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domingo, março 18, 2012

Vinho de Santa Comba nunca mais! Agora só cerveza!


A Câmara Municipal de Santa Comba Dão quer registar o nome "Salazar" como marca comercial. O primeiro produto a ser lançado com a marca do ditador será um vinho (produção típica da região), baptizado de "Memórias de Salazar" (notícia aqui).

Não. Não estou a delirar. Não é uma piada. Bem vindos a Portugal, em 2012, século 21.

Repugna-vos a ideia? Pois, também a mim.

Mas a verdade é que isto me dá o pretexto para vir aqui falar de uma coisa que me anda a atormentar. É que quanto mais eu vejo mais eu cismo que tudo é produto de consumo, tudo é apropriado pelo capitalismo.

Mesmo o que começa por ser revolucionário, anti-capitalista.

Querem um exemplo muitíssimo esclarecedor? Vejam o que se tem feito com a imagem de Ernesto Che Guevara.
Ora, se é assim com os símbolos revolucionários, como não havia de ser com os símbolos reaccionários? A nossa indignação é legítima. Mas parece-me que temos aqui uma boa oportunidade para pensar, também, se não teremos sido, todos (revolucionários incluidos) demasiado condescendentes - para não dizer cúmplices - com o consumismo.

É claro que isto - a apropriação pelo capitalismo daquilo que, à partida, lhe era adverso - merece uma abordagem mais séria. Por isso mesmo, espero voltar ao assunto no "post" que há-de aparecer por cima deste.

(E Sérgio Godinho que me perdoe os trocadilhos... Mas o tema estava a pedi-los.)

terça-feira, fevereiro 07, 2012

Na Suiça não há (ainda) salário mínimo nacional



Anda a circular na internet um gráfico no qual se compara o salário mínimo português com o de outros países europeus. Segundo esse gráfico, o país onde o salário mínimo nacional é mais elevado seria a Suiça.

Mas é mentira! Na Suiça não existe salário mínimo nacional! Quem fez aquele gráfico está a brincar convosco!

Os dados verdadeiros são os do mapa abaixo, com números oficiais, do Eurostat (Gabinete de Estatística da União Europeia).


Como se pode ver, na Suiça (e em vários outros países europeus) não está regulamentado nenhum salário mínimo nacional. O que existe, sim, são salários mínimos definidos para algumas profissões, e, de acordo com a informação que consegui recolher, apenas no cantão de Neuchâtel (julgo que em mais nenhum, mas corrijam-me se estiver errado).

E existe, também, uma proposta dos sindicatos suiços, para implementar no país um salário mínimo nacional de 3.261 euros. (Proposta que, em princípio, será referendada ainda este ano.)

Actualmente, sem salário mínimo estipulado, há grandes disparidades em termos de vencimento naquele país.

Citando o site swissinfo.ch "a média dos salários na Suíça é de 5979 francos suíços por mês, mas as nuances no cálculo da média fazem grandes diferenças.

Enquanto a maior parte dos trabalhadores em Neuchâtel ganham em média 5600 francos por mês, seus colegas de Genebra recebem 7000 francos." (Podem confirmar a notícia em http://www.swissinfo.ch/por/economia/Suicos_poderao_receber_salario_minimo.html?cid=31680054&rss=true)

Portanto, os números daquele gráfico são absolutamente mentira!

Mas porque haveria alguém de querer divulgar mentiras tão fáceis de desmascarar?

Se repararem bem, aquele gráfico vem de um site de entretenimento chamado Tá Bonito. Não cita fontes, não diz onde foi buscar a "informação", mas quer que as pessoas acreditem no que publica. Um site de piadas! Que tem como símbolo um macaco (de imitação?). Tá bonito, tá.

Porque o fizeram, não sei. Mas sei que, para um site comercial, não há nada como inventar uma polémica para ter mais visitantes - e, com isso, mais anunciantes e mais lucros.

E porque é que as pessoas que não têm nada a ganhar com os negócios desse site divulgam tais mentiras e as propagam até as transformarem num fenómeno "viral?

Bem, isso - a forma como a internet está a fazer com que as pessoas fiquem menos informadas e mais manipuláveis - merece uma análise mais aprofundada. Fica para outra altura.

segunda-feira, setembro 26, 2011

Estacionamento em Almada: quando a propaganda e a realidade vivem em mundos diferentes (parte 2)

(Nas fotos: Rua Leonel Duarte Ferreira, Almada, Setembro de 2011. O parque "Conde Ferreira" fica ao fundo desta rua; o parque da Capitão Leitão fica a cerca de 50 metros do local onde foi captada a imagem de cima e a menos de 150 metros de qualquer localização nesta rua.)

Chegou-me hoje à caixa do correio o boletim da Junta de Freguesia de Almada, em cuja contra-capa se encontra este delicioso pedaço de prosa poética:

"Inaugurou no dia, 1 de Junho o último dos 5 novos parques de estacionamento previstos para Almada, designado Parque Capitão Leitão, que será gerido pela ECALMA. O novo parque, à semelhança do Parque Conde Ferreira, em pleno coração de Almada Velha trará decerto grandes benefícios tanto aos residentes, como ao comércio local, aos que usufruem dos serviços e da oferta cultural desportiva, ou apenas ao convívio, das diversas colectividades que enriquecem esta zona, como aos que trazem os seus filhos à escola, como ainda aos turistas que nos visitam e que obrigatoriamente incluem a zona histórica no seu roteiro".

Eu moro na Rua Leonel Duarte Ferreira (rua do incorrectamete chamado "parque Conde Ferreira, em pleno coração de Almada Velha") e até gosto muito de poesia, como se sabe. Mas esta prosa poética é de muito mau gosto e dá vontade de rir, no mínimo. Porque a realidade que toda a gente encontra aqui, há muito tempo - antes, mas também depois da construção dos novos parques - é o que se vê na imagem acima. E Ecalma nem vê-la, na rua do seu próprio parque de estacionamento. Aliás, dizem até que têm "ordens superiores" para não intervir aqui!!!

Mas espera aí... Estou a repetir-me, não estou? Já escrevi isto antes (em Maio) não escrevi?

Pois. Mas o boletim da Junta de Freguesia de Almada também vem agora com a mesma conversa (corte e cola, praticamente) que publicou em Maio passado.

