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quinta-feira, dezembro 30, 2010
29 de Dezembro de 1990: a minha primeira exposição de fotografia
Há 20 anos estava eu a expor alguns trabalhos de fotografia numa colectiva de apoio à candidatura presidencial de Carlos Carvalhas, no Ritz Club, em Lisboa.
Essas fotos andaram perdidas até 2008. Nessa altura, decidi fazer este vídeo, para ficar com um registo da coisa, antes que se volte a perder. Divirtam-se.
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terça-feira, novembro 30, 2010
"Jornalista desde 1992"?

Em Novembro de 1992 comecei a minha carreira profissional como jornalista, no departamento de informação da Rádio Baía. Fez agora 18 anos. Permitam-me, portanto, assinalar a data.
Não me vou alongar em pormenores: apenas referir duas ou três coisitas que me parecem importantes porque correspondem a dúvidas que alguns tótós têm levantado ultimamente sobre a minha carreira e as minhas competências. São, digamos assim, as FAQ sobre a minha vida profissional.
Primeira coisita: como apareço eu no jornalismo? Que antecedentes tinha? Que formação? Caí de pára-quedas no métier?
Cheguei à Rádio Baía respondendo a um anúncio onde pediam pessoal para "fazer rádio". Apareci por lá, apresentei o meu CV, fiz uma prova de admissão e fui aprovado. Eu queria fazer rádio, mas eles precisavam era de pessoal para o departamento de informação, e foi aí mesmo que eu fiquei. Tão simples quanto isso.
E antecedentes? Formação? CV?
Vejamos: estava muito rodado a "fazer rádio" desde 1984 (tinha começado há 8 anos, portanto), primeiro em animações de recintos e em "estúdios móveis" e depois, mais a sério, numa "pirata" de Almada (a Rádio Urbana), entre 1987 e 1988, onde editei noticiários e programas de música e divulgação cultural. Mas estava também habituado ao jornalismo, não apenas por vocação, mas também por experiências práticas. Por exemplo: em 1990 fiz secretariado de redacção num jornal local chamado Almada Press... Poderia até dizer que o início da minha actividade profissional como jornalista foi aí - mas não o digo, por razões que não vale a pena estar a explicar agora (e, possivelmente, nunca).
Então e formação académica, não tinha? Pois não. Tinha melhor, mas mesmo muito melhor que isso!
Entre 1982 e 1987 estive no Centro Cultural de Almada - associação cuja actividade principal e permanente (e pioneira, para a época) era a formação de agentes culturais, através de cursos, seminários, colóquios... E essas acções de formação eram dadas pelos melhores profissionais nas suas áreas de actividade. Imaginem, nos anos 80, uma escola onde pudessem ter cursos de fotografia com o director do Museu da Fotografia (José Pessoa), de composição com um dos compositores de referência do século 20 (Jorge Peixinho), de serigrafia com o mestre do mais importante atelier da época (António Inverno)... e de jornalismo com um jornalista a sério, que fazia - e ainda faz, felizmente! - investigação e tudo (José Goulão).
Juntem a isso a oportunidade de participar em eventos onde podem conhecer (e aprender com) personalidades como Vasco Granja, António Victorino de Almeida, Manuel da Fonseca, Fernando Lopes-Graça - e já ficam com uma ideia (ainda vaga) da qualidade e diversidade da formação "não académica" que eu ganhei durante esses anos.
Mas isso não dá garantias nenhumas de que pudesse vir a ser um bom jornalista, pois não? Se há tanto licenciado que não sabe ler nem escrever...
Pois, aí está a questão! Mas essa é fácil: perguntem a quem comigo trabalhou se eu era bom profissional ou não (mas não perguntem aos medíocres e aos invejosos: perguntem aos competentes, pois é com esses que eu me comparo).
Perguntem-lhes, por exemplo, quantas vezes tive de corrigir textos de jovens jornalistas, estagiários ou mesmo já licenciados e integrados na redacção (e corrigir não apenas ortograficamente, mas - quantas vezes! - totalmente, de modo a que um texto atabalhoado passasse a ser uma notícia). Claro: já naquela altura havia, a par de jornalistas que sabiam do ofício, outros que escreviam com os pés e pensavam com dois neurónios. A diferença é que, nesse tempo, o "mercado" escolhia os melhores; os medíocres iam para outras actividades... a menos que tivessem cunhas ou fossem amigos do(s) chefe(s).
Então eu, que não possuia nenhum "canudo", nunca tive falta de trabalho até ao início desta década. Passei pela Rádio Baía, Rádio Voz de Almada, Sul Expresso, revista e jornal Sem Mais, Jornal da Região (de Almada e Setúbal), Jornal D'Hoje (de Portalegre, onde fui chefe de redacção), revista País Económico, Noticias da Zona... e acho que não me estou a esquecer de nada.
Tudo imprensa regional, claro! Era onde se podia trabalhar a sério, aprofundar os assuntos, fazer perguntas, investigar...
E isto é tudo verdade? Foi mesmo assim?
Em caso de dúvida podem também consultar o meu trabalho, que é público: existem exemplares desses jornais em bibliotecas, arquivos históricos e na internet. E há-de aparecer também uma entrevista onde falo destes e doutros assuntos, no próximo volume do livro "Almada, Gente Nossa", de Artur Vaz (com lançamento previsto, salvo erro, para o primeiro trimestre de 2011).
Contudo, perguntam ainda alguns tótós, tenho o direito de me considerar jornalista? Onde está o título profissional?
Pois, boa pergunta. A resposta daria um artigo pelo menos tão grande quanto este... Mas pode ser resumida citando a lei que regulamenta o Estatuto do Jornalista (lei 64/2007):
Definição de Jornalista:
1 - São considerados jornalistas aqueles que, como ocupação principal, permanente e remunerada, exercem com capacidade editorial funções de pesquisa, recolha, selecção e tratamento de factos, notícias ou opiniões, através de texto, imagem ou som, destinados a divulgação, com fins informativos, pela imprensa, por agência noticiosa, pela rádio, pela televisão ou por qualquer outro meio electrónico de difusão.
2 - Não constitui actividade jornalística o exercício de funções referidas no número anterior quando desempenhadas ao serviço de publicações que visem predominantemente promover actividades, produtos, serviços ou entidades de natureza comercial ou industrial.
3 - São ainda considerados jornalistas os cidadãos que, independentemente do exercício efectivo da profissão, tenham desempenhado a actividade jornalística em regime de ocupação principal, permanente e remunerada durante 10 anos seguidos ou 15 interpolados, desde que solicitem e mantenham actualizado o respectivo título profissional.
Eu tenho mais que esses "10 anos seguidos ou 15 interpolados" de experiência profissional, referidos no parágrafo 3 deste artigo da lei. Agora, que estou a exercer funções incompatíveis com a actividade de jornalista, não posso ter carteira profissional (como é óbvio - e é por isso mesmo que o título deste artigo está entre aspas). Mas assim que regressar à profissão (espero que não demore muito) tenho - de acordo com a lei - todo o direito a pedi-la. E é isso mesmo o que farei.
Esclarecid@s?
(A foto que ilustra este "post" é de um artigo do semanário Actual, em 1994, estava eu em serviço para a Voz de Almada, a tentar fugir à objectiva do fotógrafo - porque o jornalista não tem de aparecer na notícia - mas não consegui, e ainda bem.)
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sábado, junho 12, 2010
O meu curso de vídeo (1985)
Eu sei que hoje, no século 21, todas as criancinhas conseguem editar vídeo. Qualquer
telemóvel grava imagens em movimento que podem, depois, ser editadas em computador e publicadas na internet. Faz-se muito disso, algumas vezes com talento, outras só com vontade. Até eu, que não sou nenhuma criancinha, o tenho feito, sem grande talento (claro!...) mas com muita vontade (como é óbvio). Olhem para o meu canal - http://www.youtube.com/bulcanico e digam lá se não está perfeitamente ao nível do que faz qualquer criancinha desenvolvida deste glorioso século 21!
Acontece que, há 25 anos atrás, quando comecei a trabalhar com vídeo, não havia internet, computadores era coisa que só víamos no cinema, as máquinas fotográficas usavam rolos (não faziam filmes, portanto), as câmaras de vídeo que existiam eram daquelas de usar ao ombro e funcionavam com cassetes de fita magnética. E tudo isso era tão caro que a maior parte das pessoas não lhe conseguiam chegar.
Felizmente existiam já algumas - poucas, ainda - instituições que promoviam o acesso democratizado à formação, técnica e artística, para quem quisesse trabalhar com as "novas tecnologias" daquele tempo (na verdade, o vídeo não era tecnologia nada nova - mas a maior parte daquelas a que hoje chamamos "novas" também não o são).
Existia, por exemplo, o Centro Cultural de Almada - que começou a fazer cursos de vídeo, salvo erro por volta de 1986. E existia o FAOJ (Fundo de Apoio aos Organismos Juvenis - instituição da administração central, com delegações distritais, antecessora do actual Instituto Português da Juventude). Eu estava no Centro Cultural de Almada e fiz o meu curso de vídeo no FAOJ de Setúbal.

Essa acção de formação decorreu entre 9 de Fevereiro e 27 de Março de 1985 (um ano antes do Centro Cultural de Almada as começar a fazer), com aulas teóricas e práticas, em Setúbal e no Montijo (onde fomos fazer captação de imagem para o trabalho final). Decorria entre as 15h00 e as 22h00 e custou a módica quantia de 1.300 escudos (podem ver aqui quanto dá isso em euros).
É claro que hoje as técnicas e as tecnologias são diferentes (não necessariamente "novas", mas sim evoluções do que já existia) e que os conhecimentos adquiridos neste curso podem estar obsoletos (estranho seria se não estivessem). Mas que foi muito engraçado ver três focos de luz (os projectores de vídeo dessa época tinham 3 lentes) incidirem numa superfície branca - o azul primeiro, depois o vermelho e a seguir o verde - para formarem luz branca, lá isso foi! Aprendizagem prática, de conceitos que, à partida podem parecer estranhos, estás a ver? Pois, no "meu tempo" já se fazia.
E toda esta conversa a propósito de quê? Bem, em primeiro lugar, isto é só um blogue pessoal - portanto serve também para falar de experiências pessoais que poderão depois ter interesse para outras pessoas (ou não...).
Para os mais espertos que não ficaram satisfeitos com a explicação anterior, aqui vai a verdadeira explicação: é que eu estou farto de levar com gente que diz que eu nunca fiz nada na vida, não tenho formação nenhuma, etc. etc. etc. (sendo os três etc. resumo do chorrilho de disparates que tenho ouvido e que, de tão grande, precisaria de um blogue inteiro para ser explanado na íontegra). Portanto, lá tenho eu de ir buscar - assim de longe em longe e como quem não quer a coisa - mais alguns "exemplos" (necessariamente avulsos e incompletos) ao fundo do meu baú.
A minha "sorte" (e o azar dos que se esforçam por provar que eu não fiz o que fiz e que não sei o que sei) é que quanto mais procuro mais encontro. Porque, na realidade, ainda há muito que encontrar.
telemóvel grava imagens em movimento que podem, depois, ser editadas em computador e publicadas na internet. Faz-se muito disso, algumas vezes com talento, outras só com vontade. Até eu, que não sou nenhuma criancinha, o tenho feito, sem grande talento (claro!...) mas com muita vontade (como é óbvio). Olhem para o meu canal - http://www.youtube.com/bulcanico e digam lá se não está perfeitamente ao nível do que faz qualquer criancinha desenvolvida deste glorioso século 21!Acontece que, há 25 anos atrás, quando comecei a trabalhar com vídeo, não havia internet, computadores era coisa que só víamos no cinema, as máquinas fotográficas usavam rolos (não faziam filmes, portanto), as câmaras de vídeo que existiam eram daquelas de usar ao ombro e funcionavam com cassetes de fita magnética. E tudo isso era tão caro que a maior parte das pessoas não lhe conseguiam chegar.
Felizmente existiam já algumas - poucas, ainda - instituições que promoviam o acesso democratizado à formação, técnica e artística, para quem quisesse trabalhar com as "novas tecnologias" daquele tempo (na verdade, o vídeo não era tecnologia nada nova - mas a maior parte daquelas a que hoje chamamos "novas" também não o são).
Existia, por exemplo, o Centro Cultural de Almada - que começou a fazer cursos de vídeo, salvo erro por volta de 1986. E existia o FAOJ (Fundo de Apoio aos Organismos Juvenis - instituição da administração central, com delegações distritais, antecessora do actual Instituto Português da Juventude). Eu estava no Centro Cultural de Almada e fiz o meu curso de vídeo no FAOJ de Setúbal.

