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sábado, março 05, 2011

Almada, Janeiro de 1987


Este vídeo é da inauguração de um evento cultural, na antiga Oficina da Cultura de Almada. O momento aqui documentado aconteceu no dia 24 de Janeiro de 1987: é a "cerimónia oficial" (ou o "moscatel de honra", se vos der mais jeito) de abertura da Semana do Livro de Almada.

Tenho, no meu canal do Youtube, mais vídeos do evento. E não me apetece alongar-me agora em detalhes sobre o assunto. (Hei-de escrever mais sobre isto, mas não aqui nem agora.)

Ao divulgar este documento espero, sim, estar a contribuir para esclarecer alguns blogueiros e respectivos leitores com aspirações a "fazedores de opinião"... mas eventualmente tão mal informados que pensam (pensam?), por exemplo, que Maria Emília de Sousa é presidente da Câmara de Almada desde o 25 de Abril.

(Não, não estou a brincar: li mesmo uma coisa assim, não há muito tempo, num blogue cá da terra.)

Então, para que a História não seja esquecida (nem "reescrita" à vontade dos diversos fregueses), aqui está, neste vídeo, José Martins Vieira, primeiro presidente eleito da Câmara Municipal de Almada, manifestando o seu apoio às actividades promovidas pelo Centro Cultural de Almada, num tempo em que a Cultura era (mesmo) um parente pobre da actividade municipal. Deste município como de todos.

Vejam o vídeo, divirtam-se. E, se tiverem dúvidas, perguntem-me antes de "opinarem" com os disparates do costume, ok?

quinta-feira, setembro 02, 2010

"Vinte anos, vinte festas" - artigo do Sul Expresso sobre a Festa do Avante de 1996


Em 1996 a Festa do Avante comemorava 20 anos (começou em 1976), cumpria a 20ª edição (seriam 21, mas a de 1997 não se realizou, por falta de terreno) estava pela sétima vez na margem sul do Tejo (o primeiro ano na Quinta da Atalaia foi 1990)... e, com tanta História, não deixava de ter grandes novidades para apresentar!

Consolidadas as infra-estruturas no terreno, faziam-se, nesse ano, algumas "experiências" com a disposição dos pavilhões (ver texto abaixo: reportagem de Adelaide Coelho para a Revista Sem Mais) e abria-se ao público, pela primeira vez, uma zona até então "interdita": o espaço contíguo à Baía do Seixal, com um pequeno lago dentro do recinto da Festa. Mas a grande e relevante novidade seria a actuação de uma orquestra sinfónica no Palco 25 de Abril. A experiência foi tão boa que se repete até hoje: o palco principal abre sempre, na sexta-feira, com música sinfónica!

Neste texto para o Sul Expresso, eu (que era um assíduo frequentador da Festa - nunca falhara uma, desde 1987) tentei, como me competia enquanto jornalista, escrever de forma "distanciada", sem demonstrar as minhas simpatias. Daí alguma ironia patente na peça... Talvez até demais, reconheço.

Curiosidade suplementar: a fotografia que ilustra este artigo é de uma década antes, na Festa do Avante de 1986 - a última realizada no Alto da Ajuda. É uma imagem captada por mim, no anfiteatro do palco principal, com uma máquina fotográfica Praktika MTL5 utilizando película ORWO e revelada no laboratório de fotografia do Centro Cultural de Almada.

sexta-feira, julho 30, 2010

Tipo, uma homenagem a António Feio

António Feio (Lourenço Marques, 6 de Dezembro de 1954 — Lisboa, 29 de Julho de 2010).

Num país como Portugal, onde o génio humorístico popular é fértil mas se fica pelo nível da anedota, aparecem, de longe em longe, personalidades que agarram nessa característica lusa e a elevam a Arte. O actor (o grande actor) António Feio, que agora nos deixou, era uma dessas raras personalidades.

Recordo-o aqui numa série de 2001/2002: Paraíso Filmes (que considero ser do melhor que se fez em Portugal, em termos absolutos - e não apenas no género "humorístico"). António Feio fazia, entre outros personagens o do realizador residente da "produtora independente da Trafaria" E yá, era tipo o meu presonagem preferido.

Um longo e sonoro aplauso! Até sempre.

sábado, julho 10, 2010

1980: o ano em que a Festa do Avante foi em Julho


A Festa do Avante de 1980 foi há 30 anos. Dito desta forma pode parecer uma coisa óbvia: entre 1980 e 2010 decorreram trinta anos. Mas não é bem assim. Porque a Festa do Avante de 1980 não se realizou na data habitual (primeiro fim de semana de Setembro), mas sim nos dias 11, 12 e 13 de Julho. Está, portanto, a fazer 30 anos agora mesmo, no presente fim de semana de Julho.

Suponho que o adiantamento da data estará relacionado com o facto de se terem realizado nesse ano eleições legislativas (em Outubro) e presidenciais (em Dezembro, primeira volta). Mas suponho, apenas - não tenho informação mais objectiva sobre o assunto.

Dessa Festa do Avante de 1980 recordo, sobretudo, o grande espectáculo no Palco 25 de Abril, com Chico Buarque, Simone, Edu Lobo, o MPB4...

No entanto, porque as memórias são de acontecimentos de há três décadas, prefiro não me fiar muito nelas. Vejamos antes o que escreveu a imprensa da época sobre o que iria ser essa edição da Festa do Avante!


Notícia do Diário de Lisboa de sexta-feira, 11 de Julho de 1980.
"A Festa do Avante, órgão central do Partido Comunista Português, começa ao fim da tarde de hoje. Às 19 horas - e sabe-se como os comunistas são organizados... - os portões da Festa, no Casalinho da Ajuda, abrir-se-ão. E vai ser um nunca mais de gente a entrar, como aconteceu nos anos anteriores (500.000 entradas em 1979).

O jornal destacava a programação do palco principal, referindo também alguns dos outros palcos e auditórios. E, mais adiante, referia a exposição sobre o 4º centenário da morte de Luís de Camões e o lançamento de uma edição especial de "Até Amanhã, Camaradas", de Manuel Tiago, ilustrado por Rogério Ribeiro.