E a verdade - a tal realidade, que todos conseguem ver mas que alguns julgam que se pode tapar com uma peneira - é que o problema, em vez de se resolver, agravou-se! É para isto que se gasta dinheiro em parques de estacionamento: para aumentar - e incentivar! - a utilização ilegal dos passeios e ter às moscas o parque que foi pago com dinheiro de todos nós? E a Ecalma, afinal, serve para quê? (A propósito: continuo à espera de resposta a duas perguntinhas muito simples que fiz à Ecalma. E fiz essas perguntas no dia 25 de Agosto. Há um mês...)

São ceguinhos, perderam a noção da realidade, ou andam só a gozar com os munícipes?

terça-feira, março 22, 2011

O que é isto?



Uma carrinha da Misericórdia de Almada estacionou esta tarde no passeio em frente a minha casa. Porquê? Eu não os chamei! Parece que os vizinhos também não... E tenho a certeza que, se procurassem, encontravam lugares de estacionamento legal mais perto do local onde foram - supostamente... - dar apoio domiciliário.

"Lugares de estacionamento legal" são, caso não tenham entendido: os 2 parques grátis à superfície que existem aqui e, na falta de lugares nesses, o parque subterrâneo da ECALMA, que fica nesta mesma rua. Nos passeios é que não pode ser, diz o artigo 49 do Código da Estrada! E não abre exceção nenhuma para carrinhas de apoio domiciliário, mesmo que tenham um papelinho no pára-brisas a dizer que estão "em serviço" (não estão a fazer transporte de doentes, pois não? então? é preguiça de andar um bocadinho desde o estacionamento até à residência onde vão dar apoio?)

Eu sei que este pessoal se está a borrifar para as regras (para o código da estrada, neste caso): é frequente ver carrinhas desta instituição, nesta rua, em cima dos passeios mesmo quando há 3 parques de estacionamento aqui perto (e já os vi também noutra rua e noutro passeio: confirmem aqui).

Mas, se não têm emenda, pelo menos não voltem a faze-lo à minha porta, ok? Agradeço.

PS: Se alguém com responsabilidades nesta matéria tiver interesse, pode pedir-me o vídeo que fiz na mesma ocasião, com o qual demonstro que existiam mesmo lugares de estacionamento legais e vagos, naquele momento, e que não precisavam de meter a carrinha em cima do passeio. Não quero que vos falte esclarecimento nenhum.

segunda-feira, novembro 01, 2010

Que bom não há ECALMA (nem polícia, pelos vistos...)!


Neste fim de semana prolongado, os passeios e a zona pedonal de Almada foram invadidas por carros. (Suponho, então, que a facturação dos comerciantes da cidade - os tais que reivindicam a reabertura ao trânsito da zona pedonal - tenha aumentado em flecha... mas adiante.)

Desde sábado, há carros estacionados por todo o lado onde o estacionamento é proibido. E hoje, dia 1 de Novembro, há até um que armou banca na Praça do MFA: estacionaou ali a viatura, abriu a porta de trás e fez dela um ponto de venda de legumes!
O descaramento é tanto, que nem me parece necessário acrescentar mais nada.

A não ser um pequenino pormenor (sem importância nenhuma, já se vê):

"É proibido parar ou estacionar:

f) Nas pistas de velocípedes, nos ilhéus direccionais, nas placas centrais das rotundas, nos passeios e demais locais destinados ao trânsito de peões"

Código da Estrada, artigo 49º Proibição de paragem ou estacionamento (cf aqui).

Não sei que parte de "é proibido parar ou estacionar" e "nos passeios e demais locais destinados ao trânsito de peões" esta gente toda não entende.
Sei, sim, que estou muito farto da falta de civismo e da esperteza saloia que, principalmente nos últimos anos, anda a proliferar na minha cidade!

sábado, outubro 30, 2010

domingo, maio 30, 2010

Um "esforço patriótico e nacional"?


Num tempo em que o Governo impõe medidas de austeridade, e em que o próprio primeiro-ministro, José Sócrates, veio pedir a todos um esforço "patriótico e nacional" (leia-se: apertar o cinto), a revista Sábado teve a feliz e brilhante ideia de fazer algumas contas às despesas do Estado (Governo, autarquias e Assembleia da República).

Vale a pena ler, para concluir, por exemplo, que em 2006, o gabinete de José Sócrates "tinha gasto 219 mil euros em comunicações móveis; este ano pagou 63 mil euros em flores naturais para a sua residência oficiaL, mais 43.800 euros que em 2009".

Adianta ainda a Sábado que "todo o Estado" gastou em 2008 "90,8 milhões de euros em combustível para utilizar nos seus 29 mil carros. Agora serão 29.006: em 2009 e 2010, o Banco de Portugal pagou à BMW mais de 210 mil euros por seis veículos". Lendo o artigo ficamos a conhecer, também, as despesas do Estado (e do Governo, em particular) com assessorias e consultorias, estudos e pareceres (mais que muitos...) efemérides e brindes...

Tudo isto apenas no que diz respeito a ajustes directos.

É óbvio que cortar nestas despesas não seria o suficiente para resolver a crise. Mas que dava uma ajuda, lá isso dava.

E era um bom exemplo. Assim, já poderíamos fazer o mesmo "esforço patriótico" que eles fazem e não apenas o que nos dizem para fazer. Se o fizessem...

quarta-feira, setembro 30, 2009

EU NÃO ACREDITO EM VAMPIROS MAS LÁ QUE ELES EXISTEM EXISTEM ou breve relato de como a Câmara de Évora foi indrominada pelo "Príncipe da Transilvânia"

Mais um facto extraordinário, relatado na edição de hoje do Diário de Notícias e aqui reproduzido, com a devida vénia.

Burla

Era o 'príncipe da Transilvânia' que ia investir e acabou preso

por LUÍS MANETA


Tristan Gillot garantia às autarquias que tinha dinheiro para fazer fábrica e oferecer centenas de postos de trabalho. As autarquias acreditaram. A PJ não

Apresentou-se em Évora como o "príncipe da Transilvânia" e com um ambicioso projecto nas mãos: uma fábrica de construção aeronáutica que iria permitir a qualquer português comprar um pequeno avião. A fortuna de milhões de euros, que garantia ser herança de família, serviria de garantia bancária. A autarquia acreditou, motivada pelos futuros postos de trabalho na região.

Mas o banco onde entrou o processo não foi na conversa. E o "príncipe" acabou esta semana por ser preso.