Essa acção de formação decorreu entre 9 de Fevereiro e 27 de Março de 1985 (um ano antes do Centro Cultural de Almada as começar a fazer), com aulas teóricas e práticas, em Setúbal e no Montijo (onde fomos fazer captação de imagem para o trabalho final). Decorria entre as 15h00 e as 22h00 e custou a módica quantia de 1.300 escudos (podem ver aqui quanto dá isso em euros).
É claro que hoje as técnicas e as tecnologias são diferentes (não necessariamente "novas", mas sim evoluções do que já existia) e que os conhecimentos adquiridos neste curso podem estar obsoletos (estranho seria se não estivessem). Mas que foi muito engraçado ver três focos de luz (os projectores de vídeo dessa época tinham 3 lentes) incidirem numa superfície branca - o azul primeiro, depois o vermelho e a seguir o verde - para formarem luz branca, lá isso foi! Aprendizagem prática, de conceitos que, à partida podem parecer estranhos, estás a ver? Pois, no "meu tempo" já se fazia.
E toda esta conversa a propósito de quê? Bem, em primeiro lugar, isto é só um blogue pessoal - portanto serve também para falar de experiências pessoais que poderão depois ter interesse para outras pessoas (ou não...).
Para os mais espertos que não ficaram satisfeitos com a explicação anterior, aqui vai a verdadeira explicação: é que eu estou farto de levar com gente que diz que eu nunca fiz nada na vida, não tenho formação nenhuma, etc. etc. etc. (sendo os três etc. resumo do chorrilho de disparates que tenho ouvido e que, de tão grande, precisaria de um blogue inteiro para ser explanado na íontegra). Portanto, lá tenho eu de ir buscar - assim de longe em longe e como quem não quer a coisa - mais alguns "exemplos" (necessariamente avulsos e incompletos) ao fundo do meu baú.
A minha "sorte" (e o azar dos que se esforçam por provar que eu não fiz o que fiz e que não sei o que sei) é que quanto mais procuro mais encontro. Porque, na realidade, ainda há muito que encontrar.
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segunda-feira, agosto 10, 2009
O que é um jornalista? Segundo a lei portuguesa é o seguinte:
Lei n.º 1/99, de 13 de Janeiro (actualizada) Estatuto do Jornalista
Publicada em 13 de Janeiro de 1999, a lei fundamental para o exercício da profissão de jornalista define a respectiva actividade, normas de acesso à profissão, direitos e deveres dos jornalistas, acesso às fontes e sigilo profissional, entre outros aspectos. Foi alterada pela Lei n.º 64/2007, de 6 de Novembro, com rectificações feitas pela Declaração de Rectificação n.º 114/2007, da Assembleia da República. Versão em vigor
CAPÍTULO I
Dos jornalistas
Artigo 1.º
Definição de jornalista
1 - São considerados jornalistas aqueles que, como ocupação principal, permanente e remunerada, exercem com capacidade editorial funções de pesquisa, recolha, selecção e tratamento de factos, notícias ou opiniões, através de texto, imagem ou som, destinados a divulgação, com fins informativos, pela imprensa, por agência noticiosa, pela rádio, pela televisão ou por qualquer outro meio electrónico de difusão.
2 - Não constitui actividade jornalística o exercício de funções referidas no número anterior quando desempenhadas ao serviço de publicações que visem predominantemente promover actividades, produtos, serviços ou entidades de natureza comercial ou industrial.
3 - São ainda considerados jornalistas os cidadãos que, independentemente do exercício efectivo da profissão, tenham desempenhado a actividade jornalística em regime de ocupação principal, permanente e remunerada durante 10 anos seguidos ou 15 interpolados, desde que solicitem e mantenham actualizado o respectivo título profissional.
No Sítio do Sindicato dos Jornalistas
http://www.jornalistas.online.pt/noticia.asp?id=26&idselect=24&idCanal=24&p=8
(O "sublinhado" - em bold e itálico - à lei é meu, e serve para esclarecer - espero que definitivamente - algumas dúvidas que algumas pessoas têm apresentado sobre a minha capacidade - ou suposta incapacidade - legal para exercer a profissão. É verdade que não tenho, ainda, carteira profissional. Mas não porque não a possa ter - visto que exerci entre 1992 e 2002 e regressei em 2008, o que significa que tive 10 anos seguidos e mais de 15 interpolados a fazer jornalismo profissionalmente. A seu tempo e nos locais devidos, refutarei, se necessário - mas com recurso à legalidade e não a patranhas - os argumentos pseudo-legalistas de quem afirma que eu não sou jornalista nem o posso ser. E explicarei, também, porque razão não tenho ainda carteira profissional, e porque é que esse facto se deve, principalmente, a actos cometidos pelos que agora me apontam o dedo e que, com tais actos, prejudicaram de forma inequívoca a minha carreira profissional. Entretanto, tenham juizo, metam-se na vossa vida, deixem-me fazer a minha e não me façam perder mais tempo com explicações destas. Ou, dito de outra forma: da próxima vez que me queiram ameaçar com uma lei, pelo menos leiam-na antes para não perderem o vosso tempo e o meu. Importam-se?)
Publicada em 13 de Janeiro de 1999, a lei fundamental para o exercício da profissão de jornalista define a respectiva actividade, normas de acesso à profissão, direitos e deveres dos jornalistas, acesso às fontes e sigilo profissional, entre outros aspectos. Foi alterada pela Lei n.º 64/2007, de 6 de Novembro, com rectificações feitas pela Declaração de Rectificação n.º 114/2007, da Assembleia da República. Versão em vigor
CAPÍTULO I
Dos jornalistas
Artigo 1.º
Definição de jornalista
1 - São considerados jornalistas aqueles que, como ocupação principal, permanente e remunerada, exercem com capacidade editorial funções de pesquisa, recolha, selecção e tratamento de factos, notícias ou opiniões, através de texto, imagem ou som, destinados a divulgação, com fins informativos, pela imprensa, por agência noticiosa, pela rádio, pela televisão ou por qualquer outro meio electrónico de difusão.
2 - Não constitui actividade jornalística o exercício de funções referidas no número anterior quando desempenhadas ao serviço de publicações que visem predominantemente promover actividades, produtos, serviços ou entidades de natureza comercial ou industrial.
3 - São ainda considerados jornalistas os cidadãos que, independentemente do exercício efectivo da profissão, tenham desempenhado a actividade jornalística em regime de ocupação principal, permanente e remunerada durante 10 anos seguidos ou 15 interpolados, desde que solicitem e mantenham actualizado o respectivo título profissional.
No Sítio do Sindicato dos Jornalistas
http://www.jornalistas.online.pt/noticia.asp?id=26&idselect=24&idCanal=24&p=8
(O "sublinhado" - em bold e itálico - à lei é meu, e serve para esclarecer - espero que definitivamente - algumas dúvidas que algumas pessoas têm apresentado sobre a minha capacidade - ou suposta incapacidade - legal para exercer a profissão. É verdade que não tenho, ainda, carteira profissional. Mas não porque não a possa ter - visto que exerci entre 1992 e 2002 e regressei em 2008, o que significa que tive 10 anos seguidos e mais de 15 interpolados a fazer jornalismo profissionalmente. A seu tempo e nos locais devidos, refutarei, se necessário - mas com recurso à legalidade e não a patranhas - os argumentos pseudo-legalistas de quem afirma que eu não sou jornalista nem o posso ser. E explicarei, também, porque razão não tenho ainda carteira profissional, e porque é que esse facto se deve, principalmente, a actos cometidos pelos que agora me apontam o dedo e que, com tais actos, prejudicaram de forma inequívoca a minha carreira profissional. Entretanto, tenham juizo, metam-se na vossa vida, deixem-me fazer a minha e não me façam perder mais tempo com explicações destas. Ou, dito de outra forma: da próxima vez que me queiram ameaçar com uma lei, pelo menos leiam-na antes para não perderem o vosso tempo e o meu. Importam-se?)
sexta-feira, julho 03, 2009
Há por aí um psiquiatra baratinho? Ou uma autoridade de saúde?
Mais uma vez, encontro-me sem internet, sem computador e sem local para trabalhar. Mais uma vez porque há quem - com mais poder que juízo - julgue que tem direito a interferir na minha vida e a impedir-me de trabalhar, alegando que... não trabalho (olha a lógica da alegação, não é?)!!! Mas, melhor ainda: alegando que nunca trabalhei, nunca fui jornalista, não o sou, nunca ganhei dinheiro, sou um vagabundo que apenas escreve poesia! (etc. etc. etc: estão a ver porque escrevi acima que tal gente tem mais poder que juízo, não estão?)
Pois... Em relação à vagabundagem, enfim, lá terão as suas razões para o dizer. Agora, que me fizeram perder o trabalho que tinha e que, aparentemente, muito se empenham em conseguir que eu continue sem meios para trabalhar - pois claro, vagabundeio! Mas esperam o quê? Que vá arrumar carros?
A sério: não há quem faça ver a essas pessoas que a realidade é diferente da história que inventaram a meu respeito naquelas cabecinhas? E, uma vez que estou a ser prejudicado por gente que, aparentemente, perdeu a noção da realidade, não há aí uma autoridade de saúde que
tome conta da ocorrência?
Estou só a perguntar. Perguntar não ofende, não é?
E não posso ser mais explícito. Se digo a verdade toda (com os nomes das pessoas incluídos no relato) ainda me acusam de difamação. Livra!
Portanto, o melhor é - mais uma vez - comer e calar.
Esqueçam lá isto e isto. E, já agora, também isto.
Não se passa nada. Eu sou só um maluquinho que anda na rua de mochila às costas porque não sabe fazer mais nada.
Pois. Deve ser isso, deve.
Pois... Em relação à vagabundagem, enfim, lá terão as suas razões para o dizer. Agora, que me fizeram perder o trabalho que tinha e que, aparentemente, muito se empenham em conseguir que eu continue sem meios para trabalhar - pois claro, vagabundeio! Mas esperam o quê? Que vá arrumar carros?
A sério: não há quem faça ver a essas pessoas que a realidade é diferente da história que inventaram a meu respeito naquelas cabecinhas? E, uma vez que estou a ser prejudicado por gente que, aparentemente, perdeu a noção da realidade, não há aí uma autoridade de saúde que
tome conta da ocorrência?
Estou só a perguntar. Perguntar não ofende, não é?
E não posso ser mais explícito. Se digo a verdade toda (com os nomes das pessoas incluídos no relato) ainda me acusam de difamação. Livra!
Portanto, o melhor é - mais uma vez - comer e calar.
Esqueçam lá isto e isto. E, já agora, também isto.
Não se passa nada. Eu sou só um maluquinho que anda na rua de mochila às costas porque não sabe fazer mais nada.
Pois. Deve ser isso, deve.
sexta-feira, maio 29, 2009
Obrigado pela preferência e voltem sempre!
Nos últimos 12 meses este blogue teve mais de 10 mil visitas. Quero agradecer a todos os que por aqui passaram, aos que deixaram opiniões e outros comentários - e, especialmente, aos que se tornaram já visitantes habituais.