Noticiava "o diário" na terça-feira, 8 de Julho: "ampliando e enriquecendo a experiência do ano passado, também este ano no Pavilhão Central da Festa haverá uma exposição sobre «Arte popular e Património Cultural».

Uma semana antes da Festa, o Avante divulgava: "a música que se faz nas várias regiões do país estará presente na zona central da Festa, através da actuação de coros, ranchos e bandas"

Vinham de todo o país. E Almada também estava presente, com "Tocadores de Gaitas de Foles e do Grupo de Arte Popular, ambos do Centro Cultural de Almada"

(Note-se, a propósito, que a Banda da Incrível Almadense também actuou, durante os dias desta edição da Festa, mas noutro contexto - por exemplo, na sexta-feira, no Palco da Emigração)

Em 1980, a referência na imprensa cultural de "artes e espectáculos" era o semanário Se7e. Que, na edição de dia 9 de Julho, dedicou uma página ao evento.

"A Festa do Avante, anualmente realizada desde que a Revolução dos Cravos a tornou possível, constitui um acontecimento com a particularidade de transcender o círculo ideológico da sua organização, atraindo pessoas de variadas tendências. O programa deste ano estende-se por três dias (11, 12 e 13 de Julho) e inclui teatro, cinema, música, desporto, circo, exposições, colóquios e outras manifestações de carácter cultural e recreativo.

O se7e destacava a ainda pouco conhecida Simone (que teve a sua apresentação ao público português precisamente nessa Festa do Avante): "Simone é uma das presenças brasileiras na Festa do Avante. Ex-campeã do Mundo de basquetebol, não restam grandes dúvidas de que canta melhor do que jogava"

Ao palco instalado no Pavilhão Central (não havia ainda Avanteatro) vieram esse ano dois encenadores da RDA apresentar um trabalho com actores do Teatro de Campolide (assim se chamava, ainda, a actual Companhia de Teatro de Almada) sobre cenas de "A Mãe", de Bertolt Brecht.


Escrevia o Avante de dia 3 de Julho:

"Dois destacados encenadores da República Democrática Alemã" (Peter Kleinert e Peter Schrot, do Palastheater, de Berlim) "especialistas na obra de um dos mais importantes homens de teatro do nosso século - Bertolt Brecht - deslocaram-se a Portugal no âmbito da Festa do Avante e prepararam um espectáculo com actores do Grupo de Campolide, baseado em cenas e canções da conhecida peça de Brecht «A Mãe», que se destina a ser apresentada no auditório A do Pavilhão Central na noite do próximo sábado." (...)

"O espectáculo tem estado a ser preparado no Teatro da Academia Almadense (sede do Grupo de Campolide que, aliás, vai brevemente transformar-se em Centro Dramático de Almada - Companhia Profissional, aprofundando assim ainda mais o seu processo de radicação naquela importante zona operária da margem sul) e quando for apresentado ao público terá completado um total de 11 ensaios em apenas 5 dias (...)

quinta-feira, março 25, 2010

"Atenção putos de Almada e arredores! Querem aprender música?"


Tenham a gentileza de olhar para este recorte de imprensa. É a notícia de um curso de "iniciação musical" para crianças de Almada "e arredores". Se vocês se sentem com queda para a música e têm vontade de desenvolver esse atributo, insistam com os vossos paisinhos para vos inscreverem no curso (...)".

Ora bem, "queda para a música" - digamos assim, já que é assim que está na notícia - é algo que, em Almada, existe, e muito, há muito tempo. Nesta cidade (neste Concelho), as principais colectividades, e as mais antigas, tiveram a suas raizes, precisamente, em grupos de música. Veja-se o emblemático caso da mais que centenária Incrível Almadense (e da "sucedânea" - e rival, durante muitas décadas - Academia Almadense). Ou o caso da SFUAP (para não esquecer a outra das "três grandes" do associativismo "tradicional" em Almada).

Cito, a propósito, o site da SFUAP (porque é aquele onde encontrei esta ideia melhor explicada, e só mesmo por isso, ok, pessoal das outras colectividades?):

"A SFUAP deve a sua fundação, em 23 de Outubro de 1889, a um grupo de residentes da Cova da Piedade, na sua maioria operários corticeiros, de um modo geral imbuídos do espírito da época: criar uma banda de música.
No fundo, impulsionada, protegida mesmo, pelo vigoroso amor dos seus fundadores, a colectividade surgiu, precisamente, quando as ideias liberais agitavam os homens de Almada, sofrendo a sua benéfica influência.
Começou com a música, logo alargando a sua actividade ao teatro. Alguns anos mais tarde, face às inúmeras carências de instrução que afligiam a população, a SFUAP enveredou pela instrução criando uma escola com aulas diurnas para crianças e nocturnas para adultos. Três semanas após a abertura da escola nas instalações da sede, as aulas já tinham uma frequência de 110 alunos."

Isto era, por assim dizer, o princípio (aliás, um dos inícios) do que viria a ser um movimento associativo forte, influente e criativo em Almada, cidade e concelho.

A música esteve sempre presente nessa caminhada.

Assim, não é de estranhar que, no princípio dos anos 80 do século 20, quando aparece o chamado "boom" do chamado "rock português", Almada seja - com o Porto - uma das "capitais" do fenómeno. Lembremo-nos de bandas como UHF, Xutos e Pontapés, Iodo, Roquivárius - todas "de referência" nessa época, e algumas ainda em actividade - que nasceram em Almada ou que, de alguma forma, estiveram fortemente ligadas a esta terra.

Ora, o recorte de imprensa é (não sei se já repararam...) de 1982, mais precisamente de dia 25 de Março - ou seja: faz hoje 28 anos que foi publicado. Eu, que gosto muito de aproveitar as "efemérides", lembrei-me de o (re)publicar agora. Mas não é para falar do passado. É para, tendo o passado (a História) como referência, reflectir sobre o que temos hoje, olhando em frente.