A elegância, a conversa e a suposta fortuna de Tristan Gillot, um belga de 38 anos, foram suficientes para convencer a Câmara de Évora a aprovar, a 13 de Julho de 2005, a cedência de 2688 metros quadrados à Falcon Wings. Esta seria a empresa, de capitais belgas, que iria construir a fábrica.

A autarquia justificou a decisão com o facto de a empresa ir criar 300 postos de trabalho. Um mês depois, na cerimónia de apresentação do projecto, era garantido um investimento ainda maior e uma garantia de 2500 postos de trabalho.

A mesma proposta, segundo a PJ, foi feita posteriormente noutras zonas: Arraiolos, Covilhã e finalmente em Ponte de Sor. A fábrica nunca chegou a ser criada porque "duas entidades bancárias nacionais, aquando da tentativa de ali serem negociadas duas garantias nos montantes
de 500 milhões de euros e de 60 mil euros, respectivamente", expuseram a suspeita à Polícia Judiciária.


Notícia completa aqui:
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1376552&seccao=Sul


Uf... Pronto, já acabei de rir.

E nem vou comentar muito. Só notar que isto aconteceu numa autarquia liderada por um político que até me causou boa impressão, em 2000 - era eu jornalista no Jornal D'Hoje, de Portalegre, e José Ernesto de Oliveira presidente da Comissão Cordenadora Regional do Alentejo. Num
distrito em que o PS tinha 10 de 15 câmaras e - já nesse tempo - muitos tiques de autoritarismo, o presidente da CCR parecia destacar-se pela positiva (e também por ser um político inteligente). Afinal, parece que bastou um "Príncipe da Transilvânia" (terra do Conde Drácula, como se sabe) e um mandatário belga bem vestido e bem falador para que a edilidade caisse no conto do vigário.

Enfim... É o Portugal possivel. ou não?

(Nota final: a imagem é daqui; o título que escolhi para este artigo é, obviamente, uma piada... ou não)

quinta-feira, setembro 24, 2009

Estão a gozar, certo? Não estão? É mesmo notícia? E logo no DN? Eh lá! Então deve ser a sério!


Candidato do CDS em Moura apanhado a furtar palha

Um candidato do CDS-PP à Câmara Municipal de Moura, de seu nome Pedro dos Reis, foi detido sexta-feira pela GNR por, alegadamente, estar a furtar palha numa herdade localizada na periferia da cidade alentejana, avançou ao DN fonte da Guarda, acrescentando que o homem, de 63 anos, foi interrogado e constituído arguido, ficando a aguardar em liberdade o desenrolar do processo.


A cabeça de lista e presidente da distrital de Beja do CDS, Sílvia Ramos, confirma o envolvimento do seu "número 3" no caso, mas diz que isso não a fará alterar a composição da lista.

"A minha decisão é simples. Somos democratas-cristãos e está explícito na Bíblia que quem nunca pecou que atire a primeira pedra. Não é por meia dúzia de fardos velhos que vamos tirar a pessoa da lista, neste momento. Cabe à Justiça e a Deus julgarem o acto", diz a líder centrista em Beja.

Fonte: Diário de Notícias

Ora bem: Anda aqui um gajo a armar-se em humorista, para quê? Depois de ler notícias destas, o melhor é desistir!


E desculpem lá, mas eu estou ainda a rir. Por isso não consigo fazer mais nenhum comentário a isto.


(A propósito, demos o seu a seu dono: a foto foi copiada também do site do DN)

quarta-feira, agosto 26, 2009

Julgava eu que Almada era uma ditadura comunista... O Seixal é pior, livra!


Nas Festas de Corroios há um espaço destinado à propaganda política. O espaço é igual para todos (3 metros e meio de frente), mas o PS queria este ano um tratamento privilegiado (parece que precisava de um "stand" maior, com 6 metros de frente).

A organização da festa não fez a vontade aos "socialistas", e estes não foram de modas: em vez de uma banca política, montaram, no espaço que lhes estava destinado, um protesto cénico. Porque, afirmam, o PS foi «impedido de participar nas festas» pela «ditadura comunista» que governa o Seixal. Portanto, o PS participa só para denunciar que não o deixaram participar, certo? Pronto, está bem... quem sou eu para contradizer tal lógica?

Aqui está, então, uma imagem do festivo protesto "socialista", no espaço de 3,5 metros de frente, entalado entre as bancas do Bloco de Esquerda e do PCP (facto que devia ter qualquer coisa de simbólico, mas deixemos isso...), também elas com o mesmo espaço, e... Mas esperem aí, há qualquer coisa que não bate certo!

O PCP tem, além do espaço político, um restaurante com esplanada! E depois um bar, da JCP! O espaço político é igual ao dos outros, mas tem, além disso, também restaurante! E bar! E esplanada! É injusto, sem dúvida! Convenhamos que, hoje em dia, não se faz política que não passe pelo restaurante. Ou pelo bar...

Ok, começo a perceber a razão do protesto "socialista". Mas parece que há mais. Deixa cá ler o folheto que eles distribuiam à entrada do recinto (no lado de dentro, note-se) da festa na qual foram impedidos de participar pela "ditadura comunista"...


Portanto, pediram um espaço com 6 metros de frente, no dia 1 de Abril, e não obtiveram resposta... Adiante, para não cair na tentação de fazer piada com isso (os "comunas" também fazem piadas, de vez em quando...).

Como não lhes deram o tal espaço, não podem participar, nas festas de Corroios, com «o stand com que esteve em todas as festas do concelho, porque este tem 6 metros de frente» (esclarecimento para quem não conhece a zona: "este tem 6 metros de frente" refere-se, por estranho que pareça, ao stand do PS, não ao concelho do Seixal). Se o PS não tem espaço e não pode participar, a culpa é da "ditadura comunista" no Seixal.


Mais uma vez, a lógica é irrefutável. Vejamos: o concelho do Seixal é governado pelo "PCP/CDU" (sic); o PS esteve em "todas as festas do concelho" com o mesmo stand; mas em Corroios - freguesia do Seixal, também dirigida pelo "PCP/CDU" (sic), deram-lhes um espaço para stand de divulgação política igual ao que é dado aos outros partidos; portanto, o PS foi prejudicado pela Junta de Freguesia de Corroios, que não lhes cedeu o espaço pretendido - o que nos leva à conclusão que, não podendo o PS participar, em Corroios, com o stand que apresentou nas outras festas do mesmo concelho (governado pelo mesmo partido que tem a maioria na Junta de Corroios) foi prejudicado em Corroios mas não no restante concelho (onde apresentou sempre o mesmo stand que não pode apresentar agora em Corroios), logo, o Seixal (não Corroios) é uma "ditadura comunista"!