Depois deste agradecimento politicamente correcto, quero também esclarecer duas ou três coisas.
A saber: sim, é muito agradável verificar que temos quem nos leia - mas eu não vim para a "blogosfera" com a intenção de ser muito popular nem de participar em nenhum "concurso de beleza". Comecei este blogue como uma brincadeira, ou melhor, como uma forma de me incentivar a escrever poesia ou coisas aparentadas com poesia (aliás, o meu "site" principal era - e não deixou completamente de o ser - o Debaixo do Bulcão).
Não queria fazer muita publicidade a mim próprio. Nunca fui muito de o fazer.
No entanto, a partir de certa altura (ou seja: quando certas mentes supostamente muito esclarecidas "descobriram", entre outras coisas, que eu nunca fiz nada de jeito na vida...) achei que não seria má ideia divulgar aqui algumas... coisitas da minha actividade profissional (enquanto jornalista) e artística (em várias áreas).
Espero ter contribuido para esclarecer quem, aparentemente, precisava de ser esclarecido.
E se isso for útil também a todos os restantes leitores deste blogue, melhor ainda!
A avaliar pelo número de visitas, talvez tenha valido a pena. (Desculpem lá a eventual falta de modéstia, ou qualquer outra coisinha).
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sexta-feira, fevereiro 27, 2009
BLOGUE SUSPENSO POR TEMPO INDETERMINADO
Motivos de força maior e alheios à minha vontade obrigam-me a suspender as actualizações deste blogue, por tempo indeterminado.
A primeira razão é fácil de explicar: dificuldades de acesso à internet. Desde que comecei este blogue, recorri sempre a computadores emprestados (eu não tenho computador...). E agora, durante algum tempo, não terei possibilidade de aceder à rede nesses mesmos computadores.
A outra razão prende-se com dificuldades e entraves vários que têm sido colocados ao meu trabalho.
Esta é mais difícil de explicar.
Mas posso dizer resumidamente que tem a ver com o procedimento continuado, recorrente, de uma certa pessoa que, em 2008 me fez abandonar o trabalho que estava a desempenhar no jornal Notícias da Zona (e que podem consultar aqui), alegando que eu não estava a trabalhar e - melhor "alegação" ainda... - que eu não sou jornalista e, aliás, que nunca o fui! E essa pessoa é a mesma que, em 2001 (para só dar mais um exemplo) me desorganizou de tal modo a vida ao ponto de me obrigar a pôr fim à colaboração que desenvolvia então com o Sem Mais Jornal e com o Jornal da Região (trabalho que não recebera, até então, qualquer reparo - pelo contrário: só elogios).
Não vou dar mais pormenores - para não vos maçar e para não expor a referida pessoa e as asneiras que ela fez (e foram muitas, muitas mais)!
Não sei se tal pessoa, ao impedir-me de trabalhar alegando que eu não trabalho ou que nunca fui jornalista (não sou? não fui? na dúvida, vejam também aqui), dá mostras de desligamento da realidade (o que, obviamente, é sintoma de anomalia psíquica grave) ou se, simplesmente, procede de forma dolosa com o objectivo de me prejudicar (por razões que, sinceramente, não enxergo) .
Seja qual for o caso - e porque não posso admitir que a minha reputação e credibilidade (certificadas por quem comigo trabalhou, e trabalha, ou por publicações como a que podem consultar aqui) continue a ser manchada por difamações - estarei disponível para, sempre que for necessário, esclarecer a verdade dos factos e demonstrar a veracidade do que afirmo, com recurso a documentos idóneos, alguns deles publicados e outros eventualmente mais confidenciais.
Portanto, de qualquer forma, o caso será esclarecido e quem está envolvido nele será, a seu tempo, devidamente responsabilizado.
Vocês sabem que eu nunca falo só da boca para fora: quando afirmo algo, é porque tenho certeza suficiente do que digo e, sempre que possível, gosto de suportar as minhas afirmações em provas tangíveis.
E é isso mesmo que farei. Nos locais adequados.
Entretanto, peço desculpa pelo incómodo que esta minha ausência da blogosfera poderá acarretar. Não tanto aqui, mas nos blogues Almada Cultural e Almada Cultural (por extenso) os quais, pelos motivos acima expostos, também deixarão de ser convenientemente actualizados.
Até um dia destes.
António Vitorino
A primeira razão é fácil de explicar: dificuldades de acesso à internet. Desde que comecei este blogue, recorri sempre a computadores emprestados (eu não tenho computador...). E agora, durante algum tempo, não terei possibilidade de aceder à rede nesses mesmos computadores.
A outra razão prende-se com dificuldades e entraves vários que têm sido colocados ao meu trabalho.
Esta é mais difícil de explicar.
Mas posso dizer resumidamente que tem a ver com o procedimento continuado, recorrente, de uma certa pessoa que, em 2008 me fez abandonar o trabalho que estava a desempenhar no jornal Notícias da Zona (e que podem consultar aqui), alegando que eu não estava a trabalhar e - melhor "alegação" ainda... - que eu não sou jornalista e, aliás, que nunca o fui! E essa pessoa é a mesma que, em 2001 (para só dar mais um exemplo) me desorganizou de tal modo a vida ao ponto de me obrigar a pôr fim à colaboração que desenvolvia então com o Sem Mais Jornal e com o Jornal da Região (trabalho que não recebera, até então, qualquer reparo - pelo contrário: só elogios).
Não vou dar mais pormenores - para não vos maçar e para não expor a referida pessoa e as asneiras que ela fez (e foram muitas, muitas mais)!
Não sei se tal pessoa, ao impedir-me de trabalhar alegando que eu não trabalho ou que nunca fui jornalista (não sou? não fui? na dúvida, vejam também aqui), dá mostras de desligamento da realidade (o que, obviamente, é sintoma de anomalia psíquica grave) ou se, simplesmente, procede de forma dolosa com o objectivo de me prejudicar (por razões que, sinceramente, não enxergo) .
Seja qual for o caso - e porque não posso admitir que a minha reputação e credibilidade (certificadas por quem comigo trabalhou, e trabalha, ou por publicações como a que podem consultar aqui) continue a ser manchada por difamações - estarei disponível para, sempre que for necessário, esclarecer a verdade dos factos e demonstrar a veracidade do que afirmo, com recurso a documentos idóneos, alguns deles publicados e outros eventualmente mais confidenciais.
Portanto, de qualquer forma, o caso será esclarecido e quem está envolvido nele será, a seu tempo, devidamente responsabilizado.
Vocês sabem que eu nunca falo só da boca para fora: quando afirmo algo, é porque tenho certeza suficiente do que digo e, sempre que possível, gosto de suportar as minhas afirmações em provas tangíveis.
E é isso mesmo que farei. Nos locais adequados.
Entretanto, peço desculpa pelo incómodo que esta minha ausência da blogosfera poderá acarretar. Não tanto aqui, mas nos blogues Almada Cultural e Almada Cultural (por extenso) os quais, pelos motivos acima expostos, também deixarão de ser convenientemente actualizados.
Até um dia destes.
António Vitorino
segunda-feira, dezembro 29, 2008
A minha primeira exposição de fotografia... (Dezembro de 1990)
Dezembro de 1990: o tal ano em que o "bloco de Leste" se desfez... Álvaro Cunhal ainda era o secretário-geral do PCP, mas havia também Carlos Carvalhas - o homem que teria a difícil tarefa de liderar o Partido Comunista Portugês nesses anos críticos (críticos para o ideal comunista, entenda-se) e que o fez muito bem (digo eu).
Em Dezembro de 1990 estávamos em campanha eleitoral para a Presidência da República Portuguesa, e Carlos Carvalhas era o candidato do PCP.
Eu era frequentador do Ritz Club e - por coincidência, ou não - a candidatura de Carvalhas faz uma acção de campanha nesse espaço da noite lisboeta. Eu tive a sorte, o privilégio (e essas coisas todas, etc. etc.) de ser convidado para apresentar alguns trabalhos meus. Pois: eu fazia fotografia (desde os anos 80) a preto e branco, com uma praktika mtl qualquer coisa, e até usava rolos da
orwo (marcas da ex-RDA, a máquina e os rolos), e tinha muitas horas de experiência no laboratório do Centro Cultural de Almada... Enfim, tinha algumas fotografias para apresentar!
Então, com o meu amigo Rui Jorge Martins, decidi (decidimos) aceitar a porposta, e apresentar, no dia 29 de Dezembro de 1990, ao cimo da escadaria que dava entrada para as instalações do Ritz Club, alguns painéis com fotografias, aos quais chamámos PortFólios. (Não nos pediram um nome original, está bem? Pediram-nos, só, fotografias).
orwo (marcas da ex-RDA, a máquina e os rolos), e tinha muitas horas de experiência no laboratório do Centro Cultural de Almada... Enfim, tinha algumas fotografias para apresentar!Então, com o meu amigo Rui Jorge Martins, decidi (decidimos) aceitar a porposta, e apresentar, no dia 29 de Dezembro de 1990, ao cimo da escadaria que dava entrada para as instalações do Ritz Club, alguns painéis com fotografias, aos quais chamámos PortFólios. (Não nos pediram um nome original, está bem? Pediram-nos, só, fotografias).
Aquilo foi uma exposição só de um dia. Soube-me a pouco e, por isso mesmo, propus à Casa Municipal da Juventude de Almada (Ponto de Encontro, em Cacilhas) realizar ali uma versão revista e aumentada. E assim se fez: se não me engano, foi em Janeiro de 1991 que as minhas fotos apareceram, pela primeira vez, numa exposição individual, em Almada.
Mais tarde, durante essa década de 90, fiz outras exposições: de fotografia (PhotoGraphias) no Ponto de Encontro, e de pintura a marcador, no Ponto de Encontro e num bar de Almada Velha que se chamava Alma da Velha... Mas essas coisas perderam-se. (Não fui eu quem as perdeu, não; mas enfim... não falemos de coisas tristes, mais uma vez...)
Mesmo a exposição de 1990/1991, perdeu-se quase toda. Ficou apenas isto:
A minha primeira exposição de fotografia (ou o que dela resta...).
A minha primeira exposição de fotografia (ou o que dela resta...).
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quinta-feira, outubro 16, 2008
Não quero ser pretensioso, mas...

... como há quem ainda não tenha entendido (ou insista em "não entender"...), aqui fica uma breve nota bio-bibliográfica a meu respeito, incluída no livro "Gente de Letras com Vínculo a Almada" (editado em 2005 pela SCALA - Sociedade Cultural de Artes e Letras de Almada), escrito por pessoas respeitáveis e muito mais apresentáveis que eu próprio (Victor Aparício, Diamantino Lourenço, Luís Alves Milheiro, Abrantes Raposo e Artur Vaz). E não, eu não sou associado da SCALA, e não pedi a ninguém que fizesse o favor de me incluir nesse livro...
Isto é, de facto, uma descrição muito breve e incompleta da minha actividade desde o início dos anos 80... Mas tem o mérito de não ter sido escrita por mim. Se a verdade incomoda, desculpem lá qualquer coisinha...
segunda-feira, setembro 15, 2008
Jornalista procura trabalho e/ou emprego

Caros amigos:
Terminei a minha colaboração com o jornal Notícias da Zona e, consequentemente, encontro-me desempregado e disponível para trabalhar em qualquer área da comunicação social (pois é essa a área profissional em que exerço a minha actividade desde o início da década de '90).
Tenho vasta experiência de trabalho na imprensa regional (rádio entre 1987 e 1995; jornais e revistas desde 1995), e em outras actividades relacionadas com comunicação social, animação cultural (e afins...) como poderão confirmar consultando a barra lateral deste blogue (mas leiam mesmo: não vejam só os bonecos, ok?)
Aliás, foi essa vasta experiência (e, pelos vistos, alguma competência, até) que fez com que o director do mencionado jornal me convidasse para assumir uma eventual futura edição desse quinzenário noconcelho de Almada.
Mas as coisas nem sempre correm como a gente deseja, não é?...
(Na foto: sim, sou eu, na redacção do Notícias da Zona, em Abril deste ano, fotografado pela jornalista Catarina Cabral.)
sexta-feira, agosto 29, 2008
A quem interessar...