Há 28 anos, quem estava a promover aquele curso era uma associação de "novos" (na época) agentes culturais. Uma estrutura que lutava - arduamente e com escassos recursos - em prol de uma mudança de mentalidades na maneira de encarar os assuntos da Cultura e, particularmente, a formação dos animadores culturais. Era uma estrutura que defendia e promovia um trabalho de base, muitas vezes ignorado ou mal visto, para dar formação às pessoas que - em áreas tão distintas como sindicatos, comissões de moradores ou de trabalhadores, escolas, empresas - tentavam, com o que tinham à mão (e muitas vezes sem os conhecimentos técnicos necessários), fazer "trabalho cultural" junto das suas comunidades.

Chamava-se, essa associação, Centro Cultural de Almada. (Eu estive lá, e hei-de contar um pouco da sua história. Mas não aqui nem agora.)

Em 1982, o (ou a) jornalista que escreveu a notícia a que me tenho vindo a referir, julgou importante dar umas "dicas" - com sentido de humor, note-se - para convencer os papás a inscrever as criancinhas no curso. A acção formativa até nem seria muito cara, mas vivia-se um tempo de crise económica, que afectava, muito severamente, o distrito de Setúbal (os anos 80 foram quase tão maus como esta década, nesse aspecto). Ou seja, não havia "massa" - traduzindo: "guito" - para essas coisas do Ensino e da Cultura!

Mas o (ou a) articulista insistia: "Aproveitem uma altura em que eles estejam hipnotizados diante do aparelho de televisão e comecem a falar-lhes no tal curso, garantindo-lhes que ficareis traumatizados para toda a vida se eles se opuserem ao vosso legítimo direito de aprender música. É preciso insistir tanto que eles se vejam perante o risco de perder o programa televisivo".

Que sábias palavras e que douto conselho, ó meus amigos!

Em 1982 eram "os paisinhos" quem ficava frente à televisão - os putos queriam era rua!

Hoje, são "os putos" quem fica frente ao écran. Estão a ver como - citando o Grande Vate - "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades"?

Noto que "os putos" daquele tempo estão, supostamente, em vantagem. Porquê? Pois, por isso mesmo: já devem conhecer a técnica para tirar partido de alguém que esteja hipnotizado por um écran. Se, nos oitentas faziam isso com os pais, não conseguem agora fazê-lo com os filhos?

Pois bem, era isto, apenas, o que eu queria dizer. Reflectir sobre o passado para, olhando em frente, avaliar melhor a actualidade (como já referi antes). Ou, citando outro grande poeta, ter em conta que "só as lições da realidade nos podem ensinar a transformar a realidade".

Mas - e desta vez é mesmo para concluir - não acredito que assim seja: que, em Portugal, as lições da realidade nos ensinem alguma coisa. Somos muito imediatistas. Sempre fomos. É uma evidência histórica. Até mesmo da História recente: na década de 90, com tanto dinheiro, com tantos apoios "da Europa", com tanta criatividade de súbito desatada... preferimos continuar com o nosso mau fado, com o nosso choradinho. E agora, amiguinhos, vivemos um tempo de retrocesso civilizacional. Felizmente há sinais, ainda ténues, que indicam que podemos estar a sair desse retrocesso. Digo eu, mas eu sou um optimista incorrigível. Com a tendência bipolar e a falta de memória histórica do bom povo português, não sei, não...

domingo, março 21, 2010

21 de Março é, também, o Dia Universal do Teatro (ou do teatro de amadores)!?


Convencionou-se comemorar o Dia Mundial do Teatro a 27 de Março. Toda a gente minimamente interessada no assunto sabe isso. Mas sabiam que, a 21 de Março, se comemora também (além dos dias da árvore e floresta e da poesia) o Dia Universal do Teatro, também conhecido como Dia do Teatro Amador (ou do teatro de amadores)?

Eu não sabia, até descobrir este texto, escrito pelo dramaturgo português Jaime Gralheiro para a Associação Portuguesa de Teatro de Amadores e publicado pelo Centro Cultural de Almada em 1979.

Porque existem duas efemérides tão semelhantes e logo em datas tão aproximadas?

Pois, isso também eu gostava de saber. Mas não encontrei documentação sobre o assunto. Há informação, sim, sobre o Dia Mundial do Teatro (27 de Março) mas, sobre o dia do "teatro amador" a informação que encontrei é, além de escassa, inconclusiva (as fontes consultadas não coincidiam nem nas datas que apontam para a efeméride: há quem refira o dia 16 de Dezembro, em vez de 21 de Março...).

Fiquei com vontade de procurar melhor, para esclarecer esta dúvida.

sábado, março 13, 2010

Tágides 2010, este fim de semana em Almada



Confesso que não sou grande apreciador de tunas académicas. Nunca fui. Não lhes acho particular piada. Mas, enfim, é uma expressão cultural - que, como tantas outras às quais não acho muita piada - não desdenho.

Almada tem um festival internacional de tunas, Tágides, que vai já na 18.ª edição. E que decorre este fim de semana. (Programa disponível aqui.)

Eu registo e divulgo. Até porque o festival - embora não faça o meu género, como já disse - serve, também, para trazer animação a Almada Velha, com já tradicional desfile das tunas pela Rua Capitão Leitão (e eventualmente, mais algumas coisitas que o "espírito académico" traga por acréscimo, não é?).

Ah, pois: além disso tenho uma história para vos mostrar (ou melhor: dar a ouvir), relacionada com a segunda edição do evento, em 1994. Interessados? Vejam o artigo abaixo deste.

quarta-feira, março 10, 2010

"A Poesia da Realidade"


"The Poetry of Reality (An Anthem for Science)" - "A Poesia da Realidade (Um Hino para a Ciência)" - é um dos vídeos do projecto (julgo que posso chamar-lhe isso) Symphony of Science.

No respectivo site - http://symphonyofscience.com/ - leio que se trata de "um projecto" (ora bem...) "musical liderado por John Boswell, concebido para divulgar conhecimento científico e filosofia em forma de música. O projecto" (pois, é mesmo um projecto...) "deve a sua existência em larga medida ao magnífico trabalho de Carl Sagan, Ann Druyan e Steve Soter, de Druyan - Sagan Associates". É um projecto comercial, ok...