Brilhante silogismo! Nem Sócrates se lembraria dessa! (Um sofista desenrascado talvez, mas Sócrates não me parece...)


É claro que eu estou a brincar com coisas eventualmente sérias. Não sei qual era o stand com que o PS participou "em todas as festas do concelho". Teria restaurante? Bar? Esplanada? Ou outra coisa qualquer - algo politicamente relevante, por exemplo - que justificasse um tratamento diferenciado relativamente aos outros partidos que participam este ano nas Festas de Corroios? Eles (PS) não explicam e eu, que não sou bruxo, não consigo adivinhar.

Fico, no entanto, mais descansado por ver que o PS considera existirem, em todo o mundo, apenas duas "ditaduras comunistas" - a saber: Coreia do Norte e Seixal. Pensava eu que Almada fazia parte desse eixo do mal. Mas pronto, parece que afinal não faz. «Ditaduras comunistas só na Coreia do Norte e Seixal», afirma o PS. Ora, se o PS o diz... Uf, que alívio!

domingo, junho 14, 2009

É a aritmética, estúpido!

Ora aqui está uma das anedotas políticas mais engraçadas dos últimos tempos: o PS perdeu cerca de 9 mil votos em Almada (!) mas, mesmo assim, "canta vitória"!

E "canta vitória" porquê? Bem, parece que é porque conseguiu ser o partido mais votado neste concelho. O PS - que é, há muitas eleições, o partido mais votado em Almada - perdeu 9 mil votos, e ainda assim "canta vitória"? Pois, parece que sim...

Ou seja: nestas eleições, o PS teve resultados desastrosos, mas lá conseguiu ser o partido mais votado em alguns, poucos, concelhos (Almada incluida). E parece que isso é uma vitória!

Eu não sei se isto é não saber fazer contas, tentar atirar poeira para os olhos ou tentar tapar o sol com uma peneira.

Sei, sim, que o PS levou uma "tareia" histórica em quase todos os concelhos do distrito: em comparação com as eleições de 2004 para o Parlamento Europeu, perdeu - para a CDU, já agora (que, já agora, aumentou a sua votação em quase todos os concelhos, incluindo Almada) - os de (por ordem alfabética) Alcácer do Sal, Alcochete, Barreiro, Grândola, Moita, Palmela, Santiago do Cacém, Seixal, Sines. Sim, perdeu a "liderança" nesses todos, e logo para a CDU!

O PS manteve o "estatuto" de partido mais votado em 4 concelhos do distrito (em 2004 tinha vencido em todos os 13 concelhos, note-se!), nos quais, mesmo assim, sofreu perdas significativas: em Almada (onde desce de 44% para 28%), no Montijo (desce de 46% para cerca de 26%), em Sesimbra (de 44% passa para 24%), e em Setúbal (onde desce de 44% para 23%).

Em Almada - concelho que, repito, o PS ganha sempre, exceptuando as autárquicas - perdeu agora em comparação com todos os partidos, ficou a 2 mil votos da CDU (há 5 anos tinham ficado 12 mil votos à frente...). Mas "canta vitória"!

Permitam-me, muito humildemente, fazer a pergunta que se impõe: perder 9 mil votos e obter em Almada um dos piores resultados de sempre é uma vitória?

Não me parece. Aliás, como dizia o outro, é uma questão de fazer as contas.

Recorrendo, por exemplo, aos resultados oficiais destas eleições. E comparando-os com eleições anteriores (europeias, legislativas e autárquicas).

Tudo disponível, para que ninguém fique com dúvidas, num site do Ministério da Justiça português.

Aqui:

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Violência na escola e internamento compulsivo ilegal


Manhã de quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009. (Estamos, portanto, no século 21, somos todos muito civilizados e evoluídos, não somos?)
Eu a preparar-me para sair de casa e a ver, num programa matinal da TVI (com o qual até nem simpatizo muito, confesso) a exposição de dois casos que só não me surpreendem porque conheço outros semelhantes.

No Monte de Caparica, numa escola, uma menina foi espancada - durante duas horas ! - por colegas. Bateram-lhe brutalmente, deixaram-na a sangrar e, como isso não lhes bastava, humilharam-na mais um bocadinho enchendo-lhe a boca de lama. Durante duas horas, numa escola pública, uma criança foi espancada e ninguém reparou no caso!!!
A menina agora tem medo de ir à escola.
E o castigo que a escola dá aos agressores é... uns dias de suspensão!

(Trocando em miúdos: bate à vontade que ninguém te chateia por isso e até te deixam baldares-te às aulas! Porreiro, pá!)

Mais à frente, no mesmo programa da TVI, aparece uma senhora que foi internada compulsivamente num hospital psiquiátrico. Porquê? Diz ela, a senhora que isso aconteceu porque teve uma discussão com o marido. Uma discussão violenta, da qual resultaram agressões mútuas. Só que - diz a senhora - o marido é psiquiatra. E - diz a senhora - o marido ter-se-á aproveitado disso para fazer uma "avaliação clínica" da esposa, apresentá-la a uma «delegada de saúde» (sic do que foi dito no programa da TVI) e esta, logo no dia seguinte, terá emitido um mandado de condução para internamento compulsivo. Fundamentado num (suposto) parecer (supostamente) clínico de alguém que, por acaso, até era o marido da senhora - foi a história que contaram nesse programa da TVI.

O jornalista que apresentou este caso levou ao estúdio também um psiquiatra - que, suponho eu, não era o marido da senhora - o qual explicou que existe em Portugal uma lei (a lei nº 36/98, de 24 de Julho, ou Lei de Saúde Mental) que permite, sim senhor, o internamento compulsivo de pessoas com anomalia psíquica grave, mas não dessa maneira - não porque alguém diz que fulano (ou fulana) tem uma anomalia psíquica grave, em consequência da qual está a ameaçar a integridade física, sua e de outros, e/ou bens patrimoniais, seus e/ou de outros, e que (outra condição, concomitante, para accionar a lei) terá recusado a assistência médica, psiquiátrica, que lhe terá sido proposta.