Estes são os meus rendimentos de 1993, enquanto jornalista ao serviço da Rádio Baía - emissora onde trabalhei entre Dezembro de 1992 e meados de Julho de 1993. Os 398.473 escudos declarados aqui pela entidade patronal correspondem, portanto, a sete meses de trabalho no ano de 1993 (Janeiro - Julho). Aliás, correspondem a menos do que isso - porque não cumpri todos os dias e todas as horas (sim, havia relógio de ponto) que era suposto fazer nesses seis
meses de 1993. Esta mensagem é para algumas pessoas que hoje, aparentemente, tanto se esforçam por demonstrar que eu minto quando afirmo que auferia, naquele tempo, 60 contos por mês (façam as contas, está bem?)... E são os mesmos que, aparentemente, tanto se esforçam por "demonstrar" que eu "estou", na actualidade, "desempregado" ou, pior ainda, "desocupado e ocioso". O primeiro argumento fica esclarecido com a publicação deste documento, não é? Os
outros esclarecem-se facilmente lendo por exemplo o que publiquei recentemente nos seguintes "links"
meses de 1993. Esta mensagem é para algumas pessoas que hoje, aparentemente, tanto se esforçam por demonstrar que eu minto quando afirmo que auferia, naquele tempo, 60 contos por mês (façam as contas, está bem?)... E são os mesmos que, aparentemente, tanto se esforçam por "demonstrar" que eu "estou", na actualidade, "desempregado" ou, pior ainda, "desocupado e ocioso". O primeiro argumento fica esclarecido com a publicação deste documento, não é? Os
outros esclarecem-se facilmente lendo por exemplo o que publiquei recentemente nos seguintes "links"
(Mas se isto não bastar, e se precisarem, por exemplo, de uma fotografia minha na redacção do Notícias da Zona, não é nada que não se arranje...)
quinta-feira, agosto 28, 2008
A "Festa da Amizade" - Almada, Agosto de 1988
Almada também teve uma "mini-festa-do-avante". Chamava-se Festa da Amizade, era organizada pelo PCP concelhio (e pela JCP, já agora...), e realizou-se entre 1977 e o final dos anos 80 - primeiro, num terreno vago entre dois edifícios, nas Barrocas (para quem conhece Almada, digo-vos que era do lado direito de quem sobe a rua da SFUAP...), mais tarde em terreno bem mais amplo, no Laranjeiro (se não me engano, sensivelmente onde está hoje uma escola secundária...) e por fim, ou pelo meio (não me recordo bem da data), num recanto do local onde hoje está a Biblioteca Municipal de Almada - Fórum Municipal Romeu Correia.
Eu fui um dos (muitos) que participaram em algumas dessas festas. Na de 1988, por exemplo: festa que, em pleno Agosto, meteu água, não em sentido figurado mas em sentido muitíssimo literal. Aqui ficam alguns excertos da reportagem de duas páginas (centrais) publicada no jornal Avante (de 7 de Agosto de 1988), assinada pelo jornalista Henrique Custódio:








Eu fui um dos (muitos) que participaram em algumas dessas festas. Na de 1988, por exemplo: festa que, em pleno Agosto, meteu água, não em sentido figurado mas em sentido muitíssimo literal. Aqui ficam alguns excertos da reportagem de duas páginas (centrais) publicada no jornal Avante (de 7 de Agosto de 1988), assinada pelo jornalista Henrique Custódio:

Álvaro Cunhal na "Festa da Amizade":
Se não pode haver comício, conversa-se mesmo à chuva!
Se não pode haver comício, conversa-se mesmo à chuva!
Não foi difícil chegarmos ao local da Festa, no Laranjeiro: a música, primeiro - que se ouvia muita estrada antes - os pendões e bandeiras ondulando pelo recinto - que se viam depois, muitos metros ainda ao longe - levavam lá o mais distraído.
(...)
Quando lá chegámos ao princípio da tarde de domingo (ainda a nebulosidade se parecia com os chamados "céus encobertos" a que ninguém passa cartão nem chapéu de chuva), a multidão percorria ronceiramente o recinto, espreitando aqui, comprando acolá, sentando-se onde calhava, abancando nos (numerosos) restaurantes e similares, festejando reencontros com amigos - que é coisa vulgar nestas iniciativas - fazendo escalas frente aos palcos, irresistivelmente atraídos pelos espectáculos ali apresentados.
E quanto a espectáculos, a Festa da Amizade não deixou créditos por mãos alheias: fizeram parte do programa de três dias nomes como a Companhia de Teatro de Almada, "Os Delfins", Sérgio Godinho, Nuno Gomes dos Santos, Jorge Lomba, Fernando Tordo, Luísa Basto, Francisco Seia e banda, Maria Guinot e Carlos do Carmo. Para além de bandas a percorrer o recinto, fado amador (em local próprio), exibição de ranchos folclóricos, etc.
... E antes da chuva ainda pudemos apreciar mais alguma coisa.



Enquanto no recinto desportivo duas equipas de jovens mostravam que Portugal é um viveiro de talentos futebolísticos e José Barata Moura encantava miúdos e graúdos num palco um pouco ao lado, na outra ponta da Festa cantava-se o fado a preceito, no retiro-restaurante montado para o efeito e abrindo guitarras e microfones a todos os "espontâneos" que quisessem mostrar o que sabiam. Quem sabia, de certeza, do que é cantar o fado na sua intrínseca dimensão popular eram os camaradas que construíram o espectáculo, mantendo-o vivo, criativo e interveniente num enquadramento festivo que até nem é muito propício ao sossego que este tipo de espectáculo pede.
Mas havia outros "enquantos" (...) Era o caso dos espectáculos no palco principal, a decorrer "taco a taco" com a criação de um grande painel fronteiro subordinado aos temas da Paz e da Amizade e executado, durante os três dias da Festa, pelo Núcleo de Artes Plásticas da Comissão de Juventude da Junta de Freguesia do Laranjeiro, ou da animação do Café-Concerto a par de não menos animadas competições de jogos populares, ou da excelente exposição sobre as "memórias" do ensino durante o regime fascista (com a exibição de antigos manuais, de textos e imagens de propaganda salazarista, etc.) ao lado de outras que iam do artesanato às questões laborais, da pintura à luta política e social.
Intervindo, participando, passeando, fruindo tudo isto ao longo de três dias, pessoas que, à
semelhança dos anos anteriores, demonstraram claramente que a Festa da Amizade é já um património do concelho de Almada.
semelhança dos anos anteriores, demonstraram claramente que a Festa da Amizade é já um património do concelho de Almada.
(...)



Entretanto chegou a hora do comício, acompanhada por uma carga de água que se manteria pela noite fora. Ainda se fez um compasso de espera, na esperança de que o tempo melhorasse, mas como tal não se verificou, anulou-se, naturalmente, a iniciativa (...) e optou-se por uma solução de recurso: a utilização do sistema sonoro da Festa (que não tinha as "electricidades" afectadas pela chuva) para que o orador dirigisse algumas palavras à multidão que o aguardava. Palavras que iriam resumir, de improviso, o extenso discurso que Álvaro Cunhal havia preparado, como ele próprio informou.

O "resumo" do "extenso discurso" de Álvaro Cunhal está disponível abaixo, no fac-simile das páginas da mencionada edição do Avante (cliquem sobre as imagens para ampliar e ler o texto).
Antes desse improvisado "não-comício", fizeram-se as intervenções da praxe: Comissão Concelhia de Almada do PCP e Comissão Concelhia de Almada da JCP...
Se não se importam, olhem novamente para a fotografia que está no topo deste artigo. Estão a ver aquele jovenzito que aparece atrás do grande Álvaro Cunhal? Repararam no ar triste do dito jovenzito? Pois: é que esse jovenzito era o representante da JCP e ficou "chateado" porque, depois de tanto trabalhinho a escrever a sua intervenção política (era a sua vez de "falar às massas"... e talvez mesmo a sua última oportunidade para o fazer, pelo menos enquanto
membro da "jota" - pois já tinha 24 anitos, coitado...) vira-se obrigado (por força da tal carga de água) a resumir em duas ou três palavras o que lhe "ia na alma": breve saudação a toda a gente e a afirmação de que «podem sempre contar com a JCP».
membro da "jota" - pois já tinha 24 anitos, coitado...) vira-se obrigado (por força da tal carga de água) a resumir em duas ou três palavras o que lhe "ia na alma": breve saudação a toda a gente e a afirmação de que «podem sempre contar com a JCP».
E como é que eu sei isso? Porque estive lá! Aliás eu era (sou...) o tal jovenzito chateado com o raio do tempo, que havia de trazer tamanha carga de água em Agosto, e logo nesse dia, e logo à hora do comício da Festa da Amizade de 1988, em que ele (eu) fora o escolhido para botar discurso!
Foi galo! (Expressão que, como se sabe, era muito utilizada nesses míticos anos 80...)
(Nota final: para evitar confusões, e dar o seu a seu dono, o texto de Henrique Custódio, publicado na reportgem do Avante está destacado com uma cor diferente...)
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segunda-feira, agosto 25, 2008
Incêndio do Chiado em 1988? Lembro-me, sim: também lá estive!

Na manhã de dia 25 de Agosto de 1988, ligo o televisor, vejo imagens de fumarada espessa a sair de uns sótãos de edifícios a arder e digo com os meus botões «olha, está qualquer coisa a arder em qualquer parte... interessante».
E vou tomar banho (que é uma das primeiras coisas que eu faço de manhã...).
Pouco mais tarde, mal saio da banheira, recebo um telefonema do meu amigo Rui Jorge Martins, a informar-me - hiperbolicamente - que «Lisboa está a arder». Eu, ainda algo incrédulo, vou à janela e confirmo: ao longe, do outro lado do rio, vê-se uma enorme nuvem de fumo erguendo-se de uma das colinas da capital do império. Lisboa estava a arder!
Depois desse primeiro contacto visual com "O Grande Incêndio do Chiado", volto à conversa telefónica com o RJ (Martins) para combinar uma ida ao local, em reportagem para o Jotacêpê... (*)
Convocámos, também, o nosso dilecto amigo Jorge Figueira - que, tal como eu e o RJ, fazia fotografia - e vai de apanhar o barco para Lisboa, munidos de 3 máquinas fotográficas - uma com rolo de negativos, outra com slides e a terceira sem rolo nenhum (revelo agora esta "malandrice" em primeira mão, 20 anos depois, e sem me lembrar já qual de nós levava a máquina sem rolo).
Acercamo-nos o mais possível da zona ardida (que ainda estava a arder, mas já pouco) e tentamos entrar no respectivo perímetro. Ficámo-nos pela "parte de baixo" - a Baixa Pombalina - sem acesso possível às ruas mais afectadas (a do Carmo e a Nova do Almada). Era ver então os senhores AV, RJ e JF, de máquinas fotográficas em riste (uma delas sem rolo) fotografando (um deles fingindo que fotografava) a azáfama de carros de bombeiros a passar para cá e para lá, a multidão de "mirones" preocupados (que a polícia tentava manter a uma distância segura) e um helicóptero (suponho que da TV) que sobrevoava a zona e que era difícil comó caraças de fotografar!
Tudo muito giro, mas de fogo não se via (não víamos, nós) nada.
Tentamos, então, usar os nossos cartões de Comunicação Social... Ou seja, os cartões que nos identificavam como elementos da redacção de um órgão de imprensa (o que era verdade) e não como jornalistas (pois não nos considerávamos como tal). 

As primeiras tentativas saíram goradas (os bombeiros não deixavam aproximar ninguém). Mas às tantas, depois de fotografarmos um senhor polícia postado à entrada da Rua do Crucifixo, conseguimos mesmo. O polícia até fez uma pose para a fotografia (mas não é este que aparece aqui ao lado: estas são fotos recolhidas do site da Câmara Municipal de Lisboa) e talvez por isso mesmo (por querer aparecer "no jornal"), lá nos deixou passar.
E pronto: apesar de, a essa hora (pouco depois da hora de almoço...) o pior já ter passado (já não havia lavaredas), os bombeiros ainda deitavam grandes mangueiradas para dentro dos edifícios, havia ainda muito fumo, mas havia também já quem, extenuado, se sentasse junto aos escombros e aproveitasse para comer alguma coisa, depois de tantas horas de combate ao incêndio.
Tudo isso ficou registado. E, no final desse dia 25 de Agosto de 1988, eu, o RJ e o JF regressámos a Almada com material para uma grande reportagem fotográfica - que seria publicada na edição seguinte do Jotacêpê.

