, 2009
«Deontologia, quem te viu e quem TV»
sexta-feira, maio 29, 2009
"Viva a vida sem tabaco!"... ou uma nova versão da fábula da lebre e da tartaruga (Rádio Baía, Maio 1993)
Em 1993, fui fazer reportagem das comemorações do Dia Mundial Sem Tabaco (31 de Maio).
Havia uma festa no Jardim de Almada - animação que culminou com uma pequena peça de teatro na qual se recriava a fábula da lebre e da tartaruga. A tal corrida que a lebre tem todas as condições para ganhar... e daí... daí não sei: é que a lebre, ultimamente, anda a fumar tanto!...
A piada disto qual é? É que eu, naquela época, fumava que nem uma chaminé. E passei a ser alcunhado pelos meus colegas da rádio como a lebre fumadora... Eles lá sabiam porquê!
Eu já tinha contado antes esta história (sem áudio nem vídeo, mas com mais pormenores). Aqui: http://vitorinices.blogspot.com/2007/11/lebre-fumadora-e-tartaruga-desportista.html
(Obs: na peça refere-se, por lapso, o Dia do Não Fumador - que também existe, mas é comemorado a 17 de Novembro, e não a 31 de Maio)
quinta-feira, maio 14, 2009
Quando o Cristo-Rei apareceu poluído por combustível de aviões...

Rei (os que denunciaram o caso), com o vereador da Protecção Civil em Almada, com um especialista em transportes e questões ambientais, com um general da Força Aérea na reserva, e com um piloto de aviação civil. (Fiz, portanto, um trabalho jornalístico, ouvindo as várias partes interessadas no mesmo assunto e que pudessem contribuir para o esclarecer - coisa que se fazia, naquela altura, no jornal Sem Mais - ou seja: um trabalho jornalístico, semmais.)
quarta-feira, outubro 29, 2008
Tremideiras...

Podemos, então, começar a ter algumas garantias de que as pessoas e entidades que zelam pela nossa segurança estão agora mais atentas e preparadas para acorrer a cenários de catástrofe?
É que, de acordo com o mesmo periódico (SMJ, 25 de Outubro, artigo assinado por Vera Mariano) o plano de emergência não prevê, por exemplo, a possibilidade de a nossa costa ser atingida por um maremoto. Possibilidade que, note-se, é muito plausível em caso de grandes sismos com epicentro numa falha que passa pela zona do Estreito de Gibraltar, ou no Banco de Gorring, a sudoeste do Cabo de São Vicente (e é dessas zonas que têm vindo os grandes terramotos que afectaram o nosso território continental - diz-se que, em 1755 o "tsunami" matou mais pessoas que o terramoto que lhe terá dado origem).