Como Portugal ainda não é "o da Joana", é preciso provar essas alegações. E prová-las não é mencionar supostos relatos sobre o estado psíquico do sujeito e sobre a sua suposta perigosidade: é avaliá-lo previamente, com base em relatórios clínicos ou em avaliação, clínica, feita pelo(a) delegado(a) de saúde, após observar o sujeito em questão. O que, no caso da senhora, não terá acontecido (a menos que consideremos como válida uma "avaliação" feita pelo marido da senhora - psiquiatra com certeza - após uma discussão conjugal).

Portanto - explicava o psiquiatra convidado pela TVI para analisar o caso (não o psiquiatra marido da senhora) - quem determinou esse internamento agiu de forma ilegal.

Isto foi o que eu vi, ontem de manhã, num programa da TVI. Não me vou alongar mais sobre o assunto. Já disse antes - mais abaixo neste blogue - o que tinha a dizer. Outras coisas, que talvez não sejam para dizer aqui, denunciei-as a "quem de direito". O resto, di-lo-ei mais adiante.
E sim, tem tudo a ver...

segunda-feira, outubro 20, 2008

Ai levavam, levavam!


Aqui em Portugal a malta aborrece-se facilmente.

Ainda há meia dúzia de semanas andava tudo em pânico com a vaga de criminalidade (não sei se devia ter posto isto entre aspas...) mas entretanto rebentou a bronca da grande fraude neo-liberal e pronto, agora anda tudo em pânico com a possibilidade de a crise dos mercados financeiros afectar a economia real e, consequentemente, o mundo entrar em recessão (não sei se devia pôr o mundo entre aspas, mas fica assim...). E o pessoal, que andava todo entretido com o consumo fácil (e desmiolado) ver-se de repente nas lonas...

Bem, mas isso também é matéria um bocado chata. A gente até vai aprendendo umas coisitas de economês e tal, mas, sinceramente, é aborrecido estarmos sempre a ouvir as explicações (entre aspas?...) que nos tentam impingir, não é?

A nossa sorte é que ainda temos por cá uns humoristas a inventar piadas jeitosas. Por exemplo, aquela do orçamento e da pen... Foi muito engraçada, não foi? (Claro que a gente não faz ideia do que é essa treta do orçamento - mas todos sabemos o que é uma pen. Logo, todos nós entendemos a piada, não?)

Então e o Magalhães? É a nova piada nacional, não é? Pelo menos os professores fartaram-se de nos fazer rir com os vídeos que colocaram no Youtube a gozar com o Magalhães.

Quando falo em Magalhães refiro-me ao computador, como é óbvio. Porque o outro, o navegador, a gente sabe lá quem foi o gajo! Mas também, para que é que havíamos de saber? E se não soubermos, acontece o quê? Não vamos levar reguadas, pois não? Isso já não se usa! Nem isso nem qualquer tipo de punição, senhores!

Aliás, nem isso, nem qualquer tipo de exigência, pelos vistos. Exigir é muito mau: deixa as criancinhas traumatizadas.

Embora, no que respeita a este caso dos docentes malcriados, eu até imagino uns certos quadros superiores de uma(s) certa(s) direcções regionais de educação a desejar que o Magalhães tivesse mesmo a "drive" da palmatória. Era dar-lhes umas valentes reguadas, a ver se ganhavam juízo, essa malandragem de professores. A eles e aos jornalistas. Aliás, agora que penso nisso, era principalmente aos jornalistas, esses energúmenos que estão sempre a empolar casos pontuais...


Ai levavam, levavam!!!...

Mas isto sou eu que devo ter uma imaginação muito fértil...

(O cartoon é de Pedro Alves e encontra-se na edição número 4 da revista "Ópio" - Janeiro de 2001. A revista "Ópio" era uma publicação do Conselho Municipal da Juventude de Almada. E, de certa forma, foi a antecessora da actual "P'Almada".)

sexta-feira, abril 18, 2008

Um bocadinho menos de arrogância, é possível?

Aqui há uns dias, ia eu muito descansado da vida a caminho do meu local de trabalho, eis senão quando o autocarro que me transportava é impedido de prosseguir viagem, no sentido ascendente da Avenida D. Nuno Álvares Pereira, em Almada.

Por ordem da polícia, os veículos que seguiam naquele sentido, foram obrigados a retroceder. O autocarro – grande demais para fazer inversão de marcha – fica ali parado e despeja, naquele mesmo lugar, os passageiros.

Bem… até aqui nada de extraordinário - digo eu – porque, estando aquela avenida em obras (bem, não é só aquela… mas adiante), é natural que, em casos excepcionais, se tenha de cortar o trânsito durante algum tempo.

Tal pode perfeitamente acontecer se, por exemplo, algum trabalhador, por falta de informação, ou por distracção, rebentar acidentalmente com uma conduta de gás.

Parece, aliás, que foi isso mesmo o que terá acontecido, naquela ocasião. (Era o que se dizia – eu não confirmei, mas não tenho razões para desconfiar do que se dizia.) Percebe-se, então, que os responsáveis pela segurança, da obra e dos cidadãos que por ali circulam, tomem as devidas precauções: neste caso, cortar o trânsito e impedir o acesso a “quem não é da obra”.

Por isso mesmo é que eu – que por acaso até ia a caminho do trabalho - tive o cuidado de fotografar mas mantendo a devida distância e (notem bem) até esperei que estes senhores que aqui aparecem estivessem todos de costas, para não os identificar (não fosse algum deles ficar melindrado e perguntar-me se eu era “da obra”…).

Bem… isso não me serviu de nada. Porque (reparem bem na imagem) os senhores da obra não deixam escapar nada, nadinha mesmo: estão a ver como eles olham para o fotógrafo?
Cliquem na imagem e reparem bem.

Viram? Perceberam?
(Não queiram é saber as coisas bonitas que eles disseram sobre o fotógrafo, porque isso não vos vou contar.)

O caso resume-se, então, assim: eles fazem asneira, num local público, numa obra pública, mas ninguém pode ver. Sabe-se lá se aquilo ainda vai para a internet. Ou, se calhar, para algum jornal – o que ainda deve ser pior.

E tanta arrogância, afinal, para que ninguém veja o quê?

Para que ninguém veja isto?


Esta coisa que, afinal, até era tão fácil de fotografar (a partir do momento em que restabeleceram a circulação na avenida)?

Ai, ai!... Haja paciência!...

sexta-feira, abril 04, 2008

E a culpa é… dos jornalistas, como sempre!