(*) Ah, pois: o Jotacêpê era uma publicação da comissão concelhia de Almada da Juventude Comunista Portuguesa (JCP), um produto híbrido, a meio caminho entre um fanzine em formato A4 e um boletim informativo e/ou propagandístico - e, se quisermos considerar jornalismo o que ali se fazia (pois teve, por exemplo, uma entrevista com o então embaixador de Cuba em Lisboa, ou reportagens como a que fomos fazer nessa tarde de 25 de Agosto de 1988) então a minha primeira experiência jornalística terá sido aí, em finais dos anos 80 e não - contrariamente ao que afirmei noutro artigo - no Almada Press em 1990. Não vos apresento aqui nenhuma página dessa publicação porque já não a tenho: quase todo o meu património anterior a 1998 foi destruido e extraviado por acção de alguns familiares... mas enfim, essa história não é para aqui chamada, neste momento (fica para depois...). No entanto, se - por qualquer espécie de milagre... - alguém ainda tiver consigo exemplar(es) do Jotacêpê e quiser ser simpático e prestável com este pobre jornalista desvalido, pode(m) contactar comigo através do email que está escrito a vermelho no fundo da barra lateral deste blogue. Gostaria muito de ter cópias (fotocopiadas ou digitalizadas) dessa publicação. Desde já, obrigadinho!
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segunda-feira, junho 23, 2008
Notícias da Zona:
Nesta edição, o quinzenário Notícias da Zona dá grande destaque a actividades culturais e de lazer.

Uma reportagem de Catarina Cabral sobre a festa de final de ano lectivo da Escola Básica 1 n.º1 da Quinta do Conde (estabelecimento de ensino que está a comemorar 40 anos), dá o mote para o que se segue.

A saber: uma foto-reportagem sobre o Euro 2008, com imagens da festa na Suiça, e da festa... seguida da grande desilusão que se viveu em Almada, frente ao écran do Parque Urbano. (Onde - importa referir - após o final do jogo entre Portugal e Alemanha, aconteceram, algumas "escaramuças" entre grupos de jovens, que poderiam ter descambado para algo mais grave, dada
a "falta de comparência" da polícia... Eu vi: estive lá, em serviço para o jornal... Mas isso é tema para ser tratado de forma mais desenvolvida e fundamentada, sem demagogias nem leviandades, e numa outra ocasião.)
a "falta de comparência" da polícia... Eu vi: estive lá, em serviço para o jornal... Mas isso é tema para ser tratado de forma mais desenvolvida e fundamentada, sem demagogias nem leviandades, e numa outra ocasião.)

Na cultura, vários destaques: actividades para os mais novos no concelho do Seixal - e, em Almada, o incontornável Festival de Teatro... (há também uma interessante crónica de Artur Vaz, sobre um certo Benfica).

E, como não quero terminar este texto sem ter a certeza de que a minha sardinha tem direito à merecida brasa (estamos no São João, não é?...), aqui fica mais um destaque desta edição do NZ. Neste caso, sobre o Prémio Literário Sesimbra Jovem "A Força das Palavras", de cujo júri tive a honra de fazer parte, por convite do Artur Vaz - que, além de colaborador do NZ é, nem mais nem menos que o presidente da ECOSDART, associação cultural sedeada na Quinta do Conde.
(E, aqui para nós, a Quinta do Conde bem precisa de uma associação cultural... Mas também isso é assunto para outro artigo, que escreverei numa outra oportunidade.)
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domingo, junho 08, 2008
Como conheci, em 1981, o "Poeta Militante" José Gomes Ferreira