Comercial mas muito interessante em termos puramente musicais (julgo eu - mas, sinceramente, sou um leigo nessa matéria) e, principalmente, no objectivo, a que se propõe, de fazer chegar conceitos científicos ao "grande público" numa forma nova, manipulando vozes e transformando discursos em melodias cantadas. (O compositor, John Boswell, explica os seus objectivos e métodos em http://symphonyofscience.com/about.html)

Desta forma, temos a oportunidade de ouvir os cientistas e divulgadores a "cantar" coisas como «Science replaces private predjudice With publicly verifiable evidence», «The story of humans is the story of ideas That shine light into dark corners», ou «There's real poetry in the real world Science is the poetry of reality», no vídeo acima.

Ou então, no que se segue, «We are all connected; To each other, biologically To the earth, chemically To the rest of the universe atomically», «We live in an in-between universe Where things change all right But according to patterns, rules, Or as we call them, laws of nature», «The beauty of a living thing is not the atoms that go into it But the way those atoms are put together The cosmos is also within us
We're made of star stuff We are a way for the cosmos to know itself»


Estas "letras" estão disponíveis, também, no site Symphony of Science.

No Youtube, melhor ainda: quem lá colocou os vídeos - http://www.youtube.com/user/melodysheep - fez-nos o favor de os traduzir para português! Eu agradeço. E retribuo, divulgando.

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Uma carta aberta do Teatro Fórum de Moura


Companhias de teatro de Alentejo e Algarve sentem-se discriminados na atribuição de subsídios. O Teatro Fórum de Moura assume esse descontentamento, chega-se à frente e toma posição sobre o assunto, em carta aberta, que recebi e partilho.

«CARTA ABERTA À MINISTRA DA CULTURA, MARIA GABRIELA CANAVILHAS, E AO DIRECTOR GERAL DAS ARTES, JORGE BARRETO XAVIER

De: Teatro Fórum de Moura

Assunto: concurso de apoio directo às artes 2010, modalidade apoio anual

MEDIDAS DE DESCENTRALIZAÇÃO NÃO CHEGAM AO ALENTEJO E ALGARVE

APELAMOS AO AUMENTO DO MONTANTE FINANCEIRO PARA ESTAS DUAS REGIÕES

No comunicado da Direcção Geral das Artes de 8/1/2010 assinado por Jorge Barreto Xavier, e que anuncia a abertura dos procedimentos concursais, lê-se que “a distribuição do financiamento (global) observa um propósito de descentralização da oferta artística e cultural”. Mas pelo que veremos esta distribuição fica-se pelo “propósito”.

MAIS PROJECTOS PASSIVEIS DE APOIO, O MESMO DINHEIRO QUE EM 2009

No Alentejo e Algarve acontece uma mais que duplicação do máximo de projectos passíveis de serem apoiados, um factor aparentemente positivo. Mas este aumento é infértil porque o montante atribuído a cada uma destas regiões é semelhante ao de 2009.

Este facto leva-nos a concluir que o presente concurso está viciado porque, na realidade, nenhuma destas duas regiões terá possibilidade de ver mais do que 2 projectos apoiados, número também idêntico ao de 2009.

Analisados os montantes afectos a cada região para 2010 comparativamente com os montantes distribuídos em 2009 na modalidade de apoio anual, apenas a Região Norte é beneficiada com um aumento de cerca de 70.000 euros. O Alentejo obtém uma subida residual de 2.500 euros, o Algarve uma ligeira descida e o Centro perde cerca de 50.000 euros (porém, não consideramos esta situação tão grave como a do Alentejo e Algarve porque ainda assim o valor disponibilizado ao Centro é cerca de 4 vezes superior ao de cada uma destas duas regiões. Mas desta forma se vê que o aumento do Norte é maioritariamente feito com dinheiros do Centro e não de Lisboa e Vale do Tejo).

Esta distribuição dos montantes torna-se ainda mais grave ao analisarmos o número máximo de projectos a apoiar por região na sua relação com o valor médio afecto a cada projecto. O Norte passa de 9 projectos apoiados para a possibilidade de ver 10 projectos apoiados. O Centro passa de 4 para 5, Lisboa e Vale do Tejo passa de 12 para 10, o Alentejo de 2 para 5 e o Algarvetambém de 2 para 5, dando um total de 35 projectos.

No entanto nem todas as Regiões atingirão o máximo de projectos apoiados, já que o presente concurso se disponibiliza a apoiar apenas 29 projectos em termos globais, precisamente o mesmo número que em 2009.

É no valor médio que cada projecto pode valer que as discrepâncias regionais são enormes e bastante elucidativas. Partindo do principio que, de facto, qualquer uma das regiões pode alcançar o seu número máximo de projectos a serem apoiados, ainda que em desfavor de outras,
são estas as médias: no Alentejo o valor médio é absurdamente baixo, valendo um projecto apenas 17.000 euros, no Algarve 21.000 euros, no Centro 75.000 euros, em Lisboa e Vale do Tejo 48.500 euros, e no Norte 58.000 euros.

Analisando a relação nº de projectos/montantes de financiamento só podemos concluir que esta relação funciona como um colete-de-forças que irá prejudicar com especial gravidade as regiões do Alentejo e Algarve, dando uma ínfima margem de manobra ao júri que irá avaliar as propostas.

Perante esta relação tornam-se óbvias quais serão as regiões que não atingirão o número máximo de projectos apoiados: o Alentejo e o Algarve, que em conjunto poderiam ver 10 projectos aprovados, mas tendo em conta os montantes atribuídos dificilmente passarão dos actuais 4 projectos apoiados (2 para cada). Todas as outras regiões conseguirão atingir o número máximo.