Ainda a propósito do famoso “caso do telemóvel”, diz esta senhora, Margarida Moreira – directora regional da Educação do Norte -, num debate promovido pela RTPn, que há ali matéria para incriminar alguém, mas não são os alunos: são os jornalistas.

E porquê?

Porque, de acordo com esta senhora, Margarida Moreira - directora da DREN -, a divulgação, nos canais de TV portugueses, daquele vídeo em que uma turma inteira “enxovalha” a professora, demonstra uma enorme falta de respeito pela privacidade - dos alunos, e da professora.

E, por expor dessa forma tão despudorada, a “privacidade” dos “protagonistas” do vídeo, tal acção (a divulgação, pelos jornalistas, nos noticiários televisivos) merece ser criminalizada.

Portanto (concluo eu), enquanto a coisa passou “apenas” no Youtube, “só” como uma piada, e enquanto, no Youtube, a humilhação da profesora foi vista por “não mais” que “alguns, poucos” milhares de pessoas – aí não havia problema nenhum; e, se o houvesse, seria resolvido na própria escola, como um caso pontual, e ficava tudo na paz dos anjos.

A partir do momento em que esses malandros dos jornalistas, alertados pelo “sucesso” que o vídeo estava a obter na internet, agarram no caso e o transformam em notícia, dando assim o pretexto para um debate (que está a decorrer, a nível nacional) sobre a violência nas escolas portuguesas… aí passa a ser um caso de polícia – em que o infractor não é quem agride, mas quem mostra a agressão.

Ou seja (digo eu): quando as coisas correm mal, a gente disfarça; se não der para disfarçar, mata-se o mensageiro das más notícias – e pronto, com isso disfarça-se na mesma o problema!

E tudo isto até seria perfeitamente ridículo se quem defende esta posição não fosse uma responsável de um organismo do Estado, não eleita mas nomeada pela Administração Central, logo, com evidentes responsabilidades, se não na definição das políticas para o sector (que são o que se sabe, com os resultados que estão à vista), pelo menos na sua aplicação prática.

Isto é o que eu penso. Mas, se calhar, é melhor guardar começar a guardar estes pensamentos só para mim.

É que, como sou jornalista, faço parte dos suspeitos do costume, já se sabe…

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Era só o que faltava!!!


Os Transportes Sul do Tejo (TST) são a pior empresa de transporte colectivo de passageiros que conheço.
E conheço-os há muito tempo: desde que a empresa existe!

Ao longo dos anos (muitos) que levo de utente dessa empresa, vi-os terminar com carreiras (suburbanas, principalmente), deixar degradar a frota (e comprar carros que, nos países de origem, certamente só serviriam para sucata – mas apresentando essas aquisições como “renovação da frota”), vi-os estender a sua área de influência – que era Almada e Seixal – primeiro a Sesimbra (onde já operavam, mas ficaram sem concorrência, quando compraram a Covas e Filhos, em meados dos anos 90) e, mais recentemente, ao sul da Península de Setúbal (onde operava a Belos Setubalense), ficando assim com um quase exclusivo (apetece-me dizer monopólio, mas não posso…) do transporte rodoviário colectivo de passageiros na região.

Temos, portanto, uma única empresa de camionagem a servir-nos (a excepção é a Transportes Colectivos do Barreiro) – e, até por isso mesmo (por não termos alternativas) merecíamos ser melhor servidos. Não é?

Merecíamos, por exemplo, que os motoristas da empresa cumprissem os horários – em vez de saírem adiantados, como acontece muitas vezes, principalmente nas últimas carreiras da noite.
(Ah, e não venham cá com a piada da “pontualidade britânica”. Antes de pertencerem ao Grupo Arriva, eram do Grupo Barraqueiro – e vou, por agora, fingir que não acredito na hipótese de os dois grupos estarem “feitos” um com o outro – e, já no tempo dos “barraqueiros”, estes TST se adiantavam, sistematicamente, ao horário de saída das carreiras.)

Merecíamos que não fizessem de nós, utentes (que lhes pagamos, e bem!... ; se a empresa, por acaso, não lhes paga o suficiente, a culpa não é nossa!) objecto da habitual brincadeirinha que é ver-nos a aproximar de um autocarro estacionado numa paragem e arrancar precisamente quando começamos a correr para o tentar apanhar – deixando-nos apeados, como é bom de ver.

Eu estou capaz de apostar que qualquer cliente dessa empresa entende muito bem o que estou a dizer!

É que dificilmente alguém terá escapado a essas faltas de respeito.

(Só com muita sorte… assim tipo Gastão… Mas não me parece: o Gastão é um personagem de Banda Desenhada, o primo do Pato Donald, conhecem?...)

Mas sei, também, que este estado de coisas não muda enquanto os utentes (apetece-me dizer “as vítimas” e, se calhar, até posso) não reclamarem.

Pois bem: eu tenho reclamações a fazer.

No espaço de um mês, vi passar no centro de Almada três autocarros a horas a que, supostamente, deviam ter acabado de sair de Cacilhas:

- de 2 para 3 de Janeiro, o autocarro das 2h50 para a Costa de Caparica passa na Avenida Afonso Henriques… às 2h50 (sem comentários…)

- 3 de Fevereiro: os autocarros que, supostamente, saem de Cacilhas às 22h20, passam pela Avenida D. Nuno Álvares Pereira às 22h22 (feito notável: dois minutos para fazer aquele percurso!)

- nessa mesma noite (3 de Fevereiro), no terminar rodoviário de Cacilhas, o autocarro das 22h45 para a Trafaria está para sair. Eu vejo-o na paragem, começo a correr e… pois, adivinharam – é nesse momento que ele arranca. E estava na hora para sair? Não, não estava! Pelo menos a avaliar pelo meu relógio e – por acaso… - pelos relógios dos passageiros que aguardavam na paragem ao lado (e que comentaram o óbvio, ou seja “eles fazem sempre isso…”). Ou seja (para o caso de alguém não ter entendido), o zeloso motorista dos TST saiu adiantado e, como se isso não lhe bastasse, aproveitou para fazer a clássica brincadeirinha da empresa: o gajo que corra, se quiser, mas fica apeado na mesma!

Estão a ver? Três casos no espaço de um mês! E dois deles na mesma noite!
Mas isto ainda nem sequer é o melhor! Ai não é, não senhor!!!