Em 1981 - era eu um teenager inconsciente... - fui à "Oficina de Cultura" (um espaço em Almada Velha que, anteriormente, tinha sido um mercado abastecedor e, mais tarde, foi transformado em Teatro Municipal), para apresentar um trabalho de final de ano lectivo: um espectáculo de teatro (porque estava numa turma do nono ano geral unificado, opção Teatro, com a professora Maria Santos). Não interessa muito para o caso, mas posso dizer-vos que era o Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente - e posso dizer-vos, também, que naquela época "fazer teatro" não era lá muito bem visto pela população em geral, nem mesmo pelos jovens em particular (mas eu hei-de contar-vos essas histórias noutra ocasião).
Ora bem, o que interessa dizer, aqui e agora, é que, porque o espectáculo estava integrado na programação da Feira do Livro de Almada (que, nesse tempo, era organizada "a meias" pela Câmara e pelo Centro Cultural de Almada), tive a sorte de, nesse mesmo dia, encontrar-me por lá com um certo escritor chamado José Gomes Ferreira - de quem eu nunca tinha ouvido falar - e que estava a "dar autógrafos".
Melhor: a autografar os livros que nós, jovenzinhos da Escola Secundária de Almada tinhamos como "brinde", oferta da Câmara Municipal, por irmos actuar naquele evento (a escola a que me refiro é a actual Fernão Mendes Pinto, depois de quase ter sido baptizada como Alberto Araújo... bem, um dia também vos conto essa história).
E lá estava aquele senhor já velhinho, muito simpático, de longos cabelos brancos e... Pronto, talvez eu esteja a divagar (a memória prega-nos partidas lixadas)... Mas lembro-me bem que lá conversador era ele: depois de perguntar o nome à rapariga que estava à minha frente (e que tinha nome de flor - Dália, salvo erro), lhe explica que o pai dela devia ser anarquista, porque os anarquistas rejeitavam os tradicionais nomes cristãos.
Eu, que nunca tive jeito para fazer conversa - e que, na verdade, "era" o Parvo - tenho então a brilhante ideia de lhe perguntar que tipo de pai julgava ele que chamava Vitorino a um filho (reparem que, já nesses remotos anos 80, eu - que sou um António - estava tão habituado a ser tratado como Vitorino, que já assumia isso como "nome próprio", ou quase).
Ora, o grande José Gomes - que, como fiquei a perceber mais tarde, era um "inventor" e, aparentemente, "pelava-se" por desafios destes - começa por dizer que, para eu ter um nome assim, o meu pai devia ter sido republicano (a implantação da República foi em 1910, estavamos em 1981, e eu tinha 16 anos...). Mas, melhor que isso, começa a elaborar sobre o assunto, de uma forma
tão "poética", que a sua companheira (que também estava presente nessa sessão de autógrafos) se vê obrigada a fazê-lo "descer à terra", com estas palavrinhas tão singelas e - naquele momento, tão certeiras: «já estás a inventar!». Tão certeiras que ele se calou, terminámos ali a nossa conversa, eu passei à frente (com o "Poeta Militante, volume 1", onde o autor tinha escrito - salvo erro, porque esse foi um dos livros que trataram de me "extraviar" - "para o camarada Vitorino, com 2 amizades do Poeta Militante José Gomes Ferreira"), e lá fui preparar-me para a minha actuação, com muita pena de não ter o poeta a ver o "meu" espectáculo (porque, disseram-nos, ele já estava demasiadamente "velhote" para subir escadas - e nós actuávamos na sala de cima da Oficina da Cultura).
tão "poética", que a sua companheira (que também estava presente nessa sessão de autógrafos) se vê obrigada a fazê-lo "descer à terra", com estas palavrinhas tão singelas e - naquele momento, tão certeiras: «já estás a inventar!». Tão certeiras que ele se calou, terminámos ali a nossa conversa, eu passei à frente (com o "Poeta Militante, volume 1", onde o autor tinha escrito - salvo erro, porque esse foi um dos livros que trataram de me "extraviar" - "para o camarada Vitorino, com 2 amizades do Poeta Militante José Gomes Ferreira"), e lá fui preparar-me para a minha actuação, com muita pena de não ter o poeta a ver o "meu" espectáculo (porque, disseram-nos, ele já estava demasiadamente "velhote" para subir escadas - e nós actuávamos na sala de cima da Oficina da Cultura).(Ah, pois: tenho também muita pena de não ter fotos dessa actuação para vos apresentar aqui. Já as tive. Mas também fazem parte do lote de coisas que me "extraviaram"... São mais histórias, que talvez vos conte um destes dias).
Depois, quando cheguei a casa e li o livro, "a minha vida mudou" (para usar uma daquelas tiradas dramáticas que nós, poetas meridionais e emotivos, muito apreciamos...). Ou seja: a influência de José Gomes Ferreira na minha primeira (e primária) produção "literária" foi tão grande, que andei a escrever coisas com títulos tais como "Elegia de Azul e Sangue (ao Tejo)" e outros que, mesmo que eu ainda os tivesse comigo (não os tenho, e nem me vou dar ao trabalho de explicar porquê...) não vos iria mostrar, de maneira nenhuma!
E, com isto, não estou a "renegar" a importância que o "poeta militante" teve na minha formação (modesta, digamos) enquanto escritor. Nada disso! Apenas segui, mais tarde, outros caminhos - mais influenciado, julgo eu, por autores como Alexandre O'Neill e Alberto Pimenta.
Não nego, também, a importância que, na minha formação cultural (e cívica...) tiveram "coisas" como o poema Acordai - musicado para a Academia dos Amadores de Música pelo Maestro Fernando Lopes-Graça - que, por acaso, também tive o privilégio de conhecer, na transição da década de '80 para a década de '90 quando fui a sua casa, na Parede (localidade da linha de Cascais), gravar em vídeo uma entrevista feita por algumas pessoas que, pouco depois, deram origem ao Coral Canto Novo...
Mas deixemos isso: conto-vos também essa hitória, noutra ocasião.
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quarta-feira, fevereiro 13, 2008
Vamos lá ver se a gente se entende
Eu estava para trazer aqui, nestes últimos dias, uma história relacionada com José Ramos Horta (do tempo em que ele era o rosto do Conselho Nacional de Resistência Timorense no exterior), e outras histórias, sobre patetices de alguns motoristas dos Transportes Sul do Tejo.
Acontece, porém, que nos tempos mais recentes (e graças aos familiares do costume) eu, além de estar, ainda, desempregado (mas não desocupado…) tenho acesso a um computador apenas durante uma hora por dia.
E não é “uma hora de Internet por dia”: é mesmo “uma hora de computador por dia”.
Claro que isso deve ter os seus aspectos positivos, que há que aproveitar, e tal… Ora deixa cá ver… reaprendi, por exemplo, a escrever textos à mão… Pois, foi isso. Oba, como dizem os brasileiros!
E, como em casa nem computador nem sequer condições mínimas para trabalhar, vejo-me obrigado a ir para locais públicos, abrir o meu caderninho preto, e escrever nele.
Portanto, amiguinhos, se me virem sentado num café, com meia dúzia de copos vazios (e um a ser esvaziado) e um monte de papelada à minha frente, já sabem: estou a trabalhar!
Isso não significa, bem entendido, que eu goste de trabalhar em locais públicos (aliás, detesto!), mas apenas que não tenho, por agora, possibilidade de trabalhar de outra forma.
Claro que há quem, por não me conhecer, não entenda isso. Para esses, devo ser um tipo esquisito, que anda por aí, na rua, a fazer figura de parvo, e… (enfim, imaginem vocês o que se diz por aí – ou, se souberem, digam-me, porque eu apenas posso adivinhar…).
Mas, bem… Esses, daqui a uns tempos, terão oportunidade de perceber que eu não sou quem eles pensam (seja lá o que for que eles pensam, se é que pensam). E pronto, fica tudo bem, não tinham culpa de ser parvos, ou ignorantes, estão desculpados.
O problema são os outros, os que me conhecem (ou pensam que me conhecem), os que fingem ser meus amigos – mas que, além de não estarem a ajudar nada, num momento em que eu preciso de amigos (e “os amigos são para as ocasiões”, não é?) ainda alinham nas mentiras que se dizem a meu respeito.
Ora bem, vamos lá ver se nos entendemos…
Eu vim de um meio pobre, tanto em termos materiais como em termos culturais.
Para vos dar um exemplo da pobreza cultural a que me refiro, digo-vos que esse era um meio em que um puto que mostrasse interesse em coisas um bocadinho mais evoluídas que BDs de “cóbóis” (que lesse, por exemplo, BDs de Ficção Científica), levava logo com o rótulo de “maluco”.
(E parece que, desgraçadamente, depois de tantos anos, continua tudo na mesma, por aqueles lados…)
Vim, portanto, de um meio onde não tinha nada. Ninguém me deu nada de bandeja. E, pelo contrário, muito (quase tudo) me foi tirado por pessoas mesquinhas, uma vez, e outra, e outra ainda.
Enfrentei todas essas dificuldades, fiz muita coisa, e ainda aqui estou – a fazer coisas. Ou coisinhas - o que, em todo o caso, é mais do que fazem os que me atacam.
Comecei nos anos 80, como agente cultural. E essa actividade, embora “invisível” deixou marcas, que são hoje visíveis, por exemplo, em objectos da colecção permanente do Museu da Cidade de Almada (nos quais, e com os quais, trabalhei).
Nos anos 90, tive uma carreira profissional de sucesso, como jornalista. Aliás, o meu trabalho era tão prestigiado que até uma “gaffe” que escrevi foi citada, como informação credível, por um conceituado investigador de História Local (e está, como grande parte do meu trabalho dessa década, disponível para consulta e cópia no Arquivo Histórico de Almada)!
Devo dizer-vos, amiguinhos que, durante esse tempo, também tinha (como tenho agora) gente medíocre a morder-me os calcanhares e (recuperando uma expressão anteriormente utilizada neste blogue pelo Luís Milheiro) a tentar "passar-me rasteiras", para ver se eu caía.
E algumas vezes até conseguiram.
Mas não deixei, nunca, de fazer o meu trabalho: sempre que me fizeram cair, eu levantei-me e segui em frente. Eles é que ficaram para trás (embora alguns me apanhassem, novamente, mais à frente, mas só para me rasteirar de novo) e outros mesmo… para baixo (não sei se me faço entender).
Agora, que me fizeram uma sacanice sem precedentes, complicando-me a vida como nunca antes o tinham feito, eu ainda aqui estou, a fazer o meu trabalho… na medida do possível, para quem tem uma hora de computador por dia, não é?
Mas querem exemplos? Ora vejamos…
Quem foi o primeiro a anunciar a chegada a Cacilhas da Fragata D. Fernando (com fotos e recurso a outras fontes)?
Quem fez um trabalho jornalístico sobre uma misteriosa interrupção de trânsito em Cacilhas? (Bem… confesso que aí me “estiquei” um bocado em comentários acessórios e jocosos… mas isto é um blogue pessoal, não é um órgão de informação).
Espero que, para exemplo, isto chegue, até porque a "minha hora de computador" está a chegar ao fim.
Então, só para concluir, amiguinhos, se quiserem mesmo continuar a dizer que o Vitorino está muito mal, que está incapaz de trabalhar, que está maluquinho (ó, quantas vezes me disseram isso quando eu era puto, certos senhores que hoje estão na merda!...), enfim, se quiserem mesmo continuar a difamar-me, estejam, por agora, à vontade: aproveitem enquanto podem.
O meu trabalho (o meu trabalho passado, presente e futuro) trata de desmentir essas tretas.
É que eu, se calhar, até ainda não fiz nada de especial e, mesmo assim, como quem não quer a coisa, já faço parte da História desta terra (há vestígios do meu trabalho no Museu da Cidade e no Arquivo Histórico, já vos disse, não é?...). Agora, calculem só como será quando eu terminar o aquecimento e começar a jogar a sério.
Até lá, pronto, está bem, façam as vossas cenas mesquinhas.
Mas dá-me vontade de perguntar, como nos filmes: “é só isso, o que têm para me atirar?”
Acontece, porém, que nos tempos mais recentes (e graças aos familiares do costume) eu, além de estar, ainda, desempregado (mas não desocupado…) tenho acesso a um computador apenas durante uma hora por dia.
E não é “uma hora de Internet por dia”: é mesmo “uma hora de computador por dia”.
Claro que isso deve ter os seus aspectos positivos, que há que aproveitar, e tal… Ora deixa cá ver… reaprendi, por exemplo, a escrever textos à mão… Pois, foi isso. Oba, como dizem os brasileiros!
E, como em casa nem computador nem sequer condições mínimas para trabalhar, vejo-me obrigado a ir para locais públicos, abrir o meu caderninho preto, e escrever nele.
Portanto, amiguinhos, se me virem sentado num café, com meia dúzia de copos vazios (e um a ser esvaziado) e um monte de papelada à minha frente, já sabem: estou a trabalhar!
Isso não significa, bem entendido, que eu goste de trabalhar em locais públicos (aliás, detesto!), mas apenas que não tenho, por agora, possibilidade de trabalhar de outra forma.
Claro que há quem, por não me conhecer, não entenda isso. Para esses, devo ser um tipo esquisito, que anda por aí, na rua, a fazer figura de parvo, e… (enfim, imaginem vocês o que se diz por aí – ou, se souberem, digam-me, porque eu apenas posso adivinhar…).
Mas, bem… Esses, daqui a uns tempos, terão oportunidade de perceber que eu não sou quem eles pensam (seja lá o que for que eles pensam, se é que pensam). E pronto, fica tudo bem, não tinham culpa de ser parvos, ou ignorantes, estão desculpados.
O problema são os outros, os que me conhecem (ou pensam que me conhecem), os que fingem ser meus amigos – mas que, além de não estarem a ajudar nada, num momento em que eu preciso de amigos (e “os amigos são para as ocasiões”, não é?) ainda alinham nas mentiras que se dizem a meu respeito.
Ora bem, vamos lá ver se nos entendemos…
Eu vim de um meio pobre, tanto em termos materiais como em termos culturais.
Para vos dar um exemplo da pobreza cultural a que me refiro, digo-vos que esse era um meio em que um puto que mostrasse interesse em coisas um bocadinho mais evoluídas que BDs de “cóbóis” (que lesse, por exemplo, BDs de Ficção Científica), levava logo com o rótulo de “maluco”.
(E parece que, desgraçadamente, depois de tantos anos, continua tudo na mesma, por aqueles lados…)
Vim, portanto, de um meio onde não tinha nada. Ninguém me deu nada de bandeja. E, pelo contrário, muito (quase tudo) me foi tirado por pessoas mesquinhas, uma vez, e outra, e outra ainda.
Enfrentei todas essas dificuldades, fiz muita coisa, e ainda aqui estou – a fazer coisas. Ou coisinhas - o que, em todo o caso, é mais do que fazem os que me atacam.
Comecei nos anos 80, como agente cultural. E essa actividade, embora “invisível” deixou marcas, que são hoje visíveis, por exemplo, em objectos da colecção permanente do Museu da Cidade de Almada (nos quais, e com os quais, trabalhei).
Nos anos 90, tive uma carreira profissional de sucesso, como jornalista. Aliás, o meu trabalho era tão prestigiado que até uma “gaffe” que escrevi foi citada, como informação credível, por um conceituado investigador de História Local (e está, como grande parte do meu trabalho dessa década, disponível para consulta e cópia no Arquivo Histórico de Almada)!
Devo dizer-vos, amiguinhos que, durante esse tempo, também tinha (como tenho agora) gente medíocre a morder-me os calcanhares e (recuperando uma expressão anteriormente utilizada neste blogue pelo Luís Milheiro) a tentar "passar-me rasteiras", para ver se eu caía.
E algumas vezes até conseguiram.
Mas não deixei, nunca, de fazer o meu trabalho: sempre que me fizeram cair, eu levantei-me e segui em frente. Eles é que ficaram para trás (embora alguns me apanhassem, novamente, mais à frente, mas só para me rasteirar de novo) e outros mesmo… para baixo (não sei se me faço entender).
Agora, que me fizeram uma sacanice sem precedentes, complicando-me a vida como nunca antes o tinham feito, eu ainda aqui estou, a fazer o meu trabalho… na medida do possível, para quem tem uma hora de computador por dia, não é?
Mas querem exemplos? Ora vejamos…
Quem foi o primeiro a anunciar a chegada a Cacilhas da Fragata D. Fernando (com fotos e recurso a outras fontes)?
Quem fez um trabalho jornalístico sobre uma misteriosa interrupção de trânsito em Cacilhas? (Bem… confesso que aí me “estiquei” um bocado em comentários acessórios e jocosos… mas isto é um blogue pessoal, não é um órgão de informação).
Espero que, para exemplo, isto chegue, até porque a "minha hora de computador" está a chegar ao fim.
Então, só para concluir, amiguinhos, se quiserem mesmo continuar a dizer que o Vitorino está muito mal, que está incapaz de trabalhar, que está maluquinho (ó, quantas vezes me disseram isso quando eu era puto, certos senhores que hoje estão na merda!...), enfim, se quiserem mesmo continuar a difamar-me, estejam, por agora, à vontade: aproveitem enquanto podem.
O meu trabalho (o meu trabalho passado, presente e futuro) trata de desmentir essas tretas.
É que eu, se calhar, até ainda não fiz nada de especial e, mesmo assim, como quem não quer a coisa, já faço parte da História desta terra (há vestígios do meu trabalho no Museu da Cidade e no Arquivo Histórico, já vos disse, não é?...). Agora, calculem só como será quando eu terminar o aquecimento e começar a jogar a sério.
Até lá, pronto, está bem, façam as vossas cenas mesquinhas.
Mas dá-me vontade de perguntar, como nos filmes: “é só isso, o que têm para me atirar?”
sexta-feira, janeiro 25, 2008
PROCURA-SE !!!