Não é esta a forma de corrigir as assimetrias regionais, negando espaço de progressão ao Alentejo e Algarve, e também, de algum modo, ao Centro. E este facto não pode ser justificado pela falta de dinâmica nas diferentes áreas artísticas e nas diferentes regiões: lembramos que em
2009, falando agora do Alentejo, só na área do Teatro, 1 quarto das candidaturas não foram apoiadas. Há portanto nesta Região uma dinâmica a ter em conta, reconhecida local e regionalmente, mas que não é apoiada pelo Estado.

Lembramos também que dentro das próprias regiões há gigantescas disparidades: se em Lisboa e Vale do Tejo e no Norte, o grosso do financiamento atribuído em 2009 apoiou projectos nas cidades de Lisboa e Porto, no Alentejo mais de 2 terços do financiamento apoiou projectos no eixo Évora/Montemor-o-Novo, dois concelhos limítrofes do Distrito de Évora. Já não falando de apoios atribuídos na Região Alentejo a projectos com sede real em Lisboa.

Vistos estes factos, apelamos que os montantes de financiamento disponíveis sejam aumentados o mais rapidamente possível em favor de uma real correcção da macrocefalia nacional dos apoios atribuídos às artes, dando especial atenção à Região do Alentejo, sem dúvida a mais prejudicada no presente concurso.

Aguardando resposta ao nosso apelo, cumprimentos do Sul,

Pelo Teatro Fórum de Moura
Jorge Feliciano»

quarta-feira, dezembro 09, 2009

«O mau gosto, o pirosismo, é uma forma de Fascismo!», dizia o maestro Victorino d'Almeida, em 1987


Em Fevereiro de 1987, António Victorino de Almeida veio a Almada participar numa sessão evocativa do poeta Federico Garcia Lorca. Nessa sessão - promovida pela Câmara e pelo Centro Cultural de Almada, no âmbito da Semana do Livro desse ano - participaram também os escritores Olga Gonçalves e José Carlos Gonzalez, bem como o director da Companhia de Teatro de Almada, Joaquim Benite.

Sobre o evento propriamente dito, escreverei noutra ocasião. Porque o que quero mesmo, agora, é realçar um excerto da intervenção de Victorino de Almeida.

Falava-se sobre a Guerra Civil de Espanha. Sobre atitudes mais ou menos revolucionárias, sobre o papel da Arte na Revolução.

O maestro fez questão de lembrar que, na História da Humanidade, muitas revoluções existiram - a menor quantidade das quais na política.

Nas artes, por exemplo, apareceram grandes "revolucionários". Como Schoenberg - que, embora fosse, politicamente, um conservador, foi revolucionário na música. Schoenberg que, sendo essencialmente um "romântico" (de acordo com Victorino de Almeida), sentiu necessidade de lutar contra o "fácil", o "correcto" e o "bonito" - e ficou conhecido, principalmente, por isso mesmo!

Eu estive nessa sessão, a trabalhar para o Centro Cultural de Almada. Tive essa "sorte". Porque as palavras de Victorino de Almeida vinham reforçar as convicções que eu já tinha sobre o que queria fazer (na escrita, sobretudo): recusar o que é fácil e "bonito" - ou, como se passou a dizer mais tarde (e até hoje), politicamente correcto.

Aqui fica o tal excerto da intervenção do Maestro:

«Falou-se aqui em espírito revolucionário, falou-se aqui numa outra possível guerra, a guerra intelectual. (...) Uma guerra que pusesse, por exemplo, em oposição um teatro de Brecht a um teatro de Lorca. Há fazedores de guerra, que fazem essas guerras, que as criam. Está-se aqui a falar fundamentalmente de um revolucionário. Muitas vezes as pessoas têm dos revolucionários uma ideia tão fora daquilo que é a sua realidade. Há um revolucionário da História da música, o Schoenberg. Foi um revolucionário da música. Pessoalmente era um reaccionário, mas na música era um revolucionário. (...) Eu tenho lá em casa praticamente toda a obra do Schoenberg... Se as pessoas soubessem que 60 ou 70 por cento da obra é de um romantismo total, não tem a ver sequer com esta música. Eu até estou convencido que o Schoenberg na realidade até nem gostava deste estilo de música. Eu gosto mais do que ele! Simplesmente, o Schoenberg teve que lutar, como músico, contra o mau gosto, contra o pirosismo, que é uma forma de fascismo no fundo, também. Portanto era o anquilosar das ideias. Era o abastardar, o prostituir do romantismo. Foi contra isso que ele lutou. E portanto perante essa situação em que as coisas estavam a ser degradadas, aviltadas, pois ele teve que reagir e foi para a guerra. A escola de Viena, a grande revolução da escola de Viena (...).»

Palavras que nunca esqueci, e que me têm servido de referência na minha actividade artística. Ao longo de todos estes anos...

segunda-feira, novembro 16, 2009

Não sou anarquista, como se sabe. Mas apoio a luta do CCL para continuar naquele espaço!


Leio, no blogue A Tribuna do Marreta


QUEREM DESPEJAR O CENTRO DE CULTURA LIBERTÁRIA

O Centro de Cultura Libertária, espaço anarquista existente há 35 anos, está a ser ameaçado de despejo por parte do proprietário.

O CCL é um ateneu cultural anarquista fundado em 1974 por velhos militantes libertários que resistiram à ditadura, ocupando desde então o espaço arrendado no número 121 da Rua Cândido dos Reis, em Cacilhas. Tem sido um espaço fundamental para o anarquismo em Portugal acolhendo sucessivas gerações de anarquistas e libertários. O Centro possui uma biblioteca e um arquivo únicos em Portugal, com material anarquista editado ao longo dos últimos cem anos, assim como uma distribuidora de cultura libertária. Durante a sua existência, o Centro acolheu várias actividades, tais como debates, passagens de vídeo ou diversos ateliers. Diferentes publicações aqui se editaram, como a Voz Anarquista nos anos 70, a Antítese nos anos 80, o Boletim de Informações Anarquista nos anos 90 e o Húmus, mais recentemente.