O melhor é que, apesar do mau serviço que prestam, alguns funcionários da empresa julgam que têm o rei na barriga e que podem gozar com os utentes – não já com as “brincadeirinhas” do costuma, mas mais descaradamente e de forma ainda mais arrogante.

Só assim se entende a história que vos conto a seguir.

No sábado, 2 de Fevereiro, entro no autocarro que faz a carreira Cacilhas – Trafaria, das 13h20 e, como habitualmente, e normalmente, mostro o meu passe social… E ouço, então, o jovenzito motorista dizer, num tom de voz arrogante:

“VÊ LÁ SE COMPRAS OUTRO PASSE!”

Quando me apercebi que o jovenzito estava a falar comigo (bem, não foi muito difícil… apesar de eu ser um bocadinho lerdo, como vocês – que me conhecem tão bem – sabem, não é?..., o tom de voz arrogante não deixava margem para dúvidas), voltei para trás e, sem lhe dirigir a palavra, mostrei-lhe o “lado B” do passe, ou seja, aquele onde está inscrita a data-limite de validade (que é Setembro de 2009 – o que, como é fácil de entender, significa que está válido durante um ano e mais alguns meses: é questão de fazer as contas).
Ora bem: isto seria suficiente para o arrogante jovenzinho, no mínimo, mudar o tom de voz, não vos parece?
Pois, não foi nada disso o que aconteceu. Pelo contrário, diz ele que:

“ISSO DE ESTAR DENTRO DO PRAZO PARA MIM É GRUPO!”

Ora, apesar de estar habituado a faltas de respeito por parte dos funcionários dos TST, essa deixou-me perplexo!

Será que o jovenzito (que, note-se, tinha idade para ser meu filho) acha mesmo que pode falar assim com um passageiro (que, note-se, nem lhe dirigiu a palavra), ainda por cima num autocarro que ia apinhado de gente?

Terá o jovenzito alguma “comissão” por cada novo passe que a empresa emite? (Ah, a propósito: se o meu passe está algo danificado – mas ainda muito legível, e muito dentro do prazo de validade – isso deve-se, principalmente, ao facto de a plastificação vir já com defeito de origem. E a origem, qual é? Pois, exactamente: os serviços dos TST, no Laranjeiro!)

Mas, dada a arrogância com que as tais frases foram ditas, outra pergunta se impõe: estaria o jovenzito… hããã… como hei-de dizer isto?… num estado de consciência ligeiramente alterado?... Ou é, apenas, malcriado com os utentes (que lhe pagam o ordenado)? Seja qual for o caso, é grave, visto que se trata de um funcionário de uma empresa que lida com passageiros – ou seja: que os transporta! É grave e terá de ser resolvido.

Como disse, o passe foi mal plastificado (e eu não protestei – tal como não tenho protestado perante muitos maus serviços que aquela empresa tem prestado ao longo dos anos). Portanto, se eu tiver mesmo que comprar um novo, tudo bem (espero é que venha em condições de resistir a uma utilização normal até ao fim do respectivo prazo de validade, ok?). Mas não será um jovenzito arrogante quem me vai dizer o que tenho que fazer – e muito menos daquela maneira! Entendidos?

Eu apresentei já uma reclamação, no site dos TST:

http://www.tsuldotejo.pt/

Que tal fazermos todos o mesmo, sempre que formos vítimas dos maus serviços dessa transportadora?

(Ah, e se continuam a achar hilariante aquilo que eu escrevo, esperem só até eu vos mostrar a resposta que essa exemplar empresa de transportes públicos deu às minhas reclamações. É, como se costuma dizer, de partir o coco a rir!...

Mas isso fica para amanhã…)

sexta-feira, janeiro 25, 2008

PROCURA-SE !!!


Este é o retrato-robot do sr. António Carlos Mota Ferreira (supõe-se que seja esse o nome, mas não temos a certeza…).
O indivíduo é procurado por suspeita de ter cometido os seguintes actos ilícitos:

Lava as mãos (sempre que: urina ou defeca; mexe em coisas sujas; prepara refeições; almoça, janta, lancha ou simplesmente petisca. Há quem afirme também tê-lo visto lavar as mãos depois de brincar com cães sujos ou com gatos fedorentos – mas isso é uma suspeita não confirmada. A outras também não são confirmadas, mas enfim… parecem ser mais credíveis. Porque sim.)

Não comunica ou recusa-se a falar (com pessoas que, sistematicamente, não entendem – ou fingem não entender – as coisas que lhes são ditas e explicadas, e explicadas repetidamente, muitas e muitas vezes).

Acresce que – a avaliar pela imagem que temos dele, e que reproduzimos – o indivíduo acima referenciado deve sofrer de anomalia psíquica grave (olhem para ele e digam lá se não é verdade…).
Com base nos dados de que dispomos, supõe-se, portanto, que o senhor António Carlos Mota Ferreira constitui uma séria e grave ameaça para si próprio e para os que com ele são forçados a conviver.
Deduz-se, também, que o suspeito terá recusado submeter-se a tratamento psiquiátrico que (diz-se por aí, logo deve ser verdade) já lhe terá sido proposto.

Ora, estes pressupostos (avalizados pela imagem acima reproduzida, e pelas opiniões expressas por quem não o conhece), permitem-nos – penso eu de que - agir em conformidade com a Lei nº 36/98, de 24 de Julho (Lei da Saúde Mental) e enviar o indivíduo para avaliação psiquiátrica urgente, com vista a posterior internamento em estabelecimento de Saúde devidamente licenciado para o efeito.

Pede-se, portanto, (e ao abrigo da Lei supracitada) a quem souber do paradeiro do sr. António Carlos Mota Ferreira, que o comunique, com urgência, à autoridade policial mais próxima, ou à Delegada de Saúde do Concelho de Almada, para que estas autoridades do Estado possam tomar as devidas providências a fim de encaminhar tão nefasto indivíduo a local onde possa receber o devido tratamento, em regime de internato, longe dos olhares e do convívio dos pacatos e cumpridores cidadãos que constituem esta nossa sociedade contemporânea, saudável e normalizada de acordo com as regras das instâncias comunitárias que tutelam este sub-sector da vida em comum.