Este é o retrato-robot do sr. António Carlos Mota Ferreira (supõe-se que seja esse o nome, mas não temos a certeza…).
O indivíduo é procurado por suspeita de ter cometido os seguintes actos ilícitos:
Lava as mãos (sempre que: urina ou defeca; mexe em coisas sujas; prepara refeições; almoça, janta, lancha ou simplesmente petisca. Há quem afirme também tê-lo visto lavar as mãos depois de brincar com cães sujos ou com gatos fedorentos – mas isso é uma suspeita não confirmada. A outras também não são confirmadas, mas enfim… parecem ser mais credíveis. Porque sim.)
Não comunica ou recusa-se a falar (com pessoas que, sistematicamente, não entendem – ou fingem não entender – as coisas que lhes são ditas e explicadas, e explicadas repetidamente, muitas e muitas vezes).
Acresce que – a avaliar pela imagem que temos dele, e que reproduzimos – o indivíduo acima referenciado deve sofrer de anomalia psíquica grave (olhem para ele e digam lá se não é verdade…).
Com base nos dados de que dispomos, supõe-se, portanto, que o senhor António Carlos Mota Ferreira constitui uma séria e grave ameaça para si próprio e para os que com ele são forçados a conviver.
Deduz-se, também, que o suspeito terá recusado submeter-se a tratamento psiquiátrico que (diz-se por aí, logo deve ser verdade) já lhe terá sido proposto.
Ora, estes pressupostos (avalizados pela imagem acima reproduzida, e pelas opiniões expressas por quem não o conhece), permitem-nos – penso eu de que - agir em conformidade com a Lei nº 36/98, de 24 de Julho (Lei da Saúde Mental) e enviar o indivíduo para avaliação psiquiátrica urgente, com vista a posterior internamento em estabelecimento de Saúde devidamente licenciado para o efeito.
Pede-se, portanto, (e ao abrigo da Lei supracitada) a quem souber do paradeiro do sr. António Carlos Mota Ferreira, que o comunique, com urgência, à autoridade policial mais próxima, ou à Delegada de Saúde do Concelho de Almada, para que estas autoridades do Estado possam tomar as devidas providências a fim de encaminhar tão nefasto indivíduo a local onde possa receber o devido tratamento, em regime de internato, longe dos olhares e do convívio dos pacatos e cumpridores cidadãos que constituem esta nossa sociedade contemporânea, saudável e normalizada de acordo com as regras das instâncias comunitárias que tutelam este sub-sector da vida em comum.
A bem da Nação (e da indústria farmacêutica)
Publique-se
Dr. Abreu Santinho
Pessiquiatra e jurixta nas horas vagas
PS: Se, por azar, as suspeitas que recaem sobre o indivíduo não se confirmarem após a necessária avaliação psiquiátrica… olha, azar!...
Azar o dele!
Deixem lá, não se preocupem com isso. Denunciem-no na mesma, e depois logo se vê.
Pensam que o tipo vos pode acusar de alguma coisa?
De quê? Difamação? Irregularidades processuais?
De o nome dele, afinal, nem ser António Carlos Mota Ferreira?
E o que é que isso interessa?
Bah! São coisas perfeitamente irrelevantes.
“Peanuts”, como dizem os americanos.
Anexos:
Da lei 36/98 (Lei da Saúde Mental)
Capítulo II
Do internamento compulsivo
Secção I
Disposições gerais
Artigo 8.º;
Princípios gerais
1 - O internamento compulsivo só pode ser determinado quando for a única forma de
garantir a submissão a tratamento do internado e finda logo que cessem os
fundamentos que lhe deram causa.
2 - O internamento compulsivo só pode ser determinado se for proporcionado ao
grau de perigo e ao bem jurídico em causa.
3 - Sempre que possível o internamento é substituído por tratamento em regime
ambulatório.
4 - As restrições aos direitos fundamentais decorrentes do internamento compulsivo
são as estritamente necessárias e adequadas à efectividade do tratamento e à
segurança e normalidade do funcionamento do estabelecimento, nos termos do
respectivo regulamento interno.
Secção III
Internamento
Artigo 12.º;
Pressupostos
1 - O portador de anomalia psíquica grave que crie, por força dela, uma situação de
perigo para bens jurídicos, de relevante valor, próprios ou alheios, de natureza
pessoal ou patrimonial, e recuse submeter-se ao necessário tratamento médico pode
ser internado em estabelecimento adequado.
2 - Pode ainda ser internado o portador de anomalia psíquica grave que não possua
o discernimento necessário para avaliar o sentido e alcance do consentimento,
quando a ausência de tratamento deteriore de forma acentuada o seu estado.
Artigo 13.º;
Legitimidade
1 - Tem legitimidade para requerer o internamento compulsivo o representante legal
do portador de anomalia psíquica, qualquer pessoa com legitimidade para requerer a
sua interdição, as autoridades de saúde pública e o Ministério Público.
2 - Sempre que algum médico verifique no exercício das suas funções uma anomalia
psíquica com os efeitos previstos no artigo 12.º; pode comunicá-la à autoridade de
saúde pública competente para os efeitos do disposto no número anterior.
3 - Se a verificação ocorrer no decurso de um internamento voluntário tem também
legitimidade para requerer o internamento compulsivo o director clínico do
estabelecimento.
Artigo 14.º;
Requerimento
1 - O requerimento, dirigido ao tribunal competente, é formulado por escrito, sem
quaisquer formalidades especiais, devendo conter a descrição dos factos que
fundamentam a pretensão do requerente.
2 - Sempre que possível, o requerimento deve ser instruído com elementos que
possam contribuir para a decisão do juiz, nomeadamente relatórios clínicopsiquiátricos
e psicossociais.
Texto completo da lei (em documento .pdf):
www.estig.ipbeja.pt/~ac_direito/LSMental.pdf
O indivíduo é procurado por suspeita de ter cometido os seguintes actos ilícitos:
Lava as mãos (sempre que: urina ou defeca; mexe em coisas sujas; prepara refeições; almoça, janta, lancha ou simplesmente petisca. Há quem afirme também tê-lo visto lavar as mãos depois de brincar com cães sujos ou com gatos fedorentos – mas isso é uma suspeita não confirmada. A outras também não são confirmadas, mas enfim… parecem ser mais credíveis. Porque sim.)
Não comunica ou recusa-se a falar (com pessoas que, sistematicamente, não entendem – ou fingem não entender – as coisas que lhes são ditas e explicadas, e explicadas repetidamente, muitas e muitas vezes).
Acresce que – a avaliar pela imagem que temos dele, e que reproduzimos – o indivíduo acima referenciado deve sofrer de anomalia psíquica grave (olhem para ele e digam lá se não é verdade…).
Com base nos dados de que dispomos, supõe-se, portanto, que o senhor António Carlos Mota Ferreira constitui uma séria e grave ameaça para si próprio e para os que com ele são forçados a conviver.
Deduz-se, também, que o suspeito terá recusado submeter-se a tratamento psiquiátrico que (diz-se por aí, logo deve ser verdade) já lhe terá sido proposto.
Ora, estes pressupostos (avalizados pela imagem acima reproduzida, e pelas opiniões expressas por quem não o conhece), permitem-nos – penso eu de que - agir em conformidade com a Lei nº 36/98, de 24 de Julho (Lei da Saúde Mental) e enviar o indivíduo para avaliação psiquiátrica urgente, com vista a posterior internamento em estabelecimento de Saúde devidamente licenciado para o efeito.
Pede-se, portanto, (e ao abrigo da Lei supracitada) a quem souber do paradeiro do sr. António Carlos Mota Ferreira, que o comunique, com urgência, à autoridade policial mais próxima, ou à Delegada de Saúde do Concelho de Almada, para que estas autoridades do Estado possam tomar as devidas providências a fim de encaminhar tão nefasto indivíduo a local onde possa receber o devido tratamento, em regime de internato, longe dos olhares e do convívio dos pacatos e cumpridores cidadãos que constituem esta nossa sociedade contemporânea, saudável e normalizada de acordo com as regras das instâncias comunitárias que tutelam este sub-sector da vida em comum.
A bem da Nação (e da indústria farmacêutica)
Publique-se
Dr. Abreu Santinho
Pessiquiatra e jurixta nas horas vagas
PS: Se, por azar, as suspeitas que recaem sobre o indivíduo não se confirmarem após a necessária avaliação psiquiátrica… olha, azar!...
Azar o dele!
Deixem lá, não se preocupem com isso. Denunciem-no na mesma, e depois logo se vê.
Pensam que o tipo vos pode acusar de alguma coisa?
De quê? Difamação? Irregularidades processuais?
De o nome dele, afinal, nem ser António Carlos Mota Ferreira?
E o que é que isso interessa?
Bah! São coisas perfeitamente irrelevantes.
“Peanuts”, como dizem os americanos.
Anexos:
Da lei 36/98 (Lei da Saúde Mental)
Capítulo II
Do internamento compulsivo
Secção I
Disposições gerais
Artigo 8.º;
Princípios gerais
1 - O internamento compulsivo só pode ser determinado quando for a única forma de
garantir a submissão a tratamento do internado e finda logo que cessem os
fundamentos que lhe deram causa.
2 - O internamento compulsivo só pode ser determinado se for proporcionado ao
grau de perigo e ao bem jurídico em causa.
3 - Sempre que possível o internamento é substituído por tratamento em regime
ambulatório.
4 - As restrições aos direitos fundamentais decorrentes do internamento compulsivo
são as estritamente necessárias e adequadas à efectividade do tratamento e à
segurança e normalidade do funcionamento do estabelecimento, nos termos do
respectivo regulamento interno.
Secção III
Internamento
Artigo 12.º;
Pressupostos
1 - O portador de anomalia psíquica grave que crie, por força dela, uma situação de
perigo para bens jurídicos, de relevante valor, próprios ou alheios, de natureza
pessoal ou patrimonial, e recuse submeter-se ao necessário tratamento médico pode
ser internado em estabelecimento adequado.
2 - Pode ainda ser internado o portador de anomalia psíquica grave que não possua
o discernimento necessário para avaliar o sentido e alcance do consentimento,
quando a ausência de tratamento deteriore de forma acentuada o seu estado.
Artigo 13.º;
Legitimidade
1 - Tem legitimidade para requerer o internamento compulsivo o representante legal
do portador de anomalia psíquica, qualquer pessoa com legitimidade para requerer a
sua interdição, as autoridades de saúde pública e o Ministério Público.
2 - Sempre que algum médico verifique no exercício das suas funções uma anomalia
psíquica com os efeitos previstos no artigo 12.º; pode comunicá-la à autoridade de
saúde pública competente para os efeitos do disposto no número anterior.
3 - Se a verificação ocorrer no decurso de um internamento voluntário tem também
legitimidade para requerer o internamento compulsivo o director clínico do
estabelecimento.
Artigo 14.º;
Requerimento
1 - O requerimento, dirigido ao tribunal competente, é formulado por escrito, sem
quaisquer formalidades especiais, devendo conter a descrição dos factos que
fundamentam a pretensão do requerente.
2 - Sempre que possível, o requerimento deve ser instruído com elementos que
possam contribuir para a decisão do juiz, nomeadamente relatórios clínicopsiquiátricos
e psicossociais.
Texto completo da lei (em documento .pdf):
www.estig.ipbeja.pt/~ac_direito/LSMental.pdf
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deves estar a gozar comigo,
eu
quinta-feira, janeiro 17, 2008
(agora uma pequenina liberdade poética...)
Há por aí muitos que utilizam os poderes que lhe foram confiados...

como se usassem... um pente?
pois, sim: como se utilizassem este pente...

E isso é muito feio: o Poder não é um pente!
Sabiam?
(nas imagens: eu, fotografado por Miguel Nuno Vargas)
PS (que, como estou farto de vos dizer, significa post scriptum): a explicação está algures nos artigos que aparecem abaixo deste pequenino devaneio poético. Se, mesmo assim, não perceberem... ó meus amigos, que hei-de eu dizer-vos mais?...
terça-feira, janeiro 08, 2008
Imagine...