Em Janeiro de 2009, foi instaurada por parte do proprietário do edifício uma acção de despejo contra o Centro. Esta acção foi contestada por vias legais, o que deu lugar a um julgamento que decorreu entre Setembro e Outubro. No dia 2 de Novembro, foi emitida a sentença que resultou na resolução do contrato de arrendamento, tendo sido dados 20 dias ao Centro para abandonar as suas instalações.


O Centro vai recorrer desta decisão. Nesta nova fase é preciso suportar custos que dizem respeito ao recurso e aos honorários do advogado.


Até à data ainda não sabemos exactamente a quantia necessária mas, pelo que averiguámos, será necessário reunir umas largas centenas de euros.

O contexto que deu origem a este caso não diz respeito apenas ao Centro de Cultura Libertária, mas a todos aqueles que se vêm a braços com a falta de escrúpulos dos senhorios e restantes especuladores imobiliários. É importante relembrar que, ainda que este processo tenha sido iniciado sob alegações do ruído excessivo produzido pelos frequentadores do Centro, estão em causa outros interesses, nomeadamente o do senhorio em rentabilizar o espaço, alugando-o por um preço bastante mais elevado do que o praticado agora.

O desaparecimento deste Centro significaria a perda de um importante espaço de reflexão, debate, luta e resistência.


À semelhança dos/as companheiros/as que lutaram para que este espaço existisse, resistiremos uma vez mais, e NÃO perderemos o CCL nem às mãos dos tribunais, nem da especulação imobiliária nem por nada.


Continuaremos a lutar para que este espaço continue!

Toda a solidariedade e apoio que possam dar força à resistência do CCL é da máxima importância e urgência.


Ver notícia completa em

(Pequena nota de rodapé: é apenas por limitações conjunturais - de tempo e de acesso a computadores - que não escrevo já a minha opinião sobre a importância que espaços culturais alternativos, como este, têm na sociedade cada vez mais "formatada" em que vivemos - mas hei-de escrever sobre isso, espero que não daqui a muito tempo)

sexta-feira, outubro 16, 2009

Finalmente, um concurso de graffitis em Almada!


Em Almada existem alguns dos melhores graffitis que conheço. Claro que também há muito lixo (como em todo o lado). Mas, por cá, temos obras de arte, pública e urbana, muito interessantes.

A Câmara de Almada decidiu, finalmente, promover um concurso de graffitis (à semelhança do que existe, por exemplo, no vizinho Seixal).

A partir deste sábado teremos a oportunidade de ver algumas paredes do concelho valorizadas com a criatividade destes artistas...

E já era tempo de fazer uma coisa destas!

quarta-feira, setembro 02, 2009

Michel Giacometti - vida e obra lembradas na Festa do Avante 2009


Michel Giacometti fez um discreto mas muito profundo e rigoroso trabalho de recolha das tradições musicais portuguesas. Será evocado, este ano, na Festa do Avante, com a projecção do filme biográfico "Serei Firme Até Morrer" (domingo, 20h00, auditório de projecção do Pavilhão Central) e um concerto por Manuel Rocha com base nas recolhas de Giacometti (sábado, 21h15, Palco de Setúbal).
Imagem e texto retirados do programa da Festa do Avante 2009.

quinta-feira, junho 04, 2009

Gambuzine#1 - uma nova série, agora anual (mas é pena)

Já está disponível a nova edição de um dos melhores fanzines que conheço (e conheço alguns, desde há alguns anos...).
Esta nova série do Gambuzine promete ser de periodicidade anual (o que é pena, digo eu, mas a editora - Teresa Câmara Pestana - lá terá as suas razões).


O presente número tem mais páginas que as edições anteriores (são 88, se contarmos com a nova - e filtrável - capa em cartolina), e mantém a qualidade a que já nos habituou. É essencialmente um fanzine de banda desenhada. Mas de banda desenhada pouco "convencional" ou, se preferirem, pouco "mainstream" - o que, a meu ver, só o valoriza. Publica autores novos (e alguns jovens, também), de países europeus (Portugal incluído) e dos EUA.

Neste número: Ivanna Armanini, Johanna Lonka, Ulli Lust, Claire Ienkova, Teresa Câmara Pestana, Beppi & Mary Knott, João Sequeira, Axel Blotevogel, Cirq, Raul Gardunha, Schmicko, Rautie, Lukas Weidinger, Tiitu, Matjaz Bertoncellj, Diana Waldschreck, Rafa.

Como vos tenho dito, percebo alguma coisa de zines, e é por isso que recomendo vivamente este novo Gambuzine. Mas não percebo nada (enfim, quase nada...) de BD - e é por isso que não vou dar particular destaque a nenhuma. Acho que são todas boas. E todas longe da escola tradicional (para nós, portugueses) que é a franco-belga (Tintin, Asterix, Lucky Luke e outros que tais).

Gambuzine não está à venda em todas bancas, nem mesmo na maior parte delas - mas está receptivo a colaborações.

Como o adquirir, então? E como colaborar?

Explica quem sabe (a editora, claro):

«Apesar de existirem alguns locais onde encontrar o gambuzine (ver site) é importante que se habituem a encomendar pelo correio a vossa porção de pequena tiragem, e é pelo correio que deverão enviar os vossos trabalhos em cd-r, 300 dpi, tiff, jpeg, ou no velho método da boa cópia p&b. Dada a homeopaticidade do meio, os trabalhos de Portugal têm de ser inéditos.»
Qualquer informação ou encomenda, nos contactos disponíveis em

terça-feira, maio 05, 2009

Vasco Granja, grata lembrança - e singela homenagem


Quando eu era ainda uma criança (nos anos 70 do século passado), havia na TV portuguesa um programa sobre cinema de animação. Não era um programa sobre "desenhos animados", não: era mesmo um programa sobre Animação.

Era apresentado, o programa, por um senhor chamado Vasco Granja. Esse senhor dava-nos a conhecer, além de "desenhos animados" de origens várias (desde os americanos da Warner Brothers aos checoslovacos - que terminavam com o inevitável koniec que faz parte do imaginário de muita gente da minha geração...), também expressões vanguardistas, como (por exemplo) as obras de um tal Norman McLaren...