A bem da Nação (e da indústria farmacêutica)

Publique-se

Dr. Abreu Santinho
Pessiquiatra e jurixta nas horas vagas


PS: Se, por azar, as suspeitas que recaem sobre o indivíduo não se confirmarem após a necessária avaliação psiquiátrica… olha, azar!...
Azar o dele!
Deixem lá, não se preocupem com isso. Denunciem-no na mesma, e depois logo se vê.
Pensam que o tipo vos pode acusar de alguma coisa?
De quê? Difamação? Irregularidades processuais?
De o nome dele, afinal, nem ser António Carlos Mota Ferreira?
E o que é que isso interessa?
Bah! São coisas perfeitamente irrelevantes.
“Peanuts”, como dizem os americanos.


Anexos:

Da lei 36/98 (Lei da Saúde Mental)

Capítulo II
Do internamento compulsivo
Secção I
Disposições gerais

Artigo 8.º;
Princípios gerais
1 - O internamento compulsivo só pode ser determinado quando for a única forma de
garantir a submissão a tratamento do internado e finda logo que cessem os
fundamentos que lhe deram causa.
2 - O internamento compulsivo só pode ser determinado se for proporcionado ao
grau de perigo e ao bem jurídico em causa.
3 - Sempre que possível o internamento é substituído por tratamento em regime
ambulatório.
4 - As restrições aos direitos fundamentais decorrentes do internamento compulsivo
são as estritamente necessárias e adequadas à efectividade do tratamento e à
segurança e normalidade do funcionamento do estabelecimento, nos termos do
respectivo regulamento interno.

Secção III
Internamento
Artigo 12.º;
Pressupostos
1 - O portador de anomalia psíquica grave que crie, por força dela, uma situação de
perigo para bens jurídicos, de relevante valor, próprios ou alheios, de natureza
pessoal ou patrimonial, e recuse submeter-se ao necessário tratamento médico pode
ser internado em estabelecimento adequado.
2 - Pode ainda ser internado o portador de anomalia psíquica grave que não possua
o discernimento necessário para avaliar o sentido e alcance do consentimento,
quando a ausência de tratamento deteriore de forma acentuada o seu estado.
Artigo 13.º;
Legitimidade
1 - Tem legitimidade para requerer o internamento compulsivo o representante legal
do portador de anomalia psíquica, qualquer pessoa com legitimidade para requerer a
sua interdição, as autoridades de saúde pública e o Ministério Público.
2 - Sempre que algum médico verifique no exercício das suas funções uma anomalia
psíquica com os efeitos previstos no artigo 12.º; pode comunicá-la à autoridade de
saúde pública competente para os efeitos do disposto no número anterior.
3 - Se a verificação ocorrer no decurso de um internamento voluntário tem também
legitimidade para requerer o internamento compulsivo o director clínico do
estabelecimento.
Artigo 14.º;
Requerimento
1 - O requerimento, dirigido ao tribunal competente, é formulado por escrito, sem
quaisquer formalidades especiais, devendo conter a descrição dos factos que
fundamentam a pretensão do requerente.
2 - Sempre que possível, o requerimento deve ser instruído com elementos que
possam contribuir para a decisão do juiz, nomeadamente relatórios clínicopsiquiátricos
e psicossociais.


Texto completo da lei (em documento .pdf):
www.estig.ipbeja.pt/~ac_direito/LSMental.pdf

quinta-feira, novembro 08, 2007

Notícia chocante!!!

(Interrompo o alinhamento deste blogue para divulgar a seguinte notícia, publicada na edição de hoje do diário de distribuição gratuita Global)


Homem que furtava cobre apanhou choque

«Um ladrão apanhou ontem uma descarga eléctrica, em Almada, provocando o corte momentâneo de energia no hospital Garcia de Orta, no Fórum Almada» ... (aparte meu: no computador que eu estava a utilizar)... «e no quartel dos bombeiros de Cacilhas. A vítima» ... (outro aparte meu: vítima?...) «de 38 anos, furtava, com mais dois homens, cobre do posto de transformação da EDP quando apanhou a descarga.»

(Viram isto?! Já nem se pode "furtar", nesta terra!)

quinta-feira, outubro 25, 2007

A minha homenagem ao Vladimir...

Agora que o presidente russo, Vladimir Putin, está de visita a Portugal, eu até devia dizer aqui duas ou três patacoadas sérias... Mas.. epá, desculpem lá! É que não consigo. Não me ocorre nada sério, mesmo.
A não ser, talvez, relembrar as palavras sábias do grande jornalista José Milharazes...

Isto foi já há alguns anos. (Se calhar, até está desactualizado, eh eh eh!...) Mas olhem, por aqui não consegui arranjar melhor ...
Então, pronto, é assim. Desculpem lá a pobreza deste "post". Mas é como vos digo, e repito: infelizmente a visita de Vladimir Putin a Portugal não me inspira a dizer nada de mais relevante, e... Epá! espera aí...
É que, entretanto, estava eu já de saída, e lembrei-me ainda disto:

(GNR, "Piloto automático".)
Agora, porque carga de água associei uma tão importante visita de Estado a uma cançãozita de uma banda portuguesa que, ainda por cima, tem nome de força policial?
Pois é... Boa pergunta!

Olha, que tal procurarem a resposta para tão inquietante dúvida... sei lá, no blogue do José Milhazes, não? O verdadeiro... o autêntico... o original.
Aqui: darussia.blogspot.com

segunda-feira, setembro 24, 2007

O «Bando Comunista Organizado»

Ora vocês pensavam, por acaso, que esta coisa dos “anónimos” é alguma inovação surgida com estas novas tecnologias, assim tipo internet, ou blogosfera, ou lá o que é isto? Então, vejam lá esta “pérola” de propaganda anti-comunista:


Isto é, como se percebe, do início da década de 90 do século passado. Apareceu, uma certa noite, em Almada, nos limpa para-brisas dos carros estacionados por essas avenidas acima (e abaixo). Eu, apesar de não ter carro, tive a sorte de ficar com um destes papelinhos, para vos poder mostrar agora.
Repararam no estilo? «A democracia ainda não chegou a Almada»; «nós, as vítimas, não poderemos ficar calados, ante tão evidente e escandaloso benefício do infractor»; «votar no PCP, mascarado de CDU, já não é só uma vergonha, é um Escândalo Nacional» (gosto particularmente do uso que aqui é feito das iniciais maiúsculas...).
Para rematar: «de prepotentes e totalitários até a União Soviética ficou farta», afirmação categórica, assinada, como não podia deixar de ser por essas desgraçadamente anónimas «Vítimas do Bando Comunista Organizado do CCCA».

Faz lembrar alguma coisa actual? Faz, não faz?