Imagine o leitor que alguém que não gosta de si (ou que está, apenas, chateado consigo) resolve fazer-lhe uma partida... digamos uma partida daquelas de Carnaval.
Imagine o leitor que essa pessoa é amiga de alguém que tenha um pequenino cargo numa instituição descentralizada do Estado, tipo... deixa cá ver... tipo delegada de Saúde do Concelho de Almada.
E imagine, já agora, que essa pessoa - que não gosta de si, ou que está chateada consigo - mete uma “cunha” à delegada de Saúde do Concelho de Almada para que esta titular de um cargo do Estado apresente num tribunal uma queixa contra si, vulgar cidadão, e isto porque... porque... Hum...aqui a coisa começa a complicar-se... Uma queixa contra si, porque... Porquê??? Alguém quer dar palpites?
Ora bem... parece que o caro leitor não cometeu nenhum crime, não é suspeito de ter cometido nenhum, nem sequer existem motivos para crer que você esteja a planear fazê-lo... Portanto, uma queixa (uma queixa da delegada de Saúde, não do Zé do bar da esquina, note-se) talvez não, talvez seja demais... mas (que tal esta dica, já que estamos a falar de saúde?) porque não apresentar um pedido a esse tribunal para que o caro leitor seja presente a uma consulta psiquiátrica? Pode ser uma boa forma de o intimidar, não lhe parece?
E porque havia o caro leitor de ser presente a uma consulta psiquiátrica? O caro leitor está com problemas comportamentais? Bem... vamos admitir que a pessoa que foi meter a “cunha” à delegada de Saúde do Concelho de Almada pensa que sim, embora não saiba muito bem como fundamentar essa suspeita (e passemos, por agora, adiante no que diz respeito aos problemas comportamentais – não fictícios mas, infelizmente, bem reais - dessa mesma pessoa que faz a queixa à delegada de Saúde).
Vamos, então, admitir que sim senhor, que o caro leitor até precisa de acompanhamento psiquiátrico (algo que até nem seria de estranhar, nos dias que correm, e numa sociedade onde os problemas se “resolvem” com medicamentos que “tratam” os sintomas sem atacar a origem da doença... no caso de se tratar mesmo de uma doença). Então, para que alguém peça a um tribunal que você seja levado a uma consulta psiquiátrica... bem... isso significa que o seu caso é grave, e grave de uma forma muito evidente!... Parece que você, caro leitor, tem problemas sério, que não só o afectam a si próprio,mas também aos que o rodeiam (e que, por essa razão, se sentem ameaçados pelos seus actos).
E parece também que você se andou a baldar: não foi às consultas que (devido ao seu comportamento) aqueles que lhe estão próximos, e "só querem o seu bem", lhe marcaram, ou – pior! - recusou que lhe marcassem consultas, acha que isso de consultas psiquiátricas é só para “os malucos”... (ou então está tão mal, anda tão fora da realidade, que nem consegue tomar as suas próprias decisões – mas, sinceramente, esta última hipótese é tão extrema que nem eu próprio não quero crer que seja esse o seu caso, estimado leitor).
Não é nada disso? Nunca lhe falaram, sequer, nessa hipótese de o leitor ir a uma consulta psiquiátrica? E, se não lhe fizeram tal proposta, você também não poderia ter recusado (como é óbvio, não, é?..), logo, não o poderiam obrigar a fazer algo que era apenas para o seu bem, mas que você recusa e, por isso mesmo, tem de ser levado à força!
Pois... Eu já calculava que não era nada disso! Mas então, como justificar o pedido à instituição judicial (e à policial, também) para que esta(s) tome(m) medidas preventivas contra si?... Bem, deixa ver por onde podemos pegar... Já sei: o sujeito (o prezado leitor) deve ser avaliado porque” lava muitas vezes as mãos, e não fala com ninguém” (é absurdo, como tudo o resto nesta história, mas vamos imaginar que é assim mesmo, sic – expressão latina que, como sabem, se traduz em português por “textualmente”) ... Além disso, diz que você, refractário leitor, recusa-se a ir a uma consulta, mesmo que não lhe tenham perguntado, nem proposto nada (parece que há pessoas que o conhecem melhor que você se conhece a si próprio, desprevenido leitor) portanto temos mesmo que o obrigar a ir, para que perca essas manias de lavar as mãos e não falar com ninguém (coisa que, calculo eu, a avaliar pelo que atrás ficou escrito, até nem é verdade – e, de resto, suponho que você até lava as mãos só naquelas ocasiões normais, como depois de ir à casa de banho ou antes das refeições... e não tem problemas em falar com as pessoas, mesmo que às vezes esteja farto de aturar gente parva).
Pequeno pormenor sem qualquer importância: sabe você, caro leitor, não pode chegar ao pé da delegada de Saúde do Concelho de Almada (ou de qualquer outro concelho) e pedir-lhe que accione o sistema judicial português (e uma força policial, e os bombeiros, e o sistema nacional de saúde...) para levar alguém a uma consulta psiquiátrica? Não pode, não senhor! Pelo menos, não o pode fazer com esse tipo de argumentos.
Sabia? Eu sei.
Sabia? Eu sei.
A delegada de saúde do Concelho de Almada também sabe (aliás, ela teve a amabilidade de me esclarecer esta dúvida, quando eu fui pesquisar algumas coisas para elaborar esta historieta - que já se sabe, só pode ser pura ficção... - e lhe perguntei se - imaginemos... - eu tivesse em casa alguém que colocasse sistematicamente em risco a sua saúde e a dos outros, poderia eu pedir à senhora delegada que fizesse entrar num tribunal um pedido para que essa suposta pessoa fosse intimada pelas forças policiais a apresentar-se numa consulta psiquiátrica). Foi-me respondido que, nesse caso, eu não o poderia fazer... Mas – lá está – isso é um pormenor que, se você for amigo (ou amigo de um amigo) de alguém que seja titular do cargo público, não terá importância absolutamente nenhuma. Como se viu neste caso – que, de tão estranho, só pode ser inventado, já se vê... (Deve ser por isso que se costuma dizer que um gajo sem amigos não é ninguém.)
Hummm... Depois de ler estas coisas, o caro leitor deve achar que, se calhar, quem precisa mesmo de acompanhamento psiquiátrico sou eu, que ando para aqui a disparatar alarvemente, não é?
Hummm... Depois de ler estas coisas, o caro leitor deve achar que, se calhar, quem precisa mesmo de acompanhamento psiquiátrico sou eu, que ando para aqui a disparatar alarvemente, não é?
Aliás, para inventar coisas tão parvas, tão absurdas, devo estar a delirar. Ou então estou drogado. Só posso!
Onde é que já se viu alguém chegar com argumentos desses a uma autoridade de saúde? Bem... se calhar até já se viu... Mas onde é que já se viu uma autoridade de saúde dar seguimento a uma “queixa” tão mal fundamentada? Nããão! Não pode ser!
Agora, só faltava que (imaginando nós que havia um tribunal disposto a acolher semelhante “queixa” sem fundamento) algum Meretíssimo Doutor Juíz resolvia dizer que sim senhor, o sujeito de quem se diz (diz-se, apenas, sem provas) lavar muitas vezes as mãos e não falar com ninguém deve ser notificado para ir a uma consulta de Psiquiatria, e que a notificação lhe deve ser entregue por uma autoridade policial – que, no caso do sujeito em questão – você, caro leitor - seria a GNR (Guarda Nacional Republicana).
Mas – melhor ainda – calcule que a delegada de saúde do Concelho de Almada, não sabendo o seu nome mas conhecendo a sua residência (vamos admitir que você se chama António Carlos Ferreira Vitorino, e mora na Rua Sopa de Urtigas, Lote 45, Bairro do Picapau Amarelo), pede ao tribunal que notifique um António Carlos Mota Ferreira, residente na Rua Sopa de Urtigas, Lote 45, Bairro do Picapau Amarelo (coisa que só poderia acontecer se esta história fosse real – e não pode ser, não é?), e o tribunal entrega à GNR uma notificação em nome desse António Carlos Mota Ferreira (que, pelo menos nesta história, não existe, como já vos expliquei).
Ainda melhor: e que tal se for interpelado pela GNR, na via pública, porque os dois agentes da autoridade, depois de muito olharem para si, ficam convencidos que você é mesmo a pessoa que eles procuram (repare o caro leitor que você, supostamente, não é suspeito de nada – porque não cometeu nenhum crime, tem o seu cadastro limpo, e nunca manifestou intenção de fazer nenhum acto ilegal - mas a GNR “identifica-o” visualmente na rua, como se tivesse a sua foto em algum ficheiro, ou como se alguém o tivesse apontado a dedo - ou seja, denunciado, por um crime que você não cometeu, não se preparava para cometer, e, aliás, nem isso sequer lhe tinha passado pela cabeça!) .
E então, perguntam-lhe se você é o tal António Carlos Mota Ferreira, residente na Rua Sopa de Urtigas, Lote 45, Bairro do Picapau Amarelo e se não se importa de os acompanhar até ao posto, onde têm um papel para você assinar, coisa que não demora nada e até o lhe dão boleia depois, de regresso ao local onde o encontraram – ou seja, à tal paragem de autocarro (o que siginifica também uma de duas coisas: ou eles são espertos e você, leitor, é estúpido; ou então convenceram-nos mesmo que iam levar um maluquinho ao hospital – o que deve ser mais ou menos a mesma coisa, não é?...)
Imagine agora, prezado leitor, que nesse dia você até estava sem documentos de identificação. Quer dizer: você assegurava que não senhor, o seu nome não correspondia ao da suposta pessoa que eles procuravam. E perguntavam-lhe, então, se a morada era a mesma. E o leitor, como não queria mentir à autoridade, respondia que sim, a morada correspondia, embora o nome fosse diferente. E, porque não queria ser acusado de resistir à autoridade, lá ía... assinar o tal “papelinho” e ficar à espera que os agentes o levassem de volta ao local onde o interpelaram (ingénuo leitor!...).
Coisa tão estúpida, não é? Obviamente, assim que o desprevenido leitor chegasse ao posto da GNR, tal excesso de zelo seria logo rectificado: você não tem o nome que está no tal “papelinho” (emanado pelo tribunal), portanto, o tal “papelinho” não seria válido, não é?
Afinal, vivemos num Estado de Direito, e mesmo que, por hipótese absurda, a delegada de Saúde tivesse pedido ao tribunal para emitir essa ordem (coisa que, nessas circusntâncias, não tem legitimidade para fazer), e se, por hipótese ainda mais absurda, o tribunal tivesse emitido tal ordem, ela não seria válida, porque a pessoa notificada não existe... pelo menos não existe naquela residência. Logo, o mais natural seria rectificar o erro, e mandar embora o “suspeito” (de quê?) identificado visualmente (como?) por engano. Seria, não seria?
Pois. Mas então, se em vez disso os agentes da autoridade “corrigissem” o seu nome, alegando que “se a morada era aquela, então você é a pessoa que procuramos”?
E então lá o faziam esperar, suponhamos que no posto da GNR da Trafaria, e – ah, pois, já me esquecia – sem nunca lhe dizerem exactamente onde o levavam (apenas “a uma consulta” – embora você, leitor, que não é estúpido, já tivesse percebido qual a “especialidade”).
E isso durante cerca de uma hora, sentado num banco de madeira, à espera de uma ambulância dos Bombeiros que tinha sido “fretada” expressamente para o levar (é que os bombeiros, tal como a GNR, tal como os tribunais, tal como a delegada de Saúde, não têm, aparentemente, coisas importantes com as quais se preocupar), a ver os senhores agentes embevecidos pelo serviço bem cumprido (levar um maluquinho ao hospital) e, ainda por cima, perguntando-lhe (pergunta retórica, já se vê...): “você sabe a que consulta vai, não sabe, senhor António?”.
Perguntará agora o caro leitor como terminaria esta história, se fosse real.Alguém que é levado, desta forma, escoltado por um elemento da GNR e dois bombeiros, a uma consulta de Psiquiatria (urgência psiquiátrica do Hospital Curry Cabral, em Lisboa, no dia 2 de Outubro de 2007), tem certamente problemas graves – mesmo que escreva num blogue uma historieta em jeito de auto-justificação, não é assim?
Será?
Imagine, caro leitor, que esta história tinha acontecido mesmo, e que tinha acontecido consigo (é tão absurda que parece não ser possível, mas, mesmo assim, imagine).
Você ficava, impávido e sereno, à espera que lhe fizessem a próxima?
Tive a honra de trabalhar, também, na primeira edição de uma revista de Economia!

Em Abril de 2002 eu, que não percebo nada de finanças (nem consta que tenha biblioteca), fui convidadado para integrar a primeira redacção da revista País Económico – uma publicação dirigida por Jorge Alegria (que tinha então terminado a sua parceria no projecto Sem Mais). Claro que aceitei: uma coisa são finanças, outra é Economia!
Eu, que até nem percebia muito nem de uma coisa nem de outra, lá fui - para aprender, trabalhando nessa matéria.
A minha passagem pelo País Económico foi, também, a oportunidade de voltar a trabalhar com o grande Armando Faria (um jornalista que, desde o tempo do Sem Mais Jornal, sempre conheci como meu chefe de redacção), e... Bem, foi mais que isso: foi fazer uma revista inteira “a meias” com ele. E foi estar um mês a morar em Setúbal (como se eu tivesse saudades dessa terreola, desse lugarejo...) em casa dele e da respectiva esposa (a quem, aproveitando o ensejo, quero saudar cordialmente).
Depois, por razões que não vou explicar agora para não vos dar seca (mas que talvez tenha de explicar mais tarde), fiquei, outra vez, sem condições para trabalhar. E pronto: até hoje nunca mais fui o mesmo (ainda experimentei tele-marketing e derivados, mas – contrariamente ao que acontece com a minha família mais “chegada” – eu cá não tenho jeitinho nenhum para enganar as pessoas).
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