Vasco Granja não se limitava a "apresentar" essas animações. Explicava, enquadrava, ajudava a perceber.

Fazia, em suma, "educação visual" (a que é - ou era... - possível de fazer num programa de televisão).

Em Junho de 1985, Vasco Granja foi a Sesimbra participar numa "semana da educação visual" da Escola Preparatória local. Foi - como lhe competia e tão bem sabia fazer - mostrar cinema de animação. E, porque precisava de um projeccionista (projeccionista é a pessoa que trabalha com a máquina de projectar), pediu um ao Centro Cultural de Almada.

Calhou-me a mim ir fazer essas projecções.

Foi assim que tive a grata oportunidade de conhecer um dos "ídolos" da minha infância.E é claro que, no final (meio envergonhado) lá lhe pedi um autógrafo. Que ele, com a sua simpatia e despretensiosismo, me concedeu.

Vasco Granja faleceu esta segunda-feira. Ficará na memória de todos os que (como eu) aprenderam a gostar e - mais importante - a entender a linguagem do cinema de animação.

Foi, nesse aspecto, professor de uma geração: e assim, e por isso mesmo, da lei da morte se há-de libertar.

Esta é a minha homenagem. Pequena, singela e comovida.


Entrevista com Vasco Granja, por Luis Villalobos:
http://www.amordeperdicao.pt/especiais_solo.asp?artigoid=119

terça-feira, abril 28, 2009

Abril de 1979: uma feira do livro e do disco, para crianças e jovens, em Almada...


...integrada nas comemorações do Ano Internacional da Criança. Se bem me lembro, nessa época, os "anos internacionais" tinham efeitos práticos. Pelo menos alguns deles: o "da criança" (1979) e, mais tarde, o "da juventude" (1985). Enfim, se calhar foram só esses dois... Ou não?

sábado, fevereiro 21, 2009

Teatro de Fantoches da AIPICA - Almada, Fevereiro de 1979




Este é um folheto publicado em Fevereiro de 1979 (há 30 anos, portanto) pelo grupo de Teatro de Fantoches da AIPICA - Associação das Iniciativas Populares para a Infância do Concelho de Almada.

A AIPICA, associação nascida do movimento popular pós-25 de Abril de 1974, congregava (à data deste folheto) 8 infantários do concelho de Almada, que serviam cerca de 450 crianças.

De acordo com o folheto, o grupo de teatro de fantoches "iniciou a sua formação no mês de outubro de 1978". Mas, como era algo de novo, sentia dificuldades: falta de tempo para ensaios, escassez de materiais e inexperiência dos membros que o constituiam. Obstáculos que, de acordo com o texto, foram superados "por meio da nossa intuição e do nosso contacto com os miúdos diariamente nas creches e jardins de infância". O grupo de teatro de fantoches da AIPICA apontava como seu grande objectivo "realizar uma acção cada vez mais profunda e responsável, com vista à criação do homem novo, amante da paz e do progresso, construtor da sociedade futura".

Estava enraizado na freguesia da Cova da Piedade, zona do "Pão de Açúcar" - onde, também em Fevereiro desse ano, a AIPICA tinha inaugurado um centro de Ocupação de Tempos Livres. (A data referida no folheto para a criação dos "tempos livres" é 21-2-79, mas dois documentos manuscritos, oriundos desse mesmo centro de OTL mas não assinados, mencionam o dia 2 de
Fevereiro para a mesma "efeméride".)




1979 foi o Ano Internacional da Criança.
A "Revolução dos Cravos" tinha ocorrido (ou começado?) há apenas 5 anos.

Neste ano de 2009 hei-de trazer aqui mais algumas coisas relacionadas com a actividade cultural que se fez em Almada durante esses já longínquos tempos.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Manoel de Oliveira: 100 anos!

O mais irreverente dos grandes realizadores portugueses de cinema comemora hoja 100 (cem!) anos de vida, e muitos - não sei quantos... - de cinema!

Nesta data, muito se terá já dito sobre o homem e o cineasta.
E eu, que não tenho nenhuma competência para acrescentar o que quer que seja de relevante, apresento, então, uma muito singela homenagem: o fac-simile de uma publicação do Instituto Português de Cinema, datada de 1979, com texto de um outro cineasta, também ele dos melhores que temos (António-Pedro Vasconcelos), a propósito do "escandaloso" Benilde ou a Virgem Mãe.




(E sim, considero mesmo que Manoel de Oliveira é o mais irreverente dos cinestas portugueses.)
Para conhecer melhor Manoel de Oliveira:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Manoel_de_Oliveira

quarta-feira, novembro 12, 2008

Uma "feira do fanzine"... em 1987


Porque está a decorrer até sábado a Feira Internacional do Fanzine de Almada - no Ponto de Encontro (Cacilhas) - pareceu-me boa ideia evocar aqui uma das primeiras mostras de "publicações alternativas" (não sei se não terá sido mesmo a primeira...) que se fizeram nesta cidade.

Foi assim: durante a década de 80 (do século passado, como se diz agora) existia uma associação cujo nome era Centro Cultural de Almada (e à qual tive a honra, digamos assim, de pertencer entre 1981 e 1987). O CCA tinha actividades pouco visíveis: era essencialmente um sítio onde os agentes culturais do concelho iam receber formação técnica e artística que lhes dava competência para melhor desempenharem as suas tarefas.

No entanto, de ano a ano, o CCA lá aparecia em público como co-organizador (com a Câmara Municipal) da - anual - Feira do Livro de Almada. Sei que foram realizadas no Jardim da Cova da Piedade, na antiga Oficina da Cultura... Mas dessas não me lembro: ainda não estava no CCA.

Lembro-me, sim, porque nela participei, de uma que se fez na praça São João Baptista - muito atribulada, devido à grande ventania que ali se fazia sentir (e que a gente sentiu, de que maneira!...).


Ora bem: depois de dar uma ajudinha à realização de alguns desses (e outros) eventos, e já com alguma experiência (e já eleito para a direcção do CCA, ah ah ah!...) resolvi, em 1987, apresentar uma proposta para que se fizesse, na edição desse ano, uma mostra de edições de novos/jovens (não, aqui não é para riscar o que não interessa) autores. E importa referir que, nesse tempo, existiam muitos fanzines de poesia e literatura em geral (que conheci através do DN-Jovem, suplemento do Diário de Notícias - suplemento entretanto extinto - que estava a fazer um trabalho excepcional de divulgação de novos/jovens autores - embora com critérios de selecção que, às vezes, eram um bocadinho "incompreensíveis"); e existia também o Contraste, que era uma "autêntica pedrada no charco" (desculpem lá a piroseira, mas não me lembrei de expressão mais adequada).


A proposta foi aceite e a coisa realizou-se mesmo. Só que, como foi há tanto tempo, e como eu "perdi" os meus arquivos anteriores a 1998 (por razões que, como se costuma dizer "me ultrapassam" e que são demasiadamente complexas para explicar neste blogue - embora eu já o tenha tentado fazer...), já não me lembrava que, afinal, não se concretizou na Feira do Livro desse ano, mas sim numa "Semana do Livro" (nem sei se chegou a haver feira em 87, porque saí do CCA logo a seguir a essa "semana").


Ora, eu andava realmente meio esquecido destas coisas. Até que, há poucos dias, um feliz acaso (digamos assim...) me fez ter acesso a alguma documentação publicada pelo CCA. E isso refrescou-me a memória, sim senhor! (Bem, para dizer a verdade, a documentação de que agora disponho é tanta e tão interessante que estou como um miúdo numa loja de guloseimas... Mas adiante.)
Portanto, na Semana do Livro de Almada, em 1987, havia um espaço de exposição, distribuição e venda de trabalhos de autores novos, e jovens. Como complemento, fizeram-se recitais de poesia, uma "performance" poético-musical (julgo que se podia enfiar-lhe esse rótulo) e um debate sobre "edição e divulgação de jovens autores", com a participação de putos que tinham a mania que sabiam escrever (eu era um deles), de outros que por acaso até já sabiam, de outros, também, que publicavam os seus trabalhos em fanzines e outras edições "alternativas" (eu ainda não era um deles) e abrilhantado com a presença do director do DN-Jovem, Manuel Dias.


Foi muito interessante. Não sei é se serviu para alguma coisa.

E pronto, era isto o que eu tinha para vos dizer acerca desse esboço de "feira do fanzine".


Querem mais informação sobre o evento que enquadrou e englobou essa mostra proto-fanzineira? Está bem. Pois tomem nota:
A Semana do Livro de 1987 decorreu entre 24 de Janeiro e 1 de Fevereiro desse ano, na Oficina da Cultura (a antiga, aquela que a partir de 1988 passou a ser o Teatro Municipal). Organizada pelo Centro Cultural e pela Câmara Municipal de Almada, teve, além de livros, um variado programa de actividades, nas quais participaram figuras maiores da cultura portuguesa, como António Victorino de Almeida, Joaquim Benite, Maria Aliete Galhoz, Luzia Maria Martins, entre outros. Do programa constavam: uma evocação de Aquilino Ribeiro (com projecção de documentário alusivo e um debate com a presença do filho do escritor, Aquilino Ribeiro Machado); uma homenagem ao conceituado professor universitário Manuel Viegas Guerreiro; um debate sobre jornalismo de investigação (a propósito do lançamento de um livro do jornalista especializado em questões do "Médio Oriente", José Goulão); colóquios sobre Federico Garcia Lorca e sobre Cesário Verde; espaços de divulgação de trabalhos de escritores vinculados ao concelho de Almada...
Bem, e tanta coisa mais que, se vos fosse contar tudo o que de interessante aconteceu durante essa semana, nunca mais saía daqui.
Portanto, saio agora e vou à minha vida. Fiquem bem (e apareçam na Feira do Fanzine!)

quinta-feira, novembro 06, 2008

joão vasco henriques vai para a Rússia - Almada organiza grandiosa Festa de Despedida !!!


Eu queria dizer-vos quanto fiquei satisfeito pela eleição de Barack Obama como Imperador do Mun... quer dizer, como Presidente dos Estados Unidos da América - mas entretanto fiquei novamente sem acesso à internet (situação que é recorrente, como os que acompanham estas coisitas minhas já entenderam). E hoje, dia em que volto a postar postas neste blogue, outros
valores mais altos se alevantam. Portanto, deixemos o Obama para mais tarde.

Acontece que o meu amigo poeta - e actor, e encenador, entre outras coisas - joão vasco henriques (e sim, o nome dele escreve-se mesmo assim, sem "caixa alta") está de partida para Leninegrado... hããã... porra, quer dizer, perdão!, lá estou eu com os meus enganos... está de partida para São Petersburgo, onde se vai juntar ao elenco do "Mr. Pejo's Wandering Dolls".

No entanto, como não há viagens para São Petersburgo grátis, e como o vasco é um teso, precisa de angariar fundos. Vai daí, um grupo de amigos reuniu esforços e boa vontade para organizar uma "festa de despedida" (a Festa de Despedida de joão vasco henriques), na qual se espera reunir, também e principalmente, muito dinheiro: o suficiente para, pelo menos, despachar o nosso amigo lá para a Terra dos Ursos.

Mas então, essas festas de despedida não se fazem em privado, entre amigos?, pergunto eu (já que vocês não perguntam - ou, se perguntaram, eu não vos ouvi, tal é o barulho das luzes).

Fazem-se, pois. Mas não esta. É que, como viajar de Almada para São Petersburgo é mesmo caro (como, aliás, devem calcular), os amigos do vasco decidiram fazer, mais que uma festa de despedida, um evento cultural (do qual ainda não conheço muitos pormenores - e é por isso mesmo que não vos posso dizer mais nada sobre o assunto).

A festa/evento cultural e tal, está neste momento a decorrer, no bar do Teatro Extremo, em Almada Velha. E é para lá que eu
vou, daqui a pouco. Depois conto-vos como foi. Se conseguir, claro (que nestas coisas de festas, nunca se sabe...).